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Temos que vacinar a nossa gente

por José Mendonça da Cruz, em 28.01.21

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Eu acho que é urgente vacinar o Presidente da República e o Governo.

Se não se vacinar depressa o Presidente quem é que vai dizer que somos os melhores quando somos os piores em infectados e mortos nesta pandemia? Quem é que vai mostrar  solidariedade total com a actuação deste governo, a qual evita que a situação seja ainda pior do que a situação de piores do mundo? Mas não podemos vacinar apenas o Presidente. Temos que vacinar a senhora que lhe limpa a casa, o pessoal de cozinha e de atendimento do take away onde ele vai buscar as comidas. E toda a gente na presidência, não vá o vírus aproveitar a boleia dum prato, dum dossier, dum copo de água, duma caneta. Tem que se vacinar os motoristas se o Presidente os usar, e se nunca os usar tem que se vacinar o pessoal que faz a revisão do Série A em que o presidente anda, e dos bate-chapas que vão resolver a amachucadela que um pilar fez. Sem isso, chega o vírus ao presidente, e ficamos sem quem nos diga que somos os melhores dos piores.

Eu acho que é urgente vacinar o primeiro-ministro e, evidentemente, todos os ministros do governo, sem o que vacinar o primeiro deles seria vão. Devem ser todos vacinados, por bem vermos a falta que fazem. É preciso vacinar sobretudo a ministra da saúde, para que hospitais, centros de saúde e Serviço Nacional em geral não deixem de estar tão bem organizados como estão. E é preciso vacinar a família toda dos governantes, não só os familiares que estão no governo, embora sejam já muitos, mas também os que estão em casa, os familiares todos, e as pessoas que se dão com eles, e o pessoal doméstico permanente ou eventual, e as pessoas que convivem com ele.

Temos que olhar o futuro e vacinar o ministro do Ambiente, para defender eólicas, e marés, e solar, e essas coisas todas tão virtuosas e sustentáveis que nos têm garantido tanto bem-estar, tanto progresso doméstico e industrial, tanta racionalidade de mercado e tantas tarifas tão boas. Temos que vacinar o secretário de Estado Galamba, para não perdermos a exploração do lítio e o fabrico de hidrogénio verde, para não dizermos em 2050 que o hidrogénio verde só deu prejuízos de biliões porque os senhores Fernandes e Galamba ficaram doentes na pior altura. E temos que vacinar muito o ministro da Economia, para que ele veja luzes onde toda a gente só vê escuro.

Temos que vacinar os funcionários do fisco. Sem os funcionários do fisco como é que o governo socialista consegue o dinheiro dos outros aqui em casa, o qual mesmo assim nunca lhe chega? Temos que vaciná-los, e às respectivas famílias. E temos que vacinar todo o pessoal diplomático, não vá o vírus afectar de tal forma o pessoal diplomático que se atrase o dinheiro dos outros no estrangeiro, a bazuca, como o governo socialista lhe chama e de que tanto precisa.

Temos que vacinar os autarcas socialistas, a começar pelo Medina, porque os autarcas socialistas estão em sintonia com o governo, ajudam, anunciam vitórias e planos, participam. Não vale a pena vacinar os outros, porque nesta altura não se ia vacinar gente antipatriótica e criminosa.

Aliás, temos que vacinar os funcionários públicos todos. Sem os funcionários públicos todos e respectivas famílias e contactos ficaria paralisada a máquina socialista e perdiam-se eleitores. Os funcionários públicos todos estão ansiosos por ser vacinados, não por egoísmo, mas para prestarem serviço como deve ser, e não, como agora, só por marcação; é por terem medo do vírus que os funcionários públicos desmarcam os atendimentos presenciais que marcaram; é por o vírus atacar o pessoal informático que as magníficas facilidades online e telefónicas postas à disposição dos utentes falham sempre por erro do sistema ou sobrecarga de pedidos.

E temos que vacinar os jornalistas simpáticos, que não fazem perguntas, e, quando fazem, as fazem apenas anódinas. Temos que vacinar os que omitem notícias embaraçosas para o Governo. Temos que vacinar sobretudo os que moralizam a população, correndo a descobrir que um hospital tem mais 4 camas, quando os outros estão em sobrecarga e têm 50 ambulâncias à porta. Aliás, temos que vacinar também os jornalistas que são burros. Pouco interessa se a forma como acarinham o governo nesta hora de necessidade resulta de simpatia ou burrice; ambos os tipos são estimáveis para o governo socialista.

Temos que dar um novo significado mais vital à ideia das vantagens de ser-se próximo ou simpatizante do governo socialista.

É verdade que, um dia, temos que vacinar os velhos. Mas não há pressa. Os velhos morrem, é próprio da idade. E se quiseram uma ajuda temos agora a eutanásia, muito acertadamente aprovada nesta precisa circunstância.

E é verdade que, um dia, temos que vacinar o povo em geral. Mas, enquanto não há vacinas, e havendo, nãos nos organizamos, e enquanto umas centenas de vacinas se estragam por aqui e por ali, porque ninguém é perfeito, temos é que assustar o povo com a ajuda dos jornalistas, e o povo mete-se em casa. Que é onde fica melhor para esperar muito tempo sentado.



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