Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Veremos

por henrique pereira dos santos, em 23.06.24

"“Ainda ontem três casas foram danificadas e uma rua inteira ficou queimada”, contou a uma rádio local, fazendo as contas a “40% de prédios residenciais” danificados e “quase 200 casas queimadas” nos últimos meses".

Sobre Gaza?

Não, sobre uma terrinha no Norte de Israel.

A informação é fidedigna?

Nem por isso, é de um autarca local e estou convencido de que foi parar ao jornal porque o senhor critica o governo israelita, dizendo que está desaparecido e preocupado com outras coisas.

Sobre a informação que vem de Gaza tem, no entanto, uma grande diferença: qualquer jornalista que queira pode lá ir verificar se é verdade ou não.

Durante anos o Hamas andou a desviar recursos que eram das populações de Gaza, muitos deles provenientes da ajuda internacional carreada pela ONU, para fazer túneis, acumular armamento, combustíveis e tudo o mais que lhe tem permitido aguentar uma guerrilha urbana de meses.

Durante anos, grupos vários atacaram o território de Israel com rockets e outras coisas que tais, a partir de Gaza, sem que as autoridades de Gaza, o Hamas, jamais levantasse um dedo para o impedir.

O Hamas preparou-se e criou uma oportunidade para deitar gasolina para uma fogueira de relativamente baixa intensidade, com o objectivo de mobilizar uma larga frente de ataque que permitisse liquidar Israel, ou pelo menos limitar a sua força.

Durante todo esse tempo, a generalidade das pessoas que não têm pedras no coração estiveram-se nas tintas para as vítimas dessas opções do Hamas, as principais das quais eram, já nessa altura, os palestinianos, obrigados a viver em condições muito piores das que seria possível criar se os recursos canalizados para a guerra tivessem sido usados para a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas e para a sua defesa.

Desde há anos que o Hezbollah não cumpre as resoluções da ONU sobre os limites em que se deveria conter, sem que daí resulte qualquer consequência real para as autoridades no Líbano.

Desde há meses, o Norte de Israel é atacado, quase todos os dias (5 mil projécteis desde 7 de Outubro?) e há hoje algumas probabilidades de Israel fazer no Líbano o que está a fazer em Gaza: ir à fonte das ameaças à sua existência limitar o seu poder (em rigor, a fonte primária está no Irão, mas esqueçamos isso agora).

Se, como é possível (não faço ideia se é provável), o exército israelita entrar pelo Sul do Líbano, o que não vão faltar são apelos lancinantes das pessoas que não têm pedras no coração, como a senhora deputada que chora as crianças da palestina sem nunca ter chorado as crianças judias, tanto quanto me apercebi, contra a barbárie israelita.

"Dizem do rio que é violento, mas que dizer das margens que o oprimem?".

Eu sei que uns chamarão margem ao que outros chamarão rio, e vice-versa, mas o que manifestamente não é sério é pretender fazer a equivalência moral entre os métodos do Irão e de Israel no conflito que ali existe.


8 comentários

Sem imagem de perfil

De M.Sousa a 23.06.2024 às 12:39


No Médio Oriente existe um povo, muçulmano, ao qual as os Estados, muçulmanos, da região, que tanto gritam pelos Palestinianos, negam o direito a ter uma pátria, um Estado: os curdos. 
São cerca de 30 milhões de pessoas, espalhados pelos territórios do Irão, Iraque, Turquia e Síria. Todos campeões da causa Palestinia. E nem vale a pena referir o tratamento que todos estes países, campeões humanitários da causa palestiniana, dispensam aos curdos (povo indo-europeu). 


Os Nazis viam na eliminação dos judeus a resolução dos problemas do mundo. Hoje a esquerda, toda a esquerda, moderada (?) incluída, vê na eliminação de Israel a resolução dos problemas do Médio Oriente, e não só. Na verdade,  são farinha do mesmo saco...
Sem imagem de perfil

De Anonimus a 23.06.2024 às 14:00

Qualquer jornalista pode ir a Gaza verificar? Ainda bem que assim já o é, durante algum tempo o acesso de imprensa à zona de conflito foi impedida por Israel, é bom saber que o acesso já é livre. É livre, certo?
Resoluções da ONU ignoradas, bem, não sei ao certo qual o resultado do israel-hezbolah, mas não deve andar longe de uma disputa cerrada pelos 3 pontos.
O resto é conversa de claque. Cada um puxa pelo seu, sendo que até importa mais quem está do outro lado do que propriamente do nosso. Quando se vêem hardcore gringos conservadores a puxar pela mãe russia só para fazer o velho biden ficar mal, está tudo dito. Os queers for palestine e derivados rapidamente mudam de lado no dia em que o futuro presidente Donald afirmar ser pró estado palestiniano. Aí os fascistas passavam a ser outros.
Poucos querem saber ou têm interesse por este assunto, é lá longe numa terra distante, e o assunto guerra é (felizmente) para o mundo ocidental tão palpável como um reality show. Acho tão adorável os Shapiros apelarem às armas a partir do conforto do seu sofá como os universitários a berrarem do rio até ao mar. A ignorância continua abençoada.
No fundo, e até ver, quem se lixa é quem lá está, de ambos os lados.
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 23.06.2024 às 15:11

Não é a coisa mais clara que escrevi, mas leia com atenção e vai ver que o que escrevo é sobre Israel, ao contrário de Gaza, qualquer um pode ir verificar.
E não, não é Israel que impede os jornalistas de reportar a partir de Gaza.
Sem imagem de perfil

De Anonimus a 23.06.2024 às 15:53

Qualquer jornalista credenciado pode entrar, caso queira, em Gaza via Israel ou Egipto. Percebido.
Imagem de perfil

De henrique pereira dos santos a 23.06.2024 às 19:00

Eu não disse isso.
Disse que em Israel pode entrar, em Gaza duvido, mas porque é uma zona de guerra e porque o risco que se corre escrevendo alguma coisa de que o Hamas não goste é muitíssimo elevado.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 24.06.2024 às 06:51

Ena que faz um esforço para não perceber o que foi escrito.


- Em Israel o jornalista pode ir verificar se é verdade ou não o que diz o autarca.
- Em Gaza não. Em Gaza não há oposição.


No entanto no mundo do "jornalismo de referência" não há alegados nenhuns ao que vem de Gaza, até fazem esforço em esconder a origem da informação que vem do Hamas.


Notar como a destruição no norte de Israel só aparece no "jornalismo de referência" por causa das manifestações contra o Governo Israelita, durante este tempo todo os jornais censuram essa destruição e os milhares de deslocados.


jornalismo de referência= jornalismo que faz politica
Sem imagem de perfil

De Francisco Almeida a 24.06.2024 às 11:54

Se Israel invadisse o Sul do Líbano - onde as IDF sofreram o seu primeiro desaire militar - perder-se-iam vida mas pouco mais. Mas o Hezbollah já se metastizou noutros pontos. Por exemplo os israelitas já bombardearam Baalbek que fica no Norte e domina a entrada do rico vale da Bekaa.
Conheci ambos, a Bekaa por onde passaram obrigatoriamente todos os exércitos invasores em séculos e séculos, por ser a passagem entre as montanhas do Líbano e do Anti-Líbano. E Baalbek, cuja grandiosidade tem de ser vista para ser compreendida. Basta dizer que, depois de séculos a ser saqueada para a construção civil, ainda conserva mais pedras romanas do que toda a Itália. Hoje está lá instalada uma base do Hezbollah.
Incidentalmente, o Hamas poderá ter adiantado imprevistamente a data para o ataque de 7 de Outubro - o que ajuda a explicar o falhanço de todas os serviços de informações israelitas - Exército, Shin Bet e Mossad - porque se avizinhava o acordo entre Israel e Arábia Saudita que constituía o desenvolvimento do Acordo Abraão, obtido no final da administração Trump.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.06.2024 às 12:03

Bom dia, 
Algo parecido aconteceu na Ucrânia onde os ucranianos do Donbass andaram a ser mortos durante 8 anos apenas por falarem russo.
Peço desculpa pelo aparte .
Nota : a vida nunca é só a preto ou só a branco .
Luís Almeida 

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com



Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anonimus

    Concordo.

  • lucklucky

    "poder económico" !?Está a gozar... não há maior p...

  • Silva

    Conversa da treta sobre estudos da treta.O que há ...

  • P. Fernandes

    Não nesse caso. O armazenamento de semente nas pin...

  • cela.e.sela

    podiam aproveitar os 'calitros' para fabricar meta...


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2024
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2023
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2022
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2021
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2020
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2019
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2018
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2017
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2016
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2015
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2014
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2013
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2012
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2011
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2010
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2009
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2008
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D
    222. 2007
    223. J
    224. F
    225. M
    226. A
    227. M
    228. J
    229. J
    230. A
    231. S
    232. O
    233. N
    234. D
    235. 2006
    236. J
    237. F
    238. M
    239. A
    240. M
    241. J
    242. J
    243. A
    244. S
    245. O
    246. N
    247. D