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Uma medida visionária

por José Mendonça da Cruz, em 08.04.22

O governo socialista pretende aplicar um novo imposto às empresas com «lucro excessivo». O «lucro excessivo» será aquilo que os socialistas entenderem. Ainda que não tivesse sofrido uma derrota esmagadora, o PSD de Rui Rio concordaria. Esmagadoramente derrotado, também concorda.

Esta medida -- este imposto mais -- é adequada, importante e popular.

É adequada porque é genuinamente socialista.

É importante por ser uma nova e convincente forma de acentuar a descapitalização das empresas portuguesas, e desincentivar a capitalização. É importante, ainda, como travão enfático ao investimento estrangeiro.

É popular porque, nas suas enormes e comprovadas inteligência e sabedoria, o povo que vota maioritariamente socialista e se reconhece nas suas medidas, pode desabafar nos cafés: «É assim mesmo, nós aqui a empobrecer e esses gajos das empresas a ganharem rios de dinheiro!»

Visionários, todos!



8 comentários

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De balio a 08.04.2022 às 17:27


O "lucro excessivo" é uma coisa que na economia neoclássica se chama "renda".
Já David Ricardo - célebre economista inglês de ascendência judaica-portuguesa - se queixava das rendas excessivas obtidas pelos proprietários das melhores terras agrícolas.
No tempo atual pode estar-se a verificar um fenómenos semelhante com as empresas petrolíferas (e eventualmente outras), que vêem o preço do petróleo subir muito e com isso obtêm um enorme lucro, sem que tenham feito nada para isso.
É um fenómeno muito similar àquele de que Ricardo se queixava.
De onde se vê que a economia clássica já prenunciava o socialismo...
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De José Mendonça da Cruz a 08.04.2022 às 19:43

Sim, eu também sou grande admirador desse ambiente de livre-comércio de que falava Ricardo. É exatamente o que se passa com as gasolineiras em Portugal e, em geral,  no domínio da energia.
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De António a 09.04.2022 às 15:28


(No tempo atual pode estar-se a verificar um fenómenos semelhante com as empresas petrolíferas (e eventualmente outras), que vêem o preço do petróleo subir muito e com isso obtêm um enorme lucro, sem que tenham feito nada para isso.)

Certamente que nessas (eventualmente outras) também estará incluído o Ministério das Finanças, que se limita a sentir a entrada do dinheiro a subir, na medida que as cobranças são percentuais?
Será que ao Ministério das Finanças, também será justo a aplicação desse imposto?
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De balio a 10.04.2022 às 17:52

Possivelmente sim.
Mas nem tudo é somente justiça neste mundo. Temos também que considerar as necessidades práticas. O Estado está muito endividado. E quem diz o Estado, diz os contribuintes. Será talvez mais adequado que a dívida seja paga por quem anda de automóvel, do que por toda a gente.
Talvez.
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De passante a 09.04.2022 às 00:56

Chalaça #453: "Sob o capitalismo, temos a exploração do homem pelo homem; no socialismo, vice-versa".
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De balio a 11.04.2022 às 12:05

Não é "vice-versa", é "é exatamente o contrário".
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De Vasco Silveira a 10.04.2022 às 17:11

Caro Senhor 
São de facto tristes os tempos que vivemos, tempos da "Segunda Vinda" de yeats:
Marés sujas de sangue em toda parte
Os ritos da inocência sufocados.
Os melhores sem suas convicções,
Os piores com as mais fortes paixões.


 mas lembremo-nos do que se lhe segue:
É certo, está perto a revelação;
É certo, está perto a Segunda Vinda.


 que é o mais importante. 
Ou então noutro registo, do nosso Fernado Pessoa, no" Nevoeiro" apesar de começar desta forma: 

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.


acaba assim:
É a hora!



Cumprimentos, que desejariam ser beijos de esperança...


Vasco Silveira
 
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De Anónimo a 11.04.2022 às 11:30

acontece que deveriam fazer como o  dr. Salazar, o defensor dos interesses do povo face aos oportunistas  : definir uma taxa de lucro como ele fazia ( 35% )....e acabava-se a festa.

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