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Venham as consequências, sim!

por José Mendonça da Cruz, em 25.09.14

O primeiro-ministro Passos Coelho prometeu que tirará dos resultados da investigação sobre as suas antigas situações na AR e na Tecnoforma e sobre as suas antigas declarações de impostos todas «as conclusões e consequências». Gostaria que assim fizesse, que tirasse todas as conclusões e que levasse as consequências até ao limite do possível.

 

Não creio que Passos Coelho esteja em falta. Creio que, com a sua incompreendida frieza, está a cozinhar em lume brando os críticos que julgam estar a cozinhá-lo a ele. E estou seguro que, estando em falta, se demitirá do cargo de primeiro-ministro. Uma consequência dramática.

Mas não estando em falta, deve tirar conclusões e consequências de igual dramatismo.

As primeiras devem ser políticas e respeitar ao seu próprio governo. Ou seja, PPC deve reunir com a ministra e tratar de alterações legislativas na Justiça, para evitar que gangsters se aproveitem de deficiências e lacunas. É que as coisas são como Miguel Sousa Tavares explicava: qualquer crápula pode fazer uma queixa infundada à Procuradoria; a queixa fica lá; um crápula amigo nos media pergunta, depois, à Procuradoria se existe uma queixa; a procuradoria diz que sim; e é quanto basta para atirar lama.

O primeiro-ministro deve, depois, elaborar finalmente uma política de comunicação social. É que há em muitas redacções abundância de imbecis e canalhas, cegos por causas tontas ou ávidos de um osso no futuro. São aqueles que, mal «os seus» são condenados em tribunal por corrupção e abusos ocultos, inventam faces ocultas nos outros. São aqueles que inventam, que invocam «suspeitas» sem provas, que dizem que «alegadamente» há «uma impressão geral de que», aqueles que escavam processos enterrados na justiça com os quais possam difamar, relativos a questões prescritas, de preferência, para dificultar o desmentido.

O primeiro-ministro deve elaborar uma política de comunicação consistente e pensada, mas deve, antes, processar -- em processos pesados e onerosos para os orgãos de comunicação social que acoitarem bandidos -- os militantes da lama e das campanhas.

E, por fim, o primeiro-ministro deve divertir-se, como ganhou o direito de fazer. Deve ir à Assembleia e confrontar os bloquistas e os junqueiros que não enxergam a ponta do pé mas se julgam impolutos e justicialistas. E espero que, ao menos aí, se divirta muito. 


6 comentários

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De José Mendonça da Cruz a 26.09.2014 às 14:09

Meu caro João Costa,
Obrigado pelas suas excessivas atenção e simpatia que hei-de fazer o possível por continuar a merecer.
Quanto ao caso: viu que a Procuradoria, afinal, esclareceu?
Pois é, e esse é o meu ponto: ao contrário do que disse o infeliz Seguro, o PM não se «esconde atrás das instituições»; antes apela a que elas funcionem. E, com isso, obtém esclarecimentos de dúvidas e desmentidos de mentiras que uma afirmação pessoal não conseguiria com tanta eficácia. Acresce -- e isso todos se escusam de dizer -- que os «jornalistas» que levantam suspeições sobre o PM não estão interessados em esclarecimentos e sempre fingirão não ter ouvido; querem apenas tramar o governo.
Insisto: em vez de ver na «demora» do PM uma hesitação inexplicável, eu vejo um apelo muito saudável ao «normal funcionamento das instituições», que é a melhor forma de contrariar de vez o clima malsão em que estamos e o enviesamento dos mascarados que andam pelas redacções a fingir de jornalistas (reveja o comentário do socialista fidelíssimo António José Teixeira no noticiário das 13 da Sic e terá uma confrangedora ilustração do caso).
Julgo que se pode discordar de PPC em muitas coisas (como liberal acontece-me várias vezes, e achei o novo imposto da «cópia privada» um escândalo), mas fui aprendendo que é um homem sério, e que a frieza e racionalidade dele são subestimadas por pessoas muito ligeiras que, depois, são apanhadas à meia volta (a crise de Julho de 2013 é que me deu a certeza disso).
Um abraço

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