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Um programa que não gosta de audiências

por João Távora, em 16.09.22

eixo do mal.jpg

Ontem quando fazia um zapping inadvertidamente ao final da noite calhou-me ouvir uns minutos do Eixo do Mal, quando Clara Ferreira Alves, Daniel Oliveira, Luís Pedro Nunes e Pedro Marques Lopes peroravam alarvemente indignados com a atracção exercida pelos rituais da monarquia britânica nas “audiências” (o povo?) das televisões nacionais. Tudo isto a propósito das exéquias da rainha Isabel II que vêm sendo transmitidas em directo nos noticiários nacionais, um fenómeno absolutamente incompreensível para a superioridade “republicana” deste painel. O que mais me admirou foi a repulsa uníssona de que nem a Clara Ferreira Alves, a quem reconheço mais um dedo de testa e de bagagem cultural que os restantes, escapava. Chocou-me principalmente o Luís Pedro Nunes, que mal sabe falar. Mas o que mais me impressiona é o decadente espectáculo de autocomplacência daquele lamentável grupo de "comentadores", cúmplice na vacuidade e na insolência, que é o reflexo das elites com que se vai promovendo a mediocridade nacional. Dali foram certamente beber um copo a um bar chique, longe das malcheirosas “audiências” que tanto desprezam, e a gritar vivas à república. Ainda vão conseguir afastá-las de vez.



18 comentários

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De entulho a 16.09.2022 às 16:28

tive o desprazer de conhecer o lopes há cerca de 40 anos
alarvemente é demasiada delicadeza
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De Anonimo a 16.09.2022 às 16:44


Pessoalmente, nem o do Eusébio (isto é uma figura de estilo, não estou a comparar o Rei à Rainha), quanto mais o da Isabel II de Inglaterra (não, não é "a rainha"). Haverá quem goste... também há quem goste de BB, de parar na AE para ver os acidentes, cada um é como é. Não me arvoro de educador do povo. Alguma elite intelectual ambiciona sê-lo. Respeitam o povo, mas tal como aqueles benfeitores católicos que criticam, têm-no como algo inferior, que precisa de orientação.



Há um ponto que me parece mais ou menos acertado, a cobertura jornalística deste, e outros acontecimentos, excede tudo o que é aceitável, são horas a encher chouriços, analistas e comentadores vários, directos intermináveis, horas a falar sobre nada ou a repetir o que foi dito 4 minutos atrás. A TV ainda não se adaptou a isto do 24/7, e das audiências ansiosas por "notícias" mas com intervalo de atenção cada vez mais reduzido.
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De balio a 16.09.2022 às 16:54


Não é o programa que não gosta de audiências. É um programa que gosta de audiências diferentes.
A televisão é plural: transmite programas para diferentes audiências. Os miúdos vêem o Nodi, as mulheres a telenovela, os homens o futebol, e os velhinhos nos seus lares, e os doentes nos hospitais, vêem o funeral da rainha. Cada programa têm a sua audiência, e cada pessoa diz mal dos programas que os outros vêem.
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De Anónimo a 16.09.2022 às 22:58

A televisão é plural de acordo com os variados públicos. Sem dúvida e é assim que deve ser. Ninguém está a defender o contrário, Balio. O problema não é, portanto,  esse.
O problema do Eixo do Mal é que "tombam" todos para o mesmo lado. Ali não há a pluralidade que era suposto existir num programa com estas características, de debate, de confronto de opiniões e de ideias. Nada disso acontece. Reconhecia qualidades intelectuais à Clara Ferreira Alves e apreciava-lhe o espírito independente mas até ela perdeu o interesse e já não salva no programa. Estão sempre de acordo e praticamente repetem-se como eco uns dos outros. Também não há contraditório, ninguém se compromete, todos se instalaram num "cinzentismo" de uma previsibilidade confrangedora. Há anos que sou espectador assíduo, deste programa, ainda com o Alberto Pimenta, o Nuno Júdice, o .?.? Coimbra cujo 1ºnome não me recordo neste instante. Mas hoje parece-me que o Eixo do Mal perdeu a frescura e se tornou, ele mesmo, o reflexo da penúria deste país: é um programa que não entusiasma, pobre e desinteressante, diria quase indigente (de ideias). Tudo ali tem ar de fim de festa. (Mas confesso que pouco vejo para me poupar àquele homenzinho maleável e luzidio como um boneco de loiça, uma espécie de "faz-tudo" que é despachado a "comentar" a todo o lado como o arroz doce que vai a todas as mesas).
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De balio a 18.09.2022 às 09:57

Não vejo o Eixo de Mal, portanto não posso comentar sobre os seus méritos ou defeitos. O meu comentário foi sobre as audiências televisivas, não sobre o Eixo do Mal.
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De Anónimo a 18.09.2022 às 13:24

A queixar-se numa República que a maioria das pessoas são republicanas... Excepto na Internet onde os bloggers e trolls fãs de incesto estão sempre a postos para comentar. Viva a República!
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De Anónimo a 17.09.2022 às 08:09

"Os miúdos vêem o Nodi,
as mulheres a telenovela,
os homens o futebol.."
E cada sachadela sua minhoca.
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De mariam a 16.09.2022 às 18:53

Não sei como Balsemão tolera tamanha mediocridade durante tantos anos.
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De João Sousa a 17.09.2022 às 12:11

Se Balsemão tolerou que Nicolau Santos continuasse a dirigir o seu jornal de bandeira após aquele instar a que ouvíssemos Artur Baptista da Silva, porque não toleraria este painel escatológico? Para Balsemão, a Impresa não é um projecto de jornalismo - é um projecto de influência política.
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De Anónimo a 16.09.2022 às 19:55

Desta vez concordo com o "balio".
Num país cheínho de idosos, o mais cheínho da Europa,  são estes que marcam o compasso das audiências e estas são a única preocupação das televisões, porque são a única faixa etária que está ali todo o dia a olhar para aquilo.

Já no tempo do "covid" era a mesma coisa porque dirigido aos temores da mesma faixa etária, que dali não saía à espera de saber se ía sobreviver ou não.
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De Anónimo a 17.09.2022 às 11:37

Mas olhe que os programas não são escolhidos a dedo por causa das audiências serem maioritariamente de "velhinhos"... Exclua os idosos desse seu raciocínio, que a culpa das escolhas não é deles. Certamente eles não são o público-alvo de programas-lixo como o BB e outras zurrapas e salsifrés que servem aos restantes portugueses. Entre eles, já agora, o monocromático e um pouco decadente "Eixo do Mal" que já viu melhores dias... 
Se os programas são de baixa qualidade (subentende-se do seu comentário) é porque a mediocridade medra no país. Há programas em canal aberto feitos para um público-alvo específicoem geral têm como característica  comum serem consumidores  passivos,   pouco exigentes , com baixa literacia,  ausência de espírito crítico. Não porque sejam destituídos de raciocínio e de compreensão, mas porque são pessoas que contam os magros trocos dentro da carteira e "sobem que sobem, sobem a calçada" ao fim do dia e estão cansadas. Sublinhe-se que pertencem a uma faixa sociológica que corresponde a uma percentagem muito elevada da população portuguesa, infelizmente. São portanto estes  que marcam o compasso para atraírem as elevadas audiências.


E como isto anda tudo ligado  (como diz o outro) convém tirar daqui as devidas ilacções: o PS (que faz o seu trabalho de casa) também sabe que é aqui que está o "seu nicho" de audiências e consumidores (leia-se  eleitores  passivos,   pouco exigentes,   com baixa literacia,  ausência de espírito crítico  e demasiado cansados para pensarem). O PS sabe como "trabalhá-los" _ não deve ser difícil: o PS _ e depois eles dão as maiorias ao PS. Não é mau negócio... Convém pois, manterem-nos assim, nesta situação. (Elevador social??? Qual quê!) E deste modo perverso perpetuam o ciclo vicioso: dependentes, pobres e agradecidos. Sabem-na toda.. ah! pois!

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De Anónimo a 17.09.2022 às 15:43

É no dar que está o ganho!  Já dizia coisa parecida o velho guru das esquerdas, o avô Marx, que dar esmola é atrasar a revolução. Portanto, compre-se  a Paz na Terra entre os Homens e a Boa Vontade da CS (não vá ela lembrar-se de escrutinar o poder...) 


É caso para dizer do PS: cabecinhas pensadoras!... 
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De Rafael a 17.09.2022 às 01:20

Este episódio foi uma farsa. 

Eles tinham razão numa coisa: o tratamento comunicacional foi excessivo e acrítico. As suas observações é que foram longe demais. Aquelas longas filas de luto ninguém as encenou. É inveja má? Ignorância atroz? Não sei bem. Acham que a democracia só é possível aqui no burgo, na atmosfera das selfies e das contínuas ingerências do chefe de estado na vida do país. São pobres, tão pobres… God save the King - and our people, if possible!
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De Anónimo a 17.09.2022 às 22:09

Não conhecia.
Assim a distância parece não cumprirem quotas,uma senhora para nem sei quantos espermatófitos. Ninguém protestou talvez por serem cotas irremediáveis.
Josezinha.
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De Anónimo a 18.09.2022 às 13:23

Ainda existe gente com o nome "Távora" nos dias de hoje? Se gosta de monarquia, pode sempre emigrar para o Reino Unido. Lá não há república... ou marquês de Pombal.
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De Anónimo a 18.09.2022 às 16:03

Simples boçalidade , por muito "air du temps"  que lhe apliquem...
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De pitosga a 19.09.2022 às 10:39

Segundo o notável e seguro linguista Maomé Baila Bá a bosta estará por todo o lado: no povo e nas TVs que ele paga.

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