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Tomar a nuvem por Juno

por Corta-fitas, em 02.04.20

Depois de um primeiro e forte embate provocado pela emergência pandémica, já temos informação e tempo suficientes para análises mais serenas e informadas.

Em 26 de Março foi publicado este estudo muito oportuno, interessante, que vale a pena ler  e que faz uma análise do que se passou nos Estados Unidos durante a epidemia de gripe Espanhola. As conclusões são claras: as medidas de confinamento, quanto mais rápidas e severas, melhores resultados produziram.  Quer em termos sanitários (menos mortes), quer na recuperação económica que permitirão depois da epidemia.

Apesar de completamente convencido do valor deste estudo e da bondade das suas conclusões, assusta-me que estas conclusões sejam indevidamente generalizadas.

Existem muitas diferenças entre o que se passou em 1918 e a atual pandemia. A mais relevante é o facto de a gripe espanhola ser francamente menos discriminatória  relativamente aos seus efeitos, não permitindo demarcar um grupo restrito de risco, como acontece atualmente com o Coronavírus.

Sabemos, hoje, que a quase totalidade das vítimas mortais do Covid 19 são os maiores de 70 anos e os portadores de um leque de doenças crónicas já identificadas.

Compreendem-se as medidas de confinamento gerais e severas como as que estão a ser usadas, quando não existia o conhecimento de qual a extensão e comportamento da epidemia. Parece ser pouco razoável não fazer evoluir as medidas em função da nova informação.

O que se deveria pretender combater são os malefícios da infecção, não a infecção. O objectivo é prevenir mortes, não doentes assintomáticos ou que recuperam sem mazelas importantes.  Valerá a pena arrancar todos os dentes a alguém que só tem um dente infectado? Não seria mais adequado, de forma cirúrgica,  garantir a proteção ao grupo realmente vulnerável e que já foi delimitado? Direcionando todos os meios necessários para garantir o seu conforto e segurança?

Para quem considere ser insuportável uma discriminação entre cidadãos, lembro que quem discriminou o  grupo vulnerável  não foi a sociedade, foi o vírus.

Certo é que até à vacina ou tratamento, vamos ter Covid19 e as medidas de confinamento gerais são insustentáveis a longo prazo. Abordagens alternativas precisam-se. Esta poderá ser uma delas.

A fome, subnutrição e desespero também matam. E sacrifícios desnecessários são absurdos.

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas nos textos de convidados com a assinatura "Corta-fitas" só comprometem os seus autores.



10 comentários

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De Luís Lavoura a 02.04.2020 às 17:59

Existem muitas diferenças entre o que se passou em 1918 e a atual pandemia.

Ademais, e estrutura da economia era brutalmente diferente em 1918 daquilo que é agora. Em 1918 havia uma economia baseada nos setores primário e secundário, agora a economia é quase toda no setor terciário.

Parece-me bastante disparatado pretender generalizar da economia dos EUA em 1918 para a economia de outros países em 2020.
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De Anónimo a 02.04.2020 às 19:10

Os autores do Estudo não defendem a generalização. Boa ciência nas mãos dos media é que podem dar disparates! 
Outra diferença essencial é que as medidas restritivas de 1918 não previam interrupções do trabalho.
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De Anónimo a 02.04.2020 às 18:10

durante a gripe espanhola sem confinamento na minha pobre aldeia alentejana raiana
morreram duas crianças que seriam meus tios
sobraram minha Mãe e uma irmã mais nova
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De Anónimo a 02.04.2020 às 19:11

Essa é a diferença fundamental: a gripe espanhola atacava tudo e todos!
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De Luís Lavoura a 03.04.2020 às 10:44

De facto, o que já li é que a gripe espanhola atacava preferencialmente as pessoas mais jovens. Os mais velhos passavam melhor por ela.
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De Carlos a 02.04.2020 às 22:03

Além disso os meios de comunicação de hoje não são comparáveis com o que existia em 1918.
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De Anónimo a 03.04.2020 às 15:24

"O que se deveria pretender combater são os malefícios da infecção, não a infecção. O objectivo é prevenir mortes, não doentes assintomáticos ..."
Caro senhor
Em 2 linhas definiu o que deveria um programe de combate a esta epidemia. Infelizmente, os cobardes e incapazes decisores políticos, por cá e lá fora, vão fazer uma razia económica do que era, porventura uma infecção mais acirrada.


" A fome, subnutrição e desespero também matam". Perguntem aos Venezuelanos.

Ao contrário daquela estúpida frase feita de " que a saúde não tem preço", ela tem um elevado preço, sobretudo quando já não há dinheiro, que é o que irá acontecer.


Cumprimentos


Vasco Silveira

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De Anónimo a 04.04.2020 às 14:02

Por duas reais guerras passei : uma como militar e a outra ,  tenho de agradecer aos heróis da de tão triste memória revolução de abril e a consequente descolonização vergonhosa. E em Angola havia dinheiro mas não havia produtos alimentares ; havia tiros e bombardeamentos e sair de casa era como que procurar a morte . Senti a desorientação e malvadez em Angola para connosco portugueses em "quarentena" nos campos de concentração improvisados e à fome. Atirado para este país de dentro de um avião americano senti a descriminação , ostracizado e desprovido dos mais elementares direito: o trabalho e ajustiça social !! Tudo  por era retornado !! E agora cá estou , mais uma vez !! Nesta desorientação e oportunismo políticos , a sofrer descriminação por ter 60 anos (?!?!) , Por ser grisalho !!?? Com informação ao jeito de quem a quer dar , atirando-me com polícias a cortar o meu passeio ao sol, de que tanto preciso, como se do os tiros e bombardeamentos do MPLA, Angola se tratasse !!??
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De mitologia a 04.04.2020 às 03:23


Então... menciona ali em cima aquela expressão, "Tomar a Núvem por Juno", mas nunca a explica a ninguém?! Damos uma ajudinha:



Há muito, muito tempo, dizia-se que Íxion se tinha apaixonado pela deusa Hera, conhecida como Juno entre os Romanos. A deusa, tomando conhecimento da sua paixão através dos seus dons divinos, produziu uma falsa núvem em forma dela própria e enviou-a a Íxion.
Tomando então a proverbial núvem por Juno, Íxion tentou violá-la, e dessa estranha união nasceram os centauros.
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De simplesmente... a 04.04.2020 às 10:46


Leio e ouço que este novo vírus é inédito. Que ninguém é imune a ele. Que ataca por todo o lado, sem distinção de raça, de cor, de estatuto e de idade. É - desculpe -neste aspecto "igualitário". Por isso, não me parece fácil fazer distinção … em razão das idades de cada um. Abraço.

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