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Faz o que digo, não o que faço

por Jose Miguel Roque Martins, em 14.07.20

"Governo decide manter restrições na Área Metropolitana de Lisboa"

António Costa e Augusto Santos Silva, começaram por dar um triste espetáculo, condenando, sem justificações, os outros países por nos incluírem em listas negras de turismo.

Depois melhoraram os argumentos e lutaram que nem leões,  lembrando que o Norte e o Algarve obedecem ás métricas sanitárias permitidas e que apenas deveria ser excluída Lisboa. Acusaram o ridiculo de se considerar Portugal uma unica entidade sanitaria. 

A zona metropolitana de Lisboa, também é muito diferenciada em termos da situação sanitária. Nomeadamente entre a margem norte e  sul do Tejo.

O que não impede que todos os conselhos sejam tratados de igual forma. Afinal o argumento de que a situações diferentes devem corresponder tratamentos diferentes, também não é usado pelo Governo Português.

 

PS A falta de coerência no discurso não é nova. É exatamente esse o problema: cada vez menos pessoas acredita nos políticos. Pobre democracia.

Dinheiro há. Falta saber gastá-lo

por Jose Miguel Roque Martins, em 13.07.20

Numa carta aberta, 83 milionários, exigem que os governos aumentem a  taxação de grandes fortunas (aquelas que praticamente não existem em Portugal). Pedindo em compensação que os impostos sejam utilizados de forma justa.

Concordo totalmente com os seus pedidos. Causas sociais urgentes, maior distribuição de rendimento, investimentos na educação, enfim, não faltam causas que justificam o dinheiro da sociedade. E é verdade o que também afirmam: não lhes faz falta o dinheiro dos impostos, ao contrario do que acontece com muitos outros.

O que me parece difícil será encontrar Estados que consigam garantir um uso justo de  um possível aumento de receitas.

Aliás, se em países ricos falta dinheiro e há necessidades por satisfazer, é no Estado que está a maior fatia de responsabilidade. Os problemas parecem sempre ter a mesma origem. Estados demasiado grandes e ineficazes.

A China e Xi Jinping mostram as suas garras

por Jose Miguel Roque Martins, em 12.07.20

A paciência Chinesa sempre foi uma imagem de marca a que nos habituamos. Uma nação, dois sistemas, uma invenção do pragmático Deng Xiaoping, parecia confirma-lo.  Foi o que permitiu avanços que permitiram a reintegração de Macau e Hong Kong e sugeria uma alternativa pacifica á integração de Taiwan.

Este ano, Xi Jinping alterou a estratégia. Não apenas começou a endurecer as demonstrações de força no mar da China mas, sobretudo, tornou claro que não vai respeitar o estatuto legal de Hong Kong. O que significa que a sua paciência se está a esgotar também em relação a Taiwan, abdicando da ilusão de que esta, uma vez submetida ao poder da China continental, pudesse manter um vislumbre de autonomia. Más noticias para os visados e para o mundo.  

Hoje, tropecei num artigo do DN, com o titulo “ Imagine morar com o patrão. Essa é a realidade de 400 mil mulheres em Hong Kong”.

 Um titulo que sugere a existência de escravatura sexual em larga escala, não confirmada na peça. E a serem verdade os factos reportados, uma mancha na imagem da população do  território, que  luta para preservar os seus direitos e garantias. 

Não consegui deixar de pensar que denegrir a imagem de Hong Kong, exatamente neste momento,  é conveniente para a China. E que parece coincidência a mais, aparecer, neste momento,  um artigo com estas características.

Estar atentos ás investidas de imagem da China, neste e noutros temas, cada vez é mais importante. Os sinais de conflito cada vez são mais serios. 

 

 

Exigir a verdade é extremismo?

por Jose Miguel Roque Martins, em 11.07.20

 

Primeiro foi a unanimidade em torno do confinamento. Depois foi a euforia por sermos um caso de sucesso. Agora são as criticas aos péssimos resultados do desconfinamento.

É verdade que o Estado, como sempre acontece, comete muitos erros. Não apenas em Portugal, mas por este mundo fora.

A verdade é que estamos todos assustados, preocupados, com medo e irritados.

A situação é muito séria do ponto de vista sanitário e económico. E não há  medidas possíveis para escaparmos ilesos. O problema sanitário é definitivamente grave. As dificuldades económicas que ai vêm são assustadoras. Factos indesmentíveis.

Sem verdade, vamos somar ao sofrimento inevitavel,  frustrações que promovem revolta e o agravamento da situação económica, numa crise que não precisa de ser piorada.

A primeira ilusão, vendida e assumida por sucessivos governos e partidos políticos, é a de que o Estado consegue resolver todos os problemas. E que essa omnipotência seria aplicada no caso do coronavírus. É mentira. Palavra dada não é palavra honrada? Raramente. Foi vendido que os sacrifícios do confinamento seriam recompensados por um novo normal. Que incluía cuidados, afastamento social,  mas não a manutenção e subida das infecções e a continuação de mortes.

Para a maioria da população, morrer ou ser simplesmente  infectado pelo vírus, é um escândalo. Acreditam que o Estado lhes garantiu e tem a obrigação de os proteger completamente deste mal. Anunciar qualquer numero de infectados e mortes é, por isso, sempre motivo de espanto e consternação.  Já morrer de cancro, de gripe, de unhas encravadas ou de outras doenças, continua a ser aceite como algo perfeitamente natural e aceitável.

Só um confinamento total e rigoroso permitiria a eliminação da infecção. E o Estado, embora não o reconheça, não tem os meios para o implementar indefinidamente sem que morrêssemos de fome. A saúde em primeiro lugar, está sujeita a restrições. Ao contrario, para mascarar a sua incapacidade, multiplica-se em iniciativas duvidosas que irritam os cidadãos. Lembram o vendedor que responde a um cliente , “não tenho espuma de barba, mas tenho um pente!”, Mesmo que essas medidas provoquem sofrimento extremo a grupos atingidos.  Ao mesmo tempo, vão soltando possibilidades assustadoras, mesmo que não prováveis. Um jogo de bravata e assustador,  que cria expectativas tão negativas, que permitam que a futura realidade, mais benigna, pareça uma conquista. Mentira de controlo, sem o beneficio da confiança. Um ato de terror gratuito.  

O Estado, qualquer Estado, não é omnipotente. Morrer ou adoecer é uma condição intrínseca ao ser humano. Uma pandemia, com elevado grau de propagação, sem vacina nem tratamento, sem confinamento total e absoluto, vai fatalmente reclamar a sua quota parte de doentes e de mortes, por melhor que seja a ação das autoridades. Facto que convinha partilhar com os Portugueses.

A outra ilusão criada é a de que a pandemia é o equivalente moderno da peste na idade media. Dentro das doenças infecciosas graves e com grande propagação, o coronavírus é relativamente benigno. Poucos infectados têm que ser internados. Poucos  internados morrem. E os que morrem, são na sua esmagadora maioria, de grupos etários definidos, sobretudo a partir dos 65 anos.

Ao contrario do que seria de esperar, com esta realidade, os Portugueses, de todas as idades, estão em pânico com a simples possibilidade de se infectarem, dada a sua percepção de gravidade da doença. Empolada pelos media e não desmentida pelos responsáveis públicos. Dar a noticia, de que os menores de 65 anos, enfrentam um risco muito diminuto de morte, seria outra iniciativa de valor. Tal como partilhar que a elevada taxa de mortalidade, mesmo dos mais velhos, é inferior a 20% e não uma morte garantida depois da infecção.

A pior realidade é melhor do que a total incerteza, ainda para mais pontuada com possibilidades assustadoras.  Os Portugueses precisam de saber que existe vida para além do Covid 19. E que essa vida será tanto mais difícil quanto maior forem os medos irracionais. 

O terror e insegurança artificialmente instalados, são, em si, mais um custo psicológico  desta pandemia. E um fator de agravamento da crise económica tremenda  que se vai seguir.

Não se exige um pragmatismo como o do Marquês de Pombal que poderá parecer radical: cuide-se dos doentes, enterrem-se os mortos, protejam-se os  vulneráveis, mantenha-se o distanciamento social, mas também, a vida.

Já exigir a verdade será extremismo?

 

 

Olhar para as formigas, esquecer os elefantes

por Jose Miguel Roque Martins, em 08.07.20

 

Daqui a umas décadas ou séculos, a atual crise pandémica estará ainda muito presente na mente de todos. Não tanto pelas vitimas que vai produzir, mas sobretudo pelos impactos económicos, políticos e sociais  que vai provocar, acelerando-se tendências que já vinham, há muito, a ser desenhadas.

Em 1968, uma pandemia, matou aproximadamente  um milhão de pessoas, provavelmente o que esta pandemia vai  reclamar.  Tão recente, tão devastadora, a gripe de Hong Kong, como foi chamada, acabou por ficar esquecida. Apesar das mortes a lamentar, a vida prosseguiu no seu ritmo quase normal.

Ao contrario desta tragédia, a atual crise já garantiu um lugar na História. A crise económica que vamos atravessar, será de magnitude equivalente ou superior  á grande depressão, a maior crise económica registada nos tempos modernos. As suas consequências vão sentir-se muito para além dos aspectos meramente económicos.Embora só a fome, já garantida nos paises mais pobres, ir reclamar milhões de vidas. A democracia, a globalização, os regimes políticos, vão conhecer forte turbulência nos próximos anos. Convulsões geopolíticas, já em fermentação, vão ser ampliadas. Ariscando-nos a atingir estados de guerra,  tal como aconteceram no século passado. A acompanhar os grandes sismos, vamos assistir ao acelerar de movimentos como o tele trabalho e o comercio electrónico, que vão produzir impactos no tecido laboral e social com consequências na vida económica, na distribuição do trabalho e na organização urbana. Para complicar  um pouco mais, ainda teremos que resolver o problema do  aquecimento global, num ambiente de grande crispação.

São frequentes as bombásticas declarações de que “nada será como dantes”. E normalmente nada se transforma, ou as evoluções são muito pequenas. Este pequeno vírus microscópico, arrisca-se a provocar, não pelas vitimas que vai produzir,  gigantescas mudanças perenes.

No entretanto, discutimos minudencias, como se não estivéssemos num possível ponto de rotura da vida como a conhecemos.

 

PS: As mais de 400 infecções e dois mortos de hoje, foram motivo de profunda consternação. Honestamente, nem estes resultados, nem o que aconteceu nos ultimos meses, me parecem motivo para tão forte alarido. Se o que está a acontecer é uma tragedia, provavelmente não temos palavras para descrever o que ai vem. 

Medina: um incompetente felizmente limitado

por Jose Miguel Roque Martins, em 07.07.20

O centro de Lisboa era território sem grande interesse. Ninguém queria morar lá.  As rendas eram baixas e o comércio era verdadeiramente tradicional: lojas a morrer lentamente e a sobreviver com o pagamento de rendas de miséria. Os prédios estavam degradados, nalguns casos insalubres, com décadas sem uma mão de pintura. Eram sobretudo velhos inquilinos, com rendas baixas, que moravam no centro.  Que me corrija quem tem dados diferentes. Mas a minha memoria é o que  descreve.

Depois veio o terror do alojamento local. Com uma velocidade assombrosa, prédios foram reabilitados, novas lojas apareceram e o que não valia nada passou a valer o seu peso em ouro. O impacto foi tão grande, que o movimento exorbitou o centro e espalhou-se por Lisboa que ficou mesmo bonita. E eu pensei que todos tinham achado que tinha  saído a sorte grande à cidade e ao País. Pelo desenvolvimento do turismo, pela atracão de moradores estrangeiros, pela reabilitação de uma cidade extraordinária mas em ruinas, pelos empregos criados, pela valorização de património antes sem grande valor, por uma cidade que ganhou com o turismo uma capacidade para ter um nível de comercio e serviços que o mercado local nunca conseguiria justificar.

Vem o coronavírus e vem a desgraça de não termos turismo a sério provavelmente por um ano. Uma péssima notícia, um enorme prejuízo para tantas pessoas e para o País em geral. Mas um mal com prazo de validade.

Como uma desgraça não costuma vir sozinha, eis se não quando, Medina, decide que é o momento de recuperar a cidade para os munícipes. Um tema já recorrente por gente pouco agradecida, que significa resgatar tantas casas quanto possível do famigerado alojamento local. Nasce o terrível programa "renda segura", sobre o qual já falei. É agora anunciado que se pretende que as pessoas , ou melhor “os trabalhadores essenciais” que trabalhem em Lisboa possam ir a pé para o trabalho. Infelizmente torna-se necessário criar uma nova classe de privilegiados (os essenciais), já que não se pretende eliminar completamente o turismo, nem seria possível trazer para a cidade todos os que nela trabalham. Ou seja, para além do absurdo económico que já explorámos, somos agora confrontados com a justificação para a escolha dos privilegiados que antes não se fazia: os essenciais ( por contraposição aos dispensáveis?) 

O delírio de pretender substituir o mercado  pelas excelentes ideais do Líder continuam a perseguir-nos. A criação de mais classes de privilegiados não para. Desprezar as poucas oportunidades de gerar rendimento e riqueza, parece obrigatório. Aumentar o desemprego um mal necessário. Rumo à pobreza e à discriminação parece ser o nosso fado. Mas apenas porque votamos em quem nos trata assim.

Felizmente, Medina não é apenas incompetente, é também limitado nas suas capacidades e as mossas não serão visíveis

Ps: Ainda mais triste é que, se mudarmos Lisboa por Porto e Medina por Rui Moreira, o post seria, no essencial, semelhante. De Norte a Sul, do PS ao PSD,  não nos safamos.

 

Maduro, o criminoso invisível

Venezuelan lifes doesn´t matter

por Jose Miguel Roque Martins, em 06.07.20

Nos tempos de violentos protestos em que vivemos, é um mistério como Maduro não é alvo de constantes manifestações a nível mundial. A sua interpretação da revolução Bolivariana, aprofundou o inevitável  desastre iniciado por Chavez.

A Venezuela, outrora um País prospero, mesmo sem contar com as suas imensas reservas de petróleo, é hoje um destroço económico, onde os direitos civis pura e simplesmente não existem. A fome, a falta de medicamentos e de bens essenciais e o jugo autocrático que esmaga os legítimos protestos das populações, é agora a nova e triste realidade Venezuelana. O único triunfo do regime será ter eliminado problemas de colesterol, já que o peso medio da população, na ultima década, baixou mais de 10 quilos.

Morre-se de fome na Venezuela. Não é por acaso que mais de 3 milhões de Venezuelanos fugiram para o exílio precário da Colúmbia, melhor do que a morte lenta a que estão condenados os Venezuelanos que não conseguiram escapar.

Ao contrario de outros regimes, em que não se entende como líderes se mantêm no poder, no caso da Venezuela a explicação é fácil. A autocracia apoia-se no Exercito, que vai tendo o que comer. Um modelo clássico, em que a força bruta garante a perpetuidade do regime, neste caso, a revolução bolivariana.

O desastre humanitário que se vive neste pais é tão grave que até o Bloco de Esquerda, deixou de apoiar formalmente este regime. Quando antes era, orgulhosamente,  por ele apoiado.

Pena é , que a generosidade dos ativistas, sempre tão prontos a demonstrar-se por causas nobres, não façam sua esta causa. Afinal são dezenas de milhões de seres humanos,  vitimas de um regime atroz, á beira de um genocídio.

 

 

PS: Não se ouve com frequência, nem criticas a Maduro, nem a denuncia de quem apoia este regime, como a Rússia, a China e Cuba. Insignificância de mais de 30 milhões de Venezuelanos? Ou uma causa incomoda para muitos por se tratar de quem assume uma bandeira da esquerda? Não consigo entender! 

 

Ódio , Censura, Autoritarismo e Radicalismo

por Jose Miguel Roque Martins, em 05.07.20

Hoje, lá li, mais uma mudança de nome de uma estação de metro, neste caso na  Alemanha, que, de forma aparentemente sinistra, faz referencia á rua dos mouros. Não para meu alivio, o nome será mudado para outro qualquer num futuro próximo.

Desde a trágica morte de George Floyd, que se multiplicam iniciativas que considero perigosas e em muitos casos ridículas.

A brutalidade policial, pura e simples, não é menos frequente, nem menos grave,  que qualquer motivação racista. Esqueçamo-la para todo o sempre, neste caso, tal como aconteceu em todo o mundo.

Um movimento contrario ao racismo, parece ser sempre uma boa ideia. O problema é quando se transforma num movimento assente no ódio , na perseguição e erradicação de vultos e factos históricos, na simplificação excessiva da realidade e na imposição de uma nova e única forma de ver.

As discussões sobre se certos fenómenos são de esquerda ou direita são tão infindáveis como inúteis. Independentemente de rótulos, o que é mau deve ser rejeitado ou pelo menos denunciado com a violência possível.  E é isso que não está a acontecer, prolongando os efeitos deste movimento que atingiu proporções ridículas e que se desviou completamente do seu objectivo inicial: quem se lembra ainda de George Floyd e do racismo com consequências praticas?

Sempre me pareceu o cúmulo do racismo fazer de conta que alguém não pertence a determinada etnia. Como se essa pertença factual fosse vergonhosa ou um demérito para alguém. O meu Pai, nascido em África, durante anos, só teve amigos negros. Que lhe chamavam branco, simplesmente porque ele era branco. Não por qualquer tipo de racismo, que não nasce pelo nome.  

O racismo infelizmente ainda existe, apesar de um progresso lento ao longo do ultimo século. Nos EUA as coisas foram evoluindo. Nos sentimentos e sobretudo  nos nomes. Primeiro negro. Depois preto. Finalmente afrodescendente. Certo é que, enquanto não houver uma aceitação natural de que um ser humano é um ser humano, independentemente da sua etnia, religião, sexo e outras circunstâncias, estaremos mal. Mesmo que deixemos  de aparentemente reconhecer realidades óbvias e inócuas, como o facto de existirem varias etnias á face do planeta.

Odiar policias,  racistas e essencialmente todos os que são diferentes de nós, não faz os manifestantes melhores do que o que contestam. Afinal, só o objecto do odio muda de um lado e do outro. E não há nada pior do que o Ódio e as  generalizações selvagens.

Partir estátuas ou mudar o nome de ruas, estações de metro e outros,  parece-me mais digno de trogloditas do que de seres humanos contemporâneos. Revisionismo histórico, sempre foi uma pratica de governos totalitários e um empobrecimento das memorias colectivas, nunca um passo em frente ou reparação de erros passados.

Estranha e um pouco inquietante é a forma como este movimento se tem espalhado, como se fosse um franchising, sendo os protestos, em todos os locais, idênticos e pouco adaptados á realidade local. Claro que quem não tem a rua dos pretos ou de um esclavagista, como os Alemães, pode mudar a rua dos mouros!

Agora, em Portugal, anuncia-se a monitorização dos discursos de ódio nas redes sociais, o que nos tempos do antigo regime seria, justamente, contestado como um importante passo na direção da censura. Sou contra o ódio e sei das dificuldades de o definir. Será que o que é ódio para mim, é ódio para os outros?  Mas sou absolutamente contra a perda de liberdade de expressão que fatalmente se segue á introdução de limitações e monitorizações, mesmo que de aspectos (teoricamente) menos dignos e honrosos de partilha.

Nada disto, per-si, terá consequências devastadoras no futuro imediato. São apenas manifestações ainda moderadas de censura, autoritarismo e de radicalismo, ainda numa fase preliminar de afirmação. Mesmo que provoquem uma reação de radicalismos de sinal contrario. Que provavelmente não passarão de umas cabeças negras partidas por uns grunhos neonazis.

Mas é um exemplo muito preocupante de como o radicalismo está a atingir as democracias liberais. Não apenas por movimentos radicais de esquerda ou direita, mas também  por forças politicas teoricamente democráticas.  Preocupante.

CZAR PUTIN

por Jose Miguel Roque Martins, em 02.07.20

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Ontem, por larga maioria, foram aprovadas mudanças constitucionais que, na pratica, eliminam barreiras de mandatos que permitem  a Putin candidatar-se a presidente até 2036.

Pode contestar-se que as outras alterações constitucionais, votadas em bloco, eram sedutoras e foram o prato forte da propaganda.  Ou invocar teorias de manipulação graves das eleições. Na verdade, as eleições já ganhas por Putin, não aparentam ser mais manipuladas do que o que acontece na generalidade dos Países Ocidentais.

Os Russos até já aceitaram que ele fosse formalmente o primeiro ministro , mantendo-se como presidente de facto, para “limpar” a impossibilidade de poder ser eleito, depois dos dois primeiros mandatos no poder supremo. 

Putin apresenta legitimidade democrática. Ao mesmo tempo, pelo tempo que ocupa o poder e pela forma como o exerce, assemelha-se a um ditador. É uma figura pouco amada no Ocidente, pouco confortável com o retomar do papel de super potencia militar pela  Rússia.

Mas o seu continuado apoio popular no seu País é difícil de contestar. Carisma próprio, trabalho exemplar ou será que a Rússia profunda exige um Czar?

 

PS: Por cá, ainda a propósito da TAP, a frase de ordem de ontem foi  “agarrem-me senão eu mato-o” .

A TAP , o Estado e o PS: humilhados e desesperados

por Jose Miguel Roque Martins, em 01.07.20

Há uns meses, escrevi um post sobre Neelman. Vaticinava a possibilidade de que pudesse perder o seu investimento. Estava muito mal informado. Não sabia ( nem imaginava como possível) que o governo PS, lhe tinha concedido aos privados, em troca da sua posição na TAP, para todos os efeitos, uma garantia de proteção do seu investimento. Num completamente incompreensível acordo, garantiu no caso de nacionalização da TAP, a possibilidade de reembolso do dinheiro investido pelos privados: um absurdo completo.

Se não o tivesse feito, apenas para cumprir uma promessa eleitoral já de si estúpida, neste momento, o Estado, teria todo o poder do mundo: os privados estariam na mão de quem os pudesse ajudar, sob risco de perderem irreversivelmente todo o seu investimento, numa falência ou nacionalização. Uma demonstração clara do que acontece quando o Estado decide subverter as regras de mercado.

À absolutamente idiota concessão inicial, juntou um discurso musculado em defesa da TAP e contra os privados, sem qualquer poder real. Neste momento, os privados só perdem se a TAP for á falência. O que sabem ser o ultimo cenário desejado pelo Estado.

E agora?

Ou o Estado deixa a TAP falir e assume o dito por não dito, com custos políticos enormes;

Ou o Estado cede na sua luta com Neelman,  assumindo uma humilhação publica; 

Ou o Estado Nacionaliza, assumindo um humilhante pagamento aos privados e a completa inabilidade para aventuras em empresas . E suporta o ónus adicional de uma restruturação com despedimentos inevitáveis; 

Ou, o mais provável, o Estado vai arranjar uns testas de ferro, para comprarem a posição de Neelman ( provavelmente por valor superior) , a serem compensados de forma “invisível”, para tentar mascarar a sua total incompetência.

Pior, nem podem invocar uma pesada herança de um governo anterior: tudo terá que ser assumido pelo governo PS: a reversão da nacionalização mal feita e o futuro da TAP. Um pesadelo mediático, um enorme prejuízo para Portugal. Neelman corta duas orelhas e um rabo e sai sempre em ombros!

 

PS: As intervenções publicas no privado são por norma um desastre. A TAP é apenas mais um exemplo.

 

São muitos os mitos associados ao liberalismo. Os principais, de particular importância para a esquerda, são associar o liberalismo a capitalismo selvagem, á negação de politicas sociais e á “exploração do homem pelo homem”.

A ideia que pretendem vender é simples e até razoável, não fora assentar em falsos pressupostos:  que tudo é deixado á liberdade individual, que  o Estado não tem qualquer tipo de intervenção legitima, que o interesse próprio de cada individuo legitima a sua atuação e se sobrepõe aos interesses da sociedade, que não há lugar a proteger os mais fracos e a promover politicas sociais.

Até pode ser que alguém pense assim e se julgue um liberal. Há muitos liberalismos como há muitos socialismos e outros ismos.

O liberalismo, enquanto corrente,  assenta em pressupostos muito diferentes. Sendo, os mais essenciais, aqueles que defendem as liberdades individuais que não ofendem terceiros. Deixando ao Estado a obrigação de atuar quando é necessário. E só nessa circunstância se pede e exige que o Estado intervenha: o principio da subsidiaridade deve aplicar-se. Ora estes pressupostos, não apenas permitem mas obrigam á intervenção do Estado em muitas e variadas áreas. Da qual vamos focar apenas uma, a Economia.

A ortodoxia económica liberal, identifica claramente que o mercado e a liberdade dos agentes económicos é , de longe, o sistema económico mais eficiente. A liberdade individual permite, adicionalmente, ganhos adicionais ao desenvolvimento do cidadão. Mas também identifica patologias do mercado que compete ao Estado combater. É por isso  extenso o rol de exigências que um liberal impõe ao estado: correção de externalidades, regulação,  proteção da concorrência e atuação ativa em todas as falhas conhecidas de mercado . O que obriga a que um liberal não apenas seja adepto de Friedman mas também seja  Keynesiano. Ao contrario do que normalmente também é ventilado, as doutrinas de Keynes , não é uma “licença para matar” e intervir, em qualquer circunstância, pelo estado.

É pois ridícula a recorrente piada de mau gosto de que os Liberais são Estatistas quando as dificuldades apertam. O que se passa verdadeiramente é que os Liberais percebem, aceitam e exigem que, quando vem um maremoto, que impede o mercado de funcionar, lançando-o nas circunstâncias que Keynes descreveu ( na década de 30 ), se devam usar os instrumentos económicos preconizados, testados e validados, para evitar uma catástrofe prolongada. É exatamente em circunstâncias como a da pandemia  atual que se devem usar medidas de apoio e expansão por parte do Estado.

Alguns países, como a Alemanha, porque usaram no passado de contenção de medidas orçamentais, estão agora em condições ótimas para saírem mais rapidamente de uma crise e terem folga para reduzir ao mínimo a violência do impacto do sofrimento da sua população. Outros países, como Portugal, porque usaram políticas orçamentais injustificadas, estão agora numa posição frágil para enfrentar a crise, dependendo quase exclusivamente das ajudas Europeias para mitigar os cruéis efeitos da enorme depressão que ai vem.

Os Estatistas, porque exorbitam e não compreendem Keynes, gastam normalmente  mal e extemporaneamente os recursos produzidos pela sociedade. E quando chegam  momentos difíceis, não têm os meios para combater o sofrimento que sobre ela se abatem. É o caso Português: os Estatistas meios falidos e impotentes, o caso quase universal. 

 

 

PS: Esse é o drama de Portugal. Como os Estatistas nunca  admitem que o Estado tem limites á sua atuação, estamos a fazer de conta que existe capacidade para acudir á catástrofe económica e , em simultâneo, tentar conviver com infeções zero, que parece só ser possível com confinamento absoluto. Uma impossibilidade que conduz ao desastre. 

 

Não é o PS, é o Regime

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.06.20

Um comentador do Corta-fitas enviou-me um artigo do observador que  me tinha escapado, e que poderá consultar, aqui

 O seu autor, Pedro Caetano, denuncia violentamente o que considera ser  o nepotismo e o domínio do aparelho do partido socialista, por uma “elite” . Subvertendo o sistema democrático. Promovendo pessoas sem competência. Sendo responsável ultima pela mediocridade nacional.

Nada de novo, mesmo que o autor seja membro do partido socialista há mais de 30 anos e de nada indiciar que necessite de qualquer patrocínio político para a sua vida.

Concordo com a generalidade dos comentários feitos por Pedro Caetano.

A única ressalva que gostaria de fazer é que, se substituirmos  o PS pelo PSD, o texto continua a fazer sentido.

O problema em Portugal não é o PS. É um regime que tem que ser alterado estruturalmente e que não dá as melhores respostas aos problemas da população. Partidos como o Bloco de Esquerda e o  Chega, são respostas de cidadãos á beira de um ataque de nervos, que continua a crescer em números.

Os 45 anos de Abril já provaram que , o que temos, não presta.

 

PS: Uma regeneração do sistema seria o mais desejável. Se não acontecer, poderá redundar numa verdadeira revolução.

Vitor Bento

por Jose Miguel Roque Martins, em 26.06.20

Não conheço nem nunca vi Vítor Bento. Mas tenho ao longo dos anos tido o enorme prazer de ler e ouvir o que ele tem para dizer. Hoje, comecei o dia a ouvir uma entrevista que deu á rádio Observador. Mesmo quando não concordo plenamente com ele, fico deliciado com a sensatez, conhecimento e inteligência dos seus argumentos.

É maior a reverência longínqua, diziam os Romanos. Estou, no entanto, plenamente convencido que Vítor Bento, como muitos outros, é mais um caso de desperdício nacional de talento e capacidade. Não que a sua carreira não seja brilhante.  Mas parece-me que, para além da sua enorme dimensão intelectual e enquanto economista, é, naturalmente, um Estadista.

Quando olhamos para a qualidade dos políticos que nos tem governado ao longo dos anos, é automático fazer a pergunta: como é possível que Portugal possa desperdiçar o contributo de pessoas como Vítor Bento na mais alta condução dos assuntos nacionais?

Esta noção de que, potencialmente, nada falta para sermos um tremendo País mas nos contentamos com a mediocridade do bom aluno que chumba no fim do ano, deprime-me.

Custos da Pandemia

por Jose Miguel Roque Martins, em 25.06.20

Discutimos muito frequentemente as vantagens e desvantagens das medidas de combate á Pandemia. O que, em abstrato e sem estimar os beneficios e custos de cada medida, tornam as discussões estereis. È verdade que ainda não existem dados. Mas já começam a existir algumas previsões que nos dão algumas ordens de grandeza. 

Ontem o Guardian  revelou  as ultimas previsões do FMI para o impacto da Pandemia na Economia Mundial: 10,5 biliões de euros.

Este numero não é mais do que uma estimativa (ainda)  grosseira das perdas financeiras incorridas pela pandemia, mas é uma ordem de valor informada. Como se pode ver, são muitos os paises que, só este ano, vão perder mais de 10% do seu produto. 

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Não se conhece o numero de vidas salvas pelas medidas que Estados e individuos tomaram. Apenas como escala, se 10 milhões de vidas forem salvas, cada vida custou , aproximadamente, 1 milhão de Euros. Assumindo os valores desta previsão e que os custos são sobretudo resultantes das medidas de combate á pandemia. 

A estes valores financeiros há a somar as vidas perdidas pelo atraso de cuidados médicos ( não encontrei estimativas crediveis) e por aqueles que resultarem de fome, subnutrição e outras caisas de morte associadas á pobreza. 

As estimativas de investigadores do Banco Mundial, apontam para que , entre 71 e  100 milhões de pessoas entrem em pobreza extrema, previsões  que têm vindo a aumentar  ao longo dos ultimos meses.  Uma percentagem ( ainda não estimada)  desses novos pobres irão morrer. 

Captura de ecrã 2020-06-24, às 18.22.45.png

PS: Ainda estamos longe de perceber os verdadeiros custos da crise economica provocada pelo confinamento. Mas seguramente estamos a falar de um valor por vida salva, muito superior ao que os SNS dos paises desenvolvidos assumem normalmente noutras doenças. Sobretudo se ás vidas salvas subtrairmos as vidas que se vão perder.

 

 

António costa, vendedor de ilusões e de sonhos

por Jose Miguel Roque Martins, em 24.06.20

Com total legitimidade democrática, António Costa ascendeu ao poder. Surfou a onda do crescimento iniciada pelo governo anterior, baseada essencialmente no turismo, que nunca teria crescido sem a liberdade que foi, então, dada aos privados.

Felizmente manteve a tão necessária ortodoxia financeira do governo anterior. As medidas tomadas pelo governo de Passos Coelho, antes tão criticadas, não foram alteradas, em termos fiscais, o que explica a subida da carga fiscal. Apenas “austeridade” passou a chamar-se “contas certas”.

Conseguiu um deficit menor do que o imposto pela Europa. Mas deixou-se de seguir, como antes, uma política mais troika do que a troika. Passámos foi a ser fiscalmente responsáveis.

A única reforma digna de nota que implementou, foi, para os funcionários públicos, a reposição dos salários, alguma progressão nas carreiras  e a diminuição das horas de trabalho para 35 horas semanais. Uma “reforma” que permitiu também dizer que se investia mais na Saúde.

Os outros Portugueses, continuaram basicamente na mesma mas com diminuição do desemprego, o que foi muito bom.  O turismo, com muito esforço e dificuldades, assente na precariedade e em baixos salários, foi o motor das melhorias alcançadas. Não foi um caminho ótimo, mas a única saída possível para todos aqueles que tinham caído na vala comum.

Em síntese, objectivamente, António Costa nada fez de relevante ou novo, durante uma legislatura inteira, a não ser transferir dinheiro do sector privado para o publico, aproveitando a folga concedida pelo turismo.

Já em termos psicológicos, estamos na presença de um verdadeiro prodígio que, é verdade, envergonha Passos Coelho.  

Conseguiu convencer os Portugueses de que a austeridade tinha acabado e que tinha sido o responsável por um crescimento económico que aconteceu apenas apesar das suas políticas. E o seu optimismo, conseguiu devolver um sentimento de esperança aos Portugueses, o que é verdadeiramente positivo e extraordinário! Créditos lhe sejam concedidos.

Acontece então a Pandemia que, temos que reconhecer, é um desafio formidável para qualquer um.

O pior é que o forte de António Costa não é enfrentar desafios. É fazer de conta que eles não existem. O estúpido do coronavírus, ainda por cima, não ouve nem discute. Um problema adicional.

Quando precisamos de um primeiro ministro, continuamos a ter apenas um super vendedor! Podemos, apesar de tudo, contar com a capacidade de nos iludir de António Costa. Se a pandemia não é contida, como acontece em Lisboa ( e noutras cidades da Europa), nada como uma explicação fácil. Os conselhos e freguesias atacadas, parecem ser aqueles em que mais gente depende dos apinhados transportes públicos. Mas o problema identificado é, primeiro,  na construção civil. Depois de jovens festivos e inconscientes. Como não se consegue resolver o problema dos transportes, como não podemos deixar de trabalhar, então podemos sempre instituir o fecho de cafés e comercio ás 20.00. Se nada funcionar, então é porque existe alguma nova justificação, apesar dos assertivos esforços anteriormente feitos. Garantida é uma nova explicação que, se não acalmar os ânimos (as pessoas estão outra vez em casa), pelo menos permite não assumir incapacidades. É o que António Costa faz como ninguém, iludir o seu publico, animar e fazer sonhar os Portugueses, dizendo o que eles querem ouvir.

Não está sozinho neste tipo de discurso  por este mundo fora. Nem é negativo animar uma população prostrada.

Mas nem o maior mestre consegue mentir, a todos, sempre. Nem é possível resolver problemas objectivos, sem primeiro procurar e  aceitar as realidades.

As ilusões e sonhos de António Costa e dos Portugueses, contra todos os meus desejos, parece-me que vão fatalmente bater numa parede.

PS: A profunda crise que se vive nas democracias Ocidentais e o aumento do radicalismo, tem muito a ver com esta forma de estar na política.

Ódios de estimação, desonestidade ou mistério?

por Jose Miguel Roque Martins, em 23.06.20

 

Fazendo uma avaliação do que o governo tem feito em tempos de crise, vejo muitas ações bem feitas. Começando pelo Lay-off simplificado e pela tentativa de fazer chegar créditos ás empresas.

Vejo também aquilo que aparentam ser manifestações de ódios de estimação absolutamente lamentáveis.

Os sócios gerentes, foram a única categoria profissional, com carreira contributiva, que não beneficiaram de qualquer apoio. Primeiro, de forma total. Depois excluindo, na pratica, quase todos os que tinham funcionários (a quem tiveram que pagar a quota parte do Lay-off de responsabilidade da empresa). Qual a justificação apresentada? Nenhuma. Pelo contrário, foi o governo pródigo em publicitar os apoios que concedeu aos sócios gerentes. Fazendo-o de forma que a população em geral , não percebesse que as limitações de faturação das empresas, excluía todos ou quase todos os pretensamente beneficiados. Uma manobra premeditada de ilusão política. Memorias do PREC, confundindo os sócios gerentes com o grande capital que se tem que perseguir? Votantes considerados perdidos? Embirração pura e simples? Não sei se algum dia iremos saber exatamente. O que ficou claro foi  que criadores de emprego, com pouco capital, não merecem consideração do PS, por mais declarações publicas que proclamem o contrario.

É também o caso relativo às rendas comerciais. O Estado obriga estabelecimentos a estar fechados e,  ao mesmo tempo, quer que estes paguem a renda de um espaço que não podem utilizar. Os senhorios também não são responsáveis pelo encerramento dos estabelecimentos situados nos seus imóveis. Não seria ao Estado que compete o pagamento das rendas? 

A saúde privada é, sem surpresas, outra das vítimas . No inicio da crise, quando o medo que o SNS não fosse capaz, sozinho, de fazer face à pandemia, foi pedido que os privados se preparassem para acolher casos de COVID, fixando-se o mesmo valor comparticipação por doente pensada para os Hospitais públicos.

Quando a Sra. Ministra da Saúde, intuiu que o SNS seria suficiente para fazer face à pandemia, explicou que se tinha tratado de um lapso e que os hospitais privados não iriam ser ressarcidos dos custos que tiveram com os doentes que tinham recebido. Uma vergonha. Em nome do combate aos serviços de saúde privados? Apenas por desonestidade?  Para proteger os funcionários públicos, clientes do Privado? Porque razão?

Certo é que, mais uma vez,  não há explicação conhecida e razoável.

 

PS: Em Lisboa e vale do Tejo, se o SNS ficar saturado, quero ver o que vai acontecer se o Privado for necessário.

 

 

Hora da Verdade

por Jose Miguel Roque Martins, em 22.06.20

Por mais que se queira dizer o contrario, as coisas não estão a correr bem em Lisboa e Vale do Tejo em termos de infecções. Por mais que custe, o aluno exemplar está na lista negra de mais de 10 países da Europa. E não são  uma ou outra festa ou a construção civil os responsáveis pelos maus números persistentes.

Tenho lido muitos artigos em que o pessimismo, a nível mundial, com a pandemia é grande.  O pior cenário, o de termos que conviver com a pandemia durante alguns anos, até a famosa imunidade de grupo funcionar, está longe de ser uma impossibilidade. Mesmo que a vacina venha a aparecer, existem especialistas que duvidam da sua eficácia relativamente aos mais velhos, exatamente aqueles que mais importa proteger.

A estratégia de evitar infecções parece cada vez mais difícil, sem um novo confinamento geral. Que pelo andar da carruagem poderá ser de anos, o que será difícil de suportar sem morrermos da cura.

E agora?

Fazemos uma cerca sanitária a Lisboa e confinamos? Há alguma bala de prata nova? Ou assumimos que a vida tem que prosseguir, controlando na medida do possível as consequências da infecção?

Com ou sem declarações formais, iremos ver  a escolha nos próximos dias . Parece-me que “a saúde em primeiro lugar” irá ter uma interpretação em sentido francamente mais lato.

 

PS: Quando falamos de calamidades, não é possivel escapar sem consequencias! 

Os instalados e os precários

por Jose Miguel Roque Martins, em 20.06.20

Esta crise veio confirmar o fator de maior desigualdade entre os Portugueses, a existência de castas cada vez mais definidas na nossa sociedade. Por um lado temos os funcionários públicos, os “brahmin” (que beneficiam de total segurança) . Depois temos os trabalhadores efetivos de grandes empresas ( que sofrem restruturações e muito ocasionais falências) . A seguir vêm os efetivos das pequenas empresas ( que vão mais facilmente á falência) . Estas são as categorias dos instalados. E finalmente vêm os outros, os precários, ou melhor, os intocáveis ( trabalhadores a prazo, recibos verdes, informais e pequenos empresários), que andam ao sabor de qualquer brisa ou maré. Independentemente do seu rendimento, é a pertença a cada uma destas castas que determina o grau de insegurança e de ansiedade com que cada um vive.  E o sofrimento real que qualquer crise económica inflige. Não é por acaso que o PCP insiste tanto no grave problema dos precários. Embora não percebendo que, sermos todos instalados, não é uma opção possível. E que só quando todos formos precários, poderemos, paradoxalmente, deixar de o ser de forma dolorosa.

O desemprego é a maior praga social. E diz a História, que só se garante a sua inexistência com muito menos distorções dos mercados. Não com mais. Infelizmente, a segurança e o bem estar não se atingem por decreto. Em Portugal, temos das legislações laborais mais rígidas da Europa.

Os direitos dos instalados não param de crescer.  São os principais beneficiários das novas medidas, a plateia para a qual a classe política mais trabalha, já que são, felizmente, a maioria da população. Tudo isto seria muito positivo, se o bem de uns, não correspondesse a  uma maior precarização de todos os outros. E também ao aumento do fosso das desigualdades de rendimentos. Mas é o que acontece. Os direitos de uns, têm que ser pagos pelos impostos e aumentos de custos de todos. E quanto mais impostos e maiores preços, menos consumo, menos emprego, menores salários, menor bem estar.  

Curiosamente, numa sociedade mas livre e igual, até os instalados viveriam melhor. Uma verdade constantemente negada pela ortodoxia dominante.

A rigidez dos mercados implica necessariamente menor velocidade dos ajustamentos e saída das crises, que afligem sobretudo os precários e os mais vulneráveis. Mais desempregados, durante mais tempo. Pior é quando enfrentamos uma grande crise como a atual. Nestes casos, não são só  os precários que sofrem.  Muitos instalados deixam de o ser, caindo na vala comum. Perdendo o estatuto de instalados provavelmente para sempre. Aumentando a proporção de precários. Aumentando as desigualdades e os que mais sofrem.

Um modelo de profunda desigualdade económica e social é o que pretendemos? Não será tempo percebermos que não é possível, que todos sejam instalados? Não seria bom, que todos pudessem estar melhor do que estão?

Por incrível que pareça, depende apenas de nós!

 

 

PS: É em momentos como o atual que o Estado tem que intervir socialmente, como aliás tem feito. Esperamos que o excesso de intervenção em tempos de normalidade, não esgote a potencia da sua atuação em alturas de necessidade.

A cultura e a tourada

por Jose Miguel Roque Martins, em 19.06.20

touradasfoto.png

 

Não sou aficionado. Nunca fui a uma tourada. Mas já fiz nascer uma orquestra sinfónica juvenil.

Ontem , um grupo de Cavaleiros, Forcados e Ganadeiros, fez um protesto e anunciou uma data, 27 de Junho, para um protesto em varias localidades, contra o esquecimento total a que a atividade foi votada pela DGS. Antes, já tinham sido alvo de discriminação negativa quanto á taxa de IVA, relativamente a outros espetáculos. Passando a estar equiparada á Pornografia. O que me parece obsceno!

É absolutamente revoltante e arbitrária a prepotência com que alguém decide, o que é cultura e o que não é. O que merece subsidio e o que não merece. O que tem Iva reduzido e o que não tem. O que pode ser exibido em tempos de Covid e o que não pode.

A tauromaquia, das poucas industrias culturais que não recebem qualquer subsidio, talvez por isso mesmo, é perseguida de forma tenaz. Em primeiro lugar por aqueles que se intitulam artistas, mas não convencem o publico a pagar para os ver.   Ou,  em muitos casos, não conseguem  convencer o publico a vê-los, mesmo sem pagar. Em segundo lugar, por  aqueles que têm o poder e o desplante de determinar autocraticamente o que é,  ou não, bom. Se existe área, em que a dificuldade de alguém poder assumir-se como especialista e técnico, capaz de produzir respostas tecnicamente inquestionáveis,  é a cultura.

A política cultural é hoje sectária, uma fonte de discriminação, em nome e em defesa de interesses e erudições duvidosas e sempre questionáveis. Exatamente o contrario do que deveria ser.

Lamentável!

 

Ps: Também ontem, no Observador, foi publicada a noticia de que um projeto Alemão colocou crianças com pais adotivos pedófilos durante  30 anos. Portugal não tem o monopólio do absurdo.

O que há a mais: Médicos ou Privilégios ?

por Jose Miguel Roque Martins, em 18.06.20

Já há cerca de quinze dias que queria escrever sobre a alegria que senti com a decisão do Governo de permitir aumentar o numero de vagas no curso de medicina. Mais recentemente percebi que me tinha precipitado. Li que,  afinal, os a ordem dos médicos e as associações de estudantes estão contra. E que a decisão do aumento das vagas é deixada ao critério dos diretores de curso, que já fizeram saber que não iriam aumentar o numero de alunos.

O argumento central é o facto de não existir falta de médicos em Portugal.  Ou, mais precisamente, a “ total ausência de necessidade de mais escolas médicas em Portugal, quer privadas ou publicas, que apenas contribuirão para engrossas o numero de médicos sem saída”. 

Um escândalo, quando mais um grupo sócio profissional consegue de forma despudorada proteger a sua escassez para aumentar o seu rendimento. O Governo, lá está, não se compromete.  Julgar em causa própria, como faz esta e muitas outras classes profissionais ou de interesses, é validado como adequado.

O domínio dos médicos  não é apenas patente no ensino publico. Recentemente, foi indeferida a pretensão da Universidade Católica Portuguesa de avançar com um curso de medicina. Os argumentos do indeferimento terão sido técnicos. Mas à motivação de quem fez os pareceres, não terá faltado este afinado sentimento de classe.

Os médicos ( tal como os enfermeiros) serão provavelmente as únicas classes profissionais mal pagas no Estado. O que de nenhuma forma justifica o poder de garantir a lei do funil no acesso á sua profissão. Mesmo que não a usassem, como acontece, para garantir a sua valiosa escassez de mercado.

A conclusão é simples: os Portugueses vão continuar a ser atendidos por médicos espanhóis ou de leste, os estudantes portugueses com possibilidades,  sem a media de entrada requerida, vão estudar para o estrangeiro, os estudantes mais pobres, terão que se contentar com outra coisa e os  Portugueses do Interior vão continuar sem médicos. E os doentes continuarão a pagar mais do que deviam por uma consulta privada.

Brilhante!

 

Ps: Nada tenho contra os médicos. Mas os médicos,  como provavelmente todos os outros Portugueses, beneficiam de direitos  ilegítimos. E essa teia de dezenas ou de centenas de conquistas de grupos de interesses corporativos, que se vão sobrepondo, é um dos grandes pilares da mediocridade do nosso desempenho económico colectivo.



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