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A Eutanásia do Referendo

por Vasco Mina, em 22.10.20

Não, não me enganei no título deste post. O que estará hoje em discussão (e amanhã em votação na AR) não é a eutanásia mas sim um referendo. Recordo que resultou de uma Iniciativa Popular de Referendo promovida por um largo e variado número de pessoas (de múltiplas correntes políticas) e que recebeu mais de 95.000 assinaturas (bem acima das 60.000 estritamente necessárias). Os projectos parlamentares sobre a eutanásia serão debatidos posteriormente. Ou seja, o que está hoje e amanhã em causa é a viabilidade de uma consulta popular. Tudo indica que o referendo será chumbado e cada deputado será responsável não pela aprovação ou chumbo da eutanásia mas, sim, será responsável pela vida ou morte de um processo democrático constitucionalmente consagrado na Constituição da República Portuguesa. É que se eutanasiarem esta proposta de referendo estarão, sim, a matar a consulta popular e, por isso, em total desrespeito pelo povo que votou nos partidos sem que estes tivesses tomado posições nos programas eleitorais. Se há tema que requer um referendo é o da eutanásia!

Soma-se a isto um partido, o PSD, que no seu órgão mais importante, o Congresso, decidiu, através de uma moção que mereceu a aprovação da maioria dos congressistas, desencadear todos os mecanismos partidários e políticos no sentido de se avançar com um referendo sobre a eutanásia. Noto que a decisão foi sobre o referendo e não sobre a eutanásia. Pois não só o Presidente e a Comissão Política Nacional do PSD não cumpriram esta decisão do Congresso como foi dada liberdade aos deputados do PSD para, individualmente, tomarem posição no Parlamento. Fica assim, cada deputado social-democrata, com a responsabilidade de dar vida ou matar o referendo. Será um voto de consciência mas, sobretudo, de responsabilidade política perante os militantes e perante os portugueses que os elegeram. Se chumbarem o referendo, a pergunta que fica é a seguinte: para que serve um Congresso? O que é a mesma coisa que perguntar para que serve um partido.

“Black Lives Matter” em Cabo Delgado

por Vasco Mina, em 21.10.20

A revista Visão apresenta uma longa e impressionante reportagem sobre o que se passa em Cabo Delgado. Segundo este artigo “entre o passado sábado, 17 de outubro, e o dia de ontem, 20 de outubro, cerca de três mil pessoas terão desembarcado na praia de Paquiquete, em Pemba. Idosos, mulheres e crianças, sobretudo, chegam em barcos sobrelotados, que estão novamente a fazer a viagem de volta para tentar salvar mais pessoas que estão em risco no norte do País.” Uma verdadeira tragédia humana provocada pelos ataques terroristas comandados por forças do jiadaismo islâmico. Destroem tudo, decapitam cidadãos  e lançam o terror por onde passam. Quem apoia, localmente, estes refugiados? Uma plataforma da sociedade civil com poucos recursos e, como sempre, a Igreja. Mas com muitas e muitas limitações. Quem tem mais levantado a voz para denunciar o que se passa? O Bispo de Pemba, D.Luiz Lisboa. E as organizações internacionais e os movimentos civis como o “Black Lives Matter” por onde andam? E as televisões?  Será que o terrorismo deixou de ser tema? Será que apenas importa o racismo e a igualdade de género?

Era uma vez uma Ministra

por Vasco Mina, em 13.08.20

Festa do Avante. “Não haverá exceções” nem "tratamento especial", diz Marta Temido

No dia 10 de Junho, vimos, ouvimos e lemos um notável discurso do Senhor Dom Tolentino de Mendonça. Recordando o belo poema de Sophia… não podemos ignorar! A sua reflexão  é uma verdadeira lição de humildade, de cultura e de humanidade. Será certamente recordado e lembrado nos próximos anos.

Mas o discurso prolongou-se na entrevista dada à Rádio Renascença. Nesta, o Cardeal aprofundou alguns aspetos que tinha abordado na comunicação do 10 de Junho. D. Tolentino de Mendonça convoca-nos à responsabilidade que cada um de nós tem em cuidar dos nossos concidadãos e do nosso país, desafia-nos a refletir sobre o nosso destino coletivo e alerta para a coesão nacional, para que ninguém fique para trás.

Mas também não deixou de enviar mensagens aos responsáveis políticos: “Sentir a política como a causa mais nobre. Fazer uma política de causas. Uma política que coloque no centro da sua ação a pessoa humana.” A propósito das situação dos idosos afirma com muita clareza que  “nós não podemos dizer que a vida de um idoso, de um doente, de uma pessoa afetada por uma depressão profunda tem menos valor. E esse reconhecimento, de que toda a vida humana tem um valor infinito, até ao fim, deve ajudar-nos a perceber que as leis que fazemos devem ser leis que favoreçam a vida”. Com toda a clareza e frontalidade afirma: “Uma lei como a da Eutanásia é uma derrota civilizacional para todos nós”.

A AR retomou, há dias, o debate sobre as propostas dos partidos sobre a eutanásia. Para quem tenha pensado que este era o tempo para debater assuntos verdadeiramente prioritários, desengane-se. Para o parlamento a eutanásia é uma prioridade e até atribuiu à deputada Isabel Moreira (que dias antes tinha criticado severamente o  Governo de ter restringido direitos, liberdades e garantias de forma inconstitucional) a tarefa de redigir um texto de consenso entre os vários diplomas apresentados e aprovados pelos partidos. Será que os senhores deputados vão desprezar o apelo de D. Tolentino de Mendonça? Infelizmente, temo que tal vá acontecer. Assim, será o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa confrontado com uma provocação política no final do seu mandato; bem que se esforçou por conseguir o apoio do PS e de António Costa para a sua reeleição mas o astuto PM é mestre em jogar simultaneamente em vários tabuleiros. Ou seja, o Presidente da República vai ter a oportunidade (oferecida pela esquerda) de manifestar o que efetivamente o move: isenção politicamente correta face à eutanásia ou impedir a derrota civilizacional. São estes os tempos em que as pessoas se revelam!

Dia dos Irmãos

por Vasco Mina, em 31.05.20

Hoje, 31 de Maio, é Dia dos Irmãos. Uma feliz iniciativa da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas e que tem como grande dinamizador o José Ribeiro e Castro. Inspirando-me no seu artigo de hoje no DN, também, aqui no Corta-fitas, dou a devida nota.

Apesar de acompanhar mal os chamados “Dia de…” reconheço que no dia propriamente dito sou desafiado a refletir sobre o seu significado. É verdade que existem “Dia de…” para todos os gostos e que, sendo em elevado número, de alguma forma retiram a relevância de cada dia em concreto. São quase um cliché. Mas pergunto-me, a propósito, se deixássemos de, por exemplo, de celebrar o Dia da Mãe, se nos esqueceríamos das nossas mães. Claro que não! Mas, certamente, que não a teríamos particularmente presente nesse dia (seria um dia igual a tantos outros) e muito menos lhe ofereceríamos uma flor ou, no mínimo, lhe telefonaríamos. É que raramente lhe oferecemos uma flor e quanto a telefonemas cada um que pese na sua consciência o número de vezes que telefona à sua mãe. Andamos tão ocupados que tantas vezes nos escapa o mais essencial da vida e que é a atenção a quem está próximo de nós.

Hoje, ao menos hoje, tenho os meus irmãos presentes. Não, ainda não lhes telefonei, mas dedico-lhes este post. Mãe e pai já partiram e o que de mais importante me deixaram foram os meus irmãos. Temos uma relação fantástica, sem discussões e em harmonia total? Não, não temos! Eu e o meu irmão somos tão diferentes que algumas vezes na vida dei conta que alguns ficaram surpreendidos por termos os mesmos pais. A minha irmã herdou da minha mãe o “chaganço”: chaga, pelo muito amor que tem, a cabeça a quem está à sua volta e eu não escapo à sua pontaria. Preferia eu ter outros irmãos? Nem pensar! A história de vida que tenho com eles torna a nossa relação única e irrepetível. Hoje, ao menos hoje, agradeço a Deus os irmãos que tenho.

Recordo também que fraternidade tem origem no radical latino "frater" com o significado de irmão. Julgo que não existe Dia da Fraternidade nem serei eu a propor. Mas é de fraternidade (ou seja, irmandade) o que o Mundo mais necessita. É que tudo começa com o nosso irmão ou a nossa irmã.

O Cagaço

por Vasco Mina, em 30.05.20

Vivemos um tempo em que a nota dominante nos nossos quotidianos ´é o cagaço. Não é bem o medo porque os portugueses não gostam de expressões radicais. O cagaço é a versão descontraída do medo, é a expressão do que realmente sentem mas que causa algum desconforto quando dita na versão correta. Não por acaso quando alguém aborda outro e lhe pergunta “estás com medo?”, a resposta seja, frequentemente, a de que “estou com algum cagaço”.

Assim, os pais não levaram, na sua maioria, os filhos às creches (quando estas reabriram) pois tiveram cagaço.

Os jornais não criticam o Governo pois estão com o cagaço de não receberem os tão desejados apoios do Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa aceita o apoio de António Costa para a sua reeleição pois está com cagaço de não ganhar à 1ª volta.

António Costa acompanha em, quase, tudo o PR pois tem cagaço de ficar isolado quando chegarem eventuais consequências negativas resultantes das decisões governamentais.

Rui Rio não faz a oposição que devia pois tem cagaço de ser mal interpretado.

Os desportistas que correm nos jardins de Lisboa andam de máscara pois estão cheios de cagaço de serem infetados por alguém que possa estar sentado no banco de jardim sem a máscara.

Muitos trabalhadores em regime de teletrabalho vão tentar, a partir de 2ªF, não regressar aos escritórios pois estão cheios de cagaço do distanciamento entre colegas.

Os transportes públicos andam (excepto aqueles que transportam um grande número de trabalhadores para as zonas industriais) quase vazios (se não conseguem imaginar o elétrico 28 vazio proponho que vão até à Estrela ou ao Camões) pois os chamados utentes, como eu, têm cagaço.

Os doentes não vão às consultas de rotina nos hospitais pois têm cagaço de serem contaminados.

Os médicos consultam telefonicamente os seus doentes pois estão com cagaço quer de os contaminar quer (no caso da medicina privada) de os perder.

Os restaurantes só se vão safar se tiverem esplanada pois os clientes estão com cagaço de permanecer em espaços fechados.

Assim vai o país com o cagaço a condicionar (quase) tudo. Mas é mau ter cagaço? Num tempo de incerteza e de grande ignorância sobre o que acontecerá no dia seguinte, talvez que algum cagaço seja seja recomendável. O que é, mesmo, incompreensível é o cagaço do risco que não existe.

Hoje é Domingo

por Vasco Mina, em 03.05.20

Hoje é Domingo e, como tem acontecido, desde 15 de Março vou assistir è Missa pela TV. Sim assistir, não participar como gostaria. Para um católico (que me assumo como tal ) é grande a diferença entre o ver pela televisão e o estar presencialmente. Não tomar parte da Eucaristia, não participar do partir do pão, provoca uma grande fome espiritual. Entre o muito que já aprendi com as circunstâncias da epidemia, foi a privação do culto e do quanto isso marca individualmente cada um e toda uma sociedade. Hoje, mais do que nunca, sinto a liberdade religiosa não só como um direito inalienável mas como fazendo parte da essência humana.

Nesta condição, de privação religiosa, permanecerei, pelo menos, até 31 de Maio. Sou cidadão e membro de uma comunidade religiosa e por isso vou respeitar as decisões dos que governam a sociedade e dos que indicam o caminho aos seus fiéis. No silêncio de quem não entende mas também de quem opta pelo respeito por aqueles que reconhece como sendo seus legítimos condutores. Apenas peço aos governantes que tenham respeito pela Lei e por todos os que acreditam que existe um outro Reino que não é deste Mundo. Aos meus Pastores peço que me ensinem e que me indiquem o caminho.

O silêncio é o maior desafio a que sou confrontado nestas circunstâncias. Conforta-me ser hoje também Dia da Mãe e por isso recordar-me especialmente de Maria que, conforme nos relata São Lucas no seu Evangelho, «guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (Lc 2, 19)

Boa Passagem

por Vasco Mina, em 11.04.20

Páscoa é uma palavra que deriva do latim Pascha (com expressões equivalentes no grego e no hebraico) e que significa Passagem.

É uma festa muito, muito antiga e que ao longo do tempo foi tendo várias leituras e significados associados. Para os povos muito antigo era o tempo da passagem do Inverno para a Primavera, com a as novas sementeiras. Para os hebreus lembra Moisés e a passagem do Mar Vermelho que libertou o povo da escravidão egípcia. Para os cristãos é a Passagem da Morte à Vida com a Ressurreição de Jesus Cristo.

Também nós, nos dias que correm, estamos a viver uma passagem. Tal como para os mais antigos, como para os hebreus e também para os apóstolos de Jesus, não sabemos ainda para onde. Vivemos perante o ´mistério de uma nova sementeira, de um Mar que não sabemos se conseguimos atravessar ou de uma morte na cruz que não percebemos o porquê. Mas, tal como os antigos, é a Esperança que nos permite acreditar que vai ser muito boa a nova sementeira, que vamos chegar à outra margem e que a ressurreição vai acontecer. Também hoje ninguém sabe (não sabe mesmo) o que vai acontecer nas próximas semanas, mas uma coisa é certa – Vai Ser Diferente!

Por tudo isto vos desejo que a Esperança vos anime! Boa Páscoa!

Santo Natal

por Vasco Mina, em 20.12.19

Este Natal escrevo sobre o óbvio, sobre aquilo que é tão, mas tão, evidente que quase nem vale a pena ser tema. Ou seja, o Presépio. Obviamente não é inspiração minha, mas sim do Papa Francisco que nos dirigiu uma Carta Apostólica para “apoiar a tradição bonita das nossas famílias prepararem o Presépio”.

Talvez deva começar pela Carta. É óbvio que lemos uma Carta sempre que alguém nos escreve. Parece óbvio, mas quantos de nós, a começar por mim, leram, de facto, as Cartas (Exortações Apostólicas, Encíclicas…) que o Papa Francisco nos enviou? Mas não recebemos via CTT! Pois não, mas estão na net e todos nós hoje lemos (quase) tudo on line.

Mas então e o Presépio? Não será óbvio o que é? Ora o Papa Francisco escreveu a lembrar que a palavra significa “manjedoura” e que foi criação de um outro Francisco, o de Assis. Em 1223 numa pequena localidade – Gréccio – em pleno território, hoje, italiano (também na net se pode saber, com fotos e tudo, onde fica exatamente).

Ora o fundador da Ordem dos Frades Menores (também conhecidos por Franciscanos) pediu a um homem de Gréccio que o ajudasse a representar o Menino em Belém. As grutas da região faziam lembrar, a São Francisco, a paisagem de Belém que o próprio conhecera na sua viagem à Terra Santa (sim, já se faziam grandes viagens naqueles tempos!). Assim aconteceu no dia 25 de Dezembro daquele ano: numa gruta lá se encontravam a manjedoura, o boi e o burro. Não havia figuras e o Presépio foi formado pelos muitos que aí se juntaram e o sacerdote celebrou solenemente a Eucaristia sobre a manjedoura.

Quis a imaginação de São Francisco colocar os seus contemporâneos perante aquela que terá sido a realidade que acolheu o nascimento do Menino. Diz-se nos dias hoje que vale mais uma imagem do que mil palavras e assim foi também em 1223. Foi tão forte este gesto criativo que permaneceu pelos séculos seguintes e ainda atualmente se repete. Fomos juntando figuras, paisagens, peças, enfeites, mas lá bem no centro permanecem a manjedoura, o boi e o burro. Para nos lembrar o essencial, o que é óbvio, que Jesus nasceu pobre e que no espaço da “sua gruta” todos somos acolhidos.

Regressemos então ao óbvio, ao back to the basics!

Santo Natal para todos e para cada um!

O poder socialista já nos tinha habituado a uma linguagem rude (recordam-se do “quem se mete com o PS…leva!”) mas hoje ainda conseguiu baixar mais o nível com o Ministro da educação a afirmar que “direita está tão à rasca que se entrincheirou e, ao acantonar-se, acabou por meter-se e agarrar-se às casas de banho”. É inacreditável que um Ministro, ainda para mais da Educação, use linguagem ordinária. É que “rasca” está no dicionário e a expressão “à rasca” é típica do argumentário de baixo nível. Tiago Brandão Rodrigues ao optar por esta linguagem revela, sim, o desespero em que se encontra por temer não ser conduzido como Ministro da Educação. A política de educação do governo, assumida por este ainda Ministro, tem sido uma verdadeira nódoa e por isso, como diria o Eça de Queirós, não cairá mas terá de ser removida com benzina. É que quem está verdadeiramente acantonado é o ministro que se entrincheirou numa linguagem de esgoto.

Joe Berardo na Feira do Livro

por Vasco Mina, em 03.06.19

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O cartaz será resultado da dislexia?...

 

Também eu não atiro pedras…

por Vasco Mina, em 14.04.19

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Recentemente fomos confrontados com o caso, ocorrido em Espanha, do casal Maria José Carrasco e Ángel Hernández. Ela, com 61 anos, sofria, há trinta anos, de esclerose múltipla e ele foi, durante todo este tempo, marido, enfermeiro e curador. Não vou, neste escrito, alongar-me sobre a tragédia que esta doença significa pois é do conhecimento geral o sofrimento de todos os pacientes que a contraem; apenas referir que a esclerose afetou a mobilidade, a visão e quase por completo a fala; tecnicamente, Maria José tinha 82% de incapacidade reconhecida pelas entidades oficiais e era totalmente dependente (alimentação, higiene, mobilidade,…) do marido. Estava num estado considerado como de terminal e com um sofrimento enorme. Ángel, não suportando mais o sofrimento de Maria José, decide avançar para o suicídio assistido.

Vamos aos factos e tentar compreender porque acabou a vida de Maria José em suicídio assistido. Em Outubro de 2018 o jornal “El País” edita um longo artigo no qual é apresentada a situação deste casal. Maria José Carrasco afirma, com toda a clareza, que “Quero o final quanto antes”. Mas, como é referido no texto, não tem condições de executar a sua vontade pois as suas limitações físicas a tal impediam. Ángel Hernández refere que algum tempo antes, ainda menos limitada, Maria José tinha tentado o suicídio e que tinha sido ele quem tinha conseguido impedir pois considerava, então, que apesar de tudo a sua mulher “tinha suficiente qualidade de vida”. O tempo foi passando e a doença agravando-se progressivamente.

Ao longo dos anos foram pedindo ajuda mas acabaram por ficar sós. Não tiveram filhos pois cedo adoeceu Maria José. Os irmãos de ambos viviam longe e não puderam ajudar. Dos vizinhos sabe-se apenas que tinham conhecimento da situação. As tentativas de apoio por parte do Estado foram totalmente fracassadas: nove anos em lista de espera para uma residência adequada à situação de Maria José e… nada! Tentaram pedir ajuda domiciliária mas ficaram também à espera. Há pouco mais de um ano, Ángel necessitou de ser operado a uma hérnia mas acabou por não entrar no bloco operatório pois não conseguiu apoio para a sua mulher.

Sem apoios de ninguém (o Estado apenas lhe concedeu, uns anos antes, uma reforma antecipada para cuidar de Maria José) montou ele uma verdadeira enfermaria em casa onde nada faltou, nem uma grua para içar a mulher. Mais, conseguiu, com as suas poupanças, suportar alguns cuidados paliativos domiciliários. Com todo o amor tratou de Maria José e esteve ao seu lado todas as horas do dia e da noite. Mas o estado de saúde sempre a agravar-se, o tempo a pesar e o esgotamento de ver, minuto a minuto, o sofrimento de Maria José, levaram Ángel a tomar a decisão de a ajudar a suicidar-se. No dia 3 de Abril passado injetou pentobarbital sódico e ela morreu serenamente pouco depois. Esta ação foi filmada e o vídeo circula na net.

Ángel Hernández sempre manifestou, antes e depois da morte da Maria José, a sua esperança na legalização da eutanásia como solução para o sofrimento de sua mulher. Eu sou contra a legalização da eutanásia mas percebo a posição deste homem. Não é possível a ninguém suportar, só e sem apoio humano, um sofrimento deste tipo! Esta história revela o falhanço total de uma sociedade perante o sofrimento. Falhou a família, falharam os vizinhos, falharam as instituições de solidariedade social, falhou o Estado, enfim… apenas Ángel agiu! Vamos por isso legalizar a eutanásia? Não! Vamos sim dotar de cuidados paliativos, de assistência hospitalar e residencial, de acompanhamento humano, todos aqueles que sofrem. O caminho não é acabar com o sofrimento pela via da morte!

E o Ángel Hernández? Choro com ele e rezo por ele e pela Maria José. Será condenado? Sim, será! Mas sem pena efetiva! Também eu não lhe atiro pedras…

 

Vítor Constâncio: “A CGD foi sempre uma instituição que não nos deu muitas preocupações”

Porquê maltratar a Ceia e o Natal?

por Vasco Mina, em 26.03.19

Rui Rio diz que o Conselho de Mininistros parece uma "Ceia de Natal"

O presente de Natal do BE e do Público

por Vasco Mina, em 26.12.18

O jornal Público e o BE optaram por um presente diferente neste Natal: a Eutanásia. Sim, a edição de 24 de Dezembro tem como um dos subtítulos: “BE faz da eutanásia um compromisso para as legislativas”. Nas páginas interiores uma longa entrevista com José Manuel Pureza, deputado do BE e um dos principais defensores da legislação em favor da despenalização desta prática. No jornalismo e na política nada acontece por acaso ou, no caso, por distração de data. Assim, colocar esta entrevista, na capa do jornal, na véspera de Natal, é uma opção editorial e ideológica. Também não deixa de ser relevante que o referido deputado não tenha sido confrontado com a opinião do Papa Francisco sobre a eutanásia; não, não foi uma distração, mas sim uma opção conveniente quer para a opinião do referido deputado quer para a opção editorial do jornal pois assim não assumiram uma rota de colisão com aquilo que o Papa defende; tal confronto não seria conveniente quer para os leitores mais distraídos quer para o desejado apoio eleitoral em ano de eleições. Para os que não tenham presente o que o Papa Francisco pensa sobre a eutanásia refiro a sua intervenção quando ocorreu o caso do pequeno Alfie Evans: “Gostaria de repetir e confirmar, com força, que o único dono da vida, do início ao fim natural é Deus”. Mais, a opção pela eutanásia “é sempre errada, na medida em que a intenção da eutanásia é causar a morte”. Felizmente, vivemos num país livre com total liberdade política e editorial. Compete aos jornalistas e aos políticos manifestarem as suas opções e, com a mesma liberdade, compete aos leitores e eleitores acompanharem, ou não, as linhas editoriais e políticas. Obviamente, não acompanho!

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A evolução do PIB dos países 10+

por Vasco Mina, em 13.11.18

O gráfico acima ajuda a perceber a evolução do PIB dos países com valores mais elevados. Interessante mesmo é ver a evolução da China.

Camaradas e Camarados

por Vasco Mina, em 12.11.18

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O ímpeto bloquista em querer domesticar a cultura com as questões fraturantes, a ideologia de género e a igualdade feminina, leva a excessos linguísticos. Assim aconteceu quando o dirigente do BE, Pedro Filipe Soares, se dirigiu, neste passado fim de semana, à Convenção do seu partido: “Camaradas e camarados…” Bem sei que se tratou de uma gaffe. Acontece a todos mas é bem revelador do que vai na cabeça desta esquerda. Depois não se queixem dos populismos e das ameaças fascistas…

Caminhada Pela Vida

por Vasco Mina, em 25.10.18

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Vamos ter, no próximo Sábado, mais uma Caminhada Pela Vida. É uma manifestação da sociedade civil que traz para a praça pública as questões da Vida. Da sua concepção até à morte! Não, não é apenas uma manifestação contra o aborto! É um apelo público a que se respeite a Vida dos que são impedidos de nascer, dos que são violentados desde que nascem, dos que querem ter cuidados continuados, dos que querem ter acesso aos cuidados paliativos e dos que querem morrer com dignidade. Avizinham-se eleições (europeias e legislativas) e é por isso o tempo de perguntar aos partidos políticos e aos candidatos a deputados o que vão defender quando forem eleitos. O recente debate parlamentar sobre a eutanásia foi bem elucidativo: os partidos e os seus deputados tomaram posição sobre um assunto que não tinham colocado previamente aos seus eleitores! Mas os que perderam na votação na AR já anunciaram que voltarão a colocar (a debate e votação) a eutanásia no próximo Parlamento. E quais as apostas políticas (e, já gora, orçamentais) quer para os cuidados continuados quer para os cuidados paliativos? Vão continuar apenas os mais ricos com acesso a estas terapêuticas? Importa esclarecer quem vota, ou seja, o povo! Eu estarei nesta Manifestação pois quero ser esclarecido, quer pelos partidos quer pelos candidatos (sim, também por estes, para que não voltemos às falácias das liberdades de voto). É o povo quem mais ordena, ou seja, quem vota!

A arte de nunca dizer não

por Vasco Mina, em 24.10.18

Cavaco Silva acaba de lançar o II volume das suas memórias com o título “Quinta-feira e outros dias”. Volta a partilhar a sua leitura política das reuniões que teve com os PM  Passos Coelho e António Costa. Sobre este último comenta o seguinte: “Retive a ideia de que era um homem pessoalmente simpático e bem-disposto, de sorriso fácil. Um hábil profissional da política, um artista da arte de nunca dizer não aos pedidos que lhe eram apresentados”. O ex-PR salienta uma característica muito evidente (e reconhecida por quase todos ) do atual PM e que é a sua habilidade política; mas acrescenta uma nova abordagem: a arte de nunca dizer não. Nunca tinha encontrado, nos inúmeros comentários políticos que já li desde que Costa chegou a PM, semelhante análise.

Por coincidência, estas revelações de Cavaco Silva acontecem na mesma data em que Helena Roseta se demite de coordenadora do grupo de trabalho sobre Habitação no Parlamento. Para esta deputada, é inaceitável que os socialistas tivessem avançado com novo adiamento da votação dos projectos sobre habitação e arrendamento em negociação há meses na AR. Mais, manifestou o seu desagrado por nunca o grupo parlamentar do PS ter agendado para votação a Lei de Bases da Habitação e que é de sua autoria. Acrescentou ainda que se os socialistas "não conseguem uma maioria para esta votação indiciária, isso não pode ser motivo para uma nova suspensão". Os temas habitação e arrendamento são, talvez, dos mais quentes e delicados entre os partidos da geringoça. A título de exemplo recorde-se o que se passou com o “caso” Robles e o que agora acontece com o Alojamento Local da Casa do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Aparentemente, é muito difícil a conciliação de posições e por isso é necessária grande habilidade política. É aqui, também, que entra o comentário de Cavaco Silva, ou seja, o PS de António Costa tem conseguido a arte de não dizer não aos seus parceiros de esquerda e, por isso, adiou, uma vez mais, uma decisão. Também não disse não a Helena Roseta e como também Costa não disse ao ex-PR que não apresentava um acordo por escrito para a governação. Tudo isto lembra os orientais que, numa negociação, se esforçam sempre por “não perder a face”. Por outras palavras, a habilidade está, de facto, em nunca dizer não, mas voltar, sempre, a negociar até que se chegue a um acordo. Para tal é necessário engenho e arte e, sobretudo, muita paciência (a vulgarmente chamada “paciência de chinês”). Atente-se também com o que se passa com os enfermeiros e os professores quanto às suas carreiras e atualizações salariais: o Governo de António Costa nunca diz não e sempre que há uma greve ou manifestação aparece sempre um ministro ou secretário de estado a marcar nova reunião. Esta tática leva a exaustão (quase ao desespero) os parceiros de negociação e a um ponto tal que os sindicatos já perderam os combates na praça pública. Outro exemplo recente é o do ministro Vieira da Silva que nunca disse não à despenalização das reformas antecipadas para os trabalhadores com 40 anos de descontos para a Segurança Social, mas…

Em resultado desta habilidade política, o PCP e o BE foram totalmente “enfiados no bolso” de António Costa e, apesar do folclore dos últimos meses, rapidamente anunciaram a sua votação favorável ao OE. Helena Roseta que não é militante do PS e que não é dada a negociações é que não embarcou nesta encenação e demitiu-se citando Miguel Torga: “o que me resta é o terrível poder de recusar”. Valeu-lhe de nada pois hoje mesmo o grupo parlamentar não só aceitou a demissão como também a retirou do já citado grupo de trabalho. Aliás, outra característica do poder socialista: quem empata tem de ser desempatado e posto fora do caminho.



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