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A Ucrânia, a Rússia , os EUA e a Europa NATO

por Jose Miguel Roque Martins, em 17.04.21

Como tem sido noticiado, a Rússia tem  concentrado forças junto à fronteira da Ucrânia. Quer seja uma mera prova de vida, ( como provavelmente é), quer um real teste à possibilidade de anexação da Ucrânia, o que fica completamente claro é a incapacidade de defesa autónoma da Europa.

Não acreditar na possibilidade de a Rússia empreender uma expansão das suas fronteiras, é uma clara negação dos seus instintos históricos, sobejamente demonstrados ao longo de séculos. O fim das fronteiras da guerra fria, não foram digeridas pacificamente. A recente anexação da Crimeia, retira qualquer duvida sobre a real possibilidade da Rússia explorar novas possibilidades de expansão territorial. Só não o fará, se o seu misterioso calculo de custos e benefícios não lhe for favorável.

Invadir a Ucrânia e restabelecer a fronteira da Rússia mais a Ocidente, tem a Ucrânia e a Europa da NATO como os grandes perdedores. Em termos militares, num eventual conflito entre a Rússia e a Europa, por natureza limitado, dada a improbabilidade de alguém querer provocar uma resposta nuclear, o menor tempo de reacção, a violência do primeiro embate e a menor dificuldade logística da Rússia, significará mais custos para a Europa da Nato, do que os inconvenientes infligidos aos EUA.

Os EUA estacionaram tropas na Polónia, como penhor da sua determinação na sua defesa e do compromisso transatlântico. O que sublinha de forma mais evidente ter dois pesos e duas medidas, quando se trata das fronteiras actuais ou de uma nova fronteira que incluísse a Ucrânia.

Porque não alargar a NATO à Ucrânia e deslocar as mesmas tropas mais para oriente, como seria desejo e interesse evidente dos países da Europa NATO?

Para a Rússia, a evidencia da falta de empenho Ocidental na defesa militar da Ucrânia só pode ser o que é para todos: evidente.

A Europa, não tem força para impor o que quer que seja. Não tem moral para o fazer, meios para o afirmar, nem  determinação colectiva e individual para se expor e assumir custos. A humilhação publica a que foi sujeita por Trump, não parece ter produzido efeitos.

Uma das possíveis explicações da inércia dos EUA, poderá ser querer provocar uma reacção Europeia. Evidenciando os seus limites de continuar a suportar quase sozinho o peso de defesa do Continente. Na esperança de que mais um avanço Russo, que “apenas” sacrifique a Ucrânia,  finalmente desperte a  Europa para a realidade de ter que assumir, nem que parcialmente a sua defesa. Exactamente um dos receios que poderá refrear as acções da Rússia.

Claro que estes cálculos são ousados. Já que pressupõe que alguém acredite que a Europa assuma directamente a sua defesa ou esteja disponível para pagar para que outros o façam por ela. A tese de morte cerebral do continente não é completamente ridícula.

Certo é a Ucrânia continuar a estar à mercê da Rússia.

 

 

Ninguem gosta da Policia. A não ser quando se precisa dela. 

por Jose Miguel Roque Martins, em 16.04.21

Os EUA decidiram abdicar do seu papel de policias do mundo. Fartaram-se de gastar dinheiro, vidas e prestigio, sobretudo quando o petróleo deixou de ser um interesse vital. Apenas a Àsia está a salvo deste desinteresse.  Ou me engano muito, ou os protestos contra o imperialismo americano serão substituídos por protestos de falta de policiamento mundial. 

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Ninguém gosta da Policia. A não ser quando se precisa dela. 

Num mundo sem policia, vamos continuar a ver o aumento do que há uma década  era impensável.

Golpes de Estado de quem não receia verdadeiras sanções. Como acontece, por exemplo, em Myanmar.

A afirmação de potências militares regionais, que usam a sua força com impunidade. Só no Médio Oriente temos agora a Turquia, a Arábia Saudita e o Irão a fazer das suas. 

Invasões de países periféricos, como a Ucrânia, por potências militares de primeira grandeza, como a Rússia, porque não vale a pena o risco de conflitos nucleares.

Nada como experimentar a alternativa para reapreciar o que tanto se criticou anteriormente.

Poderá ser, também o que  acontecerá nas sociedades  Ocidentais, se a luta justa e necessária contra a brutalidade policial, tornar ineficaz o mínimo de capacidade de repressão e defesa dos policias. 

 

Aqueles que não se devem nomear

por Jose Miguel Roque Martins, em 15.04.21

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Sabiamente, o Ministério da magia proibiu uma personagem que, de tão má, não devia ser chamada pelo nome. Passou a ser , "aquele que não se pode nomear". 

Por aqui, ao contrario,  dão-lhes palco e importância. Tudo aquilo que não se deve fazer. Ignorar o  personagem e impedir o seu regresso, é um balsamo para as vitimas e o seu verdadeiro castigo. 

A incidência e o RT são péssimos indicadores

por Jose Miguel Roque Martins, em 14.04.21

Toda a nossa estratégia de acompanhamento da pandemia continua a incidir em dois indicadores, os infectados e o RT, que podem ser substituídos por indicadores bem mais potentes: os internados e as mortes. Nada sei de epidemiologia, mas tenho esperança de perceber alguma coisa de lógica, que por vezes não substitui o conhecimento.

A suposta utilidade da monitorização das infecções é elas nos darem o quadro do que possa acontecer . São uma "proxy" do que pretendemos verdadeiramente controlar, os efeitos negativos da infecção. Mas nada disto faz sentido, quando ocorrem mudanças na virulência da doença ( impedindo de comparar o incomparável).  Sobretudo, como é o caso,  quando temos dados directos do que realmente importa. 

Estar infectado mas assintomático (ou quase), não é um problema em si mesmo, apenas é relevante pela possibilidade de induzir novos contágios. Imagine-se que mais nenhum infectado fosse internado ou morresse, mas houvesse um enorme surto de infecções. Pelas regras actuais estaríamos todos confinados.  Para quê?

Em vez de traçarmos limites para infecções, deveríamos traçar limites para o que efectivamente pretendemos evitar: internamentos e óbitos. O RT, deveria ser calculado em termos de internados e mortes e não de infecções .

Com a vacinação dos mais velhos ( que infelizmente ainda não aconteceu completamente) a mortalidade da doença vai necessariamente diminuir, tal como está a acontecer em países com um processo mais avançado. Fará sentido mantermos métricas que se alteram em termos de consequências? Fará sentido medir o potencial dano em vez de danos reais?

Ao contrário, se a mortalidade ou os casos graves dispararem, para um mesmo numero de infectados, faz sentido continuar a usar as mesmas métricas desactualizadas ? 

A mim parece-me que não. Mas estou curioso com os comentários a este post. 

Os inteligentes e os pobres de espírito

por Jose Miguel Roque Martins, em 13.04.21

Em 6,8 milhões de vacinas da Jansen administradas nos EUA, uma pessoa morreu, outra está em estado grave e outras 4 tiveram uma trombose menos maligna. Todas os casos foram em senhoras jovens. Suspeita-se que estas tromboses, tenham acontecido como consequência da vacina.

Tanto basta para que a suspensão da vacina tenha sido declarada, pelo menos por uns dias, nos EUA. E no actual concurso internacional para apurar quem é mais prudente e responsável, não admirará que o mesmo venha a acontecer na Europa, apesar do seu atraso brutal na vacinação.

Se vacinássemos 6,8 milhões de pessoas em Portugal e morressem, em consequência da vacina, 30 pessoas, muito mais do que aconteceu nos EUA, não seria melhor do que não as vacinar?

Se continuássemos a vacinar homens com esta vacina, desviando as Senhoras para outras vacinas, não seria um caminho menos drástico mas igualmente prudente ?

A resposta para mim é evidente. Os custos têm que ser comparados com os benefícios. Mas nada disto é o meu ponto com este Post.

A minha irritação é porque não são os cidadãos, devidamente informados das estatísticas e possíveis consequências, chamados a tomar a sua própria decisão, quanto a tomarem ou não a vacina?

Assim como vacinar grupos e grupinhos prioritários tira a vacina aos mais idosos, o que faz com que mais morram, não aproveitar vacinas que não podem ser substituídas por outras, implicará  um maior risco de mortes. Como não dar a liberdade de escolha aos cidadãos a quem não é oferecida nenhuma alternativa?

Como sempre, os “inteligentes” decidem pelos pobres de espírito, aquilo que lhes é mais conveniente. Lamentável.

Pobreza socialista

por Jose Miguel Roque Martins, em 12.04.21

Mais um relatório sobre a pobreza em Portugal, lança de novo a consternação generalizada, que ao contrario da pobreza, logo irá passar, depois de alguns lugares comuns sobre o tema.Afinal todos sofremos muito com os pobrezinhos. 

De que apoios sociais, políticas redistributivas pesadas, empregos não precários e muita vontade não acabam com a pobreza, não se tiram conclusões.

Não é possível acabar com a pobreza num pais pobre. Não é possível acabar com a pobreza, enquanto não nos concentrarmos em produzir riqueza. Não basta criar riqueza, se a esbanjar-mos, a seguir, num Estado ineficiente.

É simples, mas parece complicado. Não é apenas Ivo Rosa a recusar-se a ver o evidente. São a maioria dos Portugueses. 

 

 

Realidades paralelas

por Jose Miguel Roque Martins, em 11.04.21

Opiniões , estratégias, objectivos e interpretações, são natural e saudavelmente diferentes , idealmente gerando debate e correcções de perspectivas individuais.

Realidade e factos deviam ser partilhados por todos. Não é o que acontece.

Quando se olham para as estatísticas, em proporção dos habitantes, Portugal, os EUA, ou o Reino Unido, entre outros, apresentam piores resultados do que o Brasil. Apesar de disporem de um nível de riqueza francamente superior ao do Pais irmão, o que lhes permite ter mais meios para o combate á pandemia . Quem vê os telejornais, será difícil de não ficar com a impressão que o Brasil enfrenta a mais terrível crise de Covid do Planeta. O que fica? Os factos ou as impressões?

Os problemas do Brasil, por mais dolorosos que sejam, são nos mais distantes do que os nossos, servindo para ilustrar que se criam facilmente fábulas que, repetidas 1000 vezes, passam a verdades. Mesmo quando existe informação numérica e exacta que contraria frontalmente a tese. É oficial : as convicções sobrepõe-se mesmo à realidade.Deixamos de viver no mundo real e entramos na fantasia. 

Quando um regime, como os antigos estados comunistas, construíam muros para impedir os seus cidadãos de fugir, não deixaram de continuar a existir pessoas, ainda hoje, que continuam a achar serem esses regimes ideais.

Quando nos EUA,  construir muros para impedir a avalanche de pessoas que nele querem viver, passou a ser motivo de propaganda política para os residentes, nem assim o holocausto capitalista deixou de ser o pior dos mundos para muitos.

Cada vez mais, cada um de nós,  pertence a um grupo que tem uma visão completamente diferente da realidade dos outros. Tão distante, que vivemos, de facto,  em realidades paralelas. Na melhor das hipóteses partilhando algumas verdades com outros grupos.  Estes grupos não param de se multiplicar, com mais novas causas e credos. Enquanto assim for, o radicalismo veio para crescer.

E o difícil é  garantir que a nossa realidade é a certa.

Em equipa que ganha não se mexe

por Jose Miguel Roque Martins, em 10.04.21

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Para muitos, como Al Capone, ter nascido nos EUA  foi um azar. Se tivesse nascido Português, não tinha sido preso: aqui, os frutos do crime não pagam impostos! 

Nos EUA, pelo que vejo nas series, os procuradores são avaliados pela taxa de condenações que conseguem. Em Portugal, o que importa são cruzadas mesmo que infrutíferas. 

No direito Anglo-saxonico, compete ao juiz ou a um júri, apreciar as evidencias e decidir. Aqui, compete a um juiz, verificar se os pontos e virgulas batem certo. 

Os casos graves nos EUA, são julgados rapidamente e os condenados presos com celeridade. Aqui, nada acontece, a não ser passarem anos até o presumível culpado morrer de tédio. 

Em Portugal não temos dinheiro nem justiça nem liberdade. Mas estamos a salvo de viver em países mais liberais que se preocupam com a eficiência das coisas. Em equipa que ganha, não se mexe. 

 

Alienação e inercia totais

por Jose Miguel Roque Martins, em 10.04.21

Todos nós temos fantasias. A maior das quais, de que a justiça a 100% é possível.

O espectáculo de ontem, devidamente televisionado, tornou claro que o ministério publico tem insuficiências, que o literalismo de juízes os envia para uma realidade alternativa, que as nossas leis e  processo judicial são incapazes de produzir resultados compreensíveis.

A substância das coisas, não  importa. Apenas a forma conta. E os objectivos da justiça, garantir direitos aos cidadãos e punir prevaricadores, perde-se. Apenas o "devido processo" importa.

Quem esteve pior?

O ministério publico, que gastou imensos recursos da sociedade atrás de crimes prescritos e acusações tecnicamente erradas ( a confirmarem-se) , em busca de vitorias morais? 

O Juiz do processo, que na sua literalidade considera que o dinheiro proveniente de crimes não é uma infracção fiscal ( porque não há um impresso onde possa ser declarado)  e onde testemunhas com declarado interesse em causa própria se sobrepõe a suspeitas de testemunhos corrigidos por eventual interesse próprio?

A lei, que estabelece prazos de prescrição ridículos e estabelece um colete de forças intransponível à prova do que quer que seja, em nome da protecção de direitos e garantias e impede que um juiz possa corrigir a natureza dos crimes evidenciados, de forma a que sejam aproveitados os factos apurados?

A arquitectura do sistema jurídico,  que não permite um maior grau de  interpretação da realidade conhecida, por um júri representativo da sociedade, com o medo de sempre, de que as pessoas são estúpidas e compete apenas aos inteligentes e certificados a ultima palavra?

A morosidade habitual do processo,  que impede, desde logo, a possibilidade de justiça?

É difícil decidir. Sabemos apenas que a justiça não funciona razoavelmente, e que as possíveis causas são múltiplas e conhecidas. E no entanto parece fácil: o que parece, sabe e cheira a mel, normalmente é mel. 

E na discussão  dos detalhes, vamos como sempre, cair nos dois pecados capitais de sempre: perder de vista os verdadeiros objectivos e nada mudar. 

 

 

 

 

Os comboios de Jerónimo

por Jose Miguel Roque Martins, em 07.04.21

Ontem li, que Jerónimo de Sousa avança com uma proposta: renovar a frota de comboios com produção nacional.

Uma ideia velha mas errada: se vamos comprar, vamos fazer nós.

Nos últimos anos, a consolidação na Industria de comboios denota a necessidade de diminuição de custos, escala e baixas margens desta industria. Sem escala, sem experiencia acumulada, sem competencias evidentes, a que preços sairiam os comboios de Jerónimo?

Não importa, porque eram nossos! Como a TAP.

 

O primeiro Golo de Rui Rio

por Jose Miguel Roque Martins, em 04.04.21

Rui Rio lançou uma proposta, a obrigatoriedade de declaração de pertença a associações, de qualquer género, por parte de quem tenha funções políticas.

A celeuma que se criou à volta deste assunto é já uma vitória política, ao chamar a atenção para uma iniciativa de Rui Rio,  boa, popular e bem construída.

Porque não há de se alargar a declaração de interesses de detentores de cargos públicos em nome da transparência? Já acontece, sem oposição de ninguém, relativamente a interesses económicos. Porque não relativamente a outros, que podem ser tão ou mais importantes do que esses? O principio de que a esfera de privacidade pessoal de cidadãos que assumam, por escolha própria, responsabilidades publicas, deve ser limitado, não é novo, nem é mau. E corresponde á luta unanimemente assumida a favor da transparecia e contra a corrupção. 

Porque se tem que declarar pertencer a qualquer organização social? Porque se fossem apenas algumas, como a maçonaria ou a Opus Dei, seria uma suspeição intolerável sobre essas associações humanas. Já sobre todas, elimina qualquer aspecto discriminatório que possa ser usado para justificar a vitimização. Pertencer a qualquer organização de bem, deverá ser motivo de orgulho, não de secretismo. Quem não deve, não teme.

Até parece que temos um líder político na oposição!

Quem quer viver na republica das laranjas?

por Jose Miguel Roque Martins, em 04.04.21

Goste-se ou não da actuação de Marcelo, o facto é que ele reinventou a  Presidência da República. Nunca, até agora, tivemos um Presidente tão publicamente presente, tão interventivo, tão influente na vida publica, como Marcelo. Passámos do semipresidencialismo passivo para o interventivo. Do cirúrgico para uma presença  generalizada.

Em si mesmo, parece-me positivo termos um órgão de soberania importante, com vida própria, sobretudo num momento de eclipse de maiorias parlamentares, que se deve acentuar no futuro próximo.  A tempos diferentes, têm que corresponder respostas diferentes. Mas em tudo, têm que existir limites.

O cumprimento estrito da lei, já pode corresponder a um acto de vandalismo democrático. Lembro a esse respeito a destituição do parlamento, por Jorge Sampaio,  que apoiava o governo de Santana Lopes.

Interpretações originais ( mas absurdas) da constituição, por mais justas e populares que possa ser o que se pretende proteger, como a recente promulgação dos apoios sociais, também não são um caminho razoável, nem para o prestigio da Instituição, nem para a nossa Democracia.

Inovações sim. Acabar com o Estado de direito não. Quem quer viver na republica das laranjas? 

 

Matrioska

por Jose Miguel Roque Martins, em 31.03.21

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Não fiquei de todo surpreendido com a ultima enormidade de Francisco Louçã, o caso da galhofa contra a morte pela fome de milhões de Ucranianos nos tempos de Estaline. Mas fiquei radiante por comentadores reconhecidos o estarem (finalmente) a fustigar em jornais de referencia.

Por incrível que pareça, há ainda quem tenha a distinta lata de tentar branquear este triste episódio. Pedro Tadeu, um jornalista do DN, escreve um artigo que me irritou francamente e que poderá consultar aqui. Em síntese, começa por dizer que não viu os comentários de Louçã (?) preferindo centrar a sua discussão no facto histórico em si. A coberto de uma intenção de moderação e contra a "Histeria ideológica", lança-se numa pouco brilhante  diminuição da importância do Holodomor. Tudo somado, a cartilha Leninista completa: Discutir uma questão lateral para desviar as atenções (não as declarações de Louçã mas o tema),  descredibilizar os críticos (são histéricos antissoviéticos),  diminuir o problema (não são 7 milhões de vitimas, mas apenas 3 Milhões), lançar dúvidas sobre o que se passou (a intencionalidade é fundamental e não se pode provar) e desvalorizar a questão (genocídios há muitos, por todo o tipo de regimes) .

Os Leninistas são cada vez mais pequenos, mas pertencem todos à mesma Matrioska, que não parece ( infelizmente) esgotar-se. 

Contra ventos e marés, os nossos timoneiros não mudam a rota

por Jose Miguel Roque Martins, em 31.03.21

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Depois de um erro , nada como acrescentar outros. Já aqui falei sobre o crime económico que os subsídios em espécie são. No caso da habitação, a esse profundo erro juntam-se outros dois: a da incapacidade de prover os bens a preços decentes e à escolha das condições mínimas do que se oferece.

Comecemos pelo óbvio. Casas a 400.000 euros? Qualquer consulta aos portais imobiliários regista dezenas de milhar de casas em Lisboa, à venda, que não sendo palacetes, correspondem a habitações condignas. Por exemplo, a casa de António Costa, que não consta viver num pardieiro, de acordo com o Jornal de Negócios, está à venda por 320.000 Euros.

Como então termos um valor tão alto por habitação? Alguns pensarão em compadrios e negociatas. Eu acredito que, mais do que possível corrupção, estamos no domínio habitual dos bens providos pelo Estado: caros por natureza. Em todos os domínios, o que é provido pelo Estado, é historicamente mais caro do que pelo mercado. Facto explicado pela menor pressão de eficiência que o publico tem relativamente ao privado.

Haverá também uma segunda explicação. O que o Estado considera condigno é normalmente alguns degraus acima da bitola habitual. O que é considerado uma casa razoável, é diferente para o povo e para o Estado, que considera que os seus cidadãos devem beneficiar de mais e melhor qualidade do que a que têm. Em si mesmo, esse desejo de elevar os padrões de consumo nada tem de errado. Pelo contrario, podermos beneficiar de melhores habitações, melhores cuidados, melhor qualidade de vida é muito desejável. Não seria compreensível que a CML advogasse o regresso a uma lógica e arquitectura Estalinista de uma casa de banho para 20 famílias. Mas o óptimo é inimigo do bom. Quando se eleva demasiado a qualidade, menos beneficiários vamos ter. Criando-se o efeito perverso de o Estado contribuir para uma classe de privilegiados, os poucos, os muito poucos, que conseguem ser beneficiários da qualidade “Estatal”.

Os lares de idosos são um excelente exemplo deste fenómeno. As normas existentes são exigentes. A qualidade das instituições que as seguem é bastante boa. Mas os custos associados a esses serviços são elevados e impossíveis de estender a toda a população. Condenando a maior parte das pessoas a lares ilegais com condições muito precárias. Aprofundando desigualdades  e condenando os excluídos ao muito pouco a que conseguem aceder.

Vivemos neste mundo de efeitos perversos. O Estado assume tarefas que não lhe competem e que não tem condições de realizar eficientemente. São estabelecidos padrões elevados na prestação de serviços pelo Estado. Por escassez de recursos, agravada por ineficiência, apenas um pequeno grupo de pessoas podem ser abrangidas pelos benefícios estabelecidos como mínimos. E em nome da igualdade de acesso a bens considerados essenciais, cava-se uma fosso profundo entre os privilegiados ( que têm acesso aos bens providos pelo Estado) e aqueles que não conseguem ser os escolhidos, os excluídos. O Estado é por isso um agente activo, provavelmente o maior, não apenas de ineficiência mas de desigualdade entre os cidadãos.

Um imposto negativo ( subvenção), repartindo os fundos possíveis para apoio social,  por todos os necessitados, que depois recorreriam ao mercado, é uma formula muito mais igualitária e eficiente. Poucos teriam os melhores cuidados. Mas ninguém teria que viver no privilegio da exclusão social feroz. 

Tão miseráveis uns como outros.

por Jose Miguel Roque Martins, em 29.03.21

É verdade que o Governo não faz normalmente o que diz. Muito breves foram os tempos de promessa dada, palavra honrada. Normalmente, tenta sempre parecer que faz mas não faz. Como aconteceu no caso dos apoios sociais que foram promulgados pelo Sr. Presidente da República e que correspondiam ás promessas publicas do Governo. Uma lastima.

Mas o que dizer de Marcelo e dos outros partidos?

Num ímpeto reformador e independente, atropelam a constituição e a sua lei travão de despesas não orçamentadas. Em nome de nobres princípios sociais. E no futuro em nome de outras coisas. Um desastre.

Tão miseráveis uns como outros.

Receita de sucesso.

por Jose Miguel Roque Martins, em 29.03.21

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São muitos os desejos que são comuns a quase todos os Portugueses. Uma lista de desejos partilhados por todos, incluiriam facilmente algumas metas do tipo:

Aumentar o salário mínimo para 1500 euros;

Diminuir as horas de trabalho sem diminuir rendimentos;

Acabar com listas de espera no SNS;

Diminuir a idade da reforma e aumentar as pensões;

Pagarmos menos impostos;

Não haver excluídos;

Fazermos o que queremos.

 

Sabemos o que queremos, a forma de o conseguirmos, mas não cuidamos de perceber como o conseguir.

Queremos que todos ( e nós próprios) vivam melhor e sabemos mais ou menos como poderíamos consegui-lo. O problema é todos sabermos que não é possível atingir esses objectivos de imediato. É claro que existem caminhos que nos permitiriam atingir rapidamente , pelo menos em parte, esses desejos. Noutros países já acontecem, porque seguem políticas diferentes das nossas. Nomeadamente preocuparem-se em que haja condições para criar riqueza e não a desperdiçar com uma maquina Estatal imensa e ineficiente.

No nosso caso a abordagem é diferente. Apostamos numa via alternativa, que me lembra o orgulhosamente sós.  Uma economia de mercado poucochinha e um estado ineficiente e demasiado presente. Há que por isso encontrar explicações, para a diferença entre a excelência do nosso modelo e a mediocridade dos resultados.

Os ricos que paguem a crise, é a melhor síntese que conheço da nossa forma de

resolver problemas.

A divida é para não se pagar. E, cá dentro, a culpa é apenas da corrupção, do grande capital, dos ciganos, e de mais uma dúzia de pequenos grupos de malfeitores. Até a pandemia teve, como principais responsáveis, os miúdos que se encontravam e os poucos malandros que não cumpriram regras, sobrecarregando o SNS, que só teve um ano para se preparar.

Enquanto nos divertirmos a encontrarmos a pequena mão cheia de delinquentes responsáveis pelos nossos infortúnios, não abandonaremos a nossa “receita de sucesso”. Nem vamos conseguir o que queremos.

 

 

A democracia disfuncional

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.03.21

Na sua crónica do Expresso desta semana, Henrique Monteiro, fala de alguns exemplos que custaram biliões aos Portugueses, por inépcia do Estado.

Por estranho que pareça, pela enormidade dos montantes envolvidos, não são estes casos o maior prejuízo que sofremos, todos os dias, todas as semanas meses e anos, ás mãos da nossa “vontade colectiva”.

As denuncias de Henrique Monteiro, justas, evidentes, enormes, nada são comparadas ás consequências das pequenas e anónimas mordaças que são impostas permanentemente ao bom funcionamento da Economia.

Se tivéssemos o mesmo rendimento per capita de Espanha, já corrigido das paridades de poderes de compra, temos um prejuízo colectivo de cerca de 11.000 Milhões de euros anuais.

A mesma comparação com a Irlanda, hoje um campeão do bom funcionamento económico, daria uma perda anual de 308.000 milhões de Euros.

Uma aproximação simplista? Com certeza. Mas como poderemos de outra forma explicar o nosso atraso? Por sermos preguiçosos ou pouco inteligentes? E sim, existe uma correlação estatística forte entre o desempenho dos países e o seu grau de liberdade, que suportam este tipo de comparações. Não são por isso balelas as comparações apresentadas.

O nosso prejuízo não pode ser apenas medido pelo produto que podíamos ter e não temos. A essa diferença adiciona-se outra perda: quanto mais é o Estado a escolher como se gastam os recursos, ao invés de dar a liberdade aos cidadãos para escolherem eles próprios como gastar o seu dinheiro, menos satisfação o mesmo rendimento permite. Eu queria comprar uma bicicleta. Mas afinal dão-me uma trotineta electrica, que até custa o mesmo, mas não é o que queria.

Não é apenas a economia que está amordaçada. São também as escolhas dos cidadãos.  Cada vez mais a liberdade de como se gasta o que se produz é decidido pelo Estado. Cada vez mais, a população beneficia menos de cada euro produzido.

Ainda vivermos em relativa democracia, é um milagre. Mas a nossa democracia, é cada vez mais disfuncional.

Ben-U-Ron

por Jose Miguel Roque Martins, em 27.03.21

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Ontem fui a uma parafarmacia comprar uma caixa de Ben-U-Ron 1000. Fiquei a saber, pela senhora da loja, que só se vende nas farmácias. Já nas parafarmacias, podemos comprar paletes de Ben-U-Ron 500.

Em si, mesmo nada disto é um drama. Basta tomar dois comprimidos em vez de um. Mas é um exemplo da nossa intrincada, estúpida e paralisante regulamentação.

Logo depois, soube que, também em Portugal, vamos regular o trabalho dos motoristas de UBER, com a criação de uma presunção de laboralidade. Uma regulação que continua a ser estúpida, mas ao contrario da do Ben-u-Ron, tem consequências. Menos emprego, menos bem estar social, como postei aqui, quando saiu a primeira decisão deste tipo em Inglaterra.

Parece que não temos ainda  Estado e ineficiências mais do que suficientes, para podermos continuar alegremente a destruir a riqueza da sociedade e arruinarmos a económica de mercado.

Nada de novo. Continuamos a aprofundar o que está mal .

 

 

A agonia das esquerdas e direitas clássicas

por Jose Miguel Roque Martins, em 26.03.21

Tropecei recentemente num gráfico simples na Wikipedia que me parece muito revelador das tendências partidárias politicas na Europa.

As ultimas décadas demonstram de forma clara que as coisas não estão a correr bem na Europa, nem para as populações nem para as esquerdas e direitas clássicas.

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Em 30 anos, os socialistas/sociais democratas e os conservadores europeus, não param de perder expressão. Em 1979, representavam 70% do eleitorado, em 2019, perto de 45%. Ainda são os grupos mais importantes. Mas a tendência de queda é clara. Os dois blocos inquestionavelmente maioritários no passado, entre si, não garantem hoje uma maioria.

Não parece que a ideologia seja o principal motivo de tamanha alteração no quadro político. Com exceção dos liberais, são partidos de causas ( como os verdes) ou radicais ( sobretudo nacionalistas) que têm vindo a crescer. Não temos novas ideologias que ganharam espaço. Temos o protesto com os resultados reais sentidos pelos cidadãos a ter consequências.

O descontentamento das populações parece ser a principal razão para um afastamento das duas famílias politicas que têm sido o poder alternativo nos países  Europeus. E por isso, os principais responsáveis pelo Estado de coisas actual são, com naturalidade, também os grandes perdedores.

Outras tendências parecem claras:

1) A esquerda está agonizante. Num mundo que parece começar a entender que os países não são de esquerda porque são pobres, mas são pobres porque são de esquerda. Também as novas causas fraturantes distintivas ( é difícil continuar a apostar contra a economia de mercado), não parecem funcionar. Os mais revoltados foram para a direita, enquanto a esquerda radical definha. As 3 forças de esquerda, incluindo radicais e os Verdes ( progressistas), representam pouco mais de 1/3 do eleitorado, quando em 1989 eram maioritários;

2)  Os liberais crescem, mas parecem estar condenados a serem uma força de segunda grandeza. A insistência num Estado mais contido e mais liberdade individual, em oposição ao defendido por todos os outros partidos, não aparenta colher uma adesão significativa. A sua oportunidade de influencia surgirá da necessidade de proceder a coligações num espectro político cada vez mais fraturado;

3) A direita radical, ganha expressão e afirma-se, sem uma ideologia estruturada. Muito diferenciados entre si, os partidos defendem  um conjunto de economia de mercado, Estado poderoso, Nacionalismo e causas normalmente em oposição ás proposta de esquerda dos últimos anos. A fragilidade ideológica, torna estes partidos particularmente vulneráveis á transferência de votos para novas propostas politicas. Enquanto "grupo", parecem ter ainda espaço de crescimento. Não virámos á direita. Virámos para o radicalismo. 

4) A era de maiorias parlamentares parece ter passado. Numa fragmentação cada vez mais evidente, entrámos na era das coligações. Ou dos impasses.

5) A narrativa de esquerda continua dominante. Os radicais de esquerda, são "ala esquerda", os de direita, são "extrema direita".

6) A direita clássica perde neste período,  quase 40% da sua expressão. Valor próximo do sofrido pelos socialistas/sociais democratas. A sua maior vantagem, neste novo mundo, aparenta ser a sua maior facilidade de estabelecer coligações. Desde alianças com os sociais democratas, como acontece na Alemanha, até a partidos radicais de direita. Nada de diferente acontecendo, a sua perda de peso vai continuar, até por assumir o fardo do poder.

Muito já mudou, mas não parece razoável pensar que não vai mudar mais. Só para onde realmente vamos continua a ser a incognita. 

A real politics é para todos.

por Jose Miguel Roque Martins, em 25.03.21

Na Rússia, os planos apontam para a vacinação da quase totalidade da população no Outono. A falta de vacinas disponíveis impedem que aconteça mais cedo e os seus já quase 100,000 mortos pela doença e a situação actual não é melhor do que a enfrentada pela generalidade dos Países.

As autoridades Russas, continuam a proclamar que apenas exportarão vacinas depois de vacinada toda a sua população. Não existe qualquer discurso oficial, ou vaga de fundo de solidariedade com o resto do mundo.

Esses factos, não impedem que Putin se multiplique em acções de promoção das vacinas russas, dando a entender estar pronto a fornece-las, desde já, ao Ocidente ou Israel . Já assinou, no entretanto,  contratos de entregas, este ano, de mais de 170 milhões de doses e tem, realmente, exportado vacinas.

As motivações que levam a Rússia a abdicar de vacinas quando tem a sua própria casa a arder, é um assunto fascinante, mas não é o tema deste Post.

A segurança e tranquilidade com que o Estado,  liderado pelo cada vez mais Czar Putin, impõe uma política que seria tão impopular/impossível, em qualquer democracia do tipo Ocidental, é uma das questões.

Torna-se cada vez mais difícil sustentar a tese de que existe democracia na Rússia. E que só esse aspecto torna possível exportar um bem, neste momento tão precioso.

Já a China, incontestavelmente não democrática, prometeu mais de 500.000 vacinas a 45 países, de acordo com a AP. Em 25 desses países, já começou a vacinação e já foram recebidas vacinas em mais 11.

O corolário lógico e errado desta historia é ridículo:  os regimes totalitários são mais solidários do que as democracias.

Mas quando estamos a falar de questões importantes, é clara a falta de solidariedade internacional das democracias. A real politics, é para todos!  



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