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Brasil e o «jornalismo» falsário -- as feridas à mostra

por José Mendonça da Cruz, em 03.10.22

Mais confrangedor que o trabalho enviesado, passional, desonesto das televisões portuguesas sobre as eleições no Brasil, é ver agora os «jornalistas» e os «repórteres» (que não perceberam nada, exceto as suas ilusões e vontades) agora às 00,13 perante os resultados, com 76% das secções apuradas, de Bolsonarro 45%, Lula 45%, a «justificarem» o cenário «surpreendente». (E ganem os pobres: «Lula à frente». Sim 0,7%). 

O «jornalismo» mais medíocre do mundo

por José Mendonça da Cruz, em 26.09.22

Todas as televisões portuguesas estão muito preocupadas com a vitória «da extrema-direita» em Itália. Consola-as, é claro, o alto valor da «abstenção recorde» de 36%, embora nunca as tenham preocupado os 45,5% da abstenção nas eleições portuguesas. Para confirmar o perigo, a CNN ouviu longamente uma entendida, muito representativa do eleitorado português: Catarina Martins. Depois, a CNN auscultou «opiniões contraditórias nas ruas», as quais consistiram na opinião de uma senhora de esquerda em Roma.  E deu relevo à capa de um diário, onde Giorgia Meloni foi fotografada com a mão estendida, para que se entenda que está a fazer a saudação fascista --- o jornal é o Il Manifesto, comunista. E, logo a seguir, sem reparar na contradição, insinuou que o novo governo italiano é amigo de Putin (coisa que todas as estações imitam). Por fim, o correspondente em Roma somou abstenção e esquerda para concluir, na sua aritmética tonta, que «a maioria não votou na coligação» vencedora (não ocorre ao homenzinho, evidentemente, fazer idênticas contas para Portugal). Quanto ao DN «noticia» que a direita, prestes a perder Bolsonaro, se alegra por ter Meloni. E todos estes pobres arremedos de jornalistas, ignorantes, desonestos e iletrados, enchem a boca com «a extrema-direita», embora nunca tenham vislumbrado a extrema-esquerda que têm em casa e dentro da cabeça. Depois de cortar o momento solene do enterro de Isabel II e o som pungente do gaiteiro da rainha para falar de lixo e proferir vacuidades, este tipo de «jornalistas» obtusos tem agora, com esta eleição italiana, uma nova oportunidade para se espojar longamente na sua própria mediocridade.

(Resta, ao menos, que desta vez somos poupados a adjetivações sobre o facto de a Itália ter a sua primeira primeira-ministra. Não, desta vez nada de «emblemático», nem «mítico», nem «icónico», nem «histórico».)

Ligeireza perigosa mascarada de estadismo

por José Mendonça da Cruz, em 24.09.22

A senhora Ursula van der Leyen ameaça o putativo governo ainda não eleito da Itália com as ameaças já feitas aos governos eleitos da Hungria e da Polónia. A senhora Ursula van der Leyen é um desses protagonistas da Europa falhada que julgam que lhes serão relevados os disparates que cometem e a presunção que transpiram.

Iliteracia financeira + socialismo = pobreza

por José Mendonça da Cruz, em 20.09.22

De Valueof Stocks um artigo bem documentado, e com excelente tratamento jornalístico dos dados, sobre o problema da habitação entre nós e a bolha imobiliária em que Portugal será primeiro: um artigo a ler com atenção, aqui destacado com dedicatória...
... aos iletrados financeiros que, ainda que soubessem inglês bastante, continuariam a não compreender nada.
... aos letrados financeiros para que se assustem ou, em caso de abastança, pensem em oportunidades de investimento.
... aos «jornalistas» portugueses, para que vislumbrem a distância a que estão de ser jornalistas.

A ler o enviesamento

por José Mendonça da Cruz, em 04.09.22

Noto nos canais especializados na hagiografia de esquerda uma grande discreção em relação a Lula. Noto nos noticiários normalmente tão críticos de Bolsonaro uma contenção inusitada. Noto uma invulgar falta de entusiasmo com as sondagens brasileiras. Donde concluo que o excitado vai ganhar, e o corrupto vai perder.

A solução para o que fecha é fechar de vez

por José Mendonça da Cruz, em 03.09.22

Diogo Ayres Campos, que preside à Comissão socialista para estudar o caso das maternidades e das urgências de obstetrícia que fecham intermitentemente -- deixando grávidas e bebés em risco, por vezes mortal -- já encontrou a solução que hoje anunciou: fechá-las.

(Nem no Acredite se Quiser, não é?)

Este é um título do telejornal da TVi, agora às 20.10 de quinta-feira, 1 de setembro, baseado num «estudo» da Direcção-Geral de Saúde. A tvi chama-lhe, ainda, «um turismo de nascimento», sabe-se lá com que intenções (certamente inconfessáveis como diziam os esbirros da PIDE e insinuam eles), que «abre portas a vários cenários».

Sobre a morte de uma grávida letalmente mal atendida pelo SNS destruído por Costa, Temido, o PCB e o BE é isto que o governo tem a dizer, e é isto que os fantoches que têm o descaramento de chamar-se «jornalistas» transmitem desenvolvidamente.

O despudor, o lamber de botas, o deitar e rolar à voz do dono descem ao nojo, à sabujice mais reles, ao ignóbil, à cloaca mais nauseabunda.

 

P.S. A Sic, por seu idêntico lado, anuncia longamente que os cuidados de saúde melhoraram em 2021.

SNS?! Tanto faz!

por José Mendonça da Cruz, em 30.08.22

A ministra da Saúde demitiu-se alegadamente de sua vontade por considerar que «já não tem condições» para tutelar a política de Saúde que António Costa, ela, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista defenderam, propuseram, implementaram e apoiaram e que tão bons resultados tem dado.

O governo de António Costa, a ministra da Saúde e a Directora-Geral de Saúde recomendaram aos portugueses que não estivessem doentes em Agosto por não haver maneira de os socorrer. Grávidas e bebés correm risco de vida ou morrem porque as maternidades públicas não podem atendê-las. Serviços de Urgência fecham regularmente nos dias que entendem (Serviços de Urgências fecham regularmente) em resultado da política que António Costa e Marta Temido, o Bloco de Esquerda e o PCP defenderam, propuseram, implementaram e apoiaram.

O governo de António Costa e a ministra Temido, com o incentivo e o aplauso do Bloco de Esquerda e do PCP, «nacionalizaram» os hospitais que funcionavam em regime de PPP. Disfarçaram a manobra ideológica propondo aos privados condições inaceitáveis. Hoje, todos os hospitais que funcionavam em regime de PPP são, graças a Costa, Temido, Bloco e PCP, mais caros para os contribuintes e piores para os utentes (quando funcionam).

O governo de António Costa e a ministra Temido, o Bloco de Esquerda e o PCP têm um tal ódio «ao privado» que não hesitaram em violar a lei e impedir que (ao contrário do que está estabelecido) recorram a hospitais privados os doentes cujo prazo de atendimento no público foi largamente excedido.

António Costa diz que a substituição da ministra não será rápida e que a política se manterá a mesma. Com Costa, evidentemente, a política será sempre a mesma. Sendo a política a mesma, decerto que PCP e Bloco vão gostar e calar-se. De qualquer maneira não se compreende de que se queixavam ou o que queriam, visto o que temos ser o que quiseram, e é o que quiseram que tem os resultados que tem. Os resultados devem-se a eles e a Costa.

Sendo a política a mesma, além disso, o substituto de Temido tanto faz (e não apenas por definição): pode ser Lacerda Sales, que decerto não envergonhará Temido com a sua competência; ou o candidato recusado pelos eleitores do Porto, para satisfazer o gosto que Costa tem de impor aos portugueses aqueles que eles acham que não prestam; ou outro qualquer, homem ou mulher, sobre quem a Sic decerto e rapidamente descobrirá curricula magníficos, grandes competências e feitos inesquecíveis (coisa que no domingo o Dr. Marques Mendes confirmará).

Quem pode queixar-se são as vítimas de problemas de saúde súbitos, as famílias dos que morreram precocemente por falta de vigilância ou atendimento, as mães de bebés mortos, as grávidas que passam momentos de desamparo e pânico. Talvez Costa pense em dar-lhes algum «apoio do Estado»: fartura de propaganda e «jornalismo» amigo, e mais 1 ou 2 euros por mês.

 

«Pela primeira vez na história da aviação nacional, pilotos, pessoal de cabine e técnicos de manutenção» da TAP saíram em conjunto à rua para protestar contra a situação da companhia aérea. Falam das contratações externas feitas após despedimentos coletivos, de milhões gastos na transformação de aviões de passageiros em aviões de carga que depois ficam parados, da mudança de sede, do recurso a fornecedores externos onde trabalham pessoas que a TAP despediu, dos erros de gestão e do desperdício de receitas (falam até dos milhares de milhões de euros que os contribuintes foram obrigados a lá meter).

Apesar de a expulsão d`«o privado» e da nacionalização da TAP feitas por Costa e Nuno Santos já serem olhadas hoje como ruinoso disparate, cometido em cumprimento da cartilha ideológica socialista, a solução continua a merecer o apoio expresso ou velado dos media de reverência.

No Observador (sempre distraído no que respeita à intencionalidade das agendas), as duas notícias que antecedem a manifestação de todos os trabalhadores da TAP são, uma, o clamor do implicado (nem sequer apenas presunto) na destruição da empresa, Pedro Nuno Santos, a exigir «responsabilidade» aos manifestantes. No léxico de PNS, «responsabilidade» consiste em calar os erros clamorosos que faz, e «patriotismo» em apoiar os erros clamorosos do governo. A segunda notícia, é um comunicado da comissão executiva da TAP a proclamar que os trabalhadores comprometem o futuro da empresa com «factoides» e críticas, sendo que quais sejam os «factoides» é coisa que fica por dizer ou desmentir.

Só a terceira notícia explica o protesto de todos os trabalhadores da TAP, que o Observador  -- distraído, sempre --ilustra com a foto em baixo (à esquerda) da manifestação, de autoria de José Sena Goulão, fotógrafo da LUSA. A fotografia da direita, tem anos, é do mesmo Goulão, e é de uma manifestação da CGTP contra o governo de Passos Coelho. Descubra as diferenças, ou seja, veja se, de facto, uma imagem não vale por mil palavras como confissão de um credo político ou da distração ou incompetência de um editor.

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A Sic recomenda-se

por José Mendonça da Cruz, em 21.07.22

Recomendo vivamente a «reportagem» que a Sic anunciou e deu hoje sobre «os pais de Famalicão» e o caso da disciplina de intoxicação chamada «Cidadania».

A «reportagem» ou «entrevista» não era uma coisa nem outra. Era apenas uma armadilha, uma peça ao melhor estilo do que a Sic faz no «género» vómito, com uma entrevistadora militante de géneros e novilíngua, confundindo inquirição com inquisição, e alguns interlúdios de ativismo tóxico destinados a humilhar, mais do que contrariar os anunciados «pais de Famalicão».

Vale a pena ver. No género desinformação canalha é difícil encontrar melhor.

P.S. (salvo seja) Este é um post bastante pedestre e básico. Na escala da decência está, porém, vários graus acima da reles manha da Sic.

Torpedeados pela Tradução

por José Mendonça da Cruz, em 11.07.22

Na RTP, um responsável da UE recomenda, citando a OMS, um «second boost» de vacinação anti-covid para maiores de 60 anos. Mas a tradução transforma «boost» (impeto, esforço, fluxo) em «dose». Donde resulta, segundo a RTP, que a UE e a OMS recomendam, em meados de 2022, uma segunda dose da vacina para os maiores de 60 anos.

É a tradução e o serviço público segundo Nicolau.

Governo demitido

por José Mendonça da Cruz, em 11.07.22

Então, se bem compreendo para que serve um primeiro-ministro, e, nomeadamente, uma pasta da saúde, é para explicarem isto: «Olhem, não estejam doentes em agosto, sejam responsáveis, escolham alturas mais razoáveis porque o SNS também tem direito a férias».

Então, se bem compreendo para que serve um primeiro-ministro, e, nomeadamente, uma pasta de administração interna e um serviço de protecção civil, é para proclamarem isto: «Olhem, se não gostam de incêndios, não os ateiem, gente irresponsável!»

Então se bem compreendo para que serve um primeiro-ministro, e nomeadamente, uma pasta das infraestruturas, é para se indignarem com isto: «Quê, além de hospitais, queriam andar de comboio no Verão, e ainda tínhamos que fornecer o ar condicionado?! Vão a pé ou usem a caminoeta que já dispõem de autoeestradas em barda!»

Então, se bem compreendo para que serve um primeiro-ministro, e, nomeadamente, uma pasta do ambiente, é para um dia celebrarem isto: «Não é uma sorte o aeroporto estar um caos e a TAP uma bandalheira? Já pensaram que o vosso incómodo coloca Portugal na vanguarda dos menos poluidores da navegação aérea?!»

Mofino Sócrates de Santos e Costa

por José Mendonça da Cruz, em 06.07.22

Vou comprar uma chavasca e inscrever-me no PS.

Depois, eu e três amigos meus vamos fundar uma associação sem fins lucrativos em defesa do mar e da pesca sustentável. Um dos meus amigos tem um contacto nas TVs, e quando o repórter vier vamos elogiar muito «o notável trabalho do ministério do Ambiente na defesa do meio marítimo e no enquadramento dos problemas sociais no sector piscícola, com resultados apreciáveis na respetiva resiliência» (julgo que é assim que se diz). E vamos anunciar que planeamos comprar mais 3 chavascas para recolher plástico além de pesca, e defender o polvo, o cação e a tartaruga, tudo espécies em vias de extinção, pelo menos individualmente e caso a caso.

A seguir vamos ao referido Ministério do Ambiente para, em articulação com a Economia e as Pescas, e em reconhecimento do nosso empenho e solicitude,  solicitar apoios do Estado para promoção da atividade da nossa associação, e também para a merecida divulgação da obra do governo em prol dos oceanos.

Vamos comprar 4 traineiras, e vamos baptizá-las: a «Mário Soares» vai servir para a pesca da lagosta; a «Pinto de Sousa» para atividades à margem do ramo; a «António Costa» servirá para a pesca longínqua; a «Nuno Santos» servirá para os periódicos desfiles engalanados em que anunciaremos que «estamos a perspetivar para o futuro a constituição de uma comissão que analisará as potencialidades do empenhamento em novos canais de empreendimento e novas perspetivas sociais do nosso trabalho». (Julgo que é isto, mais ou menos.) Pediremos para tal alguns apoios mais do Estado, a bem da resiliência.

Então, compramos um paquete, para a inauguração do qual convidaremos, reconhecedores e obrigados, os quatro padrinhos das traineiras. O Dr. Santos Silva e a menina Mariana podem vir em representação do defunto. Esperamos inculcar em todos a conveniência, senão mesmo a necessidade urgente, de nos atribuirem um canal de comunicação que melhor dê a conhecer a nossa obra e a deles. E também alguns apoios.

Quando amealharmos suficientes casas, carros e contas discretas, provavelmente uma comenda, e alguns milhões de dívida, cederemos as nossas empresas ao Estado pelo preço social, solidário e simbólico de 1 euro. O Dr. Pedro Nuno Santos, sendo naturalmente o primeiro-ministro eleito pelas preferências do povo, gabar-se-á desse seu negócio, mais uma lição aos privados e ao Mundo.

Literatura

por José Mendonça da Cruz, em 30.06.22

O Príncipe.Ter os amigos perto e os inimigos ainda mais perto. Agora o PM Costa tem ao lado, em vez de um (não tão) jovem lobo de voz grossa e alto querer, um cordeirinho cordato (e talvez sem espinha nem tomatinhos).

Fábulas. Há sapos e sapos para deglutir. Que saúde terá Santos depois de engolir o sapo Costa?

A Vida e o Destino. Pedro Nuno Santos ficou, talvez porque, como a maioria dos governantes socialistas, não tem para onde ir. Mas talvez pudesse gerir a empresa do pai...depois de nacionalizada, evidentemente, já que «o privado» e «a ganância do lucro» são coisas horríveis.

Constituição. O que governa um governo em que um ministro despacha despachos anulados no dia seguinte? Que ministra um ministro cujas decisões não se escrevem, e, caso sejam escritas são anuladas?

Portugal e o Futuro?  Portugal e o quem?!

 

Como contar

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.22

Todos os cursos de jornalismo deveriam incluir (mas não incluem) esta pequena lição sobre como se relata um drama. Um dia, uma professora de liceu perguntou às meninas e meninos da sua turma mista se gostavam ou não de caça. Os meninos e as meninas manifestaram-se todos contra com grande ênfase e algazarra. «Então», disse a professora, «escrevam uma redacção sobre isso, explicando porque não gostam da caça. Amanhã lemos as melhores.»

Mas, no dia seguinte, afinal, a professora só leu uma redacção. Resumiu 29 das 30, que eram todas iguais. «Ah, a caça é muito má, os homens são cruéis, matam os animaizinhos inocentes só para se divertirem e ganharem dinheiro, não pensam nas ninhadas que ficam orfãs, não pensam na dor de um casal quando um deles é morto, querem é explorar a natureza, não têm respeito por nada, nem pelo sofrimento dos animais, nem pelo ambiente.» E assim por diante.

A professora leu, no entanto, a redacção de um dos meninos. Dizia assim: «O caçador apontou bem e disparou. A bala fez um som surdo quando atingiu o veado e levantou pó no pelo. As mãos do veado estremeceram, dobraram-se, ele tentou levantar-se, mas teve uma convulsão, e ajoelhou, e o peito e o focinho bateram no chão. Depois caiu a garupa. O veado tombou inteiro numa nuvem de poeira. O caçador saiu do esconderijo e aproximou-se. O veado arfava, o buraco que a bala fizera jorrava golfadas de sangue e da boca do animal saía uma aguadilha, uma mistura de baba e de sangue. Os olhos do veado estavam cheios de medo, o caçador viu-os, mas depois o veado resfolegou, vomitou mais sangue com baba, e deixou de respirar e os olhos, muito devagarinho, deixaram de olhar, e depois perderam o brilho, e depois ficaram baços.»

Quando a professora acabou de ler a redacção deste menino -- que não tinha dito para proibirem a caça, nem para matarem os caçadores, nem para ilegarizarem as espingardas, nem proclamara que os veados são a mais bela criação do mundo, nem jurara que a caça mata o ambiente e o ambiente nos vai matar a todos -- quando acabou de ler a redacção os meninos e as meninas choravam baba e ranho todos.

Ora, embora correndo o risco de, com considerações deste género, estar a educar alguns fanáticos de «causas», eu faço-as ainda assim. Porque julgo que os fanáticos de causas não aprendem nada, nem sequer o que seria eficaz para eles. Não, o meu propósito é mais modesto: é evitar que numa reportagem sobre uma cidade ucraniana deserta e devastada o jornalista comece por dizer que «é como o dia a seguir a uma festa» ou «como a estação quando o comboio já partiu». É que, como os dos meninos excitados, há textos armados em lintratura ou pô-é-zia que não são só vãos e indignos, são estúpidos.

Propaganícias

por José Mendonça da Cruz, em 20.06.22

Revela na Sic, hoje, o primeiro-ministro que as pensões vão ter um aumento «histórico», em cumprimento de uma lei cujo autor não lhe ocorre. É para 2023.

Um membro do Governo diz, hoje, na Sic, que o Siresp vai entrar em funcionamento. Custa 75 milhões e mais 150 de aperfeiçoamentos. Estará em pleno em 2026.

Outro membro do Governo anuncia, hoje, na Sic, que o pagamento do abono de família vai passar a ser simples e automático. Em 2028, sem falta.

Devemos esperar para amanhã o hidrogénio verde para 2070, o TGV para 2080, o novo aeroporto para 2085, a perspetivação para o futuro da previsão da possibilidade de eventuais lucros na TAP?

2023?! 2026?! 2028?!

Serão propriamente notícias, ou uma barragem de propaganda veiculada pela informação do irmão do primeiro-ministro para distrair do caos no SEF e no SNS? Ou uma coisa e a outra serão sinónimos?

Luz numa espécie de ruína

por José Mendonça da Cruz, em 16.06.22

Eu tive um grande amigo, uma cabeça privilegiada, que um dia, há mais de 50 anos – exatamente quando o meu Mini passava sobre o Viaduto Duarte Pacheco para nos levar não sei onde –, me explicou que no fim do curso de Direito ia para Padre. Assombroso quando vindo de quem seria sem dúvida um líder político de combate, com carisma, competência e ideias, ou um temível advogado de barra (provavelmente não um diplomata). Acabou com brilho o curso, e foi para padre. Teve uma vida notável e no outro dia morreu.

Eu olho à volta, para a bagunça subdesenvolvida do aeroporto de Lisboa, para o caos intencional e ideologicamente provocado no Serviço Nacional de Saúde, para a demanda incansável de nivelamento por baixo na educação, ouço as vacuidades com que se tenta mascarar a disfuncionalidade do país – temperada de cobardia, venalidade e propaganda, quando não da grosseria mais rasca – e lembro-me dos tristes suspiros moribundos do coronel Kurz, em Apocalipse Now, sobre a enorme força moral de um grupo dos seus inimigos: «Se eu tivesse uma divisão de homens assim esta guerra acabaria muito depressa». Se nós tivéssemos um batalhão de homens como o Padre João Seabra, o meu querido amigo João, este país mudava muito depressa para muito melhor.

Conheço de ter estado atento, e de algumas vezes ter sido beneficiário – e alguns memoriais inteligentes e comovidos refrescaram-me a memória – da obra do Padre João Seabra, mas este não é um obituário sobre um amigo de infância, o meu querido amigo João. Foi uma obra Cardeal, a dele – e no entanto nunca foi a Bispo. Nunca se queixou.

Conheci de perto o Colégio de São Tomás, que a minha filha mais nova frequentou desde a primária até ao 12.º ano. O São Tomás era um colégio católico e um colégio de exigência. Perguntei certa vez porque tinha ela que escolher como disciplina suplementar o Latim ou o Alemão. Explicou-me, para meu consolo e satisfação, que além de obterem novos conhecimentos (o Latim, sobretudo, digo eu, é um ginásio mental) os alunos ganham em aprender concentração e esforço.

Tento informar-me nos media que por aí há sobre como vai a Educação socialista. Pedem-me para atravessar, primeiro, uma barragem de ignorância e iliteracia: aprendo que há porta-aviões chineses que conseguem sobrevoar Taiwan; sei pela célula bloquista do insuspeito Observador que «Guterres encostou Putin à parede»; constato com surpresa que há muitas coisas que dantes alastravam e agora «alastram-se»; e aumenta a minha admiração pela raça equina ao saber pela Sic que, no jubileu de Isabel II, às tantas «foram os cavalos a assumir o protagonismo». E tudo isto é normal, pois ouvi há semanas na mesma Sic que «as autoridades insistem na possibilidade de poder haver» não sei quê em Mariupol. A possibilidade de poder haver disparates – como o de a CNN/Portugal anunciar na Quinta Feira Santa que o «Papa dá início à Semana Santa» – alastra-se.

Consigo, por fim, saber que no Ensino socialista não há professores, não há avaliação, nem destes, nem dos alunos, não há mérito e que o que é preciso é toda a gente ser ignorante e feliz. Aprendo que há uma derradeira inovação progressista que consiste em acabar com a matemática, porque, dizem, a abstração é tenebrosa. Há filósofos modernos que veem na matemática a nova filosofia. O socialismo, não. O socialismo ambiciona que as crianças contem peras e moedas de cêntimo; dependam do Estado e sonhem com «apoios» dele; tenham umas noções sobre os ganhos da raspadinha e uns rudimentos de contabilidade, 1 mais 1, 2, 2 mais 2, 4, coisas práticas e modestas, rabos de bacalhau basta.

A exigência do Colégio fundado e dirigido pelo Padre João Seabra não educava, nem formava apenas quem podia pagar; também formava e educava pro bono. Foi abrindo a muitos, que não pagavam, as portas do elevador social. O Colégio era de uma associação privada, e custava dinheiro e esforço mantê-lo. «Desculpa que estou cheio de pressa, vou ali ver se angario um milhão», disse-me ele certa vez à porta «das Conchas». Por vontade dos socialistas fechavam o colégio e o elevador. Mas o Colégio ficou, a continuar um trabalho magnífico.

Em casa do meu querido amigo João Seabra, ainda com 13 anos, ainda não Padre, rezava-se o terço a seguir ao jantar e citava-se muito – ele e o pai – os Maias, o Fradique, as Cartas. Eram capazes de citar parágrafos inteiros. Por exemplo: «A melhor prosa, a mais perfeita, a mais lúcida, a mais lógica, a que tem sido a grande educadora literária e tem civilizado o mundo, é feita com meia dúzia de vocábulos que se podem contar pelos dedos.» Ficou- lhe um nobre respeito pela clareza do discurso e das posições, a que os surdos chamavam brutalidade, e os cegos snobeira. Na esperança de obter afirmações claras com que chocassem as audiências e retratassem uma igreja insensível, algumas televisões convidavam-no. Enganaram-se sempre.

Falou claro e foi influente na defesa da vida na campanha do primeiro referendo sobre o aborto. Ganhou a vida. Foi discreto e obediente, provavelmente com dor, quando a igreja optou pela pusilanimidade no segundo, praticamente abandonando o campo aos defensores dos direitos do corpo e de tudo o que tenha dentro. Faz falta a voz clara e culta do Padre João Seabra para chamar falta de qualidade à falta de qualidade e bandalheira à bandalheira.

O SNS foi levado ao caos por socialistas, e pelas múmias e extremistas cuja passagem Costa franqueou ao derrubar um «muro de Berlim» ao avesso. (Olhem-nos agora a clamar que não tiveram nada a ver com isso!) Morre gente com consultas marcadas para um ou dois anos demasiado tarde, morrem bebés, grávidas no instante decisivo batem com a cara na porta, vítimas de «doenças fatais» sofrem mortes precoces por falta de assistência, as listas de espera somam anos, as esperas na fila somam horas. Os turistas esperam horas no Aeroporto de Lisboa, perplexos com a desorganização e a indigência, e uma inspetora diz que «francamente não estávamos preparados para ter turistas em Junho», no país que sobrevive de turismo e empréstimos. Pedro Nuno Santos aproveita para dizer, como ministro das Infraestruturas de 2050, da Habitação social que não há, e da Ferrovelhovia, que é preciso um aeroporto novo. E como ministro da TAP – que com Costa, o PC e o BE fez pública e destruiu a pretexto de a salvar – diz que se isto continuar vai desviar aviões para outros lados. Sobe a dívida pública, sobem os juros da dívida, disparam os custos da energia, sobe em flecha a inflação, sobem os impostos, afunda o défice da balança comercial, e o país empobrece.

E nunca se fala em gestão. E é sempre culpa de um imprevisto. E nunca se fala em competência. E nunca se fala em bom aproveitamento de recursos escassos. E nunca se fala de organização do tempo. E nada de produtividade.E menos ainda de uma fé e um programa. E menos ainda em inteligência. Tudo coisas sem as quais o Padre João Seabra não teria feito metade do que fez na vida.

Que assuntos importantes «convocam», então, governo e maioria socialista? Estes? Não. Outros.

O primeiro-ministro quer que os salários subam magicamente 20%.

A ministra da Saúde – que não esperava que a política dos extremistas, das múmias, sua e de Costa tivesse as consequências inevitáveis – diz que vai fazer um plano de contingência. «Contingência» é a qualidade daquilo que é contingente, um acontecimento eventual. Em pleno caos no SNS a ministra vai planear (eventualmente) para a eventualidade do caos no SNS.

No aeroporto e no SEF também se vão fazer «planos de contingência» para a eventualidade improvável de aterrarem aviões trazendo pessoas dentro.

A ministra do trabalho – com um brilho de entusiasmo nos olhos e uma expressão alacre verdadeiramente assustadores – diz que o governo vai ser «pioneiro» a nível «mundial» da «semana dos 4 dias».

A ministra da Defesa diz que «estamos a perspetivar para o futuro a possibilidade de dar treino a tropas ucranianas», uma frase que bate em vacuidade a de um pobre repórter da Sic que anteontem, nesse persistente maravilhamento com Costa, imaginava Portugal a «servir de ponte entre a Inglaterra e a União Europeia».

E no Parlamento maioria e oposição debatem como melhor suicidar velhos e doentes.

Curioso! O Padre João Seabra (e o Papa João Paulo II, acrescento) teriam algumas coisas interessantes a dizer a esses cultores do «corpo digno» que tanta energia gastam em apressar a morte no princípio e no fim da vida.

A mente privilegiada do meu querido amigo João Seabra viveu anos incólume dentro de um corpo disfuncional, vítima de «doença incurável», humildemente, pacientemente, cristãmente, produtivamente. Irritei-me com ele só uma vez na vida, quando coincidimos por acaso numa praia e fui conversar com ele, já bastante debilitado. Depois, quando me levantei disse-me «Obrigado». «Obrigado?!», disse eu, «não deves estar bom da cabeça!»

Estou contente por ter dito aquilo.

Há poucos anos, na apresentação da sua biografia, João Seabra À Sua Maneira, o meu amigo João ralhou com os autores, em público e perante considerável  audiência, por não me incluirem na história. Eu não tinha lido o livro e pareceu-me aquilo escusado, como garanti aos autores, ainda que os lados menores que a gente tem rejubilassem vilmente com aquela prova de amizade. É que eu nunca fui companheiro do meu querido amigo João na militância monárquica ou política, e a minha vida deu muitas voltas bem distantes da fé forte que o animava. Éramos só grandes amigos, que é uma coisa que há.

Há poucos meses, o João deixou-me uma pérola escrita. Aconteceu que os confinamentos forçados por causa do virus; um terço de vez em quando e depois diariamente por discreta e amorosa pressão da minha mulher; e, durante esses terços diretamente de Fátima, a voz extraordinária e a tristeza infinita no rosto do Padre Quelhas; e as homilias redentoras do dominicano Frei Filipe, no computador e depois ao vivo – tudo isso me trouxe devagarinho de volta à Igreja. Julguei que o meu amigo João ia gostar de saber, e escrevi-lhe por SMS: «Talvez gostes de saber…» E concluía que ia comungar no domingo.

Respondeu-me o meu querido amigo Padre João Seabra, acabado de vir de Fátima, com «gratidão à Virgem Mãe que me concede esta graça enorme do teu reencontro com Jesus. Comove-me cada passo. Mostra a paciência de Deus».

E eu lembro-me que não sou digno.

A vanguarda da via para a retaguarda

por José Mendonça da Cruz, em 02.06.22

A ministra do trabalho veio -- sorriso alacre da inimputabilidade, olho brilhante dos entusiasmos vãos, modos nervosos das utopias desastrosas -- anunciar a semana de trabalho dos 4 dias. Que é a «vanguarda», que é «pioneira», que é uma iniciativa «líder a nível internacional», uma reforma progressista, ainda melhor que a semana de 35 horas, uma gesta enorme deste governo socialista enorme, sempre na vanguarda, sempre primeiro a colocar-nos em últimos.

Pergunta: o 5.º dia de trabalho não tem qualquer valor económico, ou então tem, e cortá-lo tem custos consideráveis? Perguntas ou respostas sobre isso é que não houve, pois talvez estragassem a lamentável festa. Houve perguntas sobre a demora do conselho de ministros que pariu a coisa. O que permitiu ao ministro da educação «explicar» que o governo é aberto e plural, a demora deveu-se apenas ao contentamento. Que a ministra logo confirmou, toda contente.

 

Duas Adivinhas Social-Ucranianas

por José Mendonça da Cruz, em 08.04.22

Passada a guerra, depois da adesão da Ucrânia à União Europeia, quem gabará as políticas socialistas por terem tirado Portugal da cauda da Europa?

Costa, Nuno Santos, Medina, Mariana Vieira da Silva, Ana Catarina Mendes, e os jornalistas portugueses de Sic, Tvi, TSF, Público e Expresso.

Cinco anos passados sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia, quem culpará as alterações climáticas, o derrotismo da direita, a gripe da época, o governo de Passos Coelho, as off-shores, a especulação, e a deriva de Orban por o poder de compra dos portugueses ocupar novamente o último lugar do ranking europeu?

Costa, Nuno Santos, Medina, Mariana Vieira da Silva, Ana Catarina Mendes e os jornalistas portugueses de Sic, Tvi, TSF, Público e Expresso.

Uma medida visionária

por José Mendonça da Cruz, em 08.04.22

O governo socialista pretende aplicar um novo imposto às empresas com «lucro excessivo». O «lucro excessivo» será aquilo que os socialistas entenderem. Ainda que não tivesse sofrido uma derrota esmagadora, o PSD de Rui Rio concordaria. Esmagadoramente derrotado, também concorda.

Esta medida -- este imposto mais -- é adequada, importante e popular.

É adequada porque é genuinamente socialista.

É importante por ser uma nova e convincente forma de acentuar a descapitalização das empresas portuguesas, e desincentivar a capitalização. É importante, ainda, como travão enfático ao investimento estrangeiro.

É popular porque, nas suas enormes e comprovadas inteligência e sabedoria, o povo que vota maioritariamente socialista e se reconhece nas suas medidas, pode desabafar nos cafés: «É assim mesmo, nós aqui a empobrecer e esses gajos das empresas a ganharem rios de dinheiro!»

Visionários, todos!



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