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À Tout Va

por José Mendonça da Cruz, em 31.07.20

O Sr. ministro da Economia disse, ontem, a propósito do desemprego, que «o pior já passou».

Soube-se, hoje, que o PIB português caíu 16,5%.

O Sr. ministro da Economia «já vê a recuperação» (diz a Sic) e o Sr. ministro das Finanças está optimista.

Podem os Srs. ministros da Economia e das Finanças dizer estas coisas perante microfones alegadamente empunhados por jornalistas, e com tais afirmações granjear o apoio popular?

Estou muito pessimista, penso que sim.

A pandemia à lupa num estudo definitivo... salvo erro

por José Mendonça da Cruz, em 31.07.20

As televisões divulgaram hoje um estudo que revela que a letalidade do vírus é maior nos maiores de 55 anos.

É, portanto, um estudo pioneiro, no sentido em que nos revela o que já sabíamos.

Mais diz o estudo que espera mais dados da DGS para que deles saiam confirmadas ou infirmadas as conclusões agora apresentadas.

É, portanto, um estudo revolucionário, no sentido em que diz que fica à espera para ver se acertou.

Aguardamos ansiosamente os próximos episódios.

Como socialistas e Patriotas Úteis (PUs) destruiram a TAP

por José Mendonça da Cruz, em 28.07.20

(...) Mas não, nem a TAP nem Portugal participarão nesse bom negócio, nem TAP nem Portugal beneficiarão dessa excelente vantagem comercial numa actividade muito competitiva, nem a TAP crescerá (muito ao contrário), nem será fonte de riqueza, porque o socialismo prefere a dependência à liberdade económica, prefere o controlo, ainda que à custa de uma TAP “pública”, regional, irrelevante em termos de negócio, e irremediavelmente deficitária. “É nossa”, cantam os PUs. “É nossa”, dizem os socialistas.

O artigo completo aqui

Assistência presidencial activa

por José Mendonça da Cruz, em 26.07.20

Perante fogos que se devem ao calor ou ao vento, ou às fadas, ou aos bruxos, ou aos incendiários, ou às festas, ou ao tractor, ou à ceifeira-debulhadora, ou ao avião, perdão, «meio aéreo» da monda, fogos esses que duram uma semana, Marcelo já veio dizer que a pandemia prejudicou a prevenção dos fogos (além do mais, o vírus é incendiário, agora). A ajuda do Presidente ao Governo está cada vez mais incondicional e activa.

Não há fundo de enviesamento a que não desça a Tvi

por José Mendonça da Cruz, em 11.07.20

cloaca-maxima-roma.jpgPara a informação da Tvi a gravíssima crise económica que já está em Portugal não é assunto de notícia, como não o são o desemprego a subir em flecha, a emigração, os transportes sobrelotados, a pobreza a aumentar, a fome de tantas famílias que ficaram sem rendimentos.

Para a Tvi importa, sim, que os ricos também pagam a crise. Foi o tema de uma «reportagem», hoje, no jornal das 20.

«Os milionários também sentem a crise», começaram eles, para logo anunciarem que «a bolsa afunda (...) e com ela o valor das maiores fortunas nacionais». A Bolsa afundar seria, para cérebros normais, motivo de preocupação acerca das empresas nacionais; para a Tvi é motivo de celebração, pois «as fortunas» ficaram minadas.

Mas a repugnância da Tvi à criação de valor e emprego, o nojo da Tvi a tudo o que não seja socialismo e atraso, não ficou por aqui. Prosseguiram eles, família a família: que a família Amorim, da corticeira e da Galp, perdeu 760 milhões; que os herdeiros de Belmiro Azevedo perderam 570 milhões; que os herdeiros de Pedro Queirós Pereira perderam mil milhões devido à Semapa e Navigator; que Isabel dos Santos perdeu 976 milhões com as perdas de Galp e NOS e a nacionalização da Efacec. Os problemas no consumo interno e nas exportações de cortiça e produtos de cortiça, combustíveis, materiais de construção, bens de consumo, cimentos, papel, tecnologia -- a depressão da economia portuguesa, em suma -- não são, para a Tvi, motivo de tristeza; são-no, antes, de alegria: «os ricos» pagaram!

Em vez de lamentar as perdas para a economia do país, a Tvi prefere cultivar invejas e ressentimentos, alimentar o ódio ao sucesso e à criação de riqueza. E para que não ficasse dúvida sobre até onde está disposta a descer, a Tvi ainda acrescentou que também houve «quem fez negócio com a crise»: os Mello, que ganharam dinheiro na Cuf e na Efacec (escolher a frase «fez negócio com a crise» para referir esta situação desce, de facto, ao nível da mais abjecta e despudorada manipulação).

Quem tivesse dúvidas sobre a dimensão intelectual, moral, cívica e política da informação da Tvi terá ficado plena e devidamente esclarecido.

Há sempre uma verdade mais conveniente à espreita

por José Mendonça da Cruz, em 09.07.20

Os portugueses devem andar de máscara na rua porque o vírus espalha-se de todas as maneiras; mas os utilizadores dos transportes públicos sobrelotados podem estar descansados porque aí o vírus não contagia -- é o que diz «um estudo», decerto feito à medida, e que o Presidente da República se apressou a anunciar. Não cessam as maravilhas...

METRO.jpeg

Preocupados com o distanciamento social ? Não estejam. «Um estudo» que o PR citou e subscreve diz que os transportes públicos sobrelotados não são fonte de contágio.

Tradução de Português

por José Mendonça da Cruz, em 08.07.20

a cidade é deles2.jpg

Tradução

AVENIDA SEM CARROS

VENHA VIVER COMO A GENTE MANDA

O socialista Fernando Medina e o socialista José António Borges vão promover a acção a Rua é Nossa [deles] (...)

Embora sejam muito largos os passeios da Avenida da Igreja, vamos reservar a peões e trotinetas o trânsito na artéria e proibir os carros, até estacionados, para que os  moradores os levem para o raio que os parta, e os estabelecimentos comerciais se vão lixar com a mania de ter filas à porta e clientes vindos do bairro e de todo o lado da cidade.

Para o efeito, a partir das 16 horas da véspera começaremos a aplicar multas e a rebocar carros, porque o dinheiro nos faz falta e nós é que mandamos. E se os carros não couberem no parque do mercado, saibam que, tal como a 2.ª figura do Estado, nos estamos cagando, porque nós é que dizemos aos munícipes como viver e comportar-se.

P.S. (para sempre!) Informamos desde já que esta acção experimental colheu enorme apoio e entusiasmo. A minoria despicienda que discorde deve ir viver para outro lado; os privados que a contestem fazem-no por colocarem o lucro acima do bem-estar dos munícipes.

 

O vírus deixou sequelas nos cérebros dos media

por José Mendonça da Cruz, em 08.07.20

Os media ignoram os transportes públicos sobrelotados de gente que precisa de trabalhar para sobreviver, ignoram a pobreza e as filas da fome; e à noite vão de dedo em riste apodar de irresponsáveis os jovens que bebem bebidas alcoólicas (oh despudor!) na rua (oh sacrilégio!).

Os media aplaudem e fazem coro com as confrangedoras declarações de PR e PM sobre a pérfida Albion, e apontam dedos e peças aos ingleses que acusam da morte do turismo; e à noite vão apontar o dedo a turistas que viajaram até ao Algarve, a que chamam irresponsáveis (sem ao menos um sobressalto a propósito das «autoridades» que obrigam a GNR a desempenhar papéis tão vãos e ridículos).

Os media cobriam em profusão as reuniões do Infarmed; agora, que o «milagre português» com que tentaram iludir-nos morreu, não estranham o fim das reuniões do Infarmed, e preferem ouvir o ministro dos Estrangeiros ralhar com a Bélgica.

Mas não sobrará nos media uma medida módica de serenidade, um neurónio operacional, uma colher de café de sentido do ridículo, uma gota de vergonha, um grãozinho de hombridade, uma parcela sobrevivente do desejo de informar?

Poligrafando a Sic: como se aldraba uma notícia

por José Mendonça da Cruz, em 07.07.20

No seu apontamento diário anti-Trump, a Sic «informou» hoje que Trump criticou «o único piloto negro da NASCAR», dizendo-lhe que deveria ter pedido desculpa (a Sic não explicou porquê), e que criticou também a NASCAR por ter banido a bandeira sulista, a Dixie, «da escravatura». Mais «noticiou» a Sic que a secretária para a Imprensa, Kayleigh McEnany, teve grande dificuldade em defender o presidente.

bubba-wallace-darlington-throw.jpg

Seguidamente, a história como realmente se passou:

01. Sobre as dificuldades da adida de Imprensa. a Senhora Kayleigh McEnany não tem nem ainda teve qualquer dificuldade em defender o presidente americano; tem-se notabilizado, aliás, por responder de forma esclarecedora e terminal a questões e polémicas levantadas pelos primos ricos americanos da Sic, o NYT e a CNN. Sendo a Sic o que é, é natural, portanto, que a Sic sempre tenha omitido a existência ou o teor das diversas e definitivas intervenções da Sr.ª McEnany.

02. Sobre o único negro piloto da NASCAR. Darrell «Bubba» Wallace (nome mais sulista não há, e «Bubba» é a alcunha dada pela irmã quando ele nasceu) é um rapaz de 26 anos, bem-apessoado, articulado, simpático, natural de Mobile, no Alabama, que se tornou notado nas corridas de carrinhas de caixa, passou depois pela modalidade de acesso ao topo das competições NASCAR, a Xfinity-Series, e foi contratado por uma equipa da «divisão principal», a Richard Petty Motorsports, em finais de 2017. Talentoso, mas não muito, Bubba foi conseguindo classificações modestas, entre 10.º e 19.º, o que não lhe garantia um futuro na modalidade. Terá sido o seu publicista (suspeita-se, não há provas disso) que recomendou a Bubba que procurasse destacar-se de outra forma. E Bubba destacou-se premindo a tecla rácica. No dia 8 de Junho passado pediu à NASCAR que banisse a bandeira sulista, a Dixie, de todas as provas. A NASCAR já antes deixara de usar oficialmente a Dixie, mas muitos dos espectadores das provas corridas no Sul continuaram a empunhá-la; mas, dado o pedido de Bubba, dois dias depois, em 10 de Junho, a NASCAR decidiu banir rigorosamente a bandeira -- dos carros, da pista e das bancadas. Ao contrário do que se esperaria, a coisa passou sem grandes trompetas. Como passou a adesão de Bubba -- proclamada em diversas entrevistas e T-shirts -- ao movimento Black Lives Matter. Mas não houve escândalo nem horário nobre.

03. Sobre a NASCAR e a Dixie. As corridas da NASCAR, feitas com carros de série supermodificados, nasceram no Sul dos Estados Unidos no tempo da Lei Seca. Eram o prolongamento natural dos trabalhos mecânicos a que se entregavam os fabricantes e contrabandistas de bebidas alcoólicas para que as suas carrinhas e carros escapassem sempre aos da Polícia. Aos fins de semana, os proprietários dessas máquinas corriam em pistas de areia ovais improvisadas. A Dixie, a bandeira, está muito ligada a esses tempos, como símbolo de resistência à superioridade moral novaiorquina e às leis puritanas de Washington. Sendo a Sic o que é, a Sic não sabe nem foi saber, portanto, nada disto.

Dado, porém, o facto inegável de a bandeira ter alguma ligação aos esclavagistas é compreensível que a NASCAR a tenha banido, mesmo ao arrepio das preferências de grande parte da sua audiência; como é compreensível que muitos americanos gostem da sua Dixie por razões que nada têm a ver com a escravatura. Provavelmente gostarão dela muitos republicanos, membros do partido que defendeu e conseguiu a abolição da escravatura nos EUA, defendida pelos democratas, um facto histórico que deixaria a Sic agoniada (se soubesse História).

04. Sobre aquilo de que Bubba deveria ter pedido desculpa. Resolvidas sem grande publicidade -- hélas -- as questões da bandeira e do Black Lives, Bubba julgou vislumbrar pouco depois -- agora sim, agora em grande -- a chave da fama. Na importante prova de Talladega, um dos membros da sua equipa contactou os responsáveis da NASCAR para se queixar de que o seu piloto era vítima de um acto de ódio: alguém pendurara uma corda de enforcado na porta da sua garagem nas boxes. Bubba indignou-se, Bubba falou e protestou, Bubba foi primeira página, a NASCAR indignou-se, a NASCAR pediu repetidas desculpas, os pilotos todos solidarizaram-se com Bubba e puseram-lhe o carro na frente da grelha de partida (acabou em 14.º), e Bubba ganhou enorme notoriedade.

Mas a NASCAR não se ficou pela indignação, resolveu solicitar que o caso detestável e que lhe manchava a reputação fosse investigado, e punidos o autor ou autores. E o FBI veio e investigou. Vieram duas dezenas de agentes (suponho que caucasianos e afro-americanos, mesmo que nada tenham a ver com o Cáucaso ou África) que entrevistaram responsáveis da NASCAR, directores das equipas, mecânicos, pilotos, comissários, pessoal diverso. E o FBI chegou à conclusão de que não, não havia acto de ódio nenhum: a corda de enforcado estava naquela garagem há mais de um ano,  e nem aquela garagem fora então atribuída à equipa de Bubba, nem havia maneira de saber a quem ela seria atribuída no ano seguinte (este ano). Mais concluiu o FBI que a corda de enforcado não era bem uma corda de enforcado, porque o laço não corria, e, aliás, era para ser assim mesmo, porque a corda servia de puxador para fechar a porta basculante da garagem, em vez de alguém ter que pular para pegar-lhe pela borda ou ir buscar um escadote. É claro que, sendo a Sic o que é, a Sic nem sabe, nem foi saber nada destas curiosidades engraçadíssimas; soube apenas que Trump pedira a alguém (para a Sic: «ao único negro») para pedir desculpa por um erro (para a Sic: «Para pedir desculpa»). 

5. Sobre a não-desculpa de Bubba. Depois de ter agitado os meios políticos e automobilistas, depois de ter beneficiado da solidariedade expressa e pública de profissionais e colegas, depois de ter entusiasmado os tarados do politicamente correcto com uma história sem fundamento, que disse finalmente Bubba? Disse que mais valia ter ficado «embaraçado», quando se consideram as alternativas (um pouco como o lobo da fábula: se não sujaste a água agora, disseste mal de mim há um ano; se não eras nascido há um ano, então foi o teu avô). Sendo a Sic o que é saberia ela disto, ou sabendo, noticiou? Nunca noticiaria, por uma razão ou a outra.

Em resumo: devia ou não Bubba ter pedido desculpa pelo escândalo injustificado? Evidentemente que sim. E devia ou não a Sic pedir desculpa por mais esta peça de desinformação despudorada? Sendo a Sic o que é, evidentemente que não.

Depois de desejar, sem êxito conhecido, pôr as pernas dos alemães a tremer, em vez de pagar empréstimos internacionais, Pedro Nuno Santos, principal e vocal apoiante do pedronunismo, quer agora ensinar aos outros países do Mundo, e «até aos privados», como se fazem grandes negócios com o dinheiro dos outros.

Não foi a propósito do enterro da TAP, como poderiam pensar. Foi a propósito dumas carruagens de comboio velhas que comprou aos espanhóis para circularem no Norte, não na Linha de Sintra, onde, aliás, e conforme Santos já informou, não podem circular mais comboios porque nem os há nem a infraestrutura aguentaria se houvesse.

(É ministro das Infraestruturas,sim. O seu espanto tem a ver com o pelouro, ou com o facto de ele ser ministro?)  

O «sensacionalismo» de mostrar a fome

por José Mendonça da Cruz, em 06.07.20

É curioso constatar como a redacção da CMTV sai à rua a mostrar os autocarros e comboios cheios de gente obrigada a contrariar todas as normas de segurança e a colocar a saúde e a vida em risco; é curioso como a CMTV sai à rua a mostrar as filas de distribuição de alimentos, cheias de desempregados, de novos pobres mais ou menos envergonhados, de famílias com fome.

É curioso como as outras televisões generalistas se poupam a fazer o mesmo, a mostrar a pobreza, o desemprego, a desorganização, e o falhanço do governo socialista, preferindo perseguir «jovens» que saiam à rua, vão à praia ou conversem entre si.

É curioso pensar o que incomoda os instalados e os serventes quando acusam a CMTV de «sensacionalismo». A realidade é, de facto, uma maçada.

Duas nacionalizações* no mesmo dia!

por José Mendonça da Cruz, em 02.07.20

Vamos ser a inveja da antiga Albânia, de Cuba, da Venezuela. Não imaginam já as filas compactas de investidores estrangeiros a quererem criar cá empresas?!

 

*Na língua de trapos socialista parece que quando uma empresa passa de privada a detida pelo Estado em 72,5% isso se chama «reversão».

O Grande Irmão está de olho em ti

por José Mendonça da Cruz, em 02.07.20

Começa sempre com a linguagem redonda, abrangente, enrolada em algodão: a ministra de Estado e da Presidência informa que o Governo vai lançar «um projecto» para «monitorizar» o «discurso de ódio» nas redes sociais. Mais explicou a ministra que se pretende fazer o acompanhamento e identificação dos sites e dos autores.

«Um projecto» não será a mesma coisa que uma polícia de vigilância acoitada num observatório povoado de patrulheiros do partido, pois não? «Monitorização» não será a mesma coisa que Vigilância e Defesa do Estado, pois não? A identificação de sites e autores não é a mesma coisa que censura e perseguições, pois não?

É assim que começa, quando uns animais se consideram mais iguais do que os outros. E tendo em conta que o que é ou não é «discurso de ódio» é definido pelos porcos que mandam no «projecto» e na «monitorização», é evidente que este parágrafo me condenaria e a este blog. Bastava que algum tarado, ignorante ou monitorizador nunca tivesse lido Orwell.

Os socialistas obtiveram a TAP. Parabéns a quem vai pagar

por José Mendonça da Cruz, em 02.07.20

Agora sim, a promessa foi cumprida: a TAP foi revertida, o Estado tem 72,5% da empresa.

Seguidamente, os socialistas tentarão convencer os contribuintes, que durante anos vão pagar o desastre, de que:

- foi tudo culpa da pandemia;

- não são eles que vão despedir milhares de trabalhadores;

- não são eles que vão alienar aviões, cessar leasings, cortar voos e destinos, nem entregar a outras companhias aéreas rotas rentáveis;

- não são eles que vão dar de barato a outras empresas e outros países a plataforma América/Europa em que Lisboa se transformara , e que Madrid provavelmente assumirá;

- não são eles que vão reduzir a TAP a uma companhia aérea regional e cronicamente deficitária;

- que todo o comportamento deste lamentável governo e do lamentável ministro do pelouro ao longo do processo iniciado com a «reversão» não constitui um argumento poderosíssimo para afastar daqui qualquer intenção de investimento estrangeiro;

E tentarão convencer-nos, repete-se, que não são os contribuintes quem vai pagar o desastre criado pela cegueira ideológica de ter uma companhia aérea a que eles chamam «nossa». 

 

O socialismo e os idiotas úteis acabaram com a TAP

por José Mendonça da Cruz, em 29.06.20

O senhor Neeleman, protagonista privado da aviação comercial, tem uma companhia aérea nos EUA, a Blue, uma companhia aérea no Brasil, a Azul, e tinha a TAP em Portugal. Tinha um plano a médio e longo prazo: aumentar o tráfego aéreo entre os seus hubs em Lisboa, nos Estados Unidos e no Brasil, recolher passageiros das rotas secundárias (os raios da roda) para alimentar os voos intercontinentais. Foi com esse plano que a TAP cresceu, pagou dívida, aumentou a frota, aumentou a receita e criou milhares de postos de emprego. 

Depois chegou a pandemia, que seria sempre um duro golpe no presente e futuro da companhia. Mas graças ao governo socialista e aos idiotas úteis, o golpe será fatal: a TAP vai regressar à insignificância e ao prejuízo crónico.

Pela mão dos socialistas e seus satélites, que abominam tudo o que seja privado e funcione, a privatização foi revertida. Soubemos desde logo que sem que o Estado mandasse, embora se responsabilizasse por prejuízos. (Os idiotas úteis aplaudiram.) E sabemos agora que com uma cláusula secreta assinada pelos socialistas que obriga o Estado português a indemnizar o accionista privado com uma penalização e mais o valor da empresa em caso de nacionalização.

A pandemia não seria necessariamente um golpe fatal, se o governo socialista tivesse sido célere no apoio à TAP, e tivesse sido competente na negociação com a UE, nomeadamente rejeitando a menorização da empresa. Em vez disso, o governo preferiu ser fraco com a UE e forte na hostilização dos privados que sanaram a situação da empresa e a fizeram crescer.

Obtendo a nacionalização da TAP, como desejavam, empurrando o accionista principal, os socialistas dispensam os hubs de Brasil e EUA, ou seja um futuro de crescimento e rentabilidade. Obtêm aquilo que sempre conseguem, a que se habituaram, e que propagandeiam como vitórias: uma companhia aérea pequena, irrelevante e deficitária, em resumo, uma empresa pública sem interesse económico ou social. Quanto aos idiotas úteis, os que em vez de uma empresa internacional rentável ansiavam por ter aviões a voar entre as suas capelinhas, obtêm exactamente aquilo contra que diziam protestar : uma empresa puramente regional, ou seja, provinciana. Podem todos limpar as mãozinhas à parede.

E já a seguir, já, jázinho, logo que chegue esmola do estrangeiro, os socialistas podem deitar-se a fazer o mesmo que o seu amigo Sócrates tanto amava: gastar rios de dinheiro em aeroportos sem aviões nem vivalma.

 

PS1. É tristemente divertido ver o debate público entre os dois herdeiros putativos de Costa, com o Medina das bicicletas a reforçar a posição do chefe na fuga a responsabilidades, através de críticas a DGS, ministra da Saúde e tudo quanto mexa; e o Nuno Santos do Porsche a enterrar a Tap e a si próprio com discursos de animal feroz sobre «intervenções assertivas»  e recusas de «ceder ao privado» (linguagem de troglodita que julgávamos ultrapassada), e sobre os «fanáticos» que não pensam como ele. Estamos nisto.

PS2. Lisboa estava a transformar-se numa interessante plataforma de distribuição de tráfego dos EUA e Brasil para a Europa, e da Europa para EUA e Brasil. Essa a utilidade de ter um aeroporto melhor. Quando constatarem quem nos substituirá nesse papel e nesse negócio, talvez socialistas e idiotas úteis tenham um pequeno vislumbre.

Lesivos

por José Mendonça da Cruz, em 25.06.20

O que se ouve nas tvs sobre a questão da TAP, cujos equivalentes já estão resolvidos segundo o interesse nacional nos países desenvolvidos, é a linguagem desadequada do ministro Santos, sempre ideológica, sempre ofensiva e suspiciosa da iniciativa privada, sempre estranha ao interesse nacional; e as fluentes patetices de Catarina Martins, que acha que o accionista privado da TAP é «lesivo».

É assim mesmo que se garante a falência de uma empresa interessante em particular, a fuga do investimento em geral, e a pobreza no fim.

O mercado do cidadão

por José Mendonça da Cruz, em 24.06.20

Os demagogos eleitos ou nomeados que andam por aí a impor normas, multas e proibições deviam fazer uma visita (por obrigação, e prolongada) à Loja do Cidadão do Saldanha, no mercado 31 de Janeiro. Deve ser o nome do sítio, 31 de Janeiro, que escusa as instalações de um mínimo de ordem, asseio, cuidados sanitários e, evidentemente, eficácia. 

As coisas que eles já não dizem

por José Mendonça da Cruz, em 24.06.20

Nos tempos em que os governos não são da sua simpatia -- ou seja, socialistas, e de preferência com Bloco à tiracolo -- os serventes da Sic utilizam um instrumento para manchar qualquer notícia que possa ser considerada positiva para o executivo, ou dar a ideia de que algo foi feito bem e competentemente. No fim da matéria de facto, e terminada a intervenção de algum protagonista, os serventes acrescentavam: «Só não disse...», após o que inscreviam a sua crença de que na verdade tudo corria mal.

Com governos como os de Guterres, ou Sócrates, ou Costa, o «só não disse» é metido na gaveta. Ao contrário, quando alguma coisa corre «aparentemente» mal, e em vez do estribilho do «só não disse», a Sic parece buscar desesperadamente «o que falta dizer», e corre zelosa a entrevistar um ministro, um membro qualquer do governo, um sociólogo, alguém, para que diga que está tudo supimpa no mundo dos milagres e maravilhas.

Ontem, a Sic (e todos os orgãos de comunicação social) noticiou que a criminalidade violenta tinha aumentado 3% em Portugal no ano de 2019. Donde, a Sic foi a correr «auscultar» o ministro da administração interna, Eduardo Cabrita, que a descansou dizendo que Portugal é um dos países mais seguros do Mundo (imaginem o que a Sic de antanho diria que o pobre homem «só não disse» sobre o seu próprio descaso).

Ontem, a Sic noticiou (e todos os orgãos de comunicação social) que há um surto grave de infecções do coronavirus em Reguengos de Monsaraz. Donde a Sic informou pressurosamente que estava a ser feito um rastreio exaustivo (elaborem sobre como a Sic se divertiria com a diferença entre prevenção e aflição).

Ontem, a Sic noticiou (e todos os orgãos de comunicação social) que o aumento de infectados em Lisboa esgota os meios de vários hospitais da região de Lisboa, e coloca outros próximo do esgotamento. Logo, a Sic «colheu» declarações do secretário de Estado da Saúde, que disse que era assim, mas que havia outros  hospitais que estavam muito bem (entusiasmem-se com as oportunidades que a Sic de antanho teria para vituperar amplamente a criatura pelo que «só não disse»).

Eu julgo que é supérfluo elaborar sobre se isto é jornalismo ou outra coisa, e que tipo de coisa ela é. O certo, é que no domínio deste tipo de «informação» extravagante, aguardo ansiosamente que a senhora da tvi que era, segundo o seu director de informação, do melhor que lá têm e que acusou o Norte de ser pouco culto, queira explicar agora, a propósito dos números de Lisboa, se eles se devem ao facto de -- como ela antes dizia -- uma «população menos educada e mais pobre estar a potenciar uma maior incidência da epidemia» na capital. [Há, evidentemente, duas boas razões para que a senhora jamais faça isto. A primeira, é que foi repreendida. A segunda, é porque agora é verdade. Mas, evidentemente, não se pode dizer que há bairros degradados, transportes inadequados, e gente pobre, menos educada e ferreamente confinada num paraíso socialista.]

 

Cloaca

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.20

Na Tvi, Pedro Pinto noticia que há escândalo em Madrid onde morreram «muitos velhinhos». Será cretino se lhe ocorreu aquilo, ou será cretino/a quem escreveu o texto, e cretino ainda quem aceitou ler a coisa. É indiferente. A Tvi é uma cloaca. 

A TAP, um cérebro fossilizado e dois tiros nos pés

por José Mendonça da Cruz, em 22.06.20

Ao privado que tenha simultaneamente a propriedade da TAP, de uma companhia aérea no Brasil e de uma companhia aérea nos Estados Unidos não interessa outra coisa senão manter um cubo de roda em Lisboa que alimente e seja alimentado pelos raios que liguem a diversos aeroportos europeus; e que alimente e seja alimentado pelos cubos e os raios das suas companhias nos EUA e no Brasil.

Foi assim que a TAP cresceu em aviões, rotas, pessoal e resultados. E, com cínica mas compreensivel oportunidade, pensou: já que a cegueira dos socialistas e de uns líricos de olhos tapados os obrigou a fingir que «reverteram» a privatização, e a meter o pescoço por prejuízos, vamos aproveitar para investir mais e deixar os lucros para depois. O governo, pela voz tonitruante de Pedro Nuno Santos, resmungou umas coisas e pagou.

Depois veio a pandemia, que colocou a TAP sob ameaça de extinção. Mas, tal como já aconteceu com a Lufthansa e outras companhias importantes para outros interesses nacionais, também a TAP poderia ser salva com uma injecção de dinheiros públicos. Porque quando a pandemia abrandar ou acabar, o turismo e a TAP voltarão a ser muito interessantes e rentáveis.

Estamos, porém, no Portugal socialista, logo, o executivo vai no terceiro mês de hesitação. Acresce, agora, que dois dos principais interessados no incremento do turismo -- a Associação Comercial do Porto e os Empresários de Turismo do Algarve -- querem inviabilizar o empréstimo de 1,2 mil milhões à TAP, a pretexto de que a TAP não gosta de fazer voar aviões vazios para confortar complexos de inferioridade regionais. O gesto, que deveria ficar na história como o mais monumental tiro no pé (sendo que o tiro ao pé é, como se sabe, um dos mais confrangedores exercícios de estupidez), coloca Porto e Algarve em perfeita sintonia com o cérebro fossilizado do socialista Pedro Nuno Santos, o ministro das infraestruturas sem infratestruturas, que sonha gerir a TAP com o rol de aptidões e experiência que vem penosamente demonstrando.

Deste imbroglio, que pode sair caríssimo aos seus promotores  e ser fatal à TAP, sobra uma esperança, ténue e difusa: a do fim político de Pedro Nuno Santos, modesto ganho, mas sempre era algum. Pode ser que Santos não empreste, assim se responsabilizando pela extinção da companhia «de bandeira» , e, do mesmo passo tornando supérfluo um novo aeroporto; tendo em conta o seu pelouro, seria curioso isto de um ministro das Infraestruturas que torna dispensáveis as Infraestruturas. Ou então, Santos pode emprestar ainda que continue a não mandar na TAP, como acontece hoje para nossa felicidade e da empresa, mas com grande pesar e crítica dos seus fãs da esquerda alucinada. Ou, então e ainda, o ministro empresta e consegue algum mando, com o qual assumirá a responsabilidade pela reestruturação e o despedimento de vários milhares de pessoas.

Seja como for, e sendo este o Portugal socialista, é bem possível que apesar de um desastre na TAP, o governo, e Santos, e o Porto, e o Algarve, e, por definição, o povo, fiquem, feitas as contas e por fim, muito satisfeitos com  solução derradeira de uma companhiazita «pública» e pequenina, deficitária, com 10 ou 12 aviões, a fazer voos semivazios entre Lisboa, Funchal, Terceira, Porto e Faro para glória e pobreza de todos. 

Madrid é que deve estar a fazer um esforço para que as gargalhadas não se ouçam cá. Arrasada a TAP pelo socialismo e os tiros no pé,  Madrid assumiria prazenteira e lucrativamente o papel de plataforma Europa/América.



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