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Um assunto encerrado

por henrique pereira dos santos, em 15.09.21

Muito cedo, quando o governo de então anunciou o fim dos contratos de associação com boa parte das escolas envolvidas, Alexandra Leitão declarou o assunto encerrado.

Nessa altura, Alexandra Leitão explicou que uma turma em escolas estatais custava 54 mil euros (se tiver vinte alunos, significa 2 700 euros por aluno), ou seja, menos 26 500 euros (1 325 por aluno) que o que pagava o Estado por turma em contrato de associação, 80 500 euros (4 025 euros por aluno, numa turma de 20 alunos). Claro que Alexandra Leitão referiu uma condição para que fossem estes os valores: "quando há capacidade instalada".

Agora o Senhor Ministro da Educação vem informar que cada aluno custa ao Estado 6 200 euros (124 000 euros por turma de vinte alunos).

O assunto pode estar encerrado, mas a ideia de responsabilidade política e de avaliação política não está, pelo que seria normal haver jornalistas a querer perceber o mesmo que eu:

Alexandra Leitão aldrabou em 2016, e nesse caso executou uma política que implica um aumento de despesa do Estado e a destruição de comunidades educativas de sucesso com base numa mentira, por razões que nunca explicou?

Ou o Estado mais que duplicou a despesa por aluno em cinco anos, sem resultados conhecidos e sem base racional conhecida?

Em qualquer caso, o que seria normal era estarmos - cada um de nós, os partidos da oposição, os jornalistas, os sindicatos relevantes, a associação de directores escolares, as associações de ensino privado, etc. - agora a discutir o que se passou entre 2016 e 2021 para que os responsáveis pelo sector dêem informações tão díspares.

E, se não fosse pedir muito, a exigir que estas contas sobre o custo de políticas públicas fossem públicas e transparentes para não estarmos dependentes de afirmações, não verificáveis, dos responsáveis políticos.

Percebo a imediata reacção que compara os 6200 euros de que fala o ministro com as propinas das escolas privadas mais bem colocadas nos rankings, mas é pouco, muito pouco, o que faria sentido era mesmo reabrir o assunto dos contratos de associação para perceber realmente que responsabilidades políticas existem e se podem exigir a quem tomou decisões que, à luz do que diz o actual Ministro da Educação, lesaram gravemente o Estado do ponto de vista financeiro, e sacrificaram os interesses das pessoas envolvidas ou, pelo menos, contra o que elas acham que eram os seus interesses, em nome de um suposto bem comum que, como acontece frequentemente, afinal não existia.



3 comentários

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De balio a 15.09.2021 às 11:35


Há muitas possibilidades para explicar esta disparidade nos números que não envolvem qualquer aumento de custos entre 2011 e 2016.
Por exemplo, um número pode referir-se aos custos totais por aluno, incluindo o custo de funcionamento dos serviços centrais do Ministério, e outro número referir-se apenas aos custos diretos da escola. Ou então, um número pode referir-se ao custo médio por aluno em todos os graus de ensino, e outro número somente se referir a um grau de ensino específico.
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De Tiro ao Alvo a 15.09.2021 às 17:56

Como adivinhei, logo apareceu o balio a baralhar as contas, a dar a entender que a crítica não é justa, como parece.

A ministra Leitão não deu esclarecimentos sobre os custos que apresentou – ela só queria justificar a decisão política de acabar com escolas privadas.

O actual ministro também não esclareceu quais os custos considerados para o cálculo da despesa média, que o Estado despende por aluno – ele só queria dizer é que este governo tem feito um grande investimento na escola pública. Mas, como ele disse, o que verdadeiramente aumentou foi a despesa com o funcionamentos das escolas, sem resultados que se vejam, pelo contrário, para mal dos nossos jovens, sobretudo os provenientes das famílias mais carenciadas.

Mas para o balio, que morre de amores por estes governantes, estamos no bom caminho. Não é de admirar: ele fala de barriga cheia.




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De Anónimo a 16.09.2021 às 07:09

Os números não enganam:
https://observador.pt/opiniao/6200-euros-pressao-sobre-as-escolas-publicas/

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