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Terrorismo florestal, diz ele

por henrique pereira dos santos, em 03.06.17

"Estamos a fazer faixas de contenção em 16 hectares, com pinheiros, sobreiros e carvalhos, numa zona primária de defesa contra os fogos. Só vamos ter lucro daqui a 50 anos. Nos restantes terrenos em 300 hectares que são da junta, alguns foram arrendados a Portucel que tem a sua mata de eucaliptos cuidada, com intervalos entre as árvores e com os caminhos limpos. "Foi num terreno da empresa que conseguimos travar o fogo de agosto passado, em Rio de Maçãs", contou Pedro Vidal.”
(Comentário) À jornalista, infelizmente, não lhe ocorreu perguntar como tenciona Pedro Vidal gerir os tais 16 hectares para que não ardam vez nenhuma em 50 anos, numa região que tem fogos com intervalos entre 10 a 15 anos.
“As únicas matas limpas e ordenadas da região são as das celuloses, garante o autarca.”
(Comentário) À jornalista, infelizmente, não lhe ocorreu perguntar por que razão pensa o senhor autarca que as matas das celuloses são diferentes das outras áreas de eucalipto.
“O incêndio alastrou num ápice, por causa dos ventos de 100 quilómetros hora que varriam tudo e projetavam casca de eucalipto ardida e fagulhas pelo ar. "Começou a subir e houve logo três projeções de um para o outro lado da encosta. Passado meia hora, o fogo começou a ficar perto das habitações. Ninguém se segurava aqui com o vento".”
(Comentário) À jornalista, infelizmente, não lhe ocorreu perguntar se assim é, que diferença faz ter melhores acessos, mais pontos de água e melhores equipamentos?
"Há zonas que podiam ser mais protegidas e termos melhor acesso ao fogo se houvesse estradões que é oque falta nos terrenos.”
(Comentário) À jornalista, infelizmente, não lhe ocorreu perguntar como é que o problema são os acessos se o fogo se consegue parar nas matas das celuloses e não nas outras matas, que muitas vezes até têm melhores acessos?
“Há 50 anos instalada ali, assistiu à chegada das fábricas e à debandada dos trabalhadores agrícolas para a indústria. "Os campos andavam cultivados e arranjados, havia muitos animais, não havia fogos grandes destes", lamenta.”
(Comentário) À jornalista, infelizmente, não lhe ocorreu perguntar se há cinquenta anos os acessos eram melhores, havia mais pontos de água e se os bombeiros estavam cheios de carros novos e equipamentos sofisticados e quantos aviões combatiam fogos nessa altura.
“"Estava tudo pronto para se poder vender. Dava mais de 100 mil euros se fosse tudo vendido", lamenta. Esta propriedade florestal, tal como muitas outras na zona, estava entregue ao crescimento selvagem, como a própria dona assumiu. "Como aquilo tinha sempre muito mato há tempos fomos lá ver se dávamos com os marcos, mas o pinhal, as silvas e os tojos estavam tão grandes que não se conseguia passar lá. Não víamos os marcos para cada um vender as suas leiras.”.
(Comentário) À jornalista, infelizmente, não lhe ocorreu perguntar por que razão, tendo um valor de 100 mil euros na mão, os donos não o geriam.
“Temos 90% de voluntários no país … Exigimos que houvesse um aumento de 2 euros na compensação de 45 euros para que se chegasse, entre 2018 a 2012, ao valor de 50 euros por 24 horas de serviço.”
(Comentário) À jornalista, infelizmente, não lhe ocorreu perguntar a Jaime Marta Soares se os voluntários pagos a mais dois euros por dia resolveriam o problema dos fogos, ou se não seria melhor pegar no mesmo dinheiro e pagar a sério profissionais a sério, chegariam talvez 10% do número de voluntários que temos, que estivessem o ano todo no terreno, a preparar o território para a intervenção no Verão. O sistema passou de um custo de 30 milhões por ano para 100 milhões por ano, sem que se veja qualquer alteração de resultados, talvez o problema não seja a falta de dinheiro, mas a forma como se gasta o dinheiro que existe.
Infelizmente é isto, uma quantidade de gente a dizer coisas sem o menor sentido, e uma quantidade enorme de pés de microfone a repetir o que ouvem, sem o menor sentido crítico.
Em matéria de fogos a falta de escrutínio e avaliação de resultados é gravíssima, o que só é possível pela forma leviana, muitas vezes ignorante, como a generalidade (há excepções, e é bom que se reconheçam essas excepções, mas são casos pontuais) do jornalismo embarca em discursos emocionais, sem qualquer relação com a realidade e a racionalidade, aceitando qualquer patacoada sem qualquer base factual empírica que encaixe nestas ideias de terrorismo florestal, Portugal sem fogos e outras tolices do mesmo tipo.

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2 comentários

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De A.Vieira a 04.06.2017 às 16:42

O "Festival EDPCool Jazz" programado para Julho de 2017, já começou em Junho, com mais "artistas convidados", da própria empresa.
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De Luís Lavoura a 05.06.2017 às 10:00

Eu o que sei é que tenho dois eucaliptais (perto um do outro) na serra do Caramulo (vertente ocidental), e tenha-os limpado de mato ainda há poucos meses, mas no entanto arderam ambos, num ápice, no fogo do princípio de agosto de 2016. Apesar de o mato ser pouco e rasteiro, pegou fogo e esse fogo gerou calor suficiente para secar as árvores (as árvores não arderam, mas o calor seca-as e faz com que deixem de crescer).
A conclusão que tirei é que de muito pouco vale limpar os terrenos, porque eles ardem na mesma. Ardem pouco, mas ardem o suficiente para que se perca muito do valor da madeira que lá está.

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