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Hoje, eleição no PSD

por João-Afonso Machado, em 28.05.22

É nada que me diga respeito. Social-democrata, sim, mas sem partido, absolutamente dono da minha liberdade. No entanto, não andando por aí o meu amigo Tino de Rans, é ao PSD que confio o meu voto normalmente. Segui, por isso, a "campanha eleitoral" com algum interesse.

Acresce, gostaria de vê-lo uma força política capaz de ombrear com os socialistas e, se possivel, acabar com essa central de negócios e restaurar a democracia.

Mas não sei se lá chegaremos. De Luís Montenegro, nada mais poderemos aspirar senão a uma retórica mais contundente no Parlamento. Acrescem as suas conotações com a Maçonaria, algo que (entre muitas outras considerações em que não me alongo) o aproxima demasiado da dita central de negócios.

Jorge Moreira da Silva é um rapaz novo (aliás, um famalicense, e só isso já conta) dotado de conhecimentos muito mais profundos no domínio do Ambiente - hoje fundamentais - com experiência ministerial e uma seriedade e serenidade sem dúvida convenientes. Deixou, em definitivo, o seu alto cargo na OCDE, por troca com esta incógnita partidária que merece vencer.

Mas ambos incorreram no mesmo erro de se acharem necessitados de carimbar o seu passaporte democrático demarcando-se do Chega. Que nos interessa o Chega, um partido de contestação somente, agora com oportunidade de dizer umas verdades e umas alarvidades na AR? O Chega é inofensivo, a Esquerda e até a menina Sousa Real (e a suas menstruais preocupações) não são. Por um Portugal a sério, sejam sociais-democratas e vejam lá se chegam ao Governo enfim!

Cabrita à solta

por João-Afonso Machado, em 11.05.22

É notícia fresca, o MP - em tempo record!, finalmente, e decerto só por coincidência, - arquivou o inquérito aberto ao ex-ministro Eduardo Cabrita por causa do acidente que vitimou um trabalhador na A6. A aguentar-se ao balanço, sozinho, ficou o seu motorista.

Estranhíssimo. Dos meus poucos conhecimentos jurídicos, creio ter presente, pelos actos do comissário no exercício das suas funções é também responsável o comitente - neste caso Cabrita, que ainda por cima ia com pressa, agarrado a uns papeis que já devia ter lido, e que, na versão inicial, terá dito ao motorista para carregar no acelerador.

Acresce, indo pelo senso comum, por aquilo para que o Direito tem uma expressão - o "procedimento de um bom pai de família" (pessoa normalmente diligente) - que interessava ao motorista correr riscos inúteis, se a pressa não era dele ou não lhe foi comunicada pressa alguma? Para quê a velocidade excessiva, se podia seguir apenas tranquilamente?

E, tendo já sido afirmado que apressado estava Cabrita, com base em quê e em quem afastar a hipótese da ordem ilegitima que deu para "levantar voo".

Como disse, foi um inquérito aberto e tapado à velocidade a que o carro de Cabrita seguia... E não sei porquê, acabam de me acorrer ao espírito os nomes peregrinos de Pedroso e Ferro. Termino, já incomodado com estes fantasmas que não nos largam. 

Objectivo Marrocos

por João-Afonso Machado, em 07.05.22

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- É altura de avançar! - exclamou o nosso Presidente - É agora ou nunca! - E minunciou a sua visão de estadista - Temos a nascente uma monarquia; a poente o oceano, o reino dos thalassas, monárquicos que são, e na extremidade sul outra Coroa, a de Marrocos. Estamos cercados e a culpa é dos EUA, da NATO e da UE que nos roubam o nosso espaço vital!

Os conselheiros entreolharam-se, temerosos, e o Presidente prosseguiu - De caminho, restauram a Realeza nesta nossa ético-República! Defendamo-nos! A Espanha é aliada da NATO e dos EUA, o oceano um domínio dos pescadores do arrasto espanhois, resta-nos a salvaguarda por Marrocos. Quero todos os Portas-submarinos em acção, prontos a lançar mísseis sobre Ceuta, e as forças terrestres entrando por Ayamonte, que os separatistas andaluzes fecham os olhos!

O Presidente vislumbrava já os gloriosos Rebelos e Sousas de outrora, façanhudos comparsas da Ínclita Geração nos primórdios da Epopeia. Não, decididamente a ético-República não seria absorvida, não se renderia.

- Em uma semana a mouraria fugirá para o deserto e Rabat será nossa vassala. Jamais nos deixaremos enforcar nesta corda que nos puseram ao pescoço. E vamos a isso - now!!! - que na segunda-feira o preço do combustível aumenta!

- Presidente - um mais afoito alvitrou - e sob que pretexto? - Ora, todos sabem, Marrocos é o valhacouto dos nazis do Chega! - Mas o Chega está aqui connosco, dizendo que sim... - Então´- foi a resposta final de S. Ex.cia - salvemos Portugal dos monárquicos divisionistas que tão mal fazem à Nação!

O 1º de Maio, o Dia da Sardinha

por João-Afonso Machado, em 01.05.22

Interpreto o facto como um sinal de maturidade dos portugueses: a despolitização dos festejos do Dia da Trabalhador. Que ele exista, que seja feriado, pois porque não? Mas porquê a CGTP "obrigar" os seus filiados a massacrarem-se em manifestações, palavras de ordem, timpanos perfurados por megafones.

Por isso, os meus parabéns aos nossos trabalhadores, cada vez mais autónomos. Lisboa, Porto, Coimbra, tudo uma ténue imagem dos tempos antigos das "jornadas de luta". E como bem disse um entrevistado pela televisão na Capital, no Marquês - «viemos até aqui conviver. Está bom tempo, trouxemos os filhos, hoje é o primeiro dia em que se pode comer sardinha»...

E toca a embrulhar uma lasca dela numa fatia de broa! Na relva, a manta posta, os pasteis de bacalhau, o garrafãozito. Assim, sim!

Depois foi o pitoresco episódio do Secretário-geral Adjunto do PS, acompanhado do Sr. Marques Lopes (???) se aproximar da Secretária-geral da CGTP para uma troca de cumprimentos. Levou sopas - «Pois, obrigado, retribuo, mas estamos para lutar por...» - E toca a desbobinar direitos laborais. Houve réplica, tréplica e quádruplica, mais ainda um articulado superveniente nessa longa e maçadora audiência.

Voltando às sardinhas, o povo "saiu à rua" também para festejar as Mães, o Sol e o fim das restricções anti-covid. Contas feitas, tudo apontando um resultado ligeiramente superior a 2 (=Camarinha+Jerónimo). Apesar da crise, caminhamos para a normalidade humana e sem esta, aquela "jamais será vencida"...

Do inconcebível

por João-Afonso Machado, em 18.04.22

A Esquerda jamais deixará de me surpreender! Mais não seja por um saudosismo seu que, inumada a URSS, ainda a Mãe Rússia lhe fala ao coração. É um modo de dizer: o demónio continua a habitar nos EUA, e os EUA são - embora não sejam - a NATO.

Daí teorias de alto teor criativo como a da inculpação do presidente ucraniano Zelensky no conflito que matou o covid (televisivamente falando).

Tudo porque Zelensky tem a audácia de andar pelo mundo livre denunciando ataques mortíferos, cidade destruídas e civis sacrificados. Estivesse Zelensky caladinho e a guerra (perdão: a intervenção militar russa) cessaria rapidamente.

Não se imagina forma mais artificiosa de dizer a rendição da Ucrânia acarretaria menos perda de vidas. Ou então: o apoio ocidental a um País soberano invadido (perdão, outra vez: intervencionado) é a causa desse desvastador efeito.

No mais, a Rússia agiu mal (cautela preambular do discurso comunista...) mas não é culpada de os ucranianos não se quererem render. Extraordinário! E porque os ucranianos não se rendem e pedem apoio às democracias... aí está o flagelo que eles próprios provocam.

A Esquerda só não percebeu: as gerações mais novas da Europa (que é o continente nesta questão principal) acordaram. Mobilizaram-se e solidarizaram-se. Querem ir para a Roménia, para a Polónia, querem dar apoio. Estão outra vez dentro da política. E o imperialismo russo (nazoide ou comunistoide, não interessa) vai perder. A Esquerda também. E a mártir Ucrânia virá ao cimo outra vez.

Oh Santos!, oh Silva!

por João-Afonso Machado, em 30.03.22

Caiu muito mal o discurso de tomada de posse do novo Presidente da Assembleia da República. Conquanto fosse previsivel, num regime fracturante como é o republicano.

Mas vamos admitir que Augusto Santos Silva, devido a um eventual excesso de cansaço, se confundiu e fez uso da palavra como se de uma aula de apresentação se tratasse, enunciando o seu programa lectivo. No qual o professor traçou logo as linhas por que a turma teria de se pautar - em obediência ao seu pensamento, às suas imposições e ao respeito devido aos rigores presenciais e à pontualidade depois do toque da campaínha no final do recreio. Bem como aos limites impostos às opiniões dos discentes.

O tema: o ódio vs. a liberdade; o patriotismo como contraponto do nacionalismo, num mero aparato ideológico-conceptual. Porquê? Para quê? Estigmatizando quem?

Preconceituosamente, sem dúvida. Mas atingindo o seu objectivo, ou não fosse o pateta do André Ventura enfiar o garruço e logo reagir. A legislatura augura do melhor...

Parlamentarices

por João-Afonso Machado, em 29.03.22

Augusto Santos Silva acaba de ser eleito Presidente da Assembleia da República. Ficou para a história o duplo mandato mais descochavado do aludido cargo, permanentemente escorregando cadeira abaixo, o de Ferro Rodrigues.

Sucede-lhe alguém mais hirto, fisionomicamente um misto de Himmler e de Beria, um político que se deliciava a «malhar na Direita». Palavras suas, de Santos Silva.

Oxalá confira dignidade à sua função que é, apenas, a da segunda figura do Estado. Não sou de superstições mas o facto é as coisas começaram mal. Erros na votaçao, repetição desta, listas de deputados com os nome a não baterem certo. Gargalhadas no hemiciclo, os parlamentares da República riam-se de si mesmo, da sua inoperância e dos seus serviços.

E a dita, empedernida e com o seu sempiterno barrete frígio na cabeça, a esfera armilar na mão como qualquer jogadora de bowling, ali quieta, calada, velhota e completamente incapaz de dar respostas à Nação.

(Voltemos à televisão, que a tarde promete e há momentos de menor masoquismo.)

Não, não sou do Chega, mas...

por João-Afonso Machado, em 21.03.22

Nos meus 30 anos, no Porto, vi-me envolvido numa sarrafusca, madrugada alta, com os "seguranças" de uma boite. Nada recordo, a coisa terá começado com um meu amigo e sobrou para mim. De que maneira! - fractura e hematoma cranianos, braço duplamente partido, cabeça suturada, etc. etc. O neurologista que me acompanhou, quando lhe disse (na manhã seguinte) queria ir para casa, redarguiu - Você fica aqui muito quietinho que por muito menos morreu o Joaquim Agostinho - E o meu Pai, entretanto chamado, pediu-lhe comedimento, ainda me matava da cura...

Foi uma semana de quietude total, a que se seguiu uma longa convalescença. Como disse, de nada me lembrava. Os meus amigos calados, amedrontados. À falta de outros meios apresentei no MP queixa contra incertos. Obviamente arquivada.

Duas décadas volvidas vim a saber o nome do principal autor da proeza, pela boca desses meus parceiros. Motivo: ele morrera entretanto, no quadro das batalhas entre gangues que dominavam a "noite" portuense (os "Pidás"...). Então eu já podia conhecer o episódio, o perigo jazia debaixo de terra...

Tudo a propósito dos quatro agentes da PSP sovados recentemente em Lisboa. Um deles (notícia de há pouco) morreu. E os agressores - algus, pelo menos, - eram fuzileiros navais.

Uma vida que se perdeu apenas porque, não estando fardado, resolveu cumprir o regulamento e intervir e sanar uma rixa... Poderia ter feito (e estar agora com os seus...) vista grossa e os da contenda que se amanhassem entre si.

Tudo revolta. É claro, vai proceder-se a averiguações. Preponderará o medo? O compadrio? Ou criar-se-à mais uma comissão de inquérito?

Putin vai à guerra

por João-Afonso Machado, em 14.03.22

De fonte muito abalizada, ouvi um historial que remonta aos tempos de Bill Clinton e de Boris Yeltsin: este, no sufôco económico da nova Rússia, teria pedido aquele 4 biliões de dólares para os alfinetes da Pátria-Mãe. Isto assim por alto, claro. A contrapartida, segundo exigiu o anuente presidente dos EUA, seria o assentimento do interlocutor quanto a bases militares da NATO na Polónia, na Roménia...

Veio Putin. E as ditas bases passaram a incomodá-lo. Sentiu perto de si, demasiadamente perto, os mísseis direccionados a Moscovo. E o neutral intervalo da Ucrânia não o tranquilizou. Daí a invasão.

Pois nada digo em contrário dos factos apresentados. Sigo antes pelo caminho da lógica pura. Desde logo porque, uma de duas: ou a Ucrânia continua neutral (caso em que bem a podiam deixar em paz), ou Putin quer trazê-la para a sua esfera, pôr cobro à sua neutralidade e ripostar com bases militares russas no território daquele país dito soberano.

Poderão conjecturar-se soluções intermédias, e para isso abundam os "analistas". A Diplomacia foi (e continua a ser) uma arte capaz de pôr termo às invasões napoleónicas em Portugal, declarando a República Francesa perdedora mas consentindo fossem levados cá da nossa terra os valiosíssimos despojos pilhados Nação fora... Ou de, no Tratado de Versalhes, nos dar o lugar de um País de terceira (em que, por acaso, a República nos transformou) sem vontade nem voz.

Por isso, antecipo desesperançadamente os resultados de quaisquer negociações desse tipo. Eu nem atribuo apanágios ideológicos a Putin. Sei apenas que foi figura grada no KGB e há vícios e adições que jamais se perdem.

O mais marado da turma

por João-Afonso Machado, em 08.03.22

Ao século XXI, tragicamente revivalista, faltava ainda replicar o processo das deportações. Mas tudo tem explicação, em boa verdade que faria Putin, uma vez anexada a Ucrânia, sem escravos que trabalhassem nesses seus novos domínios, os próprios ucranianos?

Assim a hipocrisia dos loucos voltou a imperar na Europa. Com todos os mais países em protesto de voz somente, e tímidas medidas sancionatórias, medidas escolhidas a dedo entre as que não lhes causem transtorno também.

Estou em crer, os desgraçados ucranianos, velhos, mulheres e crianças, que quiserem fugir à desvastação melhor será esqueçam as "rondas" de conversações. Tentem a Polónia, a Roménia, venham para cá e para onde a solidariedade das gentes já se sobrepõe à dos poderes públicos.

Durante a Guerra Civil espanhola foram muitos, de muitas origens em muitos continentes, os que vieram combater ao lado das forças esquerdistas, em nome do seu republicanismo, do seu pretenso vanguardismo. Hitler (com todo o seu imenso poder militar) muito perdeu com a Resistência armada e espalhada de França aos confins da Grécia. São boas notícias, as dos voluntários americanos (ouvi algures, de alguns portugueses também), antigos combatentes, a caminho da Ucrânia que se quer livre. Oxalá, além de centrais nucleares, aquele território disponha de lugares adequados à guerrilha...

Pelo resto do mundo... Brilhante a ideia de pintarem a embaixada russa, à noite, em luzes com as cores da bandeira ucraniana! Ontem, em Lisboa. Poderia ter sido, em alternativa, com esses famosos adornos das Caldas... Excelente, a mudança do nome das ruas onde as ditas se situem. (Embaixada da Rússia, à Rua do Heróico Povo da Ucrânia...) Façam a vida negra aos diplomatas "soviéticos", sirvam-lhes caviar de taínha. Dêem largas à imaginação, cubra-se Putin de ridículo, vergue-se-lhe a inexpressividade da sua face e do seu discurso.

Pode ser que o mais marado da turma se revele então um reguila afinal enfrentável e vencível.

O novo "povo mártir"

por João-Afonso Machado, em 25.02.22

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E eis, enfim, o covid desapareceu - da nossa atenção, é claro, que a pandemia poderá ser agora de natureza nuclear e as radiações estendem-se já por aí.

A guerra das armas chegou à Europa. A uma Europa que, sem outras armas senão as ameaças e a dissuasão, saíu ilesa da Guerra Fria e quase já não recorda a II Guerra Mundial. Anote-se, este não é um conflito em que subjazem diferendos ideológicos: somente o imperialismo autocrata russo, a sua vontade de expansão e de recuperação da sua antiga imensidade (para além da gulodice económica) levam Putin a roubar e a matar.

Possivelmente, a Europa, os EUA, andaram este tempo todo dormindo, como já acontecera antes de 1939. Agarrados a uma diplomacia que é sempre a gargalhada dos tiranos - desses que, como Putin, ainda proclamam intenções de paz quando as suas tropas já iniciaram a invasão.

Depois vêm as represálias económicas. (Outra gargalhada dos tiranos - vejam-se as décadas de embargo comercial aos cubanos...) Mais conversa mole, com cada país estudando meticulosamente os prós e os contras para as suas economias desta e daquela medida de contenção. Finalmente, o ridículo total: já foi anunciado, a final da Champions não será disputada em S. Petersburgo.

Tudo isto com os exércitos russos, precedidos dos indispensáveis bombardeamentos, chegados a Kiev. Adeus Ucrânia livre e soberana!

Até hoje a guerra era lá longe, em África ou na Ásia. Agora bate-nos a uma porta que não queremos abrir. As tropas ocidentais posicionam-se em volta (parece que um milhar de portugueses estacionará na Roménia) só para russo ver. Cada período da História tem os que já nos habituámos a chamar seu "povo mártir". Foi o caso dos polacos, é o caso dos ucranianos.

Entretanto Putin reprime os muitos russos que se manifestam contra a guerra. E o PCP em mirabolante comunicado, põe-se do lado de Putin. Falta apenas António Costa pronunciar-se sobre a inclusão do PCP no seu dilecto "arco constitucional". Assim vai esta planetária "geringonça".

O nosso inevitável "Estado de Coma"

por João-Afonso Machado, em 11.02.22

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Fascista, Diogo Pacheco de Amorim? - Não dei por nada, ao longo dos muitos meses em que, juntamente com outros amigos, escrevemos este Estado de Coma, obviamente português. Estávamos em 1995 e a edição foi da Real Associação do Porto.

Ex-membro do MDLP, Pacheco de Amorim? Não sei, nunca falámos disso.

Mas, a propósito, relato um episódio que me foi contado por um familiar, oficial superior do Exército, em 1975 conotado com o PS e por este nomeado para cargos administrativos. Pois garantiu-me ele ter estado, na véspera do 25 de Novembro, a almoçar na minha terra com um grupo de civis, preparando a defesa do assalto da Esquerda que já se tinha por certo - e temendo, aliás, as centenas de G3 em «boas mãos», disseminados pelas Lisnaves e Setenaves de então.

Contra essas «boas mãos»... havia no Norte os ditos civis, o MDLP, pois claro. Actuando em conjugação de esforços com o PS, os partidos da Direita e os moderados do MFA. Depois condenados uns ao desprezo, e levados os outros à glória e às delicias do mando político.

(Com este episódio e com os dados certeiros que apontei, meti uma rolha no discurso tendencioso do Gen. Pezarat Correia, em certa conferência onde sustentava ter sido o ELP o derradeiro movimento terrorista português. - Então e as FP25?)

Não voltei a estar com Pacheco de Amorim, não votei nele e penso ser um péssimo parlamentar. E um infeliz às mãos de Costa que, para distrair o PCP e o BE, está a fomentar uma nova caçada aos "fascistas".

Maiorias absolutas e maiorias absolutistas

por João-Afonso Machado, em 01.02.22

Alguém especiosamente criou a distinção. Alguém, porventura, desagradado pelos da sua predilecção ameaçarem não superar, ou terem mesmo não superado os 50% de representação parlamentar. A política resume-se muito a esta cegueira.

E a outras: uma aliança pré-eleitoral entre o PSD e o CDS teria retirado a maioria - obviamente absolutista - ao PS e teria mantido os democratas-cristãos na Câmara onde estiveram desde o primeiro momento. Por causa de quem, devido a que teimosia, não sei, não me preocupa e lesa sobretudo os intervenientes nessa asneira.

Voltando às maiorias - Costa. Costa não é absolutista nem relativista. É Costa e o seu facies não engana. Não completará a Legislatura porque fará  as malas, entretanto, para um paraíso europeu mais condizente com a sua jactância. Antes ainda, encarregar-se-à de semear a confusão entre ambos os extremos do hemiciclo parlamentar. Quanto maior o reboliço por aí, menor a atenção do eleitorado nos seus dislates. No destino da ansiada munição para a bazuca...

Enfim, não nos espera um futuro brilhante. Mas nós já estamos habituados, é o que vale, e o FMI é um amigalhaço habitual cá em casa.

"Vamu'lá vê"...

por João-Afonso Machado, em 28.01.22

- Vamu'lá vê! - e a face anafada e sorridente, morenaça, sem pestanejar, ia dizer uma coisa qualquer...

- Então?

- Vamu'lá vê, o Governo não podia ceder às pressões da Esquerda mais radical, era um desastre, urgia um novo caminho mais realista...

- E?...

- E por isso o Orçamento foi chumbado em Outubro. Um disparate! Vamu'lá vê, em plena crise pandémica, três meses de atraso...

- Mas agora...

- Vamu´lá vê, uma maioria forte, uma maioria absoluta, ia permitir-nos governar, favorecer o crescimento económico, relançar o País...

- Porém...

- Vamu'lá vê, o eleitorado começou a fugir. Vamu'lá vê, o eleitorado é o povo, e o povo é quem decide. Só não pode é decidir contra nós...

- Contra o que as sondagens começaram a apontar...

- Nem mais. Vamu'lá vê, imagine que o Rio e a Direita ganham. E se poem a fazer reformas! Já imaginou a carga de desemprego político que isso acarretaria para os nossos? Seria a nossa austeridade!

- Vai daí...

- Vai daí, vamu'lá vê, houve de acertar o discurso...

- ... Em plena campanha eleitoral? E o programa do PS?

- Pois, claro... [O sorriso sempiterno] Vamu'lá vê, já um ilustre meu antecessor dizia, «em política, o que parece é». Vamu'lá vê. Tudo ficou em deixar exigências, que a coisa corria pelo pior, e piscar outra vez o olho ao Bloco. Mesmo porque o Rio, sempre com a sua mania do melhor para Portugal, na certa não falhará o apoio na AR no devido momento...

- E isso esclarece o eleitorado? E quanto aos que já votaram previamente?

- Vamu'lá vê [jamais pestanejando], acha que eu deixaria as eleições para a Direita? A Esquerda cobra impostos, vale-se das cativações, mas a Esquerda é o Povo!

- E a democracia?

- A democracia sempre foi a Esquerda. E contra a Esquerda, vamu'lá vê, - linhas vermelhas!

- Portanto está confiante na vitória?

- Claro! Vamu'lá vê, não estamos aqui para enganar ninguém, apenas toda a gente...

- .... E o Orçamento chumbado em Outubro?

- Vamu'lá vê, dá-se-lhe a volta. Eu bem o acenei em entrevista, está ali um documento para negociar, rever...

- Vai contar com o apoio parlamentar do PCP?

- Evidentemente! Vamu'lá vê: Jerónimo foi-se abaixo, a nova geração é mais flexivel, na política a coerência mata os seus profissionais, e o importante é derrotar a Direita - Vamu'lá vê, a estratégia da colagem do Rio ao Chega foi genial - e eu, que nada quero deste barco velho, autorizado por mais um sucesso eleitoral deixo-o sozinho e zarpo de iate para a Europa. 

Atenção!!!

por João-Afonso Machado, em 27.01.22

Acabam de se saber as previsões (vulgo sondagens) da U. Católica quanto aos resultados eleitorais.

Costa prepara-se para falar num comício qualquer transmitido em directo televisivamente.

Aguardaram-se obscenidades menos recomendáveis para as pessoas sensíveis no seu discurso. No mínimo, Rui Rio estará conluiado com a extrema-direita, e Auschwitz será uma proposta plausivel para Portugal...

Quanto a amanhã, último dia de campanha - mais do mesmo e a parceria, entre outras, de Catarina (Anne-Frank) Martins.

(Mas, para já, a "pandermicida" Moreira a chegar no PSD, em David Justino e - claro - na conspiração Ventura/PSD.)

Ó malta, se a Direita ganhar o Tordo vai embora!

por João-Afonso Machado, em 20.01.22

São assim pequenas histórias que encantam os cafés da nossa democracia. De que política mais nos podemos vangloriar, senão do historial desse títere dos Festivais albinegros da Canção? Venha de lá mais um pint, ó fax'avor, aqui para este anacrónico.

E assim, à falsa fé, acabo chateando o pessoal da mesa, todo da minha geração. - "Anacrónico"? - Sim é isso que a poderosa senhora do PAN nos chama, a nós caçadores e aficionados dos touros; e aos pescadores também.

(Isto vai em crescendo!...)

Que somos uma geração gasta, em mora para dar lugar à geração mais nova que não caça, não pesca e detesta a tourada. O mundo é deles, jura madame Sousa Real. Em boa verdade, além de pesadamente opaca, uma gerontófoba.

E, subitamente revitalizado, debito: madame Sousa Real (na verdade esqueci o seu nome próprio) confunde coisas básicas. Nós aqui no café, em nada nos opomos a que madame contraia sucessivas núpcias com os seus periquitos, por longas e amorosas relações plenas. Chama-se a isto respeitar a liberdade de cada um. Mas incomoda que madame nos queira impor uma restrição, a de não caçar ou pescar, uma ditatorial medida de que a inteligência do PCP, por exemplo, nunca se lembraria.

Madame é urbana e percebe-se nunca lhe faltou o alimento. O bife. Com o andar da idade, até conseguimos compreender que evolua para o vegetarianismo. Mas faça madame o favor de deixar o mundo rural em paz. Aliás, nele, madame está para o eleitorado como o Big Brother para os espectadores televisivos.

Madame, julgo não será eleita. Graças a Deus! Os coelhos agradecem, temendo a mixomatose; e as perdizes também, pela sanidade das ninhadas sem predadores que as devorem.

E nós aqui no café, igualmente. Há programas lúdicos de muito melhor efeito do que o seu.

O Costa solar

por João-Afonso Machado, em 17.01.22

Naquele tempo, os tabus de Cavaco Silva deram brado e à Esquerda repugnou essa falta de ético-transparência. Dá-se o caso de a presente campanha eleitoral, no fundo, girar em torno de António Costa e dos seus múltiplos tabus. De resto, há algumas semelhanças suas com Cavaco Silva... sendo, no entanto, as diferenças mais notórias: Cavaco um tosco, Costa um espertalhão; aquele não sabendo mentir, este desconhecendo o que é falar verdade.

Mas regressando à actualidade, ignoramos tudo, incluindo a tão falada sua hipotética emigração de Costa (que seja muito feliz na UE e se esqueça aqui do quinteiro), e sobretudo os ardis que já terá concebido - no infeliz caso de ficar - para cada possível desfecho eleitoral. Graças à imaginação de Costa, o cidadão deixou de andar seguro nas avenidas da política, a qualquer momento pode ser surpreendido, atropelado, por alguma trotinete silenciosa.

Tudo para explicar que, a dar atenção a esta campanha, não importa o que os pregoeiros vão dizer, mais contará a atenção e a expressão de quem ainda os ouve. E a abstenção deverá somar exorbitâncias (que pena a abstenção, em vez do voto em branco!!!)

Finalmente, porque nem tudo é mau, três distinções, no muito pouco a que assisti: a atitude firme e educada de Cotrim de Figueiredo; a coragem de Francisco Santos; e a bonomia do velho Rio de quem um comentador televisivo dizia, poderão ser muitas as gaffes - mas o homem é sincero, não mente!

Prémio Trotsky - o rótulo 2022

por João-Afonso Machado, em 04.01.22

Não acredito a generalidade do eleitorado ande por aí acompanhando atentamente os debates diários entre os diversos concorrentes. Sobretudo porque o que está em causa já todos sabem, e só o Sr. Rui Tavares, coitadíssimo, acredita no mérito da sua própria mensagem.

Por isso, os debates são para passar à frente e as consequentes apreciações dos politólogos também. E eu a dizer isto e a lembrar-me dum excerto do elevado confronto de ontem entre a nossa Catarina e André Ventura. Em que ele a tratava pelo nome de baptismo (foi oficiante o Papa Francisco) e ela com o rótulo de «o candidato da extrema-direita».

Gostei do apontamento. Dele retiro que o BE anda com o credo (ensinado a rezar pelo actual Sumo Pontífice) na boca, tal o medo de perder o terceiro lugar no ranking. E retiro, sobretudo, que para a Esquerda as pessoas continuam a não ter nome: são números, estatísticas, heróis ou estigmas políticos. Tal qual num vulgar julgamento sumário, algures na Sibéria soviética.  

 

Ajuntamentos e Boas Festas

por João-Afonso Machado, em 22.12.21

O Governo, acabo de saber, proibiu ajuntamentos na rua de mais de dez pessoas. Não, não vou invocar semelhanças com as idas normas da II República, em que a PIDE onde visse conversa lia conspiração. Prefiro antes comparar esta restrição anti-colóquio com a - ainda da República de Salazar - licença de "uso e porte" de isqueiro. 

Jamais conheci alguém multado por acender o seu cigarro com um isqueiro. E jamais, também, conheci alguém que tirasse a referida licença. Ou seja, algo de inócuo, do ponto de vista da vigência ou da eficácia de obrigatoriedade. (Outra do antigo Código da Estrada consistia no lado do passeio em que os peões deviam circular "atento o seu sentido de marcha" - multa pelo incumprimento: cinco tostões!!! Estava lá bem escarrapachado nesse diploma legal!)

Não há meios para controlar esta imposição que deveria consistir somente numa recomendação. Nem sequer meritória porque nesta altura, as pessoas, a juntarem-se pró cavaco, até dispensam as esplanadas, antes preferem o interior dos cafés - está frio e vai chovendo.

Mas, sempre consciencioso, aproveito a oportunidade para desejar aos parceiros do Corta-Fitas e aos leitores, aqui deste lado da rua (- Estou sozinho, sr. Agente... -), sonoramente, com as mãos em concha na boca, um Santo Natal e um novo ano de 2022 sempre com saúde.

Muito Boas Festas!

O "Roialista" e um bocadinho mais

por João-Afonso Machado, em 13.12.21

MONARQUIA DO NORTE.jpg

O  meu querido amigo Tomás Moreira enviou-me, e eu recebi hoje, o seu imprescindível livro Memorias dum Roialista. (Andei por fora, não pude ir à sua apresentação.) Li-o na diagonal e logo me apercebi, faltava ali uma nota fundamental: telefonei ao Tomás, pedindo licença para agora a expor. Segue-se uma breve nota preambular:

Na transacta Década de 90, eu ainda rapaz e cheio de vontade e paciência, enquanto era membro dos orgãos sociais da Real Associação do Porto (e mesmo depois), encarreguei-me da cordenação do seu boletim Monarquia do Norte (1995-2000). Era a minha praia... O Boletim saía com regularidade, tinha os comentadores previamente estabelecidos, tinha as notícias do momento e tinha mais: sucessivas entrevistas a monárquicos de peso na sociedade portuguesa, na causa pública do dia-a-dia. Cito alguns nomes: o General Carlos de Azeredo (então Chefe da Casa Militar do Presidente Soares), o Eng. António Leite de Castro (Governador Civil do Porto), o Dr. José Luís Nunes (deputado socialista às Constituintes de 1975) , a escritora Agustina de Bessa Luís, o empresário Américo Amorim, o advogado Dr. Damião Velozo Ferreira (Cônsul da Bélgica no Porto), o Eng. Francisco de Almeida e Sousa, da Associação Industrial Portuense, José Augusto Granja da Fonseca, Presidente da Câmara de Paredes, os Engs. Paulo Valada e Nuno Cardoso (ambos Presidentes do Município portuense), o Prof. Doutor Vieira de Carvalho (também Presidente da edilidade da Maia)...

O Tomás levou o meu comentário na conta de uma nota importante que falhou nos seus apontamentos: teria sido uma época em que andou mais arredio. E entusiasmou-me a esta "apostila".

Evidentemente, tais depoimentos de gente envolvida no quotidiano da época, - todos manifestavam a sua crença na Monarquia, sem jamais questionar a nossa Casa Real de Bragança. Tudo eram personalidades ordeiras e civilizadas, com a correspondente consciência. A Monarquia, o rumo desejável... E o Boletim era querido de quem o lia, a Monarquia credibilizava-se em crescente.

Desculpar-me-ão, hei, por fim, de contar o episódio do nascimento da nossa Infanta, a Senhora Dona Maria Francisca. Com baptizado marcado em Vila Viçosa e com a nossa estreiteza de meios, ainda assim conseguimos cerca de 200 depoimentos telefónicos de alentejanos acerca da importância do acontecimento. Fomos de Portalegre a Beja, de terra em terra, ao longo de todas as classes sociais - a satisfação, a alegria, eram gerais. Desse modo parti para lá, de boné na cabeça, qual ardina - orgulhosamente! - e os quase 300 exemplares do Boletim, páginas de depoentes identificados, que levava foram-se num ápice.

Fica o complemento. Fica, ainda, a memória do tempo em que não me faltava o tempo, nem a insubordinação, para organizações e conversações. Eu escrevo, não faço reuniões... De tudo resta o supremo Ideal - a Monarquia! Sempre! Que a Maçonaria vai escangalhando nas redes sociais com tergiversações labregas fundadas em coisinhas dinásticas.



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