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Conversa de surdos

por Jose Miguel Roque Martins, em 14.01.22

Ontem assisti ao debate entre António Costa e Rui Rio e, depois, a  parte da cobertura da CNN. Os comentadores socialistas deram a vitória ou um empate a António Costa. Os não socialistas deram a vitória a Rui Rio. A sondagem a quem assistiu ao debate, deu a vitória a Rui Rio com 42% dos votos, sensivelmente a percentagem dos não socialistas em Portugal. António Costa, com uma péssima prestação, ainda recolheu 38% de preferência dos inquiridos.

Parece não importar o que de facto acontece, nada muda. As interpretações da realidade, visam apenas justificar as opiniões previas de cada um. Como digo repetidas vezes, os Portugueses sabem o que querem, e a maioria continua a querer aquilo que têm. Foi bom ter começado a mudar-se o discurso.Não me parece que faça diferença tão cedo. Oxalá me engane. Mas que parece uma conversa de surdos, parece. 

PS: Só não percebi, aliás numa prestação que me surpreendeu positivamente, porque Rio insistiu no cenário ( muito possível) de que Pedro Nuno Santos, venha a ser o próximo primeiro ministro se o PSD vencer as eleições. Quer assegurar que os socialistas moderados não votam PSD? Ou recolher votos da esquerda radical desejosa de uma geringonça mesmo à séria? 

 

A (grande) falha da IL

por Jose Miguel Roque Martins, em 11.01.22

Estou habituado a ser insultado há muitos anos por ser um liberal convicto. Ninguém mais do que eu gostaria de ter um Estado mais pequeno, mais eficiente que recorra ao mercado em quase todas as situações da sua atuação. Ninguém é mais a favor de medidas que são tão impopulares como corretas, de acabar com os privilégios de todos os grupos e indivíduos, fazer os alunos do ensino superior pagar as suas propinas através de empréstimos, da odiada liberalização do mercado de trabalho, dos cuidados a ter com o aumento do salário mínimo, da liberdade económica em geral. Sou até a favor de uma revisão do direito á greve, em especial na função publica, bem como da liberalização de despedimentos ( também) no Estado. Não haverá ninguém que mais queira uma baixa dos impostos do que eu. Todos estes desejos são património comum, assente em doutrina, mas mais importante, experiência pratica, que fundamentam as teses liberais. Todos estes temas, por incompreensão do seu alcance, tornam o liberalismo um alvo tão fácil em Portugal. Daí colhermos os frutos de um socialismo que tolhe, empobrece a nossa população, condenada a uma pseudo-igualdade na miséria.

Com tantas causas inquestionáveis e já de si fracturantes,  confesso a minha surpresa pela insistência da IL na causa da flat tax de 15%, de imediato ou faseada. Um alvo ainda mais fácil de abater, que nem corresponde ao desejo de todos os liberais, como eu, nem torna a causa liberal mais compreensível, antes a torna justamente questionável. 

A progressividade dos impostos é um mecanismo indispensável a uma redistribuição de riqueza ( justiça social numa terminologia marxista) que me parece um objectivo essencial de qualquer sociedade.  O liberalismo, pelo menos de muitos, de quem percebe, entende e segue Rawls, não aceita taxas de rendimento únicas.

Votarei IL, mas não há, nem necessidade, nem justiça em não defender e lutar por uma maior redistribuição de riqueza, que se quer (e pode ser) de abundância para todos, numa economia liberal, ao contrário do pântano socialista. 

 

 

 

 

Perspectivas

por Jose Miguel Roque Martins, em 11.01.22

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Há sempre diferentes forma de olhar para os mesmos números. A de Catarina Martins, que enfatiza a falta de crescimento nos tempos de Passos Coelho ( ignorando a bancarrota), a de António Costa, que enfatiza o período de crescimento do seu consulado ( antes de Covid) e a de cada um de nós, que terá a sua própria  perspectiva. 

Não importa a ciência de cada uma: a que acabará por ser considerada a verdadeira, será a repetida mais vezes.

 Nem importa a que poderia ter sido, com outras políticas, já que é impossível fazer prova inquestionável de realidades alternativas, apesar de quando comparamos os nossos modestos crescimentos com aqueles que países com uma economia liberal, ou apenas menos iliberal, conseguiram, ficarmos mesmo muito mal na fotografia. Nada que não possa ser atribuído a outros quinhentos. Nada que deslustre o actual e anteriores consulados socialistas!

Da minha parte, aqui ficam os crescimentos dos últimos 20 anos, incluindo o ciclo virtuoso do Sr. Costa que, já antes da pandemia, depois de ir assucatando as poucas reformas que permitiram uma leve recuperação iniciada já nos tempos de Passos Coelho, davam mostra de falência.

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PS: Lembro que o Sr Costa, Ganhou as eleições em Outubro de 2015

 

O sustentável peso das aparências.

por Jose Miguel Roque Martins, em 08.01.22

Temos uma maioria de esquerda. Não admira, enquanto os Portugueses olharem para medidas avulsas e não para o seu resultado global.

As medidas socialistas são, por natureza, atraentes. Conferem benefícios ou asseguram direitos que, aparentemente, não são pagos por ninguém. Parece magia. Mas não é e por isso acaba por correr mal. A realidade acaba por impor-se. Economia de mercado sim, se for despojada de toda a liberdade e por isso, da sua eficiência. É um caminho possível, mas com os resultados que se conhecem: estarmos relativamente piores dos que se afastam do socialismo. 

O mesmo acontece com a defesa dos bens e serviços públicos por funcionários públicos, que evitam o custo acrescido do lucro para os contribuintes. Por isso a saúde e o ensino publico,  custam mais do que custariam se recorrêssemos ao mercado. Porque não há nenhuma razão para o Estado ser inevitavelmente menos eficiente que o sector privado, a não ser os incentivos, que apelam ao interesse próprio de cada um, uma imoralidade, que importa contrariar. Num País pouco pragmático, vamos mudar a natureza humana, ao invés de a aproveitar para interesse comum.

Não importa quanto custe, como diria Catarina Martins. A dimensão de um estadista parece medida pela indiferença sobre os custos que os outros vão pagar.  É nestes temas que a moral socialista se sobrepõe ao interesse colectivo. Em que os meios importam mais do que os fins.A confusão que instalam antes, a confusão entre SNS e os cuidados de saúde Universal, uma mentira útil à causa e, por isso, virtuosa. 

Ao ver os debates eleitorais é fácil de perceber a superioridade da mensagem socialista: basta dizer o que as pessoas acreditam, mesmo contra todas as evidencias.  O velho tema da saúde em Portugal, é um dos mais surpreendentes.

O SNS é um buraco ineficiente, incapaz de garantir o constitucional acesso universal á saúde, uma realidade reconhecida pelos portugueses, cujo sonho de ter um seguro de saúde esse sim, é universal. De tão ineficiente, apesar dos esforços de milhares de óptimos profissionais de saúde públicos, os funcionários públicos, aqueles que devem garantir os cuidados de saúde, são os primeiros a salvaguardarem-se com um subsistema particular, a ADSE.  As respostas políticas de esquerda?

Acabarem-se com as PPP da saúde, que provaram apresentar melhor serviço a menor custo, lançar mais dinheiro ( que alguém vai pagar) sobre o sistema. E ainda têm a lata de fazer do SNS, uma bandeira contra a perfídia da direita, que quer entregar os lucros da saúde aos privados.

Certo e indesmentível é que, quanto mais medidas socialistas, menos bem estar uma sociedade permite.  As sociedades mais ricas prosperas e felizes, são as mais liberais.

O socialismo é uma soma de medidas simpáticas que resultam na estagnação. O liberalismo é o somatório de medidas impopulares que resultam em bem estar social.

 

Umas eleições pouco interessantes (5)

A mudança por falencia

por Jose Miguel Roque Martins, em 31.12.21

Temos aquilo que queremos, não por responsabilidade dos partidos políticos e dos políticos, mas do povo. Apenas teremos mudança quando o povo, ou mais corretamente, o centro, quiser. Burro velho não aprende línguas. Há 50 anos que não mudamos. Mas a mudança, pelas piores razões é, a curto prazo, inevitável.

Os jovens são fonte de mudança. Pela sua própria natureza. Pela ausência de fantasmas que ainda atormentam parte da população. Pelo maior conhecimento de outras realidades. Por serem quem vai pagar os direitos adquiridos dos mais velhos. Não serão, numa sociedade a envelhecer, a maioria. Mas vão contar.

A necessidade, essa sim, será o gatilho de uma revolução económica, pelo menos no final, positiva.

Ao longo de meio século, os direitos concedidos cresceram a um ritmo superior ao do pífio desenvolvimento económico. Temos vivido numa nuvem, antes da invenção da Cloud. A diferença entre a realidade e o concreto, foi ultrapassada através do recurso ao endividamento publico. Essa possibilidade, desapareceu. Já não existe folga de endividamento possível. A famosa bazuca é recurso inestimável, para continuarmos a viver acima das nossas possibilidades. Mas é solução de muito curto prazo e relativamente limitada: apenas um balão de oxigénio. Depois, teremos que voltar a viver com aquilo que produzirmos, somado à esmola mais habitual da Europa. Com agravantes. Os custos de Saúde disparam, o desequilíbrio do sistema de pensões agrava-se, a desertificação do interior aumenta, a população diminui, em particular a em  idade de trabalho. Embora conjuntural, o aumento das taxas de juro, também vêm aí. E alguns custos da necessária mudança climática, virão para ficar durante décadas.

Os jovens mais qualificados, podem emigrar, impedindo uma ainda mais violenta exploração dos mais novos, com cargas cada vez mais insuportáveis sobre o trabalho, o primeiro caminho “óbvio” a ser tentado.  Outros, nem precisam de emigrar fisicamente: trabalharão online para empresas estrangeiras, em países com maiores remunerações e menos impostos. Menos mal, mas com consequências na arrecadação de impostos e contribuições em Portugal. Apenas os custos com educação vão cair, com o triste decréscimo da população em idade escolar. Atrair imigrantes qualificados será também difícil: surpreendentemente(?) preferem países mais ricos e livres!

Teremos assim, em simultâneo, menos margem de manobra ( recurso ao endividamento), menos produção de riqueza ( menos trabalhadores, com menos qualificados) e mais pressão de despesas sociais “garantidas” ( mais reformados). O progresso pífio, que o regime providenciou e que o sustenta, nada mudando, não vai poder continuar. O imobilismo, deixará de ser uma receita de sucesso medíocre, apenas de decadência crescentemente visível.

Não mudar será então empobrecer de forma acelerada. Num clima de resignação tranquilo, pouco provável. Ou num registo de revolta, e ingovernabilidade do tipo da primeira república, espera-se, mais benigno.  

Algures neste percurso, olhar para outros países, para a sua maior produção de riqueza, eficiência e produtividade, pode passar a ser menos absurdo, a ser encarado com interesse e curiosidade. Não por questões ideológicas, mas como solução alternativa e necessária. Mudança sem revolução, é um cenário, não só desejável, como possível.

A ideologia, não será o elemento fundamental para escolhas diferentes dos portugueses. Será a política dos interesses e necessidades,  do pragmatismo, a poder mudar o Centro e as suas escolhas, pelo menos na Economia. O que significará, menos e melhor Estado, menos burocracia, mais mercado, menos direitos ilegítimos. Privilégios  e ideias fofinhas vão estar sob ataque. As consequências das decisões vão passar a contar. É o cenário em que a ameaça que defrontamos se pode tornar uma grande oportunidade.

Tudo pode acontecer, menos ficarmos na mesma.

A mudança acontece quando as estratégias estabelecidas deixam de apresentar resultados ou esperança e é exatamente  onde estaremos a curtíssimo prazo. Só a partir desse momento, poderemos começar a aspirar por mudança. Só quando o intervalo entre dolorosos programas de ajustamento for cada vez mais curto, as pessoas começarão a pensar que talvez mudar seja mesmo necessário e útil. Só quando as pessoas perceberem que o Estado não está roto, vai nu, poderão passar a querer que ele seja menos totalitário.

A mudança de sistema económico, para uma economia de mercado  é o único cenário interessante que, acredito, ser o mais provável, depois de naturais perturbações. O pragmatismo do centro, será o lastro essencial e determinante neste percurso.

Bom será que a mudança positiva, não seja acompanhada do fim da democracia e um retrocesso nas liberdades. Nada está garantido. É por isso, é tão importante que se debatam e confrontem ideias, soluções e ideologias, porque se nada parecem mudar no dia a dia, nalguns aspectos, são determinantes para a garantia do essencial: a liberdade e a democracia. Mandar o menino com a água do banho, não é nada que não possa acontecer. Em tempos mais agrestes, a liberdade e a democracia parecem perder valor, como a observação da História, sobre o valor da democracia,  nos demonstram.

Não é só a mudança de modelo económico ou a pobreza franciscana que teremos em cima da mesa: também a democracia e as liberdades, mesmo as mais  básicas, vão estar sob fogo. Não apenas por PCP, Bloco ou Chega, mas por parte do Centro. Quando o Estado falha clamorosamente, figuras ou comissariados messiânicos que prometam ordem e progresso, em troca de poder absoluto, tornam-se mais atraentes. Sempre assim foi, sempre assim será.

Umas eleições pouco interessantes (4)

A esquerda e direita

por Jose Miguel Roque Martins, em 30.12.21

 

Não temos só o centro, há mais dois grupos.

O dos fartos, descrentes e indiferentes, que já nem votam, e que são quase a maioria dos Portugueses. Fazem mal.

Os poucos que querem mesmo mudança e reformas, a que se chama esquerda ou direita, são relativamente insignificantes, agrupados em  pequenos nichos ideológicos. Temos muitas tendências. Só a social democracia, a verdadeira, não tem um representante alternativo. De, resto continuamos com o decadente e monolítico PCP, uma reminiscência histórica falida, o bloco de esquerda, uma espécie de travesti do comunismo, um CDS esgotado, e a jovem iniciativa liberal, que propõe o pouco tradicional e contra natura  liberalismo em Portugal. Temos ainda o Chega e o PAN, com ideologias difíceis de entender ( se é que existem) , uma espécie de franchising de movimentos copiados de êxitos eleitorais de partidos Europeus semelhantes, que reúnem pessoas que se sentem inapelavelmente excluídas da sociedade, que estão zangados, ou se dedicam a causas particulares, deixando o resto aos outros.

Estes partidos poderão influenciar o poderoso “centro”, por natureza, pouco inclinado a avançar com mudanças. Mas muito pouco. Essa influencia poderá ser mais imediata ( e fugaz), através da sua força eleitoral e na viabilização de governos mas, mais importante e permanente, na forma como conseguirem influenciar, de forma duradoura, as ideias do tempo. Apenas têm importância na forma como podem promover uma alteração da forma de pensar do centro e, dessa forma, promover mudança real no País. Não sendo adepto, pelo contrario, do Bloco de esquerda, há que reconhecer ter sido este pequeno partido o mais eficiente na imposição de transformação da sociedade Portuguesa a partir de uma posição de quase irrelevância eleitoral. Não pelo apoio ao PS, mas pelo trabalho constante de luta pelo seu extenso e muitas vezes excêntrico cardápio de causas fracturantes. A geringonça caiu, mas ideias do Bloco, na generalidade más ou muito más, ficaram.

À esquerda e à direita, existe apenas uma esperança: os mais novos, aqueles que vão pagar os privilégios dos instalados, os ainda mais generosos e abertos ao bem comum, aqueles que não têm nada a defender, porque nada lhes foi ou será dado. Aqueles que não podem enfrentar o grande capital, que já não existe. Aqueles que apenas são vitimas dos pequenos privilégios de quase todos os mais velhos.

Deste grupo destacam-se, como possíveis faróis ideológicos, capazes de mobilizar os jovens,  o Bloco e a Iniciativa Liberal. Representam as propostas de mudança mais claras e antagónicas. O confronto entre o colectivismo igualitário de Estado e a ditadura dos iluminados, por um lado, e uma sociedade mais livre e prospera, por outro. A clássica luta entre opostos, em que cada um oferece a possibilidade de uma luta heróica ( e por isso atraente) aos seus (poucos) eleitores. A eterna luta entre o bem e o mal, em que cada lado está, aos seus próprios olhos, do lado certo.

A sua importância, mais do que na esfera económica, será sobretudo na esfera dos direitos individuais e na importância da democracia que, no limite, poderá ser ignorada por imposição de necessidades mais prementes. O inverno está a chegar. As doutrinas de 50 anos, vão ter que mudar. 

 

(continua) 

Umas eleições pouco interessantes (3)

A ditadura do centro

por Jose Miguel Roque Martins, em 29.12.21

Nada vai mudar, enquanto os portugueses não mudarem. Ou melhor enquanto a maioria não mudar. E a maioria, nos últimos 50 anos, é o “centro”.

Os seus arautos, o PS ou PSD, em alternância ou coabitação, apenas irão mudar o necessário, para tudo se manter essencialmente na mesma. Servindo com lealdade, o que a generalidade dos Portugueses votantes consideram essencial. Quem desafia esta lógica, já se sabe, é posto a andar. A democracia funciona.

Os Portugueses do “centro”, não são diferentes dos outros cidadãos, não são particularmente inteligentes ou estúpidos, cultos ou ignorantes, generosos ou egocêntricos. Os do centro, tal como os outros Portugueses, não são heróis do mar, da terra ou do mar, nem vilões ou completos cobardes. Apenas Homens. Que acredito estarem muito errados. Alguns até são ideologicamente do centro, seja lá o que isso seja. Outros, acredito, sentem-se pobres e vulneráveis, com baixa auto-estima e confiança. Sentem a necessidade de se agarrar ao que têm, na errada crença de que é impossível , em liberdade, cada um abdicando dos seus pequenos e ilegítimos privilégios, que todos fiquem melhor. O óptimo é inimigo do bom, o medíocre, um resultado razoável, pelo menos melhor do que mau. A moderação é confundida com imobilismo, entendido como manter o que está bem e mal, pouco ou nada mudar ou corrigir, nunca arriscar. É melhor um diabo que se conhece do que a incerteza  e o risco da mudança. A liberdade é pouco valorizada e o sentimento da total superioridade e legitimidade dos direitos da maioria, só é contestada quando os direitos individuais, dos próprios, são atacados. E acima de tudo, como aliás nos últimos séculos, num traço também comum à esquerda e direita, olha-se para o Estado como única resposta ás preces individuais e colectivas. Esta característica, mais nacional do que do centro, é o que nos distingue, mais claramente, dos países mais felizes.

Claro que há traços, que suponho serem comuns em todas as sociedades, que só tornam um pouco pior o que já é mau. Há sempre aqueles que preferem abdicar da sua liberdade, para que os outros também não a tenham e aqueles que sentem uma necessidade de impor aos outros, em pormenor e detalhe, aquilo que deve ser a sua vida. Quando em maioria, democraticamente, apoiados no sistema político,  atropelam com arrogância inconsciente, todos os que não partilham das suas crenças. Foi o que aconteceu  na luta contra a COVID,  um exemplo flagrante mas apenas mais um pequeno episódio, nesta longa, forte e detestável tradição. O culto do bom aluno e do “virtuoso”, é especialmente encontrado em muitos destes cidadãos, que falam de barriga cheia, já que têm o que querem. E as dores dos outros são sempre mais doces do que as nossas.

O centro, representa o maior mercado editorial, beneficiando, por isso, de uma constante e  reconfortante confirmação das suas crenças nos órgãos de comunicação social, que têm que vender ( ou receber subsídios)  para sobreviver.

A demonstração da mediocridade do regime, a incapacidade de prover progresso, riqueza, qualidade de vida,  ao ritmo da esmagadora maioria dos países europeus, não impressiona este grupo.

Porque, apesar de tudo, temos progredido. Porque podia ser pior. Porque o sistema, mesmo com menos riqueza, é mais justo (?). Porque duvidam estarmos prontos para mais liberdades e responsabilidades. E o que vem primeiro? O desenvolvimento ou uma sociedade mais livre? Argumentos há sempre, para todos os gostos, em todos os sentidos. Cada um acredita nos seus. Contra factos afinal há argumentos.

Já as queixas da violação das liberdades e garantias constitucionais, esbarram ou na indiferença, quando não incompreensão absoluta do que se fala. Os mais atentos, esgrimem que, apesar de tudo, tem havido mudanças ou pelo menos intenções de correcção. Esquecendo que todos os dias, novas agressões são instituídas enquanto não se corrigem as anteriores, mesmo as mais graves. O regime é o centro. O centro é a democracia iliberal. E por isso é o centro é o responsável pela violação dos direitos e garantias constitucionais dos cidadãos, entre outros pouco razoáveis ditames. Vivemos a ditadura do centro.

Umas eleições pouco interessantes (2)

A democracia iliberal

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.12.21

Sou um descontente, faço parte de uma das minorias que quer mudança. No meu caso, quero mais liberdade, mais respeito pelos direitos e garantias de cada individuo e um sistema que produza mais riqueza, seja mais eficiente, em que haja menos  consumo público obrigatório, uma carga fiscal mais baixa. Não precisamos de menos desigualdade, precisamos de menos pobreza e mais liberdade e justiça para todos. Sermos igualmente pobres, oprimidos e sem justiça, não é um caminho decente.

Aceito que não posso ter o que quero, o que acho justo e melhor para mim. A maioria assim o decide.  Escolhe um sistema que já provou ser inferior a muitos outros, mas que é reiteradamente confirmado, eleições atrás de eleições. Em democracia, posso não me conformar, mas tenho que aceitar e respeitar a escolha da maioria, o que até faço com bonomia há décadas. Até que a maioria decida de outra forma.

Já no restante, tenho todo o direito a ter o que quero: mais liberdade e os direitos individuais garantidos pela constituição. Mas não tenho. Nem eu nem os outros.

A democracia é um outro nome para tirania, quando os direitos das minorias e do individuo não são garantidos. Para prevenir uma democracia tirânica, estabelecem-se constituições que defendem o individuo. Só quando assim acontece é que podemos falar de democracias liberais, as chamadas democracias boas. Formalmente, nem estamos mal. Na pratica, de forma mais e mais evidente, a constituição é letra morta: cada vez mais o desejo das maiorias, quando não apenas de burocratas, invadem o espaço de direitos individuais básicos. Vivemos numa democracia iliberal. Há bem pior, mas também muito melhor.

Assim acontece com a pródiga introdução de descriminações, positivas e negativas, a denegação de justiça, por excessiva morosidade ou inacessibilidade pratica, a violação, pelo Estado de direitos individuais defendidos constitucionalmente. A violação dos direitos e garantias individuais é uma realidade, cada vez mais evidente, em todas as esferas possíveis da nossa vida colectiva. Não vivemos num Estado de Direito.

A transferência coerciva de responsabilidades sociais aos privados, viola os seus direitos constitucionais. É o que acontece no perpétuo adiamento dos direitos de propriedade no caso das rendas antigas ou na transferência de protecção social de trabalhadores ás empresas, já antigas, e a impossibilidade de cortes de luz, água e gás ( sem substituição no pagamento pelo Estado), para já apenas em tempo Covid. Aliás a coberto de necessidades sanitárias, as agressões multiplicaram-se: que sentido faz fechar estabelecimentos licenciados, sem indemnização, ou transferir, sem compensação e escolha, deveres de policia aos privados, obrigados a controlar o estado sanitário dos seus clientes? Muito preocupante é que estados de excepção são aqueles que o homem quiser!

A imposição de descriminações positivas a grupos que nada mais são do que a imposição de descriminações negativas a outros. Não se devem combater descriminações (potenciais ou reais) com novas descriminações. Descriminações são descriminações, são erradas, com excepção das que protejam os portadores de deficiência comprovada, onde apenas se reconhece uma diferença objectiva.  Com pompa e circunstância, “sorteamos” casas para uns, deixando os outros completamente na mesma. Privilegiamos o acesso ao ensino superior para “grupos” desprivilegiados, de um ponto de vista social, mas também para policias e filhos de diplomatas. Porque não incluir Homens, hoje minoritários no sistema? Ou negros, que nada evidencia serem diferentes ou inferiores a brancos, institucionalizando o racismo, com o argumento de o combater? Porque um cidadão normal não pode aderir à ADSE? Porque pode andar em excesso de velocidade um político no exercício de funções?

E a imposição de descriminações negativas directamente? Agora estamos a retirar direitos aos não vacinados. Amanha aos fumadores, depois de amanha aos gulosos e depois a quem? Aos gordos, magros, baixos ou os altos? Para já, apenas os Ciganos estão a salvo. A desumanização do individuo começa quando se passa a ser apenas mais um, dentro de um grupo estatístico diferenciado que se crie. Estarei errado?

E a limitação abusiva de direitos e liberdades individuais, através de regulamentos que, sem prova de imprescindibilidade, ferem liberdades básicas? Será aceitável?  Sou um fervoroso defensor das vacinas, mas também um defensor intransigente daqueles que não o são tenham o direito de não as tomar. Obrigar crianças a vacinar-se, para o ( eventual) bem dos adultos, arrepia-me. A negação do direito consagrado na carta dos direitos do homem, do direito das famílias em educar os seus filhos, repugna-me.

O que virá, a seguir, para o “bem” do grupo, ou melhor, da maioria? Talvez um sistema de vigilância como o usado na China, que destrói completamente a privacidade, viola direitos individuais, mas garante uma maior eficácia do controlo da população, da segurança publica e dos desvios aos padrões consagrados pelo Estado. Para já vamos dando uns passos, felizmente ainda tímidos, na introdução de censura e limitação da liberdade de expressão. Pelo que vejo, questões só preocupantes na Hungria e na Polónia.

A cereja em cima do bolo, é a justiça, ou melhor a injustiça. Quem não tem dinheiro, não tem justiça. Quem tem dinheiro, normalmente não é condenado . Ninguém tem justiça em tempo útil. Um Estado de Direito?

Já percebi que o amor pela liberdade e direitos individuais, em Portugal, é visto como uma excentricidade, um luxo, uma aberração, a derradeira fantasia, que não merece demasiada atenção. Mas está consignada na constituição, na lei fundamental, e a sua permanente violação é um hino à ilegalidade e a definição de falta de liberdade e direitos individuais.

O povo é que mais ordena e deve ordenar. Mas os direitos e garantias dos cidadãos não são protegidos. A nossa democracia funciona. O nosso estado de direito não. Temos democracia, mas uma democracia iliberal.O que não vai mudar enquanto o centro não quiser. 

 

(continua)

 

Umas eleições pouco interessantes

O povo é que mais ordena

por Jose Miguel Roque Martins, em 27.12.21

Sou dos que querem mudança e reformas. Que detesto viver num País pouco livre, que não me conformo pela escolha da pobreza colectiva e com a falta presente de futuro que deixamos aos nossos filhos e netos que não emigrarem. Não gosto de viver numa realidade que me parece delirantemente virtual. Mas de falta de democracia não me queixo.

Cada vez mais estou convencido que o Povo é que mais ordena. Os nossos políticos, sistema político e partidos, podem ser acusados, com razão, de tremendas e até incompreensíveis barbaridades, mas entregam democracia.

O que conta é a  vontade profunda dos Portugueses e, qualquer fuga a essa realidade, independentemente das circunstâncias, qualquer que seja o líder o partido ou a ideologia proclamada, é fortemente punida em termos eleitorais e rapidamente corrigida. Não que nenhum cidadão goste de tudo o que acontece, das trapalhadas e escândalos. Mas nada disto tem a ver com aquilo que de facto conta na hora das eleições. O mais recente exemplo do que pretendo transmitir, foi a queda de Passos Coelho, ainda hoje um pária para a grande maioria dos portugueses e especialmente para pensionistas e funcionários públicos. Para muito poucos fez o que devia, começou a reformar. Para a maioria, feriu vacas sagradas e, em particular, as suas vacas. Para quase todos, cometeu a ousadia de ser honesto, o que também não é bem visto em Portugal. Político apreciado, tem que prometer o céu.  Pode não cumprir, mas tem que prometer. Palavra dada, não tem que ser honrada. Que isto, na política tem que obedecer à etiqueta, tem regras. Não admira por isso,  que as suas reformas tenham sido anuladas em tão pouco tempo. O país quer mesmo o que tem. A democracia, não há duvida, triunfou e funciona. Os Portugueses, nas questões essenciais, não querem mudar!

Quem ousar afrontar as linhas vermelhas da maioria, está destinado ao fracasso.

PS e PSD, como Portugal, estão encalhados, condicionados, presos ao seu eleitorado. Será possível esperar que, mesmo que o queiram, façam reformas? Não me parece. Seria ir contra o que a maioria realmente quer. Não há reformas sem ferir interesses e convicções. E no nosso caso, há demasiados interesses e convicções de fé, tão cristalizadas como por vezes eventualmente  absurdas. Os partidos de poder, sabem com clareza, por experiência própria, que ofenderem os interesses reais dos Portugueses, os seus minúsculos mas letais direitos adquiridos, as suas convicções dogmáticas, só trará a derrota eleitoral e o rápido regresso ao ponto de partida, realizado por outro partido.  O que conta é dar um ar de progresso, mesmo que poucochinho, de esperança, de prudência, de que alguém vai ao leme e que o Estado lá estará, sempre capaz de amparar.

Certo é que temos um Pais menos livre do que o desejável e exigível, mais pobre do que o possível, mas temos o País que a maioria quer. Temos democracia.

 

 

 (continua)

PERSPECTIVAS

por Jose Miguel Roque Martins, em 01.12.21

 

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A insónia de  Putin

por Jose Miguel Roque Martins, em 30.11.21

Depois de ter invadido a Crimeia, a Rússia amontou nas ultimas semanas,  mais de 100.000 Homens e equipamento pesado, na fronteira da Ucrânia, a que se vão agora juntar tropas da Bielorrússia. Em tese, uma invasão da Ucrânia pode começar a qualquer momento.

Uma concentração de meios tão importantes, são caros demais para serem tomados sem qualquer objectivo claro. Claro que se pode tratar apenas de uma provocação. Uma prova de vida e uma fanfarronada para impressionar quem compra equipamentos militares. Como a maioria das pessoas, não entendo por que razão a Rússia poderia querer invadir a Ucrânia. O que é certo é que já anexou em 2014 a Crimeia, sem que se vislumbre, até à posteriori,  um interesse geopolítico relevante.

Com o histórico passado e recente, no caso do Ocidente pretender de facto proteger a Ucrânia, bastaria que a NATO, em linguagem diplomática mas clara, anunciasse que reagiria militarmente  a qualquer nova agressão ás fronteiras da Ucrânia. Não foi o que aconteceu. Umas declarações ameaçando umas sanções difusas, umas manifestações de preocupação, uma reunião da NATO, hoje, para partilha de inteligência sobre a situação no terreno. E é tudo, pelo menos para já.

Apenas três lógicas parecem poder explicar este quase convite a uma agressão Russa. Ou porque se entende útil sacrificar os Ucranianos, num calculo que me escapa. Ou porque não defender a Ucrânia lance duvidas à Rússia do seu  interesse em o fazer. Ou porque não há mesmo vontade de perder um único homem, numa guerra que não ataca(?) nenhum interesse fundamental dos países que deveriam reagir, até porque precisam do gás russo.

Tanta passividade, deve estar a enervar Putin e a tirar-lhe o sono: não é assim que se deve reagir a uma provocação, não é assim que se brinca, não é assim que se valoriza um eventual êxito militar.

Radicalização ideológica

por Jose Miguel Roque Martins, em 29.11.21

Costumo ler as crónicas de Daniel Oliveira no Expresso que, de certa forma, considero o arauto honesto e inteligente da Esquerda. Hoje, a páginas tantas, escreve:

“E desde que Rui Rio venceu que deixaram claro que o consideram um líder ilegítimo, em contraciclo com a radicalização ideológica que defendem.”

Simplificando, qualquer ideologia que ultrapasse á direita o socialismo, ou uma social democracia de esquerda socialista, para a esquerda, é naturalmente uma ideologia radical.

Curiosamente, na esmagadora maioria dos países desenvolvidos, o radical em Portugal é o moderado e o moderado português, radical.

Em termos de classificações politicas tudo é uma questão de perspectiva e de onde se posiciona o observador. Já em termos de consequências praticas, no bem estar da população, é que não há duvidas: a direita do socialismo, dita radical ou moderada, é bem mais agradável para os cidadãos.

Morre o PSD, nasce o PSB

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.11.21

Rui Rio ganhou as eleições do PSD, que no seu consolado se deve chamar PSB , o outro PS.  Se estivermos zangados com a coca cola, tomamos pepsi cola. Não abandonamos é a cola, que nos une no nosso estranho e fraco projecto colectivo.

Se já não havia grandes perspectivas de mudança a partir de Janeiro, agora não há nenhumas. Ganhe o PS ou o PSB.

Ainda bem para quem acha que estamos no rumo certo.

 

A fraqueza do Ocidente

por Jose Miguel Roque Martins, em 12.11.21

A Rússia acumula tropas na fronteira da Ucrânia. Não porque a riqueza do Ocidente não seja deslumbrante, ou a capacidade militar dos EUA tenha rival. Apenas cada vez é mais nítida a falta de força para lutar ou assumir prejuízos no seu bem estar, das sociedades ocidentais.

Roma caiu quando deixou de ter paz, porque já não conseguia aceitar os custos da guerra.O que levou á guerra e á sua queda. 

 

O direito á greve: de bem a mal social

por Jose Miguel Roque Martins, em 12.11.21

Captura de ecrã 2021-11-12, às 18.34.53.png

 

Não bastava que a luta contra a precariedade fosse um dos pilares estruturantes da falta de desenvolvimento e de desemprego.

A falta de precariedade de uns é a precariedade dos outros. Hoje os não precários, os servidores do Estado, de acordo com os sindicatos, fecharam 95% das escolas. Um grande resultado dirão uns. Um desastre direi eu, quando o País está nas mãos de quem não pode ser despedido e que por isso se dá ao luxo de prejudicar crianças, os pais, o País, apenas por questões políticas. Não será por acaso que nos países de esquerda da Escandinávia, o direito à greve não existe.

Mas perante estas ( e outras)  alarvidades, estamos concentrados no caso dos militares corruptos e criminosos, de quem soube e não soube, quando até quem devia saber, soube e actou. Ou como vai ser regulado o eventual bloco central pelo Presidente. Tudo se discute, menos o importante. 

O direito á greve, foi em tempos uma conquista social: agora é uma praga. 

 

 

LEI DA EUTANÁSIA- um veto necessário, mas não suficiente.

por Jose Miguel Roque Martins, em 09.11.21

A lei da eutanásia, em abstracto, não me levanta grandes objecções. É uma faculdade que é concedida, em casos extremos e excepcionais, a um individuo, na plena posse das suas faculdades mentais, para que possa decidir deixar de viver, pedindo para isso, ajuda ao Estado, já que se encontra incapacitado de, ele próprio, se suicidar.

Enquanto reforço dos direitos e liberdades do individuo, não consigo filosoficamente opor-me à eutanásia. Aqui acaba qualquer concordância que possa ter relativamente à morte assistida. Não me parece que haja tema que se aproxime à vida humana, no que toca à cautela e prudência que devemos ter na sua abordagem.Pelo seu valor intrínseco. Pela sua irreversibilidade. 

Admitir que o Estado tenha competência, capacidade, idoneidade e equilíbrio que ofereçam garantias mínimas de que não se abra a porta ao suicídio muito para alem do que é proposto e ao assassínio assistido, é de um optimismo extremo. Entregar tão delicada e difícil  responsabilidade ao Estado, parece-me de uma imprudência criminosa.

É evidente que exemplos do que aconteceu, a coberto de uma lei semelhante, na Alemanha Nazi, são desacreditados, já que hoje, a possibilidade de regimes pouco recomendáveis, parece não existir, a idoneidade moral de todas as populações e pessoas actuais parece estar acima de qualquer suspeita!

 Certo é que, com o habitual legalismo germânico, ninguém morreu sem que todos os papéis, carimbos e assinaturas previstas na lei, não estivessem impecavelmente reunidas. Também é certo que, a coberto desse formalismo exemplar, do cumprimento da letra da lei, muitos seres humanos, considerados pesos para a sociedade ou famílias, homossexuais, ciganos, comunistas e outros inimigos do regime, foram legalmente assassinados.

Esta lei, faz lembrar a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, realizada depois de um referendo em que se perguntava: concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

Ao contrario da Eutanásia, não consigo encontrar pessoalmente qualquer suporte filosófico à pratica do aborto, pelo contrario. Mas não é essa a questão que pretendo discutir, embora também aqui, a protecção ( ou não) da vida, está em causa.  O ponto que pretendo transmitir é que há temas que podemos saber como começam, mas nunca sabemos como terminam.

A coberto de um referendo, eventualmente desnecessário porque não eram aplicadas  sanções, o Estado, o mesmo Estado a quem se quer entregar o cumprimento da lei da Eutanásia, demonstrou a sua total falta de equilibrio. 

Da despenalização, num ápice, passámos ao direito de realizar abortos. Para logo a seguir, conceder condições especialmente vantajosas relativamente à normal prestação de cuidados de saúde a quem queira fazer um aborto. Quando o processo começou, quem imaginava que passaríamos, tão rapidamente, da despenalização a políticas aparentemente de incentivo ao aborto? Mas foi o que aconteceu.

Hoje, ao contrario do que é aplicado a pessoas doentes, não há taxas moderadoras para realizar abortos. Ao contrario do normal, abortar  é 100% gratuito. Hoje, para que possam recuperar física e emocionalmente  de uma interrupção voluntária de gravidez, quem o pratica, tem direito a uma “baixa” de 15 a 30 dias,  pagas ( por todos nós) . 

O Estado, na sua actuação do dia a dia, não garante, antes viola,  liberdades e garantias básicas do cidadão, não garante nem respeita a lei e a constituição, como irei abordar no meu próximo post. Vamos dar-lhe também o poder de matar cidadãos com cartão de cidadão?

É verdade que (ainda) não somos governados por nenhum partido nacional socialista, nem temos um primeiro ministro que se assemelhe a Adolfo Hitler. Mas quando a nossa existência passa a depender de um Estado tão criativo, ideológico, incapaz e ineficaz como o nosso, faz sentido imaginar que vai tudo correr bem?

Haja senso e um Presidente prudente. Parece-me ser exactamente para estes casos que existe direito de veto.

Caso o Veto presidencial seja uma realidade, espero que não venhamos a ser confrontados, num futuro próximo, com a proposta de despenalização da Eutanásia.....

Irá Antonio Costa votar no PS?

por Jose Miguel Roque Martins, em 08.11.21

A esquerda toca o estribilho de que António Costa queria eleições. Só se fosse parvo, o que não é. Não porque se arrisque a perde-las, mas porque se arrisca a ganha-las.

A manter-se a rota das políticas públicas dos últimos anos, uma crise brutal em 2025 torna-se inevitável. É verdade que, para o PS, não é nada, nem novo, nem dramático. Quem vier apanhar os cacos, naturalmente impondo medidas tão necessárias como impopulares, será, em 2030, trucidado como a figura maligna que impõe sofrimento por razões ideológicas. Já aconteceu com Passos Coelho, voltará a acontecer.  Para o PS, são apenas os 4 anos sabáticos que lhes permitirão voltar a rebentar com o país nos anos seguintes. Com charme, com contas certas, com a infinita bondade com que tratam os portugueses. Já  para António Costa, formando governo, como se irá desculpar? Com o arbitro ou com o VAR? Com a falta de eficácia dos seus ministros? Mesmo para o mestre da ilusão, parece me difícil !

António Costa sabe que, nos próximos anos, vamos ter a ajuda da bazuca, que irá disfarçar o verdadeiro deficit publico. Que iremos continuar a beneficiar dos  estímulos do banco central para manter os juros artificialmente em baixa.

António Costa também sabe o pesadelo que o espera, a partir de 2014. O défice publico que deixa de ser  disfarçado com uma bazuca desvanecida, pressionado pelo aumento dos juros, do batalhão de desempregados a quem ninguém consegue pagar o salário mínimo, com o (fraco) poder de compra dos Portugueses, ainda mais pressionado pelo aumento dos impostos ( ou coimas e taxas) , das prestações da casa, do carros, das férias. Já para não falar de uma crise no Imobiliário e a insatisfação do funcionalismo publico, a quem não se poderá continuar a agradar. Sermos ultrapassados pela Bulgária, também não vai ajudar.

Aceitar as exigências da esquerda radical, seria precipitar o fim da sua credibilidade. Abandonar a governação para concorrer ás presidenciais ou aceitar um alto lugar no funcionalismo Europeu, poderá ser a sua  solução pessoal. Perder as eleições um alivio.

Claro que posso  estar completamente errado e António Costa, já se conseguiu enganar a si próprio e  aderiu ao seu público irrealismo. 

 

 

A crise no PS

por Jose Miguel Roque Martins, em 03.11.21

Melhor ou pior, as crises do PSD e do CDS, serão brevemente ultrapassadas. O PCP e o Bloco, já ultrapassaram a sua crise, escolhendo libertar-se do abraço do Urso. A maior das crises, a do PS, passa em surdina, mas nem por isso deixa de ser a mais profunda e grave.

Não há aparentemente uma crise de liderança e de posicionamento político, mas ela existe e é tricéfala. Os apoiantes de António Costa, o radical moderado, a de Jorge Nuno, o radical assumido e a do maioria silenciosa, a dos moderados, que ainda não tem um rosto. Rapidamente, a bomba vai inevitavelmente rebentar.

Só não acontecerá já em Fevereiro, se António Costa conseguir uma maioria absoluta ou Rio, ávido por engolir elefantes para roer um osso, for o líder do PSD. No entretanto, vamos tendo sinais.

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Social democracia á Portuguesa: um horror

por Jose Miguel Roque Martins, em 01.11.21

Como referi no meu Post de ontem, acredito que a social democracia , à Portuguesa, será o melhor que poderemos aspirar em Portugal nas próximas décadas. Convém lembrar, que mesmo muito  melhor do que a esquerda radical, a social democracia à Portuguesa, continua a ser uma opção verdadeiramente muito má.  

A social democracia à Portuguesa, não abraça o liberalismo económico, como acontece, por exemplo, na Escandinávia. Por isso, nunca teremos a criação de riqueza que nos poderia proporcionar um bom nível de vida. Os ecos revolucionários de há 50 anos, ainda se fazem ouvir alto e bom som em Portugal. As palavras de ordem revolucionarias do passado, ainda estabelecem doutrina. Apenas as referencias á social democracia Escandinava ( agora inconveniente), deixaram de se fazer. 

A social democracia, em Portugal, será sempre excessivamente centrada no Estado. Na sua dimensão de provedor, enquanto Pai, na sua missão de se substituir aos cidadãos nas escolhas que fazem. Não advoga um estado social, em que apoia, com rendimento, os menos favorecidos. Escolhe por eles o que devem consumir, como se comportar-se e quando. Por isso temos os subsídios em espécie, as alterações de preços relativos, a imposição permanente de regras e comportamentos. Baralha-se o sistema de informação ( os preços)  que permite racionalidade, substituído pela mais alta capacidade, ao jeito soviético, dos iluminados.  Diminui o bem estar proporcionado pela ajuda que o Estado dá, menoriza-se o cidadão e retiram-se-lhe liberdades, minudências!  É uma social democracia particularmente condicionada ao cumprimento das regras impostas pelas maiorias. Ajudar, sim,  mas só se for para o que a maioria acha  adequado. Ou para satisfazer as convicções pessoais do certo, de quem manda. Todas as sociais democracias são um pouco assim. À portuguesa, é totalmente assim. O respeito pela liberdade individual, pelos direitos e garantias de cada ser humano, são apenas palavras sem substância. A liberdade que resta, é fazer o pouco que ainda não houve o tempo ou o engenho de limitar.

Mas não se ficam por aqui, os vícios particulares da nossa social democracia. Em nenhuma sociedade desenvolvida, conseguimos ver tanta ineficiência na entrega do serviço publico como em Portugal. A confusão entre bem publico e a prestação do serviço publico pelo Estado confundem-se. O que tem consequências conhecidas, mas que são mais uma vez ignoradas. O importante não é prestar cuidados de saúde ou de educação, ou outros. O que conta é que esses serviços sejam prestados por serviços públicos, por funcionários públicos e por gestores públicos, nomeados por confiança política. O resultado é conhecido. Maiores custos, pior serviço. Nem a escolha, pelos funcionários públicos, através da ADSE, um privilegio só seu, em que se libertam do SNS, é entendido como um alerta, como gatilho de reflexão à bondade do sistema vigente. Não me admiro que seja inventada outra sigla, para os funcionários públicos poderem contar, no futuro, com serviços de ensino 100% privados. O descaramento não parece ter limites.

A social democracia á Portuguesa, é uma caricatura tão escabrosa da verdadeira, que até a Sra. Catarina Martins se diz, tavez com alguma razão, social democrata. 

É por tudo isto que, se o melhor a que podemos aspirar é a social democracia à Portuguesa, estamos condenados à mediocridade. É por isso que sou liberal. Sem esperança num Portugal liberal nas próximas décadas,  mas com esperança que algumas sementes possam germinar no nosso parque infantil de pobreza, ineficiência, menorização do cidadão e falta de liberdade.

PS: Dito isto, apesar de ser mesmo um liberal, ficava muito satisfeito se a social democracia, em Portugal, não fosse á Portuguesa. Na impossibilidade de ter o liberalismo social que advogo, ficaria muito contente em viver numa social democracia verdadeira, que é um sistema, embora não ideal, muito decente. 

 

 

 

Do péssimo ao mau.

por Jose Miguel Roque Martins, em 31.10.21

Era uma vez um partido político que nasce no meio de um período revolucionário. Timidamente, assume-se como de centro, que os tempos não permitiam mais. Anunciar que não se era de esquerda, já era de grande risco político, social e um acto até de coragem física. As pessoas esquecem, mas a democracia ainda era muito mais frágil do que nos dias de hoje. A ditadura de esquerda ainda era mais clara.  Sendo o partido dos não socialistas e sociais democratas, abrigou uma pequena falange de grupos diferentes: conservadores, liberais e até reaccionários, que insistiram em não se infiltrar noutros partidos, de poder, como o PS e o PSD.

O discurso sempre foi difícil e nem sempre totalmente coerente. Porque o país não estava preparado ( nem está) para que o socialismo ou social democracia não sejam as únicas e óbvias vias possíveis . Porque o seu eleitorado, apesar da sua forte comunhão antissocialista, tinha ideias diferentes sobre muitos temas. As coisas foram correndo, por um lado porque os seus eleitores não tinham alternativas, por outro porque não ser socialista, nunca permitiu que esse pequeno grupo fosse expressivo em Portugal.

Ao longo da sua História, impressionava a desproporcionada qualidade dos seus quadros em relação a partidos de muito maior dimensão. O que de nada serviu, continuou a ser um partido marginal e pouco influente, mesmo se capaz de quando em vez, proporcionar maiorias parlamentares e, à boleia, chegar, com influencia reduzida,  ao poder.

Os poucos, como eu, que ao longo do tempo, votaram fielmente, ano após ano, década após década, no CDS, resignaram-se a ser uma voz fora do baralho. Na verdade, aceitarem ser uns perdedores crónicos de eleições, em troca de afirmarem a sua distancia ao socialismo. Se não for assim para todos os antigos CDS, é pelo menos assim que me vejo.

Vieram então as eleições de 2015. A esquerda radical que, apesar da sua desproporcionada importância na comunicação social, apesar da sua capacidade de impor o mito de esquerda como o santo graal da democracia, justiça social e decência humana, ultrapassa o cordão sanitário imposto pelo arco do poder. A maioria de esquerda, da pior esquerda, passa a ser uma realidade. O PS, transforma-se num partido capaz do pior: aliar-se a partidos, em tudo menos nos seus estatutos, antidemocráticos, de desígnios e praticas capazes de inviabilizar por mais algumas décadas uma democracia liberal e prospera. Não para receber o seu apoio, mas abraçar as suas políticas que pudessem ser acomodadas sem reparos da Europa.  

Foi a gota de água que inicia uma revolução à direita. Perdidos por um, perdidos por mil. Diminuídas as esperança de influenciarem uma evolução serena e consensual que permitisse a Portugal e aos Portugueses, viverem num país civilizado, aumentou a mobilização da direita. Para além do mais, de novo agredida de forma cada vez mais explicita e brutal, os não socialistas aumentaram o desejo de lutar pelas ideias de cada um, de forma mais clara e sem filtros impostos pelo desejo de uma representatividade superior, cuja importância se esvaiu na cada vez mais nítida improbabilidade de com moderação ( onde anda?) o País evoluir, mesmo que lentamente,  para melhor.

Crispa-se a sociedade, fragmenta-se o espectro partidário, implode o CDS, sobretudo sangrado pelo Chega e pela IL.

Ao contrario de muitos, acho o movimento positivo. Não se verifica apenas uma fragmentação da direita, existe uma clarificação. À IL os liberais, aos zangados e reaccionários o Chega, ao CDS os conservadores e os leais acima de qualquer consideração.  A soma de todas estas tendências, não socialistas,  representará mais do que o CDS, como provavelmente constataremos nas próximas eleições. Sejam a 16 de Janeiro ou em Fevereiro de 2022.

A IL, poderá ir buscar votos ao PSD, ao PS e ao BE. O Chega ( o BE da direita) poderá ir buscar votos ao partido comunista, PS e PSD.

Sou dos que passaram a votar na IL e consideram que o Chega merece o mesmo respeito do que o PCP e o Bloco de Esquerda. Todos partidos que tenho dificuldade em reconhecer um papel verdadeiramente positivo, mas que têm espaço e legitimidade democrática.

As coligações e reaproximações poderão fazer-se depois de um período em que se perceba o quanto vale cada tendência. Para quem espera  há décadas, são as próximas eleições que contam?

Por mais importantes ( e são) estas cisões para os interessados ( como eu) , no grande quadro das coisas, são relativamente inócuas. Importa não esquecer que a direita continua a ter uma expressão reduzida, quase insignificante, em Portugal. Com três partidos ou só um. Mesmo somando o PSD, a maioria de esquerda, é uma realidade quase constante. O que realmente vai permitir, ou não, bascular a política Portuguesa, será o que se possa passar no PS. É aqui que se joga o futuro de Portugal e que a revolução à direita poderá ter um impacto inspirador, transformador, da nossa sociedade.

Assim como os Portugueses não querem a direita, em nenhuma das suas declinações, também não querem o socialismo revolucionário que o PS abraçou nos últimos anos.

O PS é como o tradicional CDS, uma amálgama que vai desde os radicais de esquerda aos sociais democratas. Será que os sociais democratas, no PS, vão continuar a suportar o socialismo radical  protagonizado por António Costa? A emergência de figuras como Pedro Nuno Santos, não irá partir o partido de vez, com socialistas vermelhos de um lado e sociais democratas do outro?  Uma transferência para o PSD ou a cisão do PS serão tão improváveis? O que parece impossível, acontece, como se está a ver no CDS.

É nos apoiantes do PS, não na direita, que se pode desenhar um caminho de esperança para Portugal, o fim da espiral radical de esquerda que faz mergulhar Portugal no abismo. A grande clarificação que falta a Portugal é a do PS: afinal são socialistas revolucionários ou sociais democratas como eram os seus pais fundadores?

Brevemente poderemos perceber se apenas a direita se reorganiza, ou se também há esperança de contarmos com uma ( nova) revolução no PS. Que é crucial e determinante, para podermos contar com um pais minimamente viável.  

Liberalismo, direita, não vamos ter em Portugal tão cedo. Espero, também, que socialismo radical, seja rejeitado e que a horrível experiencia de António Costa  tenha os dias contados.

O que nos resta é o centro. Mais ou menos ineficiente, nunca magnifico, ocasionalmente péssimo, mas que se manterá afastado da vertigem da esquerda revolucionaria e de todas as correntes de direita. Regressamos ao mau, não ao péssimo.

 

 



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