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Uma má democracia é melhor que qualquer ditadura

por Jose Miguel Roque Martins, em 24.09.20

No Ocidente as democracias abanam. Por muitas razões. A fraqueza do sistema manifesta-se, também, pela falta de rumo consistente que a volátil vontade popular impõe aos políticos, obrigados a agradar ás populações que votam. A atabalhoada e desproporcionada resposta ao Covid parece-me um exemplo do que acontece quando os poderes públicos não passam de uma caixa de ressonância de sentimentos, impulsos e emoções pouco esclarecidas dos cidadãos.

Não, a democracia não é perfeita.

Mas quando olhamos para os Países esmagados por ditaduras lembramo-nos logo porque é o menos mau dos sistemas.

Hoje li no Guardian que, para controlar e “educar” a sua minoria muçulmana, a China já construiu 380 campos de concentração. Rede de "estabelecimentos" que continua a expandir. Entre muitos outros horrores sem nome que acontecem nesta e noutras autocracias. 

 

 

 


27 comentários

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De JPT a 24.09.2020 às 10:05

Já pensei decididamente assim (e ainda o creio, em teoria), mas, depois, cresci. O triste facto é que, se um regime não garantir a segurança dos cidadãos (física e patrimonial) ele é substituído. E é substituído porque não serve. As democracias liberais capitalistas anglo-saxónicas e escandinavas subsistem desde o Século XVIII, porque sempre conseguiram cumprir essa premissa, mas, por exemplo, as francesas e a primeira república alemã não o conseguiram - e já nem falo na Europa do Sul, Central e Oriental, ou nos demais continentes. Antes de mais, o que as pessoas querem é que os seus filhos tenham um vida segura, sem fome, com trabalho e sem violência. A justiça, as liberdades, os direitos sociais, tudo isso se torna relativo sem que esse essencial esteja garantido. A ditadura chinesa garante aos cidadãos "cumpridores", para lá da ordem e segurança que o país não conhecia há 150 anos,  um nível de vida que, há 40 anos, seria inimaginável, sendo que, relativamente aos uigures (por quem tenho toda a solidariedade) limita-se a repetir o processo de sinização que construiu o império. Se o dinheiro da Europa não viesse, e prosseguisse o regabofe das nossas elites, e com a  crise viesse o caos, com greves, carestias, tiros e bombas, num instante teríamos uma ditadura, e, durante duas gerações, nenhum português teria saudades da democracia, senão os descendentes dessas elites, e os fanáticos dos "amanhãs que cantam". Aconteceu há 94 anos, e, num mundo em que seja cada um por si pode, perfeitamente, acontecer outra vez.
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De Anónimo a 24.09.2020 às 14:59

Portanto, posso concluir: o que temos é apenas uma democracia  aparente, que só se vai mantendo presa por fios de arame, enquanto vier o dinheiro da Europa. É ele que vai segurando esta muito singular democracia de "regabofe das elites". Belo regime temos, então!
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De Jose Miguel Roque Martins a 24.09.2020 às 15:43

 A nossa democracia, o nosso regime é uma lastima. Mas preferível a um regime autocrático. No nosso caso ainda podemos ter esperança de mudar! 
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De Anónimo a 24.09.2020 às 16:31

Mas entretanto... pelo caminho, vão fazendo bastantes estragos.
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De Anónimo a 24.09.2020 às 15:44

É sua a conclusão de que a democracia é "aparente". É um regime como outro qualquer, uma construção jurídica para assegurar o exercício do poder pelas classes dominantes, viável enquanto assegurar o funcionamento viável da sociedade. A ideia que a democracia tem força para se sustentar, sem que a sociedade funcione - apenas por força da sua "superioridade moral" - é a meu ver, fruto de ingenuidade ou de falta de estudo da história (ou, claro, fruto do cinismo que é essencial para quem pratica a política em democracia). Conclui bem quando entende que a minha opinião que, sem dinheiro, a democracia ruiria em  todo o lado, e, cá em Portugal, face ao absoluto descrédito e evidente venalidade da "classe política", cairia em menos de nada.
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De Anónimo a 24.09.2020 às 22:09

Digo "aparente" no sentido em que ela não é plena, genuína. Designamos o nosso regime como uma democracia  apenas por convenção, para facilitar a sua categorização segundo os padrões disponíveis onde ele pudesse ser "arrumado". Mas os critérios estão nos mínimos. Aí também concordo consigo, de facto a nossa democracia está desacreditada. Diz também que vivemos fragilmente, que ao mínimo sopro este edifício, ou esta construção, que é inconsistente, pode ruir e que tal se deve, em parte, à venalidade e mediocridade da classe política, mas eu acrescento: também à falta de  exigência, de apuramento, de vigilância e participação activa dos cidadãos, sem a qual não funcionam as democracias. Note que essa não comparência dos cidadãos são razões bastantes para que a "classe política" se sinta incólume e a pairar numa espécie de hiperestrato inatingível onde se coloca a salvo das atribulações e maçadas a que o escrutínio sempre as sujeitaria.
Em linguagem mais chã, vivem  protegidos, "na bolha"  e nós temos pactuado por omissão. Para não ir mais longe, veja como se têm tolerado os casos de corrupção. E é apenas 1 (um) exemplo. Quantos mais?

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