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Teremos sempre Paris...

por João Távora, em 30.03.23

Paris.jpg

A ânsia sanguínea de aproveitamento político do hediondo crime de Abdul Bashir - estrangeiro, afegão, muçulmano - por parte de André Ventura só tem paralelo com o denodo da comunicação social respondendo-lhe a deitar água na fervura com a vitimização do refugiado, afinal assassino das duas jovens mulheres, potenciando uma reacção ao contrário. Nestes padrões salta à vista a grande fragilidade da democracia, avessa à complexidade e refém de emotividades e excitações, vulnerável aos clichés de cada momento. É difícil lidar com excitação à volta da fixação dos preços nos supermercados, da condenação dos Padres por pedofilia, das casas devolutas por maldade do senhorio ou o medo dos estrangeiros miseráveis. A exploração de sentimentalismos é tentação em tempos de decadência que atrai mais justiceiros que a necessária racionalidade.

Pior mesmo são as agendas mal disfarçadas. Ou que a Comunicação Social supostamente séria não perceba quão voláteis são os instintos da turba. Do mesmo modo acho estranho que os jornalistas ditos “sérios” se recusem a olhar sob diferentes ângulos o relatório da Comissão Independente e as perversas consequências que dele emergem. Os populistas usam a mesma técnica para públicos mais ou menos básicos, alimentando-os dos bodes expiatórios de ocasião, sacrificados na fogueira da praça pública para alívio das suas frustrações e pobres vidas. O André Ventura pretende ganhar votos, a Comunicação Social audiências, de pessoas zangadas ou com medo.

Quando a tensão chegar ao máximo e a rua imperar, a primeira coisa a ceder será a liberdade que tomamos por garantida. Ou o Terror de Paris.

Imagem daqui


18 comentários

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De Anónimo a 02.04.2023 às 09:20

Também ouvi e li a tradução da legenda: de facto o ministro do interior "referiu-se à extrema-esquerda e ultra-esquerda e a tradução feita pela RTP foi o inverso".  Ainda pensei que tivesse sido um erro ou lapso na tradução, mas depois de repetirem o mesmo 3 vezes, aí conclui que era uma manipulação intencional.
Ouvi bem o ministro francês dizer e repetir taxativamente que os desacatos violentos de Paris eram provocados por grupos de "extrême-gauche" e "ultra-gauche" e a RTP traduziu tudo ao contrário e o que aparecia na legenda era que o ministro estava a afirmar que os distúrbios eram da autoria da "extrema-direita" e "ultra-direita". No princípio fiquei incrédula, mas depois  considerei que estes nossos "educadores do povo" estavam a faltar à verdade, deliberadamente. O que por si só é bastante grave, pois revela alguma tendência para a distorção e para a falta de isenção naquele canal, assim como um posicionamento político descarado. E pior: fá-lo, se necessário, através da mentira  e da manipulação da informação. Não é uma coisa de somenos e sem importância, porque esta pequena "amostra" pode levar-nos a supor que "semear" mentiras é uma prática corrente quando convém ou serve a determinados fins ...  Não pode valer tudo! 


 Quando a CS desinforma e anda ao sabor dos "ventos" ou, como o João Távora diz, "com as suas agendas mal disfarçadas", acabará por gerar quebra de confiança naquilo que é noticiado. Como já está a acontecer...
Mas, enfim, como a "notícia" protegia a esquerda e atacava a direita, tudo passou com a impunidade do costume, embora se exigisse da parte da RTP um esclarecimento pelo "erro" e que a seguir repusessem a legenda traduzida correctamente, comme il faut.


Por estas e por outras, o João Távora ainda tem alguma ilusão acerca da seriedade da nossa comunicação social  "v" e "r" endida  "à la gauche" ?
HP

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