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Não há mal que sempre baste

por José Mendonça da Cruz, em 08.06.18

Assisti serenamente a mais uma demonstração do jovial servilismo dos media, quando o governo inventou mais um imposto, agora sobre os plásticos, e rádios, televisões e jornais acorreram, atentos, venerandos e obrigados, a dizer que o plático é um ho-rrrrr-rrroooorrr, e que até uma baleia coitadinha, morreu porque ingeriu plástico, a pobre, plástico mau, que tudo polui. Inventaram até que a União Europeia também está a taxar o plástico, que não é só cá, embora nós (eles) estejamos (estejam) na vanguarda da «modernidade». 

Ora eu, que já sabia muito bem -- e até achava curioso -- que os media portugueses sempre defendem o seu governo, nunca os cidadãos leitores (embora paradoxalmente se queixem de que já ninguém lhes liga, e roguem algum subsídio por parte daqueles a quem servem) ora eu, dizia, senti, ainda assim que faltava qualquer coisa, uma adenda, um complemento, uma convergência, uma unanimidade qualquer. Ontem, ela chegou: Rui Rio acha muito bem mais impostos de plástico, e, para não ficar atrás da ideia, até sugere a urgência de outros: taxem mais o açúcar, o sal, os doces, os fritos, taxem a vida, taxem o sol, a chuva, o gasto dos passeios, o ar, taxem tudo para que os «cidadãos» (a gente) aprendam a comportar-se.

Rui Rio tem sempre esta forma engraçada e dinâmica de demonstrar a sua própria inutilidade. Mas, tirando isso, que é um mero apontamento, resta o importante, que é o facto de estarem todos unidos contra o contribuinte, ou seja, nós. Dizem que é por bem, que querem mudar a nossa forma de vida -- que é má (eles é que sabem) -- embora secretamente prefiram que mudemos o mais tarde possível para entretanto enriquecerem taxando a nossa falta de virtude. E eu, que já recentemente simpatizei com o PCP a propósito da eutanásia, vou fazer como o PCP outra vez, e denunciar um novo e sinistro grupo: ora aí têm mais uns fascistas que acabaram de revelar-se. 

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Porque será que o DN vai passar a semanário ?

por José Mendonça da Cruz, em 31.05.18

Sobre a desaceleração do crescimento económico revelado ontem pelo INE, é o seguinte o título que se lê, hoje, no DN online (vale a pena ler a notícia que, evidentemente, não suporta o título):


PIB abranda por causa da chuva e moderação na compra de carros

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As redacções das televisões confessam-se derrotadas

por José Mendonça da Cruz, em 29.05.18

No fim da votação que chumbou os quatro programas de eutanásia, Sic, RTP e TVi focaram toda a atenção nos derrotados, nos abraços de Isabel Moreira à lider da JSD, nos abraços de Isabel Moreira à autora do programa de eutanásia socialista, na entrevista da inevitável Catarina Martins. PCP, CDS e a esmagadora maioria do PSD, os vencedores, era como se não existissem. As televisões estavam com os derrotados; derrotados como elas.

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Sobre a eutanásia (o projecto que vai ao Parlamento à revelia dos eleitores), afirma o PCP: «A legalização da eutanásia não pode ser apresentada como matéria de opção ou reserva individual. Inscrever na Lei o direito a matar ou a matar-se não é um sinal de progresso mas um passo no sentido do retrocesso civilizacional, com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas que questionam elementos centrais de uma sociedade que se guie por valores humanistas e solidários.» Isto e mais algumas coisas bem pensadas diz o PCP num comunicado admirável que se pode ler aqui. Era inevitável que um conservador coincidisse em algum momento ou tema com outros conservadores. Hoje sou comunista.

Hoje sou Cavaquista. O filho do gasolineiro, o homem que come bolo de boca aberta, vale mais em coragem moral e afirmação de princípios do que os membros mais sonoros das elites mais venais que tão cretinamente troçavam dele.

Diz Passos Coelho: «Ao pretender, por absurdo, emprestar mais dignidade na morte por supostamente desejar evitar sofrimento promove-se outro equívoco fundamental: uma vez que já hoje existem meios adequados que podem ser mobilizados para lidar e minorar o sofrimento físico e psicológico (...) o recurso à eutanásia pode representar uma demissão e uma desresponsabilização da sociedade na forma de ajudar os que sofrem.» Um dos motivos dos ódios a Passos Coelho tem a ver com a habilidade que sempre ele teve para desmascarar as intenções encapotadas. E os burros que não o compreenderam, nem compreendem o que lhe devem (ou compreendem, e, portanto, negam) fariam bem se lessem a opinião que publicou aqui, um texto denso e sério que os mesmos burros, obviamente, decerto não compreenderão. Hoje sou Passista com gosto e honra.

Hoje sou João Paulo Segundista que mostrou à evidência, longamente, penosamente, como a dor pode ser digna, o sofrimento nobre e nobilitante, e a assumpção do envelhecimento físico algo de admirável.

Hoje confirmo o nojo à busca histérica de protagonismo do BE, e à leveza protocriminosa do PS, sempre em busca da «modernidade», no caso de ela valer alguma popularidade e uns votos. Hoje confirmo a minha indiferença perante o CDS, que nunca me desilude ao desiludir-me sempre, e que, mesmo num caso como este, toma a posição que seria a minha, mas com argumentos de processo, não de fundo. Hoje, confirmo a minha completa desvinculação em termos intelectuais, éticos, políticos, sociais, comportamentais, desse cadáver trepanado e gasoso que é o PSD do lamentável Rui Rio.

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Sigilo para os calotes, transparência para os pagantes

por José Mendonça da Cruz, em 10.05.18

Se eu bem compreendi o senhor Presidente, o sigilo bancário era da essência enquanto os contribuintes pagavam a gestão negligente e/ou criminosa de uns quantos gestores bancários e seus camaradas. Sobre eles e suas actividades, era fundamental que se fizesse segredo. Agora, que os contribuintes pagaram, é altura de levantar o sigilo -- sobre eles, contribuintes, apenas -- para saber quanto dinheiro têm, de onde lhes vem e quanto sobra para o saque. É isto?

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Cloaca

por José Mendonça da Cruz, em 07.05.18

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... e ao terceiro dia de falta de vergonha e valores, e de «ética republicana», a abjecção moral encarnou

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A deputada Elza Pais, do Partido Socialista, reside em Lisboa, a 500 metros do Parlamento, o que lhe mereceria um subsídio de 422,82 euros a juntar ao vencimento. Mas como, felizmente, também mora em Mangualde, onde de vez em quando vai ver a mãe, recebe afinal 1255,42 euros em ajudas de custo e 864 euros em despesas de deslocação. Elza Pais, que mora em Lisboa, diz que enquanto a mãe for viva, a casa dela é em Mangualde. Mas não só, porque, explicou hoje, «Claro que tenho casa em Lisboa, claro que tenho casa no Algarve». Claro. E por isso mesmo me parece que os subsídios que leva para casa, perdão, para as três casas (claro) sendo justos, não o são completamente, pois não se vê por que razão Elza não recebe nada quando é obrigada a ir descansar para o sul, para, claro, a terceira casa.

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Das casas, da natureza do socialismo e dos seus ridículos

por José Mendonça da Cruz, em 20.04.18

Liberto pelo anterior governo da camisa de forças com que Salazar e os socialistas o tinham tolhido, o mercado imobiliário restaurou Lisboa, tirando-a do estado catatónico e ruinoso em que estava. Os socialistas estão, pois, muito preocupados; agora que Lisboa foi restaurada contra sua vontade, querem «revertê-la», ou seja, reassumir o caminho da ruína.

O primeiro passo foi decretar que umas casinhas novas renovadas a expensas da Câmara iam ser arrendadas por baixo preço, para... ah, como é que eles dizem?... rejuvenescer a cidade ... ou evitar a gentrificação... ou o raio que os parta.

Mas como o socialismo não passa, no fundo, de um comunismo envergonhado, os socialistas trataram das casinhas públicas e económicas, mas, depois, puseram-nas a leilão. O resultado foi o mercado rir-se dos socialistas camarários, como a economia se ri dos do governo: as casinhas subiram aos preços que a oferta e a procura determinam como razoáveis.

Horror, terão pensado os socialistas, o nosso homem novo escapou-se-nos das mãos outra vez! E, visto isso, declararam nulo o próprio contrato que haviam redigido e assinado -- um hábito muito seu, como sabemos, sempre em defesa das «pessoas», evidentemente. Dizem que anunciam a continuação quando a continuação continuar.

E entretanto? Entretanto vêm à carga com a ideia de tirar casas a senhorios que as tenham vazias ou, por qualquer razão, não alugadas. Fica o Estado com elas. Mas, sendo comunistas na versão tolhida pelo pudor, dizem: é só durante uns tempos.

São ideias. A estas se juntarão -- deve esperar-se -- a do regresso ao congelamento de rendas ou despejos, o combate ao turismo (a «pressão turística», como eles chamam a quem em muito os vem subsidiando), e outros entraves à propriedade e à liberdade económica. Tudo (todos em coro, agora) em favor «das pessoas». As mesmas ideias que levaram as famílias a endividarem-se porque arrendar casa era impossível; as mesmas ideias que conduziram à desertificação do centro e à decadência de diversos bairros da capital. As mesmas ideias que -- como julgam os doidos e os socialistas -- desta vez vão ter outros e bons resultados.

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A intrigante Sic e esta intrigante democracia

por José Mendonça da Cruz, em 16.04.18

A Sic transmitiu hoje no seu jornal do horário nobre e na Sic/Notícias uma curiosa colecção de excertos dos interrogatórios de Sócrates pelo procurador Rosário Teixeira. Previa e amplamente anunciada de forma que parecia não prejudicar o ex-primeiro ministro, a peça por fim transmitida cumpriu essa promesa e excedeu-a. Tratou-se de uma sábia montagem em que as acusações são breve e lacunarmente anunciadas em voz off, para logo serem histrionicamente negadas por Sócrates, com abundância de críticas ao procurador e à justiça. 

É intrigante que gravações de interrogatórios encontrem caminho para uma televisão. É intrigante a cuidadosa selecção de suspeitas e de respostas do arguido. É intrigante que um canal de televisão se preste a estes procedimentos, que parecem menos um «furo» do que uma manobra. E é intrigante a intenção dos autores da peça. Estão identificados como jornalistas, mas, sendo ou não sendo, merecem que se registe os seus nomes: Amélia Moura Ramos, Luís Garriapa e Sara Antunes de Oliveira.

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Geringonça moral

por José Mendonça da Cruz, em 14.04.18

Não foram apenas a política e a economia a ficarem tolhidas pelas práticas necessárias para a constituição e sobrevivência da geringonça com que Costa reverteu uma derrota eleitoral; também a ética e a diplomacia são submetidas aos indispensáveis entorses.

EUA, Reino Unido e França bombardearam os locais de produção e armazenamento de armas químicas do governo sírio, visto Assad ter utilizado gás sarin contra homens, mulheres e crianças, e visto considerarem intolerável o uso de armas químicas contra populações civis. Os países que nos habituámos a considerar como nossos aliados e parceiros apoiaram e aplaudiram. O governo português não apoiou, nem aplaudiu; o governo português apenas «compreende» a acção e a oportunidade.

No comunicado do governo português quase vemos refulgir a assinatura de inteligência do ministro Santos Silva. É aquele tipo de inteligência que, no fim da vida, perguntada sobre o que fez, responde: «Fui esperta. Fui elíptica. Fui hábil. Furtei-me. Safei-me.»

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Eles esforçaram-se. Eles aclamaram Lula como herói do povo, do combate à pobreza e à desigualdade; eles esqueceram-se, zelosamente, de que esse combate foi feito a crédito, ou seja, a custo de uma dívida pública estratosférica, esqueceram a ladroagem do PT, e esqueceram, mais zelosamente ainda, quem foi e o que fez um homem, um estadista de nível mundial, chamado Fernando Henriques Cardoso.

Eles gritaram que a democracia está em perigo por prender um ladrão (um ladrão dos deles) e troçaram xenofobamente da justiça brasileira. Deram, até, voz a Catarina Martins, reaccionária e fascista, que condenou essa justiça em nome do seu entendimento especioso e encapotado de «democracia». A Tvi, numa editorial ralmente obscena, chegou a convocar José Sócrates para, do alto das suas acusações como corrupto, acusar os que condenaram um corrupto seu amigo, Lula.

Foi tudo em vão. Mesmo com a demora duma missinha (o pretexto do adiamento dá toda a medida do carácter da criatura) e uns quantos discursos patéticos, Lula, o corrupto, o ladrão, com sentença passada em julgado, limpamente condenado, foi preso.

 

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No futebol como na vida

por José Mendonça da Cruz, em 12.04.18

A Champions` League está para o capitalismo como a UEFA Cup está para o socialismo. A Champions é um sucesso económico para todos e tem como objectivo determinar qual o melhor intérprete da excelência; a UEFA Cup é remediada e visa determinar qual dos participantes é menos mau.

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CR redime-nos? Não. É pior.

por José Mendonça da Cruz, em 03.04.18

A acomodação à cepa torta, o gosto pela cepa torta, nem no domínio do futebol descansa. Quando um jogador foi grande, há comentadores que dizem que foi «humilde».

Não há ponta, nem gota, nem vestígio, nem rasto, nem sinal de humildade no golo de Cristiano Ronaldo contra a Juventus, aos 64 minutos do jogo da Champions`. Há, sim, outra coisa: excelência. Tanta que a multidão da Juventus, numa espontaneidade de fair-play, apaude o adversário.

Bom remate de dia para os portugueses? Talvez.

Ou então, talvez isto: vimos Centeno, do governo da maior carga fiscal de sempre, dizer que os impostos baixaram, perante a reverência de supostos jornalistas; vimos a reportagem babada sobre as alarvices dos finalistas (que finalistas? finalistas de quê?) em terras de Espanha; vimos as lágrimas e o rasgar de vestes que por aí vai porque artistas sem público querem mais dinheiro para continuar a dispensar o mesmo público (do mesmo passo que reivindicam a missão de educá-lo); lemos sobre a quantidade de dinheiro extorquido aos contribuintes para pagar as tropelias na Caixa de gente que fica resguardada pelo silêncio; vemos, o elogio do assistencialismo, do remendo, da acomodação, da cepa torta, em resumo.

Depois, vemos Cristiano Ronaldo, vemos o treino, o esforço, a dedicação, o orgulho, o mérito, a ambição, o trabalho, a rentabilidade, o lucro pessoal e da sua empresa... E pensamos: não, não deve ser português.

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A cidade visita as serras com os criados à tiracolo

por José Mendonça da Cruz, em 24.03.18

Dizem-me que o Presidente da República, a convocação do governo de Costa que aceitou pressurosamente, vai por estes dias cortar mato perante câmaras de televisão para dois sítios. Falsas notícias, seguramente, para envergonhar o presidente e a nós, a quem ele preside.

Dizem-me que o primeiro-ministro, indignado com o relatório sobre os incêndios de Outubro que o retrata e ao seu governo como criminosos por negligência, fugirá espavorido por estes dias, acompanhado de vários ministros, para cortar mato perante as câmaras de televisão em sítios diferentes daqueles para onde convocou o presidente. Falsas notícias,seguramente, para envergonhar o governo e a nós por sermos alegadamente governados por este.

Dizem-me que os media irão por estes dias a correr atrás do presidente e do primeiro-ministro para os ver cortar mato em sítios diversos, e calcorrearão o país, e emitirão inúmeras reportagens atentas, venerandas e não obrigadas, antes voluntárias, a todas as horas e em horário nobre. Falsas notícias, seguramente, para envergonhar os nossos media e cavar mais a falência que temem e de que se queixam.

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Voto. Vende-se.

por José Mendonça da Cruz, em 12.03.18

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 Estou, portanto, sem representação. O meu ínfimo e miserável voto será mais um a juntar-se às colunas nem ínfimas nem miseráveis da abstenção. O meu voto olha para trás sem saudade e deseja aos partidos do sistema que, um dia, olhem em redor e não vejam ninguém, e que, depois, tardiamente, perorem sobre populismo.

 

O Dr. Rui Rio tem uma ambição: fazer do PSD um verdadeiro PS. Entretanto, até esse momento salvífico, o Dr. Rui Rio quer fazer do PSD o melhor amigo e imitador do PS, o seu aliado para o diálogo, a sua bengala contra o extremismo. O Dr. Rui Rio vê na antiga hoste de Sócrates que agora novamente governa gente perfeitamente fiável e equilibrada, sociais-democratas como ele. Ao Dr. Rui Rio não ocorre crítica ou indisposição alguma sobre carga fiscal ou omnipresença do fisco, sobre a hipoteca do futuro a funcionários e sindicalistas, sobre o estado da saúde, sobre captivações, sobre segurança social, sobre as políticas estatistas e de sacrifício da liberdade na educação e na economia, sobre divergência em relação à UE e oportunidades perdidas. O Dr. Rui Rio e a sua direcção garantem-nos que, salvo erro ou adiamento, o futuro começa em 2022. O Dr. Rio está próximo de Pacheco Pereira, que desconsidera qualquer política que fale de empresas, e não de trabalhadores (a mesma frase, quase ipsis verbis, que Jerónimo Sousa disse ontem ao PS).

O meu voto tem nojo ao Dr. Rui Rio. É atraído por aquilo a que Pacheco Pereira tem nojo, porque eu considero que uma política que opõe «trabalhadores» e «empresas» é reaccionária e retrógrada. O Dr. Rui Rio estará perto de nos presentear com a citação que toda a acção política pusilânime cita: «a política é a arte do possível». Repete-se o paradoxo de um chanceler de ferro proporcionar tão boa desculpa a figurantes de plasticina.

 

A Dr.ª Assunção Cristas jura que é de direita. Donde se segue –  estranhamente, e segundo ela – que não tem nem programa nem ideias, só pragmatismo. Ou seja, a Dr.ª Assunção Cristas garante-nos que não fará mais que o possível, por medo de amedrontar alguém. Não terá valores, só caminhos. Entretanto, o que é o possível? O possível é competir com o PSD, um combate entre os dois, um contra o outro e contra o método de Hondt. A Dr.ª Assunção Cristas promete afirmar-se e ao seu partido, e, de passagem, garantir a vitória do PS nas eleições de 2009 e outras que venham.

O meu voto sempre teve nojo ao CDS, cujos excelentes quadros sinceramente admiro, mas a quem não dou o voto porque nunca sei para onde o levam. Podem ser liberais com dúvidas, um dia, e pender para o intervencionismo, no outro, uma espécie de socialismo menos maligno enroupado em democracia cristã. O meu voto tem nojo à política da Dr.ª Cristas, porque não sabe o que é, porque o pragmatismo manda umas coisas um dia, e o contrário delas no outro.

 

Para o Dr. Rui Rio e a Dr.ª Assunção Cristas ser-se maximalista, hoje, é considerar que a política do PS não consegue (nem visa) mais do que preservar a cepa torta, e, de passagem, garantir lugares e rendas aos amigos, ou que a actual forma de garantir a paz social entrega porções vitais do país à pré-história. O Dr. Rio e a Dr.ª Cristas combatem-se com a espada da possibilidade. O meu voto tem nojo a ela.        

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Nos noticiários nunca ouviremos explicar nem o número de utentes de cada posto de correios que fecha, nem a que distância fica o posto de correios mais próximo do posto que fecha. Nem de correio electrónico, nem de concorrência de serviços de expedição de parcelas. Nem de vida moderna.

De maneira que mais vale um humorista para falar de coisas sérias:

https://www.youtube.com/watch?v=xR1ckgXN8G0

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Dos cisnes (*)

por José Mendonça da Cruz, em 13.12.17

10.jpg

Olim lacus colueram 

Olim pulcher extiteram

dum cignus ego fueram.

(Ontem pelo lago eu vogava

Ontem em beleza rebrilhava

Tal cisne então eu me mirava)

12.jpg

Nunc in scutella iaceo, 
et volitare nequeo, 
dentes frendentes video

(Agora na travessa jazo

e esvoaçar nem a prazo

todos devoram o meu caso)

13.jpg

Miser, miser modo niger

et ustus fortiter

(Pobre dele, pobre dele, negro como carvão,

assaram-no todo e a nós não) 

 

(*) Com vénia a Carl Orff e aos monges devassos; in memoriam do cisne genuíno e inocente

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Faz como o dono faz

por José Mendonça da Cruz, em 26.11.17

Que a data de dia 25 de Novembro -- em que militares, partidos democráticos e povo puseram fim à tentativa comunista de instaurar nova ditadura -- cause incómodo à geringonça é compreensível. O PS de Costa não quer ser recordado das diferenças em relação ao PS que combatia pela liberdade; o aliado comunista não quer ser recordado da derrota; e os acontecimentos ainda amarguram os fragmentos que acabaram por formar um Bloco.

Que a data de 25 de Novembro só lembre a jornais e televisões as cheias de Lisboa e os dois anos da geringonça é compreensível, também. Mas apenas se nas suas redacções não houver um único jornalista.

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A Ordem dos Médicos defende mais impostos (os media também)

por José Mendonça da Cruz, em 25.11.17

O «imposto da batata frita» foi chumbado. É um país imbecilizado aquele que ouve sem sobressalto uma Ordem dos Médicos lamentar que o facto de o novo imposto ter sido travado revela «mais preocupação com as questões económicas do que com as pessoas». Sobretudo, tendo em vista que o imposto fora concebido com a intenção «económica» de sacar ainda mais dinheiro às «pessoas».

Também diz muito sobre a natureza da comunicação social que ela salte em defesa do imposto, com entrevistas e reportagens sobre o sal e os custos do seu consumo.

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Saqueadores das casas ardidas

por José Mendonça da Cruz, em 25.11.17

A esquerda recusa que seja dada isenção de IMI às vítimas dos fogos de Pedrógão. A esquerda quer ir buscar dinheiro lá onde ele está. Se não estiver, arranjem-no.

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