Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Uma nova exploração do homem pelo homem

por Jose Miguel Roque Martins, em 19.11.20

Passados todos estes meses de pandemia, já sabemos que as medidas ao seu combate, provocam mortes excessivas por outras doenças, a pobreza galopante, impactos na educação,  na felicidade e saúde psicológica da população.

Não sabemos quais os benefícios que resultaram das políticas de saúde publica. Nem se consegue saber o que teria acontecido sem elas.

A discussão passou a ser uma questão de convicções, já que ciência, ainda há muito pouca.

Mesmo que soubéssemos tudo, continuaríamos a ter perspectivas diversas. Porque são diferente as circunstâncias e custos de cada um. Porque o percepção do valor de cada vida, em abstracto, é pessoal.

Estamos destinados a não nos entendermos.

O que espanta é que, quando assim acontece, não se permita e consiga que cada um viva como considera adequado. O argumento de que a liberdade de cada um acaba quando começa a liberdade do outro, tem dois lados. Haverá algum completamente inatacável numa perspectiva menos egocêntrica?

Alguns, Covid temerosos, precisam de sair à rua para trabalhar. E não parece razoável que a rua seja um antro de contagio. Mas também não parece razoável impor que outros, que querem trabalhar, não o possam fazer. Mas é o que acontece. Esta é a questão difícil e interessante. Infelizmente não faz sentido discuti-la. O Estado decidiu por nós. E decidiu mal.

Qualquer que fosse o rumo seguido, o principio da igualdade de oportunidades e de distribuição dos impactos não foi tido em conta. Não se evitou aprofundar as desigualdades dos impactos que decorreriam naturalmente da Pandemia. Não se compensou quem foi prejudicado. Apenas se aprofundaram desequilíbrios.

O que temos é mais do mesmo. A preservação dos direitos dos instalados. O aumento do numero e do sofrimento dos que ficam fora do sistema, desempregados, falidos e esquecidos.

Quem diria que a exploração do Homem pelo Homem, fosse um apanágio de um governo Socialista?



19 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.11.2020 às 10:27

« cada cal mija cassua»
Sem imagem de perfil

De balio a 19.11.2020 às 10:31

Estamos destinados a não nos entendermos. O que espanta é que, quando assim acontece, não se permita e consiga que cada um viva como considera adequado.


Não, porque o desentendimento é sobre aquilo que provoca risco aos outros.


O princípio de que "a única limitação à liberdade é aquilo que provoca risco ou incómodo aos outros" é falível, quando há desentendimento entre as pessoas sobre o que é que é arriscado ou incómodo e o que não é.


Se uma pessoa considera que o vírus não é verdadeiramente prejudicial, então não tem problema nenhum em contaminar os outros. Mas os outros podem ser de opinião diferente, podem achar que o vírus é altamente perigoso, e devido a isso não quererem ser contaminados. Temos então um problema insolúvel, com umas pessoas a quererem limitar a liberdade dos outros, e a acharem que há boas razões para isso, mas as outras pessoas a dizerem que as razões para a limitação da liberdade não existem.
Imagem de perfil

De Jose Miguel Roque Martins a 19.11.2020 às 12:53

é esse exatamente o ponto: a dificuldade de estabelecer a fronteira, já que de um lado e outro há interesses legítimos a preservar! 
E por isso, sem egocentrismos, não podemos ser taxativos para nenhum dos lados! 
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 20.11.2020 às 14:30


"Não, porque o desentendimento é sobre aquilo que provoca risco aos outros."


Está a dizer que o confinamento não provoca risco aos outros?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.11.2020 às 11:18

Tem toda a razão. O governo português devia era seguir os exemplos dos governos da Áustria, Reino Unido, Alemanha e França.


LAC
Sem imagem de perfil

De Carlos Sousa a 19.11.2020 às 13:19

Não consigo entender essa ambiguidade. Havendo uns que consideram o vírus perigoso, e havendo outros que não consideram, qual é o problema de passar a facultativo o que agora é obrigatório?
Quem se quer proteger utiliza os epi's necessários, quem acha que pode andar à vontade, anda à vontade. Quem tem medo não se chega ao pé, protege-se, e não anda para aí a fazer queixinhas.
Imagem de perfil

De Jose Miguel Roque Martins a 19.11.2020 às 13:46

Também eu considero que os mecanismos de protecção e as medidas  existentes são ineficazes. 
Nesse caso, a única prevenção para não se apanhar é pura e simplesmente não nos cruzarmos com infectados. 
Nesse caso, como todos querem partilhar o espaço publico, quem deve ter prevalência: aqueles que acham que tudo isto é um disparate ou aqueles que acham que as medidas de andar ao pe coxinho devem ser impostas? 
Sem imagem de perfil

De Rui Fonseca a 19.11.2020 às 14:01

No mesmo tópico de discussão e cenário hipotético, o que fazer quando quem não considerasse o virus perigoso se infectasse e precisasse de cuidados hospitalares? Deveria manter a sua convicção inicial e não os procurar? Deveria (neste caso hipotético ressalvo) o internamento a quem não tomou precauções ser negado? 
Imagem de perfil

De Jose Miguel Roque Martins a 19.11.2020 às 14:09

Obviamente que deveria procurar cuidados médicos. 
Mas qualquer solução, em termos práticos e não apenas filosóficos, teria que passar por uma divisão em dois grupos. Os confinados e os livres. Havendo até eventualmente alguns horários reservados para cada um dos grupos. 
No caso de alguém que tenha sido escolhido ser livre estar infectado, só teria direito a cuidados hospitalares caso não tirasse lugar a um confinado. A liberdade tem sempre um preço. 
Sem imagem de perfil

De Carlos Sousa a 19.11.2020 às 15:05

Deixemos os cenários hipotéticos e vejamos um caso real.
Sou doente cardíaco, tinha uma consulta marcada para Agosto,  foi adiada para dezembro, tornou a ser adiada para Março de 2021. Agora diga lá, preciso de cuidados hospitalares, acha que tenho de esperar que aqueles que tomaram precauções sejam atendidos, ou tenho que dizer ao cardiologista para não atender doentes covid?
E se eu entretanto morrer, acha que é por eu achar isto tudo uma pimpinada? Ou é porque isto é mesmo tudo uma pimpinada?
Veja na net, houve anos em que a gripe matou mais de 5000 pessoas, e não houve este exagero de medidas.
Imagem de perfil

De Jose Miguel Roque Martins a 19.11.2020 às 15:33

Infelizmente acho que tem toda a razão. A decisão foi apenas para fazer de conta que se protegiam uns. E nem se deu a escolha á população ou , dentro da população, quem pensa que , cuidados sim, histeria não! 
Sem imagem de perfil

De Carlos Sousa a 19.11.2020 às 14:12

O problema é que aqueles que querem andar ao pé coxinho utilizam este circo mediático para fazer dos outros, palhaços. 
Imagem de perfil

De Jose Miguel Roque Martins a 19.11.2020 às 14:21

Infelizmente tem razão, já que só a malta do pé coxinho é que tem direitos. Esse é o nosso grande drama. Sobretudo quando se gosta de andar com mais normalidade
Imagem de perfil

De Jose Miguel Roque Martins a 19.11.2020 às 16:24

Infelizmente no seu caso ( e no meu) tivemos custos importantes com o que tem acontecido. O que ainda é mais irritante quando as medidas que se aplicam são tão pouco convincentes em termos de eficácia. 
Apesar de existirem outras perspectivas ( que não as nossas) igualmente respeitáveis, o que está irremediavelmente mal e de lamentar é que apenas uma versão tenha prevalecido : o Covid primeiro. E foi por isso que tantos foram mais impactos do que seria necessário. Tudo isto é por isso um desastre. 



Imagem de perfil

De Lobos disfarçados de cordeiros a 19.11.2020 às 15:02

O que disse não tem a ver com "Uma nova exploração do homem pelo homem" pois estamos a falar de uma doença, a COVID-19. Podemos discordar de algumas medidas tomadas, mas daí a ser uma "Uma nova exploração do homem pelo homem", vai uma grande diferença.

Inicialmente não se sabia bem o que isto ia dar e deram prioridade aos casos de COVID em relação a outras doenças, mas penso que agora não é assim.

Disse: (...) a percepção do valor de cada vida, em abstracto, é pessoal. Não concordo, o valor da vida é universal.

Queria que cada um vivesse como considera adequado. Isso seria um Estado sem lei, uma selva. Sim o Estado decidiu por nós, é assim numa democracia representativa, só nos referendos é que decidimos directamente. E não parece que tenha decidido mal, se formos a ver vários países decidiram o mesmo.

Neste caso da COVID é impossível não sermos de alguma forma prejudicados, mas há medidas para atenuar isso.

Mas tem razão, há uma exploração do homem pelo homem, penso que sempre houve. Há os que se aproveitam da pouca cultura do povo e do facto de gostar de "circo".

Também esta frase: "O que temos é mais do mesmo. A preservação dos direitos dos instalados. O aumento do numero e do sofrimento dos que ficam fora do sistema, desempregados, falidos e esquecidos.", aplica-se a outros casos. E estes últimos são alguns dos que os media ignoram. E sobre isso já comentei no seu post "A cultura e a tourada", mas ignorou-o. Como saberá na prática só existe o que sai na comunicação social e eles fazem "filtragens".
Imagem de perfil

De Jose Miguel Roque Martins a 19.11.2020 às 15:09

A exploração do Homem pelo Homem vem exactamente da exploração das minorias pelas maiorias. A maioria dos instalados ( que coincide, neste caso com quem é menos afectado pelas medidas estabelecidas) é pretensamente protegida. Os outros pagam a conta. Daí a exploração do homem pelo Homem. 
Acabei de ver alguma informação na reunião do Infarmed que contraria as convicções transmitidas pelos media mas também pela DGS nos últimos meses. Reforçando os lamentáveis sacrifícios impostos apenas por ignorância e palpite! 
revoltante. 
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.11.2020 às 16:57

"Quem diria que a exploração do Homem pelo Homem, fosse um apanágio de um governo Socialista?"

Não foi sempre assim no socialismo? o Estado a explorar o Homem?
Imagem de perfil

De Jose Miguel Roque Martins a 19.11.2020 às 17:41

Alvez tenha razão....
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.11.2020 às 22:07

Socialistas e comunistas sempre confinaram "a bem da sociedade" sem se preocuparem com as dezenas de milhões de vítimas que provocam. A forma como estão a gerir a pseudo-pandemia é, por enquanto, uma versão soft dos gulags soviéticos. Mas a hard vem a caminho. Sempre pelo povo e com o povo.


  

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Vasco Silveira

    ..." temos 3 instituições: as forças armadas, os b...

  • Anónimo

    Pois! Isso foi notícia. Mas é claro, indignnações ...

  • Jose Miguel Roque Martins

     O problema é parecer ou  querer serem p...

  • Anónimo

    Os militares não actuam de livre vontade. Tem que ...

  • Anónimo

    Brilhante artigo. Mais um crme da responsabilidade...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2008
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2007
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2006
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D