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Ter razão pode ser muito triste

por henrique pereira dos santos, em 13.08.20

Por razões que não vêm ao caso, dei com isto que escrevi em Setembro de 2008

"tenho muito poucas dúvidas de que estamos muito longe de caminhar para destroços fumegantes porque sempre que fiz análises mais profundas e quantificadas, como por exemplo na preparação do Plano de Ordenamento do PNSAC (onde comparei fotografias aéreas orto-rectificadas de 1958 a 2007, com base em programas de análise estatística que deixam de lado enviesamentos de opinião), a conclusão é inequívoca: caminhamos para sistemas com maior acumulação de combustível, com maior cobertura do solo e com maior maturidade. São periodicamente perturbados por fogos cada vez mais severos em função dessa acumulação de combustíveis. Mas a frequência desses fogos, ao contrário do que se retira do senso comum, só é menor que dez anos em áreas muito residuais do país.

Bastam aliás três anos amenos como 2006 e 2007 (é cedo para fechar contas de 2008) para que todo este processo tenha dado um salto importante.

Para a continuidade do qual deveríamos estar a trabalhar preparando o território para os anos terríveis que necessariamente virão, mais tarde ou mais cedo.

E não o estamos a fazer.

Não vale a pena desviar a atenção do essencial apontando para bodes expiatórios como as áreas protegidas e a sua gestão: os instrumentos de gestão que existem estão na política de desenvolvimento rural e no fundo florestal permanente.

A sua aplicação resulta de puras opções políticas para as quais a opinião do sector da conservação conta muito pouco.

Quando recebermos o retorno destas opções em perdas de pessoas e bens será infelizmente tarde para responsabilizar os responsáveis que hoje decidem da política de desenvolvimento rural e da aplicação do fundo florestal permanente porque estaremos outra vez a discutir retratos em vez de dinâmicas."

Uma ou outra coisa levemente desactualizada, em especial na arquitectura institucional, mas poderia escrever exactamente mesmo hoje e esperar por 2030, mais ano, menos ano, para ter razão.

Só que, neste caso, ter razão é muito deprimente.



3 comentários

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De voza0db a 13.08.2020 às 18:02

Esperar que do degenerado e insustentável animal umano saia algo sustentável e equilibrado é como esperar que o governantes não sejam salafrários e corruptos!
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De pitosga a 13.08.2020 às 21:28


vosDe voza0db — raio de nome; mas vá lá — fez um bom sumário da lição dada pela Vida.
Pereira dos Santos tem que ter mesmo vivido de certezas. E não de palpites. Só apoiado por certezas se sobrevive mantendo a sanidade.
Muito bem ambos,
Abraços
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De voza0db a 13.08.2020 às 22:24

O nome só é de raio porque não o compreendes!

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