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Vem a meus braços, Marta

por henrique pereira dos santos, em 14.10.20

"De acordo com as estimativas do Instituto Ricardo Jorge estamos a enfrentar uma situação de contágios crescente, que tem tendência a agravar-se nos próximos dias, tendo em conta os modelos matemáticos"

Marta Temido, hoje, a dizer que afinal isto evolui por si.

Claro que vai dizendo que isto é assim "se não forem cumpridas as medidas de prevenção" (noblesse oblige), mas se isto não fosse uma declaração de circunstância, quereria dizer que ou não existem medidas de prevenção, ou são insuficientes, ou existem, são suficientes, mas não estão a ser cumpridas.

Ora com tanta gente de máscara na rua (para já não falar dos espaços fechados), com a venda de álcool proibida a partir das oito, com as distâncias de segurança instituídas, com os bares fechados, com os restaurantes a meio gás, com as escolas cheias de regras que as tornam completamente seguras, com transportes públicos desinfectados e cheios de mascarados, com milhares de trabalhadores em tele-trabalho, com o isolamento dos casos positivos, com os milhares de testes diários, com os teatros, cinemas e concertos como estão, os modelos matemáticos ainda prevêem três mil casos positivos um dia destes?

De que medidas fala então Marta Temido que, sendo cumpridas, nos poderiam impedir de ter três mil casos dentro de pouco tempo?

Com inícios de ensino presencial completamente desfasados pela Europa toda, o aumento de casos positivos é mais ou menos simultâneo (há diferenças, claro, Espanha parece ter começado mais cedo, agora são outros, parece que na Suécia só agora começaram a subir mais acentuadamente) porque ninguém cumpre medidas ou não existem?

O mais provável é que finalmente Marta Temido esteja a admitir que a evolução da epidemia não depende sobretudo da nossa responsabilidade individual, que tem uma dinâmica interna com a qual temos de conviver, e que não está na nossa mão esmagar a actividade viral, um bom prenúncio para uma progressiva mudança estratégica (eu sei, eu sei, é preciso salvar a face, a coisa tem de ir indo devagar) que se desvie do objectivo de extinguir a actividade viral na sociedade e se aproxime do objectivo de limitar os efeitos negativos da epidemia nos grupos de risco.

E, sendo assim, vem a meus braços, camarada.



3 comentários

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De Carlos Sousa a 14.10.2020 às 19:27

"O que faço?

E se, em vez de uma vaga e de cuidados dignos numa enfermaria, este meu doente, que tem um teste negativo para o SARS CoV-2, tiver necessidade de um ventilador e de uma cama de cuidados intensivos e não houver nenhuma, nem no meu hospital nem nos outros (como já tem acontecido) e houver múltiplos ventiladores e camas livres, limpinhos, disponíveis, com médicos e enfermeiros à espera, mas apenas para os doentes com um teste positivo para esse vírus?"

Este é um pequeno trecho de uma carta aberta escrita no Observador pelo médico Tiago Tribolet de Abreu.


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De balio a 15.10.2020 às 12:10


Pois, é o que já está a acontecer no hospital de São João. Cancelaram cirurgias programadas para dedicarem todas as camas disponíveis aos doentes covid. Má sorte para quem necessite de ser operado.



Para evitarem aquela situação, descrita como trágica, em que um médico tem muitos doentes covid e tem que optar entre quem é que trata e quem é que deixa morrer sem tratamento, introduz-se esta outra situação, não menos trágica, em que o hospital decide deixar por tratar as pessoas que necessitam de uma cirurgia para somente tratar aqueles que tenham covid.
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De Anónimo a 15.10.2020 às 10:33

esperava que cantasse a INTERNACIONAL
em vez de dizer banalidades durante 7 meses

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