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Joe Berardo na Feira do Livro

por Vasco Mina, em 03.06.19

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O cartaz será resultado da dislexia?...

 

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Também eu não atiro pedras…

por Vasco Mina, em 14.04.19

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Recentemente fomos confrontados com o caso, ocorrido em Espanha, do casal Maria José Carrasco e Ángel Hernández. Ela, com 61 anos, sofria, há trinta anos, de esclerose múltipla e ele foi, durante todo este tempo, marido, enfermeiro e curador. Não vou, neste escrito, alongar-me sobre a tragédia que esta doença significa pois é do conhecimento geral o sofrimento de todos os pacientes que a contraem; apenas referir que a esclerose afetou a mobilidade, a visão e quase por completo a fala; tecnicamente, Maria José tinha 82% de incapacidade reconhecida pelas entidades oficiais e era totalmente dependente (alimentação, higiene, mobilidade,…) do marido. Estava num estado considerado como de terminal e com um sofrimento enorme. Ángel, não suportando mais o sofrimento de Maria José, decide avançar para o suicídio assistido.

Vamos aos factos e tentar compreender porque acabou a vida de Maria José em suicídio assistido. Em Outubro de 2018 o jornal “El País” edita um longo artigo no qual é apresentada a situação deste casal. Maria José Carrasco afirma, com toda a clareza, que “Quero o final quanto antes”. Mas, como é referido no texto, não tem condições de executar a sua vontade pois as suas limitações físicas a tal impediam. Ángel Hernández refere que algum tempo antes, ainda menos limitada, Maria José tinha tentado o suicídio e que tinha sido ele quem tinha conseguido impedir pois considerava, então, que apesar de tudo a sua mulher “tinha suficiente qualidade de vida”. O tempo foi passando e a doença agravando-se progressivamente.

Ao longo dos anos foram pedindo ajuda mas acabaram por ficar sós. Não tiveram filhos pois cedo adoeceu Maria José. Os irmãos de ambos viviam longe e não puderam ajudar. Dos vizinhos sabe-se apenas que tinham conhecimento da situação. As tentativas de apoio por parte do Estado foram totalmente fracassadas: nove anos em lista de espera para uma residência adequada à situação de Maria José e… nada! Tentaram pedir ajuda domiciliária mas ficaram também à espera. Há pouco mais de um ano, Ángel necessitou de ser operado a uma hérnia mas acabou por não entrar no bloco operatório pois não conseguiu apoio para a sua mulher.

Sem apoios de ninguém (o Estado apenas lhe concedeu, uns anos antes, uma reforma antecipada para cuidar de Maria José) montou ele uma verdadeira enfermaria em casa onde nada faltou, nem uma grua para içar a mulher. Mais, conseguiu, com as suas poupanças, suportar alguns cuidados paliativos domiciliários. Com todo o amor tratou de Maria José e esteve ao seu lado todas as horas do dia e da noite. Mas o estado de saúde sempre a agravar-se, o tempo a pesar e o esgotamento de ver, minuto a minuto, o sofrimento de Maria José, levaram Ángel a tomar a decisão de a ajudar a suicidar-se. No dia 3 de Abril passado injetou pentobarbital sódico e ela morreu serenamente pouco depois. Esta ação foi filmada e o vídeo circula na net.

Ángel Hernández sempre manifestou, antes e depois da morte da Maria José, a sua esperança na legalização da eutanásia como solução para o sofrimento de sua mulher. Eu sou contra a legalização da eutanásia mas percebo a posição deste homem. Não é possível a ninguém suportar, só e sem apoio humano, um sofrimento deste tipo! Esta história revela o falhanço total de uma sociedade perante o sofrimento. Falhou a família, falharam os vizinhos, falharam as instituições de solidariedade social, falhou o Estado, enfim… apenas Ángel agiu! Vamos por isso legalizar a eutanásia? Não! Vamos sim dotar de cuidados paliativos, de assistência hospitalar e residencial, de acompanhamento humano, todos aqueles que sofrem. O caminho não é acabar com o sofrimento pela via da morte!

E o Ángel Hernández? Choro com ele e rezo por ele e pela Maria José. Será condenado? Sim, será! Mas sem pena efetiva! Também eu não lhe atiro pedras…

 

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Vítor Constâncio: “A CGD foi sempre uma instituição que não nos deu muitas preocupações”

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Porquê maltratar a Ceia e o Natal?

por Vasco Mina, em 26.03.19

Rui Rio diz que o Conselho de Mininistros parece uma "Ceia de Natal"

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O presente de Natal do BE e do Público

por Vasco Mina, em 26.12.18

O jornal Público e o BE optaram por um presente diferente neste Natal: a Eutanásia. Sim, a edição de 24 de Dezembro tem como um dos subtítulos: “BE faz da eutanásia um compromisso para as legislativas”. Nas páginas interiores uma longa entrevista com José Manuel Pureza, deputado do BE e um dos principais defensores da legislação em favor da despenalização desta prática. No jornalismo e na política nada acontece por acaso ou, no caso, por distração de data. Assim, colocar esta entrevista, na capa do jornal, na véspera de Natal, é uma opção editorial e ideológica. Também não deixa de ser relevante que o referido deputado não tenha sido confrontado com a opinião do Papa Francisco sobre a eutanásia; não, não foi uma distração, mas sim uma opção conveniente quer para a opinião do referido deputado quer para a opção editorial do jornal pois assim não assumiram uma rota de colisão com aquilo que o Papa defende; tal confronto não seria conveniente quer para os leitores mais distraídos quer para o desejado apoio eleitoral em ano de eleições. Para os que não tenham presente o que o Papa Francisco pensa sobre a eutanásia refiro a sua intervenção quando ocorreu o caso do pequeno Alfie Evans: “Gostaria de repetir e confirmar, com força, que o único dono da vida, do início ao fim natural é Deus”. Mais, a opção pela eutanásia “é sempre errada, na medida em que a intenção da eutanásia é causar a morte”. Felizmente, vivemos num país livre com total liberdade política e editorial. Compete aos jornalistas e aos políticos manifestarem as suas opções e, com a mesma liberdade, compete aos leitores e eleitores acompanharem, ou não, as linhas editoriais e políticas. Obviamente, não acompanho!

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A evolução do PIB dos países 10+

por Vasco Mina, em 13.11.18

O gráfico acima ajuda a perceber a evolução do PIB dos países com valores mais elevados. Interessante mesmo é ver a evolução da China.

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Camaradas e Camarados

por Vasco Mina, em 12.11.18

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O ímpeto bloquista em querer domesticar a cultura com as questões fraturantes, a ideologia de género e a igualdade feminina, leva a excessos linguísticos. Assim aconteceu quando o dirigente do BE, Pedro Filipe Soares, se dirigiu, neste passado fim de semana, à Convenção do seu partido: “Camaradas e camarados…” Bem sei que se tratou de uma gaffe. Acontece a todos mas é bem revelador do que vai na cabeça desta esquerda. Depois não se queixem dos populismos e das ameaças fascistas…

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Caminhada Pela Vida

por Vasco Mina, em 25.10.18

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Vamos ter, no próximo Sábado, mais uma Caminhada Pela Vida. É uma manifestação da sociedade civil que traz para a praça pública as questões da Vida. Da sua concepção até à morte! Não, não é apenas uma manifestação contra o aborto! É um apelo público a que se respeite a Vida dos que são impedidos de nascer, dos que são violentados desde que nascem, dos que querem ter cuidados continuados, dos que querem ter acesso aos cuidados paliativos e dos que querem morrer com dignidade. Avizinham-se eleições (europeias e legislativas) e é por isso o tempo de perguntar aos partidos políticos e aos candidatos a deputados o que vão defender quando forem eleitos. O recente debate parlamentar sobre a eutanásia foi bem elucidativo: os partidos e os seus deputados tomaram posição sobre um assunto que não tinham colocado previamente aos seus eleitores! Mas os que perderam na votação na AR já anunciaram que voltarão a colocar (a debate e votação) a eutanásia no próximo Parlamento. E quais as apostas políticas (e, já gora, orçamentais) quer para os cuidados continuados quer para os cuidados paliativos? Vão continuar apenas os mais ricos com acesso a estas terapêuticas? Importa esclarecer quem vota, ou seja, o povo! Eu estarei nesta Manifestação pois quero ser esclarecido, quer pelos partidos quer pelos candidatos (sim, também por estes, para que não voltemos às falácias das liberdades de voto). É o povo quem mais ordena, ou seja, quem vota!

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A arte de nunca dizer não

por Vasco Mina, em 24.10.18

Cavaco Silva acaba de lançar o II volume das suas memórias com o título “Quinta-feira e outros dias”. Volta a partilhar a sua leitura política das reuniões que teve com os PM  Passos Coelho e António Costa. Sobre este último comenta o seguinte: “Retive a ideia de que era um homem pessoalmente simpático e bem-disposto, de sorriso fácil. Um hábil profissional da política, um artista da arte de nunca dizer não aos pedidos que lhe eram apresentados”. O ex-PR salienta uma característica muito evidente (e reconhecida por quase todos ) do atual PM e que é a sua habilidade política; mas acrescenta uma nova abordagem: a arte de nunca dizer não. Nunca tinha encontrado, nos inúmeros comentários políticos que já li desde que Costa chegou a PM, semelhante análise.

Por coincidência, estas revelações de Cavaco Silva acontecem na mesma data em que Helena Roseta se demite de coordenadora do grupo de trabalho sobre Habitação no Parlamento. Para esta deputada, é inaceitável que os socialistas tivessem avançado com novo adiamento da votação dos projectos sobre habitação e arrendamento em negociação há meses na AR. Mais, manifestou o seu desagrado por nunca o grupo parlamentar do PS ter agendado para votação a Lei de Bases da Habitação e que é de sua autoria. Acrescentou ainda que se os socialistas "não conseguem uma maioria para esta votação indiciária, isso não pode ser motivo para uma nova suspensão". Os temas habitação e arrendamento são, talvez, dos mais quentes e delicados entre os partidos da geringoça. A título de exemplo recorde-se o que se passou com o “caso” Robles e o que agora acontece com o Alojamento Local da Casa do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Aparentemente, é muito difícil a conciliação de posições e por isso é necessária grande habilidade política. É aqui, também, que entra o comentário de Cavaco Silva, ou seja, o PS de António Costa tem conseguido a arte de não dizer não aos seus parceiros de esquerda e, por isso, adiou, uma vez mais, uma decisão. Também não disse não a Helena Roseta e como também Costa não disse ao ex-PR que não apresentava um acordo por escrito para a governação. Tudo isto lembra os orientais que, numa negociação, se esforçam sempre por “não perder a face”. Por outras palavras, a habilidade está, de facto, em nunca dizer não, mas voltar, sempre, a negociar até que se chegue a um acordo. Para tal é necessário engenho e arte e, sobretudo, muita paciência (a vulgarmente chamada “paciência de chinês”). Atente-se também com o que se passa com os enfermeiros e os professores quanto às suas carreiras e atualizações salariais: o Governo de António Costa nunca diz não e sempre que há uma greve ou manifestação aparece sempre um ministro ou secretário de estado a marcar nova reunião. Esta tática leva a exaustão (quase ao desespero) os parceiros de negociação e a um ponto tal que os sindicatos já perderam os combates na praça pública. Outro exemplo recente é o do ministro Vieira da Silva que nunca disse não à despenalização das reformas antecipadas para os trabalhadores com 40 anos de descontos para a Segurança Social, mas…

Em resultado desta habilidade política, o PCP e o BE foram totalmente “enfiados no bolso” de António Costa e, apesar do folclore dos últimos meses, rapidamente anunciaram a sua votação favorável ao OE. Helena Roseta que não é militante do PS e que não é dada a negociações é que não embarcou nesta encenação e demitiu-se citando Miguel Torga: “o que me resta é o terrível poder de recusar”. Valeu-lhe de nada pois hoje mesmo o grupo parlamentar não só aceitou a demissão como também a retirou do já citado grupo de trabalho. Aliás, outra característica do poder socialista: quem empata tem de ser desempatado e posto fora do caminho.

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Não, não é uma montagem! Nem fake news. Apenas uma sondagem!

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O Ritmo Africano - Nem Theresa May escapa

por Vasco Mina, em 28.08.18

Quem diria que Theresa May dançaria em público? Só mesmo em África! Deliciem-se com os comentários no "The Guardian".

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Lá se vai a nova Rota da Seda...

por Vasco Mina, em 22.08.18

Capital Airlines suspende voos na “rota da seda do século XXI”

Não é uma boa notícia para Portugal mas, espera-se, uma lição de contenção para os excessos de comunicação tão comuns em António Costa. Claro que amanhã virá dizer,como aconteceu com Monchique, que as novas parcerias da TAP são um sucessso e os voos diretos Liboa - Pequim uma exceção e depois de amanhã dirá que foram afirmações fora do contexto em que foram proferidas.

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O vídeo de Mário Wolfgang Schauble Centeno

por Vasco Mina, em 20.08.18

Parece uma montagem audiovisual mas não é! É Wolfgang Schauble travestido de Mário Centeno! O que importava mesmo, fica agora muito claro, para o atual Ministro das Finanças do governo de António Costa, era assumir a função de Presidente do Eurogrupo! Quanto à Grécia, que se aguentem os gregos! Vejam o vídeo! Nem Schauble teria sido mais claro:  “A Grécia reconquistou o controlo pelo qual lutou. Com o controlo vem a responsabilidade. Os gregos pagaram caro as más políticas do passado, pelo que voltar atrás seria um erro…” Que tal oferecer a Mário Centeno o livro “Triunfo dos Porcos” de George Orwell? Até o insuspeito João Galamba considera “um vídeo lamentável que apaga o desastre que foi o programa de ajustamento grego e branqueia todo o comportamento das instituições europeias". Volta Passos, estás perdoado!

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Tourada à Portuguesa nos EUA

por Vasco Mina, em 19.08.18

How to Have Bullfights in California? Use Velcro.

A tourada à portuguesa faz parte do nosso espólio cultural. Tal como o Fado, o culto a Nossa Senhora de Fátima e o Futebol. Onde quer que se se encontre, por esse miundo fora, uma comunidade portuguesa teremos, pela certa, uma tourada. Mesmo contra as proibições locais, como acontece neste caso no Estado da Califórnia (EUA). Saber ultrapassar as dificuldades, contornar os problemas, em adaptação a outras culturas, é também outra nossa característica. As touradas à Espanhola estrão proibidas mas à Portuguesa seguem o seu caminho. É o Portuguese Way of Life. Até ver…

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Muslim couple denied Swiss citizenship over handshake refusal. Quando os excessos de cumprimento das obrigações religiosas (em boa das verdades os radicalismos) ultraprassam normas de elementar bom senso civilizacional, não há tolerância, nem integração, possíveis. Acredito que até para os muçulmanos esta atitude seja considerada como de radical mas qual o peso dos radicais nas comunidades islâmicas?

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Os próximos urinóis de Lisboa

por Vasco Mina, em 14.08.18

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Em Paris, estes urinóis estão a gerar polémica mas divertem os turistas. Em breve, estou certo, o vereador do BE em Lisboa avançará com proposta idêntica. É que se trata de uma proposta alternativa e ainda para mais ecológica. A privacidade é, para a gente da esquerda bloquista, um mito da direita conservadora e por isso há que quebrar com os “moralismos”. Só têm mesmo de encontrar uma solução para as mulheres; ou, quem sabe, uma solução “universal” por causa das questões de género.

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Há precisamente quatro anos, o dia 6 de Agosto ficou marcado na memória de milhares de cristãos iraquianos como um dia trágico e doloroso, quando mais de 350.000 cristãos foram expulsos das suas casas pelos jihadistas do auto-proclamado Estado Islâmico. Hoje está a acontecer um verdadeiro milagre graças à generosidade de milhares de benfeitores da Fundação AIS.

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Vai começar a andar por aí

por Vasco Mina, em 05.08.18

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 Pedro Santana Lopes (PSL) enviou ontem carta aos militantes a informar a sua desfiliação do PSD e a anunciar que irá iniciar novo percurso político. Diz que quer “contribuir para dar força à alternativa de que Portugal precisa para substituir a maioria de esquerda”. Candidatou-se, ainda este ano, a líder do PSD e perdeu. Na altura apelou à unidade do partido. Ontem saiu deste partido para ir formar outro. Com quem? Ninguém sabe. Com qual proposta política? Enunciou apenas as suas prioridades: a Cultura, a Inovação, o Ambiente, a Inovação e o Mar. Manifestamente vai andar por aí à procura de gente e de ideias…

 

Nota: Desculpem a qualidade da fotografia mas não quis deixar de partilhar o registo.

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31 de Maio: Dia dos Irmãos

por Vasco Mina, em 31.05.18

A minha mãe partiu recentemente e o mesmo aconteceu com o meu pai há cerca de dez anos. Sou agora confrontado com a tarefa de desmontar a casa onde vivi desde que nasci até me casar. Por outras palavras, tratar da herança que recebi. No meio de tantos e variados assuntos aos quais tenho de ocupar o tempo, fica, no ecoar dos dias que passam, a seguinte pergunta: qual a verdadeira herança que recebi? Qual o valor que os meus pais me acrescentaram?

Faço parte de uma geração intermédia que não pertence "ao outro tempo", mas que não acompanha no pleno os tempos que correm. Em 1974, tinha 12 anos e era o mais velho de três irmãos; os meus pais não foram militantes antifascistas e o 25 de Abril foi um grande dia: não tive aulas! Crescemos como qualquer outra família da pequena burguesia (terminologia que só bem posteriormente entendi), educados para sermos bons alunos, a respeitar os mais velhos, a cumprimentar as pessoas, a não ser "malcriado", a andar vestido "como deve ser" e a ir à missa com as avós. Ao estrangeiro, fomos duas vezes a banhos ao Sul de Espanha e férias grandes (três meses, sim, três meses) passámo-las sempre na praia Grande. Não tínhamos primos direitos (os meus pais, algo raro à época, eram ambos filhos únicos) e sempre ouvimos (sem a entender muito bem) a lamúria da falta de irmãos. Éramos uma família pequena que, por isso mesmo, criou laços muito fortes entre si. Considerando apenas os 29 anos em que estive solteiro, o meu quadro de referência familiar eram os meus irmãos, os meus pais e as minhas avós.

Quando nos casamos, "viramos a página" e os pais e os irmãos deixam de fazer parte do quotidiano das nossas vidas. Os encontros passam a ser na casa paterna e as histórias do passado passam a ter cada vez mais significado. Misto de alguma nostalgia com o desejo de não perder referenciais, passamos a dar outra importância às relações com os nossos pais e irmãos. Perde-se algum "fio à meada", mas ganha-se a vontade de estarmos juntos.

Os filhos e os sobrinhos vão nascendo e crescendo e os encontros familiares ganham outro movimento. Vão sendo cada vez mais espaçados e, por isso, cada vez mais ricos em partilha de histórias e vivências. Um dia, as avós partem e a dor é imensa. Delas ficam muitas histórias e destas as mais saborosas são as que em conjunto vivemos. Crescemos sem muita consciência do valor das vivências e só nos damos realmente conta desta dimensão no momento de uma partida...

Mas regressando ao desmontar de uma casa, muitos são os objetos que nos passam pelas mãos e, no meio da azáfama, há alguns que nos fazem sentar no sofá, pois nos "obrigam" a recordar tempos passados. São as fotos! São estas as "peças" que nos fazem viver outra vez, que nos recordam os bons e maus momentos vividos e sobretudo aqueles que mais nos marcaram. São momentos que ficaram registados ao longo do tempo, que remontam à nossa infância, mas também aos mais recentes, que passam pelas férias em conjunto, pelos encontros de Natal, por casamentos e batizados... enfim, a história das nossas vidas! Mas tirando as que são a solo, as fotos têm um elemento comum: a companhia dos pais e dos irmãos. Quando aqueles partem, estes são a verdadeira herança quando ficamos órfãos. É que os irmãos não se escolhem: recebem-se. São a doação viva dos meus pais! Fazia-nos realmente falta este dia, o Dia dos Irmãos, a 31 de maio, para celebrarmos esta herança perpétua, a festejarmos, a renovarmos.

Artigo publicado no "Jornal de Notícias"

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