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Trust us

por henrique pereira dos santos, em 21.04.20

"Trust us, the worst is yet ahead of us".

O Secretário-Geral da OMS continua a sua promoção do medo, e este video é muito interessante, desde a primeira frase que citei acima.

Aparentemente, ninguém terá perguntado (pelo menos eu não vi qualquer declaração nesse sentido) o que quer dizer Tedros com "worst".

O que temos hoje é um cenário de recessão profunda e generalizada, com milhões de desempregados e com estimativas do Banco Mundial (que devem ser lidas com a cautela que todas as previsões do futuro devem ser lidas) referindo que só para a Ásia e África, e só em função da travagem económica da Chin, 11 milhões de pessoas passarão para baixo da linha de pobreza imediatamente.

O que temos hoje é um cenário de colapso futuro dos sistemas de saúde por incapacidade de financiamento por parte de Estados que vão ver as suas receitas cair abruptamente, ao mesmo tempo que as suas despesas disparam.

Assim sendo, o que significa "pior", para o Secretário-Geral da OMS?

A fundamentação desta frase surpreendente, é a de que a OMS preveniu toda a gente para a tragédia que aí vinha, e como não foi ouvida, a tragédia aconteceu.

Naturalmente o Secretário-Geral da OMS escusou-se a explicar por que razão uma mortalidade ao nível de um surto gripal forte é uma tragédia excepcional.

Que é uma tragédia, com certeza, toda a morte é uma tragédia, o que está em causa é saber em que medida a dimensão da tragédia justifica políticas que, também elas, provocam tragédias imensas.

O nível de rigor do que diz pode bem ser aferido com a afirmação de estão a morrer centenas de milhares de pessoas agora, vítimas de covid, mas ainda não se atingiram sequer das duas centenas de milhar.

É verdade que a incerteza sobre a evolução da epidemia é grande mas, para já, está a comportar-se mais ou menos como seria previsto que uma infecção pulmonar se comportasse e os argumentos (não usados neste video, em que aliás não é explicado por que razão devemos supôr que o pior está para vir) de que será uma tragédia quando atingir África, por exemplo, tem uma base muito pouco sólida porque a população de África é muitíssimo jovem e esta epidemia tem dois terços, ou mais, da sua mortalidade concentrada em pessoas com mais de setenta anos.

Eu não entendo, não entendo mesmo, esta campanha de promoção do medo levada a cabo pelo Secretário-Geral da OMS (não confundir com a OMS ela mesma, que nos documentos formais que produz é imensamente mais moderada, racional, informada e ponderada).

No que concordo com ele é mesmo na sua última frase neste video: enough is enough.



25 comentários

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De Luís Lavoura a 21.04.2020 às 09:15

esta epidemia tem dois terços, ou mais, da sua mortalidade concentrada em pessoas com mais de setenta anos

Em Portugal, dois terços dos mortos têm mais de oitenta (e não setenta) anos. A idade média dos mortos é 81 anos e meio, que é apenas 3 ou 4 anos inferior à esperança de vida de um português. As vítimas com mais de setenta anos são muito mais de 2/3 - creio que uns 90%.
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De Jeremias Anacleto a 21.04.2020 às 12:36


Segundo os meus cálculos científicos a idade média dos mortos é de zero anos.


O que veio confirmar o estudo de uma grande pensadora portuguesa, que disse aqui há uns anos, que: "o estar vivo é o contrário de estar morto".



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De Eremita a 21.04.2020 às 09:35

Ainda repete o mantra da gripe? Ainda está convencido que com 14% de seropositivos o "surto morre"? Quanto aos 14%, abra um livro de epidemiologia. Quanto à gripe, reveja os seus números. A gripe mata até 72 mil na Europa e a COVID-19 já matou mais de 100 mil. É capaz de prever qual será o total de mortos na Europa daqui a um mês, com centenas de mortos por dia ainda em vários países e depois da inevitável revisão em alta dos números? Perguntas, perguntas...
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De Anónimo a 21.04.2020 às 10:06

a selecção natural tem menores custos humanos e sociais 
'siga o enterro'
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De zazie a 21.04.2020 às 10:38

Uma pergunta técnica:


Os negacionistas do perigo do covid e da desvantagem do confinamento sustentam sempre a ideia nesta afirmação:
Não havendo confinamento, o vírus matava o que tinha a matar (naturalmente, por défice de gripe anterior, dado o Inverno ameno em todo o mundo (sic) mas não haveria segunda vaga.
Esta ideia de não haver segunda vaga tem algum sentido?
O que eu li é que o vírus tende a perder eficácia com tempo.
O confinamento ajudaria a ficar mais fraco e as vagas seguintes (que dependem até de fronteiras abertas) tenderiam a ser mais fracas (pela natureza do próprio vírus)


No entanto não sei se os vírus por efeito posterior de vacinas não tendem é a ser mais resistentes e, portanto, mais agressivos.
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De Anónimo a 21.04.2020 às 11:35

a vacina deixa de ser eficaz com as mutações
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De zazie a 21.04.2020 às 12:15

Por isso mesmo é que todos os anos há nova.
É relativamente eficaz porque a memória permanece.


Agora sem nenhuma e sem anti-virais é que a dita imunidade de grupo parece coisa de ficção "anti-científica"
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De Anónimo a 21.04.2020 às 13:08

Vexa nada sabe de vacinas contra a gripe. Talvez saiba, como eu, de vacinas contra a raiva.
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De António Pires a 21.04.2020 às 12:09

Os números que já existem permitem a alguns especialistas afirmar que o número total de mortes por covid é semelhante ao que ocorre com cada surto anual de gripe.
A questão está em a covid ser muito mais contagiosa. A gripe ocorre de Outubro a Abril, 6 meses. O surto de covid pode durar 3 meses. O que significa que há um número muito maior de doentes com necessidade de internamento ao mesmo tempo.
Há uns anos atrás, um surto mais forte de gripe levou a reabrir o velho Hospital de S. Lázaro para servir de enfermaria a doentes de gripe que já não cabiam em S.José. O que aconteceria se o número de doentes com gripe tivesse sido o dobro ou o triplo?
Portanto, o confinamento serve só para não colapsar os serviços de saúde.
A linguagem que tem sido usada pode ser enganadora como seja o falar-se em vagas. Não há vagas vindas dum lado qualquer.
O que se passa é que, com a quarentena, se retira uma grande parte da população do contacto com pessoas infectadas (recordo que há pessoas infectadas, que não têm sintomas mas podem contagiar). Haverá pessoas infectadas em quarentena que contagiarão as outras da casa onde cada um vive, mais nada. No fim da quarentena os infectados deverão ter recuperado, ficando imunes. Os que nunca foram infectados não estão imunes.
Quando a quarentena acaba e se misturam todos ou uma parte dos que estiveram confinados com os que andaram sempre cá fora, e onde continuam a existir infectados, o número de infecções aumenta. Se aumenta muito ou pouco depende da percentagem de não-imunes na população que saiu do confinamento e da quantidade de pessoas que deixaram de estar confinadas.
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De Anónimo a 21.04.2020 às 12:30

Onde está a confirmação científica de que uma vez infectados se garante imunidade ao vírus? Isso é contar com o ovo no cu da galinha e portanto não percebo a insistência nesse ponto. 
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De Anónimo a 21.04.2020 às 12:59

Leia e não esqueça: toda a Vida faz pela sua Vida.
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De henrique pereira dos santos a 21.04.2020 às 10:39


Deixei de lhe responder a partir do momento em que me acusou de desonestidade na construção de um gráfico feito pelo CDC americano, com base nos standards mundiais de análise dessa informação, ao mesmo tempo que se recusou a seguir os links que lhe permitiam perceber por que razão os standards de tratamento da informação são os que dão origem ao gráfico, que nem é mau, nem é meu (parafraseando Caetano Veloso numa resposta a uma crítica a um disco seu).
Abro uma excepção para lhe deixar o link para o relatório do CDC europeu sobre a época de gripe de 2014/2015, não por si, mas porque alguém pode ter interesse em verificar se o que diz nesta matéria tem algum fundamento, permitindo a essas pessoas comparar o disparate de dizer que a gripe mata até 72 mil pessoas na Europa com a conclusão do relatório de que, nesse ano, terão morrido 217 mil pessoas acima dos 65 anos.
https://www.ecdc.europa.eu/en/publications-data/seasonal-influenza-annual-epidemiological-report-2014-15-season?fbclid=IwAR2fPXCLyIrngk-aXCefMUt1xEpwBpqkpHvecn_QEvduh5XUlE1tqq-dMx4
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De zazie a 21.04.2020 às 10:47

"Due to the mismatch between vaccine and circulating strains, estimates of vaccine effectiveness – especially against A(H3N2) and B(Yamagata) viruses – were low [6, 7].

A negligible number of influenza A viruses showed a reduced susceptibility to neuraminidase inhibitors.

The characterisation data and the subsequent low estimates of vaccine effectiveness caused WHO to change the recommended composition of the 2015–2016 vaccine "

Mesmo que tivesse sido, deixou de ser porque apareceu vacina e houve vacinação em massa. Pelo menos cá foi assim.

Com este vírus não só não existem os anti-virais que funcionavam para os outros, como também não existe vacina.

A comparação para o presente falha logo aqui.


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De Anónimo a 21.04.2020 às 13:06

Sinceramente não entendi para que quadrúpede enviou a mensagem.
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De Eremita a 21.04.2020 às 13:23

Não se arme em virgem ofendida. Toda a gente aldraba. Infelizmente, vejo que o seu caso só se agrava. Não contente com tratar a soma de mortes de gripe e pneumonia como um "pico de gripe", agora equiparou as mortes da gripe à "excess winter mortality", obtendo assim o extraordinário 210 000. O Henrique acredita mesmo que um terço das mortes de gripe em todo o mundo ocorreu entre os europeus com mais de 65 anos? Não lhe parece um pouco exagerado, até morbidamente eurocentrista? Já ouviu falar da trombose coronária? Conhece a sua sazonalidade? E de férias de Natal na neve? Às mortes de gripe, pneumonia, trombose coronária e outras doenças, está ainda a somar a morte do avô com reumatismo no joelho que curvou mal na descida de ski e se espetou a 90 km/h contra um pinheiro. Tomou a correlação por causa, foi desatento ou está aldrabar mais uma vez (deixe por riscar a opção que o melindre menos). Quanto ao meu número, é o da OMS: " A recent study found that worldwide up to 650 000 people die of respiratory diseases linked to seasonal influenza each year, and up to 72 000 of these deaths occur in the WHO European Region" http://www.euro.who.int/en/health-topics/communicable-diseases/influenza/seasonal-influenza/burden-of-influenza

Já que voltou a responder, responda às outras perguntas:
Tem os números de mortos por gripe na Suécia e em Portugal?
Tem os números de mortos por gripe na Espanha e Itália?
Se não foram os chineses a parar o vírus, quem/o que foi? Chegou-se à imunidade de grupo na China? Esconderão eles centenas de milhares de mortos?
Continua a pensar que com 14% de seropositivos o "surto morre". Se continua, já nem ignorância é, trata-se no mínimo de negacionismo. Se não continua, é notável que só o admita quando pressionado. Se não responder, só confirmará a minha impressão de que é a pessoa menos leal a discutir que encontrei até hoje.  
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De Luís Lavoura a 21.04.2020 às 12:48

É estúpido debater se os mortos por covid, 100 mil, são mais ou menos do que os mortos pela gripe, 72 mil. O que interessa é que são números são da mesma ordem de grandeza: o covid causa mais ou menos tantos mortos como uma forte temporada de gripe.
O que é importante é que o covid não provoca muitos mais (isto é: dez ou cem vezes mais) mortos do que a gripe. Causa mais ou menos o mesmo número, talvez um bocado mais, mas não muito.
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De Eremita a 21.04.2020 às 13:35

É uma conclusão precipitada. Os picos de gripe ocorrem sem grandes medidas de confinamento social. Com a COVID-19, o mundo parou, o que retardou o processo, mas não o encerrou. Há duas diferenças essenciais: 1) a gripe começa sempre com uma percentagem de imunidade na população relativamente alta, mas no caso daCOVID-19 não havia imunidade; 2) a taxa de mortalidade da COVID-19 parece ser 3 vezes superior à da gripe. Em rigor, a conta só poderá ser feita quando se atingir a imunidade de grupo para a COVID-19 e neste momento não devemos estar globalmente acima dos 10%. Só então se verá se mata o mesmo (parece-me improvável) ou mais. 
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De Anónimo a 21.04.2020 às 12:58

Cá volta o animal de ourique
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De Anónimo a 21.04.2020 às 10:03

o secretário é abe chin
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De JPT a 21.04.2020 às 10:10

o "Bando Mundial" é um lapso freudiano. O HPS, vai-se a ver, tem um Rui Tavares no seu Id.
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De Zé a 21.04.2020 às 14:15

Perguntas que ninguém faz ao Governo nem à DGS:

- Já morreram mais de 700 pessoas em Portugal devido ao Covid. Estas mortes poderiam ter sido evitadas se os 500 ventiladores da China já tivessem chegado a Portugal?

- Temos hoje em Portugal 21 mil casos confirmados, 176 mil casos não confirmados e 5 mil pessoas a aguardar resultado laboratorial. Isto somado dá 202 mil testes. No entanto, a DGS diz que já foram feitos 271 mil testes. O que aconteceu aos restantes 70 mil testes?
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De Júlio Sebastião a 21.04.2020 às 16:35

Deram negativo?
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De Albino Manuel a 21.04.2020 às 17:16

O arquitecto paisagista agora é virólogo.


Lá para o Outono está na Vogue a falar de marrons. plissés e botas altas.
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De Lowlander a 21.04.2020 às 20:24

O HPS e um tudologo. 
Tem opinioes vincadas sobre tudo: do coco ate a bomba atomica.

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