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Um jardim no Terreiro do Paço

por henrique pereira dos santos, em 22.09.23

Fico sempre surpreendido com a facilidade com que alguém lê que se defende um jardim no Terreiro do Paço quando se defende que seja realmente um espaço público, usado pelas pessoas comuns, em vez de ter quatro hectares de espaço de circulação desperdiçado em abstracções assentes num hipotético valor simbólico.

Aquilo é, e sempre foi, um terreiro, tal como o Rossio é e sempre foi um rossio.

É um terreiro que deixou de ser as traseiras da cidade quando D. Manuel mandou fazer o Paço da Ribeira (da ribeira das Naus, à ilharga de um estaleiro ou arsenal, como lhe queiram chamar, uma espécie de Lisnave da época, para se ter melhor a ideia do valor simbólico que esteve na sua génese), tal como a zona oriental de Lisboa deixou de ser a margem operária e fabril que foi até há uns trinta anos atrás.

Mas continuou a ser um terreiro, mal frequentado, sujo, dinâmico, perigoso, que o poder usava, porque tinha espaço livre, para autos de fé, cortejos nupciais reais e outras celebrações colectivas e tão perigoso que foi mesmo aí que foi assassinado D. Carlos, porque esse terreiro não era o silêncio e a ordem hierática que querem fazer dele, pelo contrário, quando a cidade lhe virou costas, voltou a ser um mero parque de estacionamento nas traseiras de Lisboa.

Sim, o Marquês de Pombal, um déspota corrupto, tentou fazer do terreiro um símbolo do seu poder (por interposto D. José), aproveitando o terramoto de 1755 para reconstruir e reforçar o centro de poder de acordo com o seu programa político, até lhe passou a chamar Praça do Comércio, mas aquilo continuou a ser o que sempre foi, o Terreiro do Paço, onde tudo o que chegava do império passava, fossem mercadorias, pessoas, ideias, de forma caótica e indomável.

A opção saloia de dar dignidade ao espaço, considerando que as fachadas do edifício e o valor simbólico definem o Terreiro do Paço, portanto tudo o resto deve ser arredado para não prejudicar a leitura do espaço - mas qual leitura, senhores? As pessoas usam quartos, salas, jardins, ruas, praças, rios, matas, por razões bem mais fortes que a facilidade de leitura dos limites que definem esses espaços - transformou aquilo numa ruína funcional, um espaço de circulação inóspito e inabitável.

Quando a propósito desta opinião se diz que se quer fazer um jardim no Terreiro do Paço, fico sem saber o que dizer, mas talvez me seja útil usar alguns exemplos.

Quando o poder decidiu que a envolvente da Torre de Belém precisava de ser requalificada (ver a fotografia, dos anos 50, para perceber bem porquê), Cotinelli Telmo desenhou uma proposta, que incluía uma alameda ladeada de estatuária dedicada aos heróis dos descobrimentos, ou seja, achou que o valor simbólico e a qualidade arquitéctónica da Torre de Belém deveriam presidir à intervenção.

torre de belém.jpg

Felizmente Viana Barreto, o mesmo Viana Barreto que é o principal projectista do jardim da Gulbenkian tinha outras ideias para o espaço que, respeitando integralmente a Torre de Belém, não o sacrificasse a ideias retrógadas de necessidade de afirmação do poder, mas o devolvesse às pessoas comuns, quotidianamente, do que resultou o que lá está.

Se alguém quiser comparar, é dar um saltinho à Praça do Império, ou lá como se chama aquela porcaria que está entre os Jerónimos e o Padrão dos Descobrimentos, que periodicamente volta à discussão, sem que seja possível tornar socialmente forte uma ideia simples: aquilo não vale um caracol, não serve as pessoas comuns, não serve os Jerónimos, não serve o Centro Cultural de Belém, não serve os turistas, não serve nada que não seja a abstracção do valor simbólico, e outras patranhas semelhantes, e o que é preciso é devolver esse espaço ao quotidiano das pessoas comuns, redesenhando-o com esse objectivo.

Se Viana Barreto tivesse as mesmas ideias, a envolvente da sede da mais importante fundação portuguesa teria sido, provavelmente, desenhada para destacar o edifício e espelhar a dignidade da fundação, mas felizmente os tempos eram outros e o que a fundação queria não era propriamente esmagar os visitantes com a imponência da sua sede, mas que a sua sede fosse um espaço público vivo, o que a levou a optar (depois de um concurso) por uma solução em que edifício e jardim são uma e a mesma coisa, orientadas para o uso quotidiano e não uma manifestação de poder, glória e dignidade da fundação.

Por essa razão, a proposta que ganha o concurso tem uma escala humana e é desenhada para pessoas concretas, a partir do que já existia.

E, felizmente também, depois de ganho o concurso com o seu plano geral, Viana Barreto convida o seu amigo Ribeiro Telles, que entretanto tinha batido com a porta por causa do projecto da Avenida da Liberdade em que tinha estado envolvido com Caldeira Cabral, e que a opinião pública que chegava aos jornais tinha levado a Câmara a destruir na parte já executada, e a não executar na restante, com argumentos semelhantes a estes da dignidade dos espaços e coisas afins, o que permitiu juntar, pela única vez, que eu saiba, um mestre do espaço - Viana Barreto - e um mestre do desenho - Ribeiro Telles - num mesmo projecto, com os resultados conhecidos.

Pois nem com tantos exemplos - há mais, muito mais - dos malefícios da reverência às paredes ao ponto de sacrificar o serviço das pessoas comuns, se consegue ao menos discutir o uso do actual Terreiro do Paço numa base racional, sem que apareça imediatamente a ideia, que ninguém defende, de fazer um jardim no Terreiro do Paço.

Não, meus caros, Viana Barreto não repetiu a fórmula da Gulbenkian na envolvente da Torre de Belém, porque as funções, os programas, os objectivos, o enquadramento urbano são diferentes, portanto não vale a pena usar esse espantalho a propósito do Terreiro do Paço, o que se pretende não é um jardim no Terreiro do Paço, mas uma praça que lisboetas e não lisboetas possam usar com gosto e prazer.

Se teria árvores ou não é assunto a discutir no projecto, antes é preciso discutir o programa para aquele espaço e, para mim, o programa do valor simbólico, tal como foi entendido no actual Terreiro do Paço, é lixo: funcionalmente é um desastre, como valor simbólico é uma fraude, o Terreiro do Paço é um terreiro fronteiro ao que foi um dos maiores portos do mundo, não é, nunca foi, apesar das tentativas do poder para se apropriar do espaço escorraçando as pessoas, uma praça como a Praça de São Pedro, no Vaticano, essa sim, uma praça inteiramente dedicada à representação do poder.


34 comentários

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De jo a 22.09.2023 às 10:54

Em suma, o Terreiro do Paço, como todas as coisas, deve ser melhorado.
Mas isso é aplica-se a tudo, por si só não significa nada.
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De JPT a 22.09.2023 às 11:00

Respeitosamente, discordo. O Terreiro, vazio, é o eixo da iconografia de Lisboa desde há mais de 500 anos. Para lá ser essencial à continuidade da imagem histórica de Lisboa, essa vasto espaço vazio com o rio de frente inspira o observador, o que também tem a sua utilidade. E o mesmo sucede quando esse vazio de enche, nas manifestações, visitas papais, ou na passagem de ano, ou até à chegada dos cacilheiros. É útil e agradável passear à sombra, fazer piqueniques ou dar de comer às tartarugas, mas há mais coisas na vida. É uma "boutade" afirmar que o Terreiro são as "traseiras de Lisboa", quando é o ponto de fuga da sua imagem desde o século XVI. É verdade que há anos que não ponho lá os pés, e trabalho nos Restauradores, mas isso deve-se ao abastardamento da Baixa pelo turismo de massas, à fugas dos bancos, dos serviços públicos, do comércio local, trocados por ruas intransitáveis, lojas de souvenirs todas iguais, misteriosos multibancos amarelos, e restaurantes onde nenhum português com juízo põe os pés. Ainda assim, num domingo de manhãzinha, subir ao Arco da Rua Augusta e ver o Terreiro vazio, a enquadrar o rio, os barcos e a outra banda, é um prazer único, muito mais raro do que os que tiro das outras praças de Lisboa, e que só podia ser aumentado esvaziando ainda mais o Terreiro do Paço e tornando-o ainda mais "inútil".
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De henrique pereira dos santos a 22.09.2023 às 12:03

Boutade é falar de um vazio a propósito do Terreiro do Paço (basta olhar para as imagens dele antigas, incluindo as poucas anteriores ao terramoto).
Quanto ao facto de ser as traseiras de Lisboa até D. Manuel fazer o paço da Ribeira, parece-me uma questão factual, não tem nada de opinião.
Já considerá-lo como traseiras de Lisboa quando a sua função principal era a de ser um estacionamento, é uma questão de opinião, de facto.
Do seu comentário o mais relevante é que trabalha ao lado mas não vai lá há anos.
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De JPT a 22.09.2023 às 16:37

Não faltam imagens de Lisboa entre a construção do Paço da Ribeira e 1755 e o Terreiro (com outra configuração), é praticamente o único espaço vazio (que não é praia). Desde o Braun até ao panorama do Museu do Azulejo, por trás do muro que a separa do rio, diante do Paço, há um vasta praça de Estado. Se o critério para se ser as "traseiras de Lisboa" é estar fora da Muralha Fernandina e ter servido de parque de estacionamento, então os Restauradores também não se safam, pelo que o melhor será repor o Passeio Público. Nota final: se tirarmos as semanas seguintes ao desconfinamento da Covid, também há anos que não vou aos claustros dos Jerónimos, à Torre de Belém, ao Castelo de S. Jorge, à Pena, à Regaleira, a Monserrate e ao Palácio e Castelo de Sintra. E não é porque esses espaços precisem de ser remodelados para meu conforto, é porque tenho mais que fazer do que andar em molhadas de camones e gramar com filas de duas horas. Aliás, como é regra nas frases com "mas", o mais relevante na minha frase é o que vem a seguir, não o que vem antes.
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De henrique pereira dos santos a 22.09.2023 às 17:55

Sim, é um terreiro, não é um espaço vazio.
Como são todos os rossios (e este não é um rossio porque não existia, é um aterro à ilharga do porto).
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De JPT a 22.09.2023 às 18:29

Só uma nota. Percebo que no actual estado do Estado Português, em que somos fado, somos bacalhau, somos Ronaldo e somos representados pelo sujeito que o disse, seja difícil justificar a necessidade de um espaço público que simboliza o Poder (ao menos entre o Século XVI e o "é apenas fumaça"). E, admito, que, se calhar, um espaço desses nunca mais voltará a ser necessário (e, se calhar, ainda bem), mas, é assim tão lesivo deixá-lo estar com está, distante e majestático, como marca desses tempos e "portal" para os imaginarmos? Outros anacronismos, como a calçada portuguesa e os eléctricos e "elevadores", cuja subsistência só se explica pelo nosso subdesenvolvimento, são bem mais lesivos para o conforto prático dos lisboetas, mas a resistência à sua substituição prova que há mais na vida para lá do conforto prático (ficando para os mais práticos o argumento de que, tal como sucede com o Terreiro do Paço, os turistas adoram).
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De henrique pereira dos santos a 23.09.2023 às 06:52

Mas em que é tornar aquilo um espaço das pessoas conflitua com a sua dimensão simbólica?
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De Pedro a 23.09.2023 às 15:26

Colocar a calçada portuguesa (que na sua maioria, especialmente em ruas íngremes, é anacrónica e mesmo perigosa) na mesma frase negativa com os eléctricos e elevadores (que são sistemas de mobilidade amigas do ambiente e que podem bem ser alternativas aos pópos) é, como se diz na gíria bem lisboeta: meter o Rossio pela Betesga.
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De JPT a 24.09.2023 às 19:38

Quem escreveu isto, obviamente não faz ideia de que o Elevador da Glória, que é o único meio de transporte que liga os Restauradores/Rossio ao Bairro Alto/Chiado, circula com intervalos de 10 minutos, está frequentemente avariado ou em manutenção (semanas inteiras), e tirando de manhã cedo, tem uma fila de turistas que supera, largamente, a sua lotação, pelo quem ainda trabalha na zona (cada vez mais o género de pessoas que não interessa para nada a quem decide: pessoal de limpezas, vigilância e empregados da restauração) faz a Calçada da Glória a pé - o que não é fácil, mesmo para quem está em excelente forma. O mesmo, "grosso modo", se aplica aos eléctricos (os "clássicos", dos outros não falo, porque não uso), 12, 28 e 24. Às avarias regulares, e frequentes paralisações por incúria de automobilistas, juntam-se, no caso do 24, os horários ridículos (sai de 20 em 20 minutos, e partilha o seu trajecto com um autocarro que sai de 5 em 5) e, no caso do 28, os turistas (razão pela qual não tem horários ridículos), com filas de centenas de pessoas no Martim Moniz que tornam uma fantasia a sua utilização por quem ainda mora e trabalha em Lisboa. Se não fossem "chaços" arqueológicos, mas meios de transporte funcionais para quem deles precisa (cada vez menos, e menos eh... socialmente relevantes) não eram atracções turísticas, o que seria, naturalmente, uma grande chatice.
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De Pedro a 24.09.2023 às 20:57

Então a solução é acabar com os elevadores e eléctricos porque não têm manutenção nem horários adequados, ao invés de se melhorar a manutenção e adequar os horários. Está esclarecido.
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De JPT a 25.09.2023 às 09:21

Sim, é mesmo isso. São equipamentos obsoletos (em particular os funiculares) que passaram há muitas (muitas) décadas a data em que eram úteis para o fim para que foram adquiridos, que era suprir as necessidades de transporte dos lisboetas (que eram tantas que, o Elevador da Glória chegou a ter dois andares), e, em virtude desse desmazelo, tornaram-se relíquias para mostrar aos turistas. Não há  qualquer possibilidade de melhorar o seu desempenho. Mas, pronto, numa lógica de conversão do centro de Lisboa num parque temático, onde autocarros cheios pastam atrás de grupos de cicloturistas, e, em certas zonas, há mais "tuk-tuks" do que em Bangecoque e mais lojas de souvenirs do que habitantes, faz todo o sentido que existam.
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De urinator a 22.09.2023 às 11:16

neste país discute-se eternamente entre pessoas ou criando comissões  para passar a bola. hoje discutir-se-ia se a terra do túnel do Rossio devia ser colocada no Aterro, agora 25 de Julho; se o Porto de Lisboa teria a configuração actual; se devia desaparecer o caneiro de Alcântara.
o plinto do alto do Parque Eduardo VII espera desde os anos 50 pela estátua do Santo Condestável a pé ou a cavalo.
Duarte Pacheco criou a mata de Monsanto porque se marimbou em opiniões.
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De Anónimo a 22.09.2023 às 11:39

Decreto n.º 25/2023 de 2023-09-22 (https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto/25-2023-221937428) 

Classifica como bens de interesse nacional os edifícios da Reitoria, da Faculdade de Direito e da Faculdade de Letras, incluindo o património móvel integrado, e a Alameda da Universidade, sendo-lhes atribuída a designação de «monumento nacional»


Este sumário do DR atirado para o sapo pela Vida Económica esqueceu-se de dizer onde se situam os edifícios. Pois é. É em Lisboa, vejam lá. Quem diria. Mas nem poderia ser de outra maneira, porque Lisboa entende que o resto do país é "cú de Judas".

Infelizmente, o texto também só fala de Lisboa.

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De JPT a 22.09.2023 às 18:46

Bem apanhado. Centralistas E fascistas, a classificarem esses símbolos do Estado Novo. Um dia destes, ainda se lembram de classificar o Padrão dos Descobrimentos (em Lisboa).
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De Fernando Soares a 22.09.2023 às 12:07

por mim tudo bem , desde que lá ponham umas cagadeiras e uns mijatorios porque se não vai lá crescer nada
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De Anonimo a 22.09.2023 às 13:38


O "espaço público" dificilmente é um conceito unãnime.
Espaço verde, de passeio, de sentar e estar, de conviver, com "infraestruturas" (leia-se bares e esplanadas), espaço desportivo, estátuas e "equipamentos" culturais, um espaço para os cães andarem soltos...


O que se pretende para o Terreiro do Paço?
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De Anónimo a 22.09.2023 às 18:41

"...há uns trinta anos atrás." E insistem na asneira. Agonia!!!
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De henrique pereira dos santos a 23.09.2023 às 06:54

Qual é a asneira? O pleonasmo?
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De João Fradinho a 23.09.2023 às 02:26

uma dica: como afinal até ficou bem a piramide de vidro do louvre no meio de tanta imponência. De qualquer forma retirar a sua dimensão de vazio seria um erro.
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De V. a 25.09.2023 às 20:44

Um jardim com árvores no Terreiro do Paço é uma parvoíce-- e é uma saloíce também. O Terrero de Paço é um projecto Iluminista -pertence à era a racionalidade absoluta na arquitectura europeia- e um dos princípios que geria esse estilo é que todos os pontos da praça devem ser visíveis de qualquer outro ponto. Uma cidade é isto. Como tal, se quiserem ver couves, vão para a província ou para o Jardim sa Estrela.
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De henrique pereira dos santos a 26.09.2023 às 07:30

Estranho, estranho, é que esse princípio iluminista tenha logo sido contrariado por uma enorme estátua com um enorme plinto a bloquear vistas de muito lado.
Independentemente disso, o que acho que vale a pena discutir é se quatro hectares na zona mais nobre da cidade devem servir como protótipo de uma ideia qualquer de uma época qualquer, e espaço de circulação, ou devem servir as pessoas comuns.
Essa é a questão.
Já agora, o seu argumento implicaria que o castelo de Lisboa deveria ser exclusivamente uma instalação militar.
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De V. a 26.09.2023 às 11:59

Não, não implica — e não, a estátua não é um obstáculo. O Terreiro do Paço e toda a Baixa foi um projecto especial, e a ideia é que a praça seja o culminar de uma experiência intelectual que reflectia os valores (burgueses e aristocratas) da época. Vale o que vale, mas é um espaço coerente e tem relevância  histórica preservá-lo na sua ideia originai, até porque tirando Versalhes não há mais património deste género na Europa. É claro que hoje em dia com as sandes dos monhés, as boutiques de futebol e a turistada toda já não dá para grandes intelectualidades, mas ainda assim...

O meu raciocínio não é extensível ao Castelo, que não tem nada a ver (nem nada para ver) com o assunto e por mim podem fazer daquilo a mastaba que bem entenderem. Agora, o TdP não vejo motivo para ser alterado, porque qualquer outra solução (já foi um parque de estacionamento, e que jeitão dava) será sempre pior do que esta. Então um jardim é perfeitamente absurdo, com os mendigos (que cada vez são mais e qualquer dia sou eu também) a dormir nos bancos e meia dúzia de couves esquisitas atrás de uma sebe roscoffe e os pacotes de vinho no meio das plantas. Ou então faziam uns montinhos como está na moda agora e o jardim nem se via na mesma e iam para lá todos os patetas correr com os telemóveis amarrados ao ante-braço. Não obrigado. Já chega de "modernices", de imitar nova-iorque ou os holandeses ou lá que porra é. Deixem a porcaria do Terreiro do Paço em paz.


Cumprimentos.
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De henrique pereira dos santos a 26.09.2023 às 16:07

Versalhes é aquele sítio que tem uns jardins fantásticos que se fartam de cortar vistas para o palácio, não é?
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De V. a 26.09.2023 às 17:01

Sim, mas aí as árvores são parte da lógica! Uma praça urbana daquele género não tem "jardins". Talvez o melhor exemplo seja Fontainebleau e não Versailles, propriamente.
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De henrique pereira dos santos a 26.09.2023 às 17:33

Vai ver que ainda vai perceber o que escrevi: a lógica do Terreiro do Paço sempre foi ser o espaço de apoio a um porto que deixou de existir ali, nunca foi a de Fontainebleu ou Versalhes, independentemente da linguagem formal dos edifícios poder ser a mesma.
É essa a questão e é sobre essa questão que a discussão tem de ser feita, e não com fantasias sobre os princípios gerais do iluminismo aplicado à apropriação das cidades pelas pessoas comuns.
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De anónimo a 25.09.2023 às 23:51

E que tal umas palmeiras e uns imbondeiros na Praça de S. Marcos em Veneza?
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De henrique pereira dos santos a 26.09.2023 às 06:57

Resumindo, para si uma praça contida nos quatro lados por edifícios altos com ocupação vibrante ao nível do solo e setenta metros de largura é equivalente a uma praça de 150 metros de largura, aberta num dos lados, e sem outro uso que não seja de circulação, é isso?

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