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Anedota do Ano

por Vasco Mina, em 07.03.21

Comentário do jovem Jerónimo de Sousa: "Cavaco Silva está velho"

O que une a IL ao BE

por Vasco Mina, em 06.03.21

Soubemos hoje que a Iniciativa Liberal decidiu não se juntar à candidatura de Carlos Moedas à Câmara Municipal de Lisboa. Uma decisão que se respeita mas que se lamenta. Temos, à direita do PS, uma candidatura que tem uma elevada probabilidade de vencer as eleições autárquicas em Lisboa e retirar o poder socialista da capital do País onde se encontra instalado há cera de 14 anos. Convém, a propósito, lembrar que o Presidente da Câmara é o primeiro da lista mais votada. Ou seja e ao contrário de um Governo (Nacional ou Regional) quem ocupa o lugar não está dependente (ou estar suportado) de acordos entre partidos. Poderá não ter maioria absoluta (como hoje acontece com Fernando Medina) no executivo camarário mas o presidente, em qualquer cenário eleitoral, é o que recebeu mais votos. Segundo Cotrim de Figueiredo o objectivo da IL é “tirar da Câmara o Partido Socialista que há 14 anos a governa e o atual presidente”. Ora o presidente da Iniciativa Liberal ou desconhece por completo o processo eleitoral autárquico (e acha que pode governar a CML em situação similar à dos Açores) ou tem por ambição conseguir um lugar na vereação e então negociar com o PS a introdução de propostas liberais na ação camarária. Tal como o faz o BE! Também a extrema esquerda tem o mesmo propósito pois sabe que jamais ganhará a Câmara mas quer influenciar o poder instalado.

Acompanho muitas das propostas da IL para a governação de Portugal e entendo que foram e são um contributo importante para a necessária diversidade política do espectro partidário. Mas custa assistir tanto alinhamento com o BE como já aconteceu com: a eutanásia, as barrigas de aluguer, a oposição ao Estado de Emergência e à abordagem da prostituição (ambos defendem a profissionalização).

O Primeiro Programa Nacional de Vacinação

por Vasco Mina, em 27.02.21

Neste tempo em o Plano de Vacinação para a Covid-19 se encontra na ordem do dia, importa recordar como e quando teve início o planeamento nacional de imunização da população portuguesa para um conjunto de doenças infectocontagiosas. Um recente artigo, no Expresso, de Bruno Vieira Amaral sobre a vacinação lembrou o primeiro Programa Nacional de Vacinação (PNV). Foi em 1965 e o seu mentor o então Ministro da Saúde e Assistência Francisco Neto de Carvalho. Este Programa contou com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e o próprio reconheceu, numa obra sua (“Do Estado Novo à Democracia” em edição póstuma da sua família) os fracos recursos financeiros que levaram o Estado a recorrer ao subsídio da referida Fundação (atualmente seria com o apoio da União Europeia).

O PNV foi um sucesso e permitiu erradicar a poliomielite e reduzir as taxas de incidência das outras doenças que passaram, igualmente, a ser incluídas no referido Plano: tosse convulsa, difteria, tétano e varíola. A grande mais valia desta medida foi proporcionar a cobertura vacinal à escala de todo o país. A par de tudo isto lançou-se a construção do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e foi instituído o Boletim Individual de Saúde o qual passaram a ser registadas as vacinas e que (ainda hoje) é um documento fundamental que a todos deve acompanhar.

Vale a pena ouvir a conferência de imprensa para lançar o PNV. O Ministro Francisco Neto de Carvalho destacou, entre outros, os seguintes aspectos: a colaboração da comunicação social na divulgação da importância da vacinação, o envolvimento das populações interessadas, a criação da consciência social para levar os portugueses a vacinarem os seus filhos e a importância de se conseguir a imunização generalizada da população (pelo menos 75%). Igualmente curiosa é a constatação da resistência de muitos aos tratamentos da tuberculose nos sanatórios. Ou seja, então e hoje, a mesma preocupação face aos que resistem às novas abordagens da medicina.

Não, não sou saudosista do Estado Novo (em 1965 tinha eu 3 anos de idade) mas importa ter (boa) memória de quando e como se iniciaram os planos de vacinação. Também a merecida homenagem ao seu autor que teve uma longa carreira se serviço público que terminou em 1991 como Juíz Conselheiro do Tribunal de Contas. Vale a pena ler o livro que citei  (com prefácio de Guilherme D’Oliveira Martins) acima pois é o testemunho de uma vida que acompanhou o Estado Novo e a Democracia.

Mamadou - Simões

por Vasco Mina, em 20.02.21

Li e reli o artigo de opinião do deputado do PS Ascenso Simões ontem publicado no ”Público”. Estamos, há muito, habituados a alguns excessos de linguagem deste deputado (incidente com um agente da PSP, “Os parentes de figuras públicas só podem ser pedintes“, acusação a Paulo Rangel de ser uma “cabeça doente”, etc). Desta vez foi bem mais destravado e, qual Mamadou Ba perante a escultura do Padre António Vieira, defendeu que “o Padrão, num país respeitável, devia ter sido destruído”. O Padrão dos Descobrimentos, claro está! Inacreditável o que vai no pensamento deste homem! Mas não ficou por aqui, aliás, começou assim o artigo : “O 25 de abril de 1974 não foi uma revolução, foi uma festa. Devia ter havido sangue, devia ter havido mortos, devíamos ter determinado bem as fronteiras para se fazer um novo país. Construímos Abril com a bonomia que nos produz há séculos, um ser e não ser que sempre concebeu o nosso profundo atraso, uma marca histórica que não nos abriu ao risco e ao radicalismo que provoca o progresso.” Nada desta verborreia foi escrita com aspas ou em itálico; ou seja, não foi em ironia nem em linguagem simbólica. Não, não foi um ligeiro excesso pois um texto destes é bem premeditado.

Mas quem mandaria matar o deputado Ascenso Simões que em Abril de 74 teria 11 anos de idade? Sendo deputado na AR e tendo até assumido (obviamente na governação Sócrates) cargos governamentais (em três Secretarias de Estado distintas) as suas afirmações deveriam ser de nível superior e não ao nível das de Mamadou Ba. É que este pode bem dizer o que entende pois é inimputável mas um deputado tem de responder perante os seus pares e perante o povo que o elegeu. Corre muita alergia política em relação ao Chega e ao radicalismo de extrema direita no discurso do André Ventura sendo, frequentemente, acusado de racista. A própria candidata presidencial Ana Gomes avançou com um pedido à Procuradoria-Geral da República para que haja uma reavaliação da legalidade do partido Chega. A ver vamos qual a postura que vai ter com o seu camarada e apoiante eleitoral Ascenso Simões. É que ao nível do discurso político radical, o líder do Chega, ao lado deste deputado socialista, não passa de um menino de coro!

A Eutanásia e as Presidenciais

por Vasco Mina, em 22.01.21

Escrevi aqui, no final de Dezembro, em quem intencionava votar e por isso não me vou repetir. Destaquei, nesse post, a dificuldade que tinha com o candidato Marcelo no que à eutanásia diz respeito. Um mês volvido e com o país a viver uma verdadeira catástrofe sanitária (na quarta feira registara-se 721 óbitos, o maior número de sempre em Portugal) a eutanásia volta, uma vez mais, a ser assunto do dia. Não, não sou eu a puxar o tema mas sim os deputados da Assembleia da República que, ontem mesmo, aprovaram, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, a lei da morte medicamente assistida. O diploma deverá ser votado e (quase com toda a certeza) aprovado na sessão plenária do próximo dia 29 de Janeiro. Choca, choca mesmo, constatar que o parlamento português tenha dado um passo em frente para a aprovação da morte a pedido exatamente no dia em que mais mortes aconteceram no nosso país. Estamos todos numa luta contra a pandemia, com muitos a sofrerem nos hospitais, com os médicos e enfermeiros num esforço colossal para conseguir a sobrevivência dos cerca de seis mil internados e temos os nossos deputados a aprovar a eutanásia. E o que tem isto a ver com o próximo Presidente da República? Tem tudo! Será, aliás, o primeiro assunto que terá de decidir! A eutanásia é um tema que divide a sociedade portuguesa e por isso de uma elevada delicadeza que deverá merecer uma ponderada decisão do próximo PR. Não é uma mais uma Lei nem uma Lei qualquer e por isso o poder constitucional, que um Presidente da República tem, torna-se relevante na decisão de voto na eleição de depois de amanhã.  Excepto Marcelo Rebelo de Sousa, todos os outros candidatos promulgarão a Lei. Sim, Ventura também o fará desde que seja devidamente regularizada. O atual PR tem dito repetidas vezes que só tomará posição após a Lei ser aprovada na AR e, em iguais vezes, afirmou que não coloca de parte qualquer das três alternativas possíveis. Ou seja, a posição de Marcelo é um mistério. Irei votar com esta dificuldade na minha consciência mas, como já o referi, em República temos de escolher o Chefe de Estado e, sem dúvida alguma, Marcelo é (comparativamente) o mais bem preparado politicamente (e especialmente num tempo de grandes dificuldades que todos iremos enfrentar).

Navegar à Costa

por Vasco Mina, em 21.01.21

No início dos Descobrimentos a navegação era essencialmente à vista, ou seja, acompanhando a linha de costa. Sabia-se muito pouco da geografia das terras que iam sendo descobertas e as técnicas de navegação eram ainda muito rudimentares. Sendo tudo, ou quase, desconhecido a opção era não perder de vista a costa. O conhecimento científico e tecnológico da época (astronomia, técnicas de navegação, equipamentos náuticos, cartografia,…) foi evoluindo e permitindo que os navegadores arriscassem outras viagens que os levariam (e levaram) a outros continentes. Entre muitos homens que se destacaram entre os séculos XV e XVI há um que fez um feito notável – Fernão Magalhães. Vem muito a propósito referi-lo pois este ano se celebram os 500 anos da sua morte. Relembro que atravessou pela primeira vez o Estreito (que posteriormente passou a ter o seu nome) que possibilitou a passagem do Atlântico para o Pacífico. Depois, atravessou, à primeira tentativa, aquele que é o maior Oceano do Mundo – o Pacífico. Note-se que esta travessia (vale a pena ouvir esta explicação do Henrique Leitão) estava prevista desde o princípio e Magalhães tinha a consciência do elevado risco (loucura até) do que se propunha fazer. Levou o know-how com ele (fez-se acompanhar por um cosmógrafo) pois sabia que havia uma questão técino-científico que importava esclarecer: a medida da longitude. Ou seja, o grande navegador definiu um objectivo para a sua viagem, reuniu o conhecimento técnico que se conhecia à época, formou uma equipa, planeou a viagem e foi convincente junto do Rei de Castela para lhe conceder os meios que necessitava. A grande genialidade Magalhães foi a sua capacidade de elaborar um plano (que preparou até ao mais ínfimo detalhe) e que perseguiu (contra quase tudo e todos) até atingir o seu objectivo. Em resumo, deixou de navegar à vista para navegar segundo um plano previamente preparado. Na linguagem atual foi um homem que teve visão! Esta é a grande lição do feito de Fernão de Magalhães e que bem que deveria servir de exemplo a quem nos governa. Infelizmente, o que vimos, nos últimos tempos, é um Primeiro-Ministro que governa “à vista” não da terra mas popularidade. Não consegue elaborar um plano e decide ao sabor das sondagens da dita opinião pública. Tenham nota do seguinte: na 2ªF as escolas não seria fechada; na 3ªF mandou reabrir os ATL; na 4ªF iniciou os testes nas escolas; hoje fechou as escolas. Em boas das verdades é a chamada Navegação à Costa!

Ministros irresponsáveis

por Vasco Mina, em 16.01.21

António Costa, no anúncio das novas medidas para o confinamento que se iniciou ontem, assumiu, como sempre, que o problema está nas pessoas e que o Governo mais não faz do que reparar os efeitos da irresponsabilidade da população. Em concreto afirmou que “já todos compreendemos qual é a mecânica de transmissão da pandemia, que quanto mais nos deslocarmos, quanto mais juntos estivermos, mais se transmite a pandemia. Quanto menos nos deslocarmos, quanto menos juntos estivermos, menos transmitimos a pandemia. Portanto, se todos fizéssemos isto de forma espontânea seguramente não estaríamos aqui hoje a dar este passo.”Ora soubemos hoje que o Ministro das Finanças se encontra infetado e que também, há dois dias, tinha ficado infetada a Ministra do Trabalho e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho. Ou seja, dois irresponsáveis ministros que não souberam, espontaneamente, estar isolados nem estar quietos em casa. É caso para perguntar: “Sr. Primeiro Ministro, já multou os seus ministros?”

O Estado da Ignorância

por Vasco Mina, em 02.01.21

Estamos em Estado de Emergência mas, em boa das verdades, estamos mesmo é em Estado de Ignorância. Sabe-se ainda pouco da doença Covid-19 quer ao nível das suas causas quer sobre os seus efeitos na saúde das populações. Ou seja, se é certo que a doença se transmite pelo ar, ou seja, através dos contactos entre as pessoas, se é também uma evidência que os idosos são o grupo mais atingido, ainda pouco ou nada se sabe sobre: o porquê de uns ficarem infetados e outros não (quando em igualdade de circunstâncias), a aparente sazonalidade da doença, a imunidade de grupo, os que são falsos negativos ou falsos positivos identificados nos testes, as eficiências dos testes em uso, os infetados assintomáticos (se são ou não transmissores da doença), o número de dias de quarenta profilática, o impacto das co morbilidades na evolução dos infetados, qual o efeito temporal da doença naqueles que foram internados, as terapias a administrar aos que se encontram internados nas unidades de cuidados intensivos, o tempo médio estimado de internamento, o efeito do uso de máscaras, a circulação em transportes públicos, a eficiência das vacinas, o tempo estimado para o efeito da vacinação, os efeitos colaterais das vacinas, porque evoluem diferentemente os novos casos de país para país quando as medidas são semelhantes,… Ou seja, um número sem fim de variáveis para as quais não temos ainda respostas seguras. Mesmo os dados estatísticos continuam a evidenciar factos sobre os quais vamos aprendendo com o passar do tempo. No Verão parecia que o impacto do vírus, no aumento da mortalidade total em Portugal, seria pouco expressivo. Hoje, nesta notícia do JN, estima-se que, entre 2019 e 2020 , o aumento da mortalidade total se situe em cerca de 11.000 óbitos e que o covid 19 será responsável por cerca de 49% deste incremento; os restantes 51% serão resultado das consequências indiretas, ou seja, das ineficiências do Serviço Nacional de Saúde (milhões de consultas, análises, tratamentos e cirurgias que não se efetuaram, milhares de rastreios que não ocorreram,…) e do medo que se instalou na população que se traduziu na redução dos recursos às urgências hospitalares.

O Estado de Ignorância é também o gerador das muitas incertezas com que, todos nós, nos defrontamos neste início de 2021. Entre muitas outras, destaco as seguintes: qual a evolução, nas próximas semanas, do número de novos infetados, de óbitos, de internados e (destes) em cuidados intensivos? Vamos ter, ou não, uma 3ª Vaga? Quando acontecerá o início do impacto da vacinação? E a gripe, como evoluirá? Quando se assistirá a um retomar progressivo das atividades económicas (nomeadamente todas as direta e indiretamente relacionadas com o turismo)?

Mas a ignorância é igualmente fonte de disparates. O Henrique Pereira dos Santos, aqui no Corta-Fitas, tem evidenciado (quase até à exaustão) as inacreditáveis opiniões que se ouvem de supostos especialistas em epidemiologia e as múltiplas decisões incompreensíveis tomadas pelo Governo e pelos responsáveis da área da Saúde. Apenas refiro o exemplo do encerramento das escolas que hoje é reconhecido como tendo sido um disparate; porque foi, então, tomada essa decisão? Porque a ignorância gerou o medo da não decisão e em política é preciso (recorro à obra “O Leopardo” de Tomasi Lampedusa) que algo mude nem que seja para que tudo fique na mesma.

Votar em Marcelo?

por Vasco Mina, em 20.12.20

Marcelo Rebelo de Sousa é um homem que funciona a solo. Nas mais diversas dimensões (política, académica, social, …) é alguém que não trabalha em equipa. Não tem “comissão política”, decide no seu recanto e vai a todo o lado onde viva um português mas sempre, sempre sozinho. Esta característica associada à sua inteligência e cultura superiores tornam este homem num personagem invulgar. Com todos os defeitos associados: mestre da intriga política, natural capacidade de afirmar algo e o seu contrário e visão carregada de interesse pessoal no que faz e no que afirma.

Muitos criticam a falta de ideologia. De facto, a sua ideologia é a do momento. Ou seja, sem ideologia. Outra crítica é a de ter enfraquecido a direita pois sendo ele, originalmente, do centro-direita, tem secado toda esta área (é quase como um “eucalipto político”) mas também é verdade que a direita está em estado de colapso eminente e por responsabilidade que não se pode, apenas, atribuir a Marcelo.

Aplaudi as suas intervenções em vários momentos chave da vida nacional (incêndios, o início do combate à pandemia, a rejeição da regionalização...) nos últimos cinco anos mas em muitos outros (o recente caso do ucraniano morto pelo SEF, o excessivo alinhamento com o Governo de Costa, ...) não o acompanhei de todo.

Isto dito, em quem vou votar? Em República temos de tomar posição sobre a escolha do Chefe de Estado e nesta perspetiva qualquer das alternativas ao Marcelo é muito, mas mesmo muito, má. Por outras palavras, Marcelo é o melhor candidato que temos. Resta apenas, em alternativa, a posição dos monárquicos: votar em branco ou não votar mesmo.

Vou votar em Marcelo mas tenho um amargo de consciência que hoje se reforçou com esta notícia: a eutanásia. Caso Marcelo não envie a lei para o Tribunal Constitucional e opte pela sua aprovação, então o meu voto será em branco. Serei então monárquico? Não! Ficarei num beco!

Lares Ilegais

por Vasco Mina, em 13.12.20

São frequentes as notícias sobre o encerramento dos designados lares ilegais. Hoje, no JN, mais uma e refere que a Segurança Social encerrou 90 lares em 9 meses. O artigo de hoje refere alguns números que deveriam merecer a atenção quer de quem nos governa, quer dos atores políticos, quer de todos nós. De acordo com informação que recolhi junto de outras fontes de informação (infelizmente existem poucos dados organizados sobre este assunto) o número de lares (ERPI na sua designação oficial) serão 2.520, sendo 847 da rede lucrativa e 1.673 da Rede Solidária (Misericórdias e outras IPSS). Saliente-se, a propósito, que o Estado não tem Lares.

E quantos são os lares ilegais? Ninguém sabe ao certo! Segundo a mesma notícia e recorrendo a uma indicação do Presidente da Associação de Lares e Casas de Repouso de Idosos (ALI), o nr. de lares ilegais será superior 3.000. Se assim for, teremos mais lares ilegais do que legais. Como é isto possível?

Infelizmente pouco se fala sobre esta verdadeira chaga social que tende a aumentar em virtude de sermos um povo cada vez mais envelhecido. A primeira razão desta triste realidade é a falta de resposta por parte das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (os lares) licenciadas que não são em número suficiente para acolher todos os candidatos; por outras palavras, faltam vagas nos lares! A segunda razão prende-se com a mensalidade dos lares legais: incomportável para um grande nr. de famílias. A terceira razão (que se prende com as anteriores) é o elevado esforço orçamental, em sede de Segurança Social, que seria suportar para licenciar todos os lares necessários para cobrir toda a procura (outra forma de travar o crescimento de lares tem sido o aumento progressivo de complexidade do processo de licenciamento).

E a Segurança Social (que é a entidade que licencia os lares) desconhece a existência dos lares ilegais? Porque não encerra todos? E as Câmaras Municipais porque não denunciam e atuam em conformidade? Se o fizessem dois graves problemas aconteceriam: idosos “na rua” (não há vagas suficientes nos lares legais) e aumento do desemprego. Voltarei a este assunto!

Deve ser culpa dos CTT

por Vasco Mina, em 12.12.20

Finalmente, Eduardo Cabrita escreveu uma carta à viúva do ucraniano assinado, há nove meses, nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa. Mas como neste Governo de António Costa ninguém assume culpas, passando-as sempre para outros, é bem possível que a razão deste "pequeno" atraso não seja do governante mas sim dos CTT.

O Salário Mínimo e os Lares

por Vasco Mina, em 08.12.20

Tudo indica que o salário mínimo vá aumentar em 25€ (passando dos atuais 635€ para 660€) e, segundo esta notícia, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social está disposto a apoiar as empresas. Não se sabe ainda qual o montante do apoio mas, na mesma notícia, consta que será de 1,25€. Não vou aqui argumentar o que isto significa de apoio reduzido às empresas mas sim alertar para o impacto que este aumento vai ter na sobrevivência dos Lares. Saliento que o Estado não tem Lares e que se encontram contabilizadas 2720 Estruturas Residenciais Para Idosos (designação oficial de um Lar) sendo 847 da rede lucrativa e 1.673 da rede solidária (Misericórdias e outras IPSS). Estima-se em 99.000 os residentes em ERPI que empregam cerca de 60.000 trabalhadores. A grande maioria destes (provavelmente 80% ou mesmo mais) aufere o salário mínimo. Considerem um Lar com 100 residentes e 60 funcionários e façam as contas para estimar o impacto nas contas destas instituições (que na sua grande maioria já se encontra em difícil situação financeira, mesmo à beira da falência). O Estado comparticipa em cerca de 400€ por residente e o restante é suportado pelo idoso e pela sua família. Se o aumento do salário mínimo não for acompanhado por um reforço da comparticipação do Estado, serão as famílias que terão de suportar o inevitável aumento das mensalidades do Lares.

Não vou entrar na discussão sobre o aumento salário mínimo mas apenas alertar que serão as IPSS (Misericórdias incluídas) as entidades que maior impacto terão na sua sustentabilidade. Será que a esquerda que nos governa se esqueceu dos Lares? Ou, pior, desconhece por completo as despesas e receitas de um Lar?

É o que está a acontecer em alguns hospitais, nomeadamente no Hospital  Amadora Sintra. Felizmente alguns administradores hospitalares estão, com inegável bom senso, a resolver o drama dos doentes não-covid que aguardam por cirurgia há longos meses. Claro que algo discretamente pois os guardiões do SNS exclusivamente público, com muita influência na comunicação social e alinhados com a esquerda ideológica, logo pública posição tomariam contra tal acto atentatório do SNS. Como, aliás, recentemente aconteceu na posição de um grupo de médicos liderados por Ana Jorge, ( ex-ministra da Saúde do Governo de José Sócrates). Haja bom senso e tratem-se os doentes!

As vacinas segundo Ana Gomes

por Vasco Mina, em 03.12.20

Nada como ser de esquerda e fazer como Frei Tomás, ou melhor, como Ana Gomes. Bem prega a candidata presidencial em prol do Serviço Nacional de Saúde mas quando chega a “hora da verdade” faz segundo a lógica privada e, até, se dá ao luxo de criticar a Direção Geral de Saúde (como se este departamento do Estado não fosse parte integrante do SNS). De facto, na atual circunstância da pandemia em que assistimos diariamente à falência dos serviços de saúde (especialmente para todos aqueles que não estão infetados pelo vírus), quem é rico ou influente resolve o problema e quem é pobre fica à espera. Foi a opção de Ana Gomes: sendo influente conseguiu importar (amigavelmente, claro) a vacina, resolveu o seu assunto e quanto aos que não podem o problema é da DGS. Mas onde ficou a solidariedade com os mais desprotegidos? E o respeito pelo plano de vacinação assente na distribuição de vacinas pelo SNS? Ora, para a esquerda (especialmente a dita intelectual) isso é com o Estado! É este que tem de se ocupar com os indivíduos! A iniciativa de cada um não passa de mero assistencialismo!

Imagine-se o que não seria se este acto tivesse sido praticado por alguém da direita! Seria de imediato acusado de rico e total falta de sensibilidade social. Mas sendo de esquerda os habituais comentadores do sistema assobiam para o lado. Enfim, bem prega Ana Gomes, olhem para o que ela diz mas não para o que ela faz.

A Eutanásia do Referendo

por Vasco Mina, em 22.10.20

Não, não me enganei no título deste post. O que estará hoje em discussão (e amanhã em votação na AR) não é a eutanásia mas sim um referendo. Recordo que resultou de uma Iniciativa Popular de Referendo promovida por um largo e variado número de pessoas (de múltiplas correntes políticas) e que recebeu mais de 95.000 assinaturas (bem acima das 60.000 estritamente necessárias). Os projectos parlamentares sobre a eutanásia serão debatidos posteriormente. Ou seja, o que está hoje e amanhã em causa é a viabilidade de uma consulta popular. Tudo indica que o referendo será chumbado e cada deputado será responsável não pela aprovação ou chumbo da eutanásia mas, sim, será responsável pela vida ou morte de um processo democrático constitucionalmente consagrado na Constituição da República Portuguesa. É que se eutanasiarem esta proposta de referendo estarão, sim, a matar a consulta popular e, por isso, em total desrespeito pelo povo que votou nos partidos sem que estes tivesses tomado posições nos programas eleitorais. Se há tema que requer um referendo é o da eutanásia!

Soma-se a isto um partido, o PSD, que no seu órgão mais importante, o Congresso, decidiu, através de uma moção que mereceu a aprovação da maioria dos congressistas, desencadear todos os mecanismos partidários e políticos no sentido de se avançar com um referendo sobre a eutanásia. Noto que a decisão foi sobre o referendo e não sobre a eutanásia. Pois não só o Presidente e a Comissão Política Nacional do PSD não cumpriram esta decisão do Congresso como foi dada liberdade aos deputados do PSD para, individualmente, tomarem posição no Parlamento. Fica assim, cada deputado social-democrata, com a responsabilidade de dar vida ou matar o referendo. Será um voto de consciência mas, sobretudo, de responsabilidade política perante os militantes e perante os portugueses que os elegeram. Se chumbarem o referendo, a pergunta que fica é a seguinte: para que serve um Congresso? O que é a mesma coisa que perguntar para que serve um partido.

“Black Lives Matter” em Cabo Delgado

por Vasco Mina, em 21.10.20

A revista Visão apresenta uma longa e impressionante reportagem sobre o que se passa em Cabo Delgado. Segundo este artigo “entre o passado sábado, 17 de outubro, e o dia de ontem, 20 de outubro, cerca de três mil pessoas terão desembarcado na praia de Paquiquete, em Pemba. Idosos, mulheres e crianças, sobretudo, chegam em barcos sobrelotados, que estão novamente a fazer a viagem de volta para tentar salvar mais pessoas que estão em risco no norte do País.” Uma verdadeira tragédia humana provocada pelos ataques terroristas comandados por forças do jiadaismo islâmico. Destroem tudo, decapitam cidadãos  e lançam o terror por onde passam. Quem apoia, localmente, estes refugiados? Uma plataforma da sociedade civil com poucos recursos e, como sempre, a Igreja. Mas com muitas e muitas limitações. Quem tem mais levantado a voz para denunciar o que se passa? O Bispo de Pemba, D.Luiz Lisboa. E as organizações internacionais e os movimentos civis como o “Black Lives Matter” por onde andam? E as televisões?  Será que o terrorismo deixou de ser tema? Será que apenas importa o racismo e a igualdade de género?

Era uma vez uma Ministra

por Vasco Mina, em 13.08.20

Festa do Avante. “Não haverá exceções” nem "tratamento especial", diz Marta Temido

No dia 10 de Junho, vimos, ouvimos e lemos um notável discurso do Senhor Dom Tolentino de Mendonça. Recordando o belo poema de Sophia… não podemos ignorar! A sua reflexão  é uma verdadeira lição de humildade, de cultura e de humanidade. Será certamente recordado e lembrado nos próximos anos.

Mas o discurso prolongou-se na entrevista dada à Rádio Renascença. Nesta, o Cardeal aprofundou alguns aspetos que tinha abordado na comunicação do 10 de Junho. D. Tolentino de Mendonça convoca-nos à responsabilidade que cada um de nós tem em cuidar dos nossos concidadãos e do nosso país, desafia-nos a refletir sobre o nosso destino coletivo e alerta para a coesão nacional, para que ninguém fique para trás.

Mas também não deixou de enviar mensagens aos responsáveis políticos: “Sentir a política como a causa mais nobre. Fazer uma política de causas. Uma política que coloque no centro da sua ação a pessoa humana.” A propósito das situação dos idosos afirma com muita clareza que  “nós não podemos dizer que a vida de um idoso, de um doente, de uma pessoa afetada por uma depressão profunda tem menos valor. E esse reconhecimento, de que toda a vida humana tem um valor infinito, até ao fim, deve ajudar-nos a perceber que as leis que fazemos devem ser leis que favoreçam a vida”. Com toda a clareza e frontalidade afirma: “Uma lei como a da Eutanásia é uma derrota civilizacional para todos nós”.

A AR retomou, há dias, o debate sobre as propostas dos partidos sobre a eutanásia. Para quem tenha pensado que este era o tempo para debater assuntos verdadeiramente prioritários, desengane-se. Para o parlamento a eutanásia é uma prioridade e até atribuiu à deputada Isabel Moreira (que dias antes tinha criticado severamente o  Governo de ter restringido direitos, liberdades e garantias de forma inconstitucional) a tarefa de redigir um texto de consenso entre os vários diplomas apresentados e aprovados pelos partidos. Será que os senhores deputados vão desprezar o apelo de D. Tolentino de Mendonça? Infelizmente, temo que tal vá acontecer. Assim, será o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa confrontado com uma provocação política no final do seu mandato; bem que se esforçou por conseguir o apoio do PS e de António Costa para a sua reeleição mas o astuto PM é mestre em jogar simultaneamente em vários tabuleiros. Ou seja, o Presidente da República vai ter a oportunidade (oferecida pela esquerda) de manifestar o que efetivamente o move: isenção politicamente correta face à eutanásia ou impedir a derrota civilizacional. São estes os tempos em que as pessoas se revelam!

Dia dos Irmãos

por Vasco Mina, em 31.05.20

Hoje, 31 de Maio, é Dia dos Irmãos. Uma feliz iniciativa da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas e que tem como grande dinamizador o José Ribeiro e Castro. Inspirando-me no seu artigo de hoje no DN, também, aqui no Corta-fitas, dou a devida nota.

Apesar de acompanhar mal os chamados “Dia de…” reconheço que no dia propriamente dito sou desafiado a refletir sobre o seu significado. É verdade que existem “Dia de…” para todos os gostos e que, sendo em elevado número, de alguma forma retiram a relevância de cada dia em concreto. São quase um cliché. Mas pergunto-me, a propósito, se deixássemos de, por exemplo, de celebrar o Dia da Mãe, se nos esqueceríamos das nossas mães. Claro que não! Mas, certamente, que não a teríamos particularmente presente nesse dia (seria um dia igual a tantos outros) e muito menos lhe ofereceríamos uma flor ou, no mínimo, lhe telefonaríamos. É que raramente lhe oferecemos uma flor e quanto a telefonemas cada um que pese na sua consciência o número de vezes que telefona à sua mãe. Andamos tão ocupados que tantas vezes nos escapa o mais essencial da vida e que é a atenção a quem está próximo de nós.

Hoje, ao menos hoje, tenho os meus irmãos presentes. Não, ainda não lhes telefonei, mas dedico-lhes este post. Mãe e pai já partiram e o que de mais importante me deixaram foram os meus irmãos. Temos uma relação fantástica, sem discussões e em harmonia total? Não, não temos! Eu e o meu irmão somos tão diferentes que algumas vezes na vida dei conta que alguns ficaram surpreendidos por termos os mesmos pais. A minha irmã herdou da minha mãe o “chaganço”: chaga, pelo muito amor que tem, a cabeça a quem está à sua volta e eu não escapo à sua pontaria. Preferia eu ter outros irmãos? Nem pensar! A história de vida que tenho com eles torna a nossa relação única e irrepetível. Hoje, ao menos hoje, agradeço a Deus os irmãos que tenho.

Recordo também que fraternidade tem origem no radical latino "frater" com o significado de irmão. Julgo que não existe Dia da Fraternidade nem serei eu a propor. Mas é de fraternidade (ou seja, irmandade) o que o Mundo mais necessita. É que tudo começa com o nosso irmão ou a nossa irmã.

O Cagaço

por Vasco Mina, em 30.05.20

Vivemos um tempo em que a nota dominante nos nossos quotidianos ´é o cagaço. Não é bem o medo porque os portugueses não gostam de expressões radicais. O cagaço é a versão descontraída do medo, é a expressão do que realmente sentem mas que causa algum desconforto quando dita na versão correta. Não por acaso quando alguém aborda outro e lhe pergunta “estás com medo?”, a resposta seja, frequentemente, a de que “estou com algum cagaço”.

Assim, os pais não levaram, na sua maioria, os filhos às creches (quando estas reabriram) pois tiveram cagaço.

Os jornais não criticam o Governo pois estão com o cagaço de não receberem os tão desejados apoios do Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa aceita o apoio de António Costa para a sua reeleição pois está com cagaço de não ganhar à 1ª volta.

António Costa acompanha em, quase, tudo o PR pois tem cagaço de ficar isolado quando chegarem eventuais consequências negativas resultantes das decisões governamentais.

Rui Rio não faz a oposição que devia pois tem cagaço de ser mal interpretado.

Os desportistas que correm nos jardins de Lisboa andam de máscara pois estão cheios de cagaço de serem infetados por alguém que possa estar sentado no banco de jardim sem a máscara.

Muitos trabalhadores em regime de teletrabalho vão tentar, a partir de 2ªF, não regressar aos escritórios pois estão cheios de cagaço do distanciamento entre colegas.

Os transportes públicos andam (excepto aqueles que transportam um grande número de trabalhadores para as zonas industriais) quase vazios (se não conseguem imaginar o elétrico 28 vazio proponho que vão até à Estrela ou ao Camões) pois os chamados utentes, como eu, têm cagaço.

Os doentes não vão às consultas de rotina nos hospitais pois têm cagaço de serem contaminados.

Os médicos consultam telefonicamente os seus doentes pois estão com cagaço quer de os contaminar quer (no caso da medicina privada) de os perder.

Os restaurantes só se vão safar se tiverem esplanada pois os clientes estão com cagaço de permanecer em espaços fechados.

Assim vai o país com o cagaço a condicionar (quase) tudo. Mas é mau ter cagaço? Num tempo de incerteza e de grande ignorância sobre o que acontecerá no dia seguinte, talvez que algum cagaço seja seja recomendável. O que é, mesmo, incompreensível é o cagaço do risco que não existe.



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