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Todos os anos vejo as entradas para a Universidade em arquitectura paisagista.
Este ano foi assim:
Universidade; Entradas; Nota
Algarve; 9; 10,3
Évora; 2; 11,7
Porto; 30; 12,8
Vila Real; 5; 12
Lisboa; 14; 11,5
Nos últimos anos tem sido sempre assim, Porto enche todas as suas vagas à primeira, Lisboa e Algarve mais ou menos, Vila Real, e sobretudo Évora, é o mínimo dos mínimos.
Há com certeza razões gerais (há mais gente a querer estudar no Porto, até por razões de proximidade, que em Évora), mas há também com certeza razões que se prendem com as opções de gestão associadas a cada uma das escolas.
Faço já uma declaração de interesses: Évora é a escola onde estudei, o Porto é onde vou mais vezes dar uma ou duas aulas num ano (houve um ano em que substituí uma colega minha na sua sabática), a Lisboa vou mais irregularmente dar uma aula de vez em quando, tal como a Vila Real (de maneira geral, de borla).
A única (talvez esteja a ser injusto com Vila Real, mas não tenho informação suficiente), das que conheço melhor, que é uma verdadeira escola é a do Porto, e é também aquela em que o esforço de recrutar pessoas qualificadas foi maior, bem como o esforço de integração entre os diferentes professores (é a única em que vejo professores ir assistir a aulas de outros professores quando há um convidado pouco habitual, por exemplo).
Tanto quanto sei, foi uma opção da escola funcionar assim.
A minha pergunta é se os reitores das outras Universidades, que têm cursos sem capacidade de atração, têm algum incentivo para puxar pelas suas escolas e procurar reproduzir o que, aparentemente, funciona nas escolas que são atractivas.
Suspeito que não e que, por isso, não é de admirar que alguns cursos, de algumas escolas, continuem centrados no seu umbigo e sem a menor capacidade de se renovarem.
Em alguns casos, olhar para o conjunto do corpo docente dessas escolas é um exercício deveras deprimente, não tanto pelas pessoas em si, umas jóias de pessoas, de maneira geral, mas simplesmente porque há trinta anos que fazem a mesma coisa, da mesma maneira e sem ambição para fazer nada mais que isso.
E o problema é que podem fazer isso durante trinta anos, sem que nada de relevante perturbe a sua paz laboral.
A academia e eu não somos propriamente os melhores amigos do mundo, de maneira geral ignoramo-nos mutuamente, mas tenho encontrado na academia do melhor e do pior do país.
O que mais me incomoda é o facto da academia não distinguir, pelo menos tanto quanto devia, uns dos outros e, demasiadas vezes, manter uma estranha complacência para com a mediocridade mais evidente.
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