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Ao ler esta frase de Vítor Bento (por quem tenho um respeito e admiração inquestionáveis): "Eu ainda hoje não sei se havia investidores privados", não pude deixar de fazer logo esta pergunta: Mas como é que havia investidores privados para um banco que de repente tinha 3,6 mil milhões de prejuízos e tinha um rácio de capital de 5% abaixo do mínimo legal. Como é que o banco voltaria à vida sem um aumento de capital para aí de 7 mil milhões de euros?
É que sem a Resolução teríamos um banco com imparidades acima de 4 mil milhões de euros, uma participação maioritária num banco em Angola falido e a precisar de capitais. Uma série de bancos por esse mundo fora falidos e com litigâncias (por exemplo Miami). Quem é que ia comprar o BES nessas circunstâncias?
Infelizmente a gestão de Ricardo Salgado e dívida galopante contraída pelo Grupo familiar que sustentava o BES estava disseminada por todos os bancos do Grupo.O Grupo BES (o que inclui os bancos dos BES, já sem contar com os bancos da Suíça e Dubai que eram da ESFG) era um queijo suíço. Assumir aquele banco por inteiro representava pôr mais dinheiro do que aquele que estava disponível na linha da troika para ajudar bancos.
Ia ser impossível uma solução totalmente privada para o BES. Se já assim é difícil vender o Novo Banco, imaginem o BES!
O que Vítor Bento esperava e todos preferiam era uma solução mista, entre investidores privados e linha de capitalização sob a forma de Coco´s. Se o Estado assumisse todo o risco talvez houvesse um privado a alinhar na aventura. Mas isso era um enorme risco para o Estado, porque a probabilidade de o banco não pagar ao Estado ia ser enorme e acabaria numa nacionalização.
P.S. Fui alertada para o contexto da frase. O contexto é este: Vítor Bento disse «Nós não dissemos que não haveria investidores privados interessados porque, em rigor, eu ainda hoje não sei se haveria ou não. Não tive tempo de averiguar. Só sei que nunca disse que não havia».
Está reposta a semântica :)
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