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Temos, então, na Tvi e continuando na Tvi24, o ministro soviético Pedro Nuno Santos a repor «a verdade», e a esclarecer que está a fazer um grande trabalho na TAP que, sob as ordens de António Costa, quis nacionalizar. E chama a atenção para o grande esforço de renovação da companhia aérea: já despediu 2400 pessoas, e já se livrou de mais de 20 dos cento e tal aviões. Diz que (com os milhares de milhões que saca aos contribuintes, mas de que não fala) quer salvar uma empresa que é uma grande exportadora. E era. E foi, brevemente, nos tempos d`«o privado» que ele e Costa se esforçaram por expulsar. 

Promessas que a vida faz e promessas que fazemos à vida

por José Mendonça da Cruz, em 11.07.21

Volto muito a Tom Waits e a Innocent when you dreama pensar que o que faz de um poema um clássico é a intemporalidade, e que a intemporalidade de um poema (ou de qualquer obra) consiste em ele falar connosco, e sentirmos que está tão perto, que sabe tanto das coisas e de nós, e que, no entanto, sendo tão sábio, é tão generoso e compassivo. Waits é um poeta, e Innocent é intemporal: fala dos compromissos, das promessas, das juras que fizemos à vida e aos outros, e das juras, promessas e compromissos que a vida nos fez. E que depois são quebrados, ou desaparecem desapercebidos. Waits não veio para lançar culpas, veio para inocentar, veio pela doce amargura, veio para constatar doce e agrestemente que sic transit tudo, e não apenas a glória.

O sentimento dorido, pinta-o logo com um cenário campestre e sereno -- os morcegos no campanário, o orvalho a cobrir o chão, os campos suaves e verdes -- e com o primeiro grito de alma, «onde estão os braços que me tiveram, e me juraram amor?» Passaram, são apenas memórias que ele está a roubar. Onde estão ele e os jovens amigos, que invadiram o cemitério e ali dançaram e riram, estranhos à ideia de morte, a desafiar a ideia da morte, e a comprometerem-se a nunca se separarem até morrerem? Memórias. Outro compromisso que a vida levou, só ficou o rasto da nostalgia, «um sentimento de desgosto». Onde está «a promessa dourada» feita ao seu amor -- como outro amor ausente em tempos lhe fez --, a quem ofereceu uma jóia, e depois partiu o coração? Inocente quando se sonha, proclama ele que nos inocentou. E a vida vai.

A poesia tem perto de 40 anos. Daqui a 40 anos não terá envelhecido um dia.

Lembram-se da «decisão responsável» que nacionalizou a TAP?

por José Mendonça da Cruz, em 08.07.21

A bem da memória, eis excertos do artigo de página inteira publicado no jornal Público de 20 de Julho de 2020, sobre a TAP, por António Pedro Vasconcelos, o realizador de cinema que se crê especialista de aviação civil nas horas vagas, Bruno Fialho, vice-presidente do Sindicato Nacional de Pessoal de Voo da Aviação Civil, e Luís Ferreira.

Sob o título «TAP – uma decisão responsável», os três articulistas aplaudiam a nacionalização da TAP. Declarando que «mantendo-a viva e nossa, a TAP pode e deve ser…», estes patriotas úteis enunciavam um programa. Era assim:

- que a TAP permita «que a ANA tenha e desenvolva, principalmente em Lisboa e Porto, hubs [plataformas, ou cubos da roda] aeroportuários».

- que a TAP tenha, não «o apeadeiro do Montijo», mas um novo e grande aeroporto em Alcochete, «agora mais do que imperativo».

- que a TAP seja «veículo de desenvolvimento (do) cluster da construção de infraestruturas aeroportuárias», «juntando também aí empresas e Estado».

- que a TAP seja motor de uma estratégia «na investigação e desenvolvimento de novas tecnologias e sistemas de informação, incluindo robótica». 

- que a TAP, por fim, faça «parte do cluster do hidrogénio».

Os items estavam perfeitamente alinhados com o proverbial multiplicador socialista, que -- como com as SCUTs, as La Seda, as renováveis, o hidrogénio, o aeroporto de Beja, etc. -- promete milhões por cada milhão de investimento, e produz na realidade milhões de prejuízo por cada euro lá posto.

Ora, agora que a TAP, devido ao assalto do governo socialista, sofre as consequências de, ao contrário de todas as companhias europeias, não ter beneficiado de apoios a fundo perdido;

- agora que a TAP está reduzida a uma pequena companhia regional, deficitária, financiada com milhares de milhões tirados aos contribuintes;

- agora que a TAP rifa aviões e despede milhares de pessoas...

... é natural que o ministro soviético Pedro Nuno Santos, cujo apetite por nacionalizações só é ultrapassado pela sua incompetência, esteja calado, tanto mais que contratou uma senhora especialista de uma pequena companhia francesa, que acarretará com o odioso dos despedimentos, a culpa dos prejuízos e a irrelevância da empresa.

... é natural que António Pedro Vasconcelos, que depois do seu apoio às medidas soviéticas de Costa e Santos recebeu um subsídio de 600 000 euros (mera coincidência, evidentemente) não queira voltar ao assunto.

... é natural que o sindicalista não queira que os seus representados se lembrem das coisas que dizia e prometia.

... e é natural que, como sempre, Costa afiance que não tinha percebido nada, não teve nada a ver com isso, e não teve culpa nenhuma.

Quanto aos contribuintes, que paguem. Mas, talvez, não utilizem os aviões. É que os Drs. António Costa e Pedro Nuno Santos têm vocação para a destruição de valor e o desastre.

O líder da oposição quer reforçar o governo

por José Mendonça da Cruz, em 05.07.21

O Dr. Rui Rio, cuja falta de jeito nunca faz férias, afirma que não quer a demissão de Cabrita (de um ministro), quer é uma remodelação do governo (a demissão de vários), porque está muito desgastado.

O Dr. Rui Rio quer, portanto e estranhamente, um governo socialista forte.

Com quem?

Com um primeiro-ministro e uma nova ministra da saúde que continuem a gerir tão bem a pandemia?

Com um primeiro-ministro e um novo ministro das finanças que continuem a bater recordes da dívida pública, a propagandear o que depois recusam com cativações, que garantam que a mudança para um horário de 35 horas não custa nada e depois contratem funcionarios aos milhares e aumentem a despesa corrente em  milhões?

Com um primeiro-ministro e um novo ministro da Economia que, enquanto empunham gulosamente esmolas que anseiam por levantar no banco, garantam a manutenção dos menores níveis de apoios às empresas, do aumento do desemprego, e mais elefantes brancos, e renovados e ruinosos investimentos em renováveis, e mais Estado na economia e mais crescimento medíocre?

Com um primeiro-ministro e um novo ministro da Educação feitos obreiros dos planos do sindicato dos professores, da morte do ensino privado, da inutilidade do ensino público e da avaria do elevador social?

Com um primeiro-ministro e um governo todo novo que, entre a sede de controlo e domínio, continuem necessariamente sem noção de decência, de responsabilidade, de serviço, tanto na gestão rotineira, como nos disparates recorrentes?

Será que não passa pela cabeça do Dr. Rui Rio, líder da oposição, que o mal é o governo a que deveria opor-se?

 

Berardo. Foi o motorista, outra vez?

por José Mendonça da Cruz, em 29.06.21

Eu sei que a culpa da pedofilia na Santa Casa foi do chófer da carrinha, e que a culpa da bancarrota e da ladroagem foi do Perna, e que a culpa da morte do trabalhador durante a deslocação de Cabrita foi do próprio trabalhador, da falta de sinalização, e, por fim, do motorista, mas, e agora?!

Agora, Berardo também vai ser o motorista de Sócrates, Salgado e Carlos Santos Teixeira? Ou Berardo foi -- nas trapalhadas, danças de cadeiras e malabarismos ruinosos de Opa da PT, Caixa e BCP -- apenas figurante secundário, embora bem recompensado?

Alegrias e amarguras do Euro2021

por José Mendonça da Cruz, em 29.06.21

«O grupo de Portugal era mesmo o grupo da morte. Foram todos para casa na ronda seguinte.»

Duarte Calvão

«Coitado do treinador da Suíça, pobre de saber e opções, que confiou no segundo marcador do ignoto campeonato português. É muito pior um treinador ficar no estrangeiro com jogadores que não conhece de lado nenhum (ou demasiado novos, ou que «não se enquadram», ou que deram provas que eu não vi), do que ir para casa sem usar o melhor goleador português, mas rodeado dos jogadores que conhece há 10 ou 15 anos.»

Eu

À escolha: jornalista ou papagaio

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.21

Os jornalistas que anunciam que a DGS tem telefones de contacto deviam experimentar contactar a DGS por telefone. Se não o fizerem antes do anúncio são papagaios de propaganda, não são jornalistas.

Os jornalistas que anunciam que está disponível no site da DGS um dispositivo para marcação de vacinas deviam experimentar o dispositivo de marcação antes do anúnico. Se não o fizerem, não são jornalistas, são papagaios de propaganda.

Os jornalistas que anunciam que os vacinados com AstraZeneca terão antecipada a administração da 2.ª dose deviam contactar a DGS (para o telefone ou site que anunciaram) ou o seu centro de saúde antes do anúncio, e, ficcionando um caso real, inquirir da tal antecipação anunciada. Se não o fizerem são papagaios de propaganda, não são jornalistas.

Os jornalistas que anunciam vacinações «de porta aberta» devem tentar usar a porta (tendo as condições exigidas, ou acompanhando-se de alguém que as tenha) antes de anunciarem que está aberta. Se não o fizerem não são jornalistas, são papagaios de propaganda.

Os jornalistas que anunciam que algum serviço público, alguma repartição, alguma instituição do Estado -- seja central ou autárquica -- disponibilizou algum telefone, ou site na Net, ou endereço de email para rápida solução de algum problema, devem, antes do anúnico, tentar utilizar o telefone, o site ou o endereço para verificarem a rapidez ou as facilidades que obtêm. Se não o fizerem são papagaios de propaganda, não são jornalistas.

Estou chim?! Estou aqui!

por José Mendonça da Cruz, em 19.06.21

É sempre um bom momento aquele em que os reportes televisivos proclamam, ufanos, que estão «aqui». «Aqui, de Budapeste», «Aqui, de Munique».  Surpreende-me e diverte-me sempre que os reporteres achem que poderiam estar em outro lado senão ali, onde a câmara os mostra. Lembram-me sempre o pastor do anúncio de telemóveis: «Estou chim? É pra miiimm!»

A praga

por José Mendonça da Cruz, em 18.06.21

O ministro Eduardo Cabrita lançará imediatamente um rigoroso inquérito, doa a que motorista doer, para apurar em que circunstâncias foi atropelado e morreu um trabalhador rodoviário. Isto, mesmo que os media nacionais digam que quem atropelou foi o carro (como dizem que foram camionetas, quando as guiava algum tarado do Islão). Depois, o substituto e os seus colegas já podem rolar rotineiramente a 150 ou 170 km/h, pois levam gente importante, cujo tempo conta mais do que tudo.

Sempre reverente e manhosa

por José Mendonça da Cruz, em 12.06.21

... a Sic descobre agora que a CML pode pagar uma multa de 80 milhões, como se essa fosse uma questão sequer marginalmente relevante para o caso.

O Sporting fez «Olé! Olé!» e eles marraram

por José Mendonça da Cruz, em 13.05.21

Não há jornalista desses que se imaginam mais policiescos do que a polícia e mais tiranetes do que os tiranos; não há especialista desses que já previram uma pandemia pior que a peste negra, 3 terramotos, duas chacinas, 5 ou 6 maremotos, e a constante triplicação de infeções que afinal nunca triplicam; não há comentador desses ressentidos com a vitória do Sporting e com mais apetite de penas do que um carrasco; não há ministro «excelente», nem Presidente da Câmara, nem secretário de Estado desses que nunca têm culpa de algum precalço, para onde nunca meteram um prego, e têm tudo a ver com toda a notícia boa de que não têm qualquer reponsabilidade; não há bufo, desses que aplaudem a obrigação de usar máscara, sob pena de multa (se o bufo vir, o bufo faz queixa) para quem queira passear-se no verão junto ao Tejo, ao Douro, no paredão de Oeiras a Cascais ou junto ao mar em qualquer lado; não há ninguém que não venha agora gritar «Oh horror, os adeptos do Sporting festejaram, oh tragédia, vão morrer todos infetados, oh vergonha, alguns até despiram as camisas». E não há uma alma com alguma réstea de juízo ou bom senso que faça a pergunta evidente: «Mas você está doido? É insensível? É burro? É parvo? Queria obrigar os adeptos de um grande clube a ficarem fechados em casa, quietos e calados, no dia em que ganham o campeonato que faltava há 19 anos? Senão o quê?! Prendia-os? Dava-lhes tiros? Multava-os e tirava-lhes as bandeiras e os carros? Exilava-os? Cortava-lhes a cabeça?»

E de dia 11 de Maio a 3 ou 4 semanas, a 1 ou a 8 de Junho pontualmente, lá veremos como vai o «grande pico» de infecções, «mais de 3 vezes»,  em que os grandes especialistas falham sempre (sempre sem que alguém lhes lembre) e por que todos os bufos anseiam.  

A Internacional Sócial do Pórtugal

por José Mendonça da Cruz, em 07.05.21

É justo que a Cimeira Social da União Europeia se realize em Portugal durante a presidência portuguesa. Não há hora nem lugar melhor para os Costa e os Sanchez fazerem as bocas redondas e as encherem das platitudes do costume: o social, o combate à desigualdade, os salários condignos. Junta-se um «clima» e dois «climáticos» (desses que as Gretas cantarolam e os papagaios repetem), três ou quatro «digitais» (sob forma de unicórnios e conferências), sete ou oito «modernidades» daquelas que só cá é que não chegam, e está feito o discurso. Mas como os socialistas não sabem produzir riqueza -- sabem apenas distribuí-la, até ao ponto de distribuirem o que já não é riqueza -- alguém vai ter que pagar as proclamações. Quem? Ora, a «solidariedade», a «coesão», ou, por outras palavras, os «frugais». Holanda e Alemanha, dois dos 3 países ausentes, não vieram ouvir «os nossos valores e o nosso modelo social» de Costa; depois os contabilizarão, para ver se há esmola disponível.

À noite, os sóciais vão discutir se roubam as patentes das farmacêuticas que investiram milhões para criar vacinas num calendário de emergência. Os portugueses que se libertaram das insuficiências do SNS com seguros de saúde (privados) -- que lhes permitem ser atendidos a tempo por hospitais eficientes (privados) -- talvez sintam alguma estranheza. Os outros, o que se habituaram a pedir «algum apoio do Estado» ao Estado que lhes retirou toda a esperança de ascensão social, talvez batam palmas. Na esperança de um dia terem vacinas gratuitas prometidas por Costa, orçamentadas por Leão (ouvido Centeno), formuladas por Graça Freitas, fabricadas por Temido, e distribuidas por Cabrita, com o beneplácito de quem em 2047 achar que as barragens não prestam porque deixam evaporar-se a água.

Palavras loucas (oposições moucas)

por José Mendonça da Cruz, em 30.04.21

O Primeiro-ministro apela aos municípios: preparem-se para gastar fundos, tratem já dos projetos, dos consórcios, das parcerias. À descarada.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, está indignado com os despedimentos na liquidação inevitável da TAP desde que o governo socialista e Pedro Nuno Santos a fizeram sua. Carlos Silva acha que «não é humano», e pede intervenção. De quem? Do governo.

É isto que temos, sem escrutínio, sem protesto, sem competência, e sem futuro.

Ofendidas por um lado voltam-se contra o outro

por José Mendonça da Cruz, em 26.04.21

A senhora Ursula van der Leyen fez no Parlamento Europeu um discurso aceso sobre a menorização da mulher por que passou na Turquia muçulmana, onde deram o lugar de honra a um  homem, e a deixaram sentar-se onde calhasse. A senhora Ursula van der Leyen achou, consequente e estupidamente, que isto fere o núcleo dos valores europeus, e que a Europa precisa aprender a respeitá-los. A senhora ven der Leyen foi imediatamente acompanhada de uma série de senhoras que, à vez, vieram dizer que a Europa precisa emendar-se.

Donde, a senhora van der Leyen ou é distraída ou é burra, e as senhoras que se seguiram mais ainda. A Europa não as menoriza, nem destrata, nem desconsidera nenhuma delas. Quem o fez e faz foi a Turquia muçulmana. Que é onde a senhora van der Leyen e as restantes senhoras devem ir dar lições e indignar-se. 

Basta à UEFA uma pequena norma...

por José Mendonça da Cruz, em 19.04.21

... que proíba aos clubes da Superliga Europeia a contratação de jogadores não oriundos dos clubes da Superliga Europeia.

Perna

por José Mendonça da Cruz, em 09.04.21

... e é bom, aliás, é excelente, que para devida nota dos eleitores que ainda veem, conste que Vara, Bava, Salgado, Granadeiro, etc. não iriam, segundo Rosa, a julgamento, mas o motorista Perna, sim, porque parece que não tinha licença de isqueiro.

Não é «Sócrates só vai a julgamento por 6 acusações»...

por José Mendonça da Cruz, em 09.04.21

... é «Ivo Rosa defende que Sócrates só vá a julgamento por 6 acusações». Esperem pelas decisões da Relação, que tanta estima e respeito tem mostrado pelas opiniões de Ivo Rosa

Aos seus costumes, Rosa disse que há nada

por José Mendonça da Cruz, em 09.04.21

No resumo brilhante de Gonçalo Fernandes, filho de um amigo e advogado, afirma Rosa que:

«Se há acusação esta não é válida.

Se é válida não há provas.

Se há provas foram obtidas de forma imprópria.

Se não foram obtidas de forma imprópria não são suficientes.

Se são suficientes o crime prescreveu».

Mais crê Ivo Rosa -- decerto impoluto, e, portanto, talvez com escassa experiência de vida -- que, a propósito de alegadas negociatas venezuelanas, Sócrates «como PM não podia saber os planos de outro governo». E, a propósito de alegadas negociatas envolvendo PT e Caixa Geral de Depósitos, mais considera que Sócrates não poderia influenciar decisões da Caixa porque «a decisão cabe ao Conselho de ministros e ao ministro das Finanças».

Resta, ainda assim, um resto de terramoto para Sócrates (a quem o juiz chamou corrupto), tão vigoroso a meio da leitura, e tão incomodado no fim. Mais os recursos para a Relação, porque o Ministério Público decerto não tolerará o metódico (e bastante falho e artificioso) arraso a que foi sujeito.

E apostava eu que, algures, na face gélida de Ricardo Salgado, está a despontar a sombra de um esboço de um fantasma de sorriso.

 

Pode morrer, mas não morre sisudo

por José Mendonça da Cruz, em 07.04.21

«A Vacina da AstraZeneca é segura. Perdão, a vacina da AstraZeneca não é segura. Perdão, a vacinação com a fórmula da AstraZeneca coincide com coágulos sanguíneos e óbitos, mas não está provada uma relação causal. Perdão, a vacinação com a fórmula da AstraZeneca coincide com coágulos sanguíneos e óbitos, e está provada uma relação causal. Perdão, a vacina da AstraZeneca não é segura para maiores de 65 anos. Perdão, a vacina da AstraZeneca é segura apenas para maiores de 65 anos. Perdão, a vacina da AstraZeneca não deve ser ministrada a maiores de 30 e menores de 50. Perdão, a vacina da AstraZeneca não deve ser ministrada a menores de 30. Perdão, a vacina da AstraZeneca não deve ser ministrada a crianças. Perdão, a vacina da AstraZeneca mata, mas pouco, é perfeitamente segura. Perdão, a vacina da AstraZeneca é ótima. Perdão, a vacina da AstraZeneca é ótima porque sendo baratíssima mata pouco. Perdão, eu -- que até aqui passei todos os dias e todas as horas a aterrorizar persistentemente toda a gente com todos os modelos, malabarismos numéricos e parvoíces de que me lembrei sobre o Covid -- vou agora invocar a baixíssima taxa de infeção e morte por Covid para defender a baixíssima taxa de óbitos causados pela vacina da AstraZeneca. Percebem? Gostaram? Vacinem-se com a vacina da AstraZeneca. Até podem morrer. Perdão, é pouco provável que morram. Perdão, até é giro morrer a rir ou a chorar, porque com isto não dá para morrer sério.»

Jornalismo de ouvir dizer

por José Mendonça da Cruz, em 31.03.21

«Uma novidade»: na 2.ª fase as pessoas marcam o sítio, o dia e a hora para serem vacinadas, dizem todos os telejornais. «No site da DGS», dizem eles.

Ora, agora, já não é uma questão de enviesamento; é mesmo uma questão de trabalho medíocre, de informação vazia. No site da DGS? Experimentem lá. Quando? Eles nem dizem, nem perguntaram. Quando é que começa essa vacinação a pedido? Vai começar... um dia destes... Quando é que o site da DGS «disponibiliza» o software para essas marcações? Pois, sabe-se lá, em breve...

Donde, parece-me justo fabricar esta pequena teoria da conspiração, que me parece bastante crível, e que diz assim:

A DGS já não se entende com o número de pessoas que visitaram o site, colocaram lá nome, n.º de utente de saúde, e data de nascimento, e a quem a DGS disse para aguardar um telefonema. De maneira que, como é hábito no actual tipo de governação, passou a bola: «Marquem vocês. Um dia destes. Talvez. A culpa é vossa». 



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