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A proposta não é nova, é simples de enunciar, não tão simples de executar e não é barata.

É uma proposta cujos efeitos na diminuição da procura de habitação em Lisboa seria inegável, para além de ter efeitos também na diminuição da necessidade de desviar os dinheiros do fundo de coesão das regiões mais pobres para as mais ricas através da esperteza de financiar os metros de Lisboa e Porto, como está a ser feito.

É uma proposta que não mexe na regulamentação do mercado, mantendo a estabilidade das regras que são essenciais para que os senhorios aumentem os prazos dos arrendamentos. Antes de qualquer consideração económica, a preocupação central do dono da casa é manter o controlo sobre o seu uso. O que depende da confiança nas instituições, matéria que parece não preocupar este governo neste sector (nos outros também, mas agora isso não interessa nada).

É uma proposta que depende só da vontade do Estado e da sua opção na afectação de recursos, o que traz muitas vantagens por reduzir muito os riscos de execução.

E, como digo, é muito simples: mudem a capital para Castelo Branco.

O Estado libertaria muito espaço em Lisboa, dezenas de edifícios, o Estado deslocaria emprego do litoral para o interior, arrastando consigo toda a indústria de lobbying instalada em Lisboa, para já não falar dos inúmeros serviços associados ao governo da nação e ao apoio aos seus servidores.

Pode ser perfeitamente faseada no tempo, à medida dos recursos disponiveis, primeiro, meramente simbólico, poder-se-ia deslocar o Presidente da República, depois o Governo, depois a Assembleia e, pouco a pouco, os serviços públicos que, aliás, escusavam de ir todos para Castelo Branco, podem espalhar-se por aí.

Se quiserem ir mais longe, podem mesmo deslocar o Teatro Nacional (para Évora, eu gosto da ideia do Teatro Nacional estar sedeado em Évora e fazer intinerância em Lisboa) Universidades, o comando das Forças Armadas e da GNR, prisões, Imprensa Nacional, etc..

Mas tudo isso pode ficar para as calendas, já, já, era tomar a decisão de discutir isto. Só essa mera possibilidade diminuiria de imediato a pressão da procura de casa em Lisboa.

Depois o Presidente.

O resto seria só o resto.



8 comentários

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De Luís Lavoura a 27.04.2018 às 10:14

Mesmo sem mudarem a capital, podiam mudar as universidades.
Nos EUA, as universidades estatais estão em geral localizadas em cidades universitárias que não coincidem com as cidades principais.
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De Anónimo a 27.04.2018 às 11:24

Exacto. A descentralização necessária independentemente da outra, a folclórica.
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De Luís Lavoura a 27.04.2018 às 14:34

O Henrique tem em princípio razão, mas a prática pode ser complicada. O Estado só pode transferir a capital se os trabalhadores aceitarem ser transferidos. Os trabalhadores do Estado são maioritariamente pessoas qualificadas (pelo menos, são mais qualificadas do que os trabalhadores do setor privado), que no limite podem até preferir emigrar do que irem trabalhar para um sítio como Castelo Branco.
Repare o problema que é transferir o Infarmed para o Porto. O Estado já teve que recuar sob a ameaça de muitos trabalhadores se despedirem. Há trabalhadores do Infarmed a despedirem-se para irem trabalhar para a Autoridade Europeia do Medicamento em Amesterdão.
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De EMS a 27.04.2018 às 15:02

Proponho Beja que já tem aeroporto e tudo.
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De Anónimo a 28.04.2018 às 10:47

O ideal seria que se mudassem para as berlengas, no dia da inauguração, quando estivesses lá os políticos todo incluindo o tio Marcelo, bombardeava-se aquela porra.
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De Anónimo a 28.04.2018 às 14:57

Essa opção não seria viável uma vez que iria causar grande e preocupante baixa entre a comunidade de gaivotas. 
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De Anónimo a 28.04.2018 às 14:42

Sem dúvida que Castelo Branco é um bom sítio. Melhor, só mesmo "Cú de Judas". E porquê? Por causa das ajudas de custo que auferem esses gajos da política. Com efeito, lá em Lisboa todos se dizem viver em Cú de Judas, só para terem direito aos tais subsídios que acabam por corresponder a outro ordenado mínimo de três mil seiscentos e tal euros e que juntam ao dito. Por outro lado, sendo toda essa cáfila de Cú de Judas, automaticamente deixavam de auferir aqueles brutais subsídios.
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De Frederico a 28.04.2018 às 23:54

Um país tão pequeno como este e a única preocupação é esvaziar a capital. Os países com quem normalmente fazem comparações são várias vezes maiores que Portugal. Comparar com a Alemanha, os EUA ou até mesmo com Espanha é ridículo e mal intencionado. 


Descentralizar num país como o nosso é passar algumas competências para as autarquias. Mas passar serviços do estado central para fora da capital é obedecer a gente provinciana, sem noção da realidade e que irá dificultar ainda mais a vida aos cidadãos.


Além disso, acho curioso que a descentralização defendida por alguns passe só por cidades acima do Tejo. Como o caso de Rui Rio, que coloca fora da órbita tudo o que seja abaixo de Lisboa. 


Portanto, descentralizar só para um lado do país, não obrigado.

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