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Uma flor...

por José Mendonça da Cruz, em 23.09.19

Maria Flor Pedroso, a directora de informação da RTP, lançou o debate entre os partidos com assento parlamentar com a seguinte pergunta: «O que correu bem e mal» na governação socialista. E insistiu várias vezes com os presentes para que respondessem o que tinha corrido bem. Assunção Cristas compreendeu e evitou o patético entorse inquisitivo; Rui Rio caiu nele. Seguidamente, a resposta correcta: «A Maria Flor Pedroso é socialista e tem uma agenda e uma prática de defesa do PS, mas eu, oposicionista e crítico, não perfilho, evidentemente, o seu credo e as suas tentativas de conformação deste debate.»

É tempo de o centro direita contestar e desmascarar os truques destes agentes encapotados. 

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Nem com o seu próprio guru aprendem...

por José Mendonça da Cruz, em 22.09.19

Num gesto raro de classe, o primeiro-ministro António Costa registou a subida do PS na Madeira, mas acrescentou que o governo socialista trabalhará com quem ganhou as eleições em prol do bem da Madeira. A mensagem que é, além de elegante, habilidosa, pois envia um sinal de equilíbrio e razoabilidade para o centro, poderia servir de deixa à legião de serventes, lacaios, pobres diabos, travestis de jornalistas, marionetas, borra-botas e activistas socialistas que poluem as redacções de jornais e televisões. Mas não, nada. Nos apontamentos enviesados de redacção e nas perguntas ressabiadas em conferências de imprensa, a manada continuará a celebrar a «vitória histórica» da derrota do PS e a «derrota histórica» da vitória do centro direita.

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A presunção e a estupidez urbanas exibem-se em cartaz

por José Mendonça da Cruz, em 16.09.19

Na Autoestrada 2, a do Algarve, há painéis luminosos que advertem (segurem-se e suportem o ridículo) em nome do «Portugal (que) chama», para que, sendo embora esta a fase mais alta e activa da temporada agrícola, no entanto «com vento e calor não opere máquinas agrícolas».

Os imbecis e ignorantes que conceberam estas recomendações sugerem, portanto, que no próximo ano não se coma nada ou, então, se importe tudo. Poderia explicar porquê, mas seria em vão. 

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Costa quer mandar prender as pessoas que considerar perigosas

por José Mendonça da Cruz, em 13.09.19

António Costa propôs hoje um remédio para os fogos que grassam por Portugal: a prisão preventiva de incendiários renitentes que, diz ele, são «conhecidos das autoridades».

A propaganda socialista atinge, portanto, terrenos criminosos. Sendo que, segundo a propaganda de Costa, os fogos em Portugal não resultam de incompetência, ignorância, apatia e decisões erradas e onerosas, mas apenas de fogo-posto, o que o actual primeiro-ministro vem defender é que sejam enviadas para a prisão, não pessoas que cometeram crimes, mas as pessoas que, segundo o poder socialista, podem vir a cometer crimes.

Sendo o «jornalismo» e o comentário português o que são, não se prevê nenhum sobressalto perante esta posição ditatorial e indigna. O «jornalismo» e o comentário aplaudiriam até, decerto, se Costa, coerentemente e perante uma nova crise económica, mandasse prender capitalistas por putativa «sabotagem». No fim de contas, para a propaganda socialista as coisas não são o que são, são o que a propaganda disser.

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...e só mais uma drageia contra a intoxicação desta noite

por José Mendonça da Cruz, em 29.08.19

Esta noite a Sic, a RTP e a Tvi vão voltar ao «golpe antidemocrático» de Boris Johnson, e darão notícia de uma petição contra a suspensão da sessão parlamentar decerto «assinada por milhões», e até apresentarão uma portuguesa chorosa a dizer que deu a vida por Inglaterra.

A petição tem conseguido percentagens de até 7% nas circunscrições mais posh ou afluentes, e de menos de 2% nas outras. E tem uma passagem muito esclarecedora (que decerto não aparecerá nas «notícias»), exigindo que a sessão parlamentar não seja suspensa nem o Parlamento dissolvido «a menos e até que o período do Artigo 50 seja suficientemente alargado ou a intenção do Reino Unido de abandonar a UE tenha sido cancelada».

Em resumo, o que os democráticos peticionários querem, contra o ditatorial Johnson, é que a decisão dos Ingleses, democraticamente referendada, seja adiada até esquecer ou pura e simplesmente «cancelada». É neste tipo de peticionários que os nossos media se reveem.

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A Amazónia em resumo: as fake news e a realidade

por José Mendonça da Cruz, em 29.08.19

(Como profunda e respeitosa vénia a Charles Moore e Matt Ridley, da revista Spectator do Reino Unido, intensamente citados e copiados)

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Bolsonaro deixa a Amazónia arder? Não. Esta foto é da Bolívia. Mas o chefe de Estado é Evo Morales, socialista e indígena.

 

 

 

Cristiano Ronaldo é um perito de florestas português que joga futebol nos tempos livres e publicou online uma fotografia dos fogos na Amazónia que, dada a sua fama científica, se tornou viral. Com a pressa de sair do laboratório para o relvado, não reparou, porém, que a fotografia era de 2013, e não de 2019. E fora tirada no sul do Brasil, a alguns milhares de quilómetros da Amazónia. Emanuel Macron é um biocientista célebre que nas horas vagas se ocupa da presidência da França. Macron divulgou uma fotografia dos terríveis fogos que devastam a Amazónia. A fotografia datava, porém, de há 20 anos. Madonna é uma famosa biocientista que por vezes se apresenta a cantar em palcos, e que, também ela, publicou uma fotografia alertando para o desastre da queima da Amazónia. Bateu o recorde dos outros três especialistas: a sua fotografia tinha 30 anos.

 

«Os pulmões que produzem 20 por cento do oxigénio do planeta estão a arder», disseram peritos florestais como Macron, Sousa Tavares, Marques Mendes, e, em geral, os media da imprensa, rádio e televisão portugueses.

Na realidade, a Amazónia não produz oxigénio. Como qualquer ecossistema, consome mediante a respiração praticamente tanto oxigénio como o produzido por fotossíntese. O governador da Amazónia já tinha explicado isto há bastantes anos, mas os factos não convêm à «narrativa». (E, já agora, os pulmões não produzem oxigénio).

«A Amazónia está a arder» (mas só a de Bolsonaro)

A Amazónia não está a arder. A grande maioria dos 75 000 fogos ocorridos este ano deram-se em terras de cultivo e áreas já deflorestadas, alguns iniciados por queimadas de que foi perdido o controlo. O número de fogos é muito maior do que no ano passado, mas o mesmo das ocorrências em 2016, e menor do que em 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2010 e 2012. Mas durante a maior parte desses anos o presidente do Brasil era um socialista (e corrupto), pelo que esses fogos não contam. Acresce que sendo o aumento do número de fogos no Brasil de 85% este ano, na Bolívia esse aumento é de 114%; mas, mais uma vez, sendo Morales socialista, os números da Bolívia não valem. O que vale é que pobres ministros de um governo socialista que deixou arder 100 pessoas em fogos ocorridos numa extensão comparativamente ínfima critiquem e ensinem coisas aos brasileiros.

 

Alguém dizia que nas sociedades modernas há muito quem tenha substituído as religiões pela adoração do homem e da natureza. Esta adoração ignorante da Amazónia, traduzida em ataques ao presidente do Brasil, que relevam da pura intoxicação política, e ataques ao Brasil (que resplandecem de intromissão em assuntos da soberania interna e escondem mal uma apetência neocolonialista -- «progressista», agora) repetem o mesmo sombrio caminho das velhas disputas sobre a soberania dos Locais Sagrados, que deram origem a tantos aventureirismos políticos e militares em séculos passados.

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A generalidade dos media portugueses, com as televisões à cabeça -- e, dentro destas, a Sic na vanguarda -- não produz hoje informação. O que produz é propaganda, omissão e desinformação, ou seja, o fruto do trabalho dos activistas, serventes e dos pobres diabos sem deontologia nem espinha que, aparentemente, poluem as redacções. Chamemos-lhe, abreviadamente, «a clique».

Este tipo de intoxicação tem já episódios antigos. Como o de Reagan, um mero «cowboy» de filmes B, que, inconvenientemente, derrubou o império soviético e mudou o mundo; ou do segundo Bush, ignorante por se referir aos gregos como «grecians», palavra que os ignorantes desconheciam existir em inglês, e ser o equivalente do nosso «helénicos». Ou talvez de Kohl, um aventureiro que unificou a Alemanha (coisa que nenhum homem de esquerda faria). Mas estes eram apenas episódios. A intoxicação é, agora, total e generalizada.

É por isto que, a cada vez que, perante a baixa de tiragens, ou audiências, ou vendas, leio ou oiço os porta-vozes das aflições dos nossos media clamar por ajudas e subsídios, eu me sinto extremamente confortado. Por enquanto, ainda não vivemos num país inteiramente socialista; por enquanto, os media ainda dependem da opinião dos consumidores.

É que a maioria dos que ainda consomem o produto da generalidade dos media portugueses, deixaria de consumir se soubesse os erros que a clique divulga, os factos relevantes que a clique ignora, e as verdades que a clique propositadamente oculta.

Infelizmente para a clique dos media, qualquer indivíduo que goste de estar informado tem cada vez maior facilidade em obter informação fidedigna em blogues, sites noticiosos e imprensa internacional, onde dispõe de dados, números, factos relevantes e relatos verídicos, ou seja, aquilo que a clique chama «fake news».

Dois casos apenas. Um amor de estimação e um ódio de estimação (um novo), respectivamente, da clique.

Diz-nos a clique que a activista sueca do ramo de negócio da ecologia, a Greta, é heróica, impoluta e iluminada, a versão secular de uma santa. Tanto que, para evitar poluir o ambiente, viajou de barco para uma conferência em Nova Iorque. A tsf, com total destemor do ridículo, disse até que ela viajava num «iate ecológico». Foi pena não nos terem informado que a rapariguinha e o pai regressarão à Europa de avião; e que quatro indivíduos viajarão agora de avião até aos EUA para trazerem o iate de volta ao Mónaco e às mãos do proprietário, filho da princesa Carolina. Seria evidentemente excessivo pedir à clique que explicasse se é este o futuro que deseja: o dos pobres e remediados quietos em casa, enquanto os ricos e os arautos de causas trabalham ou fazem férias de iate ou fragata, sem o incómodo das multidões e do convívio com a maralha.

O que a clique seguramente deveria ter informado, é que santa Greta padece da síndrome de Asperger, e que, como facilmente aprenderia no site da CUF (são privados, são um horror!), as manifestações mais habituais desse problema são, nomeadamente, «conversas longas mas quase em monólogo, sem perceção se o ouvinte deseja falar ou mudar de assunto (...) obsessão por um ou dois temas muito específicos, como estatísticas de desporto, horários de comboios, meteorologia; incapacidade de compreender ou mostrar empatia em relação aos sentimentos dos outros; (...) atitude inflexível face à mudança».

Já sabíamos que Trump é incompetente politicamente, apesar de ter derrotado santa Hillary, e economicamente apesar de colocar a economia a crescer mais de 3%, o rendimento familiar em alta, os impostos em baixa, e o emprego branco, negro e «latino» em alta recorde, e de ter renegociado com grande vantagem tratados com o México e o Canadá. Trump é, além disso, segundo a clique, um criminoso que conduz o mundo à beira da guerra ao destratar a Coreia do Norte, apesar de ter levado a Coreia do Norte à mesa de negociações, que continuam, e ter sido o primeiro líder mundial a afrontar os abusos monetários e comerciais da China. A clique também nunca contará que, caso as negociações com Pyongyang cheguem a bom termo, Trump cortará os biliões de dólares anuais de apoio à Coreia do Sul (como intenção mediata não está nada mal para um néscio).

Já sabíamos que o Brasil e o seu povo se suicidaram ao eleger Bolsonaro, em vez de mais um corrupto (que, aliás, acaba de ser detido), fruto e filho dilecto de um bando de corruptos.

Mas a clique tem agora um ódio novo, Boris Johnson. Boris Johnson é, para a clique, um ódio mais ingrato, pois tem mais política num dedo do que a clique no corpo inteiro, e mais cultura e educação em 10 g de cérebro do que a clique tem no seu cérebro colectivo (embora alguns palermas da clique se aventurem debalde a sugerir que não é assim). Mas desinformation oblige. Logo...

Logo, soubemos hoje que a decisão de Boris Johnson de «suspender o Parlamento», causou «grande polémica» e suscitou até acusações de «comportamento ditatorial».

Que se passou, de facto, e que se esquece a clique de informar?

-- que Johnson não «suspendeu o parlamento». Nos termos constitucionais pediu a suspensão da sessão parlamentar, que foi autorizada pela rainha;

- que a sessão parlamentar em curso era já a mais longa de toda a história de Inglaterra;

- que é normal a sessão parlamentar ser suspensa antes do discurso da rainha em que exporá as principais medidas do programa de um novo governo britânico (como é o caso do anúncio dos cortes de impostos, do combate ao crime, e dos grandes investimentos em infraestruturas que Johnson já anunciou). 

- que é normal a sessão parlmentar ser interrompida para férias, embora eu acrescente que nunca por um período tão longo (assim tentando eu demonstrar que não é preciso omitir o que não nos convém para discutir um ponto).

- que a senhora que classificou Johnson de «ditador de pacotilha», a senhora Sarah Wollaston, tem a grande autoridade moral de ser a mesma que em poucos meses abandonou o Partido Conservador em favor do Change UK, e depois o Change UK em favor dos Liberais Democratas, sem nunca achar que precisava de perguntar alguma coisa aos eleitores da circunscrição por que foi originalmente eleita.

O que a clique, de qualquer forma, recusa informar, é que a «polémica» de Johnson é apenas alta política: a redução do tempo de conspiração dos críticos do no-deal Brexit e dos remainers (que, de qualquer forma, já dispuseram de 3 anos); que as principais medidas do programa de governo são uma arma poderosa em caso de eleições (que Johnson quase proclama que deseja); que quanto mais crível for um Brexit sem acordo mais a UE tenderá a negociar.

O que a clique nunca informará é que uma Inglaterra livre da UE poderá negociar um tratado bilateral com os EUA que além de vantajoso, pode atirar o Tratado Intercontinental para as calendas ou para o lixo; que um Brexit sem acordo escancara uma porta que os burocatas de Bruxelas receiam ver sequer entreaberta; que sejam quais forem para a Inglaterra as consequências económicas do divórcio com a UE, as consequências económicas no continente terão neste consequências políticas (os agricultores franceses que perderem o seu principal cliente ainda votarão Macron? Os polacos e os húngaros sob sanções da UE não terão novas ideias? Os partidos entre eurocéticos e euroalérgicos de França, Alemanha, Itália e países nórdicos não terão novo alento?)

Tudo isto seria mais esclarecedor, mais complexo, mais informativo? Pois seria. Mas a clique não quer esclarecimento, nem complexidade, nem informação. A clique quer apenas uma vulgata e uma agenda. Elas resumem-se na velha descrição certeira: «a filosofia do falhanço, o credo da ignorância, e o evangelho da inveja».

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«Ai o género é tão giro, sei lá...»

por José Mendonça da Cruz, em 24.08.19

«O meu Martim escreve hoje...»

«Ai o meu Salvador também anda activíssimo...»

«Mas o meu Martim escreve hoje na coluna dele do Expresso que o Miguel Morgado é incendiário, não achas giríssimo?»

«Mas porquê?»

«Ele finge que não percebe que aquela coisa das casas de banho é para impor aquela coisa da ideologia de género, e diz que as críticas do Morgado é que são horríveis. Não achas superinteligente?»

«Mas ele fingiu mesmo ou não percebeu?»

«Olha lá, fingiu, claro. Senão era um idiota útil.»

«Ai o meu Salvador é tal qual...» 

 

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Interlúdio cómico na Sic notícias

por José Mendonça da Cruz, em 15.08.19

O zelo da Sic notícias na defesa dos socialistas e no ataque a quem quer que os incomode teve hoje um pequeno sobressalto cómico no jornal das 19. Para atacar o Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, a Sic contava com a apresentadora, um Pedro qualquer da redacção, e julgou ficar descansada convidando Raquel Varela. Mas Raquel Varela não lhes fez o recado, muito ao contrário: lembrou que os motoristas são obrigados a trabalhar entre 40 e 50 horas semanais por cerca de 600 euros; que o seu sindicato está mobilizado e tem grande proximidade com os associados; que as greves se destinam a causar incómodo e a prejudicar o negócio; que os trabalhadores têm direito à greve e, naturalmente, a provocar efeitos políticos com a greve, visto também serem eleitores; que há uma campanha negra contra o porta-voz do sindicato; que o governo está a atacar o direito à greve, nomeadamente obrigando membros das forças policiais a trabalhar dezenas de horas diárias de borla.

Nada do que Raquel Varela disse era cómico, e era tudo verdade. Cómico foi ver a apresentadora a torcer-se em sorrisos tentanto contrapor palermices (logo rebatidas por RV) e o Pedro qualquer coisa da redacção da Sic a torcer-se em contradições confrangedoras, a dizer que o direito à greve é muito bom, mas que outra coisa muito diferente são greves que produzam efeitos.

Se a Sic ainda tiver jornalistas em vez de pobres diabos desejosos de agradar ao poder eles terão morrido de vergonha.

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O alinhamento dos lacaios

por José Mendonça da Cruz, em 24.07.19

O alinhamento das notícias faz maravilhas. Fogos trágicos em Portugal, fruto de incúria e más políticas, que, no entanto, distribuem vastos lucros? 

Segundo a Tvi, não. O que o jornal das 20 noticia é o seguinte:

1. Primeiro, Judite, naquele ciciar característico que tão bem imita o das dentaduras defeituosas, explica que os fogos «supreenderam» (como só aos burros) as populações em «locais de difícil acesso».

3. Depois, o telejornal recorda que o ministro Eduardo Cabrita responsabiliza os autarcas.

4. Seguidamente, é convocado Jorge Coelho que, por ser da Beirayalta e «ir muito ao interior» explica que tudo isto é natural.

5. A rematar, a tvi ostenta um fogo na Grécia (acontecido há um ano, mas a aproveitar enquanto sobra um país mais mal gerido), adornado com um daqueles textos que os jornalistas medíocres têm na conta de elegante e poético: «Quando o novo dia trouxe a luz apenas deixou ver a dor e o silêncio da tragédia. Mati acordou para uma dor nunca vista ou sentida», etc.

De forma que ficamos a saber : a cada vez que surja um problema que castigue os portugueses e comprometa o governo, a tvi já decidiu de que lado fica, com os socialistas, contra os contribuintes.

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Dois Mundos

por José Mendonça da Cruz, em 24.07.19

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Quem tenha algum interesse por ciclismo ao mais alto nível e por turismo de qualidade, e disponha da funcionalidade de «Idiomas» no serviço da NOS, pode entreter-se, uma dessas tardes, com uma comparação engraçada entre o comentário português e o comentário inglês do Tour de France 2019.

De um lado, o português, terá boa disposição, apostas e piadas entre os comentadores, episódios e historiais de voltas e atletas passados, e informação puramente desportiva. Do outro lado, terá informação desportiva propriamente dita, mas também informação turística, geográfica, histórica, ecoómica e gastronómica sobre os pontos que a Volta vai passando (pois, por alguma boa razão, a transmissão francesa identifica os lugares, as regiões e os monumentos).

São, de facto, dois mundos.

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A democracia e os fascistas

por José Mendonça da Cruz, em 23.07.19

A redacção da TVi conseguiu inserir na notícia do jornal das 20 horas sobre a eleição de Boris Johnson, a propósito do novo primeiro-ministro inglês, os epítetos «racista», «xenófobo», «machista» e «homofóbico». Na véspera, num raciocínio tão articulado quanto hoje lhe é possível, Miguel Sousa Tavares disse em directo de Lagos que hoje em dia o que é mau é eleito, logo Boris Johnson seria eleito. Estes travestis de jornalistas e comentadores - ignorantes, boçais e preconceituosos - estão hoje à altura do melhor que se faria num jornal oficial do Burkina Faso ou da antiga Albânia. Parabéns. 

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Fogos cheios de virtude

por José Mendonça da Cruz, em 21.07.19

Os pobres broncos que se preocupam com a possibilidade de  casas e propriedades arderem nos fogos que «lavram», deviam ouvir a Sic e a Tvi. Está tudo a correr muito bem. O Governo tomou medidas fantásticas, o Siresp funcionará, embora ainda não tenha começado a funcionar, há «meios aéreos» (aeronaves) à farta e a trabalhar até à noite, há um secretário de Estado qualquer atento, e a Protecção Civil está cheia de socialistas para servir. Aliás, se houver problema, como Sic e Tvi desde já insistem e explicam, então é porque foi o vento, foi mão criminosa, foram os privados que não cumpriram na limpeza, foi a topografia, foi o calor, foi a vida.

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O Presidente, o futuro PM e a desinformação suicida

por José Mendonça da Cruz, em 11.07.19

1. Os factos. O embaixador de Inglaterra nos EUA, Kim Darroch, que se entretinha a dizer em círculos diversos de Washington que o Brexit, a política do seu governo, era um desastre, enviou para Londres um despacho a dizer que o Presidente americano era «inepto», «inseguro» e «singularmente disfuncional». Azar, o texto que deveria ser confidencial transpirou para a imprensa. Ora, o Presidente americano não é uma figura decorativa como outros Chefes de Estado, ele é o chefe do executivo; a «relação especial» Reino Unido - EUA sempre foi uma pedra de toque entre os dois países, e ela é ainda mais crucial para Londres, agora, em vésperas de Brexit. Donde resulta que a demissão do embaixador era uma necessidade e uma evidência de política externa. O putativo futuro Primeiro-Ministro inglês, Boris Johnson (antigo diretor da Spectator, autor de uma biografia sobre Churchill, antigo presidente da Câmara de Londres, antigo ministro dos Estrangeiros, e Membro do Parlamento), recusou-se, portanto, a defendê-lo num debate com o outro candidato, Jeremy Hunt, que não será Primeiro-Ministro -- decerto por coisas como esta.

2. As cabecinhas formatadas. Acontece que os jornalistas, digamos assim, dos orgãos de informação, assim digamos, portugueses têm sobre a mesa ou gravado nos escassos neurónios um manual que diz que tudo o que é americano é mau, que se for republicano é pior, e que Trump, sobretudo por causa dos excelentes indicadores económicos e sociais do seu mandato, é péssimo. E que qualquer outro governante que não seja socialista é no mínimo «excêntrico» e normalmente «xenófobo e de extrema-direita».

3. A versão progressista. Sendo assim, a notícia em 1., depois de passada pelas cabecinhas em 2., sai assim:

- que o embaixador Kim Darroch está a ser perseguido por dizer a verdade;

- que Boris Johnson não o defendeu e está «a ser alvo de fortes críticas».

- ponto final.

A versão é confrangedoramente lacunar e medularmente estúpida. Mas é a que passa em jornais e telejornais portugueses. Os quais, pressupondo a estupidez dos espetadores, vão aplicando a vulgata e dando tiros nos pés todos os dias, enquanto todos os dias se queixam das «redes sociais» e do que eles julgam que são fake news.

 

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P-S- PS- B-A-BA

por José Mendonça da Cruz, em 03.07.19

Serviçal, a TVi lá descobriu que a política e mãe de sete filhos que ocupará a presidência da União Europeia, assim matando uma ilusão socialista, esteve «ligada» enquanto ministra da Defesa a «problemas de extrema direita» nas forças armadas.

Mas é verdade que, no mesmo jornal, a mesma Tvi descobriu que no eclipse visível na América latina «o sol apagou-se no Chile e na Argetina».

De maneira que talvez não seja reles sabujice. Será só a inocência do analfabetismo.

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Matilde e os mé-més

por José Mendonça da Cruz, em 02.07.19

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Se bem compreendo, passou-se assim. Um bebé tem uma doença fatal identificada por um médico, mas com possibilidade de cura mediante um medicamento novo e muito caro: 1 milhão de euros. Num gesto de solidariedade admirável, milhares de cidadãos portugueses doaram o milhão necessário.

Admirável, comovente, e a bebé está salva, certo?

Errado.

Estamos no Portugal socialista, e o Estado é que decide de toda a vida, e da morte.

De maneira que a bebé só pode ter o medicamento depois de a Infarmed verificar se está em condições de o tomar, e se dignar contactar a farmacêutica.

Que os jornalistas portugueses não tenham nem um sobressalto, é normal. Há muito tempo se habituaram a pensar e agir em genuflexão.

Que os cidadãos em geral, e os dadores em particular não se indignem, é coisa que sugere a possibilidade de o estado ovino ter triunfado no país.

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O quê?! Como?! Qu`é que foi?! Onde?!

por José Mendonça da Cruz, em 05.06.19

Eu julgava que ia ler ou ver e ouvir alguma coisa sobre o acordo comercial preferencial que está a ser peparado entre EUA e Reino Unido - a «união dos povos de língua inglesa» de que outro personagem importante falava. Mas não. Foi só um boneco de plástico, o temperamento duma tal Meghan e do seu instável marido, e os «insultos» contra um mayor que começara por insultar. É assim. É a altura e dimensão intelectual e noticiosa dos media que se queixam da escassa audiência, e pedem «apoios» para esta espécie de informação que julgam vital para a democracia.

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A inclusão da bagunça e a envolvência com os espaços

por José Mendonça da Cruz, em 01.06.19

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Agora, durante 50 horas, Serralves abre as portas à multidão. É à vontade! É para todos! É gratuito!, proclamam eles. É um «espaço inclusivo da arte contemporânea e da cultura».

É um equívoco costumeiro neste paísinho cheio de parvoíces igualitárias e demagogia social. O resultado, revelador, é que mais uma vez, Serralves em festa não inclui porra nenhuma, senão a bagunça, o barulho e a boçalidade num espaço de beleza, serenidade e cultura.

Um coreógrafo que por lá anda a fazer apresentações ficou espantado, disse ele,  ao saber que há um ano a «grande parte das pessoas preferiu dar destaque aos momentos de fruição pessoal e à envolvência com o espaço em detrimento das próprias propostas artísticas».

É a mesma coisa: barulho, boçalidade, bagunça... ah, desculpem, «fruição pessoal».

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...

por José Mendonça da Cruz, em 28.05.19

A fúria do ateu ao ressuscitar... isso sim, seria um espectáculo digno de ser visto.

- Julian Barnes

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É Costa ou é a Justiça?

por José Mendonça da Cruz, em 19.05.19

Jamé, Mendonça, Campos, e Pina lá tiveram o mínimo que mereciam, que é terem a conduta analisada pela Justiça, devido aos malabarismos com PPPs rodoviárias que por passes misteriosos passaram a custar mais milhões «ao Estado» (também chamado «contribuintes») em benefício imagina-se de quem. Sendo todos eles do Governo de Sócrates, não pertence, porém, nenhum deles ao Governo de Costa.

O que suscita a pergunta: era Costa que sabia muito bem o que se passava no Governo Sócrates a que pertencia e se absteve de convidar a «gente má» do antecessor? Ou é a Justiça que discrimina positivamente a «gente boa» que está no atual governo?

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