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Os monárquicos e a crise espanhola

por João Távora, em 05.08.20

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O escândalo à volta do Rei de Espanha constitui uma tragédia, desde logo no que diz respeito à sobrevivência do país vizinho tal como o conhecemos. Independentemente de se vir a provar que João Carlos I praticou actos criminosos (o princípio da presunção de inocência também existe em Espanha), as suas falhas, vindas a lume no final do seu reinado, vêm manchá-lo indelevelmente.

Essa mancha cobre injustamente o seu papel corajoso, fundamental e insubstituível para a implantação da democracia liberal em Espanha e para as várias décadas de progresso económico e social, que fizeram do reino vizinho uma potência à escala europeia. 

Apesar da exemplaridade e dedicação com que se tem devotado ao seu país, Filipe VI terá dificuldade em recuperar o consenso juancarlista em torno da Casa Real. A instituição goza ainda de autoridade junto da maioria da população e o actual Chefe de Estado tem o respeito da maior parte dos espanhóis, mas o espírito da Transição tem-se esvanecido e a Coroa é hoje objecto de um ataque contínuo num quadro político muito polarizado, em que os principais partidos do regime (monárquicos ou, pelo menos, defensores do pacto constitucional vigente) vêm perdendo força; já para não falar na pressão das forças independentistas que não irão deixar de aproveitar um momento de fragilidade de uma instituição estruturante para atacarem o Estado central. 

Se juntarmos a isto a previsível instabilidade social decorrente da pandemia, antecipando-se o aumento da pobreza e do desemprego, suspeito que Espanha se prepara para enfrentar uma tempestade perfeita. Para mais, todos conhecemos o “modo espanhol” de radicalização política. Não é preciso remontar a 1936: o actual governo contém o mesmo germe de dissensão e enfrentamento que precipitou Espanha no abismo fratricída.

Como monárquicos não podemos deixar de nos confrontar com o que se passa ao nosso lado, agora que os republicanos vociferam apesar dos tristes exemplos de presidentes que abundam por essas repúblicas afora. Será, talvez, útil recordar-lhes que a verdadeira república espanhola se ficou a dever a um rei. Ao mesmo monarca sob cujo reinado se firmaram as liberdades e a paz social que nunca vingaram sob regimes republicanos.

No entanto, é justo reconhecer que o escândalo em torno de João Carlos I fere um dos argumentos a favor da monarquia: a mais-valia da preparação precoce dum príncipe para um cargo de grande exigência ética e moral. Precisamente porque o cargo é hereditário e vitalício, qualquer erro mais grave pode comprometer uma das principais vantagens da perdurabilidade na chefia dos Estados, que é a confiança e autoridade de uma instituição, que a todos representa e agrega, como reserva moral. 

As monarquias, no nosso tempo de democracias avançadas, são sistemas muito frágeis, desde logo pela vertigem mediática que se vive, e também devido ao materialismo e ao niilismo, que tudo permeiam,  que relativizam a importância das tradições e da família natural como célula vital da sociedade. Pergunto-me se as repúblicas estarão mais imunes a essas fragilidades ou se serão mais aptas a superá-las por via do sufrágio e não tenho qualquer razão para acreditar que assim seja. Pelo contrário, a volatilidade e rotação na cúpula do poder e a sua captura pelos principais partidos, sem travões nem contrapesos fundados numa outra legitimidade, permitem-me acreditar que não serão melhores.

 Por tudo o que refiro, estes dias, em que um rei que nos habituámos a respeitar vê abalado o seu prestígio com tão grande estrondo, com consequências imprevisíveis para o seu povo, terá de ser de grande consternação para os monárquicos. 

Apesar das possíveis falhas de João Carlos I, a transição e a monarquia espanholas são exemplo para o mundo. As quase quatro décadas de monarquia em democracia mostram o quanto ambas se beneficiaram mutuamente e em como Portugal ficou a perder comparativamente com as repúblicas que lhe foram calhando em sorte.

As monarquias têm sabido adaptar-se ao longo dos séculos. O que trazem de bom e de permanente não se altera em virtude de excentricidades, pecados ou mesmo crimes de um Chefe de Estado individualmente considerado. Aprendamos todos, principalmente a monarquia espanhola, com esta lição concreta e a exigência de rigor no exercício da função real que a mesma acarreta, sem descurarmos as virtudes e as vantagens para os povos que só a monarquia é capaz de lhes trazer.

 
Com a colaboração do meu amigo João Vacas

Domingo

por João Távora, em 02.08.20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O por terra. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». Mas Jesus respondeu-lhes: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer». Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». Disse Jesus: «Trazei-mos cá». Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.


Palavra da salvação.

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Nos últimos tempos estive a ler um livro que me foi oferecido por um bom amigo, a História de Vila Nova de Milfontes publicada pela Câmara de Odemira, da autoria do historiador António Martins Quaresma, uma coisa séria com muita investigação e profusamente ilustrada. A história de Milfontes é uma longa história de pobreza extrema e resistência duma vila fundada com homiziados (uma espécie de degredados), desde a carta de foral de Dom João II até ao Século XX, quando a beleza natural finalmente se torna um motivo de fortuna (!) - pouco mais a vila teve alguma vez para dar que o encanto da Foz do rio Mira. Com umas terras muito pobres e uma barra traiçoeira e sem um porto decente que só foi construído em meados do séc. XX, (a pesca só era praticável no Verão), as populações até ao século XVIII eram constantemente fustigadas por galés de corsários argelinos, que pilhavam o pouco que havia e raptavam os habitantes para negociar resgates. O emblemático forte a que chamam castelo, cuja ponte levadiça já estava irremediavelmente avariada poucos anos depois da sua construção no séc. XVII, nunca estava suficientemente equipado, nem de soldados nem de armamento (pólvora, por exemplo), tornou-se mais um elemento dissuasor. E também há a extraordinária historia de um tal António Afonso (que chegou a ser cabo da praça ou “capitão” do castelo) raptado e resgatado aos argelinos, um tipo insolente, espadaúdo e bebedolas que foi condenado a 6 meses de degredo em Évora pela Inquisição por, num casamento, dentro da Igreja, sob o efeito do álcool se ter metido com a noiva e pronunciado terríveis blasfémias. Afinal isto não mudou assim tanto, pois não?

Entretanto, com base nesse livro, durante as férias vou dedicar mais uma crónica a esta terra que desde a minha infância me conquistou o coração. Brevemente. 

Domingo

por João Távora, em 26.07.20

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,

Criador do Céu e da Terra,

De todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,

Filho Unigénito de Deus,

nascido do Pai antes de todos os séculos:

Deus de Deus, luz da luz,

Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;

gerado, não criado, consubstancial ao Pai.

Por Ele todas as coisas foram feitas.

E por nós, homens, e para nossa salvação

desceu dos Céus.

E encarnou pelo Espírito Santo,

no seio da Virgem Maria.

e se fez homem.

Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;

padeceu e foi sepultado.

Ressuscitou ao terceiro dia,

conforme as Escrituras;

e subiu aos Céus,

onde está sentado à direita do Pai.

De novo há-de vir em sua glória

para julgar os vivos e os mortos;

e o seu Reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo,

Senhor que dá a vida,

e procede do Pai e do Filho;

e com o Pai e o Filho

é adorado e glorificado:

Ele que falou pelos Profetas.

Creio na Igreja,

Una, Santa, Católica e Apostólica.

Professo um só batismo para a remissão dos pecados.

E espero a ressurreição dos mortos

e vida do mundo que há-de vir.

Amém.

Grosseria, a outra epidemia

Reflexões sobre a anormalidade do novo normal

por João Távora, em 24.07.20

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Existem danos colaterais da pandemia que, na hierarquia das prioridades vistas da enfermaria, acabam menosprezados e não deviam. Nem me vou centrar no problema causado pelo distanciamento social que, para muita gente que com esforço fomentava a sua rede de relações, a dinâmica será difícil de inverter. Constato com alguma tristeza como, apesar do desconfinamento, muitos ainda resistem a uma presença física numa reunião, mesmo que dentro das regras sanitárias, na possibilidade de poderem fazê-lo através de uma plataforma virtual. E nem estou a falar daqueles mais frágeis, prudentes ou temerosos, mas daqueles que por comodismo ou timidez evitam deslocações ou confronto pessoal. Acontece que as relações humanas são por natureza uma construção complexa que, para a maioria das pessoas civilizadas mas sem especiais dotes, exige algum esforço. Talvez por causa dessa falta de “ginástica” venho notando aqui e ali algumas sensibilidades exacerbadas e espíritos melindrosos. A manutenção de uma rede de afectos compensadora requer exercício contínuo e músculos oxigenados em sociabilidade. O problema não são os outros, está sempre em nós. Também não me vou centrar na questão do teletrabalho. Há muitos anos que o pratico, mais por necessidade que por opção. Evidentemente aqui, uma vez mais, a dinâmica relacional faz muita falta seja na tomada de decisões ou no processo criativo, já para não falar da competitividade que o convívio presencial promove com consequentes resultados na produtividade. A convivência com uma equipa ou hierarquia permite uma aprendizagem que nenhuma ferramenta virtual substitui. Além do mais o teletrabalho impede uma saudável separação de dois mundos distintos mas complementares, o familiar (e de lazer) com o laboral.

Mas se queremos mesmo encarar a regressão civilizacional que nos ameaça, devemos ter cuidado com a degeneração do cumprimento e das boas maneiras em geral. Digo-vos que aquela cotovelada adoptada pelos políticos em Bruxelas que vemos na televisão é uma coisa esteticamente deplorável. Mais vale usar a vénia chinesa. Suspeito que vai ser difícil voltar a por toda a gente a cumprimentar-se com urbanidade.

Mas isso dá muito trabalho tanto a ensinar quanto a praticar. Desde pequeno que na minha família todos fomos insistentemente educados a ser corteses e cumprimentar todas as pessoas, de qualquer condição, na obediência de um protocolo exigente. Evidentemente que não me esqueço como era desagradável quando em ocasiões festivas ou à porta da missa tinha de cumprimentar alguma senhora de cerimónia, com perfume demasiado intenso e muito pó de arroz na cara. Havia o risco de ficar com a marca do batom impresso numa bochecha que me enojava. Em casa dos meus avós o protocolo era uma longa tarefa de distribuição de beijinhos e pequenos inquéritos pretensamente simpáticos, a começar nos donos da casa e a continuar nas tias, terminando a empreitada nuns desafiantes passou-bens apertados, que me deixavam as mãos em brasa, ministrados pelos meus tios mais caturras. Só depois de consumado todo este ritual, estava livre para brincar com os meus primos. Imaginem vocês que os meus pais até nos ensinaram a beijar a mão a senhoras de um certo estatuto socio-etário, e nos deram aulas práticas de como se cumprimentam os príncipes. Esses ”sacrifícios” apesar das voltas que a nossa vida deu para longe desses universos, vieram a revelar-se-me muito úteis. Acontece que as boas maneiras são o chão com que se constroem relações harmoniosas e sãs. As boas maneiras são uma boa máscara para os nossos estados de alma, o mais das vezes instáveis, por razões tantas vezes obscuras.

Por estes dias de COVID19, nos encontros sociais que graças a Deus já vou retomando, tenho notado por entre a miudagem nova um certo alívio por estarem formalmente dispensados de cumprimentar os mais velhos, preceito que, suponho, sentem como uma espécie de incómoda vassalagem ou simplesmente uma limitação da sua liberdade. Ainda não descobriram que somos todos vassalos uns dos outros, e que estas cortesias todas nos enquadram e libertam para relações francas, construtivas e mais duradouras. Sem equívocos desnecessários.

De resto, como bem sabemos, é mais fácil destruir que construir. Por isso suspeito que não será fácil a retoma das boas maneiras, principalmente entre os mais novos, sabendo nós que é graças a esses complexos protocolos que construímos a nossa civilização. Que espero ninguém queira trocar por outra coisa.

Centenário de Amália

por João Távora, em 23.07.20

"Uma Casa Portuguesa" - A Fonseca - R Ferreira - M. Sequeira

Angel Recrds USA - Extended Play 45 rpm 1955, da minha coleccção. 

Um dia negro

por João Távora, em 23.07.20

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Lamentavelmente o que os partidos do bloco central promovem hoje em São Bento é a menorização do parlamento, no seu papel fundamental de fiscalização do executivo, que aliás o nosso regime semipresidencialista não favorece grandemente. Um monárquico como eu só pode deplorar profundamente este retrocesso. É que basta olhar à nossa volta por essa Europa afora para perceber que um parlamento com poderes e legitimidade reforçados é a fórmula que viabiliza as persistentes monarquias contemporâneas e… o progresso económico e social desses povos.

 

Na imagem cerimónia de abertura do parlamento em 1904. 

Não é difícil entender...

por João Távora, em 22.07.20

É indiferente que Portugal não faça parte da “lista verde” irlandesa de 13 países cujos viajantes estão isentos de cumprir a quarentena ao chegar à Irlanda: eles (ou os ingleses) jamais viriam passar férias em Portugal sem garantia de estarem abertos sítios para festejar e beberem copos à noite. Obviamente que um país onde tudo encerra às 20,00hs não é seguro.

Liberdade de ensino?

por João Távora, em 21.07.20

Por que razão dois alunos naturais de Famalicão, ambos com média de 5 valores, foram obrigados a retroceder dois anos escolares? Por causa do pai, no uso do seu direito de objecção de consciência, não ter autorizado os seus filhos a frequentarem as aulas de  "Cidadania e Desenvolvimento" (o que quer que isso seja!).

Os donos disto tudo

por João Távora, em 21.07.20

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O lugar do Partido Socialista é de tal forma hegemónico no regime que há momentos em que a disputa interna entre os seus dirigentes e suas tendências é politicamente mais relevante que a disputa desse poder com os líderes da oposição. Pedro Nuno Santos que em boa hora se desfez do seu Porsche já afronta António Costa pela esquerda, numa linguagem que se aproxima do bloco, demarca-se do apoio a Marcelo nas presidenciais. Mais social democrata é o Fernando Medina, pragmático promotor de eventos, gestor de estacionamentos e ciclovias, está a construir o seu curriculum numa grande câmara municipal como fez Rui Rio que nesta luta por São Bento arrisca  a tornar-se irrelevante. Ou algo muda depressa ou tudo irá resolver-se no Rato, até a distribuição dos milhões de Bruxelas.

O país das maravilhas

por João Távora, em 20.07.20

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Não deixa de ser irónico que hoje segunda-feira, enquanto em Bruxelas se arrastam as negociações por umas côdeas com que a Europa nos vai acudir para fazermos face à brutal crise económica que se prenuncia no horizonte, o tema de abertura do noticiário das 9:00 da manhã da rádio Observador tenha sido o das vitimas do incêndio florestal em Santo Tirso e uma pertinente entrevista ao sagaz bastonário da ordem do médicos veterinários. Pelo que me apercebi a peça era sobra duma comoção nacional ocorrida ontem e amplamente explorada nos telejornais, resultado do facto dos bombeiros terem ousado impedir os populares de entrarem no canil durante o fogo para resgatarem os pobres animais que não escaparam a um trágico destino.

Por falar em entretenimento, é consolador constatar que apesar do planalto epidémico se manter firme e regular nas três centenas diárias de novos casos, nos últimos dias desapareceram as alarmantes notícias radiofónicas matinais sobre focos de infecção na região de Lisboa e Vale do Tejo assim como os encontros juvenis nas ruas da periferia a afrontar a pacatez do confinamento dos bons cidadãos. Este fenómeno certamente deve-se ao facto deles serem proibidos e evidentemente por causa das bombas de gasolina estarem impedidas de vender bebidas alcoólicas depois das 20,00hs.

Domingo

por João Távora, em 19.07.20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a espigar, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio?’. Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’. ‘Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’». Jesus disse-lhes outra parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos». Disse-lhes outra parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado». Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: «Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo». Jesus deixou então as multidões e foi para casa. Os discípulos aproximaram-se d’Ele e disseram-Lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo». Jesus respondeu: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o Diabo. A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos. Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus Anjos, que tirarão do seu reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. E os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, oiça».


Palavra da salvação.

Quatro notas curtas mas não desprezíveis

por João Távora, em 18.07.20

1) Não sou amigo do Vasco Rosa pelas suas capacidades de trabalho ou arcaboiço cultural e intelectual. Conhecemo-nos noutra dimensão do tempo em que nada disso era importante. Mas o que esta entrevista nos revela é muito mais que isso, é também o seu carácter independente e consequente coragem. Isso sim traços que me seduzem profundamente. Obrigado, Vasco!

2) Isto da epidemia tornou-se um assunto fracturante - não se deve falar do tema na sala de jantar sob o risco de azedar a refeição. Toca em sensibilidades profundas das pessoas - umas mais securitárias outras mais liberais (simplificando, evidentemente). E depois há o calor que exacerba os espíritos.

3) Uma bela reflexão de Paulo Maia Loureiro sobre o erro crasso de se basear decisões políticas em "bases científicas" sempre controversas e dinâmicas. Aqui

4) Uma das maiores provas do progresso da humanidade (tecnológico, que outro não se vislumbra) é a existência nos supermercados de pacotes de pevides descascadas a um preço razoável. Em miúdo eu tinha de esfolar os dedos para comer duas dúzias delas.

Um homem da renascença

por João Távora, em 17.07.20

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Este divertido diário de Francisco Dias, um ilustre desconhecido (?) quinhentista “procurador de El-rei no Porto” ofereceu-mo o meu amigo Carlos Bobone. Além de tudo o mais (tem histórias de pestes), o que tem de particularmente curioso para mim, são as múltiplas referências ao I Conde de Matosinhos, Francisco Sá e Meneses notabilizado “poeta do Rio Leça” e ao seu pai João Rodrigues Sá e Menezes "O Velho". E que fantástico personagem foi este último: dizem os seus biógrafos que viveu intensamente até aos 115 anos. A sua carreira política começou como ministro de D. João II, foi-o também de Dom Manuel, de Dom João lll e de até D. Sebastião. Traduziu as Elegias de Ovídio, comentou Homero, Píndaro e Anacreonte e "enobreceu" como guerreiro nas campanhas de Azamor e de Arzila. A sua família foi a primeira no Porto em que as mulheres tiveram direito a tratamento de “Dom”, e “cujos homens e respectivas esposas foram tratados por senhorias."

Estou arrasado!

Prontuário alfabético da pandemia

por João Távora, em 12.07.20

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A

Aerossóis – Perdigotos voadores

António Costa – Comunicador e animador televisivo, amado líder, salvador da Pátria, líder e autor de tudo o que corra bem, isento de culpa em tudo o que corra mal.

Assintomático – infiltrado

Aviação – nova área de especialização de António Costa (2015) e Pedro Nuno Santos (2020). Ramo de negócio da próxima falência socialista.

B

Bolsonaro – bobo da corte global 

C

Cerca sanitária – cerco policial e noticioso a uma comunidade contagiada (desde que a autarquia não seja comunista ou socialista).

China – fabricante de vírus, anti-vírus, máscaras e ventiladores.

Confinamento – Prisão domiciliária voluntária enquanto o governo compra os meios que as cativações encurtaram.

Crise sanitária –momento em que as cativações nos orçamentos da saúde ameaçam ter resultados fatais.

Clusters – De onde sai muita gente vinda de sítios diferentes

Contágio – aquilo que os jovens ou «os privados» conseguem quando convivem, e os passageiros dos transportes públicos sobrelotados não.

Corredores de passagem – o distanciamento físico em movimento.

Culpa – é da pandemia

Curva epidemiológica – a progressão da epidemiologia em gráfico

D

Desconfinamento – Ordem geral de soltura quando as sucessivas excepções para comunistas, governo, presidência e palhaços do regime começam a enjoar.

Distanciamento social – Distância entre uma motoreta e o Porsche do Pedro Nuno Santos, ou entre os transportes públicos e os Mercedes série S do governo.

Distância física – Distância entre dois corpos vivos ou inanimados, ou aquilo que separa os governantes transportados em Mercedes série S e Audi A8 dos utilizadores dos transportes públicos

E

Epidemia – doença que alastra numa comunidade por contacto directo ou indirecto.

Epidemiologia – a ciência que estuda as dinâmicas das epidemias

Estado de Calamidade – o controlo da epidemia está nas nossas mãos

Estado de Emergência – o controlo da epidemia nas mãos do governo

Estado de alerta – se te portares mal vem o estado de emergência

F

Falsa transmissão comunitária – aparência de transmissão do vírus quando ocorrida entre habitantes de autarquias comunistas ou socialistas, e que se deve na verdade à especulação imobiliária e às manobras do capital; aparência de transmissão em manifs e comícios de esquerda, ou festas e espectáculos do regime (ver também transmissão comunitária).

Fernando Medina – herdeiro putativo de António Costa, e nessa medida mais conhecedor de temas de saúde que qualquer ministra ou directora nomeada pelo mesmo António Costa.

Ferro Rodrigues – a melhor publicidade à máscara

Freitas, Graça – pessoa a despedir se a coisa correr mal (ver também Temido, Marta).

Fronteiras – o vírus do vizinho é mais contagioso que o meu.

Funcionários públicos – pessoas que recebem os salários por inteiro, mesmo que não seja possível contribuírem com teletrabalho ou outro trabalho qualquer.

Funcionários privados – pessoas que só recebem se trabalharem ou as respectivas empresas não morrerem

G

Gotículas – perdigotos

H

Hidrocloroquina – remédio que a OMS diz que é inútil e que o Trump e o  Bolsonaro tomam ou remédio que a OMS diz que afinal é útil e que não nos lembramos se o Trump e o Bolsonaro andam a tomar.

Higienização – quando asseios mínimos como tomar banho e lavar as mãos são promovidos a terapêuticas.

I

Impostos – tão certos como a morte; sobem como a morte a pretexto de pandemias.

Isolamento profiláctico – prisão preventiva

J

Jovens  - culpados de tudo se se juntarem mais que 2

L

Lares – Confinamento de risco para os velhotes; estudo introdutório à figura da eutanásia.

LVT – Clusters de Lisboa.

Lay off simplificado – Processo complexo de fornecimento de oxigénio fiado.

M

Máscara – produto ausente da cadeia de consumo, e cuja utilização daria uma falsa ilusão de segurança; produto vendido pela China e amigos do poder, e cuja utilização é obrigatória.

Moratória – pagas depois, está bem?

Marcelo Rebelo de Sousa – Animador e pivot televisivo para Governo e DGS

Morbilidade – Perigo de morte.

N

Nacionalismo – convicção em alta a opor às exclusões declaradas pela pérfida Albion; credo retrógrado e criminoso quando esperamos solidariedade e esmolas da EU.

O ?

P

Planalto – Bom vinho

Protocolo respiratório – não me cuspas para cima

Positivar – contagiado

R

Raiododesinvir - ou lá o que é e que pode ser bom ou não conforme quem o toma (ver também hidrocloroquina).

Rastreio – Brincar ao gato e ao rato.

Recessão – a coisa de que os media falam para fingirem que não há nem vai haver austeridade (foi o PM que mandou).

Recuperados – Boas notícias.

Regras de segurança – aquilo ou o contrário que Governo e DGS decidirem de ontem para hoje, ou de hoje para amanhã.

Restrições – Uma calamidade

S

Salvador Malheiro – O desafiador de Fernando Medina, na disputa regional.

Surto – sítio onde o vírus ainda não tinha sido detectado, mas agora foi.

T

TAP – companhia aérea do outro herdeiro putativo de Costa, PNS.

Taxa de mortalidade – ninguém escapa

Tele-ensino – Trabalhos para casa

Temido, Marta – outra pessoa a despedir se as coisas correrem mal.

Transmissão comunitária – transmissão do vírus exclusiva de festas privadas ou ajuntamentos de mais de 2 jovens.

Transmissão vertical – das mães aos fetos.

Transmissão horizontal – entre gente de todas as famílias e idades.

Turismo – sector mais atingido pela pandemia devido aos cancelamentos de visitas por cerca de 90% dos turistas.

Turistas – indesejáveis que as televisões denunciam por desrespeitarem o confinamento e as regras em Portugal.

Teletrabalho – Faz-se o que se pode

Testagem – Cada cavadela uma minhoca

Testes sorológicos – testes ao sangue

Trump – bullying

U

UCI – Estás feito ao bife.

V

Vacina – Nem o pai morre…

Ventiladores – Negócios da China.

Virologista – Técnico que estuda os vírus.

W

Wuhan – Cidade natal do Covid19

Z

Zaragatoa – um pauzinho que se enfia no nariz do suspeito de infecção.

Zoom – reuniões virtuais. Cada um leva o seu copo de vinho.

 

João Távora com José Mendonça da Cruz e Duarte Calvão

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Domingo

por João Távora, em 12.07.20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça». Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Porque lhes falas em parábolas?». Jesus respondeu: «Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não. Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas, porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: ‘Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas sem ver. Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure’. Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem! Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. Escutai, então, o que significa a parábola do semeador: Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».


Palavra da salvação.

(Des)confiança

por João Távora, em 10.07.20

O que esta pandemia deixou a nu foi a arrogância dos políticos que pretenderam serem capazes de a controlar (os bezerros de ouro sempre foram uma tentação para os pategos). O maior problema é que o povo não deixará de lhes cobrar os seus efeitos quando não tiver pão para por na mesa. As moratórias e o Lay-off não vão durar sempre, e cada mês que passa, mais serão os empresários em desespero que como recompensa de tentarem por as suas empresas a carburar apesar das quebras de facturação significativas perderam a elegibilidade para os apoios do Estado. Não há recuperação económica sem confiança e não vai ser fácil inverter-se a narrativa do medo que com tanto denodo foi fomentada. Continuemos a brincar às máscaras e limpem as mãos às paredes, que o Inverno vem aí, o vírus por cá andará e a tragédia não será na enfermaria.  

Inquietação

por João Távora, em 09.07.20

marcelo.jpg

Ontem numas imagens que vi nas notícias captadas por uma câmara indiscreta ao final da defunta reunião com especialistas no Infarmed inquietou-me a cumplicidade com que Marcelo Rebelo de Sousa confidencia com Ferro Rodrigues e António Costa o modo como iria fazer a sua intervenção. Até admito que a comoção da crise do Covid19 tenha fortalecido os laços entre eles, mas aflige-me sermos governados por três amigalhaços.

Vai tudo ficar bem?

por João Távora, em 07.07.20

mascaras-de-gas.jpg

É para mim evidente que o coronavírus é uma ameaça que a prudência obriga a que cada um assuma uma atitude profiláctica, principalmente para se proteger os membros mais frágeis da comunidade. Dito isto, está nos manuais, toda a gente sabe que um dos assuntos que mais vendem jornais é a doença - e isto é um assunto sério. É sabido que uma epidemia é um pitéu para vender notícias, mais ainda se o ‘media’ for sensacionalista, que assim se dispõe a dar ao povo a emoção alienante por que anseia, com uma justificação moral do “quem te avisa teu amigo é”.
A minha dúvida é como é que se pretende animar a economia com mensagens tão contraditórias. É irónico que os media lamentem a exclusão de Portugal dos corredores aéreos britânicos para o turismo ao mesmo tempo que andam à cata de mosquitos na outra banda, seja de residuais complicações da infecção em jovens ou da propagação do COVID19 por aerossóis. Perante o medo instalado estará a generalidade das pessoas disposta a ver as esplanadas de Albufeira ou de Alfama cheia de ingleses eufóricos a beber cervejas? Não me parece.
Definitivamente não existe um ambiente propício para a urgente retoma económica, para mais num país tão dependente dos negócios hoteleiros - tornámo-nos na taberna fina da Europa (nada contra!). Do lado de lá da fronteira e… do lado de cá. Experimentem dar uma volta nocturna no centro da vila de Cascais, Bairro Alto ou Vilamoura para se ter a noção do tamanho do desastre que se avizinha. Enquanto a metade do País que vive de rendimentos garantidos se enrosca assustada no sofá ao serão a ver telejornais transmitidos em directo duma qualquer enfermaria de hospital. Acreditam mesmo que isto vai tudo ficar bem?

Domingo

por João Távora, em 28.06.20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: Não perderá a sua recompensa».


Palavra da salvação.



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