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Em dias de tempestade verbal como esta, se me sobra algum respeito (ainda assim muito) reservo-o a brancos que falam em nome próprio, em defesa da sua identidade branca, como Maria de Fátima Bonifácio. Não me sinto obrigado a respeitar brancos que usurpam sentimentos, identidades, representatividades de terceiros. Não por uma birra qualquer, mas porque usurpar identidades alheias é profundamente imoral. A representatividade social existe para ser tomada a sério. Os homens não representam as mulheres; os idosos não representam os jovens; os ricos não representam os pobres; logo, os brancos não representam negros, ciganos ou quaisquer outros. (...)

(...) Há outro detalhe da loucura dos tempos. Ao longo de quatro séculos, negros das mais variadas origens, estatutos (as comunidades ancestrais africanas organizam-se por linhagens, isto é, desde a origem que marcam diferenças sociais), línguas, crenças, hábitos, tradições em África eram, depois, amalgamados nos países de destino da escravatura como se fossem todos iguais. Bastava serem negros para se reconverterem numa massa coletiva indistinta homogénea, para desaparecerem enquanto indivíduos e, com isso, dissolvia-se a singularidade e subjetividade que a condição humana acarreta. Por ironia, esse passado está hoje bem vivo pela ação do igualitarismo de esquerda.

(...) Mas é importante clarificar ainda outra questão. O que marca as sociedades ocidentais é o primado do indivíduo sobre o coletivo, sendo o inverso na tradição islâmica ou na tradição soviética. Isso para sublinhar que, no mundo ocidental, nunca serão os negros ou os ciganos enquanto coletivos a «subir na vida», mas todos os indivíduos de todas as pertenças raciais, e cada um por si. Negros, brancos, mestiços, pobres, remediados e todos os demais. É por serem assim que as sociedades ocidentais articulam, melhor do que muitas outras, mobilidade social com coesão social.

Por isso, é do caminho cultural da descoberta do indivíduo enquanto tal de que mais necessitam os segmentos que mais recentemente se vão integrando na tradição ocidental, as minorias. (...)

Gabriel Mithá Ribeiro a ler na integra aqui 



5 comentários

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De Anónimo a 10.07.2019 às 17:36

Ler o referido texto da historiadora Maria de Fátima Bonifácio, viu-se, não é para qualquer um. Simples.

Quem só consegue perceber "o outro", o da outra tribo etária, como quem "não é da minha praia", simplesmente não consegue perceber o texto da historiadora. Tudo bem.

Curiosamente muitas alminhas com idade para ter juízo entraram canhestramente na conversa dos miúdos. Tropeçaram e estatelaram-se em grande. Sinal dos tempos. Amanhã haverá mais.
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De Eremita a 10.07.2019 às 17:42

Um artigo de um fanático cheio de ressentimento. 
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De Anónimo a 10.07.2019 às 19:24

Este artigo é de extrema, ultra direita racista e xebnófoba
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 11.07.2019 às 11:05

1)A representação social, a defesa dos Direitos sociais, relaciona-se com o lugar ocupado na Pirâmide do Poder ( existe sempre uma minoria, que pelo uso do Poder, se faz valer mais que a maioria - "Quem é o 3'Estado? A maioria. O que tem o 3'Estado? Nada". Assim cabe a cada um de nós defender, delatar quem por falta de palavra não o pode fazer. ( Falar sobre, não em Nome de).


2) antes o igualitarsmo da Esquerda (todos iguais perante a Lei) que a tese, apregoada pela extrema Direita, serem uns mais iguais que outros, terem uns, em nome de um Passado histórico, mais Direitos que outros. O que a "Direita" pretende é em nome da Diferença ter o poder para tratar, considerar, discriminatoriamente, usando argumentos superficiais, antigos e colonialistas.


3) A marca das sociedades modernas ocidentais é o primado da Entidade Abstracta, denominada Mercados, sobre o Individuo. É o primado da Corporação, do Capital sobre o Trabalho, sobre os Direitos do Individuo ( como se ouve, não há Direitos, apenas Privilégios).
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De Anónimo a 11.07.2019 às 12:33


Não me parece que a Europa de há 80 anos tivesse o primado do indivíduo. Foi na Europa que teve origem a maior guerra que há memória e o maior genocídio de que há registos.
Se é ridículo julgar os europeus de hoje em função do que aconteceu à 50 anos, que dizer de atribuir qualidades e defeitos a grupos de pessoas a partir da avaliação de sociedades onde eles nem sequer viveram.

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