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 Admito que possa parecer repetitivo mas vivia com esta curiosidade de saber se, efectivamente, e segundo o INE, o défice de 2015 teria sido mesmo de 2,98% do PIB, abaixo portanto das metas com que nos tínhamos comprometido em Bruxelas e fazendo-nos sair da zona do Procedimento por Défice Excessivo (PED). E achava estranho que a coisa não fosse falada e discutida.

 

Constança Cunha e Sá fez-me hoje a vontade no programa “21ª Hora”, na TVI24, aí entre as 21h42 e as 21h45.

 

Pena é que não tenha dito coisa com coisa perante uma Judite de Sousa que estava manifestamente a dormir ou a pensar desesperadamente em ir para casa descansar.

 

Aconselho o visionamento porque é uma delícia! Constança Cunha e Sá (CCS) começa o tema do seu comentário (sobre o assunto) pondo Assunção Cristas (AC) “a descer” por considerar uma “histeria” a forma como Cristas responsabilizava o actual Governo por se ter descoberto agora (foi o INE, acrescento eu…) que, em 2015, o défice ficou em 2,98% do PIB, ou seja, duas centésimas abaixo dos 3%.

 

CCS admitia que a “barreira” era “importante” mas considerava que fazer-se “um alarido por ficarmos abaixo por duas centésimas é ridículo” (não tendo explicado porquê).

 

CCS acrescentou que Assunção Cristas criticou o Governo socialista porque ele teria tratado mal toda a questão relativa ao Procedimento por Défice Excessivo (PED) mas, segundo CCS, não é por ficar duas centésimas abaixo que Portugal não incorre no PED como está ainda em discussão toda a matéria sobre as sanções por défice excessivo.

 

Terceiro ponto, adiantaria CCS, Assunção Cristas não criticava a Comissão Europeia por estar a pensar-se em sanções quando o défice ficou abaixo de 3%. De resto, concluía a iluminada CCS perante a sonolência da Judite de Sousa, o importante é que tudo indicava verificar-se uma tendência para que o défice para 2016 ficasse em 2,5% do PIB, pelo que o CDS não deveria estar a criticar nem a ressuscitar o défice de 2015: “parece-me uma trapalhada e Assunção Cristas tem que ter um mínimo de seriedade nestas coisas”, até porque haveria um problema com o buraco do BANIF (que não é chamado para estes cálculos, mas enfim…).

 

Parecia a CCS tudo escusado e acusou Assunção Cristas de se ter afastado do “essencial”, que seria a questão de apurar como pode a Comissão Europeia centrar-se nas sanções “por causa de umas décimas ou centésimas do défice”.

 

Ora bem…, eu tenho aqui tanta matéria-prima em bruto que nem sei por onde começar. Querida Constança: adulterando uma velha frase seguramente sua conhecida, por uma centésima se ganha, por uma se perde. E se for por duas a diferença fica mais acentuada. De forma que se o défice de 2005 foi de 2,98% do PIB, o importante, o “essencial” é que ele ficou abaixo da meta acordada: 3%.

 

Parece-lhe pouco e ridículo? – Mas é exactamente por estas margens que se vencem as competições! Era a “barreira importante” que era necessário vencer e ultrapassar.

Considera uma “histeria” e “um alarido” falar-se na conquista? – pois eu considero uma imbecilidade menorizar-se o feito dos portugueses, só porque a comunicação social e os comentadores não simpatizam com o anterior Governo.

Acha, Constança, que é mais importante a possibilidade (não demonstrada) de em 2016 o défice ficar em 2,5% do PIB do que saber-se que, em 2015, o défice ficou abaixo de 3%? Prefere duas pombas a voar?!?...

 

É claro, Constança, que não é por ficar duas centésimas abaixo do PIB que Portugal não incorre no PED, e que está ainda em discussão, na verdade, toda a matéria sobre as sanções por défice excessivo (até porque as contas e resultados foram ainda e apenas anunciadas pelo INE), mas se quer menorizar este resultado dos portugueses deveria preparar-se melhor e explicar a razão pela qual o faz. Até porque certamente pelo que acabo de dizer aqui é que Assunção Cristas não criticou a Comissão Europeia (para lá de que o CDS não faz parte daqueles partidos que se põem aqui aos berros contra a Comissão Europeia quando as coisas, calmamente faladas, obtêm melhores resultados).

 

Ademais, Constança, o seu raciocínio é incongruente e mostra-se em colisão com o que afirma: se o essencial é criticar a Comissão por se centrar em sanções apenas por uma ou duas centésimas de diferença, como pode criticar que se invoque que ficámos duas centésimas abaixo da meta estabelecida?!? Exactamente as duas centésimas em que se baseia para criticar a Comissão Europeia? Está a ver a estupidez, a irracionalidade dos seus raciocínios?

 

A meu ver, cara Constança Cunha e Sá, não é Assunção Cristas que navega numa “trapalhada” nem é ela que precisa de um “mínimo de seriedade”. Tem-se visto ao espelho?

 

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