De José Pires Borges a 16.01.2023 às 15:47
Se a insistência de greves fosse motivo para abandonos, há muito que ninguém andava de metro, na Transtejo, na Carris, na CP....Os professores têm aguentado muito mais que esses trabalhadores e comido e calado. A minha esposa tem é licenciada em Economia. Tem 35 anos de carreira, desistiu de um emprego na banca bem melhor remunerado porque tinha e tem, a paixão pelo ensino. Eu vejo-a a chegar no fim de um dia de muitas horas de leccionar, desgastada e quase de imediato vai preparar aulas, testes, trabalhos etc. E muitos fins-de-semana passa-os agarrada ao computador! TODOS os seus alunos, subiram de nota nos exames nacionais. TODOS, ao longo da sua carreira! Ao fim destes anos, roubam-lhe 9 anos de carreira. Como não quis ter horário zero e ficar sem fazer nada, foi leccionar noutra escola que não aquela onde é efectiva. Como tal e com as famigeradas quotas, por não ser do quadro da escola, não podia ter a nota de excelente, como os colegas dessa escola, mesmo que tivesse melhores resultados e melhor avaliação. Não subiu de escalão por isso também. No fim disto, recebe no fim do mês, cerca de 1550€ líquidos (se tivesse ficado na Banca, onde já era directora apesar da sua juventude, hoje teria além das regalias, um vencimento bem acima dos 5.000,00€). Como ela, há milhares de professores e não é certamente por acaso, que nestas manifestações impera sobretudo o desânimo patente na cara dos manifestantes. Antes de comentar e publicar, convém saber os factos e não alinhar pela maioria dos comentadores, uns afectos ao regime, outros ignorantes, que acham que os professores agora, não são justos, não têm razão e prejudicam os alunos com estas greves. A paixão pela Educação pelos vistos, para alguns é muito importante, mas só para quem educa os seus filhos, porque quanto a remunerar e reconhecer os sacrifícios de quem o faz, isso fica por conta da "paixão educativa" e os filhos dos professores que comam palha, os professores que vivam de forma modesta e remediada porque direitos não têm. Não sei, sinceramente, como pensam algum dia desenvolver e modernizar este país, convidando os medíocres para o ensino, que é só quem, as condições de carreira dos professores, motivam para ali fazerem vida. Querem para os seus filhos e netos, que sejam os menos capazes a ensinar?
De Anónimo a 16.01.2023 às 22:21
Um filho meu fez uma opção semelhante na vida e bem se lixou também.
Só que ai dele que se venha queixar.
É que foi o meu pragmatismo de não ter feito na vida o que gostava e ter com muito sacrifício feito o que era preciso fazer, que lhe garantiu a ele e aos irmãos a vida boa que sempre tiveram e continuam a ter.
Sou pouco dado a romantismos nestas coisas, como vê ficar a ganhar bem melhor também pode ser um sacrifício.