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Medo, ódio e fúria

por José Mendonça da Cruz, em 17.10.18

Visto que a governação medíocre e imprudente afinal é muito hábil; visto que Catarina Martins é uma luminária e as manas Mortágua grandes figuras; visto que os homens de Sócrates são o melhor governo de sempre e Galamba um secretário de Estado... visto tudo isso, mas apesar disso, o Observador teve a bondade de publicar hoje um artigo meu. Visto o que fica escrito acima será um artigo «extremista», «populista» e «facista» mesmo.

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Ases pelos ares

por José Mendonça da Cruz, em 13.10.18

 A cobertura noticiosa do terrível ciclone, aliás tempestade, aliás vento... é uma parábola do jornalismo português: reportagens veementes, excitadas e em directo de acontecimentos que, afinal, não sobrevieram; o desenvolvimento de boas histórias a que só falta serem reais.

Quanto à Protecção Civil demontra mais uma vez que é tão excelente a alarmar como óptima a desproteger.

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Há semanas o Dr. Marques Mendes determinou que os eleitores brasileiros deveriam eleger Fernando Haddad, do PT, para presidente da República, porque tendo em conta a alternativa Bolsonaro, Haddad seria o mal menor. Pormenor despiciendo: os brasileiros discordam. Então, ontem, o Dr. Marques Mendes determinou o reverso da sua opinião: disse que a rejeição do PT (que ele menosprezara) era tal, que Bolsonaro seria eleito, mas por essa única razão.

O Dr. Marques Mendes é um homem inteligente, mas vive e pensa num círculo muito restrito. Pode-se chamar-lhe oligarquia, ou círculo dos old boys, ou meio político. Esse círculo normalmente restrito tem, em Portugal, a pequenez correspondente à pequenez do país, mas fechou-se no mesmo casulo em que se fechou a oligarquia de EUA, Brasil, França, Alemanha, Itália, Áustria.

  

O Dr. Marques Mendes e seus amigos nacionais e internacionais convivem, conhecem-se, e têm uma enorme admiração pela inteligência uns dos outros. Ouvem-se, portanto, muito e reciprocamente. E ouvem muito pouco tudo o que se pense ou diga ou, aliás, aconteça, fora do círculo. Fundamentalmente, as coisas estão muito bem como estão. E em cada medalha vêem verso e reverso, mesmo quando não há medalha nenhuma. Fazem assim com Portugal, fazem assim com os EUA, fazem assim com o Brasil.

O PT transformou-se num coito de corruptos, tiranetes e ladrões? Sim, mas Haddad terá que flectir para o centro se quiser ser eleito.

As cidades brasileiras transformaram-se em selvas de bandidagem e homicídio, medo e insegurança? Sim, mas temos que ter atenção aos condicionalismos sociais.

As empresas públicas transformaram-se em centros de prejuízos, compadrio, roubo e incompetência? Sim, mas terá servido de lição.

A crise económica persiste, a dívida pública dispara e o elevador social avariou? Sim, mas devemos considerar as melhorias em sectores mais desfavorecidos.

 

O centro, a oligarquia, os old boys usam da mesma complacência para questões igualmente graves em países cujos eleitorados mostram sinais de igual cansaço.

O terrorismo, a insegurança, a imigração descontrolada, a recusa de assimilação, os conflitos culturais? Temos que nos mostrar melhores, temos que ser acolhedores, temos que ser multiculturais.

A concorrência internacional desleal e a falência de sectores nacionais inteiros? Temos que nos reinventar.

A perda de poder político e económico, a estagnação? Sim, mas a história, a cultura milenar...

 

Mas perante inevitabilidades como um Trump ou um Bolsonaro, ei-los que ficam perplexos. Primeiro, atiram epítetos:  fascista, xenófobo, desclassificado, extremista, inimigo da democracia! Depois, ofendem os eleitorados: deploráveis, ignorantes, retrógrados -- e recusam-se a compreender como e porquê. Por fim, perante resultados (como, por exemplo, os que Trump prometeu e cumpriu em termos de crescimento económico, investimento, baixa de impostos, emprego, política externa e renegociação de acordos comerciais) refugiam-se no silêncio ou na discussão de um penteado, um gesto de mão, um tweet.

O Dr. Marques Mendes e os seus amigos nacionais e internacionais refastelaram-se na armadilha do centro. Fazem como Boris Vian dizia que Proust fazia: vão bebendo golos da água do banho de imersão em que se confortam. O mundo que pula e avança é que já não é o deles.   

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O PT dá a cartilha.

por José Mendonça da Cruz, em 04.10.18

A Globo escreve hoje que a subida das intenções de voto nas presidenciais brasileiras em Jair Bolsonaro causou divergências no PT. Nomeadamente:

«Uma das propostas discutidas, segundo relato de um integrante da campanha ao blog, era a de pregar que, se eleito, Jair Bolsonaro faria "com uma ditadura" o que Temer "não conseguiu com a democracia": as chamadas reformas estruturais. Mas, o PT se recusou, porque quer manter a narrativa de que já vivem um "golpe" após a prisão de Lula.»

Pronto, rapaziada da Sic, Tvi, DN, Expresso, etc. já têm aqui a cartilha para o quê e como «noticiar».

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Estamos assim...

por José Mendonça da Cruz, em 03.10.18

No intervalo da coisa a que chama Jornal, a Sic anuncia uma grande reportagem. O tema: «Nos labirintos do capitalismo as más acções têm caras».

No intervalo da coisa a que chama Jornal, a Tvi anuncia, orgulhosa, uma «entrevista exclusiva» com Haddad, após o que passa uma conversa de rua em que o candidato que representa Lula à frente do gangue do PT compara Bolsonaro a Salazar.

Nas duas coisas a que chamam Jornal, Sic e TVi dizem (provavelmente recitando uma nota da Lusa) que Trump fez troça da mulher que acusa de assédio o juiz Kavanaugh, nomeado para o Supremo Tribunal dos EUA. Trump não fez troça; repetiu as afirmações da acusadora: foi assediada mas não se lembra de onde, nem de como lá foi ter, nem como regressou a casa.

Nem Sic nem Tvi noticiaram como esta acusação começa a ficar descredibilizada, nem a completa descredibilização de outras acusações contra Kavanaugh; como não noticiaram os resultados da renegociação do NAFTA para o interesse nacional americano, nem o crescimento económico acima dos 4%, nem os níveis de emprego recorde, nem o que a reforma fiscal devolveu aos agregados familiares da classe média. Amanhã, esperam eles, terão algo escandaloso para «noticiar» sobre a laca que Trump usa.

Não há como os travestis de jornalistas para proclamar que as críticas aos media «fazem perigar a democracia». Não fazem. Mas o travesti de jornalismo praticado por estes media, sim, além de ridículo, fá-la perigar. Embora seja muito eficaz na propaganda e promoção de todas as acções (e em todas as omissões)que nos conduzam ao lugar de mais pobre país da UE.

 

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Regras simples para arranjar má imprensa

por José Mendonça da Cruz, em 25.09.18

A economia dos EUA está a crescer 5%; a reforma fiscal aprovada deu a uma família de classe média com um filho um corte de impostos que se traduz num aumento de rendimento anual de mais de 2200 dólares, mais de 180 dólares por mês (não é 1 dólar, como nos aumentos de pensões cá, é 180); a taxa de emprego dos afro-americanos bateu todos os recordes; o Estado Islâmico, que Obama fez nascer, deixou de existir. O pária Coreia do Norte senta-se à mesa das negociações. Eis por que razão as notícias sobre Trump nos media portugueses têm a ver com o penteado e se dá ou não a mão a Ivanka.

Já no Brasil, e segundo os media portugueses, Bolsonaro é fascista (claro!) e racista (evidentemente!) e homofóbico (com certeza!). No entanto, havendo realmente jornalistas e imprensa realmente livre no Brasil, podemos ter uma ideia mais clara de quem é Bolsonaro, aqui, e podemos ter a certeza de que nunca ouviremos falar do seu braço direito e talvez ministro da economia, Paulo Guedes, porque pensa e fala assim .

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Brown noses

por José Mendonça da Cruz, em 25.09.18

Há hoje nas redacções dos media portugueses, e também muito nas respectivas chefias e direcções, abundância de criaturas que adoptam surpreendentemente a denominação de jornalistas. O dever do jornalista, o cerne da sua profissão, consiste em informar. Não é o objetivo das criaturas. As criaturas querem dar a «informação» que convém às suas convicções -- calando o resto -- e aos seus ídolos, na medida em que as criaturas julguem que essa «informação» lhes convém.

Ontem, a Tvi entrevistou uma senhora qualquer com sotaque e um ar arremelgado ao tipo de Raquel Varela (e apresentada como «especialista em assuntos internacionais», daqueles), que disse, sem contestação, que dos portugueses presos na Venezuela não se pode falar, porque isso é da justiça; que há muitos países a ajudar o regime venezuelano, por exemplo Cuba; e que a oposição venezuelana é torpe.

Hoje, a Sic fez no seu jornal um elogio ao ministro Azeredo Lopes, por ter dito que «em última análise nem tinha havido roubo» em Tancos. Lopes, inculcava a Sic, é fantástico porque já via tudo.

Há, nos Estados Unidos, uma expressão brutal (e brutalmente certeira) para designar essa gente que sai do caminho e se dá a todos os esforços para louvar e apoiar os mandantes que ama: brown noses.

Abstenho-me de explicar o significado da expressão, mas deixo-vo-la para que lhe admirem a justeza,

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 Rui Rio não é apenas um político medíocre. É um político com propostas e convicções empobrecedoras. Posso dizer isto do alto da insignificância do meu voto singular. Mas posso também esperar e desejar (e espero e desejo veementemente) que este homem -- que como líder do PSD já demonstrou em poucos meses mais nojo à iniciativa privada do que o Bloco e mais avidez de novos impostos do que o PS -- consiga o pior resultado de sempre do PSD nas legislativas. Desejo-lhe um desastre eleitoral. Desejo-lhe com inteira sinceridade um resultado vergonhoso, para ele e para o seu partido. Desejo-lhe uma morte política o mais humilhante possível. E a quem o escolheu como líder.

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O fogo segundo o DN

por José Mendonça da Cruz, em 13.08.18

Podemos ficar descansados, o chamado Diário de Notícias consultou ontem um pastor e a Quercus e descobriu os culpados do maior incêndio europeu do ano. São, respetivamente, o eucalipto, Das Kapital, e o anterior governo. Os 10 leitores do DN gostaram muito.

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O Balido dos Culpados

por José Mendonça da Cruz, em 08.08.18

Ouviste o que disse o pastor, ovelha? Monchique confirma o sucesso. Arderam mais de 20 mil hectares, arderam casas e carros, mas não importa, é uma exceção, foi um sucesso. Não viste o pastor nutrido apontando o mapa no ecrã, garboso e ativo no domicílio de férias, no comando do teu destino? Viste? O sucesso foi ele. Diz que amas o pastor, ovelha, prova que o amas verdadeiramente. Bale agora, ovelha:

«Méééééééééééééééé»

Foste tu, acaso, ovelha, uma das que foram arrancadas a uma casa em Monchique (por vezes, 5 vezes -- ou 100, ou nenhuma, é a mesma coisa --, como uma família irlandesa) e metida num redil, não fosses arder como os 100 de Pedrógão? Dobra as mãozinhas em vénia, ovelha, faz o que te mandam, como votaste e gostas. Recolhe. Que importam a tua casa, as tuas árvores centenárias,o teu carro, as tuas alfaias, a tua fabriqueta sem importância, as tuas coisas, as tuas fotografias e recuerdos. Essa treta leva-a o vento, nem fica rasto de notícia nos media de reverência. Mas se ardesses, como os de Pedrógão, já não havia exceção nem sucesso, até a reverência dos media lá teria que ficar brevemente (o mais brevemente possível) posta entre parêntesis. De maneira que agradece, ovelha. Vá, fala:

«Mééééééééééééééé»

Mas terás tu, por absurdo, ovelha, alguma desconfiança, algum reparo sobre o descontrolo de Monchique, quererás tu aventar, ovelha, menoridades sobre a total desorientação dos bombeiros, as constantes rajadas de informações contraditórias -ora apaga, ora descontrola -, os gastos desvairados e inconsequentes, ou a geral falta de competência? Ingrata ovelha! Não ouviste o ministro Cabrita? Não sabes quem é o Cabrita? Mas tu aplaudiste-o, ovelha, já o aplaudes há tanto tempo, hás de lembrar-te dele, o homem de confiança de José Sócrates (como o Costa, os dois Silvas, o Campos, o Pereira, enfim, o governo todo) para a campanha do Magalhães, essa bugiganga qu o grande vendedor da banha enfiou pela garganta de escolas e famílias, com grande lucro e contentamento de uns amigos que tinham uma fábrica de computadores e hão de ter lucrado, sem comissão para o vendedor, é claro. Isso, o Cabrita! Esse! E não ouviste o que este teu sub-pastor querido disse? Disse que não se critica! Chiu, ovelha, agora, é calar a boca! Agora é tentar apagar o fogo (que nunca mais se apaga, raios partam!) Boca calada, portanto, ovelha. Mas antes de calar a boca, a tua saudaçãozinha, ovelha:

«Méééééééééééééééééé»

E quando o tempo apagar o fogo, ovelha, agradece ainda, ovelha. Agradece o caos no Serviço Nacional de Saúde. (E agradece conjuntamente o fato de os media falarem disso o menos possível, não como no tempo do odioso anterior governo; os media fazem isso para teu bem, ovelha, são teus familiares, ovelha, não querem apoquentar-te). Agradece o estado comatoso de INEM e 112 (e agradece que os media não te aflijam com notícias de partos em ambulâncias ou pessoas de 137 anos que, salvo erro, foram vítimas do anterior governo). Agradece que os comboios não andem, agradece que haja menos comboios nas linhas onde são mais necessários, agradece que não haja comboios nenhuns onde a CP gere camionetas. Os comboios são sucata ou não existem, mas são teus. Que querias, ovelha, comboios a funcionar e a horas para encherem os bolsos dos horrorosos privados? E agradece a emigração, que bateu recordes este ano (e agradece que os media não vejam, nem ouçam, nem cheirem a coisa, senão iam pôr-se numa choradeira como no tempo do anterior governo, a cada vez que algum jovem profissional talentoso decidia que valia mais que isto, ovelha).

Aplaude agora, ovelha, agradece outra vez, ovelha:

«Méééééééééééééééééééééééééé»

E agora, ovelha, faz como os media de reverência: diz que foram os incendiários, diz que foi o anterior governo, diz que foi o Trump, diz que foi a União Europeia, diz que foram os eucaliptos, diz que é pior na Califórnia, diz que foi um tornado, diz que é o aquecimento, diz qualquer coisa reverente, diz como dizem os media de reverência:

«Mééééééééééééééééééééé»

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Almas de lacaio

por José Mendonça da Cruz, em 24.07.18

O povo. O povo são os condutores que no passado fim-de-semana, na A12, perto de Palmela, fizeram inversão de marcha na faixa em que seguiam de uma autoestrada porque viram fumo: um bando ovino e medroso, a quem tudo sobressalta e perturba. A plena assunção da condição ovina veio de um dos do grupo que, em entrevista à Sic, se queixou de que não tinha informação, nem havia «apoio».

O Estado. O Estado é aquele corpo adiposo que deixa roubar armamento, deixa arder populações, sorve mais de 50% da riqueza nacional, deixa deteriorarem-se todos os serviços, não presta contas nem cumpre as leis, se engalana de modernidade promovendo a eutanásia dos humanos enquanto proibe a dos cães e gatos, e que pesa sobre o ombro de quem tenha iniciativa, com o hálito fétido regulamentador e a avidez babada de novos saques.

A Comunicação Social. A comunicação social são as televisões comemorando a aterragem de um avião muito grande no aeroporto de Beja, celebrando o que dizem ser o futuro redescoberto da coisa -- sem memória, sem responsabilidade, sem juízo, sem contas, com a habitual e abjeta complacência, o medular servilismo por qualquer coisa de esquerda, mesmo que ruinosa. 

 A CS não existe, não comunica nem é social, é pessoal nas causas, nos enviesamentos e no consciente desprezo da notícia. O Estado é tão fiável que, à simples vista de fumaça, o rebanho dispara tonto, aterrorizado, inimputável, e para onde calhar. Mas, sendo este o Estado e esta a Comunicação Social, é este o rebanho. E sendo este o rebanho, é mais deste Estado que ele quer.

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«Os mercados»

por José Mendonça da Cruz, em 14.07.18

Cristiano Ronaldo custou à Juventus um pouco menos de 120 milhões de euros.

Antes de jogar, antes mesmo de ser apresentado como jogador do clube, antes de um mês sobre a contratação, a camisola com o seu nome e número já vendeu mais de 500 000 exemplares. Sendo que o preço varia, conforme os «atavios», entre 84 e 94 euros, CR7 já garantiu à Juventus um retorno de entre 42 e 49 milhões de euros, quase metade do custo, e a Juventus continua a garantir a Ronaldo a recompensa dos seus raros e enormes talento e esforço.

Agora, o que aconteceria se alastrassem a Itália e ao futebol as idiossincracias que os portugueses tanto apreciam na geringonça:

- sendo os mercados uma coisa horrível, nem a Juventus, nem Jorge Mendes, nem Cristiano Ronaldo teriam liberdade para gerir os seus negócios; o preço dos jogadores estaria tabelado, segundo algum múltiplo do salário médio português (aproximadamente o salário mínimo);

- as camisolas também estariam tabeladas, talvez por 1 ou 2 euros mais do que os 10 euros do produto normal, justificados pelo suplemento de personalização;

- não existiriam nem Juventus, nem Real, nem Mendes, nem Ronaldo, porque ambição e investimento exigem incentivo e retorno;

- todos os clubes de futebol seriam modestos e provinciais, e a sua audiência local e limitada;

-e ninguém desejaria ser profissional de futebol ou socialista.

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Estamos assim...

por José Mendonça da Cruz, em 29.06.18

Na conferência de imprensa subsequente ao encontro dos presidentes americano e português uma jornalista portuguesa fez a Marcelo Rebelo de Sousa uma pergunta cujo sentido se resume a «O que é que achou dele?»

O Expresso online titula a notícia do encontro com «Marcelo empata na Casa Branca. Mas afinal o jogo era amigável».

Jornais de Portugal e de todo o mundo publicaram a fotografia de uma criança que teria sido separada da mãe pelo pérfido Trump, a qual criança afinal não foi separada da mãe, nem tem nada a ver com Trump, pois a foto tem 4 anos, é do tempo de Obama (a quem a farsa de jornalismo hoje reinante atribuiria a culpa se não o amasse) . 

Os telejornais de quinta feira noticiaram que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde estão em vésperas de contratar mais 2000 funcionários, esperando apenas luz verde do Ministério das Finanças. E entrevistaram responsáveis que esclareceram que, para a normalidade do funcionamento dos hospitais, a necessidade de contratações resultante do horário de 35 horas decidido por este governo monta a 6000 novos funcionários, não 2000. Nenhum telejornal recordou as garantias deste governo de que o horário de 35 horas não acarretaria nem novas contratações nem aumento da despesa.

Decorre uma investigação sobre negociatas em autarquias, a mais importante delas, Lisboa. Ontem, porém, a TVi «apurou» que os investigados são todos do PSD.

Numa ilhota de inteligência fulgurante José Miguel Júdice vai advertindo, na TVi, contra a falta de saúde da nossa democracia, contra a abulia, contra a conformação, contra a funcionalização e o controlo da sociedade pelo Estado, contra o desaparecimento da classe média, contra a sagração da precariedade, contra o esmagamento do leque de salários, contra a ideologia do empobrecimento, contra a falta de ambição, contra a falta de oposição e debate.

50% do eleitorado português está sem representação. Mas o líder do principal partido da oposição admoesta quem se opõe ao governo e propõe como certeza e objetivo sair derrotado das próximas eleições para melhor ajudar este governo.

50% do eleitorado está sem representação mas Santana Lopes propõe-se formar um novo partido, não para a representar, mas para se expressar politicamente.

Não importa. Em Julho há só futebol. E a silly season de Agosto será tão silly e desinformada como todo o resto do ano.

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Não há mal que sempre baste

por José Mendonça da Cruz, em 08.06.18

Assisti serenamente a mais uma demonstração do jovial servilismo dos media, quando o governo inventou mais um imposto, agora sobre os plásticos, e rádios, televisões e jornais acorreram, atentos, venerandos e obrigados, a dizer que o plático é um ho-rrrrr-rrroooorrr, e que até uma baleia coitadinha, morreu porque ingeriu plástico, a pobre, plástico mau, que tudo polui. Inventaram até que a União Europeia também está a taxar o plástico, que não é só cá, embora nós (eles) estejamos (estejam) na vanguarda da «modernidade». 

Ora eu, que já sabia muito bem -- e até achava curioso -- que os media portugueses sempre defendem o seu governo, nunca os cidadãos leitores (embora paradoxalmente se queixem de que já ninguém lhes liga, e roguem algum subsídio por parte daqueles a quem servem) ora eu, dizia, senti, ainda assim que faltava qualquer coisa, uma adenda, um complemento, uma convergência, uma unanimidade qualquer. Ontem, ela chegou: Rui Rio acha muito bem mais impostos de plástico, e, para não ficar atrás da ideia, até sugere a urgência de outros: taxem mais o açúcar, o sal, os doces, os fritos, taxem a vida, taxem o sol, a chuva, o gasto dos passeios, o ar, taxem tudo para que os «cidadãos» (a gente) aprendam a comportar-se.

Rui Rio tem sempre esta forma engraçada e dinâmica de demonstrar a sua própria inutilidade. Mas, tirando isso, que é um mero apontamento, resta o importante, que é o facto de estarem todos unidos contra o contribuinte, ou seja, nós. Dizem que é por bem, que querem mudar a nossa forma de vida -- que é má (eles é que sabem) -- embora secretamente prefiram que mudemos o mais tarde possível para entretanto enriquecerem taxando a nossa falta de virtude. E eu, que já recentemente simpatizei com o PCP a propósito da eutanásia, vou fazer como o PCP outra vez, e denunciar um novo e sinistro grupo: ora aí têm mais uns fascistas que acabaram de revelar-se. 

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Porque será que o DN vai passar a semanário ?

por José Mendonça da Cruz, em 31.05.18

Sobre a desaceleração do crescimento económico revelado ontem pelo INE, é o seguinte o título que se lê, hoje, no DN online (vale a pena ler a notícia que, evidentemente, não suporta o título):


PIB abranda por causa da chuva e moderação na compra de carros

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As redacções das televisões confessam-se derrotadas

por José Mendonça da Cruz, em 29.05.18

No fim da votação que chumbou os quatro programas de eutanásia, Sic, RTP e TVi focaram toda a atenção nos derrotados, nos abraços de Isabel Moreira à lider da JSD, nos abraços de Isabel Moreira à autora do programa de eutanásia socialista, na entrevista da inevitável Catarina Martins. PCP, CDS e a esmagadora maioria do PSD, os vencedores, era como se não existissem. As televisões estavam com os derrotados; derrotados como elas.

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Sobre a eutanásia (o projecto que vai ao Parlamento à revelia dos eleitores), afirma o PCP: «A legalização da eutanásia não pode ser apresentada como matéria de opção ou reserva individual. Inscrever na Lei o direito a matar ou a matar-se não é um sinal de progresso mas um passo no sentido do retrocesso civilizacional, com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas que questionam elementos centrais de uma sociedade que se guie por valores humanistas e solidários.» Isto e mais algumas coisas bem pensadas diz o PCP num comunicado admirável que se pode ler aqui. Era inevitável que um conservador coincidisse em algum momento ou tema com outros conservadores. Hoje sou comunista.

Hoje sou Cavaquista. O filho do gasolineiro, o homem que come bolo de boca aberta, vale mais em coragem moral e afirmação de princípios do que os membros mais sonoros das elites mais venais que tão cretinamente troçavam dele.

Diz Passos Coelho: «Ao pretender, por absurdo, emprestar mais dignidade na morte por supostamente desejar evitar sofrimento promove-se outro equívoco fundamental: uma vez que já hoje existem meios adequados que podem ser mobilizados para lidar e minorar o sofrimento físico e psicológico (...) o recurso à eutanásia pode representar uma demissão e uma desresponsabilização da sociedade na forma de ajudar os que sofrem.» Um dos motivos dos ódios a Passos Coelho tem a ver com a habilidade que sempre ele teve para desmascarar as intenções encapotadas. E os burros que não o compreenderam, nem compreendem o que lhe devem (ou compreendem, e, portanto, negam) fariam bem se lessem a opinião que publicou aqui, um texto denso e sério que os mesmos burros, obviamente, decerto não compreenderão. Hoje sou Passista com gosto e honra.

Hoje sou João Paulo Segundista que mostrou à evidência, longamente, penosamente, como a dor pode ser digna, o sofrimento nobre e nobilitante, e a assumpção do envelhecimento físico algo de admirável.

Hoje confirmo o nojo à busca histérica de protagonismo do BE, e à leveza protocriminosa do PS, sempre em busca da «modernidade», no caso de ela valer alguma popularidade e uns votos. Hoje confirmo a minha indiferença perante o CDS, que nunca me desilude ao desiludir-me sempre, e que, mesmo num caso como este, toma a posição que seria a minha, mas com argumentos de processo, não de fundo. Hoje, confirmo a minha completa desvinculação em termos intelectuais, éticos, políticos, sociais, comportamentais, desse cadáver trepanado e gasoso que é o PSD do lamentável Rui Rio.

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Sigilo para os calotes, transparência para os pagantes

por José Mendonça da Cruz, em 10.05.18

Se eu bem compreendi o senhor Presidente, o sigilo bancário era da essência enquanto os contribuintes pagavam a gestão negligente e/ou criminosa de uns quantos gestores bancários e seus camaradas. Sobre eles e suas actividades, era fundamental que se fizesse segredo. Agora, que os contribuintes pagaram, é altura de levantar o sigilo -- sobre eles, contribuintes, apenas -- para saber quanto dinheiro têm, de onde lhes vem e quanto sobra para o saque. É isto?

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Cloaca

por José Mendonça da Cruz, em 07.05.18

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... e ao terceiro dia de falta de vergonha e valores, e de «ética republicana», a abjecção moral encarnou

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A deputada Elza Pais, do Partido Socialista, reside em Lisboa, a 500 metros do Parlamento, o que lhe mereceria um subsídio de 422,82 euros a juntar ao vencimento. Mas como, felizmente, também mora em Mangualde, onde de vez em quando vai ver a mãe, recebe afinal 1255,42 euros em ajudas de custo e 864 euros em despesas de deslocação. Elza Pais, que mora em Lisboa, diz que enquanto a mãe for viva, a casa dela é em Mangualde. Mas não só, porque, explicou hoje, «Claro que tenho casa em Lisboa, claro que tenho casa no Algarve». Claro. E por isso mesmo me parece que os subsídios que leva para casa, perdão, para as três casas (claro) sendo justos, não o são completamente, pois não se vê por que razão Elza não recebe nada quando é obrigada a ir descansar para o sul, para, claro, a terceira casa.

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Corta-fitas

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