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Um Mundo melhor

por José Mendonça da Cruz, em 19.02.21

Space este.jpgUm lançamento nocturno do Space-Shuttle. A foto não é minha. As que tirei, com uma coisa a que se chamava máquina fotográfica, perdi-lhes o paradeiro.

Gostei de ver a alegria reinante e as palmas na sala de comando da missão da Nasa a Marte quando a sonda Perseverance aterrou no planeta, ao fim de «7 minutos de terror». Sete minutos de terror, de facto, após os milhões de dólares investidos, os anos de investigação e invenção, os meses de viagem para atingir o objectivo. Sete longos minutos decisivos. Alegria e palmas merecidas para um bando de valentes, para gente com visão mais larga, como se pertencessem a outro século e a outro mundo melhor, de investigação, ambição, risco, sonho -- de futuro, em resumo.

Em Outubro de 2002 tive a sorte e a oportunidade de assistir de perto a um episódio deste tipo de descobrimentos. Ao fim de um dia de trabalho, o organizador de uma reunião internacional em Orlando, na Florida, veio comunicar aos presentes que quem quisesse ir ver a partida do Space Shuttle só tinha que dar o nome e ir. Lá fomos, um grupo heterogéneo e internacional de 7 curiosos (7, como os tripulantes da nave). O lançamento era às 22 horas -- «10:00 PM», aliás --, a carrinha partiria às 19 horas -- «7:00 PM», aliás.

Com estrito cumprimento dos limites de velocidade, os 90 km até Titusville foram cumpridos em hora e meia. Titusville fica a cerca de 40 km de Cabo Canaveral por estrada, mas em linha recta serão apenas 25. E a linha de visão é aberta, porque entre um local e outro há apenas terra plana e braços de mar. Via-se ao longe a nave iluminada, e o ambiente era de festa, de alegria e entusiasmo perceptíveis. Autocaravanas e tendas por todo o lado, e fartura de «six-packs» da loja de conveniência convenientemente próxima. Para nos integrarmos, comprámos um.

O primeiro momento emocionante chegou aos 10 segundos para as 22, quando, seguindo o rádio de alguém, toda a multidão começou a entoar bem alto a contagem decrescente: 9...8...7...6...5... E de súbito ficou dia. Dia claro como o sol quando os foguetes acenderam e aquele cone enorme começou a elevar-se no ar. E segundos depois, chegaram-nos as ondas de som. Uma vaga de som grave, reverberante, que entrava pelos ouvidos e os ossos, que abanava tudo, e nos abanava e punha a tremer enquanto o Space Shuttle, na sua massiva elegância fusiforme, ia subindo sobre um jacto enorme de fogo e fumo. Foi então que pensei nas 7 pessoas lá dentro da nave, no topo do monstro. E comoveu-me a certeza de que não eram só valentes, eram gente com outros corações e outras cabeças, descobridores, poetas destemidos.

Foi a coisa mais emocionante e esperançosa a que tive a sorte de assistir. Ainda bem que perseveram.



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