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E, depois, o contrafogo político da Sic

por José Mendonça da Cruz, em 22.04.19

Logo a seguir ao contrafogo literal, veio Bernardo Ferrão (outro jornalista que se suspeita ambicionar o tipo de carreira e o respetivo prémio de Nicolau Santos) com o «Polígrafo» a fazer contrafogo a quem criticar os socialistas. O «Polígrafo» diz que faz fact-checking. Eis um exemplo de hoje: António Costa recusou falar sobre pensões com um deputado do PSD poeque ele, acusou Costa, escrevera um artigo em que falava da «a peste grisalha». Ou seja, Costa usara uma expressão fora do contexto, tirada de um artigo que criticava a falta de atenção ao envelhecimento da população e a indiferença perante a velhice, para acusar um deputado de chamar «peste» aos idosos.

Costa mente despudoradamente. E para o Polígrafo e Ferrão, Costa Mente? Não, para eles Costa «diz a verdade, mas».

E, em reverência a Costa, Ferrão e a geringonça do Polígrafo dedicaram-se seguidamente a citar fora do contexto, a interpretar ao contrário, e a fazer juízos com um sorrisinho entendido sobre o que eles julgam ter sido as decisões de Bolsonaro.

Este Polígrafo serve tão bem para fiscalizar o poder socialista como um pedófilo serviria para julgar um pornógrafo infantil.

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O contrafogo da Sic

por José Mendonça da Cruz, em 22.04.19

Conhecedoras dos melhores métodos de combate aos incêndios, as empresas decelulose conseguem com notável e repetido sucesso evitar que os fogos nunca afetem mais que parcelas muito limitadas das suas florestas. O contrafogo é um dos métodos.

Poderia ser uma lição.

Mas, obviamente, a Sic prefere fazer uma reportagem sobre o mau uso do contrafogo, sobre o «contrafogo sem regras» e os que a ele recorrem sem perguntar ao Estado socialista, sem pedir licença ao Estado socialista, sem exigir «formação» do Estado socialista, sem chamar alguma comissão, ou comité, ou autoridade, ou familiar ou encartado do Estado socialista.

Nem com uma tempestade de fogo se curaria o pendor socializante, normalizador, castrante e castrado que a Sic ama e adora.

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Estas são as notícias de quem tem medo das «redes sociais»

por José Mendonça da Cruz, em 19.04.19

O retrato da imprensa alinhada está hoje nas primeiras páginas do Público e do Diário de Notícias. O primeiro, apela às «ciências sociais» para defender o seu governo das críticas de incompetência. O segundo, mais pró-activo, lança-se às canelas de quem ousou perturbar o governo dos seus amores. O medo e nojo que esta pobre gente tem ao que (estes mesmos, os autores destas peças) chama «fake news» compreende-se cada vez melhor. 

 

Título de hoje do Público:

«Combustíveis: Sociólogos alertam para aproveitamento político e excessiva mediatização»

Título de hoje do Diário de Notícias

«Quem é o advogado de Maserati que dirige os camionistas»

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O autocarro e a ridícula reivindicação da dor

por José Mendonça da Cruz, em 17.04.19

Eu já tinha reparado, ao ver os relatos televisivos no local, que nas cabecinhas dos reporteres o desastre de um autocarro turístico, na Madeira, com a morte de 28 passageiros, era fruto de dor e sofrimento, não para as vítimas, sobreviventes ou mortos e respetivos familiares, mas para a Madeira e os madeireses. Estava eu intrigando-me sobre isto, quando vem uma pessoa normalmente serena e inteligente, Guilherme Silva, reafirmar isso mesmo: que o desastre trazia o pesar e a dor à ilha. Ainda perplexo, ouvi o primeiro-ministro manifestar pesar aos madeirenses (aos madeirenses!) e o Presidente da República declarar que o desastre faz sofrer madeirenses e magoa e cala fundo no coração dos portugueses.

E eu, que tenho um coração pouco empedernido, mas que já seria cinza se cada acidente de viação lhe calasse fundo, constato, alarmadíssimo, que para os repórteres, e o deputado pela Madeira, e o primeiro-ministro, e o Presidente da República, portanto, sofrem menos os alemães que morreram ou ficaram feridos e respetivas famílias do que o cenário do desastre e os residentes no mesmo.

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Mais «genuine news» a assobiar para o ar

por José Mendonça da Cruz, em 06.04.19

O presidente e quatro funcionários da Câmara de Vila Viçosa foram condenados por peculato. Usaram dinheiros públicos para fins só deles. O presidente, comunista, gastou dinheiro dos contribuintes, comprou meios e dispensou funcionários para fornecer gente a uma manifestação da CGTP, em Lisboa, contra o Governo de Passos Coelho.

Porque é que na notícia do jornal das 20 da Tvi, hoje, não há uma referência ao partido dos condenados, nem ao organizador da manifestação, mas apenas a «uma manifestação» contra  «o governo Passos Coelho»?

Que «valor informativo» é que se alevanta para impedir a Tvi de informar?

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As «genuine news» das «fake news»

por José Mendonça da Cruz, em 27.03.19

Esta forma de desgoverno a que uns chamam «nepotismo», outros «endogamia», outros «ceia de Natal», outros «reunião de padrinho e capi», vem sendo denunciada nas redes sociais (as tais que os nepotes consideram perigosas) e nos blogs (que os serventes do poder acusam de fake) há vários meses. É consolador e engraçado verificar que, embora de mau grado e com demora, os media tradicionais tiveram que abordar o assunto. É tal e qual como eles pensam e até já dizem: a Internet compromete a unanimidade dos lacaios; que pena a Internet não estar mais vigiada.

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Um grande livro e uma grande tristeza

por José Mendonça da Cruz, em 19.03.19

Estou a traduzir um grande livro de um grande autor, livro do ano para muita imprensa realmente de referência, uma obra magnífica de história e literatura, que em outubro se verá. É um trabalho tão difícil e compensador quanto são compensadores os trabalhos difíceis. (Isso aí foi uma habilidade retórica, e diz-vos quem é o retratado.)

Dois reparos, apenas -- estranhos ao livro, ambos.

É útil o corrector ortográfico (o «corretor», será? Ou esse é só o da Bolsa?) para nos lembrar que nos esquecemos de uma vírgula. Mas de resto, que vastidão espantosa a da lacuna do instrumento! As coisas que ele ignora, ou julga que sabe, as palavras que  o deixam perplexo, e as que julga que estão erradas... O corrector ortográfico convence-me do triunfo da ignorância.

E depois, há essa coisa vil do acordo. Já não falo do «aspeto» e do «espeto», nem da «recessão» e da «receção», nem do ar estúpido dos meses reduzidos à minúscula. É pior, é a redução à incultura, o alheamento em relação às raízes, o desfiguramento, a falta de justificação e jeito deste português expeditamente acordado, pedestre, feio na página.

O acordo ortográfico convence-me do triunfo da mediocridade.

Estou a traduzir um grande livro de um grande autor, do inglês culto para o português equivalente («rente ao texto», como recomendava Sophia Andersen).

Depois, despeja-se-lhe o acordo em cima, e ele distorce-o torpemente. 

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Deixem o Titanic navegar!

por José Mendonça da Cruz, em 18.01.19

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Há a seguinte tese sobre o Titanic:

- que mesmo que a meteorologia tivesse avisado sobre a existência de icebergs e sua localização;

- que mesmo que o imediato, e o contramestre, e o patrão nas máquinas, e os marujos todos soubessem da existência de um iceberg, e da localização dele na rota exacta do navio;

- e que mesmo que todos os passageiros, ou metade, ou um terço soubessem de fonte segura que havia icebergs e os icebergs estavam na rota exacta do navio;

...que ainda que tudo isso acontecesse, o comandante do navio devia ser deixado em paz, para continuar a comandar serenamente o navio até ao iceberg que o esperava na rota exacta que seguia.

Mais de 50% da tripulação e passageiros do PSD votaram para deixar o comandante seguir a rota que vem seguindo. O Titanic sulca os mares na sua rota, serenamente.

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Parvoíces mascaradas de notícias

por José Mendonça da Cruz, em 29.12.18

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Esta é uma fotografia de 2008, e - a acreditar no que se disse agora da viagem de Trump ao Iraque - mostra Obama, ainda senador, «a fazer campanha eleitoral junto das Forças Armadas».

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Esta é uma fotografia de 2012, e mostra a primeira dama, Michelle Obama - segundo o que se diz agora da viagem de Trump ao Iraque - «a fazer campanha eleitoral junto das Forças Armadas» nos EUA.

A primeira fotografia também mostra - segundo o que se diz agora da viagem de Trump ao Iraque - Obama a revelar as caras de soldados em localizações e missões secretas.

Seguidamente, alguns pormenores que era fácil verificar, mas os palermas de serviço nos media não verificaram, porque leram a Newsweek ou o Guardian e ficaram muito excitados:

- toda a gente sabia que há Navy Seals no Iraque; a sua presença não é secreta (covert); se fosse «covert» nunca apareceriam, nem perante o presidente, porque «covert» significa a possibilidade de negar a autoria de qualquer acção ou sequer a presença;

- os militares que aparecem junto a Trump na foto do seu tweet não são Seals, são da 3ª divisão de infantaria;

- e sim, é claro que depois de criticarem Trump por nunca ter visitado tropas americanas destacadas para teatros de guerra, os media das fake news necessitavam agora de criticar Trump por ter visitado tropas americanas destacadas para teatros de guerra. Passarão a seguir para a «construção do muro» que, no entanto,  já está meio construído por Clinton e Obama. Estes jornalistas estão próximos em sagacidade e conhecimento daquele rapper que comparava o muro EUA/México ao Muro de Berlim «construído pelos nazis», ou da infeliz que o comparava à muralha de Adriano (a qual, para infortúnio dela, serviu integralmente os seus propósitos).

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Auto Europa - está a ir, vai, foi-se ?

por José Mendonça da Cruz, em 13.12.18

Será verdade que decorrem «negociações ao mais alto nível», ou seja, entre Costa e o director-geral da VW, para que a Auto Europa não feche?

Será verdade que o último automóvel sairia da linha de montagem às 24 horas de hoje, quinta feira, após o que a fábrica encerraria por 20 dias?

Será verdade que, pendendo as altas negociações, essa data foi adiada para as 24 horas de sexta-feira?

Será verdade que os motores já deixaram de ser enviados para Portugal, e vão antes para a nova fábrica no Norte da Alemanha, visto que a VW tem cerca de 50 milhões de euros paralisados em Setúbal, e os correspondentes clientes sem carros?

Será verdade que todos os fornecedores de peças já foram informados para não enviarem mais nada?

Será verdade que um dos equipamentos mais caros -- uma das duas prensas de peças da carroçaria -- já foi desmontada e enviada para a Alemanha?

Será verdade que não se ouve, lê, nem vê uma notícia?

 

 

 

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Algumas diferenças...

por José Mendonça da Cruz, em 23.11.18

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Quem quiser assistir a um exercício de inteligência, pensamento abstracto, cultura e senso político deve seguir este debate realizado pelo Observador não apenas sobre touradas, mas sobretudo sobre civilização e política, com especial recomendação para a intervenção de Jaime Gama, a partir do minuto 3.20. Depois, para melhor enquadramento e inevitável tristeza, deve pensar que Gama foi ministro da administração interna em 1978 ( e agora o ministro é Eduardo Cabrita), que Gama foi presidente do grupo parlamentar do PS em 1991 ( e agora o presidente é Carlos César), e que Gama foi presidente da AR em 2005 (e o presidente da AR agora é Ferro Rodrigues).

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A geringonça é que nos dá o que Salazar recomendava

por José Mendonça da Cruz, em 21.11.18

O «milagre económico» é como o «fim da austeridade» e a «redução da carga fiscal» – não existe. Portugal é pobre e está em vias de empobrecimento relativo. As políticas socialistas garantem-nos, digo eu no Observador, a modéstia, a renúncia e a pobreza que o Dr. Salazar nos aconselhava.

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Mentira, censura, subsídio... e a abulia da direita

por José Mendonça da Cruz, em 06.11.18

«...A esquerda política e jornalística sim, quer calar as vozes que a critiquem ou contrariem, nos media e nas redes sociais. A esquerda política e jornalística quer a censura em nome da "democracia".» Estes e mais uns considerandos no Observador

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O grau zero da informação

por José Mendonça da Cruz, em 25.10.18

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Hoje, no Jornal das 8 da Tvi, chegou-se a novas profundezas de incompetência e desorientação. Judite de Sousa entrou em directo para anunciar que estava numa situação «absolutamente inédita». E que situação «absolutamente inédita» era essa? Apenas o facto de estar, em directo, a dois metros do candidato Jair Bolsonaro, que dava a última conferência de imprensa antes das eleições presidenciais de domingo no Brasil. Judite estava (tinha ali um furo jornalístico, mesmo), mas, pelos vistos, não sabia nem percebia nada de nada.

Fez Judite de Sousa alguma pergunta?

Não.

Esperou Judite de Sousa que o candidato terminasse e outros fizessem perguntas?

Não

Permitiu, ao menos, Judite de Sousa que se ouvisse o que dizia o candidato?

Não.

De costas para o candidato, falando em surdina, pálida e franzida, queixou-se apenas da sua situação, após o que passou a emissão para uma reportagem da chegada do filho de Bolsonaro, gravada horas atrás, a uma reunião com Paulo Marinho.

Do estúdio, José Alberto Carvalho passou depois a emissão para Victor Moura Pinto, que opinou sobre as hipóteses de Haddah e deu parte de um comício, gravado, do PT.

Estes apontamentos congelados foram sendo acompanhados das imagens de Bolsonaro, a falar em directo e perante Judite (de costas), obviamente sem som. 

Em anos de jornalismo e de atenção à profissão este foi, sem dúvida, o momento mais ridículo, incompetente e vergonhoso a que me foi dado assistir. Digo ridículo, incompetência e vergonha porque não posso crer nem por um segundo que se tratasse de enviesamento ou incómodo ideológico -- manifestá-los dessa forma seria demasiado estúpido até para a própria estupidez.

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As memórias que faltam

por José Mendonça da Cruz, em 24.10.18

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 Só se fala de Cavaco, o ex-presidente em cujas memórias surgem bastas queixas sobre o actual e lamentável primeiro-ministro, esse mesmo primeiro-ministro cujo futuro ele, Cavaco, garantiu ao marcar eleições para um momento em que já não podia dissolver a Assembleia e convocar novas eleições. É um livro acabado de sair, cheio de interessantes bisbilhotices e autojustificações, eu sei... mas as memórias que gostaria de ler, a vida que realmente me intriga é a de Francisco Pinto Balsemão, o magnata da comunicação social. Gostaria, nomeadamente de saber, por que vias e motivações o antigo líder do PSD, o antigo primeiro-ministro, criou uma colecção de orgãos de (digamos assim) informação -- Sic, Expresso, Visão, etc. -- que constituem , hoje, o abono de família da esquerda, e cuja linha editorial consiste, resumidamente, em promover o socialismo cá e em todos os países estrangeiros, calando tudo o que possa diminui-lo ou contrariá-lo, e atacando com notícias verdadeiras e sobretudo falsas todos os adversários ou opositores.

Hoje, a propósito de bombas enviadas para personalidades do Partido Democrata americano, a Sic, depois da reportagem, ouviu o seu correspondente em Washington, Luís Costa Ribas, a quem perguntou se os investigadores já tinham descoberto os autores do atentado. E Ribas, depois de confirmar que os investigadores nada tinham dito ainda, acrescentou que os atentados eram certamente de autoria de apoiantes de Trump. Seguidamente, desesperada com as preferências da maioria do eleitorado brasileiro, a Sic dedicou vários minutos a propaganda pró-Haddad e anti-Bolsonaro. Em resumo: as invenções de um palhaço, seguidas de propaganda pêtista. É a Sic.

No combate aos adversários do socialismo, o Expresso, por seu lado, mostra-se capaz, até, de ir às bruxas, como se vê. E logo após consultar as bruxas, o autor da pecinha faz sobre o seu detestado juiz alguns considerandos meio tontos, cuja fiabilidade vos convido a confrontar com a seriedade e o tom do blog do Supremo Tribunal americano ou com o teor das intervenções reais de Kavanaugh que podem consultar nesta transcrição.

A Visão e o Expresso, sendo semanais, optam por temas de longo prazo. Expresso e Visão (que embora vendida a Delgado, mantém a linha do criador) mostram agora grande nervosismo e atenção ao que chamam fake news (no que os julgo acompanhados por Sic, Público, Tvi, DN, e demais orgãos de desinformação nacionais). «Fake news», na acepção do Expresso e da Visão (e da Sic, e de... etc.) não são notícias falsas,como a tradução faria supor; são, sim, todas as notícias que contrariem a narrativa pró-socialista, politicamente correcta, conformista e conformadora que produzem, e todas as notícias que desmascarem as omissões e os processos da desinformação. As «fake news», nesta curiosa acepção, são emitidas exclusivamente pelos «fassistas» que ExpressoVisão ( e Sic e... etc.) vislumbram em todo o lado. Ou, a contrario: para este tipo de centrais de intoxicação, quando uma jovem brasileira apoiante de Haddad diz que apoiantes de Bolsonaro a agrediram e lhe gravaram uma suástica no pescoço, isso é notícia; quando se descobre que a piquena se automutilou para acusar os eleitores de Bolsonaro, como ficou provado que aconteceu, isso nem é notícia, nem torna fake a «notícia» anterior.

As redacções de Sic, Visão, Expresso, etc. sabem, evidentemente, que este tipo de «jornalismo» abre boas perspectivas de futuro. Por enquanto, abre. Como abriu a Nicolau Santos, o jornalista que previu que «cai(u) a pique» o défice durante o governo de Sócrates -- o qual em vez disso disparou para 11% -- ; ou que proclamou que o «FMI já não vem» -- o qual veio semanas depois-- ; ou que atacou o governo de Passos Coelho com a ajuda de burlões; ou que celebrou vitórias socialistas que só ele vislumbrou. Por suas acções meritórias, Santos ganhou a presidência da Lusa, uma agência de...

O que me traz de volta às memórias. Eu anseio por ler as memórias de Balsemão. Como, porquê e para quê, com que intenções ou desgostos ou benefícios decidiu o Dr. Balsemão constituir e desenvolver a maior e mais zelosa central portuguesa de promoção e defesa do socialismo, contra todos os factos e adversários. Terá sido por gosto, ou por convicção, ou por projecto de poder ou popularidade, ou a contragosto, ou por pragmatismo? Não sei. Gostava de saber. A mim, ter-me-ia dado urticária ou algum outro problema de pele.

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Como o jornalismo de causas português vai mudar o Mundo todo

por José Mendonça da Cruz, em 19.10.18

O Público online de hoje denuncia «o clima de intimidação, de violência e de perseguição» imposto por Bolsonaro e os terríveis 60% de eleitores que o apoiam. Celebra, também, o facto de o PT pedir a impugnação da candidatura de Bolsonaro, caso a que também dedica uma coluna de opinião. E publica ainda uma crónica de um tipo qualquer que se diz «infiltrado» num grupo de apoio a Bolsonaro, infiltração que lhe permite garantir que 99% das notícias promovidas pelo grupo são falsas.

O DN diz que Sonia Braga, Caetano Veloso e mais uns artistas exigem que o tribunal se explique sobre fake news de Bolsonaro, porque acham que andam umas empresas estrangeiras a pagá-las. O DN titula ainda que «Haddad e Ciro vão pedir impugnação de candidatura de Bolsonaro».

E há uma semana o Expresso esclarecia-nos em chamada de primeira página: «Portugueses contra Bolsonaro». Não eram os 10 milhões todos, eram só uma ou duas «personalidades, sobretudo da cultura».

O Brasil está, portanto, salvo. Foi seguramente por estarem concentrados nessa tarefa patriótica que os mesmos orgãos de «informação» se esqueceram de salvar a Venezuela da devastação homicida de Maduro (o Haddad dos venezuelanos), ao menos com uma noticiazinha.

 

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Medo, ódio e fúria

por José Mendonça da Cruz, em 17.10.18

Visto que a governação medíocre e imprudente afinal é muito hábil; visto que Catarina Martins é uma luminária e as manas Mortágua grandes figuras; visto que os homens de Sócrates são o melhor governo de sempre e Galamba um secretário de Estado... visto tudo isso, mas apesar disso, o Observador teve a bondade de publicar hoje um artigo meu. Visto o que fica escrito acima será um artigo «extremista», «populista» e «facista» mesmo.

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Ases pelos ares

por José Mendonça da Cruz, em 13.10.18

 A cobertura noticiosa do terrível ciclone, aliás tempestade, aliás vento... é uma parábola do jornalismo português: reportagens veementes, excitadas e em directo de acontecimentos que, afinal, não sobrevieram; o desenvolvimento de boas histórias a que só falta serem reais.

Quanto à Protecção Civil demontra mais uma vez que é tão excelente a alarmar como óptima a desproteger.

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Há semanas o Dr. Marques Mendes determinou que os eleitores brasileiros deveriam eleger Fernando Haddad, do PT, para presidente da República, porque tendo em conta a alternativa Bolsonaro, Haddad seria o mal menor. Pormenor despiciendo: os brasileiros discordam. Então, ontem, o Dr. Marques Mendes determinou o reverso da sua opinião: disse que a rejeição do PT (que ele menosprezara) era tal, que Bolsonaro seria eleito, mas por essa única razão.

O Dr. Marques Mendes é um homem inteligente, mas vive e pensa num círculo muito restrito. Pode-se chamar-lhe oligarquia, ou círculo dos old boys, ou meio político. Esse círculo normalmente restrito tem, em Portugal, a pequenez correspondente à pequenez do país, mas fechou-se no mesmo casulo em que se fechou a oligarquia de EUA, Brasil, França, Alemanha, Itália, Áustria.

  

O Dr. Marques Mendes e seus amigos nacionais e internacionais convivem, conhecem-se, e têm uma enorme admiração pela inteligência uns dos outros. Ouvem-se, portanto, muito e reciprocamente. E ouvem muito pouco tudo o que se pense ou diga ou, aliás, aconteça, fora do círculo. Fundamentalmente, as coisas estão muito bem como estão. E em cada medalha vêem verso e reverso, mesmo quando não há medalha nenhuma. Fazem assim com Portugal, fazem assim com os EUA, fazem assim com o Brasil.

O PT transformou-se num coito de corruptos, tiranetes e ladrões? Sim, mas Haddad terá que flectir para o centro se quiser ser eleito.

As cidades brasileiras transformaram-se em selvas de bandidagem e homicídio, medo e insegurança? Sim, mas temos que ter atenção aos condicionalismos sociais.

As empresas públicas transformaram-se em centros de prejuízos, compadrio, roubo e incompetência? Sim, mas terá servido de lição.

A crise económica persiste, a dívida pública dispara e o elevador social avariou? Sim, mas devemos considerar as melhorias em sectores mais desfavorecidos.

 

O centro, a oligarquia, os old boys usam da mesma complacência para questões igualmente graves em países cujos eleitorados mostram sinais de igual cansaço.

O terrorismo, a insegurança, a imigração descontrolada, a recusa de assimilação, os conflitos culturais? Temos que nos mostrar melhores, temos que ser acolhedores, temos que ser multiculturais.

A concorrência internacional desleal e a falência de sectores nacionais inteiros? Temos que nos reinventar.

A perda de poder político e económico, a estagnação? Sim, mas a história, a cultura milenar...

 

Mas perante inevitabilidades como um Trump ou um Bolsonaro, ei-los que ficam perplexos. Primeiro, atiram epítetos:  fascista, xenófobo, desclassificado, extremista, inimigo da democracia! Depois, ofendem os eleitorados: deploráveis, ignorantes, retrógrados -- e recusam-se a compreender como e porquê. Por fim, perante resultados (como, por exemplo, os que Trump prometeu e cumpriu em termos de crescimento económico, investimento, baixa de impostos, emprego, política externa e renegociação de acordos comerciais) refugiam-se no silêncio ou na discussão de um penteado, um gesto de mão, um tweet.

O Dr. Marques Mendes e os seus amigos nacionais e internacionais refastelaram-se na armadilha do centro. Fazem como Boris Vian dizia que Proust fazia: vão bebendo golos da água do banho de imersão em que se confortam. O mundo que pula e avança é que já não é o deles.   

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O PT dá a cartilha.

por José Mendonça da Cruz, em 04.10.18

A Globo escreve hoje que a subida das intenções de voto nas presidenciais brasileiras em Jair Bolsonaro causou divergências no PT. Nomeadamente:

«Uma das propostas discutidas, segundo relato de um integrante da campanha ao blog, era a de pregar que, se eleito, Jair Bolsonaro faria "com uma ditadura" o que Temer "não conseguiu com a democracia": as chamadas reformas estruturais. Mas, o PT se recusou, porque quer manter a narrativa de que já vivem um "golpe" após a prisão de Lula.»

Pronto, rapaziada da Sic, Tvi, DN, Expresso, etc. já têm aqui a cartilha para o quê e como «noticiar».

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