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O melhor que podia acontecer era o Novo Banco ser comprado já por algum aventureiro que não se importasse de pagar à cabeça uns biliões sem saber o que o espera de aumento de capital a fazer depois dos testes de stress do BCE. O melhor era que algum dos três candidatos tivesse mais dinheiro que dívida e pudesse arriscar no Novo Banco.
O pior que podia acontecer era a venda ser adiada para depois de um aumento de capital imposto pelo BCE. Porque das duas uma, ou o potencial comprador compra imediatamente e põe ele o dinheiro no aumento de capital, abatendo esse investimento ao preço de compra (os tais que deixam um gap face aos 4,9 mil milhões iniciais), ou o Fundo de Resolução tem de ir ao aumento de capital aumentando o esforço para os bancos no imediato.
A situação a que chegou o ex-BES e todo o percurso que o banco percorreu desde a falência do Grupo Espírito Santo (e que é culpa dos que o geriam e não do Governo ou dos reguladores) está a deixar o Governador do Banco de Portugal sem grande saída, e deixa também o Governo, por contágio, numa situação muito complicada.
Há alguns erros de forma neste processo, há que admitir. Por exemplo, devia-se ter avançado para um leilão competitivo, negociando com os três candidatos ao mesmo tempo, para que não se criasse a ideia de um ranking de propostas que deixa o Banco de Portugal na situação de quem tem de vender à segunda ou à terceira escolha. Dá uma ideia de mal vendido, mesmo que na verdade não seja assim.
De resto não se percebe porque não se anteviu o problema da indefinição do aumento de capital. É normal que seja difícil oferecer um preço por um banco sem saber qual a dimensão do aumento de capital que vai surgir imediatamente a seguir. Na verdade, no essencial não há nada de novo aqui. O Banco de Portugal sempre soube que iam haver testes de stress e que daí iria surgir a necessidade de um aumento de capital.
Acredito também que as contas semestrais do Novo Banco não fossem surpresa para o Banco de Portugal. Os tais 7,9 mil milhões de euros de crédito em risco e a situação de novas imparidades que podem advir da carteira de crédito herdada do ex-BES, não são surpresa para o Banco de Portugal. Por isso este concurso não tem esse elemento de surpresa.
Mas a verdade é que o facto de os testes de stress poderem agravar as imparidades, num banco cujo core capital é de 9,4%, está a pesar muito nas negociações com os dois candidatos que foram chamados para negociações exclusivas. Um já desistiu e outro irá pelo mesmo caminho.
Resta a Apollo, que tem 14,5 mil milhões de euros para investir. Pode ser que um private equity salve a honra do convento. Pode ser. O Banco de Portugal teria a vantagem de poder dizer que vendeu o melhor possível porque os outros não quiseram e assim livrar-se de eventuais críticas.
Para os bancos portugueses este é o pior dos mundos. Estão num beco sem saída. Porque ou vendem o Novo Banco e perdem dinheiro com o negócio já. Ou vendem depois e um aumento de capital ainda agrava mais o gap face ao valor do capital do Novo Banco, se não forem mesmo chamados a recapitalizar o banco (uma vez mais) antes da venda.
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