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Unitel dá raspanete à administração do BPI

por Maria Teixeira Alves, em 03.01.16

6.-Isabel-dos-Santos.jpg

"Foi sem surpresa da nossa parte que recebemos a notícia da não aceitação pela CMVM da solução de cisão simples com recomposição do capital social. Mas foi com inaudita surpresa que recebemos a informação que o Banco BPI, tendo já recebido duas informações da Unitel que não aceitava a cisão simples, entendeu aprovar essa mesma cisão no Conselho de Administração, apresentar o seu projecto a registo na Conservatória, encontrando-se prevista para proximamente a convocação de uma Assembleia Geral  para sujeitar à decisão dos seus accionistas".  É com esta frase que a empresa de Isabel dos Santos torna pública a guerra com a administração do BPI. Chega a usar o adjectivo "desrespeitoso" para se referir ao board do BPI, por este ter abandonado o processo negocial para aprovar uma solução que será rejeitada pela Unitel de modo "final e definitivo". Assim, sem papas na língua.

Aquela frase da Unitel num comunicado em que relata o confronto de posições e propostas alternativas apresentadas é bem reveladora da guerra fria que se vive no BPI. Mas neste caso há um prazo para uma solução: Março de 2016. 

Dado esse prazo a Unitel, de Isabel dos Santos, nesta altura, já só deixa uma alternativa ao BPI: comprar a maioria do BFA. O negócio que está em cima da mesa é válido até ao fim deste mês de Janeiro. Ainda deixa ao BPI a porta a uma parceria com acordo parassocial (que será alterado face ao actual) que deixa, por exemplo, o pelouro do risco do BFA ao BPI, numa clara tentativa de agradar ao BCE que excluiu Angola de país equiparado à Europa em termos de regulação bancária.

A Unitel chumba assim peremptoriamente a cisão dos activos africanos e avança com uma proposta firme de compra 10% do BFA, oferecendo em troca 140 milhões de euros (dos quais 50 milhões são pagos imediatamente e o resto ao longo de três anos). A Unitel diz que será possível obter as autorizações regulatórias e fechar a compra até 10 de Abril, já depois de Março, que é o prazo dado pelo BCE para o BPI cumprir a obrigação de reduzir a sua exposição a Angola, que agora pesa a 100% no rácio de capital do BPI. Mas será que vender 10% do BFA é suficiente para que o BPI cumpra a regra europeia em termos de capital?

Em primeiro lugar é preciso perceber porque é que o BPI, pelo facto de ter 50,1% do BFA em Angola, passou a ultrapassar a exposição a grandes riscos com consequências violentas no rácio de capital do banco liderado por Fernando Ulrich? O Banco Central Europeu, liderado por Mario Draghi, introduziu no início de 2015 uma nova forma de contabilização da exposição indirecta dos bancos supervisionados pelo BCE a Angola, país que não adopta regras de supervisão e regulação idênticas às da Comissão Europeia. Esta situação alterou o cálculo dos activos ponderados pelo risco, ou seja, que são tidos em conta nos rácios de solidez de capital dos bancos exigidos pelos reguladores. Na prática os investimentos dos bancos portugueses naquele país passaram a ser ponderados pelo risco a 100% e não a 20% como era antes da decisão do BCE.

Tem, depois disto, o BPI condições de manter a parceria com Isabel dos Santos em Angola e cá? Parece-me pouco provável. O BPI vai perder esta guerra em Angola. Angola é deles. Acabará por ter de vender mesmo o BFA, se calhar mais do que os 10% que a empresária angolana se propõe comprar.

E cá? Poderá Isabel dos Santos manter-se accionista com 19% do BPI? Quererá Isabel dos Santos ficar na estrutura de capital do BPI à espera de ver cair a actual administração? À espera que o Caixabank desista de se manter accionista? Haverá no Caixabank interesse em ficar num BPI doméstico, sem qualquer participação num banco em Angola?

Acho que a situação de Fernando Ulrich é hoje muito complicada. Terá de aproveitar esta oportunidade para negociar a bem com Isabel dos Santos um divórcio completo e amigável. Saída completa do BPI em troca da venda da maioria ou tudo do BFA. Não há outro caminho. Doutra forma o BPI acabará no cair no colo de Isabel dos Santos.


2 comentários

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De Ali Kath a 03.01.2016 às 23:56

a Senhora do cabelo enrolado lembra-me minha Mãe.
'um olho no burro (banquinho), outro no cigano (administrador)'.
como 'expectorante' amador creio que o melhor que pode suceder ao banquinho é cair na mala de mão da Senhora

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