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Uma questão de perspectiva

por Maria Teixeira Alves, em 04.02.20

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trump irão

Esta mensagem do discurso de Donald Trump parece-me muito importante. Uma vez que revela o desfecho esperado pelos Estados  Unidos deste conflito. Mas a surpresa é que talvez seja também o desfecho esperado pelo Irão. Não do Irão de Ali Khamenei, mas provavelmente do Irão de Hassan Rouhani.  

Irão falhou alvos norte-americanos de propósito?

Enquanto Donald Trump se preparava para fazer a declaração ao país - o Presidente norte-americano falou mais de 30 minutos depois da hora prevista - a agência Reuters avançava que o Irão tinha falhado deliberadamente os alvos norte-americanos no ataque que ocorreu na madrugada.

De acordo com a agência internacional, que cita fontes norte-americanas e europeias anónimas, o Irão quis evitar baixas entre as tropas norte-americanas que estão destacadas em Erbil e Al-Asad, as duas bases norte-americanas que foram visadas pelo ataque. O Irão terá então evitado atingir determinadas zonas das bases militares de forma a evitar a morte de soldados norte-americanos.
A Reuters explica que "eles pretendiam responder, mas não queriam uma escalada".
 
Isto é apenas uma teoria, não se baseia em nenhum conhecimento profundo de Geopolítica, mas a minha intuição diz-me que a morte de Soleimani dá jeito ao Irão que quer libertar-se o mais depressa possível das sanções dos EUA. Há uma fação do Irão mais ocidentalizada que tem hoje, pós-Soleimani, um caminho mais aberto para um acordo com os Estados Unidos. 
 
A minha teoria, e só eu respondo por ela, é que o Irão quis livrar-se do maior obstáculo a um acordo com os EUA para pôr fim às pesadas sanções que assolam o país dos persas.

Isso explicaria a retaliação cirúrgica do Irão no Iraque, sem vítimas mortais, sem pôr em causa esse caminho da pacificação.

Um dia se descobrirá que houve mão amiga de alguém do Irão na morte cirúrgica de Soleimani. Um dos terroristas do Médio Oriente.

Hoje Trump mostrou abertura à paz, mesmo tendo ameaçado com mais sanções o Irão que já está estrangulado economicamente. 
 
O Presidente dos EUA disse hoje que não vai dar gás à escalada de tensão com o Irão, na sequência do ataque iraniano a duas bases militares norte-americanas no Iraque. Recorde-se que este por sua vez surgiu na sequência da morte do general Qassem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds, num ataque aéreo contra o carro em que seguia, junto ao aeroporto internacional de Bagdade, ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A declaração do Presidente dos EUA surge na sequência do Irão ter lançado vários mísseis terra-a-terra contra duas bases iraquianas, onde estão instaladas as tropas norte-americanas. A operação “Martir Soleimani” aconteceu nas bases aéreas de al-Asad, a oeste de Bagdad, e em Erbil, no Curdistão iraquiano.

Ao contrário do que todos os europeus parecem defender, eu acho que o presidente dos EUA sabe o que faz. Aliás logo após o ataque que tirou a vida a Soleimani, Trump veio dizer que com esta morte “estava a acabar uma guerra e não começar uma guerra”. Donald Trump sabia que não estava a desencadear nenhuma guerra mundial, pelo contrário, estaria provavelmente a traçar o caminho para a paz.

Se dúvidas houvesse, eis que horas depois da declaração de Donald Trump na resposta aos ataques contra bases aéreas norte-americanas no Iraque, o Ministério suíço dos Negócios Estrangeiros relevou que Teerão e Washington trocaram mensagens através de um canal diplomático suíço antes da comunicação ao país. A informação é avançada pela CNN.

"De acordo com a CNN, os dois países trocaram mensagens através de um canal diplomático suíço, avança a RTP. Há várias décadas que o Irão e os Estados Unidos não têm representações diplomáticas e recorrem a canais alternativos de comunicação. Segundo a notícia da CNN não se conhece o conteúdo destas mensagens nem quando o contacto ocorreu, mas a informação do MNE suíço surge depois das declarações de Donald Trump.
 
O presidente dos EUA disse também que o Irão "parecia estar a recuar" e apelou à negociação de um novo acordo sobre o programa nuclear.
 
O Presidente norte-americano não descartou novas ações de retaliação, mas a resposta limita-se, pelo menos para já, à imposição de novas sanções contra Teerão. 
 

Trump revelou que Soleimani esteve por trás do terrorismo no Médio Oriente, e treinou exércitos terroristas, incluindo o Hezbollah, no Líbano, e esteve envolvido nas milícias xiitas no Iraque e Afeganistão. Os serviços secretos dos EUA não são de subestimar e conheciam ao detalhe Soleimani e o seu papel na Síria, no Líbano, no Iraque, etc. 

Soleimani  era visto como possível sucessor do ayatollah Ali Khamenei, Líder Supremo do Irão, e foi o grande estratega da expansão da influência iraniana no Médio Oriente.

Mas há quem queira a paz com o Ocidente no Irão. 

Donald Trump disse esta quarta-feira que os EUA estão “prontos para abraçar a paz”. Teerão quer pôr fim às sanções para salvar o país da agonia económica. Hoje esse caminho estará certamente mais perto.

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O jornalismo e a informação são serviço público, pelo que não podem desaparecer por falta de rentabilidade. Mas hoje assiste-se a um fenómeno: nunca ninguém gostou tanto de notícias como agora (deve-se isso às redes sociais), mas também nunca tão poucos quiseram pagar por isso. É mesmo um hábito cultural porque mesmo as pessoas com dinheiro evitam ao máximo pagar para ler notícias.

Agora que se discute que papel pode ter o Estado para assegurar o futuro dos media privados, o que eu defendo é que isso é possível se for sobre a forma de medidas legislativas. Como uma taxa como a que existe do audiovisual.

As operadoras de telecomunicações não pagam uma taxa para o setor do cinema e audiovisual? O Governo não  recompensa a RTP pelo serviço público de televisão com uma Contribuição para o Audiovisual [a taxa é cobrada na fatura da luz]? Então, porque não pensar numa coisa nos mesmos moldes para salvar os media?

Por exemplo, a conta de telemóvel ou da internet já incluirem no preço uma taxa que dá direito à subscrição de um jornal à escolha do cliente. Porque não?

Podem também haver incentivos fiscais à compra e subscrição de jornais (em papel e online). Ora, se nós descontamos no IRS as faturas dos cabeleireiros, dos restaurantes, das oficinas, porque não descontar faturas de jornais e de subscrição de onlines?

Porque razão as instituições do Estado não assinam jornais? É outra forma de ajudar os media.

São tudo coisas que podem ser feitas sem ter medo de ser posta em causa a independência dos jornais.

Da parte dos privados, a possibilidade de vender notícias avulso, por umas dezenas de cêntimos, através de um click, com o pagamento a ser englobado na conta do fim do mês do telefone, pode ser uma solução.

Depois é preciso um regulador forte e eficaz que seja capaz de impor regras às "revistas de imprensa" e ao clipping. Por exemplo, porque razão as empresas de clipping não contribuem com uma taxa para os media (como medida legislativa)? É outra forma de ajudar os media.

Outra medida possível: incentivos fiscais ou ao nível da contribuição para TSU para empresas de media que contratem jornalistas. Ou medidas fiscais (em sede de IRC) para empresas que anunciem (ponham publicidade) nos jornais.

Há muita coisa que pode ser feita pelo Estado sem comprometer a independência da comunicação social. Um visto gold para não deixar morrer o jornalismo precisa-se! 

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A homenagem a Jorge Jesus no Brasil acompanhada ao minuto em Portugal, só vem reforçar o quanto os portugueses estão condenados à sua taquenha insegurança. Somos os mesmo que o Eça caricaturava nos seus romances no século XIX.

Desde que o treinador português, que foi do Benfica e depois do Sporting, pôs o clube do Rio de Janeiro, o Flamengo, a sagrar-se campeão do Brasil quando festejava a conquista da Taça Libertadores, que em Portugal se excedem em elogios rasgados a Jorge Jesus. São horas de diretos televisivos, páginas dos jornais, elogios nas redes sociais, exaltações de toda a ordem, comentários nas notícias online. Nem parecem os mesmos que quase o escorraçaram do Sporting, nem os mesmos que o criticavam no Benfica. 

Ainda me lembro de eu (sportinguista) ter ficado sozinha numa sala onde homens sportinguistas criticavam fortemente o então recém contratado treinador do Sporting. Não conseguia perceber, eu estava contente com a contração e fiquei mesmo com pena quando o Sporting perdeu Jorge Jesus. Mas os sportinguistas, cegos como sempre, criticaram-no à entrada e à saída. Ainda que os benfiquistas o criticassem eu percebo, foi sentido como uma traição o treinador trocar o Benfica pelo Sporting. 

Antes disso, quando se destaca enquanto treinador do Benfica, nem por isso os elogios abundavam. Nessa altura os portugueses nas redes sociais, os humoristas, os jornais, os opinion makers troçavam dos seus pontapés na gramática, do seu inglês de ZéZé Camarinha, da sua vaidade atabalhoada, do seu pensamento genuinamente pouco elaborado, da sua pastilha mascada violenta e grosseiramente. 

Quando Jorge Jesus foi para o Sporting, passei a reparar nele, e quando ouvia os seus discursos atabalhoados nas conferências de imprensa pensei, este homem é muito inteligente, e mesmo na sua forma rústica de falar, há ali alguma encenação estratégica. 

Jorge Jesus foi rei noutro país, e zás... Portugal passa a estender o tapete encarnado ao treinador. De autor do "peaners" passa a génio, a herói, a orgulho nacional. 

Os portugueses vêem mal ao perto e só enxergam bem ao longe.

Assim, ainda bem que alguém reconheceu Jorge Jesus. O técnico português, treinador do Flamengo, foi condecorado esta segunda-feira com o título de cidadão honorário da cidade brasileira do Rio de Janeiro. Jesus tornou-se o primeiro português a vencer um campeonato nacional na América do Sul, ao arrebatar, sem jogar, o título brasileiro pelo Flamengo.

Mas mais uma vez foi preciso o estrangeiro dar o certificado de qualidade para que os portugueses reconheçam o mérito no seu conterrâneo e isso não abona nada em favor do país. Portugal é um país que tem falta de auto-estima e por isso não consegue ser o primeiro a reconhecer o mérito. Os portugueses, como têm medo de arriscar e se comprometerem com um elogio, preferem a crítica e a sátira fáceis. Assim não se comprometem e (pior) não se sentem diminuídos. 

Este episódio só reforça a tese que se alguém tenta fazer alguma coisa melhor em Portugal, só encontra críticas, obstáculos, alianças negativas, invejas, adversidades. 

Portugueses, libertem-se dessas amarras antigas e não tenham medo de reconhecer genuinamente o mérito no vizinho ou, caso contrário, estarão sempre condenados a chegar sempre tarde aos acontecimentos, tarde à inovação, ao progresso e à mudança. 

Política na era do ressentimento

por Maria Teixeira Alves, em 01.11.19

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Vou confessar que a ideia, que subscrevo completamente, não é minha, é do Carlos Guimarães Pinto, o líder do novo partido Iniciativa Liberal, que recentemente acabou de dar por cumprida a sua missão e abandonou a liderança do partido (pensei que a missão dele era mudar o país, mas isso são outros 500) .

Carlos Guimarães Pinto diz (num artigo de opinião do Público) que o país está estagnado há 20 anos e que se o país tivesse crescido economicamente havia empreendedorismo e meritocracia e que isso teria posto fim à inveja que tanto nos paralisa.

O Carlos diz que como o país estagnou, o bolo não chega para todos e por isso reina a inveja. O sucesso dos outros incomoda, pois como o crescimento "parco" da economia não beneficia todos, «as pessoas começam a desenvolver o sentimento oposto ao da cooperação: a inveja», diz o ex-líder da IL. Concordo.

Aí começa a saga, «os pobres culpam os mais ricos, as minorias culpam as maiorias, a que acusam de discriminação. Instala-se a política do ressentimento, do foco nas lutas pela redistribuição em vez da produção, abrindo a mais socialismo e a mais identitarismo. O socialismo cria a miséria que depois alimenta ainda mais socialismo num ciclo vicioso difícil de romper. A cultura do mérito é ultrapassada pela cultura da inveja. O foco no crescimento é substituído pelo foco no ressentimento». 

«Os socialistas nunca esconderam a sua aposta política no ressentimento. A luta de classes é isso mesmo: a aposta no ressentimento de uma classe contra a outra», escreveu o fundador da IL.

Ao longo do tempo, defende, às classes juntaram-se subgrupos: raças, etnias, sexo, situação profissional, que seguem a mesma cartilha do ressentimento em relação à "maioria".

Logo, esta coisa das minorias (sexuais e outras que tais) não passa de uma extensão da política de ressentimento tão cara à esquerda (digo eu, não o Carlos, cujo partido defende as questões fracturantes em nome da liberdade individual).

Diz ainda o Carlos que vinte anos de estagnação tornaram o país susceptível à política do ressentimento.

Por fim Carlos Guimarães Pinto diz que o Chega e o Livre, em pólos opostos, são partidos que apostaram no ressentimento como arma eleitoral.

Tudo isto para dizer que a alternativa à política do ressentimento é a política do crescimento. É a valorização do trabalho, do mérito, do risco e da iniciativa privada. 

Não posso concordar mais com a IL na parte que se refere à economia e ao liberalismo económico. Concordo 100% com a ideia que o socialismo se suporta da política do ressentimento. 

O problema é saber como que se quebra este circulo vicioso, quando a política do ressentimento das minorias afectou todo o mundo ocidental, mesmo os países ricos, e aí a tese de Carlos está incompleta. O que é o ódio ao Trump e o rótulo de racismo e outros ismos que se lhe colam senão a expressão máxima dessa política do ressentimento? (só para dar um exemplo).

Estou absolutamente de acordo que a aposta no ressentimento é um dos maiores vírus do fim do século XX e do início do século XXI. Mas será que se consegue travar esta praga? Como? É que ela alastrou aos países ricos, aos povos aburguesados e como tal culpados pelos dados lhes serem favoráveis.

Na minha modesta opinião o longo período de bem-estar da Europa e dos Estados Unidos criou um sentido de culpa que alimenta esta política do ressentimento. 

A culpa, sempre a culpa, esse motor da história. Não nos podemos esquecer que a culpa dos homens imortalizou (e bem) Jesus Cristo. 

Aproveito para dizer que o Parlamento precisa de partidos novos com pessoas novas e o Iniciativa Liberal, o Chega e o Livre são bem vindos, ainda que para já sejam apenas partidos de protesto. 

By the way, André Ventura mostrou ser um bom parlamentar. A tropa do politicamente correcto ainda vai ter de engolir um grande sapo no futuro. Veremos.

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O dia das eleições para a XIV Legislatura pode resumir-se a isto: PS ganha sem maioria. PSD perde mas tem um líder fanfarrão. Há três novos partidos no Parlamento (o Iniciativa Liberal, o Chega e o Livre). CDS e CDU com derrotas históricas. O CDS assume derrota e perde líder. Já os comunas ignoram derrota e líder faz longo discurso de exaltação do partido. PAN saiu reforçado. Aliança de Santana Lopes esfuma-se.

E agora? O que podemos esperar?

Vamos ter uns debates parlamentares animados com o André Ventura a fazer oposição independente, e pode vir a tornar-se no "PAN de direita". O Iniciativa Liberal vai agregar figuras que hoje estão no PSD, CDS ou Aliança para crescer nos próximos quatro anos. Mas vamos ver se consegue. Se o fizer pode vir a ser um partido que ocupa o lugar que hoje o Bloco tem para a esquerda.

O CDS corre o sério risco de se tornar insignificante. Porquê? Porque a tentação do Partido é tentar recuperar os deputados perdidos e por isso vai esolher um líder "moderno". Aposto já em Adolfo Mesquita Nunes. A questão será: Em que posição ideológica vai ficar o CDS? A direita conservadora vai rever-se nela? Correrá o CDS o risco de ser um Iniciativa Liberal mais ao centro? A direita conservadora vai ser "empurrada" para o Chega?

O PSD de Rui Rio vai esperar que o PS perca fôlego com a crise económica da próxima legislatura para tentar ganhar as eleições legislativas seguintes. Vê-se bem que ele não quer muito mudar o país, mas quer muito provar aos passistas e à ala direita do PSD que chegou lá. O discurso do Rio foi mais ou menos isto: "Tentaram derrubar-me mas não vão conseguir". 

 “Não há uma grande derrota” foi a sua mensagem eleitoral. A custo, muito custo, lá disse, em resposta aos jornalistas, que "para o bem ou para o mal era o responsável por tudo o que acontece ao partido". Viu-se que a sua maior preocupação foi falar para dentro do PSD para tentar mostrar que não tinha tido um resultado humilhante. Mas teve o pior resultado desde 1983, claro. Aliás só neste país é que a direita está a desaparecer, em todo o mundo está a aumentar. 

Se somarmos todos os deputados eleitos da ala direita temos 77 do PSD + 5 do CDS + 1 do IL+ 1 do Chega, o que totaliza 84, apenas. A PAF (PSD + CDS) em 2015 (depois da crise e da troika) ganhou as eleições com 102 deputados.

Há uma nova geração vintage que é mais conservadora que a anterior, talvez com eles a direita não morra. 

Rui Rio perdeu uma parte do partido quando disse que o PSD não era de direita. Tem a mania de dizer que é de centro. Mas deve a alguma direita que votou nele o facto de o PSD ter evitado o pior cenário projetado por algumas sondagens que a um mês destas eleições apontavam para a possibilidade de os sociais-democratas se transformarem num partido médio (seria a isto que Rio se referia como centro? :) )

Governo dos próximos quatro anos

Os socialistas estão obrigados a uma nova coligação parlamentar para poderem governar sem sobressaltos e para já, os olhares estão virados para os suspeitos do costume: o Bloco de Esquerda, que reforçou o estatuto de terceira força política nacional mas não conseguiu aumentar os 19 deputados eleitos em 2015, e já se mostrou disponível para viabilizar um governo socialista mas continua sem intenções de integrar o executivo; e a CDU, que não foi além dos 12 deputados eleitos (o pior resultado desde 2002, sendo que não conseguiram eleger nenhum deputado no distrito de Portalegre no Alentejo, tradicionalmente um bastião comunista), e também se mostrou disponível para apoiar o PS, no entanto foi mais moderado nesse apoio e garantiu que só irá tomar uma posição depois de conhecer as opções do novo executivo socialista.

António Costa tem agora o PAN e o Livre à disposição para o apoiar.

O que terá Costa de dar em troca? O BE quer a nacionalização dos CTT e outras coisas mais como "recuperar o investimento público, habitação e transportes respondendo à emergência climática”, segundo disse a líder bloquista.

 

O ciclo da água, conhecido cientificamente como o ciclo hidrológico, refere-se à troca contínua de água na hidrosfera, entre a atmosfera, a água do solo, águas superficiais, subterrâneas e das plantas. A ciência que estuda o ciclo hidrológico é a hidrologia.  

A água move-se perpetuamente através de cada uma destas regiões no ciclo da água constituindo os seguintes processos principais de transferência: Evaporação dos oceanos e outros corpos d'água (rios, lagos e lagunas) no ar e a evapotranspiração das plantas terrestres e animais para o ar.
Precipitação, pela condensação do vapor de água do ar e caindo diretamente na terra ou no mar.
Escoamento superficial sobre a terra, geralmente atingem o mar.
A maior parte do vapor de água sobre os oceanos retorna aos oceanos, mas os ventos transportam o vapor de água para a terra com a mesma taxa de escoamento para o mar, a cerca de 36 Tt por ano.

Basta ir à wikipédia para perceber que Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, quis dar uma de ambientalista e zás saiu-lhe um disparate em direto. Aqui está um belo exemplo de como a agenda de esquerda atropela o conhecimento.

Disse Catarina Martins que: "Nós temos um problema, temos barragens a mais. As barragens provocam a evaporação de água e portanto nós estamos  sempre a perder água".

 Há muita água metida neste pensamento da líder do BE. Como se nos rios e nos oceanos a água não evaporasse. Será que também temos rios, lagos, barragens naturais e oceanos a mais, na visão da Catarina Martins?

Bem sabemos que Catarina Martins é avessa a reconhecer a soberania da lei da natureza, mas a natureza não se preocupa muito com isso.

Chuva, cara Catarina, é a resposta à sua inquietude com a evaporação da água no Verão.

Na natureza nada se perde, tudo se transforma, já dizia Lavoisier.

Não posso deixar de elogiar o título de um artigo publicado no site da Comunidade da Cultura e Arte sobre o último (9º) filme de Tarantino: “Era Uma Vez em… Hollywood”, de Quentin Tarantino: para acabar de vez com a verdade. Isto porque resume numa ideia o argumento do realizador. Tarantino aproveita a sétima arte para reescrever a história macabra do célebre assassinato em série da então mulher de Roman Polanski, Sharon Tate, e de todas as pessoas que estavam na casa da atriz, em Cielo Drive, Los Angeles, quando esta estava à espera de bebé a menos de um mês de dar à luz, praticado pelos hippies liderados pelo louco do Charles Manson, em agosto de 1969, como todos gostavam que tivesse sido.

Tarantino sabe que a verdade não tem qualquer papel na arte. A arte é do domínio das ideias, do desejo, da profundidade, da maturidade.

O filme de Tarantino é uma espécie de evocação aos clássicos westerns. Há um cowboy bom, o herói (Cliff Booth) e um cowboy mau (Tex Watson, um dos assassinos de Sharon Tate), que no filme aparece mesmo a cavalo no rancho ocupado pela comunidade hippie de Manson. Mas já lá vamos.

Quentin Tarantino não está minimamente interessado na “verdade” da história do macabro Caso Tate-LaBianca, e junta no seu filme, história e ficção, dando mais destaque à ficção. Há factos históricos sabiamente misturados com factos e personagens fictícias. Dessa mistura surge uma nova imagem, bela e potente com a assinatura Tarantino.

A personagem principal é um duplo (Brad Pitt, mais sexy que nunca) do ator Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), antiga estrela de filmes e séries de ação e figura de proa em westerns. Rick Dalton era um astro de westerns, cujo auge televisivo aconteceu durante a década de 1950 e que com a época do flower power (hippies) passam à condição de filmes ignorados e malditos. Os spaghetti western são, aliás, apontados como solução para reabilitar a carreira decadente do ator que já virara alcoólico em resposta à crise de autoconfiança.

Rick conta com o apoio moral do seu duplo de cinema, Cliff Booth (Brad Pitt), sem dúvida o melhor personagem do filme, e que é a representação da calma e tranquilidade, o elemento que nos diz que tudo vai ficar bem, pois é quem dá o final feliz típico de uma Once Upon a Time story.

Tarantino corrige a história verdadeira de 9 de agosto de 1969 e põe os três hippies seguidores de Charles Mason a entrar na casa errada (do ator e duplo fictício) e a cruzarem-se com Cliff Booth (que estava igualmente drogado como os loucos hippies), e que, bem à medida dos heróis de Tarantino, é uma arma letal tenuemente disfarçada de ser humano, como já li algures.

Cliff Booth é o típico homem viril, misterioso, sobre quem paira a ambiguidade de ter matado (ou não) a sua mulher, tal e qual os clássicos heróis dos westerns dos anos 50. Paralelamente há aqui uma ténue alusão ao caso Natalie Wood o marido Robert Wagner. Natalie Wood, então com 43 anos, foi encontrada afogada em 29 de novembro de 1981, quando navegava perto da Ilha Catalina, na Baía de Los Angeles, com seu segundo marido, o ator Robert Wagner, o ator Christopher Walken, amigo do casal, e o capitão do iate “The Splendor”. O marido é o principal suspeito.

Cliff, tal e qual os heróis dos velhos westerns, é humano. Faz pequenas reparações na mansão de Rick, é o seu melhor amigo, confidente e também motorista. Guiar despreocupadamente pelas ruas de Los Angeles onde o realizador cresceu dá origem a cenas de verdadeira nostalgia e invoca a estética sublime de Tarantino. A música também volta a ser protagonista do filme de Tarantino, tal como já estamos habituados.

Mas à parte da arte pura e dura é possível ler algumas críticas nas entrelinhas.

O filme é uma crítica ao movimento hippie (que era a esquerda ideológica da época). Movimento esse que acaba precisamente com a carnificina levada a cabo pela seita de Charles Manson no número 10050 de Cielo Drive, em Los Angeles. Reza a história que a seita hippie queria provocar uma guerra racial para acabar com a classe alta. Paradoxalmente (para não usar a palavra hipocritamente) esses hippies eram os mesmos que condenavam o envolvimento dos EUA na guerra do Vietname, por causa das elevadas mortes de soldados norte-americanos.

Mas há também críticas à superficialidade de Hollywood. Leonardo DiCaprio (Rick Dalton) é a face da solidão da fama, é face do esforço e do falhanço, mas também do egocentrismo e procura de atenção como condição de existência.

Claro que está também presente o típico humor que se vê nas obras de Tarantino juntamente com a clássica violência sanguinária que, desta vez, tem a particularidade de imitar a vida real, pois os crimes praticados pelos hippies do Manson não ficaram atrás dos representados por Tarantino, pelo contrário.

Existem vários storylines ao longo do filme. São retratados momentos particulares do dia-a-dia de cada personagem como forma de os dar a conhecer melhor e de os desenvolver no meio do ambiente onde se encontram, mas tudo caminha para aquele desfecho da tentativa de assassinato de Rick, Cliff e Francesca (a italiana de Rick, agora estrela dos Western Spaghetti), mas que o verdadeiro herói cowboy, com o seu cão, trata de virar o feitiço contra o feiticeiro. Vitória, acabou-se a história e os assassinos históricos são assassinados no cinema por Tarantino. Sharon Tate (Margot Robbie) retrata no filme a inocência, a felicidade, a juventude e a loucura em L.A nos anos 60. Tarantino dá-lhe apenas o papel de referência histórica. Assim como a Polanski que aparece fugazmente.

Há ainda lugar ao aparecimento de um Bruce Lee convencido (estavam na moda os seus filmes na época) e um Steve McQueen um dos atores mais populares da época por filmes como “A Grande Evasão”. O curioso é que Steve MacQueen estava convidado para jantar em casa da Sharon Tate naquela fatídica noite, mas por sorte não foi, por causa de uma namorada nova. Talvez por isso apareça no filme.

O 9º filme de Tarantino é um desfile de estrelas do cinema. Mesmo com papéis pequenos vemos várias estrelas de Hollywood neste filme (Luke Perry, Al Pacino, Kurt Russel, entre outros).

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"Chegou tarde. Nós estamos a tratar disto desde maio", disse Berardo em dezembro de 2007 em resposta à notícia de que Miguel Cadilhe que se preparava para concorrer pelo BCP com uma lista rival à de Carlos Santos Ferreira. O episódio foi chamado por Filipe Pinhal na Comissão Parlamentar de Inquérito (à CGD). O "nós", segundo Filipe Pinhal, seriam os acionistas - Sonangol, EDP, CGD, o BPP de João Rendeiro, o Grupo dos Sete (Joe Berardo, Bernardo Moniz da Maia, Manuel Fino, Filipe Botton, Diogo Vaz Guedes, João Pereira Coutinho e Vasco Pessanha) - alinhados com Paulo Teixeira Pinto, com António Castro Henriques, Francisco Lacerda e Boguslaw Kott (polaco) - e apadrinhado pelo Ministro das Finanças da época, o socialista Fernando Teixeira dos Santos; por Vítor Constâncio (Governador do BdP), por José Sócrates (primeiro-ministro), e por três administradores da CGD, que Filipe Pinhal cita. Seria o presidente, Carlos Santos Ferreira; o vice-presidente Armando Vara; e o administrador com pelouro do crédito Vítor Fernandes.

A História do que aconteceu ao BCP em 2007 é uma história que começou por uma aliança entre amigos, onde a palavra de ordem era, recorrer a todos os meios para tirar o BCP das garras do fundador e dos seus administradores (os mais velhos). A sociedade portuguesa facilmente se rendeu aos encantos dos meninos bonitos de 50 anos (mais coisa menos coisa) que iam tomar conta do banco (ou que iam advogar essa demárche). Sobretudo a imprensa. 

A propósito, não é verdade que fosse um exclusivo do Diário Económico, em 2007, a campanha pró-Teixeira Pinto e anti-Jardim Gonçalves, nem que o jornal, à data liderado por Martim Avillez Figueiredo, tivesse a Ongoing por trás. Ao contrário do que disse Filipe Pinhal, a Ongoing só compra o Grupo Económico em 2008 e é António Costa o diretor escolhido pela Ongoing e não Martim Avillez Figueiredo. 

Na altura só o Semanário Económico (eu) não sucumbiu a defender o grupo de aliados de Paulo Teixeira Pinto e a endeusar Berardo. Os outros jornais estavam todos na mesma linha. Não era um exclusivo do Diário Económico. 

Depois de a Ongoing comprar o Diário e Semanário Económico, pode sim questionar-se a independência do jornal, até lá, não.

Uma história desenhada por um grupo de amigos

Esta foi uma história que nasceu de uma cumplicidade de amigos (foi um grupo de amigos que desenhou a estratégia e contribuiu  com os vários passos para ela, incluindo seduzir Sócrates para apoiar o plano). Foi vendida como um conflito geracional e um desígnio nacional e culminou como um jogo de poder perigosíssimo. O "desígnio nacional" revelou-se na prática um jogo de poder, porque muitos aqueles amigos queriam ser administradores do BCP, ou ter relações privilegiadas com o maior banco privado, mas acabou num jogo de interesses para retribuir favores, nomeadamente o favor de reestruturar dívidas bancárias de forma amigável, quando as ações já estavam em queda. Porque, azar dos Távoras, tudo isto acontece quando nos Estados Unidos começava a estoirar a bomba do subprime. Mas os portugueses, entretidos com as suas guerras de gangs, e inebriados com a possibilidade de "colonizar" o BCP, nem se aperceberam que vinha aí uma hecatombe. Por acaso, Carlos Santos Ferreira apercebeu-se, pois lembro-me de me ter alertado para o que se aproximava. E era grande o tufão, já que acabou com a intervenção da troika e o resgate ao país. Tudo começara nos bancos.

Voltemos atrás. Na altura alguém do BCP disse-me, "querem matar a mosca e vão acabar por partir a lâmpada". Foi exactamente o que aconteceu, só que partiram duas ou mesmo três lâmpadas, o BCP, a CGD e o BES (este também já estava prestes a partir, de qualquer maneira, só que ninguém ainda sabia).

Hoje, quase todos aqueles "nós", de que falava Berardo, estão falidos ou afastados da gestão de empresas mediática. Há dois protagonistas que estiveram (Sócrates) ou estão (Vara) presos. Não podia ser mais irónico o desfecho do assalto ao BCP. O próprio Berardo está numa situação muito difícil e em risco de perder a sua coleção de arte para o Estado, para poder pagar à banca. Quem o manda ser o vilão com a vara na mão de 2007? 

Na altura Berardo era o cão de fila daqueles amigos, o que não tinha regras de civismo para cumprir, nem parentes ou amigos para dar explicações. O que podia insultar Jardim Gonçalves com todas as palavras, podia insinuar crimes, podia entregar documentos que outros, em violação de sigilo bancário e da lealdade institucional a que estavam obrigados por lei, lhe davam para os entregar ao Banco de Portugal. Como foi útil Berardo!

Foi assim o xeque-mate à equipa de Jardim Gonçalves e de Filipe Pinhal. 

Filipe Pinhal insinuou ainda na CPI que os documentos internos que estavam no arquivo morto do banco pudessem ter sido resgatados pela Ongoing, que estava a trabalhar no BCP desde 2005 através da Heidrick & Struggles, a fazer a avaliação dos quadros do banco e a montar o modelo de governo que viria a ser implementado. Eu discordo, e continuo a pensar que os documentos foram compilados por alguém de dentro que sabia onde estavam.

 Vamos lá a ver o relato de Filipe Pinhal sobre o que se passou: 

O ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal, almoçou com Berardo em Maio de 2007 (antes da famosa AG que tenta mudar os estatutos do BCP para pôr o modelo de governo do banco de acordo com a lei, o que não estava, e continua a não estar até hoje na EDP). Nesse almoço tentou convence-lo a vender os 4% do BCP a Pedro Teixeira Duarte, com o argumento de que uma guerra provoca distribuição de ambos os lados, e as mais-valias de Berardo já deviam estar à volta dos 100 e 150 milhões. Berardo respondeu Upa, Upa. Filipe Pinhal contou que o lembrou que as mais-valias só o são quando as ações são vendidas. Deixe o BCP em paz! Disse Filipe Pinhal a Berardo. E o prémio? Perguntou Berardo. Pinhal disse-lhe que não deverá haver lugar a prémio, porque as ações estavam muito inflacionadas com a guerra do poder nos 2,80 euros e 2,90 euros e iam ajustar.

Nesse dia, Francisco Marques Pereira da Lisbon Brokers, em nome de Berardo, foi ao banco falar com Pinhal para anunciar que ia emitir uma recomendação de compra das ações do BCP a 3,53 euros. Pedro Teixeira Duarte disse então que comprava as ações de Berardo  no máximo por 3,30 euros, mas Berardo queria 3,50 euros, e por isso não se fez a venda. 

Depois Berardo contou esta história de forma destorcida. Disse que alguém do BCP lhe propôs a venda, mas que ele descobriu "que era dinheiro sujo", o que "é uma perfeita indecência", disse Pinhal. 

O ex-banqueiro contou ainda que Berardo disse que falou com o filho e que este lhe disse que acima das mais-valias estava a honra. "Honra na boca de Berardo vale o que vale", disse Pinhal, e bem.

Berardo tinha 7,01% do BCP em dezembro de 2007 (3,88% em maio de 2007). Filipe Pinhal mais tarde perguntou-lhe porque subiu de 3,88% para 7% no BCP, se não ia mandar mais, e teve um custo 400 milhões, financiado com dívida claro, e Berardo disse "eu ainda estou para saber como é que aquele homem me enfeitiçou, eu que toda vida fui objetivo, quando tinha mais-valias vendia, como é que eu me meti nesta de comprar mais ações com financiamento a crédito". Quem seria este homem?

O homem para Filipe Pinhal só podia ser um de dois: Paulo Teixeira Pinto, ou José Sócrates, com quem andava a tratar na altura do espaço para a sua coleção de arte. Filipe Pinhal acha que foi José Sócrates (Eu, entre os dois, acho que foi do lado de Paulo Teixeira Pinto).

Filipe Pinhal confirmou que o BCP antes, algures entre 2003 e 2004, tinha sido interpelado pelo Banco de Portugal, por o banco estar demasiado exposto a ações do próprio banco (chegou a contar com as ações detidas pela gestão discricionária de carteiras, para chegar ao total de 12% que superava o limite de ações próprias de 10%), a recomendar que fosse reduzido crédito a acionistas do BCP com garantia das próprias ações. Por isso a CGD, que estava abaixo do BCP em quota de mercado de crédito, aceitou dar crédito a esses acionistas que faziam parte do Conselho Superior do BCP, e receberem as tais ações do BCP como garantia. Mas isso em 2005 estava resolvido, garantiu Pinhal.

Mais tarde o BCP, de Paulo Teixeira Pinto, financiou, através do banco de investimento do BCP, os acionistas que estavam propostos para integrar a lista de administradores para o triénio 2007-2009 que iria a votos no dia 6 de agosto. A Ongoing está na lista, com o nome de Nuno Vasconcellos para secretário da Mesa da Assembleia Geral (o que importava é que houvesse tachos para todos) e com Rafael Mora (o arquitecto do modelo de governo dualista à tuga que foi implementado no BCP e EDP) como administrador. Daniel Proença de Carvalho, António de Sousa, Alexandre Relvas, José Manuel Fino, Luís Pereira Coutinho, João Lopes Raimundo, Bernardo Moniz da Maia, João Talone e Esmeralda Dourado (que era administradora da SAG de João Pereira Coutinho), estão entre essa vasta lista de nomes, que mais parecia uma lista de anos de amigos. 
Para o Conselho de Administração, a proposta considerava que este órgão fosse representado por 20 administradores e que sempre que fosse constituída uma Comissão Executiva, «a maioria dos administradores não executivos deveria ser formada por membros independentes». 
No Conselho de Administração (executivo) poucos ficavam, claro. Paulo Teixeira Pinto é proposto para presidente, Alberto de Castro, para vice-presidente e para vogais António Henriques, Francisco Lacerda e ainda Boguslaw Kott, Luís Pereira Coutinho, João  Lopes Raimundo, Fernando Ribeiro, Banco Sabadell, que nomeia Josep Oliu Creus, Marc Bellis, Bernardo Moniz da Maia (da Sogema), Manuel Vicente (da Sonangol), Luis Champalimaud e Alexandre Relvas. 

Mas esta lista não vai avante e a estratégia dos amigos dá lugar a uma estratégia política.

O crédito concedido a Joe Berardo, a Manuel Fino, a João Pereira Coutinho, à Teixeira Duarte, a Goes Ferreira, colaterizado por ações BCP, evidenciava um nível de risco elevado para o banco. Então a autorização dada pelo Banco de Portugal a Berardo para passar de 5% para quase 10% foi concedida tendo por pano de fundo o financiamento a 100% da CGD colaterizado pelas ações do BCP.

Filipe Pinhal diz que não interessa apenas ver quem e como fez estas operações de crédito. É preciso ver qual foi o desenvolvimento das operações. O colateral foi-se desvalorizando e houve reestruturação de crédito em inícios de 2008, no BCP, e na CGD em 2009. Em 2011 há uma reestruturação combinada entre os três principais credores: BCP, CGD e BES.

Filipe Pinhal chama mesmo a atenção dos deputados para irem ver a reestruturação do crédito do Grupo Berardo, quando já o banco tinha uma nova administração e Berardo liderava a comissão de remunerações.

O antigo gestor do BCP recomendou aos deputados para pedirem informação sobre as reestruturações das dívidas de Berardo feitas por Carlos Santos Ferreira e Armando Vara. “Não tenho cópia, só sei por ouvir dizer. Mas ao que parece é uma reestruturação que permitiu a Berardo respirar alegremente sem amortizar capital e juros até à reestruturação de 2011”, disse. E questionou “como é que Carlos Santos Ferreira e Armando Vara que foram colocados por Berardo iriam reestruturar a dívida da Fundação e da Metalgest?”

O ex-banqueiro defendeu também a tese que "houve uma teia urdida em vários pontos que teve um diretório claro constituído por José Sócrates, Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio e teve vários operacionais”, como a Ongoing. Filipe Pinhal acredita, apesar de não ter forma de o provar, de que o “assalto ao BCP” se iniciou com um pedido de Paulo Teixeira Pinto a Sócrates para afastar Jardim Gonçalves do banco. “A partir do momento em que Teixeira Pinto terá aparecido no gabinete de Sócrates a dizer que precisava de apoio a nível político para afastar equipa que lá está desde 1985, Sócrates terá pensado que existia uma oportunidade de ouro para ter uma equipa de gestão mais favorável aos interesses do primeiro-ministro, pelo menos”, disse aos deputados Filipe Pinhal. 

Havia uma proposta de destituição, assinada por Berardo e Bernardo Moniz da Maia,  dos cinco administradores do BCP da velha geração (Filipe Pinhal, Christopher de Beck, Alexandre Gomes, Alípio Dias e António Rodrigues). Os cinco administradores que  iam destituir eram os mesmos que se recusaram a ratificar o acordo que se preparavam para assinar em Angola, de venda de 49% do Millennium Angola. Foi esse episódio que desvenda a guerra fria que existia na administração do BCP naquela altura.

A proposta de destituição de Filipe Pinhal e outros administradores data de 6 de agosto de 2007 e falha.

A 27 de agosto, Paulo Teixeira Pinto, que tinha sido eleito em março de 2005, renunciou e Filipe Pinhal assumiu a presidência do BCP.

Muita água correu debaixo da ponte entre o fracasso da AG de 6 de agosto e o momento em que Filipe Pinhal assume a presidência do BCP, por proposta da Teixeira Duarte. Mas nem por isso a guerra parou, é que a estratégia de tomar de assalto o BCP estava em andamento e já muita coisa estava em jogo, incluindo o elevado endividamento dos protagonistas, e por isso a gestão do banco tinha de ir parar a alguém de confiança. Berardo foi o moço de recados desse desígnio.

O ex-presidente do BCP, disse ontem na CPI à CGD, que no dia 3 de dezembro, dia em que ia haver a reunião do Conselho de Administração que oficializaria a sua lista (que incluía nomes como Paulo Macedo e Miguel Maya), Manuel Fino vai ao banco dizer que Berardo vai fazer uma denúncia ao BdP (a primeira tinha sido feita no dia 28 de novembro), e avisa-o que a sua lista só passará se integrar Carlos Santos Ferreira. Nesse dia, conta Filipe Pinhal, Paulo Macedo, diz que a lista não passará se não integrar Carlos Santos Ferreira ou Armando Vara e voluntariza-se para sair da lista para acomodar essa exigência (não se sabe de quem). Nesse mesmo dia Miguel Maya, segundo Filipe Pinhal, diz que a sua lista só passará se integrar Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, Miguel Maya voluntariza-se para não integrar a lista para eles entrarem. Há divergências aqui. Há quem conte que Miguel Maya se voluntariou, mas que teria sido avisado por Filipe Pinhal e não o contrário. A memória depois de 12 anos pode atraiçoar qualquer um.

Filipe Pinhal sobre a exigência de integração desses nomes  diz que “há quem diga, e não excluo, que eles foram lá colocados para reestruturar créditos que não tinham cura. Há quem diga que a motivação de Berardo e Fino era colocar pessoas mais dóceis”.

Sócrates alinha no jogo e dá-lhe jeito

Quem chama Sócrates, Paulo Teixeira Pinto, ou António Mexia, ou ambos? Não se sabe ao certo. Mas Filipe Pinhal conta que a Sonangol entra no BCP com 2% em junho de 2007, depois de se aconselhar com José Socrates. Isto citando palavras de Manuel Vicente e de Carlos Silva a Filipe Pinhal, com outras pessoas presentes. 

Tiveram depois uma reunião com Vítor Constâncio para reforçar de 2% para 5% no BCP.

Filipe Pinhal contou que defendeu a fusão do BCP com o BPI e que tentou convencer a Sonangol dos benefícios dessa fusão, mas Carlos Silva respondeu-lhe que tinham falado com José Sócrates e que este tinha dito que Carlos Santos Ferreira era o seu conselheiro para os assuntos financeiros e que este tinha dito que a operação era prejudicial para o sistema financeiro português.

O ex-presidente do BCP diz que Angola estava muito interessada em ter bancos em Portugal porque precisavam de ter vários bancos para a exportação de capital da elite angolana (Banif, BPN, BIC; BPI, BiG, Banco Privado Atlântico Europa).

Foi uma conjugação de interesses.

Depois de sair do Banco de Portugal Vítor Constâncio foi para vice-presidente do BCE, lugar que implicou uma promoção prévia do governo português junto das instâncias europeias.

P.S. Não subscrevo a tese de que Vítor Constâncio "correu" com Filipe Pinhal por causa de este ter recusado um crédito a Berardo.

Não subscrevo também a tese de que Carlos Santos Ferreira se comportava como "empregado" de Luís Champalimaud. Eu conheço ambos, e dificilmente alguém "mandaria" em Carlos Santos Ferreira (nem Sócrates), mais depressa seria o contrário. E Luís Champalimaud tem uma relação de camaradagem com Carlos Santos Ferreira e não de superioridade, como sugeriu Filipe Pinhal.

 

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A propósito da notícia  "Fundação obrigada a sustentar Berardo e família para sempre", lembrei-me deste tempo (da fotografia), em que Berardo era "amado" pelos media  sempre que acusava Jardim de fazer "aldrabices" no BCP.

O mesmo Joe Berardo, que assumiu “respeitabilidade mediática” em 2007/2008 por fazer uma campanha contra a pensão de Jorge Jardim Gonçalves, o autor e fundador do BCP; e por se indignar com as regalias vitalícias do fundador do BCP, fez exatamente o mesmo na sua Fundação Berardo.
Isto só prova uma tese secular. Cuidado com os moralistas. Fujam deles. São sempre os maiores carrascos e críticos do comportamento dos outros e nas costas fazem exatamente o mesmo ou pior. São sempre os piores pecadores. São fariseus.

Abriu a caça à comenda

por Maria Teixeira Alves, em 19.05.19

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Começou a caça às comendas. Depois da indignação pública  – que me parece sempre próxima do ódio colectivo – às declarações de Joe Berardo na Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD, eis que o Conselho das Ordens Honoríficas abriu, na passada sexta-feira, um processo para retirar as duas condecorações a Joe Berardo, numa reunião no Palácio de Belém, em Lisboa. Caso fique provado que o empresário infringiu os seus deveres de titular da Ordem do Infante D. Henrique, pode ficar sem as duas distinções que recebeu.

O que é que despoletou isto? Foi a sinceridade de Berardo, provocatória, quando disse que pessoalmente não tinha dívidas? Foi ter dito que os bancos já não tinham a maioria da Associação Coleção Berardo? Foi ficar a saber-se que tinha mudado os estatutos da Associação dona da sua coleção de arte e tinha feito um aumento de capital à revelia dos bancos? O que é que mudou de um dia para o outro em Joe Berardo que tenha despoletado isto?

Joe Berardo sempre foi provocatório, sempre foi grotesco na falta de respeito pelos que não gostava, sempre foi dono de uma sobranceria atabalhoada (não se lembram do que dizia de Jardim Gonçalves em 2007?). Não há nada de novo em Berardo. 

Terá sido o motim público que se levantou? 

Seja como for, se as comendas forem retiradas a Berardo, vai começar a caça às condecorações atribuidas pela Presidência da República? Aos que envergonham o país ou só àqueles que passaram pelas Comissões Parlamentares de Inquérito e indignaram os deputados em direto? Por exemplo, a Zeinal Bava porque não tinha de memória nada do que levou a Portugal Telecom a desaparecer? A Sócrates porque vivia com o dinheiro de um amigo e estava envolvido numa teia de troca de favores? A Ricardo Salgado por ter mandado maquilhar as contas das ESI, escondendo dívida, e contaminado a rede de clientes do Grupo com a dívida dessa e doutras empresas do GES? A Helder Bataglia que era o responsável pela Escom? A quantos destes "inimigos públicos" se vão abrir processos disciplinares para retirar as comendas e outras condecorações?

E agora vejamos, Berardo é mais culpado que outros grandes devedores à banca que entraram em incumprimento? É pior do que João Pereira Coutinho, Vasco Pereira Coutinho, Luís Filipe Vieira, Nuno Vasconcellos, Manuel Fino, etc? Porquê? 

No fim do dia quem é que tem culpa de ter emprestado 50 milhões de euros a uma empresa (Metalgest) que tinha EBITDA negativo e faturava 50 mil euros? É Berardo ou a Caixa Geral de Depósitos?

Faço minhas as palavras deste tweet: "Portugal é um país onde as coisas não acontecem pelo seu mérito ou necessidade natural mas sim ao sabor da atenção mediática do momento. Daí que seja incrivelmente importante quem controla os Orgão de Comunicação Social e quem tem autorização para fazer comentário. Portugal é muito pouco democrático". in Ricardo Pais Oliveira.

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Há quatro dias que está anunciada esta greve dos motoristas dos transportes de materiais perigosos (leia-se gasolina e gás, por exemplo), que paraliza o país, e o Governo não tinha uma estratégia preparada. Por exemplo, não tomou a iniciativa de avisar a população da necessidade de tomarem medidas, tais como abastecerem os carros atempadamente, e deixou chegar a esta situação caótica de as bombas de gasolina ficarem sem combustíveis.

O caos está instalado. Não foram só os aeroportos que ficaram sem combustíveis, também as ambulâncias do INEM, os Bombeiros e outros. E foram ainda todos os postos de abastecimento que ficaram à beira da ruptura, com as pessoas a serem apanhadas "de calças na mão", ou seja, com os carros vazios. Isto, ainda por cima, à beira da Páscoa, quando as pessoas viajam mais.

Esta reunião, que houve hoje entre a ANTRAM, o Governo e o sindicato do setor, para definir serviços mínimos da requisição civil, não devia ter sido feita antes?

O Governo não antecipava que ia ser preciso a requisição civil nesta greve? 

Em pleno caos, o Presidente da República apressou-se a dizer que o Governo devia reunir-se com os sindicatos, esquecendo que quem tem de se reunir com os sindicatos é a entidade patronal, a ANTRAM, e não o Governo. Pois não se trata de função pública em que o patrão é o Estado. Mas Marcelo é o comentador político compulsivo, que tem sempre coisas para dizer, às vezes muito além do que deveria. Razão tem José Miguel Júdice quando diz que Marcelo precisa daquilo que tinham os imperadores, de alguém ao lado, que lhe diga "lembra-te que és mortal". 

E o Governo? Casa roubada, trancas na porta, tem sido o lema deste Governo em todas as "calamidades".

Mais uma vez, António Costa, em cima do fogo (metáfora cara a este Governo), lá pôs, e bem, os ministros da Administração Interna e do Ambiente e da Transição Energética a declararem a “situação de alerta”  e “declaração de reconhecimento de crise energética", para acautelar de imediato níveis mínimos nos postos de abastecimento, de forma a garantir o abastecimento de serviços essenciais, designadamente para forças e serviços de segurança, assim como emergência médica, proteção e socorro.

Isto, é pôs militares e outras forças e serviços de segurança, bem como todos os agentes de proteção civil, e ainda todos os motoristas de pesados, de prevenção para poderem conduzir camiões-cisterna cheios de combustíveis para fazer o país andar. Um solução de emergência, que podia ter sido mitigada por uma jogada de antecipação que era expectável que existisse da parte do Governo.

Costa lá chamou o seu negociador de causas difíceis, Pedro Nuno Santos, para se sentar à mesa com os patrões e empregados de uma atividade que é vital para o país. Nesta altura, e depois de uma reunião com o Governo (com Pedro Nuno Santos, o negociador), estão assegurados serviços mínimos de abastecimento de combustíveis. Hospitais, aeroportos, bombeiros, polícias com abastecimento a 100%. Mas apenas 40% das bombas em Lisboa e Porto vão ser abastecidas com 30% do volume habitual. O resto do país, pode ficar sem combustíveis. Se isto não é uma trapalhada? É o quê?

As pessoas que gostam de ser idolatradas e querem agradar carregam em si toda a violência do mundo.

Os governantes devem governar com convição e não em função do que podem pensar deles. Essa é talvez a maior diferença de Passos Coelho (e a que o torna irrepetível) face à maioria dos primeiros-ministros.

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Vem isto a propósito do slogan da greve feminista "Não queremos flores, queremos direitos" expresso neste artigo de opinião de uma líder feminista. 

Ora, eu não consigo parar de pensar no quanto este slogan encerra para mim erros e enganos.

Sinto-me tentada a responder: Obrigada, mas como mulher que sou, prefiro flores. Flores é amor. Direitos são para compensar a falta de amor. Direitos é coisa dos tribunais. Que me interessa direitos se não for amada? Para fazer da minha vida um tribunal? Não, obrigada.

O verdadeiro slogan que defende as mulheres, seria "homens amem as mulheres", se as amarem, respeitá-las-ão. A violência doméstica não é uma questão de falta de direitos, é de falta de amor.

Precisamos do oposto, de uma cultura que invoque a sedução e não a disputa. 

Claro que devemos defender que a lei deve funcionar melhor. Infelizmente a polícia atua pouco. O processo de uma queixa à polícia é kafkiano. Devia ser agilizado com recurso aos meios digitais. Os tribunais não decidem nada em tempo útil e são caros. 

As leis devem ser mudadas para proteger os mais "fracos", sejam eles homens ou mulheres.

Mudem as leis para que as violações não fiquem sem culpados e as agressões não fiquem sem consequências, e os assédios morais não passem impunes.

Mudem as leis para que os reguladores façam cumprir a lei com sanções, sem ser necessário discutir direitos em tribunais, por exemplo, direitos laborais. As autoridades para as condições do trabalho deviam ser mais abrangentes (para proteger de coisas que normalmente só os tribunais têm competência para decidir). Assim protegiam o trabalhador (ou trabalhadora) no ativo sem ser necessário que os direitos sejam discutidos já num processo de despedimento e de recurso aos tribunais. Se os reguladores tiverem competências alargadas poupa-se algum trabalho aos tribunais.

 

Mas deixem as mulheres serem seduzidas e amadas.

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Era evidente que uma auditoria à CGD que abrangesse 15 anos ia apanhar praticamente todos os gestores de bancos (banqueiros) do país. Portugal é um bidé. Todos se conhecem e se não se conhecem já "ouviram falar", toda a gente é parente mais próxima ou mais distante de alguém, toda a gente é amiga ou amiga de um amigo de alguém.

No caso concreto da Caixa Geral de Depósitos, há meia dúzia de bancos que dão emprego a uma geração de administradores, ou mesmo duas, e a probabilidade de  ter no currículo a passagem pela CGD (a mais recente liability do sistema financeiro português) é enorme. Só a idade e uma carreira estável de largas décadas (o que já não existe) num qualquer banco evitariam estar agora na quadratura do círculo dos administradores da Caixa Geral de Depósitos de 2000 a 2015. 

É fácil ver incompatibilidades na outra banda.

O governador do Banco de Portugal, diz-se que, tem um conflito de interesses porque esteve na administração da CGD naqueles 15 anos abrangidos pela auditoria da EY. Também já se tinha posto a questão das "suspeitas de falta de independência" quando se descobriu que tinha sido o responsável pelas offshores quando era quadro do BCP.  

A vice-Governadora Elisa Ferreira tem o marido que foi vice-presidente da La Seda, uma das empresas com o maior incumprimento de crédito à CGD. Mais uma acha para a fogueira das incompatibilidades.

Gabriela Figueiredo Dias, presidente da CMVM, é filha de um administrador do BPI (pediu escusa para assuntos relacionados com o banco).

Mas a questão das "suspeitas de incompatibilidades" é uma espiral sem fim. Paulo Macedo esteve no BCP ao lado de Armando Vara na administração liderada por Carlos Santos Ferreira. Armando Vara que por sua vez está preso.

Também se pode olhar de soslaio para o facto de Carlos Tavares, que foi durante anos presidente da CMVM, agora estar no Montepio.

Não acabam os exemplos de "potenciais incompatibilidades".

Portugal é um país pequeno, de poucos empregos e baixos salários, como escapar a este circulo fechado e limitado de empresas e de relações? Será que a independência implica ausência de qualquer contacto? É um caso a pensar nesta caça às bruxas.

Por exemplo Berardo pediu dinheiro emprestado à CGD e deu ações como garantia. Ora isso era o pão nosso de cada dia nos bancos até 2007. Todos os bancos davam crédito assim. Todos emprestaram para comprar ações (talvez se exceptue aqui o BPI). Desde o insuspeito Santander Totta até à suspeitíssima CGD. Talvez a diferença que é importante salientar é quem, ou que banco, é que executou os colaterais quando as ações que serviam de garantia começaram a cair a pique, e quem é que o não fez e porquê? 

Por falar em incompatibilidades. Mais um exemplo de que este país é um bidé. Como é possível que em 46 operações de crédito e mais umas operações de mercado, identificadas pela EY na auditoria à CGD não tenha havido pelo menos um dos escritórios de advogados de referência a trabalhar com alguma destas empresas. Incompatibilidades? Não há escritório de advogados, que se preze, sem elas. Os advogados são caros e difíceis de contratar em Portugal. A CGD revelou que teve de contratar três escritórios (e pode não ficar por aqui) para analisar os atos de gestão daquele período para, eventualmente, colocar ações de responsabilidade civil sobre ex-gestores. Isto é o que acontece a um país com as caraterísticas do nosso.

Depois há outro tipo de "incompatibilidades", menos formais, chamemos-lhe assim. Mário Centeno é "independente de espírito" face ao Governador do Banco de Portugal que o seu ministério tutela? Pode levantar-se sempre a questão da histórica má relação entre ambos quando trabalharam juntos no Banco de Portugal.

Pode-se questionar tudo e vamos acabar a não chegar a conclusão nenhuma.

Somos um país de incompatibilidades, conflitos de interesses ... e de salários baixos.

Prémio Mesa Marcada: Feitoria "rules"

por Maria Teixeira Alves, em 03.02.19

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Os Prémios Mesa Marcada nasceram em 2009 e são, desde aí, a distinção de cozinha e restauração mais importante em Portugal. Este ano, a cerimónia teve lugar no Ritz Four Season Hotel e contou com a presença de mais de 400 profissionais da área. O evento elege os 10 melhores restaurantes e cozinheiros do país e ainda distribui oito prémios especiais, do fornecedor à revelação do ano.

Pela terceira vez consecutiva, João Rodrigues somou duas vitórias nesta noite de prémios: o chef conquistou o primeiro lugar no ranking de Melhor Chef de 2018, com uma diferença de mais de 330 pontos do segundo classificado, o chef José Avillez, e arrecadou, ainda, o lugar do topo na classificação de Melhor Restaurante com o Feitoria, o galardoado restaurante do Hotel Altis Belém, em Lisboa.

Mas, apesar de João Rodrigues ter conseguido um verdadeiro feito(ria), a noite acabou por correr (muito) bem a António Galapito. O chef de 27 anos ganhou o prémio Revelação do Ano e o seu restaurante, Prado, foi eleito Destaque do Ano.

À lista de vencedores, juntou-se José Avillez, que foi surpreendido com um prémio inesperado no final da noite. A festejar uma década, os Prémios Mesa Marcada estrearam uma nova categoria - Prémio Especial 10 anos Mesa Marcada - e atribuíram-na a Avillez. O chef, que conta com mais de 15 restaurantes espalhados pelo país, foi a personalidade gastronómica que mais prémios ganhou ao longo da última década.

Artigo inicialmente publicado no Jornal Económico.

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O famoso "diabo" da economia começa a mostrar a cauda

por Maria Teixeira Alves, em 14.11.18

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Os dados económicos do INE não são animadores. A economia portuguesa cresceu 0,3% no terceiro trimestre, depois dos 0,6% do segundo trimestre. Em termos homólogos, a economia cresceu 2,1%, o ritmo mais lento desde a primeira metade de 2016. Antes (no segundo trimestre) estava a crescer 2,4%. 

Isto é, a economia portuguesa desacelerou para o ritmo mais lento dos últimos dois anos. As exportações e consumo privado, que têm sido o motor do crescimento, abrandaram. Só não foi pior porque houve mais investimento, mas ainda assim não serviu para compensar a queda do consumo das famílias.

Mas António Costa preferiu destacar que Portugal voltou a crescer mais do que a média europeia e do que a zona euro. “Desde que aderimos ao euro, isto nunca tinha acontecido, a não ser o ano passado e está a acontecer este ano”, disse o nosso primeiro-ministro.

Faltou acrescentar que apesar de estar acima da média Portugal registou a quinta taxa de crescimento mais baixa da zona euro. 

A isto acresce outra má notícia para a economia. O PIB da Alemanha contraiu pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2015, segundo a estimativa do gabinete de estatística alemão divulgada esta quarta-feira, 14 de Novembro.

Faltou ao Governo falar do que ainda pode estar para vir ao nível da desaceleração da economia europeia.

Portugal arrisca a perder o impulso no turismo. A isto não será alheio o facto de a Câmara Municipal de Lisboa ter introduzido uma moratória que durante um ano vai limitar a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas freguesias. Durante um ano vai ficar proibida a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas zonas históricas, que são as zonas que os turistas preferem.

O imobiliário para investimento pode assim acabar por ficar mais condicionado. E as famílias que usavam as casas para rentabilizar com o Airbnb vão perder esse rendimento extra. Mas em troca não há sinais que o preço do arrendamento em Lisboa vá cair e ajustar-se aos salários baixos dos portugueses - temos um número de trabalhadores a receber salário mínimo como nunca aconteceu, são mais de 700 mil pessoas. Os números são de António Leitão Amaro.

Há casos dramáticos de pessoas de 60 anos que veem os senhorios não renovar os contratos de arrendamento e deixam de conseguir alugar casas em Lisboa e mesmo na área da Grande Lisboa.

 As universidades não têm residências universitárias o que torna infernal a vida a estudantes que veem de fora da capital.

Resultado. A economia vai perder a força sem que os salários dos portugueses tenham chegado sequer a recuperar da crise.

Portugal é um país condenado, inserido numa Europa que perde o comboio da evolução e crescimento (tudo o que é inovação vem dos EUA ou da China).

Portugal é ainda o país onde o problema demográfico tem maior expressão na Europa. Políticas para isso no OE2019? Não há.

É o país que tem o maior problema de dívida do Serviço Nacional de Saúde aos privados (os prazos de pagamento rondam os 270 dias enquanto em Espanha 70 dias é o prazo médio de pagamento das dividas dos hospitais públicos). E não é possível agilizar porque tudo exige a aprovação formal e burocrática do Ministério das Finanças. Tudo exige concursos públicos de seis meses. Há situações em que quando a única pessoa que introduz faturas no sistema, nos hospitais públicos, está de baixa, o serviço pára porque não é possível substituir pessoas sem toda uma complexa burocracia. "Somos todos Centeno", como disse o Ministro da Saúde que acabou substituído.

A descentralização devia começar no SNS (dar autonomia aos hospitais públicos para gerir). Mas o Governo prefere falar da descentralização que passa por promessas ideológicas de transferir o Infarmed para o Porto. 

António Costa é o campeão do "com a verdade me enganas", porque usa números bons para criar uma realidade doirada que na verdade não existe. Mas o que está a despontar é uma espécie de cauda do diabo de que a esquerda tanto fez troça.

(atualizada)

Finanças rules, quem manda é o Mário Centeno

por Maria Teixeira Alves, em 27.10.18

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A UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) constatou que há 590 milhões nas despesas que constam nos mapas da Proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2019, a menos do que aquilo que Governo diz no relatório do Orçamento e que por isso o défice deveria ser de 0,5%. Portanto se essas despesas lá estivessem como deviam o défice seria maior. O Governo veio dizer que é um "procedimento habitual".

"Um orçamento define tectos máximos de despesa. É porque se furam tectos máximos de despesa que há rectificativos", disse Mário Centeno, que assegura que  "em todos os anos, sempre houve um ajustamento face ao que são os mapas das contas sectoriais e os cálculos do total da despesa na administração central e na administração pública".

Pelas palavras do ministro, pode depreender-se que em todos os orçamentos há uma espécie de almofada financeira entre o défice estimado e as despesas constantes nos mapas por sectores.

Isto é, seguindo uma prática já usada em orçamentos anteriores, o Governo está, no cálculo da meta de défice para o próximo ano, a assumir logo à partida que não irá descongelar uma parte substancial das cativações que estão previstas na proposta de OE entregue no parlamento. Em causa estão 590 milhões de euros que, caso viessem a ser descongelados, poderiam, num cenário em que tudo o resto se mantivesse igual, conduzir a um défice de 0,5% em vez dos 0,2% que são apresentados como meta para o próximo ano

O que é que de facto se passa? António Lobo Xavier foi bastante elucidativo sobre este tema na Quadratura do Círculo.  Os técnicos da UTAO quando dizem que o saldo orçamental para 2019 é revisto em baixa no montante de 0,3 p.p. do PIB, passando da cifra -0,2% do PIB projetada na POE/2019 para -0,5% do PIB, têm razão.

Quando Mário Centeno diz que o PIB vai ser 0,2%, também tem razão, porque o défice está construido de modo a ser o que as Finanças decidem no fim do ano. Pois as despesas a mais que estão inscritas no OE, são limites, não vinculam a gastos obrigatórios. Portanto o truque de Mário Centeno é inscrever despesas a mais no OE. Despesas discricionárias, que pode não cumprir, e depois se as receitas previstas não se cumprirem Centeno não cumpre as despesas em nome do défice.

"A inscrição de uma despesa não significa a obrigação de gastar aquele montante, significa apenas um limite. Não posso ultrapassar aquele limite, mas não sou obrigado a chegar lá", é o lema de Centeno no que se refere ao OE.

Isto é, os partidos da geringonça estão todos contente com as suas medidas estarem no OE 2019, mas algumas são despesas que Mário Centeno inscreve como teto máximo, mas que se for necessário não concretiza essas despesas que não são obrigatórias. Portanto os ministérios têm verbas inscritas no OE que nada garante que possam usar.

A estatística da execução orçamental é que dita a verdade do OE.

Faltam também receitas nos documentos do OE, segundo Lobo Xavier, logo o Ministro joga com uma carga fiscal que será provavelmente maior, e a despesa inscrita só vai ser usada na medida em que o défice fique nos 0,2% ou menos.

Já agora acrescenta-se outra medida dada à esquerda, mas nem tanto:

Depois de várias declarações a anunciar, nomeadamente de um acordo entre o BE e o Governo, a descida do IVA na cultura de 13% (a taxa intermédia) para 6% (a taxa mínima), a proposta concreta do OE 2019 detalha que esta descida só se aplica ao que for "realizado em recintos fixos de espetáculo de natureza artística". Ou seja se o concerto acontecer num espaço público o IVA mantêm-se a 13%.

Finanças rules, quem manda é o Mário Centeno

por Maria Teixeira Alves, em 26.10.18

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O facto de a UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) ter constatado que há 590 milhões nas despesas que constam nos mapas da Proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2019, do que aquilo que Governo diz no relatório do Orçamento e que por isso o défice deveria ser de 0,5%. O Governo veio dizer que é um "procedimento habitual".

O que é que de facto se passa? António Lobo Xavier foi bastante elucidativo sobre o que este tema.  Os técnicos da UTAO dizem que o saldo orçamental para 2019 é revisto em baixa no montante de 0,3 p.p. do PIB, passando da cifra -0,2% do PIB projetada na POE/2019 para -0,5% do PIB. Têm razão.

Quando Mário Centeno diz que o PIB vai ser 0,2%, também tem razão, porque o défice está construido de modo a serem as Finanças que decidem qual será o défice no fim do ano. Pois as despesas a mais que estão inscritas no OE, são limites, não vinculam a gastos obrigatórios. Portanto o truque de Mário Centeno é inscrever despesas a mais no OE. Despesas discricionárias, que pode não cumprir, e depois se as receitas previstas não se cumprirem Centeno não cumpre as despesas em nome do défice.

"A inscrição de uma despesa não significa a obrigação de gastar aquele montante, significa apenas um limite. Não posso ultrapassar aquele limite, mas não sou obrigado a chegar lá", é o lema de Centeno no que se refere ao OE.

Isto é, a geringonça está toda contente com as suas medidas estarem no OE 2019, mas algumas são despesas que Mário Centeno inscreve como teto máximo, mas que se for necessário, essas despesas que não são obrigatórias vai cortá-las. Portanto os ministérios têm verbas inscritas no OE que nada garante que possam usar.

A estatística da execução orçamental é que dita a verdade do OE.

Faltam receitas nos documentos do OE, o Ministro joga com uma carga fiscal que será provavelmente maior, e a despesa inscrita só vai ser usada naquela dimensão.

Serralves é maior do que os lobbies das minorias

por Maria Teixeira Alves, em 28.09.18

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Ana Pinho merece ser defendida de um ataque orquestrado por alguns que falam em “censura”, usam uma suposta defesa da liberdade quando no fundo o que estão mesmo a defender neste episódio são as causas minoritárias, que defendem ao ponto de subjugar o bom senso e a sanidade mental a campanhas dessas minorias, que só a eles interessa.

Obviamente que dentro da rica obra do Robert Mapplethorpe, há uma parte da obra que invoca a homossexualidade e o sado-masoquismo, e essa deve ser reservada apenas a quem a quiser ver. Interdito a menores de 18 anos é o mínimo.

Eu mesma, maior de 18 anos, não quero ver essas fotografias e não quero ir a Serralves e tropeçar inadvertidamente nessas fotografias. Lamento.

O que me parece que aconteceu, na realidade e por detrás do pano, é que João Ribas ofendeu-se com essa interdição em nome de uma causa minoritária que é a sua, mas de que nós não queremos saber para nada.

Serralves é muito maior do que este senhor Ribas.

Shame on you João Ribas.



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