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Travar o projecto da direita

por henrique pereira dos santos, em 27.03.24

Ontem, por acaso, ouvi umas partes da rábula da eleição do Presidente da Assembleia da República, ainda antes de se saber do "Korbut flip" do Chega.

Uma das coisas interessantes que ouvi foram as variações dos partidos anti-democráticos (PC, BE e PAN) sobre a necessidade de travar o projecto da direita.

Que estes partidos anti-democráticos achem que o voto dos eleitores é irrelevante para a definição do rumo da governação, parece-me trivial.

Que o PS alinhe nesta ideia, já me parece apenas uma consequência do famoso "legado" de António Costa: a chuva dissolvente sobre as instituições que andou a promover (já agora, acho que nunca conseguirei compreender os liberais que optaram por se aproximar do Chega, preferindo soluções cesaristas ao reforço das instituições).

Actualmente o projecto da esquerda limita-se a ser "travar o projecto da direita", sendo muito curioso porque ninguém sabe em que consiste esse famoso projecto da direita (eles próprios dizem que é uma barafunda, ao mesmo tempo que o acham tão perigoso que travá-lo é o seu único objectivo político).

Por exemplo, já para não falar do BE e do PAN, cuja consistência ideológica sempre esteve mais próxima da gelatina que do granito, o PC é hoje um partido que ninguém sabe o que defende para o país.

Eu sei, defende trabalho com direitos, subida dos salários e pensões e outras coisas que qualquer pessoa decente defende, mas quanto aos meios para lá chegar (essa é a essência da política), fica-se por estar sempre, sempre ao lado dos trabalhadores e pensionistas, suponho eu que mesmo quando os trabalhores e pensionistas votam esmagadoramente na AD e no Chega e, apenas residualmente, no PC.

Resumindo, a generalidade dos representantes dos eleitores acham normal não os representar, perdendo-se em coisas extraordinárias como atender ou não um telefonema, dependendo do interlocutor estar ou não à altura do destinatário do telefonema.

Ouvi que a Assembleia da República estava refém de um menino mimado, mas não me parece rigoroso dizer isto, está refém de meninos mimados sim, não de um, mas de dois, Ventura e Pedro Nuno Santos que, aliás, não acharam nada melhor que inaugurar a representação dos seus eleitores coligando-se entre si, coisa que parece evidente que é o que pretendiam os eleitores de um e de outro.

Brincai, brincai com a legitimidade da representação e, a prazo, veremos se os resultados justificam as figuras ridículas que andais a fazer.

Para já parece estar a ser muito divertido.


17 comentários

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De O apartidário a 27.03.2024 às 11:14

  • Bloqueio na Assembleia da República. Líderes do PS e do PSD reunidos à distância mas ambos no parlamento
  • no sapo 24 actualidade 

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De Cá não há bar a 27.03.2024 às 13:35

Afinal parece que encontraram uma "solução", metade do caminho(se não houver despiste) vai A guiar o Branco e depois (se lá chegarem) vai A Guiar o Preto. 
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De Jorge a 27.03.2024 às 11:28

Eu acho é que está refem do PCP. Anda Portugal a apoiar a Ucrânia há 2 anos em deplomacia e em equipamentos e em dinheiro, para estar agora na AS com um pcp apoiante desde o inicio do putin e da invasão da Ucrânia, a dirigir os trabalhos. Isto não se inventa. Perderam a vergonha por completo.
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De Anónimo a 27.03.2024 às 11:35

Quando não há ideias, papagueiam-se "slogans"...
Não esquecer que todas essas quadrilhazecas mais não são que ridículos arremedos da "casa-mãe"...
Juromenha
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De Manuel da Rocha a 27.03.2024 às 11:38

André Ventura aceitou o acordo com a AD, só que 10 minutos antes do início da sessão, exigiu 1,7 milhões de euros DIÁRIOS, em dotação orçamental para as comissões de inquérito. Foi esse pedido que levou ao impasse actual. O Chega concordou em ter 570 cargos (dos 2335) na Assembleia, até tentar sacar 800 milhões de euros em comissões e despesas de representação, para as comissões de inquérito. André Ventura MENTIU e FALSIFICOU informações, para lançar lenha para a fogueira e Montenegro caiu que nem patinho. 
Bastou ver o supremo líder da seita Chega, mal foi anunciado que hoje há nova votação, a atropelar 3 deputados, para ser o primeiro a chegar aos 150 jornalistas, que estavam no corredor. E por lá ficou 30 minutos a anunciar que "o Chega tem 600 negociadores e eu estou pronto para me reunir com Luís Montenegro a qualquer hora em qualquer sítio para negociar a direcção que o Chega quer para Portugal". Note que foi isto que o falso profeta disse... não é a direcção que a AD quer para o país, é a que o Chega quer. Ventura e os 49 deputados do Chega são vira-casacas e nunca deixarão de o ser. Pelas 10h dizem defender o Aeroporto de Lisboa em Alcochete, ás 10:03, outro deputado diz que apoiam o aeroporto na Ota, 10:04, o mesmo deputado jura que o Chega sempre apoiou o novo aeroporto em Vendas Novas, 10:11, andré ventura jura que os 50 deputados do Chega sempre apoiaram o aeroporto em Santarém e que vão processar quem diga o contrário, em 650000 milhões de euros. 
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De Albino Manuel a 27.03.2024 às 13:09

2235 funcionários escolhidos pelos partidos na Assembleia? Como assim? A maioria são de carreira. As assessorias dos grupos parlamentares sim, são dos partidos, mas não os outros. E mais de 2000? Bases para o que diz?
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De balio a 27.03.2024 às 11:42


os partidos anti-democráticos (PC, BE e PAN)


O PAN é anti-democrático?!
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De Anónimo a 27.03.2024 às 14:46

Não senhor. É apenas o partido dos animais ...
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De balio a 27.03.2024 às 11:44


os liberais que optaram por se aproximar do Chega, preferindo soluções cesaristas ao reforço das instituições


A quem se refere o Henrique, precisamente? Àqueles ex-membros da Iniciativa Liberal que se juntaram ao CHEGA? Ou a outras pessoas?
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De balio a 27.03.2024 às 11:54


brincai com a legitimidade da representação


Não é somente A.V. e P.N.S. quem está a brincar com a legitimidade da representação. L.M. também o está a fazer.


Num sistema democrático, os partidos são supostos negociar uns com os outros, em particular quanto a pessoas que devem ser eleitas por uma maioria. Não é apresentar um candidato qualquer e supôr que os outros têm a obrigação de votar nele. É necessária uma negociação prévia à votação, em que se consensualize os candidatos a apresentar por cada um, para que eles sejam aceitáveis pelos outros.


O CHEGA não pode apresentar Pacheco de Amorim e esperar que os outros aceitem uma pessoa, basicamente, inaceitável. Mas  PSD e o PS também não têm o direito de exigir que o CHEGA aceite seja quem fôr que eles queiram apresentar.


Não são somente P.N.S. e A.V. que são meninos mimados. L.M., que aparentemente se recusa a falar com eles e a negociar com eles como um adulto, também está a fazer figura de menino mimado.


Numa democracia, os partidos são supostos negociar. Não impôr as suas vontades.


E os governos, numa democracia, são supostos ser coligações maioritárias. Não minorias que traçam "linhas vermelhas" à sua volta.
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De Anonimo a 27.03.2024 às 12:18

jogos palacianos. Nada de novo. Única diferença é que há um "player" novo que joga do lado de cá da cortina, e usa marretas. Siga a festa.
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De Pedro Oliveira a 27.03.2024 às 13:21

Ontem estava a conduzir e ouvi Brilhante Dias (o nome não é apropriado porque não é brilhante nem tem dias, é sempre mau) a dizer algo do género, no intervalo das votações:
"Eles dizem que ganharam, desenrasquem-se, é um problema deles".
Deles de quem?
Dos portugueses que deram uma maioria esmagadora à direita?
São esses que têm de se desenrascar?
Como fazendo um cerco à assembleia da república e levando os "poucos canhotos" para o Campo Pequeno para serem fuzilados.
Será que Brilhante Dias pensa que foi a esquerda que venceu as eleições de 10 de Março?
Será que não existe nenhum jornalista com coragem para fazer a pergunta?
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De Cá não há bar a 27.03.2024 às 17:18

Para o o socialismo à la Rato pode ser de um brilhantismo a toda a prova.
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De anónimo a 27.03.2024 às 15:06


"...Resumindo, a generalidade dos representantes dos eleitores acham normal não os representar,...".

Exacto. Como se os partidos os representassem!. Ingenuidade.

O PSD preferiu ser uma maioria de esquerda e manter o poder de acordo com o PS. Mais 4 anos?. 
De qualquer forma o que realmente conta já está garantido. Os agora eleitos políticos já têm os seus rendimentos e benesses garantidas.

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