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De vez em quando, em conversa com pessoas ligadas à gestão do fogo, ouço falar de um problema que raramente vejo fora de pequenas conversas entre pessoas relativamente próximas: a estúpida opção de criminalizar o uso tradicional do fogo na gestão do mundo rural.
A psicose das ignições leva gente, com poder excessivo para o conhecimento que tem, a tentar resolver por via legislativa os problemas de gestão do fogo, nomeadamente, o problema dos riscos associados à gestão tradicional do fogo: o pastor que renova o pasto, o velhote que queima as vides depois da poda, o mato que sobra de limpar uma terra, as galhas que resultam de limpar uma árvore, enfim, as milhares origens de ignições, voluntárias como nos exemplos dados, ou involuntárias, como quando a lâmina do corta mato bate numa pedra.
Por isso afirmações bombásticas como "O Comando Territorial de Viseu registou, nos primeiros três meses do corrente ano, 398 incêndios no distrito de Viseu, tendo identificado 60 suspeitos pelo crime de incêndio florestal" explicam-se facilmente tendo em atenção a nota final do texto que cito "Tenha em atenção que mesmo que cumpra todas as obrigações legais para a execução de uma queima, caso esta origine um incêndio pode vir a ser responsabilizado por crime de incêndio e pelos danos causados".
A combinação de um conjunto absurdo de obrigações regulamentares para obter autorização para qualquer queima com a criminilização do uso do fogo, têm uma consequência inesperada, mas trágica: as pessoas continuam a usar o fogo, como sempre fizeram, mas passam a fazê-lo furtivamente, em locais mais escondidos, em alturas em que há menos gente nas redondezas, a horas mais escusas. Como consequência, todos os anos há alguns velhotes que morrem queimados em pequenas queimadas que lhes fugiram do controlo, quando não há ninguém para ajudar e a eles já lhe falta o vigor e a agilidade da juventude.
Para além do efeito menos dramático, mas muito mais frequente: à primeira dificuldade de controlo da queima já ninguém pede ajuda, apenas se procura desaparecer o mais rapidamente possível, para evitar chatices com a GNR, e o fogo que se lixe, os bombeiros que o apaguem, perdendo-se um tempo precioso para o seu controlo.
A forma como tratamos o fogo é ainda mais estúpida que a forma como tratamos a dívida.
Na raiz está a mesma atitude: em vez de olhar para o problema e investir seriamente em melhorar as condições para a sua solução, preferimos legislar para acusar os outros de serem criminosos, sem fazer o menor esforço para compreender as suas razões e descansando as nossas consciências.
No caso do fogo, podíamos investir na extensão rural, no aumento do conhecimento, na capacidade de ter gente no terreno que acompanhe o uso do fogo, reduzindo os riscos do seu uso e aumentando a capacidade de usar sensatamente o fogo, em vez de continuar com a ideia tonta de que Portugal sem fogos depende de todos, nem que seja à lei da bala.
A mim parece-se simplesmente estúpido, mas provavelmente estarei errado.
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A sua resposta sobre a economia é mais ou menos co...
é isso mesmo , isto é um caso de histeria colectiv...
Não. De facto, não acredito que o número de mortes...
Básicamente è a diferença entre o Holocausto ( 4 a...
Isso que dizer que concede que o "crash" económico...