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Tudo certo, como 2 e 2 são cinco

por henrique pereira dos santos, em 20.08.17

Em Outubro do ano passado uma petição promovida pela QUERCUS (mas que reflecte o que muitos conservacionistas pensam sobre o assunto), terminava assim:

"A Quercus apela a toda a comunidade para abraçar a causa da proteção dos Carvalhos e dos Carvalhais em Portugal para que se possa criar legislação que conduza à sua proteção efetiva e, que inclua a proibição do corte destas árvores sem licença expressa das autoridades competentes para o efeito, à semelhança do que já acontece para o sobreiro e para a azinheira."

A QUERCUS é a mesma organização que, em sede de audição parlamentar, defendeu explicitamente o investimento dos proprietários na florestação com espécies autóctones. De resto, essa é uma defesa que é comum a mais ou menos toda a gente do mundo conservacionista.

Agora só falta explicar aos proprietários por que razão devem investir em espécies que se pretende que venham a ser protegidas e cujo corte não dependerá das opções de gestão do proprietário mas do que entender o Estado.

Boa sorte para as campanhas de sensibilização.



8 comentários

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De Renato a 22.08.2017 às 00:12

Foi o que eu disse, Teresa. Gestão do Estado é o Estado mandar na gestão feita pelos proprietários. Escreveu imenso e chegou à mesma conclusão. Ah, já agora, eu sei um pouquinho. Tive um pinhal e um eucaliptal (além de cortiços e colmeias), ardidos na freguesia do Pessegueiro, Pampilhosa. Mas nasci na zona da Gândara, uma zona muito interessante de povoamento e transformação rural. Nasci neste meio há mais de cinquenta anos. Isto de tentar fazer os outros parvos tem os seus riscos. Quer falar de mais alguma coisa?
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De Teresa Varela a 22.08.2017 às 01:15

Peço, de novo, desculpa, mas o que o Renato disse e continua a dizer, não é, de todo, a mesma coisa que eu digo.
Muito bem , está dentro do assunto, mas tem uma visão diferente da minha.
Aparentemente, o Renato prefere uma gestão paternalista do estado. Eu prefiro a Gestão do estado, naquilo que cabe ao estado, e a gestão dos silvicultores, naquilo que cabe aos silvicultores. 
As duas não são, de todo, incompatíveis, pelo contrário, são ou deveriam ser, como as duas faces de uma mesma moeda.
Peço, desde já, desculpa, caso esteja errada na análise que fiz do seu comentário.
Quanto às perdas que sofreu, lamento imenso. Nem imagina quanto lamento. A nossa impotência perante o fogo é algo que conheço bem demais.
O "meu fogo" não teve mãos criminosas, nem se localizou nas zonas habituais dos incêndios florestais. O "meu fogo" caiu do céu, em 2003, com as trovoadas secas. 
Foi extinto apenas num dia, pois a densidade florestal é muito menor no Alentejo, onde os aceiros são também mais comuns e o abandono e desertificação humana não têm a mesma expressão, pois é uma zona em que, pelas características do solo, dos recursos hídricos  e outros fatores, as propriedades agrícolas são quase todas de média ou grande dimensão. 
Contudo, o rasto e as perdas que causou permaneceram no tempo e, por mais que a natureza tenha capacidade de recuperação, tem um ritmo e tempo próprio para o fazer.

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