Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Taiwan pela Venezuela - a troca?

por João-Afonso Machado, em 04.01.26

Nada me compadece o destino de Maduro. E registo a magistral intervenção militar que o pescou em casa e o deixou em solo norte-americano. Mas mais do que isto - nada. A não ser o habitual discurso da Diplomacia, entre o hipócrita e o desbocamento total, consoante os Estados tenham tudo, algo, ou nada a perder.

Trump falou. Sobre o futuro político da Venezuela, excluiu à partida a Prémio Nobel da Paz, Corina Machado... Não será necessário acrescentar mais... O País ficará sob a tutela dos EUA nos moldes indecifráveis (ou talvez não...) que Trump foi já anunciando. Esta uma maior preocupação nossa, portuguesa, atento o elevado número dos compatriotas que lá se estabeleceram. É verdade, assim é, o mundo ensina-nos, pensemos em nós primeiramente.

E consoante os regimes vigentes, a América do Sul insurge-se ou bate palmas. Num continente de abissais dessintonias, a ingenuidade é a marca preponderante. Ainda há - vê-se - quem acredite no retorno, puro e simples, da liberdade à Venezuela...

Há, sim, um mundo político novo, inexplorado e sem fim à vista. Há Trump! E a Federação Russa, a China e os "deals" e "millions of dollars".

Haverá, porventura, um novo Eixo - os EUA, a Russia e o empório chinês. Ou uma nova repartição do planeta nas correspondentes três áreas de influência. Deals, alwyais deals. Em que ponto ficamos nós, os europeus? E a Ucrânia, já agora?

A vida de hoje não contempla previsões. A Ucrânia é europeia e a nossa fronteira com a barbárie. É um povo mártir. Somos nós enquanto nós não somos o alvo ou um lugar esquecido. E nós continuamos sentados em Bruxelas dizendo coisas humanitárias e proferindo ditames do Direito Internacional antigo. Insistindo na nossa indefesa, talvez crendo que os mísseis passarão por cima, de um para o outro lado do Atlântico.

Por isso os ucranianos já só poderão contar com os europeus perdidos em falatório. O equilíbrio mundial poderá sacrificá-los à Federação Russa; e Taiwan (outro lugar de liberdade) à China. Trump apostou na riqueza sul-americana e parece querer negociá-la. Nesses termos.

A questão final é perturbadora: Trump, conforme a Constituição dos EUA, vai quase a meio do seu mandato, que será o derradeiro. Será mesmo? Trump distorce o planeta em quatro anos de mandato sem continuidade? Ou alguma surpresa nos reserva ainda? O que tem a dizer o eleitorado americano? E conseguirá abrir a boca? E, até lá (tudo correndo na normalidade constitucional), que irremediáveis estragos serão produzidos?

É de temer o pior. Somente o pior!

 


37 comentários

Sem imagem de perfil

De cela.e.sela a 04.01.2026 às 15:57

a Europa será dividida em proveito dos senhores da guerra.
quantas toupeiras haverá em Bruxelas como aconteceu em Caracas?
'proximamente cenas dos próximos capítulos!'
Imagem de perfil

De Maria Neves a 04.01.2026 às 16:25

Boa tarde João ,
Obrigada pela partilha . Boa reflexão.
De facto, o que nos espera o futuro?!
Obrigada,
Feliz 2026.
Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 04.01.2026 às 16:41

Não sabemos, hoje nada é previsível. 
Um feliz 2026, também. 
Sem imagem de perfil

De Filipe Costa a 04.01.2026 às 16:30

A Russia e a China iam construir 2 bases militates na Venezuela. Mais o petroleo, esperava o quê?
Sem imagem de perfil

De cela.e.sela a 05.01.2026 às 10:50

Maduro vítima de russos, chineses e cubanos
Sem imagem de perfil

De anónimo a 04.01.2026 às 17:54


"...que irremediáveis estragos serão produzidos?". Estragos?. 
Até agora, graças a Biden, Putin estragou 1/4 da Ucrânia e Maduro, graças a Trump, deixou de estragar toda a Venezuela. 
A Venezuela poderá ficar ainda pior?. Veremos. 
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 04.01.2026 às 18:08


Coisas esquecidas pelos jornalistas, a pior profissão...pois isto foi na administração Biden que o PS e PSDois tanto gostaram...


Depois apetece perguntar ao autor o que isto significa:


Press Statement
Antony J. Blinken, Secretary of State
January 10, 2025


(...)
In solidarity with the Venezuelan people, the U.S. Government and our partners around the world are taking action today. The Department of State is increasing the reward offers to up to $25 million each for information leading to the arrests and/or convictions of Nicolás Maduro and Maduro’s Minister of Interior Diosdado Cabello. The Department of State is also adding a new reward offer of up to $15 million for Maduro’s Defense Minister Vladimir Padrino López. These three reward offers stem from criminal narcotrafficking indictments announced  in March 2020.(...)
Imagem de perfil

De O apartidário a 05.01.2026 às 09:29

Quem souber inglês que tome atenção ao que se diz neste short video (pura realidade e pragmatismo,nada de fantasias e lirismo pseudo humanista


https://youtube.com/shorts/GmElKL1SQmI?si=X5Vo5cKQefUznVwe
Sem imagem de perfil

De Silva a 04.01.2026 às 18:26

"A vida de hoje não contempla previsões"
"Haverá, porventura, um novo Eixo - os EUA, a Russia e o empório chinês"


Não existe nenhum novo Eixo, Eua, Rússia e China.
Existe a Nato e existe a Organização de Cooperação de Xangai, vulgo, Pacto de Xangai, desde 1996 e refundado em 2001, que é o sucessor do antigo Pacto de Varsóvia, e basicamente são a Rússia, China e Índia que muitas vezes estão unidas e outras vezes estão em conflito. Até têm a Turquia (membro da Nato) como observador e a ONU do perigoso Guterres.
Existe também os Brics que são uma espécie de não-alinhados (do tempo da Guerra Fria) mas que estão alinhados com a Rússia (especialmente quando o Lula está no poder).
Basicamente ou são comunistas e derivados, ou anti-capitalistas ou anti-ocidental ou anti-cristã.


A Comunidade Europeia, transformou-se numa organização burocrática destinada a resolver os seus problemas internos (dos burocratas) e que tende a crescer como monstro burocrático, ou seja, irá continuar a absorver recursos aos contribuintes dos países membros. Entrou para lá o comunista Costa o que não abona em nada a organização.
Fez bem o Reino Unido em sair, pois era um contribuinte líquido e essa saída irá aumentar a pressão financeira aos restantes países.


Isto não são previsões, são realidades.

Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 04.01.2026 às 18:32

Silva: as imprevisíveis previsões são a consequência dessas realidades 
Sem imagem de perfil

De Silva a 04.01.2026 às 19:58

As previsões têm que ser feitas nesta base e não noutras irreais ou mesmo imaginárias.
Os Eua irão continuar a sua agenda expansionista com o novo destino manifesto a Gronelândia e o Canadá.
Irão limpar o seu "quintal das traseiras" (toda a América Latina) de comunistas e narco-traficantes, promovendo a mudança de regimes nalguns desses países.
Irão continuar a limpar os Eua de imigrantes ilegais.
Não estão a limpar os comunistas americanos.
Irão continuar a limpeza anti-terrorista no Irão e em África (como já começaram).
Irão reforçar o orçamento militar.


A Rússia continuará no atoleiro da Ucrânia e irão continuar a sofrer muitas baixas e destruição de infra-estrauturas.
A China continuará com o seu projecto Nova Rota da Seda.
A CE continuará a mandar umas "bocas".
Imagem de perfil

De zé onofre a 04.01.2026 às 18:35

Boa tarde, João-Afonso
                  … Sanções
  Pergunto:
ao sr. Presidente do Conselho Europeu da UE
à srª Presidente da Comissão Europeia da EU
ao sr. Primeiro ministro do Reino Unido
aos comentadores especialistas, principalmente sr. Rogeiro e José Milhazes
a todos quantos nestes blogues do blog. Sapo estão sempre prontos a apoiar as sanções promovidas contra outros estados pelos EUA
Que sanções contra os EUA pela invasão do Estado Soberano da Venezuela e pelo rapto do seu Presidente Nicolas Maduro?
Zé Onofre
Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 04.01.2026 às 19:18

Boa tarde Zé Onofre,
Como terá reparado, os EUA, mais  tarifa, menos tarifa, é que têm poder económico para sanções. 
Sair da NATO ou de onde for também não faz sentido, porque em boa verdade,  Trump já saiu.
A questão principal, quanto a mim, é  esta: Putin está no poder há décadas,  assim o consente o regime russo. Trump,  até ver, tem 4 anos de mandato, depois o povo volta a escolher.
Mas tudo se manterá para que ele possa continuar a escolher?
É que a democracia é muito isso - a garantia de os eleitores escolherem os seus parlamentares e governantes. 
Imagem de perfil

De zé onofre a 04.01.2026 às 20:21

Boa noite, João -Afonso
Mas eu não falei de regimes nem de ditadores de longo ou curto prazo.
Falei do desrespeito pelo direito Internacional.
… E, antes disto, já o sr. Bush tinha ido ao Panamá buscar o sr. Noriega.
Não creio que seja assunto de longevidade dos poderes, trata-se da noção de impunidade que atravessa tudo que se relaciona com os EUA.
Zé Onofre
Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 04.01.2026 às 20:29

Uma das características dos ditadores é desrespeitar o D.to Internacional. Salvo nos escassos dos ditadorzinhos caseiros, desconhecidos extra fronteiras 
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 04.01.2026 às 19:50

 A resposta é simples e cristalina;


Nenhumas sanções pela simples razão de que ninguém se atreve.
 
E ninguém se atreve porque progressivamente, os mecanismos que regulam a ascensão aos centros de decisão, passaram a valorizar a insignificância e a imbecilidade como qualificação  principal de acesso.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 04.01.2026 às 20:02

Na verdade ninguém sabe.


Mas António Guterres já veio dizer que está preocupado.


Ena pá. Ele está preocupado.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 04.01.2026 às 22:37

Giro, estes falsamente preocupados com o Direito Internacional - não piaram quando o Líbano e o  Irão atacaram Israel- mas não preocupados com o Direito Nacional.... dos Venezuelanos.
Imagem de perfil

De zé onofre a 05.01.2026 às 16:45

Boa tarde
Lembro-me de Israel ter atacado o Líbano, e continuar a a atacar,  o Irão, o Dubai, a Síria, … Dos EUA terem atacado recentemente o Irão e a Síria, também me lembro, agora o Irão e o Líbano terem  atacado Israel faça o favor de me elucidar quando isso aconteceu.
  Zé Onofre
Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 05.01.2026 às 16:59

Zé Onofre:
Peço desculpa pela intromissão mas procure no Google «Guerra dos 6 dias em 1967» e terá um pouco mais de informação.
Imagem de perfil

De zé onofre a 05.01.2026 às 19:31

Boa-tarde, João-Afonso
Conforme sugestão sua fui ao Google. Eis uma cópia do que li.
«Em maio de 1967, a Síria e a Jordânia apoiaram grupos guerrilheiros que fizeram parte da Organização para a Libertação da Palestina a movimentar suas tropas próximo à fronteira com Israel, aumentando a tensão no Oriente Médio. Sírios e jordanianos pressionaram o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser a também movimentar suas tropas próximo à fronteira israelense. Ele ordenou que as tropas da ONU, que estavam na Península do Sinai desde 1956, quando aconteceu mais um confronto militar entre israelenses e árabes, se retirassem da região.

Dias depois, ele também ordenou o fechamento do Golfo de Aqaba. Percebendo que os árabes estavam movimentando suas tropas próximo às fronteiras, Israel resolveu agir, dando início, em 5 de junho de 1967, à Guerra dos Seis Dias.»

Como lê, quem iniciou a guerra foi o Estado de Israel.

Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 05.01.2026 às 22:42

Acha mesmo, só porque leu "dando início "?
Imagem de perfil

De zé onofre a 05.01.2026 às 22:46

Boa noite, João-Afonso
É o que está lá escrito. Quem sou eu para alterar os factos?
Zé Onofre
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 04.01.2026 às 18:55

Só falta saber se o conjunto de regras a que de um modo geral se chamava Direito International, e permitiam gerir conflitos e uma convivência, mais ou menos pacífica, acabou.


Porque se for esse o caso e a partir de agora, vigorar só a Lei do Mais Forte estaremos simplesmente a caminho da terceira.
Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 04.01.2026 às 19:10

Já nos meus remotos tempos de Faculdade se discutia o valor relativo do D.to Internacional. Nesse aspecto pouco mudou, prevalece a lei do mais forte e quando este abusa lá aparece aquele, sobretudo como voz de indignação e solidariedade. Mas sem conseguir mais do que isso 
Sem imagem de perfil

De Anonimo a 04.01.2026 às 19:00

Há os EUA e há os BRIC.
Os americanos têm feito de tudo parz alienar os supostos aliados, Europa, México e Canadá. Talvez porque percebam que melhor que lutar contra os bric, é largar os lastro e aliar-se a estes.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 05.01.2026 às 19:24

Pois se calhar até dava jeito.


A grande questão é saber se os Bric vão na cantiga, pois parece-me, os BRIC são exactamente uma forma de sair do "abraço" do chamado Norte 
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 04.01.2026 às 20:42

Resumo a traço grosso : os EUA   decidiram regressar à matriz original , WASP...
Os Britânicos gostariam de fazer o mesmo, mas...too little e , sobretudo, too late.
Enoch Powell bem avisou...
Juromenha


Comentar post


Pág. 1/2



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com



Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Parecem coisas e mundos de Planos diferentes e irr...

  • Anónimo

    Está a tornar-seOs mecanismos de educação dos sist...

  • Anónimo

    Os países em que o mercado livre funciona sem amar...

  • Anónimo

    Parece-me, ninguém terá dúvidas, em rotular a habi...

  • Anónimo

    A IA marxista ??


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2026
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2025
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2024
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2023
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2022
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2021
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2020
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2019
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2018
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2017
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2016
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2015
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2014
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2013
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2012
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2011
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2010
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D
    222. 2009
    223. J
    224. F
    225. M
    226. A
    227. M
    228. J
    229. J
    230. A
    231. S
    232. O
    233. N
    234. D
    235. 2008
    236. J
    237. F
    238. M
    239. A
    240. M
    241. J
    242. J
    243. A
    244. S
    245. O
    246. N
    247. D
    248. 2007
    249. J
    250. F
    251. M
    252. A
    253. M
    254. J
    255. J
    256. A
    257. S
    258. O
    259. N
    260. D
    261. 2006
    262. J
    263. F
    264. M
    265. A
    266. M
    267. J
    268. J
    269. A
    270. S
    271. O
    272. N
    273. D