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Uma espécie de parábola

por João Távora, em 17.09.19

vaca.jpg

Foi já no século passado, quando em tempos trabelhei num conhecido hotel de Lisboa, que tive o privilégio de conhecer o Sr. Mendes*, beirão com um espírito imenso que exercia as funções de porteiro da noite. O Sr. Mendes tinha imigrado para Lisboa nos anos sessenta oriundo de uma terriola perto de Castelo Branco, e antes de ingressar nesse hotel como mandarete – o início da carreira de quase todos os hoteleiros na época - tivera uma curta passagem na mercearia dum tio, experiência que serviu para se ambientar às ameaças da buliçosa Lisboa, cidade que ao mesmo tempo fascinava e assustava o cândido rapaz de 16 anos. Entre outras histórias – o turno da noite num Hotel, entre o fecho de contas das secções e os primeiros checkouts da madrugada muitas vezes permitia alguma distensão – o Sr. Mendes contou-me a grande aventura que fora o primeiro dia de folga depois de chegar a Lisboa. Para tanto, em vez de ir ao cinema como lhe tinham aconselhado os colegas, planeou e cumpriu um programa para ele absolutamente inédito: passar o dia na praia. Assim fez. Comprou ao tio um cacho de bananas (uma fruta à época pouco acessível e por cujo sabor exótico se deixara seduzir), apanhou a camionete na Praça de Espanha e foi passar o dia à Costa da Caparica. Foi nessa jornada memorável que, contava ele, aprendeu o que era a dor dum escaldão épico e o dissabor duma brutal indigestão de bananas. Foi assim a modos que trágico o seu debute na capital madrasta, que segundo ele, terá originado no dia seguinte, uma das poucas faltas que deu ao trabalho ao longo da vida.
Recordo-me também de uma observação que o Sr. Mendes fazia quando, guloso e com água na boca, ao descobrir que o cozinheiro deixara preparados uns suculentos bifes para a ceia da equipa da noite: “Destes, Sr. Távora, antes de chegar a Lisboa, só os via a passar à porta da casa da minha mãe, a puxar uma carroça - passávamos muitas privações”.
Lembrei-me destas histórias hoje ao saber que a Cantina da Universidade de Coimbra irá deixar de incluir carne de vaca na ementa. Estamos entregues a imbecis. 

* Nome fictício



6 comentários

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De Anónimo a 17.09.2019 às 22:22

Ó homem, você também é sempre do contra, nada do que se faz ou diga está certo! É cansativo! Está a passar por alguma depressão? 
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De Anónimo a 17.09.2019 às 22:50

Um animal omnívoro só pode comer capim,qualquer dia.Uma alcofa ao pescoço cheia de palha e favas,para ir degustando ao longo do dia.
Manicómio.
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De Anonimus a 18.09.2019 às 10:43

Conheci algumas vacas na universidade. Bani-las da cantina parece um atentado aos direitos humanos. Animais. Animais.
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De Anónimo a 18.09.2019 às 12:36

Este andaço para pouparem a vida dos animais é devido a uma seita que apareceu agora aí...chamam-lhe PAN! (nem é carne nem é peixe).
A ordem é: pode-se abater gente á vontade, mas não, cães , vacas, anhos, carneiros, cobras, passarinhos, peixes etc. Ecologia. Salvar a Terra!
Até, quando há fogos, vão avaliar quantas pessoas morreram; e só dependendo do numero de pessoas é que se considera o incêndio grave ou não- segundo o Governo.
-Há que salvar a Terra!
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De Anónimo a 19.09.2019 às 09:34

E a malta bovina a deixar se ir docemente para o poço por estes ditadorzecos de meia tigela.
Beirão
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De Anónimo a 19.09.2019 às 22:31

Salva qualquer um com magros resultados no balanço final.Agarre-se ao clima,à desintoxicação machista,ao apoio lgbtietc.,às verduras contra as carnes,às energias renováveis,à luta contra a evaporação nas barragens,à alpercata contra o sapato animal,às uvas sem fungicidas,ao telefone de corda contra o smartefone,à calculadora de manivela,à alimentação e acarinhamento de todo o bicho na via pública,à água da fonte das ratas,aos fornos e fogões solares,e pode inventar mais items mas sempre de acordo com a brisa corrente.Faz um brilharete.

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