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Uma imprensa absurda

por henrique pereira dos santos, em 13.03.19

Há anos, ao sair de um hotel onde tinha ido ter uma reunião com o cozinheiro, deparo-me com um autocarro e mais de dez jornalistas (eu acho que eram bem mais, mas não quero exagerar), entre os quais um que conhecia bem lá de casa (uma das minhas filhas tirou um curso de comunicação social e cultura e, como é muito sociável, acabei por conhecer muitos dos seus colegas, de maneira geral, aliás, gente muito boa).

Pergunto-lhe o que se passa, era qualquer coisa da selecção e estavam todos ali, de plantão, à espera da saída de gente que lhes interessava. Espantado perguntei se eram precisos tantos, porque naturalmente iam todos ouvir a mesma coisa. Riu-se, explicou-me que já tinha tentado vezes sem conta que a coisa se resolvesse com um jornalista da LUSA para aquele tipo de situações, mas parece que não era possível.

Lembrei-me disto ao ler este artigo de opinião de Victor Reis no Observador, hoje.

E lembro-me frequentemente quando leio artigos de Fernando Leal da Costa, de maneira geral sobre saúde, de Nuno Crato, de Alexandre Homem Cristo e de mais alguns: é que consigo mais informação sobre a realidade das coisas sobre que falam, com exemplos concretos, com estudos, com conhecimento da realidade, isto é, informação jornalísticas pura e dura, que lendo a generalidade das notícias dos jornais em que jornalistas, sentados na sua secretária, ou de plantão em frente a um autocarro, se limitam a ouvir uns e outros, com um bocado de sorte o contraditório é bem feito, mas a enorme realidade que está para lá do discurso mediático, continua ausente, ao contrário do que acontece nos artigos de opinião destas pessoas.

Eu sei que não é possível ter jornalistas com um conhecimento profundo de cada assunto sectorial, mas não há ninguém que pegue num artigo de opinião deste tipo e vá para o campo avaliar em que medida a realidade descrita é a realidade que se pode observar?

Vão-me responder com a falta de meios, e eu vou responder contando outra vez a história dos dez ou vinte jornalistas à porta de um hotel, à espera de ouvir o que um só poderia ouvir e distribuir pelos os outros.

Há falta de meios sim, é verdade, mas a opção sobre como se usam os escassos meios existentes é uma opção de quem dirige os jornais: se é para ouvirem duas deputadas proto-fascistas a fazerem queixa de um terceiro deputado por delito de opinião, mais valia deixarem-nas a falar sozinhas (de qualquer maneira os leitores estão-se nas tintas para 95% das opiniões dos agentes políticos) e aproveitar o tempo para ir visitar casas vazias de bairros sociais, o que lhes permitiria confrontar os decisores com o desfasamento entre o seu discurso e a realidade conhecida.

Para um reaccionário como eu, isso sim, seria uma imprensa útil, esta que temos parece-me, para além de grandemente inútil, completamente absurda.

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2 comentários

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De Anónimo a 13.03.2019 às 13:41

sou Pedreiro-livre
isto é um GULAG SOCIAL-FASCISTA
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 14.03.2019 às 09:30

...Mas os edifícios andam , nesta nova era, todos a cair a baixo. Abarracam! Até escolas plenas de crianças...
Os pedreiros, antigamente, eram pessoas com honra, com lisura profissional..., dignas, valorosas!

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