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Toda a sua complacência

por José Mendonça da Cruz, em 30.11.15

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Na primeira deslocação oficial como primeiro-ministro, o malabarista Costa discursou e enganou-se sobre a data de fundação da OTAN (1949; ele acha que é 1959) e sobre os membros fundadores (lembra-se que Portugal foi um deles; acha que a Turquia também). A notícia foi omitida na generalidade da comunicação social, tendo sido difundida pelas redes sociais.

Na primeira declaração sobre o instrumento de governo mais importante, o Orçamento de Estado, Costa fez divulgar pelos seus homens que ele poderia ser entregue na AR em Março, só após o fim do mandato de Cavaco, ao mesmo tempo que ia dizendo que o OE seria entregue «o mais depressa possível», sem, porém, alvitrar uma data. Foi mais uma picardia contra o PR, por parte do malabarista que se queixa de picardias, mais um comportamento hostil da parte de quem salga feridas que proclama querer sarar. Foi uma ligeireza e um vagar de pasmar no tratamento de instrumentos políticos fundamentais por parte do malabarista que ttanto se queixava de quem não respeitava a sua pressa de tomar o poder. 

Presente na Conferência Mundial sobre o Clima, em Paris, o malabarista Costa não quis falar por julgar que o facto de ser um dos últimos oradores sujava os seus putativos pergaminhos. Em Lisboa, os seus homens tentaram inculcar, em vão, a ideia de que fora o anterior governo que se esquecera de inscrever o país. Como depressa se viu que era mentira, a notícia desapareceu das peças televisivas sobre a conferência de Paris.

Os malabarismos de Costa para o assalto ao poder fizeram congelar decisões de investimento, do que resultou a desaceleração da taxa de crescimento e a estagnação da taxa de desemprego. Os serventes de Costa nas televisões esforçam-se penosamente por demonstrar que o abrandamento e a estagnação resultam da acção do anterior governo.

Entretanto, desapareceram do léxico das televisões o chico-espertismo e a impertinência de expressões como «gaffe», «irresponsabilidade», «recuo», «contradição», «polémica», e «só não explicou...». Na comunicação, com destaque para as televisões, os serventes curvam a espinha perante o bem-amado e sonham com assessorias no governo mais populoso da democracia. A informação nunca foi a sua missão. 

 

P.S. (salvo seja) A meio da tarde, o bem-amado veio explicar que a trapalhada do silêncio na Cimeira era, afinal, um mero pormenor «burocrático». Logo os serventes ficaram livres para dar a notícia do pormenor «burocrático». Ao contrário do costume, não se sentiram tentados a dizer que se tratava de um «falhanço» (como eles gostavam de classificar tudo o que era do anterior governo), ainda por cima «histórico» (como eles gostavam de dizer antes) porque Cavaco, Barroso e Sócrates nunca deixaram de falar em cimeiras semelhantes.

Os serventes conseguiram também noticiar a gaffe sobre a data de fundação e os membros fundadores da OTAN, que, explicaram eles, não tem importância nenhuma e se resolve consultando o site da organização.

Querem mais desvelo e fraternidade?

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