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A psicologia da natureza *

por João Távora, em 15.04.21

sportng-farense.jpg

A poucas semanas de poder sagrar-se campeão ao fim de dezanove anos de jejum, a coisa mais natural do mundo é que reine grande ansiedade não só entre os adeptos, mas principalmente entre os jogadores e a equipa técnica do Sporting. Na verdade se estivéssemos a seis pontos do primeiro não havia grande ansiedade a jogar contra o Farense.
Acontece que a ansiedade quando bem direccionada é um estado psicológico com grande potencial criativo. Não vale a pena negar a realidade, mas sim aproveitar o potencial que ela oferece aos protagonistas. A oportunidade de ficarem na história, nada menos.

Sendo assim, amanhã é cerrar os dentes, cair-lhes em cima e vencer o jogo.

* "Não contrariar a psicologia da natureza" era uma expressão sabiamente usada pela minha avó que Deus tem. 

Publicado originalmente aqui

marcelo_escola.jpg

Ontem à noite fui surpreendido no carro por uma alocução do Presidente da República em directo e até pensei que era por causa de alguma coisa de grave acontecida recentemente. Mas não, era ele a dizer que nos portámos muito bem, que somos os maiores e que por isso merecemos desconfinar.

Não percebo a relutância de Marcelo abordar aquilo que verdadeiramente aflige os portugueses por estes dias. A desculpa da não interferência entre órgãos de soberania soa-me a falso, tanto mais que todos estão envolvidos no edifício da nossa Justiça: Marcelo Rebelo de Sousa, preocupado com a sua inoperância, teve como bandeira até há pouco tempo o célebre “Pacto para a Justiça” para uma reforma do sistema, e na realidade são os partidos políticos que, no parlamento, aprovam com as leis que o aparelho judicial vai ter de lidar.

Como é previsível vai tudo ficar na mesma, o assunto esquecido, Sócrates a banhos na Ericeira e o povo conformado à cata das migalhas que lhe são destinadas e não são garantidas. Os principais actores políticos e as elites estão enterradas até ao pescoço no lodaçal em que sobrevive o nosso regime irreformável, tolerante para com a corrupção e o clientelismo. 

Ontem à noite não ouvi a entrevista a José Sócrates porque tenho pudor e sinto uma enorme vergonha alheia - limitei-me a ouvir hoje os comentários na telefonia. Mas percebo a curiosidade mórbida daqueles que tiveram estômago para aquilo. É como o mirone que não resiste a espreitar os escombros de um desastre sangrento. 

Fernando Medina, anjinho ou impostor?

Discurso de Fernando Medina em Viana do Castelo 03-06-2011

por João Távora, em 14.04.21

“Porque nós precisamos da tua (José Sócrates) liderança, conhecimento, experiência, determinação e energia neste momento tão difícil. Mas porque nós precisamos também da tua ambição de progresso, de crescimento e modernidade. Porque nós precisamos da tua dedicação sem reservas a Portugal e aos portugueses.”

Gelo fino

por João Távora, em 14.04.21

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Parece-me evidente que a comoção nacional da passada sexta-feira não teve expressão clara nos partidos do sistema. Ademais o silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa quanto às questões levantadas pela decisão instrutória de Ivo Rosa é gritante. O respeito pela independência dos órgãos de soberania que não se dão ao respeito não explica tudo. Para mim que sou um conservador que preza instituições sólidas tudo isso parece-me um grave prenúncio. Que nos habituámos definitivamente a viver no pântano, ou o regime, incapaz de se olhar ao espelho, ameaça cair com estrondo um dia destes, incapaz ler o alarme da rua. Por agora ainda é possível a um antigo primeiro-ministro corrupto que enterrou o nosso país numa brutal crise financeira vir gozar com a cara de todos nós num canal de televisão – eu por pudor não vou assistir.

Caminhamos em gelo fino. Com uma dívida pública que fechou o ano de 2020 nos 133,7% do PIB de 274,1 mil milhões de euros,  com a economia confinada há mais de um ano, prenúncia-se de uma crise de proporções inimagináveis. Talvez seja tempo das oligarquias que se alimentam do regime parar para pensar. É que quando a crise chegar ao estômago dos portugueses não haverá geringonça que os salve nem causas fracturantes que os distraiam.

Domingo

Da Misericórdia

por João Távora, em 11.04.21

Rembrant.jpeg

Rembrandt (1634)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

Palavra da salvação.

Comentário: Com a Ressurreição, começou um novo modo de existência para Jesus Cristo. A partir desse momento, já não será mais possível conhecê-l’O através dos meios humanos. Tem que se passar da visão à fé. Será ela que nos permitirá «ver» Cristo Ressuscitado nos Seus sacramentos e na vida da Sua Igreja.
Aqueles, porém, que crêem no Filho de Deus, sem O ver, sem O tocar, sem discutir, serão tão felizes como aqueles que foram testemunhas oculares da Sua glória de Ressuscitado.

Decência

por João Távora, em 10.04.21

Filipe.jpg

Para vos dar um pouco de alento, aqui parilho uma fotografia extraordinária de um homem decente. Cumpriu honradamente o seu papel, como um verdadeiro príncipe. Adeus Filipe de Mountbatten.

Nauseabundo lodaçal

por João Távora, em 09.04.21

Ivo Rosa.jpg

Esta manhã escrevi no Facebook que, se Ivo Rosa isentasse José Sócrates de ser julgado por corrupção, tal justificaria uma profunda comoção nacional, constituiria um sério golpe nos alicerces do regime e a completa descredibilização do nosso sistema jurídico. Terei sido demasiado cândido?

Não é preciso ser jurista nem ler as milhares de páginas da acusação para ficarmos terrivelmente inquietos com o que permitimos que se passasse nas nossas barbas. A comprovada entrega de milhão e setecentos mil euros em dinheiro vivo a José Sócrates "com o propósito de ele ser ser simpático", (o eufemismo utilizado hoje por Ivo Rosa) talvez seja dinheiro a demais. Para isso talvez chegassem “meia dúzia de robalos”. O problema que esta decisão instrutória levanta, mesmo que o ministério público recorra com sucesso, é a acelerada e irreversível deterioração da confiança dos portugueses nas instituições que tudo isto causa. É o fundo do poço que como país continuamos a cavar envolvidos num nauseabundo lodaçal. Sinto uma enorme vergonha alheia.
Não conseguimos mudar isto a bem? Onde estão afinal os insurgentes?

Os corta-fitas

por João Távora, em 06.04.21

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Mesmo em frente à minha casa há um amplo parque com espaço de baloiços para as crianças (pormenor na fotografia). Nas últimas semanas com o bom tempo são muitas as pessoas que vêm para ali passear e os miúdos andar de bicicleta. Ultimamente armou-se uma guerra surda entre a Câmara que periodicamente sela os baloiços com fitas e os pais das criancinhas que as vêm para ali desopilar aos magotes e as arrancam. São os novos corta-fitas.
Isto tudo perante a profunda indiferença do vírus que foi para outras paragens. A vida encontra sempre caminho, já dizia o outro. 

Uma perspetiva moral do "fique em casa"

por João Távora, em 06.04.21

A Irmã Lúcia nas suas Memórias narra como foi a pandemia de 1918, a pneumónica ou gripe espanhola. A leitura dessa descrição mostra-nos a grande diferença civilizacional que existe quando comparamos a reacção do ocidente à pandemia de covid-19.
A ler o artigo de Pedro Sinde aqui.

 

Aleluia, Aleluia, Jesus Cristo ressuscitou!

por João Távora, em 04.04.21

Sobre a minha conversão ao catolicismo: já tentei acreditar em muita coisa, fui tentado a não acreditar em nada e deu mau resultado. O cristianismo pode parecer contraintuitivo, mas a vida ensinou-me que é a coisa mais bela a que posso ambicionar crer. É isso que penso nos momentos mais cinzentos.

Domingo

De Páscoa

por João Távora, em 04.04.21

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. João

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo que Jesus amava e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro¬. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro:¬ viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

Palavra da Salvação.

Comentário: Pedro e João, juntamente com Madalena, são as primeiras testemunhas do túmulo vazio, naquela manhã de Páscoa. Não foi, porém, muito facilmente que eles chegaram à conclusão de que Jesus estava vivo. A sua fé será progressiva, caminhará entre incredulidade e dúvidas. Só perante as ligaduras e o lençol, cuidadosamente dobrados, o que excluía a hipótese de roubo, se lhes começam a abrir os olhos para a realidade.
No seu amor intuitivo, João é o primeiro a compreender os sinais da Ressurreição. Mas bem depressa Pedro, que, não por acaso mas intencionalmente, ocupa o primeiro lugar e nos aparece já nesta manhã como Chefe do Colégio Apostólico, descobre a verdade, anunciada tão claramente pela Escritura e pelo mesmo Jesus. Depois, em contacto pessoal com o Ressuscitado, a sua fé tornar-se-á firme como «rocha» inabalável.

Três da tarde

por João Távora, em 02.04.21

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A Cruz é sinónimo da libertação: a dor olhos nos olhos, sem resistência à angustia, à dúvida, à incompletude. A outorga da soberania. O desprendimento de nós face a grandiloquência do desconcertante destino torna-se afinal o vislumbre de um lugar de paz interior, de recomeço. A verdadeira revolução que concede a tranquilidade ao Homem, capaz de amar o outro como a si mesmo, capaz de amar o seu inimigo, assumir a sua cruz que materializa as suas dores e inquietações (ainda há gente inquieta?). A pacificação com o Criador – a irmandade em Jesus. A morte que resulta em Vida, no homem Novo. A cruz é a noite escura de nós que afinal nos faz inteiros, livres do nosso precário personagem, hoje mesmo. A beleza da cruz partilhada com Cristo. Aprendamos a não fugir dela, então e preparemo-nos para a Páscoa redentora que se anuncia.

 

Texto  recuperado, editado e adaptado.

Páscoa em liberdade

por João Távora, em 31.03.21

Aqui chegados parece-me evidente que, como aconteceu no ano passado à medida que o bom tempo e calor aumentava, o desconfinamento não está a resultar num aumento de infecções e que a proibição do governo de celebrarmos a Páscoa como pessoas livres resulta num acto de repressão gratuito e inútil - na Alemanha com o número de infectados a subir Angela Merkel viu-se obrigada a recuar nesse intento, que os alemães não são parvos. Tempo de vivermos na clandestinidade, que a vida terrena é curta.

O meu Avô José

por João Távora, em 28.03.21

Avô José.jpg

Esta é uma fotografia do meu avô José, 9º Marquês de Abrantes, na Grande Guerra, algures na Flandres. Foi um homem austero com um raro sentido prático, segundo alguns com um fino sentido de humor, que contra o velho costume das famílias da antiga nobreza portuguesa tirou um curso de Engenharia Civil, que o ajudou a viver os terríveis tempos do exílio político, nomeadamente arranjando trabalho numa mina em Espanha, depois da dispersão dos Bravos da Galiza rendidos à república. Ao regressar a Portugal (Lisboa) nos anos 30 com os bens da família depauperados, à custa do seu trabalho comprou a casa de família na Travessa do Patrocínio que eu bem conheci e onde criou 6 filhos. Segundo testemunhos, na velha tradição familiar foi um dos responsáveis por grandes obras de arte e um "protector" do grande Almada Negreiros. Morreu com um cancro três meses depois de eu nascer, tendo tido ainda tempo de comentar com a minha mãe a minha feiura à nascença dizendo-lhe que eu “parecia um macaco”. Não lhe guardo qualquer rancor, apenas muita admiração.

A nobreza definitivamente é um acidente de carácter.

 

Mais sobre estes assuntos, aqui.

Domingo

De Ramos

por João Távora, em 28.03.21

Evangelho segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus seguia à frente dos seus discípulos, subindo para Jerusalém. Quando Se aproximou de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras, enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente e, ao entrardes nela, encontrareis um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. Se alguém perguntar porque o soltais, respondereis: ‘O Senhor precisa dele’». Os enviados partiram e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito. Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos perguntaram: «Porque soltais o jumentinho?». Eles responderam: «O Senhor precisa dele».
Então levaram-no a Jesus e, lançando as capas sobre o jumentinho, fizeram montar Jesus. Enquanto Jesus caminhava, o povo estendia as suas capas no caminho. Estando já próximo da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto, dizendo: «Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nas alturas!». Alguns fariseus disseram a Jesus, do meio da multidão: «Mestre, repreende os teus discípulos». Mas Jesus respondeu: «Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras».

 Da Bíblia Sagrada

Crise, qual crise?

por João Távora, em 23.03.21

Dresden.jpg

Ou muito me engano ou a pesada factura da pandemia que teimámos em querer domesticar não tardará a ser-nos cobrada com pesados juros, na forma das insurreições e abalos políticos que normalmente acompanham os períodos de penúria e desemprego. De resto, curioso é verificar como a radicalização da conflitualidade e a inflação dos extremos políticos aponta para essa tempestade perfeita. De facto, de há uns anos para cá vêm-se acentuando sinais de que as pessoas se cansaram da enfadonha prosperidade esforçadamente conquistada pelos nossos avós depois da II Guerra. Suspeito que o buraco existencial que é inerente ao ser humano não se preencha com entretenimento,  viagens, gadgets e outras mundanidades que no ocidente foram democratizadas e substituíram a espiritualidade. As tribos guerreiras que nas últimas decadas emergem como cogumelos à volta de toda a sorte de fracturas sociais são indicadoras de uma acesa predisposição para um conflito que aguarda ocasião propícia para eclodir com estrondo. Enquanto isso assistimos ao acelerado enfraquecimento das instituições que foram garante da nossa liberdade e dos equilíbrios precários que suportam um regime de soberania popular, expostas à corrosão das dinâmicas fragmentárias híper-individualistas da era digital.

A história da humanidade demonstra-nos à saciedade um periódico surgimento dum instinto autodestrutivo, que em tempos foi justificado como uma forma de controlo do subconsciente colectivo da demografia, mas que eu cada vez mais me convenço ser o fenómeno decorrente da veia trágica que a nossa existência comporta. Quando as comunidades saciadas não têm mais cidades para reconstruir e restaurar, pontes para reerguer e irmãos martirizados para sarar, cuidar e acolher, dedica-se ensimesmadamente a escarafunchar as suas cicatrizes... até fazer sangue.

Isto tudo é apenas uma intuição minha mas, pelo sim e pelo não, tenhamos cuidado com aquilo que desejamos e as guerras que compramos.
 

Fotografia: Dresden desperta depois do grande bombardeamento.

Domingo

V da Quaresma

por João Távora, em 21.03.21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-l’O». A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.

Palavra da salvação.

Comentário: Só morrendo é que a semente dá origem a uma vida nova, revelando assim a sua maravilhosa fecundidade.
Também para Jesus a morte é semente de uma vida maravilhosamente nova e fecunda. Graças à Sua morte redentora, os benefícios da salvação são, com efeito, comunicados a todos os homens, judeus ou pagãos. A Sua morte é a conclusão da Sua missão é, por isso, a hora da Sua glorificação.
Aceitando voluntariamente a morte, em filial e amorosa obediência ao Pai e aos Seus planos de salvação, Jesus «deu-nos a vida imortal».

Novo reforço para cortar fitas

por João Távora, em 17.03.21

Miguel Alçada Baptista é a nova aquisição para a equipa Corta-fitas. Senhor de um requintado bom-senso, o Miguel é covilhanense, embora esteja em Lisboa desde os seus 18 anos. Psicólogo, tem um MBA em marketing, o que produz uma mistura explosiva, que o habilitou a trabalhar essencialmente em consultoria e publicidade. Porque nunca desistiu de se meter em novas alhadas, está agora a frequentar o mestrado de Ciência Política e Relações Internacionais. Tem dois filhos fantásticos e um cão, e como se não bastasse, agora meteu-se a que escrever no Corta-fitas.

Sê bem vindo Miguel, esta é a tua nova casa.

africa.jpg

 

Domingo

IV da Quaresma

por João Távora, em 14.03.21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.

Palavra da salvação.

Comentário: A partir deste IV Domingo as leituras do Evangelho são tiradas de S. João, tanto ao domingo como de semana. Hoje ela fala-nos da futura glorificação de Jesus pela Cruz e Ressurreição. É este o próprio movimento do Mistério Pascal, primeiro em Jesus, depois nos cristãos pela morte à vida, pela Cruz à glória. A Quaresma é também o tempo apropriado para entendermos melhor este caminho providencial de salvação, para depois celebrarmos a Páscoa com mais fé, em acção de graças a Deus e ao Senhor Jesus Cristo.



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Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




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