Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Uma derrota de Pirro

por henrique pereira dos santos, em 19.01.26

Menos de setecentos mil votos para o candidato apoiado por Montenegro é, evidentemente, uma derrota, e uma derrota pesada, mas é uma derrota de Pirro.

O poder em Portugal não está no Presidente, está nos governos e nas autarquias e é a partir desse facto que se pode dizer que Montenegro teve uma derrota de Pirro.

Há quem ache que a liderança da direita esteve em jogo nestas eleições, eu não entendo porquê.

Ventura teve um bom resultado, mais ou menos igual aos resultados que vem tendo em 2024, 2025 e 2026, e o facto de começar a campanha da segunda volta dizendo que Sócrates (que apoiou Gouveia e Melo) está de volta se Seguro for eleito, quando é meridianamente claro para a generalidade das pessoas que Seguro teve o resultado que teve contra o PS, e não com o apoio do PS, é bem ilustrativa da armadilha política em que está metido o Chega, perdido entre o medo de perder o importante eleitorado que hoje representa e a necessidade de ter o apoio de muito outro eleitorado que detesta o que o Chega hoje representa.

De resto, o campo político de Montenegro teve uns 38/ 39%, a soma dos três candidatos dessa área, contra 31% de Seguro e 25% de Ventura, ou seja, nada mau.

Do outro lado de Montenegro, a situação é ainda mais tranquila, Seguro é de esquerda mas está longe de ser o candidato da Esquerda, a ganhar as eleições será bem mais fiável como presidente que Marcelo, sobretudo o Marcelo dos santos últimos dias que tem passado o tempo a tentar minar o governo de Montenegro.

Ficamos a saber que os náufragos da política (Rio, Isaltino, Sócrates, Correia de Campos, etc.), mesmo apresentando-se atrás de um cartaz apresentável, conseguem fazer danos a terceiros, mas não conseguem verdadeiramente afectar de forma relevante o processo político.

Já agora, uma nota para a campanha rasca de Gouveia e Melo, cuja rasquice só teve algum paralelo com a rasquice da campanha de Cotrim.

Sobre Cotrim, a sua posição é magistralmente ilustrada pela sua declaração final: a responsabilidade é toda minha, mas a culpa é do Montenegro. Cotrim bem tenta retomar uma posição hegemónica no mundo do liberalismo, dando um novo fôlego a um conjunto de nulidades intelectuais que preferiu a quem tinha pensamento próprio nesse campo, mas suspeito que a coisa não lhe correu bem: à revelia do partido, frisando que era uma posição pessoal, Mário Amorim Lopes veio anunciar o apoio a Seguro, no que me parece o tiro de partida pelo controlo da Iniciativa Liberal no futuro.

Mário Amorim Lopes tem razão, entre um candidato anti-liberal (não institucionalista, estatista, com sérias dificuldades em relação ao Estado de direito, etc.) e um candidato socialista que é eleito contra o PS, institucionalista, respeitador das regras, etc., não há hesitação possível para um liberal, mas Cotrim, e os que o rodeiam, não consegue decidir-se quando não é ele o centro das atenções.

No dia 8 de Fevereiro tenho poucas dúvidas de que até André Ventura vai votar em Seguro (Ventura não tem interesse nenhum num cargo institucional vazio de poder, Ventura quer o poder, não quer a representação) e o resultado final destas eleições, do ponto do vista do poder, é bastante mais favorável a Montenegro que a situação anterior: um presidente confiável, com ideias claras sobre o que o separa das políticas do Governo e ideias ainda mais claras sobre os limites institucionais da sua actuação, um Chega perdido num labirinto estratégico que o leva a 25% dos votos, mas que tem dificuldade em transformar isso em poder real (seja no Governo, seja nas autarquias), um PS muitíssimo fragilizado, incluindo pela eleição de uma pessoa que a generalidade da elite do PS combateu activamente, e uma esquerda rendida ao pragmatismo de votar em quem detesta, no seu combate anacrónico ao moinho de vento da Direita.

Montenegro teve uma derrota pesada?

Sim, teve, e daí?


31 comentários

Sem imagem de perfil

De Fialho, José a 19.01.2026 às 18:05

A propósito da hipótese que levanta de o próprio Ventura votar em Seguro, ocorreu-me o seguinte: Será que o Chega aguentaria 5 anos com uma figura de segunda linha na liderança se Ventura fosse eleito?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.01.2026 às 20:34

Se Ventura algum dia for eleito para algo mais que Presidente de Câmara talvez não se vá o Ventura mas o Chega vai á vida de certeza.


A situação do Chega é muito semelhante á do Bloco de Esquerda com o Louçã; quando este foi o Bloco nem com Flotilhas
Sem imagem de perfil

De Cesar a 19.01.2026 às 22:03

Fiquei divertidíssimo a ler este chorrilho de disparates, lavar mais branco uma copiosa derrota do Dr Montenegro e, last but not least, o Ventura Derangement syndrome (doença que ataca fortemente em Portugal com ataca nos USA, substituindo Ventura por Trump) que leva a pérolas como " um candidato anti-liberal (....)com sérias dificuldades em relação ao Estado de direito, etc." E " No dia 8 de Fevereiro tenho poucas dúvidas de que até André Ventura vai votar em Seguro...".
Um conselho e este é de borla: dedique-se à arquitetura paisagística que penso ser a sua área, na qual, presumo, seja alguém muito competente na matéria. De contrário, arrisca-se a comentários sobre política que envergonhariam uma criança do secundário. Boa sorte.

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.01.2026 às 02:52

Como o autor do post gosta de de ler o Público, deve ter visto uma crónica que concluía que o Ventura só ganharia uma eleição se concorresse contra si próprio.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.01.2026 às 13:38

A asneira e um direito Constitucional. 


Qualquer um pode asneirar livremente
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.01.2026 às 12:05


Mário Amorim Lopes veio anunciar o apoio a Seguro, no que me parece o tiro de partida pelo controlo da Iniciativa Liberal no futuro



Entretanto Rodrigo Saraiva e Carlos Guimarães Pinto já fizeram o mesmo que Mário Amorim Lopes.
Das duas uma, ou Mário Amorim Lopes não disparou tiro de partida nenhum, ou então disparou e conta já com dois apoiantes de peso na sua corrida.
Inclino-me mais para a primeira hipótese.

Comentar post


Pág. 2/2



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com



Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Parecem coisas e mundos de Planos diferentes e irr...

  • Anónimo

    Está a tornar-seOs mecanismos de educação dos sist...

  • Anónimo

    Os países em que o mercado livre funciona sem amar...

  • Anónimo

    Parece-me, ninguém terá dúvidas, em rotular a habi...

  • Anónimo

    A IA marxista ??


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2026
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2025
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2024
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2023
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2022
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2021
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2020
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2019
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2018
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2017
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2016
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2015
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2014
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2013
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2012
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2011
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2010
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D
    222. 2009
    223. J
    224. F
    225. M
    226. A
    227. M
    228. J
    229. J
    230. A
    231. S
    232. O
    233. N
    234. D
    235. 2008
    236. J
    237. F
    238. M
    239. A
    240. M
    241. J
    242. J
    243. A
    244. S
    245. O
    246. N
    247. D
    248. 2007
    249. J
    250. F
    251. M
    252. A
    253. M
    254. J
    255. J
    256. A
    257. S
    258. O
    259. N
    260. D
    261. 2006
    262. J
    263. F
    264. M
    265. A
    266. M
    267. J
    268. J
    269. A
    270. S
    271. O
    272. N
    273. D