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Xadrez nos Açores, aflição nos media

por José Mendonça da Cruz, em 26.10.20

O «risco de uma maioria absoluta» de direita que um pobre pivô temia concretizou-se nas eleições açorianas.

Esperam-nos, portanto, dias extremamente interessantes até ficarmos a saber se a direita de PSD e CDS é cobarde e deixa o PS formar governo; ou se faliu de vez, prestando-se uma ou outra das duas primeiras agremiações a formar governo com a terceira.

Claro que se a direita fosse politicamente corajosa, vencia o nojo ao Chega, como o PS venceu o nojo aos comunistas do PC e do Bloco, e assumia a governação, dando de passagem uma bofetada com luva de ferro ao governo central e sua geringonça.

Seja como for, esperam-nos tempos interessantes.

Se PSD e CDS formarem maioria absoluta e um governo com Chega, IL e PPM, havemos de divertir-nos muito com os contorcionismos de Sic, Tvi e RTP, em particular, e dos media, em geral, para explicarem que uma geringonça é benigna, natural e proveitosa em Lisboa, mas maligna, ilegítima e perniciosa em Ponta Delgada.

Se, por outro lado, PSD e CDS declararem nojo irreprimível a um Chega com o qual poderiam formar governo, teremos um Chega a fazer uma pergunta oportuníssima: «As luminárias da direita tímida que dizem que o Chega é o seguro de vida da esquerda não quererão explicar melhor essa sua tese?» A pergunta não deixaria de suscitar incómodos e consequências no continente.

Por fim, pode o Chega recusar qualquer negociação ou acordo. Com isso devendo esperar substancial perda de votos no continente.



14 comentários

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De Anónimo a 26.10.2020 às 08:03

Também vai ser divertido ouvir a geringonça de cá. 
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De Anónimo a 26.10.2020 às 08:53

Tendo perdido a maioria, o PS insiste que "ganhou" as eleições. É cómica a forma compulsiva como se alapam ao poder "daqui não saio daqui ninguém me tira!" 
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De Anónimo a 26.10.2020 às 09:22

VEIO PARA FICAR (https://porabrantes.blogs.sapo.pt/veio-para-ficar-5330615)

O Ventura, ex-psd e um dos mais talentosos políticos lusos, o talento na política mede-se por ganhar votos, disse que ia acabar com a maioria socialista nos Açores. E acabou com ela, destruindo o trabalho do Carlos César. Se não perceberam que o Chega (a cisão laranja) veio para ficar e que a Direita tem um novo componente, não perceberam nada.

https://porabrantes.blogs.sapo.pt/

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De Anónimo a 26.10.2020 às 09:31

O chega é um horror, um partido com alucinações em redor de uma personagem que não presta. Não há coragem política em fazer governação com eles. Diz um votante de direita.
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De Anónimo a 26.10.2020 às 10:02


Não creio que vá ser muito difícil o PSD e o CDS aliarem-se ao Chega. Parece-me que será muito mais melindroso conseguirem colocar simultâneamente Chega e IL numa coligação.
Uma coligação de 5 partidos num governo regional que, por o ser, tem poucos tachos para distribuir, parece-me impossível.
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De balio a 26.10.2020 às 10:28


Não deixa de ter a sua graça ver pessoas que passaram quatro anos a vituperar o primeiro governo António Costa como sendo ilegítimo, por se tratar de uma coligação de "perdedores", e por ser chefiado pelo partido que "perdeu" as eleições, virem agora propugnar que nos Açores cinco partidos que "perderam" as eleições formem governo, retirando esse direito ao partido que "ganhou" as eleições.
Como as opiniões mudam com o tempo...
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De Anónimo a 26.10.2020 às 12:19


O partido mais votado _ mesmo com maioria relativa _ era quem formava governo. Era este o sistema desde que vivemos em Democracia.  Parece que v. já se não lembra... memória selectiva?
Quem subverteu essa "regra" foi o PS. Por conveniência, por oportunismo, por desespero, por falta de escrúpulos para tirar o Costa da aflição e do humilhante resultado. Nem sequer atingiu uma maioria relativa! Foi uma Derrota! Repito: Derrota (Lembra-se?Também já não se lembra, claro!) Abriu o precedente. Agora tem de se "aguentar", meu caro!
Segundo as novas "regras" que o PS implementou em 2015, passou a ser assim: olha-se para o panorama geral dos resultados eleitorais e faz-se a "leitura" da maior tendência e incidência parlamentar. O que esses figurões apregoavam na altura era que os governos se formam a partir do Parlamento e se legitimam a partir dele. Perante tal argumento... palavras para quê?! 
Seguindo as novas regras, nos Açores a tendência é clarinha como água, compreendeu? Vamos ver a coragem que tem essa nova maioria parlamentar e quero rir-me, se isso se concretizar, o que dirão os geringonços.
SF
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De balio a 26.10.2020 às 14:37


Num sistema multipartidário como o nosso, não há derrotas. Cada partido alcança uns tantos deputados, e ganha nessa exata medida. Uns partidos alcançam mais deputados, outros alcançam menos, mas nenhum "ganha" nem nenhum "perde".


Ontem nos Açores uns partidos alcançaram mais deputados e outros alcançaram menos. Agora veremos o que eles todos conseguirão fazer com aquilo que alcançaram. Todos terão o direito de, com os deputados que obtiveram, participar na barganha para formar governo. É assim que deve ser. Tal e qual como foi em 2015.


Ninguém tem a priori o direito de formar governo por ter "ganhado". Nem ninguém deixa de ter o direito de formar governo por ter "perdido". Todos os partidos que obtêm deputados têm o direito (e dever) de negociar uns com os outros. Agora nos Açores, tal e qual como no país em 2015.


Num sistema eleitoral como o do Reino Unido ou o dos EUA, há um partido que ganha e outro que perde, porque só há dois partidos. Mas no sistema eleitoral português, isso não é assim. Não há partido que "ganha" nem partido que "perde". Todos alcançam uns tantos deputados, e todos têm o direito de barganhar com eles.
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De Anónimo a 26.10.2020 às 17:04

Bom, por este andar, segundo a sua visão muito peculiar, se ninguém ganha nem perde, então nem vale a pena haver eleições. Fazem o "negócio" entre eles, uns com os outros (como v. diz)... e sempre se poupam umas coroas.

Só estou de acordo num detalhe: o 2º partido mais votado nunca será um "perdedor", pois nas verdadeiras democracias, tem tanta importância e destaque como aquele que vai governar. Porque, em princípio, vai fazer o escrutínio da governação, ou seja, vai constituir-se como oposição e tem o melhor posicionamento para uma alternância governativa como é próprio de uma Democracia.
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De Anónimo a 26.10.2020 às 18:02

"Tal e qual como foi em 2015" _  Disse muito bem, foi uma "barganha"  (= trapaça) o que foi feito na época.
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De João Távora a 26.10.2020 às 11:08

O Chega já veio informar que não faz alianças com os partidos do regime. 
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De balio a 26.10.2020 às 11:26


Ontem vi um cartaz com o André Ventura e a legenda "Um Presidente que não tem medo do sistema".
O Chega é um partido contra o "sistema". Que é como quem diz, contra o "regime". Ou, como diz o <i>Podemos</i> em Espanha, contra a "casta".
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De Anónimo a 26.10.2020 às 13:53


Traduzo-lhe:


Sistema -  a "Casta" de cleptómanos, logo, um "regime" de cleptocracia que assaltou o Estado. Para ser mais preciso. 
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De Anónimo a 26.10.2020 às 14:06

Cleptocracia:

"Clientelismo é a troca de bens e serviços por apoio político, sendo a troca (https://pt.wikipedia.org/wiki/Quid_pro_quo) algo implícito ou não. O clientelismo denota a prática de distribuir empregos, favores e outros benefícios aos seguidores em troca de apoio político.

Richard Graham (https://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Graham) definiu o clientelismo como um conjunto de ações baseadas no princípio toma lá, da cá"

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