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Rui Ramos a citar Eça no dia do seu aniversário

por João Távora, em 25.11.22

(...) "Um dia, Eça de Queiroz revelou como resolvia o problema de produzir uma coluna de jornal quando não era possível “arrancar uma só ideia útil do crânio, do peito ou do ventre”. Para essas terríveis esterilidades, havia um recurso: agarrar “ferozmente” na pena e dar, “meio louco”, “uma tunda desesperada no bei de Tunes”. O bei era o governador otomano do que é hoje a Tunísia. Do outro lado do Mediterrâneo, diante de uma Europa liberal e progressiva, o bei presidia a um poder decrépito e corrupto, que protegia a pirataria e mantinha a escravatura. À falta de assunto, era a salvação do colunista: como podia a Europa tolerar aquele atentado à civilização? Os leitores indignavam-se sempre. O jornalismo perdeu este grande recurso em 1881, quando a França ocupou e começou a “civilizar” Tunes.

Está o Qatar a ser a nossa Tunes, o tema a que desesperadamente nos agarramos quando a inspiração não atende o telemóvel? No entanto, não parecem faltar assuntos. Em Portugal, temos a primeira diminuição da população depois de 1970. Por toda a Europa, a inflação mais alta desde há 30 anos ou a guerra na Ucrânia. Talvez afinal não faltem assuntos, e estejamos apenas a precisar de um interlúdio ligeiro, em que fazemos de conta que só o Qatar não nos deixa dormir.

Estou a dizer que o Qatar é a Suíça? Não. Estou a dizer que se querem que o Mundial de futebol seja em países iguais à Suíça, façam-no sempre na Suíça ou quando muito na Suécia." (...)

A ler a crónica de Rui Ramos na integra aqui no Observador

Em minha defesa...

por João Távora, em 24.11.22

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Como prova de que sou um bom português (não gosto muito do termo "cidadão", que me lembro logo da guilhotina francesa) começo por fazer um aviso prévio: por minha vontade não existiriam autocracias nem ditaduras, regimes que por principio deploro, todos os países do mundo seriam culturalmente tolerantes e democráticos, lastimo o preconceito racial e a exploração do homem pelo homem, nomeadamente imigrantes, a desigualdade de género, o tráfico humano, detesto a estigmatização e repressão dos homossexuais, e por último sou visceralmente contra a corrupção. A par disto tudo, refira-se que compreendo a importância da diversidade cultural e religiosa no planeta apesar de conceder que tudo seria mais fácil se toda a gente se regesse pelos meus sofisticados princípios judaico-cristãos, mas isso levar-nos-ia a reflexões demasiado complexas para este post. Também não tenho a culpa que Marcelo Rebelo de Sousa não prescinda duma ida ao Qatar para se promover a si na zona mista do estádio – a instituição que representa por estes dias está nas lonas (alguma vez não esteve?), não promove nada nem ninguém – e que não tenha optado por ficar a ver o jogo da selecção sossegado no Palácio de Belém.
 
Dito isto, assumo que tenho seguido o campeonato do Mundo no Qatar com curiosidade e sem qualquer remorso. Estando o certame a ser organizado há doze anos naquele exótico destino agora é tarde para o seu cancelamento ou outras impertinências, que a boa educação e a diplomacia têm regras. Mais, acho que a vulgarização do aproveitamento político de grandes eventos desportivos por certas causas é uma caixa de pandora, que um dia acaba mal: vai chegar o dia em que os torneios só serão possíveis entre paróquias, quanto mais entre nações. Muitos boicotes ao longo da história têm sido realizados entre países e culturas desavindas, mas por princípio esse não me parece um bom caminho. Claro que hoje ninguém sabe o que é o Espírito Olímpico, muito menos quem foi Pierre de Coubertin. E se algum leitor depois deste último parágrafo tiver dúvidas de que, apesar de tudo, eu sou bonzinho, que volte ao início do texto. E não me venham chatear com moralismos.

Qatar 2022

por João Távora, em 20.11.22

O futebol é importante nas nossas vidas, porque entre outras coisas, ajuda a juntar pessoas de diferentes sensibilidades, nacionalidades, origens culturais. Juntar é sempre melhor do que dividir. A "pátria" de cada um terá sempre diferentes nuances e cumplicidades: familiares, políticas, históricas e estéticas - porque é que haveremos de estar sempre a querer afirmar a nossa originalidade "pessoal"? Essa experiência de unidade (na bancada de um estádio) é fascinante, mesmo com a reserva de quem não prescinde da racionalidade a olhar o mundo - não há perigo de diluição.
Pobres de espírito são aqueles que, de bicos de pés, na sua mediocridade, se acham superiores a tudo isto.
Aos mais renitentes, aconselha-se a que durante o campeonato do mundo de futebol, em vez de se sentarem em frente à televisão a remoer, leiam livros, muitos livros. Desse modo, no fim, nos entenderemos melhor certamente.

Domingo de Cristo Rei

por João Távora, em 20.11.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito». Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam: «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo». Por cima d’Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também». Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável». E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».

alavra da salvação.

Agora deixem o povo ver a bola…

por João Távora, em 18.11.22

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O que é que mudou desde a Cimeira do Clima ocorrida no Qatar em 2012, sob os auspícios das Nações Unidas?

Ao menos o Mundial de Futebol tem a virtude de ter ajudado, mesmo que tardiamente, o jornalismo em geral e muitos virtuosos comentadores em particular, a descobrir que o Qatar não é uma democracia liberal, antes pelo contrário. Um escândalo de que ninguém suspeitava...

E o que se pretende agora, além da exibição de virtudes piedosas, com a ostracização daquele regime autoritário com uma cultura anacrónica, que nos últumos anos vem preparando com tanto empenho o Mundial perante o silêncio cúmplice de (quase) toda a gente?  

Domingo

por João Távora, em 13.11.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

Palavra da salvação.

Por paisagens marginais

por João Távora, em 10.11.22

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Quem conheça um pouco Henrique Pereira dos Santos, autor do texto deste livro, sabia já como, a sua permanente busca de objectividade e fundamentos solidamente comprovados nas suas opiniões, esconde mal uma alma sensível e curiosa que, assumidamente agnóstica, se deixa arrebatar facilmente pela beleza, que é um assunto da metafísica. Isso percebe-se não só por algumas das suas simpatias literárias ou musicais, que por vezes deixa escapar nos seus comentários, mas pela forma como nos apresenta o objecto da sua formação académica e profissional em “Das Pedras, Pão”. Aliás suspeito que a matéria da Arquitectura Paisagista se preste a este perfil. Desses sinais nos dá conta a fascinante conjugação do texto com as fotografias da autoria de Duarte Belo, que entremeiam cada capítulo e nos estimulam o olhar ao longo de toda a obra. Aliás, a opção da não legendagem das fotografias concede-lhes um protagonismo equiparado à prosa, e não de seu suporte. Apesar da sua ordem obedecer de algum modo ao desfolhar dos temas discorridos pelo Henrique, no seu género de linguagem austera, o conjunto, como que uma composição, convence-nos da erudição estética que constitui a observação e reflexão sobre o clima, a paisagem e o homem em interacção. No mesmo sentido vai a atracção dos autores pelas paisagens “marginais” que são o objecto dos olhares derramados em imagem e texto neste livro. Terras marginais, explica-nos o Henrique, porque o são em termos da produção agrícola, “quase despidas de árvores, e para quer que se olhasse, só se viam charnecas, mato rasteiro e pedra.” Talvez que a nossa cultura cristã seja a fonte da atracção pela marginalidade que comungo com o Henrique. Estranho só que se recuse a ouvir os Genesis do tempo em que não eram mainstream.

Este livro é como que um passeio, o relato de um caminho, a explicação duma paisagem quase sempre áspera e desumanizada do país interior em torno da Serra da Estrela, com os seus recantos verdejados pela existência de água, paisagem que se explica a si mesma se a perscrutarmos. Diz o nosso arquitecto paisagista num pequeno assomo autobiográfico na introdução: “Faço parte daqueles para quem as coisas extraordinárias – os monumentos, os sítios obrigatórios, os museus que não se podem perder e, dentro deles, as peças imperdíveis – são essencialmente pretextos para o caminho.” Para uma peregrinação, direi eu. Uma peregrinação de interrogações e curiosidade sobre o que se nos calha revelar o caminho – não metafórico. Num tempo em que a realidade se nos impõe luminosa e intrusiva em múltiplos ecrãs, tornando os nossos olhos e mentes preguiçosas, arriscamos a perder a vida ao não olhar para o caminho: “De que vive esta gente? Por que razão num sítio se come mais coentros e noutro mais salsa? O que faz ali aquela vinha e que tal o vinho que de lá sai? Por que diabo há este queijo nesta região? A que se devem estas nuvens de insectos que me saem ao caminho?”

Mas esta obra (texto e imagens) não é propriamente poética. Com a sua leitura aprendemos nomeadamente da vantagem do pastoreio em relação ao fogo ou ao pousio – a função coproiética que permite ao solo a absorção de nutrientes devolvidos através da matéria orgânica dos animais. Uma alternativa ao fogo? Sempre o fogo tão incompreendido quando visto na cidade pela televisão num sofá. Fogo fatal que a nossa cultura acredita ser evitável a juzante, quando devidamente "domesticado", provocado fora de época e em condições de maior humidade e pouco vento, favoráveis ao seu controlo em intensidade e extensão. Uma alternativa ao abandono do homem, e aos paraísos que daí tardam surgir?

"Das Pedras, Pão" também é a revelação dum Portugal agreste e longínquo, misto atlântico e mediterrânico, hoje abandonado, mas que nos corre nas veias. Que aprendeu engenhosamente a fazer das pedras pão “de sangue” por causa da sua magreza, onde fosse possível medrar algum centeio. Esta é uma paisagem abandonada pelas pessoas, “onde a vegetação natural tem vindo a ocupar os espaços abandonados e que só o fogo parece perturbar” para a qual o Henrique, inconformado, reclama um olhar diferente, uma nova economia que a preserve humanizada, capaz de domesticar um território cada vez mais hostil, infernal – sempre os fogos.

O objecto do livro propriamente dito quase que vale por si mesmo pelo bom gosto do desenho. De capa dura e espessa, prescinde da tradicional lombada, o que facilita a passagem das páginas feitas num papel de boa gramagem com uma textura que concede às fotografias uma coloração baça e agreste quase como a paisagem que retrata, sempre despida de gente. É um livro para pousar numa mesa de sala, a convidar o passante a uma vistoria rápida, que talvez merecesse um tamanho (e um preço, eu sei) maior.

"Das Pedras, Pão" poderá ser adquirido no seu lançamento dia 15 às 18:30hs na livraria da Travessa R. da Escola Politécnica 46, ou no dia 16 às 17:30hs no salão nobre do Instituto Superior de Agronomia por ocasião duma conversa à volta do assunto. Estará também à venda nas livrarias ou no Museu da Paisagem.

Ficha técnica: 

Das Pedras, Pão/Bread from Stones, 254 páginas © 2022 Museu da Paisagem

Texto Henrique Pereira dos Santos

Fotografias: Duarte Belo

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O desafio da normalidade

por João Távora, em 09.11.22

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Não só a recente epidemia de medo explica o fascínio (a saudade?) exercido pela Covid19 em tanta gente, mas o facto do assunto ter monopolizado as suas preocupações durante quase dois anos em que a vida aparentava ser confortavelmente simples: um assunto arrebatador que nos distraía das muitas pequenas e grandes misérias que afligem a vida de toda a gente, normalmente chama-se alienação. Agora que com o frio chegam as doenças respiratórias, há muitos especialistas à espreita de recuperar os seus lugares nos noticiários a espalhar o medo nos espectadores incautos ou com dificuldades de adaptação à "normalidade" da vida. Uma experiência sempre desafiante, sem dúvida.

Imagem: fotografia da secção de brinquedos dum qualquer supermercado ao pé de si

Domingo

por João Távora, em 06.11.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição – e fizeram-lhe a seguinte pergunta: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se morrer a alguém um irmão, que deixe mulher, mas sem filhos, esse homem deve casar com a viúva, para dar descendência a seu irmão’. Ora havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos. O segundo e depois o terceiro desposaram a viúva; e o mesmo sucedeu aos sete, que morreram e não deixaram filhos. Por fim, morreu também a mulher. De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher?». Disse-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».

Palavra da salvação.

Domingo

por João Távora, em 30.10.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade. Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-l’O, porque era de pequena estatura. Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali. Quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria. Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido».

Palavra da salvação.

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Talvez por coincidência, enquanto o António Costa e o PS, ao estilo mais populista e demagógico, aliados com a extrema-esquerda tomam de assalto os destinos de Portugal acabado de sair de um doloroso resgate financeiro, quando desesperançados pensávamos que tínhamos batido no fundo, o pior estava para vir: emerge André Ventura, com um discurso revolucionário e demagógico, ao pior estilo do PCP e do Bloco de Esquerda, a fracturar uma direita já de si exaurida. Não é preciso recordar o descaminho que acelerou desde então, mas que se reflecte bem no desaparecimento do CDS e na conquista da maioria absoluta pelos socialistas a que estamos condenados para a eternidade, como que um castigo divino. O PS ocupou o centro político, ocupou o regime e o Estado com que se confunde, enquanto o país empobrece continuamente atolado num destino medíocre, com um macaquinho de realejo como Chefe de Estado.

Aqui chegados temos o partido Chega a misturar o discurso anticapitalista e assistencialista da esquerda radical com o nacionalismo populista "anti-política", reclamando a continuação de apoios governamentais de 125,00 (e a vigilância do povo para que não o gaste em álcool e drogas) e a taxação dos “lucros excessivos” dos privados oportunistas, que têm de ser vigiados de perto pela Autoridade Tributária, de modos a que continuemos garantidamente e igualitariamente todos muito pobres e dependentes de subsídios – os tempos de carência que aí vêm convidam à narrativa. O mesmo André Ventura que se junta aos comunistas a afrontar a gestão da Câmara Municipal de Lisboa – um oásis da direita civilizada em Portugal - exigindo os cartazes de propaganda política de volta à Praça Marquês de Pombal - monumento que a bem dizer não faz falta nenhuma. Enquanto isso a Iniciativa Liberal afunda-se numa guerra interna, o PSD faz pela vida no seu canto do hemiciclo a encaixar as ordinarices do Primeiro-Ministro. E ninguém se lembra de exigir uma taxa pelos lucros excessivos da Autoridade Tributária. Perante este trágico panorama em que é que havemos nós de gastar os 125,00 €?

Fotografia CML -  Curiosa imagem da Praça Marquês de Pombal nos anos 70. Facilitava-se nos cartazes, no estacionamento e na venda ambulante de atoalhados. 

Domingo

por João Távora, em 23.10.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

Palavra da salvação.

A crise na Igreja - ainda vai piorar antes de melhorar

Uma meditação sobre a Igreja e a Fé Católica em Portugal

por João Távora, em 19.10.22

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É grande a aflição que sinto a propósito da progressiva e acelerada perda de influência da Igreja Católica no espaço público do Ocidente, particularmente em Portugal que é o meu País. Julgo aliás que a terrível crise que actualmente abala a Igreja portuguesa e envergonha os cristãos, pouco tem que ver com a decadência a que me refiro – a Igreja sempre juntou pecadores, uns heróis outros traidores, e nem Jesus Cristo no seu tempo, com doze apóstolos, escapou a essa fatalidade.  Quando a nossa alma sangra de dor perante a insistente exposição pública, ao vivo e a cores, dos mais obscuros pecados de uns quantos elementos da Igreja, não podemos ceder a tomar a nuvem por Juno, menosprezando o papel dos seus santos e heróis anónimos, no consolo e socorro de gerações, na evangelização de milhões de almas desamparadas na expectativa dum sentido superior para a sua história. Se os outros não querem saber dessa história luminosa, nós os católicos temos por dever de procurar consolo nela. Só com profunda desonestidade intelectual ou má-fé poderemos ignorar os verdadeiros imitadores de Cristo nossos antepassados que ao longo de dois mil anos nos transmitiram a importância redentora desta pertença. Por ironia do destino, o Ocidente “liberal e próspero”, que eu não trocava por nenhuma outra cultura e que ameaça degenerar para uma fórmula autodestrutiva de extremo-individualismo, é obra da revolucionária mensagem de Cristo: o livre arbítrio, a sacralidade da pessoa humana única e irrepetível, e a caridade (ou Amor e o Perdão que são sinónimos).

Ainda nos iremos arrepender de, em pouco mais de 200 anos, termos metódica e progressivamente desbaratado uma Igreja que se confunde com as nossas raízes históricas, e que hoje constitui em Portugal um dos últimos redutos que, com a sua rede capilar territorial, ainda faz frente ao estatismo, o Estado todo-poderoso que engoliu praticamente tudo e toda a gente na sua dependência e controlo. Com todos os seus erros defeitos, a Igreja é a última resistência ao Leviatã. Amantes da liberdade, cuidado com aquilo que desejais.

Como é que este Ocidente “bem-sucedido” prescinde do legado da Fé cristã? Hoje a mensagem não passa à refeição em família, muito menos no TikTok ou no Instagram. A questão fundamental que me aflige, é a de se é possível recolocar a Fé cristã no centro da existência de pessoas “satisfeitas”. Porque sendo testemunhos uns para os outros é mais fácil a conversão em comunidades. É mais fácil resistir. Não preciso olhar mais longe do que para a minha família, nuclear ou alargada, para perceber como hoje em dia a conversão é tarefa duma exigência quase sobre-humana, porque os milagres não acontecem todos os dias.

Como referia Rui Ramos recentemente num dos programas “E o resto é história” da Rádio Observador que semanalmente realiza com João Miguel Tavares a propósito daquilo que seria o “Serviço Nacional de Saúde” antes do prodigioso século XX, antigamente as pessoas, mais que ter um médico ou um hospital (onde os tratamentos eram pouco menos que rústicas e inúteis mezinhas) preocupavam-se com a salvação da alma: a prioridade era a construção duma Igreja, uma capela ou um oratório para suplicar ou dar graças. Os hospitais existiam para acolher os mais desprotegidos e assisti-los no padecimento da doença e da miséria física (a saúde era uma função importante do Estado – como refere Rui Ramos no citado programa, o Hospital de Todos os Santos em 1750 tinha 750 doentes internados e todos os concelhos do país dispunham de “Médicos de partido” municipais para “ministrar socorro clínico aos indigentes”). Mas sendo a morte e da dor tão implacavelmente presente no dia-a-dia, o mais importante era garantir a salvação da alma, a reconciliação com o divino – o perdão, o consolo. Hoje escondemos a morte, mas no século XVIII isso não era possível. É fácil verificá-lo pelos arquivos das paróquias ou de famílias a frequência com que as senhoras (de qualquer condição) morriam a dar à luz, e a impressionante mortalidade infantil, quando era comum numa família de cinco filhos chegarem apenas um ou dois à idade adulta. A esperança média de vida em Portugal, em 1920 – já no século XX - seria de apenas 35,6 anos. A vida das pessoas era uma roleta russa. Tudo isto, a par com uma existência quotidiana mais austera no que refere a distracções, convidava certamente as pessoas a uma procura espiritual e vida religiosa, que as juntasse através das celebrações e rituais, e no fim as reconfortasse através de um sentido superior da existência. Tempos de trevas que impeliam as pessoas a procurar uma luz.

Hoje os tempos são diferentes, melhores evidentemente: a par do progresso da medicina e da ciência, a vida é relativamente previsível e a dor física quase sempre evitável para toda a gente. Ao mesmo tempo o milagre económico no hemisfério norte democratizou o consumo. Está à mão de semear de todos nós, mesmo para aqueles sem grandes recursos, uma infindável panóplia de opções de entretenimento e de satisfações sensoriais. Os sentimentos, como a tristeza, a angústia, ou ansiedades resolvem-se com comprimidos ou num Centro Comercial.

Deste modo com a água do banho deitou-se pela janela também o bebé. A vida espiritual, como a poesia ou a literatura, em vez de se democratizarem como a gastronomia ou higiene do corpo tornaram-se supérfluas inconveniências. As Igrejas estão cada vez mais vazias porque o drama humano se transformou matéria de erudição, capricho duma minoria inquieta e inconformada com o tamanho duma vida que afinal cabe num algoritmo, que não é nada comparado com um grão de estrela do outro lado da galáxia.

Como aqueles que me conhecem sabem bem, sou católico praticante, porque essa procura constitui um alicerce existencial muito importante para a minha liberdade e inteireza como individuo, coisa que nem sempre me aconteceu na vida. Não sou cristão por patriotismo ou militância, sou dos de Cristo por opção, e a minha Fé uma graça que persigo com persistência. E porque esta pertença me salva tantas vezes a cada dia, gostava que os outros ao meu lado ou depois de mim, a conhecessem, a experimentassem. Voltará a acontecer no futuro certamente através duma Igreja diferente da que hoje ameaça sucumbir à perversidade humana, de dentro e de fora dela. Minoritária, será certamente mais sábia, mais resistente, santa e ciente do legado que guarda desde São Pedro.

Entretanto, preparemo-nos para o pior – a malta ainda irá dançar, beber e fumar dentro das nossas igrejas.

Publiicado também aqui no Observador

Jornadas

por João Távora, em 18.10.22

Acho um extraordinário contra-senso que pessoas que se consideram liberais não percam uma oportunidade para atacar a Igreja Católica, um dos últimos redutos nacionais que, com a sua rede capilar territorial ainda faz frente ao estatismo, o Estado todo-poderoso que engoliu praticamente tudo e toda a gente na sua dependência e controlo. Com todos os seus erros defeitos, a Igreja é a última resistência ao Leviatã, cuidado com aquilo que desejam.

Aí vamos nós...

por João Távora, em 18.10.22

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Há já por aí muita gente indignada, por ignorância ou má-fé, com o preço 235,00 de inscrição nas JMJ que decorrem em Lisboa início do mês de Agosto próximo. Os títulos sensacionalistas dos jornais como este do Correio da Manhã convidam ao disparate. Agora que o país prepara-se para se fracturar em dois, com argumentos contra e os a favor desta iniciativa, convém esclarecer que o "pacote" disponibilizado pela organização inclui alimentação, alojamento, transporte, seguro e um kit de participante que dá acesso a toda a programação entre os dias 1 e 6 de Agosto de 2023. Quem quiser ir por sua conta não paga nada. E como é habitual nas actividades dos movimentos da Igreja Católica, uma inscrição paga sempre várias outras daqueles que não têm dinheiro. Ninguém é deixado para trás.

O que a gente leva daqui

por João Távora, em 17.10.22

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No sábado passado decorreu com enorme sucesso mais uma grande almoçarada anual do Corta-fitas, evento ao qual acorreram os escribas deste prestigiado blog generalista nacional: Duarte Calvão (o fundador remanescente), José Mendonça da Cruz, Henrique Pereira dos Santos, João Afonso Machado, Maria Teixeira Alves, Miguel Alçada Baptista, José Miguel Roque Martins e eu próprio demos prova de vida degustando uma belíssima Mão de Vaca com Grão e um memorável Bacalhau à Gomes de Sá, tudo bem regado com vinhos brancos e tintos como mandam as regras. À sobremesa disputaram a atenção dos palatos um Arroz-Doce bem reaccionário e uma Baba de Camelo de tendências progressistas, que se equilibraram um ao outro como era de esperar. Para selar a boa conversa houve ainda direito a uns robustos digestivos e charutos para os mais afoitos - à hora desta publicação o presidente Marcelo ainda não tinha comentado o evento. Estão a ver os dramas existenciais que o Vitor Cunha poupava se escrevesse num blog a sério?
Com a nem sempre amena cavaqueira tarde fora, diagnosticaram-se as mais obscuras e intrincadas idiossincrasias nacionais, facto que estimulou nalguns dos convivas o consumo de mais bebida. Nunca faltou gelo para esfriar as ideias, e deste modo estou convencido que ninguém foi para casa com veleidades de salvar a pátria, muito menos a economia. O que ninguém contava é que o Sporting fosse eliminado na primeira eliminatória da Taça de Portugal no dia seguinte… 
Para o ano esperamos novo encontro, novas ideias e comezaina, que isto um dia não são dias e a alma dum blogue reside na boa e sã confraternização. 

Domingo

por João Távora, em 16.10.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?».

Palavra da salvação.

"A inflação de prescrições, combinações e proibições avança em nome de finalidades nobres mas, quantas vezes, empapadas de cinismo. E assim vamos nós, comboiados por pastores bons e muito espertos, em direção a um mundo superiormente ordenado, no qual tudo o que não for obrigatório será proibido.

Sérgio Sousa Pinto hoje no Expresso

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O “absolutismo” de D. Miguel VS o “liberalismo” de D. Pedro: os anos da guerra civil “Liberais” e “miguelistas” (partidários do Infante D. Miguel) constituíam os pólos da divisão política que deu origem à guerra civil entre 1826 e 1834. Os miguelistas defendiam uma sociedade corporativa e hierárquica, com um rei “absoluto”. Pressupunham, no entanto, que o rei usaria os seus poderes apenas para defender a ordem existente, não para criar uma ordem nova. A ordem do mundo não era obra humana, mas da providência divina. Ao poder absoluto do rei correspondia assim uma ideia mínima sobre o alcance desse poder. Os miguelistas desconfiavam da “liberdade” no singular, mas prezavam as “liberdades” no plural: os direitos e as regalias que defendiam cada grupo e indivíduo contra os abusos do poder político.

Os liberais consideravam o poder discricionário do rei como “despótico”. No entanto, pretendiam criar um mundo novo, em que os homens fossem iguais entre si e obedecessem apenas às leis feitas por eles próprios. Para alcançar esse objectivo, estavam dispostos a estabelecer um tipo inédito de poder político, com uma amplitude e um alcance que nunca a autoridade tradicional do rei alguma vez tivera. Não chamavam despotismo a este regime, porque argumentavam que esse poder seria exercido por todos os cidadãos, e para suposto benefício colectivo. (...)

Excerto da newsletter de Rui Ramos "Perceber a História" dedicada às lutas liberais exclusiva para ssinantes (que pode ser subscrita aqui)

Os blogs estão mortos, tal como está Deus. Não há nada inerentemente mau neste princípio, só dele decorre o terror da responsabilidade individual. Durante a massa da história registada, Deus serviu o propósito de enquadramento das acções humanas. O Bem e o Mal, portanto, mesmo quando a divisória que os acantona acaba escondida pela espuma das marés dos tempos. Deus morreu quando deixou de exercer influência na definição do certo e do errado — independentemente das pessoas com fé que aderem a diferentes igrejas, é nas sociedades seculares que encontram a bússola comportamental do seu Bem e Mal. Em suma, os comportamentos são moldados por medo de condenação a pena de prisão e não por condenação à danação eterna. (...)

A ler na integra a crónica do Vitor Cunha aqui (se tiver mesmo gosto e o consolar que venha almoçar connosco para a semana) 



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