Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Domingo

por João Távora, em 03.07.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».

Palavra da salvação.

Comentário: A palavra de Deus tem como fruto a alegria e a paz, tanto para quem a semeia, como para quem a recebe. Os discípulos que Jesus enviou em missão deram testemunho de que era assim. O Senhor já os tinha prevenido disso. Mas a Palavra de Deus continua hoje com o mesmo vigor; por isso, ela oferece, hoje como sempre, aos que a escutam a mesma paz e a mesma alegria.

Uma homenagem a Duarte de Castro (1939 - 2022)

por João Távora, em 01.07.22

Tio Duarte.jpg

Morreu o meu Tio Duarte de Castro. Não sei se já alguma vez vos falei da importância que atribuo à família alargada, da diversidade de legado que nos concede uma comunidade de avós, tios e primos, na formação de pessoas mais livres e mais inteiras. Tenho o privilégio de ter crescido e vivido com a presença viva da família da minha mãe, que hoje se reencontra no céu com o seu irmão Duarte. Nós por cá é que ficamos mais pobres, menos amparados.

Duarte Nuno de Carvalho Gomes de Castro, nasceu a 13 de Março de 1939 em Cascais, na Avenida Emídio Navarro, morada que antecedeu a mudança dos meus avós Maria da Assunção e João António para a Casa da Avenida. Afilhado de baptismo do Senhor Dom Duarte Nuno, depois de ter frequentado o Colégio Militar, ingressou na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa no curso de 1964 onde ombreou com uma ínclita geração de juristas de que foi toda a vida amigo e cúmplice. Graças a isso sempre me foram familiares nomes como os de Alberto Xavier, António Sousa Franco, Augusto Ataíde, Augusto Ferreira do Amaral, Diogo Freitas do Amaral, Duarte Ivo Cruz, Eduardo Santos Silva ou Martim Albuquerque, rapazes cuja inteligência iluminou muitos serões da Casa da Avenida. Esta, foi uma geração que se empenhou no serviço a Portugal, seja embalada pela esperança na Primavera Marcelista ou na consolidação duma democracia liberal depois do 25 de Abril.

Do Tio Duarte, além do sportinguismo, do gosto pela boa conversa, interesse pela política e pela História, herdei a paixão pelos livros do Tintim, colecção que os possuía num armário do seu quarto de solteiro, que amiúde eu assaltava para me maravilhar com os feitos daquele nosso impoluto e jovial herói – como o eram os meus tios, na minha imaginação.

Foi a 18 de Setembro de 1971 que casou com Eugénia Torres Bastos de Morais acontecimento do qual me assaltam memórias do Copo d’Água no Turf, clube de que foi frequentador assíduo toda a vida. Dessa união ganhei quatro queridos primos direitos; são eles o João, o Vasco, a Mariana e o Bernardo. Quis o destino que o casal fosse morar para a Calçada Marquês de Abrantes, na casa em que, depois da morte dos meus avós, por muitos anos teve lugar a Ceia de Natal que era pretexto de reencontro da família Castro, e dos muitos parentes e primos direitos que nessa ocasião se reviam. O Tio Duarte, com a Tia Gena, teve o mérito hoje pouco valorizado de construir uma família sólida e estruturada nos valores cristãos.

O Tio Duarte, pessoa tão discreta como erudita, foi sempre monárquico assumido, sócio da primeira hora da Real Associação de Lisboa, e era como já referi, sportinguista, clube de que foi tesoureiro na presidência de João Rocha. Foi secretário de Estado dos Desportos do VII Governo Constitucional, aquele executivo AD de vida curta formado em 1981 após a morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa, liderado por Francisco Pinto Balsemão. Amigo muito chegado do meu pai, conquistou o coração e a inteligência deste seu sobrinho, que hoje chora a sua partida. Saibamos nós, que ficamos, dar sentido ao bom legado que a todos nos deixou, em amizade, exemplo e façanhas.

Imagem: Do livro de curso de 1964 da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa - caricatura não assinada. 

Empresas a patrocinar abortos

por João Távora, em 28.06.22

mulhergravida.jpg

O artigo de hoje da Helena Garrido no Observador foi para mim como um pontapé na barriga. Talvez porque tenho em boa conta as suas opiniões em geral e sobre economia em particular, e esta seja favorável à banalização do mal na comunicação empresarial que é matéria do meu ofício – na sequência da decisão do Supremo Tribunal várias grandes empresas prometem patrocinar viagens das suas empregadas a outros estados para abortarem. Se sou capaz de entender os conflitos éticos e morais que comporta a opção do aborto, recuso-me a entendê-lo como um “direito humano”. Ao contrário um aborto é uma solução bárbara, que na maior parte das situações pode ser evitado por pessoas providas de vontade.
A questão é: não seria melhor para a reputação das empresas mencionadas no artigo, Disney, JP Morgan e Citi, Levi Strauss, Microsoft e a Apple, patrocinarem a boa utilização dos contraceptivos e uma vida sexual saudável entre os seus colaboradores? Não, porque isso não traz boa imprensa, e porque - suspeito - as consciências da maioria dos seus clientes não suportam enfrentar complexo conflito de valores que encerra uma gravidez acidental sem o resolver literalmente ao pontapé. Afinal tudo se resume a um umbigo. E à facturação, evidentemente. 

Domingo

por João Távora, em 26.06.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém e mandou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de Lhe prepararem hospedagem. Mas aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém. Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram a Jesus: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?». Mas Jesus voltou-Se e repreendeu-os. E seguiram para outra povoação. Pelo caminho, alguém disse a Jesus: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça». Depois disse a outro: «Segue-Me». Ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». Disse-lhe Jesus: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus». Disse-Lhe ainda outro: «Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família». Jesus respondeu-lhe: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus».

Palavra da salvação.

Comentário: Desde agora, o Evangelho apresenta Jesus a caminho da Paixão. Esta caminhada de Jesus é entendida, de maneira diversa, pelas várias pessoas que dela têm consciência ou que Jesus até convida a segui-l’O. Seja qual for a situação de cada um, só há uma atitude certa: seguir o Senhor, como fez Eliseu quando Elias o chamou, como fez S. Paulo e os outros Apóstolos, e todos aqueles, que, um dia chamados, souberam escutar a sua voz.

Tags:

Jéssica

por João Távora, em 24.06.22

jessica.jpg

A propósito do hediondo caso de tortura e assassinato de uma menina de 3 anos em Setúbal que a todos nos vem martirizando as consciências, Marcelo Rebelo de Sousa relevou o sinal de miséria moral que o caso evidencia e que nos deve fazer reflectir. Desta vez confesso que estou de acordo com o ângulo da perspectiva do comentador, que acedo a aprofundar. Se por estes dias se ouvem muitas vozes genuinamente indignadas com a falha do Estado e dos seus organismos, julgo que esse é o ponto menos relevante, independentemente de reformas e aperfeiçoamentos que eles mereçam. No meio do choque e incredulidade com os meandros da macabra história, julgo ser necessária a lucidez de aceitar que a maldade sempre existiu e existirá em potência e (ainda bem) que nos consegue surpreender desta maneira mais brutal – porque é contra-natura e antinatural, um acontecimento raro, portanto. E que a única forma que temos de precaver a ocorrência casos de crueldade indizível como estes é o estreitamento da malha social, através das instituições orgânicas que a compõem e estão em profunda crise, as comunidades num processo de atomização voraz e consequente desenraizamento humano. Colocar no lugar da família alargada, da comunidade de proximidade, da paróquia, ou de outros organismos intermédios, uma máquina de vigilância estatal que actue como um colossal polvo policial, é no meu entender um erro grave, não só porque a sua eficácia será sempre risível na gestão do conflito de valores que este tipo de matéria sempre gera, mas porque nada consegue substituir as relações de proximidade duma comunidade estruturada e com valores morais. O “policiamento” dos núcleos familiares problemáticos por entidades estatais é por natureza propensa ao erro e ao abuso, estou em crer. O que eu quero dizer é que temos sorte de não sermos mais vezes confrontados com outros casos chocantes de bestialidade humana como o de Jéssica, tendo em conta a solidão e miséria moral que grassa na sociedade que emerge da modernidade individualista e hedonista que construímos.

Deus receba a menina Jéssica no seu colo acolhedor, tenha piedade dos seus malfeitores e nos perdoe não a termos salvo.

Sonho numa noite de Verão

por João Távora, em 22.06.22

Ronaldo.jpg

Neste período difícil de absoluta inactividade futebolística de interesse, quando há que arregaçar as mangas da imaginação para especular algo de jeito que cative o leitor ávido de futebol, usam-se as peripécias mais manhosas para encher os chouriços que são as páginas de jornais desportivos e os painéis televisivos sobre bola. Das diárias notícias sobre promessas de contratações sonantes e vendas milagrosas há uma em especial que me consegue desviar a atenção dos meus afazeres: a promessa do retorno a Alvalade de Cristiano Ronaldo. Confesso-vos uma coisa: o meu maior sonho era ver o Sporting Campeão Nacional com Cristiano Ronaldo na equipa e Ruben Amorim aos comandos. Já pensaram bem o que seria? Uma época com o estádio cheio sempre a cantar.

Post publicado originalmente aqui

Domingo

por João Távora, em 19.06.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, dizem que és João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». Depois, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á».

Palavra da salvação.

Comentário: S. Pedro, em nome de todos, reconhece e proclama a fé fundamental da Igreja: Jesus de Nazaré, o Filho do homem, é o Messias de Deus, o profeta anunciado desde os tempos antigos, o Ungido pelo Espírito Santo, o Enviado de Deus. É Ele que vem dar a vida pela salvação dos homens. Ele é, como na profecia da primeira leitura, Aquele que os homens trespassaram, mas cujo Coração aberto na Cruz é fonte de graça. Para ser seu discípulo, não há outro caminho senão o que Ele mesmo traçou.

Paul McCartney 80

por João Távora, em 18.06.22

(...) As luminárias intelectuais da época não lhe recusavam o convívio. As suas canções eram interpretadas pela nata, de Sinatra a Ella, de Bing Crosby a Sarah Vaughan. McCartney era um símbolo sexual, da moda, da cultura e da contra-cultura. À escala da música popular, era igualmente um símbolo cimeiro de talento. Num determinado instante, que durou meia dúzia de anos, McCartney era o “maior”. E, sob a simpática ligeireza que afectava, ele sabia-o. E nem assim endoideceu. E isso, a ausência de loucura, é sobretudo o que o distingue dos parceiros de fama, quase todos menos famosos e quase todos um bocadinho avariados.

Ao contrário de Brian Wilson, o único contemporâneo seu concorrente em competência melódica, McCartney não se enfiou deprimido na cama por uma década ou duas. Ao contrário de Elvis, a única celebridade comparável, não se refugiou no peculiar conforto de Vegas e dos hambúrgueres. Ao contrário de inúmeros outros, não morreu de overdose, nem adoptou 17 esquimós, nem aderiu a um culto, nem apoiou terroristas, nem destruiu “suites” por desfastio. Ao contrário desse em que vocês estão a pensar, não se devotou a uma “artista” sem competências discerníveis e a clichés “contestatários” próprios da pré-adolescência. É verdade que, por pirraça, McCartney teimou em conceder à mulher um papel público que nada justificava. É verdade que se tornou vegetariano militante. É verdade que, para exibir com desfastio as credenciais do ofício, se viu preso no Japão por posse de marijuana. Insignificâncias, pois. Aos 80 anos completados hoje, 16 além dos 64 da lenda, crivado de homenagens e reverência, é possível dizer que McCartney foi um sujeito bastante “normal” para a vida anormalíssima que viveu. E demasiado normal depois que “morreu”. (...)

Alberto Gonçalves a ler na integra aqui

Tempestade perfeita

por João Távora, em 14.06.22

Porque é que o Governo não governa, porque é que o Governo não resolve os problemas? Porque é que, sabendo que existe um problema, o Governo se recusa a dar aos portugueses serviços de saúde quando até temos propostas de soluções e capacidade instalada para o fazer? Ah, sim, essas coisas horríveis que são os privados e para onde os portugueses que podem estão a fugir. (...)

O que é mais aterrador no que se está a passar é exatamente não se estar a ver o sistema com capacidade de gerar soluções. O Governo não quer governar, quer ir gerindo o quotidiano, usando a propaganda para moderar os efeitos na sua imagem. O Presidente da República parece andar a viver noutro planeta, ao ponto de conseguir disfarçar mais os problemas do que o próprio Governo. O principal partido da oposição, o PSD, tem primado pela ausência. Os órgãos de comunicação social estão sem capacidade de escrutínio, por falta de recursos. Pobres dos que precisam do SNS, pobres de todos nós, porque o SNS é apenas uma das partes visíveis do caos em que estão serviços públicos fundamentais, promotores da desigualdade, perante a indiferença das elites. Porque, inexplicavelmente, são poucos ou nenhuns os que denunciam o mal que se está a fazer ao País.

A ler a Helena Garrido na integra aqui no Observador

Publicar livros

por João Távora, em 08.06.22

livro mesa.jpg

Não foi fácil decidir-me pela publicação de “Casa de Abrantes, crónicas de resistência” numa edição de autor, usando os meus conhecimentos de marketing e recursos empresariais. Confesso que quando a obra se encontrava quase pronta ainda sonhei com uma edição comercial com distribuição nacional, pois publicada como uma “história de família” composta por crónicas biográficas pareceu-me que tinha um considerável potencial comercial. Enganei-me na primeira ideia e não no segunda para meu grande alívio. A resposta que obtive duma conhecida editora colocava o risco todo do meu lado, tendo me sido proposta a aquisição de um número de exemplares que nunca teria capacidade de vender se não pudesse ser eu a tratar da sua comercialização e promoção. O livro tornar-se-ia num luxuoso capricho do autor, que pagava a uma editora para obter patrocínios, designers e fotógrafos, organizar um grande lançamento e distribuí-los nas livrarias. Acontece que, salvo a distribuição nas livrarias, tudo mais é actividade ligada à minha profissão: comunicação e relações-públicas. Perante estes factos decidi-me a arriscar um considerável investimento e publicar o livro com os meus recursos. Uma edição de 450 exemplares bem catita. Tirando as maçadas e trabalhos, o retorno do dinheiro investido já está praticamente garantido e as vendas continuam, para meu grande alívio.

A terceira opção, provavelmente mais ajuizada, teria sido a de fazer préviamente uma recolha de fundos como a está a fazer o Henrique Pereira dos Santos com o projecto em co-autoria com Duarte Belo “Das Pedras Pão” (que grande título!). Veremos nas semanas que faltam se os apoios necessários são alcançados – o ponto de situação da emocionante campanha pode ser monitorizado aqui. Pelos trechos e imagens desvendadas parece um belo produto.

O que me parece importante realçar, é como, ao mesmo tempo que as distribuidoras arriscam cada vez menos em livros que não garantam grandes tiragens e autores da moda, está cada vez mais consolidado um mercado de auto-edição, à disposição dos autores, através do qual, com uma estratégia de marketing simples e distribuição por plataformas digitais se consegue fazer chegar aos públicos mais exigentes e informados bons produtos editoriais.

Dito de outra forma: confesso que iria sentir uma vaidade enorme de encontrar o meu livro “Casa de Abrantes, crónicas de resistência” nos escaparates da FNAC, da Bertrand, da Almedina ou até do Continente. Serve-me de consolação que esse livro seria substancialmente diferente, não tão bonito quanto aquele que se produziu com o meu gosto e a inspiração do Vasco Rosa. Que se pode encomendar e receber comodamente em casa aqui.

Tags:

Nós vamos a seguir, Pe. João

Uma inevitável homenagem

por João Távora, em 06.06.22

João-seabra.jpeg

O curioso é que o que se esperava há algum tempo, a partida do Pe. João Seabra, soube dela com choque à hora do jantar de sexta-feira, na companhia de dois seus amigos de juventude, colegas de escola. As vidas dos outros quatro convivas nesse serão, também com a dele se tinham cruzado com mais ou menos intensidade - constatámos. A notícia caiu que nem uma bomba estúpida que estilhaçou a noite com silêncios, mas que não desfez aquela cumplicidade que não havemos de esquecer tão cedo. O que quero salientar é que talvez a mais importante característica do apostolado do Pe. João Seabra é ter marcado a vida de tanta, tanta gente. Dentro dum meio não anticlerical, e mais ainda no meio católico, não é grande originalidade ter-se convivido com o Pe. João Seabra, e esse convívio ter deixado marca, mais ou menos importante, quase sempre profunda. Pela minha parte gostava dos modos afirmativos, provocadores, como o Pe. João se exprimia.  Gostava do seu radicalismo nos princípios gerais e da profunda generosidade para com cada individuo, e as suas circunstâncias pessoais. Evidentemente que essa relação compassiva inevitavelmente com o desenvolvimento pedia compromisso, indicava um caminho de radicalidade, que por vezes assustava o meu coração dividido e perdido no Mundo. Atraíam-me a sua erudição, a sua verve desenvolta e emotiva, aquela Fé apaixonada, sólida, por vezes arrogante, que fazia parecer ridículas as minhas hesitações e desconfianças no pedregoso caminho de entrega ao nosso Senhor que nos desafiava – e que ainda hoje percorro com custo. É dele a verdadeira soberania, custa a admitir. Se esse caminho do Pe. João foi algum dia custoso, admiro-lhe a maneira como digeria as suas dores, que só se percebiam quando via uma das suas ovelhas fraquejar. Que conhecia todas pelo nome. Era isso que eu dizia lá atrás: o Pe. João tinha uma capacidade inesgotável para gostar de muita gente ao mesmo tempo, cada um de forma única. Uma extraordinária imitação de Cristo. Durante os muitos anos em que o Pe. João liderou a paróquia de Santos e depois a da Encarnação acontecia-me uma coisa maravilhosa: de cada vez que, de propósito ou de passagem, sem avisar me decidia a visitá-lo, encontrei-o sempre – mas sempre. Com um enorme sorriso, a tratar-me pelo nome. 

Consola-me também que tenha feito o início desse extraordinário caminho de vida com pessoas que admiro e com quem hoje convivo. Que tenha sido um monárquico militante, um homem preocupado com a sua pátria, com a sua “cidade”, um católico rebelde mas obediente - notável é a sua tese de doutoramento sobre o processo de captura da igreja pelo Estado no Liberalismo Monárquico, até à Lei da Separação de Afonso Costa, "O Estado e a Igreja em Portugal no início do século XX" - Principia, 2009. No fim foi sempre obediente, calando o desespero por esta obra inacabada e vacilante que é a Igreja de Pedro destes tempos dissolutos (terão sido certamente sempre assim, acredito), de que ele foi um alicerce firme, inquebrantável. 

Imagino-o por estes dias lá em cima no Céu, ao lado dos maiores santos da História, em grande celebração e fortes gargalhadas, de braço dado com Jesus Cristo, tal qual como o imagino, nos seus tempos da juventude, quando os rapazes amigos, desavergonhados, exibiam as suas amizades no pátio do liceu. 

Nós vamos a seguir, Pe. João. 

Domingo

de Pentecostes

por João Távora, em 05.06.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

Palavra da salvação.

Comentário: Com a Páscoa, inicia-se a nova Criação. E, como na primeira, também agora o Espírito Santo está presente, a insuflar aos homens, mortos pelo pecado, a vida nova do Ressuscitado. Jorrando do Corpo glorificado de Cristo, em que se mantêm as cicatrizes da Paixão, o Sopro purificador e recriador do mesmo Deus, comunica-se aos Apóstolos. Apodera-se deles, a fim de que possam prolongar a obra da nova Criação, e assim a humanidade, reconciliada com Deus, conserve sempre a paz alcançada em Jesus Cristo.

Em Abrantes nada será como dantes...

por João Távora, em 02.06.22

Abrantes.jpg

Depois da bem-sucedida apresentação do meu livro com Carlos Bobone e Daniel Protásio ocorrida ontem no Instituto Português de Heráldica a convite do seu presidente João Portugal, prepara-se outra sessão de apresentação de “Casa de Abrantes, Crónicas de Resistência” no próximo dia 10 de Junho às 16,00hs na Biblioteca Municipal de Abrantes. Este evento, integrado nas festas da cidade, contará com um debate sobre a obra moderado pelo jornalista José Manuel Fernandes.
Entretanto relembro que o livro se encontra disponível para venda em Lisboa na livraria Ferin e no Porto na livraria Esquina, ou poderá recebê-lo comodamente em casa através desta página.

Tags:

Logo às 18,30 no Museu do Carmo em Lisboa

por João Távora, em 01.06.22

IPH Casa Abrantes.jpgÉ esta tarde pelas 18,30 que o Instituto Português de Heráldica realiza uma sessão extraordinária dedicada à apresentação do meu livro “Casa de Abrantes, crónicas de resistência”. Esta apresentação com entrada livre, que decorrerá no Museu do Carmo em Lisboa, estará a cargo do respectivo prefaciador, o Chanceler do IPH, Carlos Bobone, e pelo revisor científico da obra Daniel Protásio.

A obra estará disponível para aquisição no local.

Tags:

Domingo

por João Távora, em 29.05.22

Conclusão do santo Evangelho segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois testemunhas disso. Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

Palavra da salvação

Comentário: A glorificação de Jesus começou na manhã de Páscoa, quando, triunfando do pecado e da morte, nos alcançou a vida plena. Porém, a subida de Jesus ao Céu, descrita de modo humano, de harmonia com a concepção antiga do universo, é a posse definitiva e total da glória, que já Lhe pertencia, pela Paixão e Ressurreição.
A glorificação de Jesus é também a glorificação da humanidade. Com efeito, pelo perdão dos pecados, prometido a todos os povos, nós participamos da vida do Ressuscitado, tornamo-nos membros do Seu Corpo místico, destinados à mesma glória da Cabeça. Reconfortados por esta certeza, fortificados pelo Espírito Santo, colaboremos para que a obra de Cristo atinja todos os homens.

Os segredos de Maria Filomena Mónica

por João Távora, em 26.05.22

MFM.png

Numa entrevista a Maria Filomena Mónica publicada no Expresso da semana passada a propósito de mais um seu livro autobiográfico desta vez intitulado “Duas Mulheres” que promete desenterrar segredos da sua mãe e avó, chama-me a atenção a resposta à pergunta se “a família é um lugar estranho?”.

Dá para imaginar o terror de boa parte da família Mónica com o que aí vem. Não porque a instituição familiar seja de facto um “lugar estranho”, repleto de segredos perversos, mas porque a análise às insignificâncias que sucedem na vida familiar, o mais das vezes dependem da imaginação e preconceitos de quem os observa – ou seja, duma interpretação subjectiva. Ora, MFM não é uma mera “vizinha” a revelar inconfidências domésticas na mercearia do bairro, precede-lhe uma autoridade que concede muito peso às suas interpretações. Aliás, a entrevistada começa por responder à questão que, “do ponto de vista sociológico não tenho uma amostra significativa”.  Sendo a sociologia provavelmente a “ciência” mais inútil de todas as pseudociências, a resposta é no mínimo honesta. E depois, se for um facto que “a família é um lugar estranho”, que solução melhor temos nós para não deixar o individuo inteiramente à mercê do Estado?

Tenho muito respeito pelo trabalho historiográfico de MFM, nomeadamente por duas obras suas de âmbito biográfico que tive o gosto de ler, uma sobre Dom Pedro V e outra sobre Eça de Queiroz. São trabalhos sérios, numa escrita desempoeirada como é seu estilo, emocionalmente envolvida com os seus “personagens”. Depois, não concordando com boa parte das suas análises, também toda a vida segui com interesse as suas crónicas nos jornais, principalmente as do Expresso. Claramente MFM é uma personalidade do nosso tempo que deixa um legado invejável.

Mas nunca tive curiosidade de ler “Bilhete de Identidade” e não me atrai minimamente a leitura deste seu novo livro. MFM sempre me pareceu dona de um ego incomensurável e de um narcisismo ribombante, dando-se a si própria e à sua subjectividade demasiada importância. Este seu traço causa-me até alguma vergonha alheia, confesso. E a opinião pessoal com que dá resposta à pergunta do entrevistador se “a família é um lugar estranho” é paradigmática de uma perturbação psicológica contra o catolicismo e a família tradicional que talvez lhe merecessem uma abordagem psicanalítica, com a ajuda de um profissional: “posso afirmar que a família é um lugar estranho, e que os países mais católicos tendem a fechar-se sobre si e a guardar os segredos a sete chaves, dando a aparência de grande harmonia interna que é uma fachada hipócrita”.  De facto, falta a MFM uma amostra significativa para chegar à verdade, e dá ideia de que o seu olhar está condicionado por algum grave trauma.

Num tempo em que se fala tanto da importância da privacidade dos indivíduos, não nos precipitemos em julgamentos categóricos. Que MFM encontre conforto entre os seus familiares e amigos neste difícil ocaso da sua vida que ninguém merece, são os votos deste cristão católico e indefectível partidário da instituição familiar que se assina,

(imagem, daqui)

Domingo

por João Távora, em 22.05.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

Palavra da salvação.

Comentário: Ao terminar o primeiro discurso de despedida, após a Ceia, Jesus promete aos Seus discípulos o Espírito Santo, que lhes fará compreender, perfeitamente, a Sua mensagem, os ajudará a viver o Evangelho em todas as circunstâncias e os manterá em comunhão com Deus e os irmãos, de modo a gozarem sempre aquela paz, que em si encerra todos os bens messiânicos.
Seguros da presença do Espírito Santo na Igreja e nas suas almas, os cristãos podem, portanto, manter-se confiantes e alegres, por maiores que sejam as transformações por que passe a sociedade e por maiores que sejam as dificuldades que a Igreja conheça.

Timor 20 anos

por João Távora, em 20.05.22

DDuarte.jpg

 
S.A.R. Dom Duarte de Bragança acompanhado pela sua filha a Infanta D. Maria Francisca, encontra-se por estes dias em viagem a Dili para as celebrações do XX aniversário da independência a convite do governo timorense, por quem é reconhecido como um dos mais decisivos activistas do direito à autodeterminação daquele povo. De realçar que já em 2011 foi atribuída a SAR pelo parlamento desta jovem nação a nacionalidade timorense por “altos serviços prestados ao país nos momentos mais difíceis em que a luta pela independência não era falada, nem comentada pelos meios de comunicação internacionais.”
 
Fotografia Nuno De Albuquerque Gaspar

Tags:

A república do faz-de-conta

por João Távora, em 18.05.22

Para além do transtorno para os clientes, parece não haver qualquer noção do prejuízo para o ambiente que significa uma greve do metropolitano de Lisboa. Os mesmos que fomentam estes conflitos querem acabar com o transporte individual na cidade. Já o ministro Pedro Nuno Santos assobia para o lado, como se não fosse nada com ele.

Propaganda

por João Távora, em 15.05.22

lançamento.jpg

Ainda com o coração cheio de tantos e tantos amigos que ontem acorreram ao Palácio da Quinta da Piedade para o lançamento do meu livro Casa de Abrantes, Crónicas de resistência. Com a honrosa presença do Senhor Dom Duarte de Bragança e do Presidenteda Câmara Municipal de Vila Franca de Xira Dr. Fernando Paulo Ferreira, o evento foi animado. O debate sobre a obra foi moderado João Miguel Tavares e nele participaram os meus amigos Carlos Bobone e Francisco Lobo de Vasconcelos. Não tenho palavras para agradecer a todos.
 
Para os potenciais interessados informo que o livro está à venda aqui

Tags:



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Octávio dos Santos

    JT, o seu tio Duarte e o meu pai - que também era ...

  • Zé Manel Tonto

    "não havendo quem defenda a privatização da diplom...

  • Sofia

    Querido Zé Tonto, se vir a minha resposta ao Octáv...

  • Anónimo

    ... e tão irrelevante para a discussão. Faço mea c...

  • entulho

    no ministério da alcatifa só mudam as moscas ....


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2021
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2020
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2019
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2018
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2017
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2016
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2015
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2014
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2013
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2012
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2011
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2010
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2009
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2008
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2007
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2006
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D


    subscrever feeds