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Esforços derradeiros

por José Mendonça da Cruz, em 25.02.24

Registam-se os esforços derradeiros dos media para evitar a derrota do socialismo. As grandes e persistentes «notícias» são, agora, que Montenegro tem que revelar não sei quê que os media julgam que ele precisa muito de revelar, e mais não sei quê de Albuquerque. Os media não querem saber o que ele fará quando ganhar; querem saber o que faria se, como sonham, perdesse. Na sua lealdade suicida os media fazem questão de perder as eleições juntamente com o socialismo dos seus amores.

O Outro

por José Mendonça da Cruz, em 21.02.24

O tempo de Pedro Nuno Santos tem pouca importância. É o que vem a seguir que importa.

 

Os antecedentes

Na noite de dia 26 de setembro de 2021, o então primeiro-ministro António Costa, na primeira declaração sobre os resultados das eleições autárquicas, não sendo conhecida ainda a votação de Lisboa, congratulou-se porque os portugueses «renovaram a sua confiança no Partido Socialista». E, depois de admitir que «uma eventual derrota em Lisboa (…) penaliza qualquer partido», concluiu que «o país não é só Lisboa».

Foi pedagógico ver, depois, como o enviesamento, o preconceito, o favoritismo partidário, afectam os olhos, os ouvidos e a inteligência dos observadores engajados. É que, sendo para eles evidente que o Partido Socialista jamais perderia Lisboa, e que Fernando Medina era intocável, nenhum ouviu o que acabara de ser dito. Era, aliás, a coisa principal que Costa viera dizer antecipadamente e a título de controlo de danos: os socialistas tinham perdido a capital. Dias depois, Costa diria que não estava prevista nenhuma remodelação governamental por causa das autárquicas, e que os «refrescamentos» não se fazem no inverno.

Nem de propósito: a primavera começara há dois dias, quando Fernando Medina foi nomeado ministro das Finanças, em 22 de março de 2022.

Costa ungia o herdeiro.

 

A imagem

Há uma fotografia notável do dia da apresentação do «Plano de Acção» socialista, por Pedro Nuno Santos, no domingo, dia 12 de fevereiro. Mas a notável fotografia de José Sena Goulão, da Lusa, uma daquelas imagens que vale mil palavras, não é do protagonista principal, é da plateia. Obviamente, o preconceito só tinha olhos para o palanque, onde Pedro Nuno Santos discursava para «Portugal Inteiro». Mas a imagem fala mais alto. Ela mostra Alexandra Leitão, devotada «pedronunista«, olhos marejados de entusiasmo, bebendo enlevada o discurso, e, num arroubo de militância, pondo o «Plano» mais a jeito. A seu lado está o ungido, Fernando Medina, em cuja expressão a câmara, certeira e oportuna, captou o aborrecimento paciente com que espera a passagem do tempo, a nuvem de desdém que o espectáculo lhe faz perpassar no rosto. E, antes de Pedro Nuno Santos falar, já Medina tinha falado, já Medina tinha dito o que tinha a dizer e lhe convinha.

 

O discurso

E que disse Fernando Medina? No habitual registo socialista de realidade paralela, glorificou a obra do governo, do seu e de António Costa, na «transformação estrutural da economia», na «recuperação de rendimentos» na «convergência com a UE», na «redução do risco de pobreza», na «redução da tributação do trabalho» e no aumento de salários, e nas contas públicas – tudo coisas que não são assim, ou não são bem assim, ou têm um reverso omitido.

A «agência noticiosa» Lusa ficou, evidentemente, maravilhada, e apresentou o resumo do discurso no tom hagiográfico que costuma usar com os donos: «Com a credibilidade de ser o ministro das Finanças que deixa o país com contas públicas certas, com um dos maiores crescimentos da economia de toda a União Europeia, com as exportações em alta…» Etc.

Os «próximos» de Pedro Nuno Santos, ou os «dirigentes» ou os «membros do núcleo duro» de Pedro Nuno Santos ficaram, obviamente, aliviados: que era bom ter Medina «a caucionar o cenário»; que «é a garantia de contas certas»; que é «mais um sinal de confiança e continuidade».

Mas não eram esses os pontos principais do discurso de Fernando Medina.

Os dois pontos principais eram e são, primeiro, que se expurgarmos o discurso de tudo o que tenha a ver com a governação de António Costa e Fernando Medina… bem, não sobra discurso nenhum. Nada. Nem uma palavra sobre infraestruturas, ou ferrovia, ou Habitação, ou TAP, ou aeroporto, nada. Sem o elogio a Medina/Costa não há discurso.

E – segundo ponto fundamental do discurso – os derradeiros vinte e poucos minutos, ocupa-os Medina a classificar o que, segundo ele, foi um bom governo socialista, o dele e de António Costa: «realismo», «prudência», «consistência», «credibilidade», «previsibilidade», «tranquilidade», «constância».

Não foi decerto por acaso que resolveu enunciar os antónimos de Pedro Nuno Santos.

 

O herdeiro

 Após a derrota nas eleições de 10 de março, o PS teimará durante bastante tempo em ignorar que o seu próprio interesse teria sido mais bem servido se tivesse sido outro, e não Pedro Nuno Santos, o sucessor de António Costa. Os media também. Os mesmos media que tão reverentemente apoiaram Costa, já vão inventando, agora, desculpas do «legado» de Costa para a mediocridade de Pedro Nuno Santos. Pois que mais poderia ele?! Estão a ver, é o legado! E acompanharão tanto tempo quanto lhes pedirem os estertores de esquerdismo radical de Santos.

Mas quando a maioria do PS e sua sede de poder constatar que o esquerdismo radical não a leva a lado nenhum, Pedro Nuno Santos terminará a fugaz e nada carismática carreira.

Não lhe sucederá António José Seguro, demasiado distante até dos «moderados», nem César, nem Carneiro, nem esse Francisco Assis que desbaratou toda a individualidade ao aderir ao que antes abominava.

Não. O sucessor será o herói sobrevivente dos anos gloriosos de Costa e Medina (cujo legado os media voltarão a glorificar). Em quem os socialistas reconhecerão o homem que governou bem, nos anos do governo de Medina e Costa; o camarada que fez tudo bem, e que esteve com o partido, até quando, abnegadamente, teve que ocupar um lugar secundário; o moderado «prudente», «previsível», «constante», «realista» de que precisam para voltarem a ocupar todos os postos do Estado e todos os postos das entidades que escrutinam o Estado. Fernando Medina, «o único e legítimo herdeiro».

 

O adversário

O governo da PAF foi vítima de uma ficção criada pelo Partido Socialista, e acolhida, acentuada, enriquecida, propagandeada pelos media, com destaque para as televisões: a ficção de que os riscos e os sofrimentos resultantes da bancarrota causada pelos socialistas eram culpa de quem sanou os estragos da bancarrota e devolveu credibilidade ao país.

Além da tarefa central de governar e remediar a ruína, o governo de direita saído das eleições de março deve preocupar-se menos com as pulsões radicais de Santos (ainda que venham a suscitar, inevitavelmente, o entusiasmo dos media), e mais em prevenir e contrariar desde o início – dado a dado, ponto a ponto, declaração a declaração, número a número – essa narrativa que chegará quando chegar «o único e legítimo herdeiro»: a narrativa ficcionada de que o governo de Medina (e, vá lá, também de Costa) foi um bom e progressivo governo, e não o pior governo da democracia, um colectivo incompetente e corrupto, um completo e verdadeiro desastre.

 

Uma lide magistral

por José Mendonça da Cruz, em 17.02.24

Desculparão, mas repito, foi uma lide magistral o comportamento de Luís Montenegro no debate com Rui Tavares. Mostrou-se dialogante, fez questão de que os votos que vão para o Livre não vão para o PS, apresentou as suas propostas, críveis, fazendo questão de não desmontar as patetices de Tavares.

Dizem-me que os comentadores de esquerda deram a vitória a Rui Tavares. Ou seja, não perceberam nada. Dizem-me que os comentadoRes de direita deram um empate. Ou seja, são burros ou medrosos.

Debates, debatentes e «arroseurs arrosés»

por José Mendonça da Cruz, em 12.02.24

(hoje no Observador)

Os debates eleitorais têm interesse. Os debates eleitorais têm audiência. Já o «achismo» dos comentadores, não sei…

Gosto dos debates eleitorais nas televisões. Gosto mesmo dos debates eleitorais nas televisões.

Gosto, primeiro, porque nos chegam sem filtros, e, por isso, são informação em estado bruto. Cada participante diz o que quer – sem que aquilo que disse seja truncado, ou treslido com alguma adenda escrita ou em voz off.

Foi assim, por exemplo, que, em dois debates, soube mais sobre o programa de governo da AD do que em semanas em que a comunicação social se esforçou por omitir informação sobre ele, ou sobrepor-lhe notícias menores (a casa de Espinho, a presença ou ausência de Passos Coelho, a presença ou ausência de outra figura da AD).

Foi assim, por exemplo, que vi expostos a clara luz o programa e as intenções do Bloco de Esquerda. Não as vozes maviosas, nem as expressões condoídas, mas o verdadeiro programa e as reais intenções.

Foi assim, por exemplo, que compreendi que Pedro Nuno Santos não tem uma ideia. Aliás, tem uma. O papagaio de Samuelson, que tinha dois neurónios, tinha dois motes: oferta e procura. Pedro Nuno Santos, que só tem um (mote, quero eu dizer) só sabe dizer Estado-Estado-Estado.

Gosto, em segundo lugar, por serem esclarecedores, não apenas no que é dito, mas na linguagem corporal, na linguagem facial.

Foi assim, por exemplo, num notável momento de televisão – desses em que a imagem vale mil palavras – que vi Mariana Mortágua, descomposta pela argumentação de Montenegro, encerrar uma fraca réplica com um sorriso que era um arreganho raivoso. Como nas Novas Andanças do Demónio, «saía-lhe fumo pelos intervalos do riso».

É assim que – lamentando o que vejo – vejo como o olhar de Rui Rocha não pára de deambular por pessoas e cenários, num sintoma de insegurança que deveria corrigir depressa.

Foi assim, por exemplo, que vi as inegáveis qualidades de tribuno e polemista de André Ventura, a exuberância e o tom categórico que tanto atrapalham os adversários, virarem-se contra ele, e porem várias propostas em dúvida.

Gosto, em terceiro lugar, porque os participantes estão sozinhos na função, não podem contar com a ajuda de plateias fiéis, profissionais de relações públicas, ou jornalistas simpatizantes (sobre a ajuda de comentadores, lá iremos). Nos debates, eles estão sozinhos.

Vejo, por exemplo, como as aparições de Pedro Nuno Santos – não apenas nos debates, mas sobretudo nos debates – relembram dolorosamente um historial de governação lamentável, e põem em cruel evidência a impreparação pessoal e política. Terão notado como – não apenas por causa dos debates, mas sobretudo por causa dos debates – as classificações enlevadas de «enérgico» e «carismático» com que era habitual virem adornadas as notícias sobre PNS, pois bem, terão visto como esses adjetivos fugiram espavoridos de cena.

Depois, há os comentadores televisivos dos debates eleitorais.

Não gosto nada dos comentadores televisivos dos debates eleitorais – os quais, aliás, passei a abster-me de ver.

Não gosto, em primeiro lugar, do esforço vão de originalidade que os leva a «achar» coisas extraordinárias. Uma das coisas extraordinárias que os comentadores «acham» é que os participantes nos debates (citação literal:) «falam para os convertidos». Estes comentadores «acham», portanto, que os participantes nos debates deviam, mais do que expor as suas ideias e programas, dissertar sobre, sei lá, as promessas da nanotecnologia, a situação política no Iémen, as nuvens cúmulo-nimbo e a aviação civil, os segredos da jardinagem.

Não gosto, em segundo lugar, mas acima de tudo, do enviesamento ou da cegueira. Não me incomoda que na sua confrangedora fidelidade Neves ou Pratas incensem PNS. Mas aflige-me que perante as mentiras descaradas de Mortágua (e deve-se sublinhar que «mentira», neste caso, não é ausência de verdade, mas o exato oposto dela), perante aldrabices gritantes, a generalidade dos comentadores a imagine triunfante.

Por fim, e tal como os comentadores, também eu vou «achar» coisas. Eu acho que os comentadores dos debates televisivos estão a fazer nascer um sentimento geral de que a sua intervenção é, não apenas inútil, mas sobretudo prejudicial. Eu acho que isso é péssimo para eles. Eu acho que este é mais um caso clássico do arroseur arrosé. Mas eu acho que eles lá sabem…

Os derrotados dos Açores

por José Mendonça da Cruz, em 05.02.24

Em vésperas de eleições nos Açores, o Expresso publicou uma sondagem sobre voto nacional em que concluía pelo grande sucesso do Chega, e colocava uma fotografia triunfal de André Ventura atravessado na página. O Chega subiu a votação e conseguiu 5 deputados nos Açores, mas a vitória foi da AD. Se era um prognóstico para as eleições regionais, o Expresso perdeu as eleições nos Açores.

A Sic abriu o telejornal das 13, hoje, dizendo que a AD ganhou, mas a governação depende do PS. Em peça separada, pouco adiante, a Sic garante que «o PS pode ser a chave». Por entre manipulação de dados - que só pode ser considerada desonesta, para evitar dizer que é vã e estúpida (nem com Bloco e IL o PS formaria governo) - a Sic perdeu as eleições nos Açores.

A Católica disse à RTP e ao Público, em sondagem sobre as eleições nos Açores, que o PS ia ganhar com 39% (teve 35,9 e perdeu dois deputados) e a aliança PSD/CDS/PPM ia perder com 36% (teve 42% e elegeu 26 deputados). A Católica, a RTP e o Público perderam as eleições nos Açores.

A CNN/Tvi abriu o jornal das 13, hoje, com o interrogatório a Madureira, o «Macaco» dos dragões, e os protestos da Polícia. Sobre as eleições nos Açores - ao fim de vários minutos, por fim - garantiu depois que «há dúvidas sobre a governabilidade», e que «o PS deixa tudo em aberto». A CNN/Tvi não consegue engolir que perdeu as eleições nos Açores.

A sondagem da Aximage para o Açoriano Oriental e a Rádio Açores TSF deu um empate técnico entre PS e AD: 36,6% (foi 35,9%) contra 33,5% (foi 42%). A Aximage, o Açoriano Oriental e a Rádio Açores TSF perderam as eleições nos Açores.

Aguardam-se mais erros de avaliação, manipulações e dislates.

P.S. (salvo seja) Entretanto, na Sic como na Tvi, os comentistas -- já sem sequer repararem, como rabos escondidos com o gato de fora -- continuam a perorar sobre as eleições dos Açores exclusivamente pelo ponto de vista do PS.

Assim vai....

por José Mendonça da Cruz, em 30.01.24

A Agência Portuguesa do Ambiente, que autorizou a modernização da base do Montijo para servir de aeroporto complementar ao de Lisboa, retirou a autorização de  modernização da base do Montijo para servir de aeroporto complementar ao de Lisboa, porque «as circunstâncias» se alteraram. Conviria que ficasse claro que «circunstâncias» foram essas que tanto se alteraram, não vá a gente pensar que a APA está apenas a fazer um frete à ânsia socialista de construir mais um elefante branco.

Os jornalistas que são um perigo para a democracia

por José Mendonça da Cruz, em 21.01.24

Segundo os sabujos, a oposição de direita nunca tem propostas. Se a oposição de direita tem propostas, então não estarão quantificadas. Se estiverem quantificadas, então os sabujos não vislumbram protagonistas que as implementem.

Agora que a AD tem propostas quantificadas e quadros para as implementar, os sabujos só pensam «na outra coisa», em «outra coisa qualquer» que desvie a atenção do que importa, uma presença, uma ausência, uma gaffe, um ativista qualquer com uma qualquer cretinice. Primeiro, foi a composição das listas, um passatempo das redacções para o qual a maioria dos eleitores se está borrifando. Mais recentemente, os sabujos só pensam em Passos Coelho, que tanto odiavam e agora lhes serve de arma de obscurantismo. «Onde está Passos Coelho?», «Porque é que não está Passos Coelho?», «Gostava que estivesse Passos Coelho?» E assim podem omitir todas as críticas e soluções para o estado da educação, da saúde, da justiça, da segurança, da defesa, da economia, das finanças, da carga fiscal.

Um perigo para a democracia que esta gente conheça a falência? Não, muito pelo contrário.

A «informação» que decide não informar

por José Mendonça da Cruz, em 16.01.24

A Aliança Democrática reuniu hoje com, entre outros, Manuela Ferreira Leite, António Nogueira Leite e João César das Neves para discutir o programa eleitoral. À saída, Montenegro anunciou medidas para baixa de impostos (IRS e IRC), medidas para a saúde, medidas para a educação, medidas para a habitação.

Notícias?

Às 15 horas, a Sic só teve tempo para IRS e IRC, após o que  passou adiante, pois o tema dos aguaceiros, do despedimento de Mourinho, e do vento no aeroporto do Funchal exigiam.

Às 15 horas, a CNN Portugal (a que faz taunóis de várias horas de propaganda socialista com cada ministro socialista à vez) nada disse. Noticiou a Convenção do PSD de ontem, antes dando prioridade à indemnização da ex-CEO da Tap, ao vento na Madeira, a coisas que uma Mortágua disse, e às críticas de Ventura ao PSD.

Às 16,30 a RTP3 ocupava-se da convenção de ontem, e da magna questão das listas eleitorais, uma coisa em que os «especialistas» mais obtusos se excitam, e a maioria dos espectadores nem quer saber. Sobre programa e medidas, nada!

Uma coisa é evidente: o critério noticioso de Sic e CNN vale zero. Dois canais de televisão cujo objetivo é informar informam mal ou não informam. Já o porquê de fazerem assim é discutível. Parcialidade, ignorância, incompetência, estupidez? Seja qual for a sentença, uma coisa resulta claramente, e que deveria ser considerada por estes «jornalistas» que vão acabar no desemprego, parte deles sempre sem saber porquê. Um mínimo de bom senso recomendaria que pensassem: «Pá, será que o PS nos vai salvar a todos? Os bons lugares não estarão já todos atribuídos?».

A lisura do Polígrafo da Sic é assim:

por José Mendonça da Cruz, em 15.01.24

André Ventura mostrou um video que disse ser da praça Martim Moniz em Lisboa, em Dezembro de 2023, cheia de muçulmanos, criticando a emigração de pessoas de culturas diferentes e pouco educadas. O Polígrafo da Sic considera «Falso». Não foi em Dezembro, foi em Junho.

E é esta a «defesa da verdade» e o escrutínio que a Sic faz. Depois os «jornalistas» queixam-se do desemprego, e não percebem como foi.

«Escrutínio» para os outros, bajulação para os seus

por José Mendonça da Cruz, em 07.01.24

Os jornalistas de esquerda, que são quase todos, seguem uma cartilha.

Quando um partido da oposição ao socialismo tem propostas ou, pior, propostas e a possibilidade de destronar o socialismo, os jornalistas de esquerda dizem, sucessivamente ou em alternativa:

a) que o partido de oposição criticou o socialismo, mas não apresentou propostas (mesmo que as tenha apresentado, ou elas resultem claramente dos termos das afirmações feitas);

b) caso o partido de oposição tenha apresentado e enunciado as propostas, o jornalismo de esquerda dirá que as propostas foram apresentadas, mas não os meios para as concretizar;

c) caso o partido de oposição apresente propostas e os meios para as concretizar, os jornalistas de esquerda dirão que foram apresentadas propostas e os meios para as concretizar, mas que se ficou sem saber quem poderá concretizá-las e quando;

d) se o partido de oposição disser e explicar tudo isso (o quê, como, com que meios, com que intérpretes, em que prazos), então os jornalistas de esquerda omitirão simplesmente a notícia.

Já no caso de o jornalista de esquerda ter que noticiar uma declaração, um congresso, uma promessa de um socialista, a cartilha é mais sucinta na definição de «escrutínio»: proclamar a habilidade ou, em alternativa, o carisma de quem falou, e, em todos os casos, tomar as promessas por obra feita.

Estes jornalistas de esquerda intervêm e sobrevivem sobretudo e ainda nas televisões. Nos jornais e nas rádios, ao que parece, já poucos os compram (talvez por já estarem comprados). Mas até nas televisões se vai tornando claro que os jornalistas de esquerda, na notícia como no comentário, não estão ali para informar nem para esclarecer, mas apenas para defender os seus, mas apenas para defender o seu.

A Tvi vislumbra imensas luzes aos fundos dos imensos túneis

por José Mendonça da Cruz, em 03.01.24

Na última semana morreram mais 635 portugueses do que seria normal nessa mesma semana, começa a notícia da Tvi. Mas logo a Tvi vai ouvir o ministro da Saúde, o qual a adverte que a) é preciso muito cuidado com essas análises, porque, diz ele, ainda na semana anterior tinham morrido menos do que a média; e depois explica b) que tantas mortes é coisa normal, porque foi o frio e as doenças respiratórias (tudo coisas letais, como se sabe). E pronto, assim fecha a «notícia» da Tvi.

Depois a Tvi aborda a abertura do segundo ciclo nas escolas. Os pais ouvidos -- pais de alunos sem professores ou cujos professores faltam abundantemente --, dizem que esperam melhor, e a rematar uma mãe declara que as greves são precisas. E pronto, a Tvi encerra a «notícia» declarando que se vê (não se sabe quem) luz (não se sabe qual) ao fundo do túnel (não se sabe onde).

Na TSF, no JN, no DN, andam todos muito preocupados com os baixos níveis de leitura, as baixas audiências, o risco de falência e desemprego. E, como na Tvi, ninguém imagina porquê.

É só pôr ponto final!

por José Mendonça da Cruz, em 03.01.24

Uma confortável maioria de iletrados financeiros declarou numa sondagem qualquer que a grande obra dos governos Costa foi acabar com o problema da dívida pública (a qual, imune ao escrutínio dos burros, vai subindo estratosfericamente).

O resultado dessa sondagem qualquer faz-me supor (sem espanto ou lamento) que uma confortável maioria de iletrados não apenas financeiros acreditará firmemente nestas coisas que o ex-PM anda a dizer, que alcançou enormes e ambiciosas «metas» na saúde, e na educação, e no PRR, e na descentralização, e na habitação, e em tudo o que falhou miseravelmente, e que o senhor que se segue só tem que terminar o que, afirma Costa, está praticamente feito.

Serão decerto muitos os que zurrarão de alegria.

Propaganda anti-ANA ?

por José Mendonça da Cruz, em 28.12.23

O secretário de Estado das Infraestruturas e os jornalistas da Sic que lhe dão crédito e antena devem explicar quais são especificamente as obrigações estabelecidas no Anexo 9 do contrato de concessão da ANA que a Ana não cumpriu -- segundo reza a ameaça do governo PS. O que corresponderia também à remoção de um obstáculo ao gasto de rios de dinheiro no novo aeroporto -- a cujos custos a ANA põe reservas, porque não tem dinheiro dos contribuintes para esbanjar --, na nova ponte e na nova via férrea de Lisboa. Após fácil consulta online, convém que expliquem se pensam realmente que o incumprimento dos números 12, 14 e 17 justifica a anulação do contrato. Depois, num eventual momento de menor excitação e menos cegueira, podiam explicar se concordam com um dos membros da CTI que dizia que, caso a ANA não queira Alcochete, acaba-se o contrato... e ah, sim, pois, nesse caso há indemnização -- com dinheiro dos contribuintes, dessa vez esbanjado na ANA. Era bom que os jornalistas porta-vozes das manhas do governo explicassem estas coisas bem explicadas, ouvindo a ANA, já agora, não vá alguém pensar que se está perante mais uma manobra rasca de propaganda.

 

Restos mortais de informação

por José Mendonça da Cruz, em 19.12.23

Há anos, em tempos, o Jornal de Notícias foi um jornal generalista no sentido mais honroso do termo, um broadsheet magnífico que não desaproveitava o espaço, aliás, necessitava dele. É que, além das notícias nacionais, o JN noticiava tudo o que se passava no Norte, desde um acidente de viação menor até ao obituário de um cidadão comum. Como para o antigo New York Times antes de tornar-se militante de causas, podia-se dizer do JN que se não vinha lá noticiado era porque não tinha acontecido.

Depois, como a maioria dos media portugueses, o JN diminuiu de tamanho físico e ético, para adoptar o comportamento da moda: enfeudamento à esquerda, enviesamento sem limite, agendas especiosas e adjetivadas, omissões selectivas, etc.

Há dias, na Sic, uma repórter constatava, perplexa, que a inflação era de 2% e já não de 8 ou 9%, e que, no entanto, «os portugueses ainda não o sentem na carteira», sendo, portanto, que para a repórter, quando os preços em vez de subirem 10% sobem 2% os portugueses poupam imenso.

Há dias, na mesma Sic, a notícia sobre o fecho de urgências e as filas de espera de horas nas que estavam abertas, começava com a frase: «O ministro da saúde está preocupado...» -- sendo que para a Sic a notícia era, portanto, não o caos nas urgências, mas a preocupação do Ministro.

A mesma Sic hoje, interroga-se se o ministro da Saúde quer ou não ser ministro da Saúde do próximo governo, que a Sic sonha, portanto, socialista. Na Sic, qualquer socialista tem longos minutos de antena. Já as declarações de qualquer membro da oposição são omitidas; ou então transmitidas com abundância de adjectivação e reservas; ou então atalhadas com frases do tipo: «Foi o essencial das afirmações de...»

Hoje, na TVI e na Sic, as declarações de Passos Coelho sobre o legado de Costa foram imediatamente acopladas ao comentário que sobre elas faz José Sócrates. E, não contentes, os «jornalistas» foram esperar António Costa à saída de um jantar de Natal do PS para que ele dissesse também o que pensa (e lá obtiveram a palavra «azedume», com o sorriso cínico do costume). Na RTP, por sua vez, um pivô sugeria a um entrevistado que as palavras de Passos Coelho condicionam o PSD.

E, depois, os telejornais da Sic, e da Tvi, e da RTP embebem-se no jantar de Natal do PS, espojam-se no Natal do PS, para ouvirem mais Pedro Nuno Santos, e mais António Costa, e mais quem venha ao pé de microfone satisfazer-lhes o enlevo socialista.

Na RTP3 a audiência sobre o caso EDP é anunciada em rodapé com o chamariz «três governantes ouvidos» no tribunal, sem distinguir obviamente, os que são ouvidos como testemunhas.

Nos intervalos de comentário da Sic, Ricardo Costa, irmão de António Costa, mostra-se especialmente activo na crítica à justiça no caso do irmão, e no enunciado da lista dos problemas que, segundo ele, o PSD tem.

E nos telejornais todos, os «jornalistas» excitam-se com Santos e Carneiro, com a eleição de Santos, o futuro de Santos, as visitas de Santos a oficinas ferroviárias, e as medidas que o ministro da saúde diz que teria tomado se o governo não tivesse acabado tão cedo, e as vantagens que a ministra das pescas conseguiu para as mesmas, e as descobertas do ministro da educação à última hora etc., etc., etc. E a cada crítica do PSD, da IL, do Chega, do Bloco, do PCP, os telejornais adicionam alguma réplica de algum ministro socialista. Já o que algum ministro diga, vale como ouro de lei.

Há dias, o pessoal do JN veio à rua manifestar-se contra a ameaça de despedimento, e lamentar o futuro incerto do jornal. Televisões, rádios e jornais vivem com dificuldades e subsídios socialistas (mas o CM, não. Mas o Observador, não). E isto, que há tempos me suscitaria alguma solidariedade corporativa e retroativa, deixa-me hoje indiferente. Aliás, decidi que depois das eleições, e seja qual for o resultado, deixarei de ver telejornais, deixarei de ser destinatário dessa mistura geral e abjecta de ignorância, iliteracia e parcialidade -- uma contribuição mínima, mas honrada, para a baixa de audiências.

Ontem, ao ver um filme de qualidade num canal pago, chamaram-me a atenção as várias barragens de publicidade, que ali estão seguramente, porque os anunciantes sabem que têm ali audiência. E isso alegrou-me por ver que não estou sozinho no repúdio ao que não presta, por um lado, e na adesão ao que vale a pena, por outro. 

Marcelo e os pantomineiros

por José Mendonça da Cruz, em 14.12.23

Marcelo disse hoje duas coisas duras e claras: 

1. que além de passar o assunto das gémeas ao Governo, como passa todas as petições, a sua Casa Civil deu um parecer negativo a que o caso fosse privilegiado, e

2. que, tal como não fora ele a querer ouvir a PGR, tabém não fora ele a desencadear a crise, mas sim António Costa que lhe apresentou a demissão irremediável, que ele, Marcelo, não queria.

As duas afirmações contrariam frontalmente as narrativas socialistas:

1. a de uma cunha do presidente, que, ao contrário, foi um parecer negativo. E isto estragaria o «escândalo» inflacionado até ao vómito pela malta da propaganda socialista, para distrair de todos os males e trapalhadas que o governo Costa deixa para trás, e

2. a da vitimação de um governo impoluto, que, ao contrário do que dizem as redações socialistas, toda a gente sabe que o não é.

Ora, a seguir a isto, na Sic Notícias, tivemos um espectáculo de pantomina a cargo de Ricardo Costa,  e Ângela Silva, com Bernardo Ferrão como espetador algo perplexo.

Ângela Silva ocupou-se do tema das gémeas, e, como o que Marcelo acabara de afirmar contrariava tudo aquilo que ela vinha dizendo, limitou-se a ignorar as declarações, insistindo que havia cunha, «e prontos!» Teresa Gilherme utilizava com graça a frase «Isso agora não interessa nada!», para ignorar parvoíces e passar a temas mais úteis; Ângela Silva usa o mesmo utensílio para fingir que não ouviu aquilo que a desmente inteiramente.

Depois veio Costa, o menor, defender o maior Costa. E que fez ele com as afirmações de Marcelo? Ora, o velho truque do jornalismo manhoso, pronunciar-se sobre a forma, nunca o conteúdo. E, portanto, das afirmações de Marcelo o que Costa, o irmão, retira é tão-só que o Presidente não devia falar com tanta ligeireza. «Ligeireza» nas duas afirmações contundentes de Marcelo?! Não, evidentemente, mas ao inventá-la, Ricardo Costa evita tratar o tema incómodo para o irmão António. 

E não se pode exterminá-lo?

por José Mendonça da Cruz, em 14.12.23

Rui Rio é um inimputável. Não sabe o que diz.

Se Rui Rio não é inimputável tout court ao dizer que a Procuradora-Geral da República deveria ser demitida, então Rui Rio é um inimputável político que ignora a oportunidade e as consequências políticas do que diz.

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Se Rui Rio, ainda assim, considera que intervém razoavelmente ao dizer que a crise foi provocada pela PGR, não pelo PM nem por seus próximos, então, em vez de inimputável, é burro.

 E, não sendo burro, nem inimputável, mais valia que o fosse, porque as suas proclamações mais recentes (abaixo a PGR que derrubou um governo tão bom) têm uma consequência mais evidente, a de fazer que os eleitores se perguntem: para quê votar num partido que elegeu esta criatura para seu presidente?

Lição de como ser «hábil»

por José Mendonça da Cruz, em 04.12.23

Ângela Silva deu hoje, na Sic, uma lição preciosa a todos os candidatos ao jornalismo manhoso.

Perguntada sobre o artigo de Cavaco Silva no Público, sobre as meias-verdades e as mentiras que o PS faz a propósito de dívida pública, défice orçamental, sobre «contas certas», sobre quem foi que cortou pensões e salários, sobre quem tem o recorde de subida de impostos. Em resposta sobre o que pensava do artigo de Cavaco, Ângela Silva utilizou três variações da palavra obsessão: que Cavaco intervinha obsessivamente, que tinha uma obsessão de atacar o PS, que era obsessivo no tema. E, oléops, Ângela Silva, parecendo que tratava do assunto, fugiu ao assunto e foi para a espuma: se Cavaco tem uma obsessão, se isto ajuda ou não o PSD, se isto mostra que o PSD é fraco. E, evidentemente, nada disse sobre o fundo da questão, as críticas de Cavaco que desmascaram o ilusionismo socialista.

Por isso, jornalistas que aspiram a ter o amor dos socialistas: ouçam ângela Silva e aprendam.

Pedro o não Grande

por José Mendonça da Cruz, em 03.12.23

Já sabíamos que Pedro Nuno Santos não era grande espingarda financeira quando declamou que ia pôr as pernas dos banqueiros alemães a tremer.

Já sabíamos que PNS não era grande espingarda de negócios quando comprou aos espanhóis sucata ferroviária cheia de amianto por um milhão de euros.

Já sabíamos que não era grande espingarda do siso quando, por esse mesmo «negócio»,  proclamou que todos os homens de negócios do mundo deviam aprender com ele.

Já sabíamos que não era grande espingarda do trabalho em grupo quando anunciou sozinho a construção de um aeroporto, ups, afinal não há aeroporto, ups, afinal peço desculpa, ups, afinal demito-me.

Hoje, PNS afirmou que, se necessário, fará uma aliança com PCP e Bloco, ou seja, PNS acaba de dizer aos eleitores de esquerda e extrema que não precisam de votar nele. E nós apenas confirmamos que PNS também não é grande espingarda política.

Cóltura jeral subretudo inconómica

por José Mendonça da Cruz, em 03.12.23

A repórter da Sic anuncia, entristecida, que «a inflação baixou para 1,6%, mas os portugueses ainda não o sentem na carteira».

A repórter optimista da Sic acha, portanto, que quando a inflação baixa os preços baixam.

Lembrou-me outra jornalista pessimista que, certa vez, tendo o aumento das exportações passado de 4,5% para 3%, perguntava, entristecida, ao ministro da Economia se não estava preocupado por as exportações estarem a baixar.

Esta gente sabedora, que tem acesso à antena e não dispõe de editores que disponham de uns rudimentos, acha, portanto, que se um carro levar 6 segundos para ir dos 0 aos 100 km/h, se esse carro levar 15 segundos para atingir os 200 km/h vai mais devagar.

E é esta gente que nos exclaresse e induca e enforma.

O trapo nacional

por José Mendonça da Cruz, em 30.11.23

À despedida, o governo socialista quis mudar a bandeira nacional num borrão de três cores. Porquê? Fonte oficial do gabinete do primeiro-ministro explicou ao Observador que a bandeira existente «apresentava várias fragilidades, especialmente na aplicação em plataformas digitais», que «representava uma tendência estética da década anterior», e que pretendia que a bandeira tivesse um desenho mais «inclusivo, plural e laico».

Saúda-se o primeiro passo para uma bandeira mais digna e legível. Já que é possível fugir a estéticas desactualizadas, aproveite-se para deitar fora o verde e o encarnado, e não apenas porque misturar o ecológico verde com o sangue resulta negacionista. Para ser-se «inclusivo e plural», nada como o branco, que é a junção de todas as cores. E quanto à melhor leitura «na aplicação em plataformas digitais» nada como a simplicidade de uma cruz azul (os céus, o ambiente, o ar puro, outra vez). Depois é só colocar a esfera armilar e as quinas,  devido à mera questão prática de diferenciar da bandeira finlandesa.


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