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O futuro cheira a Ryanair

por João-Afonso Machado, em 03.07.20

Depois das furiosas ameaças de Pedro Nuno Santos, o mais tamanqueiro dos nossos ministros, assanhadíssimo em nacionalizar a TAP e reforçar os laços com o povo irmão do BE, eis finalmente algo de novo - uma seminacionalização, um enorme ponto de interrogação. E uma referência de Costa à redução de rotas que só pode deixar o Norte preocupado.

Contas feitas, o Estado abriu mão de 55 milhões de euros (decerto não a reinvestir em Portugal) para adquirir a posição de privados, reforçando em 22,5% a sua. Detém agora 72,5% do capital da nossa transportadora aérea. A seu lado ficaram apenas os próprios trabalhadores (5% das acções) e o império Barraqueiro.

Seria bom conhecer com que intuito, uma vez que se fala já na contratação de um grupo estrangeiro para estudar o futuro e a gestão,o relançamento da TAP!!! Onde estará a famigerada classe dos gestores públicos nacionais, ao longo dos tempos de memórias  tão tristes quão, às vezes, escandalosas?

Tenho para mim, o engenho do grupo Barraqueiro chegaria para relançar a TAP. Demonstraria uma especial sensibilidade para com as demais regiões do País, e mesmo para com as rotas tradicionalmente mais utilizadas. Talvez, até, não deixasse ir tão longe o desemprego na Companhia, que o próprio Costa temeu ocultar e lhe será pesado quando se concretizar.

Mas o Barraqueiro é um grupo privado, estando-lhe, como tal, vedado os louros do sucesso.

Depois "só" falta receber os 1200 milhões de euros vindo da UE para que, em definitivo, a esponja seja passada sobre o descalabro da TAP. É simples. Quase tão simples como a certeza que melhor será irmos ginasticando o ventre para cabermos no desconforto da Ryanair em qualquer voltinha que queiramos dar extra-fronteiras.

Eufemismos

por João-Afonso Machado, em 22.06.20

Para início, o que parece ser verdade: - mais coisa, menos coisa, o Governo de Costa lidou bem com a pandemia. Soube ser prudente e manter o sangue-frio. Disse umas mentiras, aqui e ali, mas o resultado final dos decretados estados de emergência foi francamente positivo.

Faça-se justiça!

Depois Costa percebeu - e bem - que o País não podia parar, urgia saísse de casa e desse andamento adequado à economia nacional. Até aqui, nada que se lhe aponte.

Ainda depois, "marcelou" o estado de calamidade. Foi onde as coisas começaram a correr mal.

Imagino eu: uma multidão citadina enfiada, semanas a fio, nos seus apartamentos. (Felizmente sem vagas de calor ainda.) Essa mesma multidão finalmente liberta, apenas com indicações de precaução...

Repare-se: a doença entrou em Portugal pelo (povoadíssimo) Norte, através de uns desgraçados fabricantes de calçado que foram a uma feira de sapatos em Milão. E durante árduos meses, o Norte era o mal dos males, só ele contabilizava mais doentes do que o todo do País inteiro (continente e ilhas). 

No aspecto nacional, a situação inverteu-se completamente. Hoje é a chamada região de Lisboa e Vale do Tejo quem está no cerne das preocupações governamentais. Cujos membros já alvitraram duas explicações para o fenómeno:  - a primeira, o problema do operariado da construção civil; - a segunda, aquilo que esses ilustres do Poder dizem ser «focos perfeitamente determinados».

Mentiras. Mentiras que matam.

Desde logo, e para não incorrer em acusações de xenofobia, basta ver a televisão. Os "comandos" da Linha de Sintra atacando a Linha de Cascais, descaradamente, sem máscaras, obrigando a intervenção das forças de segurança; os cercos policiais a uma série de bairros do crime que a Polícia vem fazendo ultimamente. Quem são os envolvidos nessas peripécias?

Depois as "festas" nocturnas. Em Carcavelos, em diversas praias do Norte, em Setúbal, em Lagos, em tantos outros lugares ao longo da nossa costa.

Troquem-se por termos interpretáveis a «construção civil» e os «focos determinados».

E sejamos sinceros:

A rapaziada olhou para os números. Percebeu que a doença dá, na esmagadora maioria dos casos, direito a umas semanas de duolce faire niente em casa. Mesmo os hospitalizados são uma minoria. Os casos mortais, outra minoria, menor ainda, incidindo sobre idades avançadas. E a malta quer é saber de Nikes e Adidas e que se lixem os cotas.

Depois é a propagação da doença. as tais semanas de repouso. E a continuidade do vírus.

Dispenso-me de considerações jurídicas. Dispenso Marcelo, já acredito mais em Costa. Isto é um problema do foro da polícia. Cães na rua, miudagem em casa.

Da Linha de Sintra

por João-Afonso Machado, em 31.05.20

Portanto, conforme ia a dizer, o Covid19 por cá se mantém, privilegiando agora os bons ares da Capital. Decerto farto da pouca limpeza e da ignorância dos nortenhos...

Marcelo, a avaliar pelo que se lê nos jornais, já repetidamente manifestou a sua preocupação em relação à Região de Lisboa e Vale do Tejo; remeteu vários recados aos «jovens»: que fossem prudentes, não participassem em «festas»...; e, em entrevista televisiva, deixou escapar a maior indiferença - nem dera por nada... - no multirrepetido (nos ecrãs) episódio ocorrido em Cascais, perto do hotel onde jantava com a sua família.

Um episódio em que protagonizava os "maus" um gang da Linha de Sintra (!). Viram-se facas mostradas com o maior desplante, capazes de matar um porco à moda antiga.

Ignoro se havia bródio na Linha de Cascais: isso poderia explicar o tamanho das facas, as guerreiras, ou festivas, indumentárias dos da Linha de Sintra, e até a sua presença no local, um encontro anual de Linhas.

Quem, no entanto, seguir a evolução dos números da pandemia diariamente, poderá constatar a fulgurante subida dos concelhos de Sintra, Loures, Amadora, Odivelas, Seixal, Almada, e de todas as mais Linhas que compõem a Grande Lisboa. Alíás, o propriamente dito concelho lisboeta não cresce a esse ritmo. Isto é: não estabelecer uma relação entre "Linhas" periféricas, violência das chamadas tribos urbanas e expansão da doença, simplesmente está a destruir todo o trabalho feito - sem meias tintas, de modo claro e firme, e estatuindo procedimentos adequados. E talvez apenas para não enfurecer as nossas Catarinas.

 

Teatro de revista

por João-Afonso Machado, em 26.05.20

A gente lê, mais do que os escritos ou os dizeres, as expressões. Aliás, entre o nosso macacal político, quase desconheço outra forma de leitura... Esse é um marco de experiência, a partir do qual é certo o gozo das previsões.

Tudo a propósito das declarações do Costa-manhoso, já não me lembro em qual fábrica, acerca da recandidatura do nosso Marcelo.

Passaram todas as semanas que eu quis antes de retomar o assunto. Além do resto, Costa fez a cortesia a Ana Gomes de a trazer para a ribalta. Distraiu, espicaçou a política. Coitada... que grande decepção a esperará!

Rememoriemos. No minuto exacto anterior à sua "coligação" com a Esquerda leninista-trotskista, o mesmo Costa deu o seu aval ao pensamento de Manuela Ferreira Leite. Com ele é assim - tão habilmente assim, que a gente esquece e nem dá pelo dito por não dito.

O candidato de Costa nas Presidências será o que for na altura. No limite, ele próprio, se os ventos soprarem para aí.

Marcelo sabe disso. Redarguiu impavidamente. Entre vichyssoises e vitórias "poucochinho", a vergonha já não se alcança no horizonte. Ambos se conhecem, em malandrice chegam um para o outro.

O PS, a seu tempo, designará um campeão para as Presidênciais. No meu modesto modo de ver, Costa teme um segundo mandato de Marcelo, um político com anti-corpos até para as áspides de Cleópatra. Não se entende porque os artistas do teatro reclamam apoios financeiros  - a peça está aí, no seu esplendor, a encenação é do melhor. Não há teatro em Portugal?

 

Valentina e o regresso à normalidade

por João-Afonso Machado, em 12.05.20

Todos saberão, chamava-se Valentina a infeliz criança barbaramente assassinada: «alegadamente» pelo pai e pela madrasta, num enredo que impressiona pelos requintes de insensibilidade e malvadez. Há 72 horas ininterruptas quase, a CMTV dá notícias sobre notícias acerca do crime de Atouguia da Baleia.

Até então, era o tema Covid19. A levar-nos à exaustão. Mas fique a ressalva: as intervenções do Bastonário da Ordem dos Médicos, de Roque da Cunha, Baptista Leite, e de mais dois ou três clínicos "sem papas na língua" dizendo da sua ciência, da sua verdade, na CMTV, decerto muito ao arrepio do gosto do Governo. O canal televisivo mais acompanhado em Portugal tem as suas vantagens.

Aliás, se é o mais acompanhado é porque também é o mais gostado. Os portugueses não prescindim de algo que lhes prometa tragédia, e o Covid19 já só quase era um lugar-comum.

E muita violência, nestas semanas de estado de emergência, terá sido cometida à revelia do conhecimento nacional. Assim vamos regressando aos nossos bons costumes - a actividade criminal para ser sugada até ao tutano, o escandalo político para tornar à tona. A propósito, parece que a formiguinha Catarina Martins encomendou a Quaresma a fábula da cigarra André Ventura...

Enfim, depois de Fátima, a apaixonante longa-metragem do Avante. Para já, apenas se discute o seu título (enqanto em Hollyood o cenário começa a ser montado), e a respectiva tradução para português - "Festa" não será... "Avante Cultura"?; "A Cultura e os previlégios"?; "Atalaia, a Atlântida cultural"? Não se sabe ainda. De certo, somente, a entrada nessa mega-produção ser livre, de borla, com o alto patrocínio da República.

Sobre as vagas da epidemia

por João-Afonso Machado, em 08.05.20

Com todo o respeito pelos colegas e comentadores que aqui têm terçado argumentos sobre a evolução da pandemia - num duelo em que não participo porque não sei manejar tais armas - devo confessar a minha estranheza por, exactamente na altura em que é levantado o estado de emergência, o número de infectados disparar para cima.

Desde 3ª feira, esse número sobe todos os dias. A explicação que hoje ouvi de um farmacêutico - estão a fazer mais testes - só contribuiu para aumentar a minha perplexidade.

Tendo por referência o meu concelho (V. N. de Famalicão) onde tudo começou muito mal, vejo-o agora ultrapassado por Loures, Cascais, Amadora, onde a doença está em nítida expansão.

E reparo também no crescendo de agitação social, sobretudo na chamada Grande Lisboa. E - fatalmente - na pronta intervenção das forças da Esquerda pela manutenção da desordem, a realidade que subjaz aos seus "cuidados" com os mais desprotegidos.

Não escreveria isto tudo para chegar à conclusão, a que quantos vêm chegando, de que a Covid19 recrudescerá em segunda vaga. Não, o meu propósito é outro:

Desde logo (vd. o episódio da mesquita da Amadora) assinalar um certo desgoverno emocional - espontâneo, sabe Deus fruto de quantas e quais carências - que não ajuda à disciplina recomendada. E assinalar casos de absoluta e consciente indiferença pelo regramento e interesse público, observável em «famílias», outrora «de etnia cigana», mais outrora ainda, «ciganos» tão-só.

(No que estou com o Sr. André Ventura, que se limita a dizer alto o que a maioria pensa mas cala no seu íntimo.)

Julgo, a situação social só tenderá a piorar. E por isso não acredito nessa vaga segunda vaga, mas numa vaga única, cujos efeitos económicos em Portugal e sobre os portugueses irão além das piores previsões.

Ou seja: os já "palpáveis" danos causados pela pandemia se encarregarão de a manter bem viva e mais incidente em Lisboa e arredores. Se é assim, ou não, veremos com a leitura diária dos números nestes grandes centros urbanos, mesmo comparando-os com os concelhos, tendencialmente mais sossegados, da Área Metropolitana do Porto por onde os males cá chegaram.

Fátima - 13 de Maio

por João-Afonso Machado, em 04.05.20

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Depois da académica distinção entre celebrantes e peregrinos - Portugal ri-se..., pobre Ministra - certo é, não haverá peregrinações. A Igreja, assaz mais nova do que o caduco funcionalismo público do Estado laico - mas tendencioso - num breve comunicado, aliás não gaguejado, disse-o claramente.

Como é evidente, o sentir e a Fé de milhões de portugueses representa muito mais do que o canino servir de uns quantos sindicalistas fretadores de autocarros. Estes sobrevivem ao som dos megafones. Os católicos, - nas suas convicções. E no respeito por quem os cerca.

Falar disto, para quê? Para nada. Ó Tia Nanda, não há quem mude a gajada, fora do punho erguido ergue-se o trabalho, as dificuldades, privações, incertezas de todos nós.

Esse o acento tónico da Esquerda. Da sua classe política. Nada resolve, tudo choraminga como uma virgem enganada.

 

"Memórias do cárcere" - III

por João-Afonso Machado, em 02.05.20

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A liberdade estava por horas e o carcereiro resolveu-se a uma breve prelecção sobre os nossos deveres de cidadão. A manhã era húmida, cacimbada, desagradável de todo, mesmo a pedir nos abrissem os portões, enfim.

- Que o mundo estava diferente -  dizia ele, o carcereiro. Que não podíamos aproximarmo-nos das outras pessoas... - ?!?!?! - E era obrigatório o uso de uma máscara na cara.

Bom, quanto a essa prática, muitos estavamos já familiarizados (pela minha parte, devo esclarecer, abandonei-a depois do tempo das brincadeiras do Zorro e do Tonto). O problema da aproximação ao próximo era mais complexo, sobretudo para os colegas carteiristas.

Mas o carcereiro não era homem merecedor de grande confiança. Treslia, inventava, titubeava, sempre numa vozinha ténue, assustadiça. Tinha uma estranha, comprometedora, paixão por lesmas, carochas, aranhas, toda a bicharada imunda que povoava as pedras escorregadias de paredes e chão dos corredores da prisão. Dos mais antigos, quase todos juram que o carcereiro conhecia essa parasitagem um por um, e a cada atribuiu um nome próprio. Nome de gente! No mais, é um inspirado cagarola, o carcereiro.

- Ó Sr. carceireiro, anda aqui um morcego! - ouvia-se de uma cela. - Na China parece que acompanha muito bem a caldeirada de pangolim... - ouvia-se de outra. E o homenzinho de voz ténue nada dizia, tomava cores de pânico e refugiava-se no seu cúbiculo. Em noites dessas, fumávamos à vontade e até jogávamos à batota.

Mas a hora de saírmos chegou por fim. Esquecido das recomendações do carcereiro, dirigi-me a um transeunte, que de máscara e luvas calçadas fugiu espavorido, os olhinhos dele, muito rotativos,  correndo à frente com se gritassem por socorro. Não se viam autocarros, gente, qualquer cãozito... Até que chegámos à Alameda, e aí sim! Camionetas por todo o lado, uma fartura de gente conversadora e animada, muitas bandeiras. Aos magotes, nos passeios, no meio da rua, até se ouvir no microfone uma voz autoritária, ordenando a formatura. Ei-los então, essas centenas de paisanos, dispostos militarmente, à distância regulamentar.

Foi o nosso primeiro espectáculo depois da liberdade - uma parada norte-coreana em Lisboa.

É mais forte do que eles

por João-Afonso Machado, em 30.04.20

O costume. A UGT alinhou pelas regras do bom senso, não intentando perturbar a segurança pública. Já a CGTP não nos poupa: cenário montado, na peça só não participam crianças e idosos, mas a manif do 1º de Maio faz-se. É claro, um comunista é imune e sem pais, sem filhos nem netos quando chegar a casa.

Haverá, portanto, a festança da Av. da Liberdade. Ou outra igual, a esforçar-se para ser diferente. Manda a ideologia.

E depois os remoques ao SNS. O PCP necessita sobreviver e o nosso Costa nunca terá cabedal para paralisar a programada marcha da morte. Numa angústia absoluta para ressuscitar a nossa economia, tudo consente, tudo a sua generosa barriga empurra para a frente. Está por minutos a fórmula alquímica por ele descoberta de acordos à esquerda...

(Acabo de saber os números infectados/óbitos referentes a ontem. Estes últimos continua(v)am a decrescer; aqueloutros quase quadruplicaram. É sabido, há um período medido entre a contaminação e o desfecho fatal. Ainda assim, o 25 é o 25 e o 1º é o 1º... Aguardemos estatísticas próximas.)

 

«Íamos mascarados para o 25 de Abril?»

por João-Afonso Machado, em 22.04.20

«Íamos mascarados para o 25 de Abril?» - parece terá sido um interrogação recente do dificultosamente na vertical Ferro Rodrigues.

De algum modo, espero que sim. O personagem em causa, por exemplo de Cinderela, Pinóquio, os Três Porquinhos, a Cinderela ou Huguinho, Zezinho e Luisinho, assim qualquer tenro apetite de que ele decerto gosta, e ameniza o baixo astral da sua presença.

(Ou, vá lá, do Tio Patinhas a amoedar em Sintra para fugir à bancarrota...) 

As orgias da oligarquia abrilesca

por João-Afonso Machado, em 20.04.20

Manda quem manda. O festejo do «25 de Abril tem de ser e vai ser» comemorado na AR, proclamou Ferro Rodrigues, à margem de tudo,  respondendo fora do regimento parlamentar a uma intervenção do deputado João Almeida, do CDS. Eles mandam, realmente. Não há memória de tanto desplante e desilegância na nossa história contemporânea. Fátima é uma devoção - ordeira - da quase totalidade dos portugueses; a Revolução, a pérola de uns tantos ungulados. Entre coices e a Fé, vemos as bestas - sempre zurrando o bem-comum e os cuidados para isso devidos.

Eles mandam e impõem. O poeta Alegre foi categórico - abdicar das comemorações abrilinas jamais. (Assim como quem passa um atestado de menoridade aos não concordantes.) Mas fá-lo de sua casa, dirigindo-se à plebe por vídeo-conferência. Explicação: integra o grupo de risco. Nem comparecerá...

Ora, o absentismo de alguém que caiba no grupo de risco pressupõe - o risco. Se o poeta Alegre não vai estar presente é porque teme o risco. Assim cartesianamente existente.

Entrementes, a temerosa, temida, ministra da Saúde dispara avisos sobre o contágio - A infecciona B, este transmite a C, que dá a deixa a D...

E se A fosse algum obtuso «capitão de Abril», B outro dinosssauro do Conselho da Revolução e C um camarada ao lado?

Nada se perdia (além do ser humano, claro). Mas qualquer deles é um possível transmissor do virús aos seus semelhantes no exterior da AR. Gente justa que trabalha, a pagar pelo pecador festivaleiro.

Em suma, o País político ofende o país nacional. Porque o exemplo devia vir de cima.

Marcelo, cada vez mais caricato, alinhou na macacada: imposições da popularidade...

E eu estou capaz de me pôr a caminho de Fátima. Depois indiciado por desobediência? - Venha então essa medalha.

Quatro notas curiosas, a finalizar: Jorge Sampaio, também acusando o seu estado etário, não estará presente no bródio dos cravos. Justificou-o num comunicado a ser lido nas entrelinhas - hábito seu - com notórias reservas à romaria, a cause dos seus juguláveis; João Soares, uma personalidade que nada aprecio, corajosa e frontalmente disse - não!; André Ventura comparece - o auto-proclamado incorruptível que até votou contra...; e Eanes, que vai mas não iria, aquele eterno "nim".

O caminho, porém, está traçado. As comemorações abrilinas serão uma realidade. Por isso eu não pactuo com essa religião - a dos oligarcas que, sob o pretexto do fim da ditadura, coleccionam votos e engordam e mandam em nós como nos tempos da outra senhora. Ou seja: não! ao 25 de Abril, data quase cinquentenária - a favor de uma nova época de democracia plena.

Post scriptum - no próximo sábado celebro a liberdade na praia, nem que chova. Não haverá aí cravo vermelho que me contamine. Até porque se está ao ar livre...

 

 

Luís Sepúlveda

por João-Afonso Machado, em 16.04.20

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Devo dizer, quando das minhas estadias nas Astúrias, jamais pensei Luís Sepúlveda residisse em Gijon. Cidade onde fui recebido com magnificência e mesa farta, entre cidra sempre diante mim e os melhores enchidos da terra, afora petiscos diversos - um fartote. Fizeram-me orador, presentearam-me, frequentei o Teatro Jovellanos; e nele, olhando as senhoras em redor, senti-me viajar aos Anos 30 do último século - dos quais estive ausente, pelo menos nesta encarnação - tanto o baton, os descoroçoantes penteados, os tailleurs (é assim que se diz, não é?).

Gijon é uma cidade de inesquecível amizade. Por isso compreendo Luís Sepúlveda, pelos vistos ali radicado há décadas. Soubesse eu..., teria mexido os cordelinhos para um autógrafo... De um grande escritor, como todos os que nascem na América do Sul de Esquerda e saudosos dos Pinochets que lhes alimentavam a inspiração. Não interessa. A sua obra tem picos - e planaltos... - das melhores palavras conjugadas.

Morreu agora, no termo de dois meses de combate contra a nova doença, o Covid19.

A gente há de liquidá-la, por ele e por tantas centenas de milhar de vítimas. O vírus foi o Pinochet de Sepúlveda. Lutemos por isso. Entre esta verborreia toda, ocorre-me um conselho de alguém ao seu principal personagem no Diário de um Killer sentimental - «Não é que tenhas cometidos erros de mais: cometeste-os todos. Suponho que se deve ao cansaço, ao stress, ou lá como agora lhe chamam. É um aviso que te aconselha a reforma».

A transcrição é fidelíssima, incluindo o itálico. Sepúlveda é um clássico, portanto. O Tempo, nunca a seguraremos a não ser com a Eternidade. Chegou a vez de Luís Sepúlveda fazer essa prova.

Democracias e contaminações

por João-Afonso Machado, em 14.04.20

Correu uma semana sobre o célebre debate parlamentar. Os putativos condenados à morte por infecção letal continuam a ferros. O Estado, na sua ânsia de os salvar, tropeça em si mesmo. Na sua burocracia.

Ante o silêncio do Sr. Pureza que, anteriormente, - e prontamente - já rotulara o Sr. Ventura de «extrema-direita», por este se atrever a alertar para os perigos que alguns reclusos podem representar, uma vez em sociedade.

Serei também de «extrema-direita», tanto quanto o Sr. Pureza é parvo. Mas, na realidade, não estou muito a imaginar um recém-liberto a respeitar o confinamento a que esteve confinado durante o tempo que foi... E isto na hipótese de haver agora lugar para a sua "confinação".

Entretanto, parece que nessa soltura vem, pelo menos, um homicida. E que os magistrados já manifestaram publicamente a sua preocupação com a decisão... É tudo uma cambada de fascistas, dirá o Sr. Pureza. Santa burocracia, afinal, digo eu.

A reposição da pena de morte

por João-Afonso Machado, em 08.04.20

Ouviu-se agora nos noticiários. Interpelada no Parlamento por Rui Rio (que preconizava a prisão domiciliária para os reclusos cuja libertação se pretende), a Ministra da Justiça, num repente tribunício do mais fino recorte e efeito, declamou - que não senhor! Somos um Estado civilizado, ninguém deixamos para trás, nem mesmo os cidadãos que cumprem pena, não iriamos agora condená-los à morte.

A tirada, tudo leva a crer, produziu um eco belísssimo à esquerda, sempre libertária e contestatária, revolucionária e necessariamente broeira, como se diz cá para cima. Isto é - parola. E esquecida.

A Esquerda no Poder já se havia esquecido dos idosos dos lares e o resultado está à vista. E quando os Municípios, em desespero, pedem voluntários para ajudar a combater essa chaga, sempre fica aqui a pergunta: alguém imaginará um militante do PCP ou do Bloco de Esquerda envolvido em obras de apoio a qualquer instituição da Santa Casa da Misericórdia?

Feito o aparte, voltemos à retorica da Ministra - a ninguém contemplam com uma sentença que se adivinha virulenta, fatal.

A ninguém?  - Então os homicidas, os predadores sexuais, os reicindentes, os presos por crimes praticados no exercício de cargos públicos ou políticos? Gozarão de alguma imunidade especial?...

Pois. Uma das razões porque eu nunca me encaixaria na Esquerda é que, em debates desta natureza, me seria impossível não dizer apenas - vamos soltar uns tantos, já agora, para reduzir a sobrelotação das cadeias. 

"Memórias do cárcere" - II

por João-Afonso Machado, em 23.03.20

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Manhã de entusiasmada palração entre os prisionários. Enfim um tema salutar, o futebol. Discutiam-se os maiores cérebros de tão umbricada ciência.

- Artur Agostinho! - disparei eu à toa, ávido da conversa de que a reclusão nos priva. Mas os presentes olharam-me logo, reparei bem, compadecidamente, com ternura até, fitos nas minhas alvas barbas. - Ribeiro Cristóvão! - ainda emendei, a julgar-me actualíssimo, um pós-moderno, fiel ouvinte dos relatos da Renanscença.

Não houve como não suportar a gargalhada geral. Uma avalanche das perigosas, muito cuspidas. E um nome ecoou na minha vergonhosa ignorância - Pedro (edro, edro, edro...) Guerra (erra, erra, erra...) - Pedro Guerra, então, a festejada celebridade, para mim, sem desculpa, totalmente desconhecida.

Sucumbido e calado, fui aprendendo. - Pedro Guerra, o guerreiro! - O homem dos mil saberes, o douto e o profeta; o arquivo dos mil milhares de dossiers; o arbitrólogo, como mais ninguém conhece os árbitros em Portugal; enfim, o mago da Comunicação Social desportiva.

Em suma, o cientista e o polemista. O mais humilde catedrático, o conciliador, de todos o amado. O amável. Gloriosamente, uma estrela da selecção nacional da Damaia. Expatriado político, benfiquista por adopção e do coração.

E sobretudo uma saudade dos velhos tempos de liberdade, em que os canais televisivos, sempre pluralistas, falavam de tudo o que fosse futebol - em simultâneo - e de nada mais, epidemias incluídas.

"Memórias do cárcere" - I

por João-Afonso Machado, em 21.03.20

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Terríveis, estes primeiros dias entre as grades. Demorados, eternos, a arrastar as horas numa dor de grilhetas andantes no empedrado das vias. Deixando bem viva a carne dos homens livres mas injustiçados. Tudo é diferente: e, do menos mau, as esperas nas filas à porta do supermarket, por um pouco de alimento. É obrigatório, cozinhar na cela, essa uma ciência de quase ninguém. Pessoalmente, rejeito, em absoluto, o cheiro a fritos, a inglória tarefa de lavar depois a panóplia instrumental da cozinha. Assim me foi distribuída, misericordiosamente, uma refeição ultra-congelada de arroz de pato.

O tal microondas fez o resto. Imperfeitamente, acrescente-se. O alimento veio à mesa (de frio mármore, antes o conventual granito...) como numa manhã de inverno, cheínho de bocados de gelo, foi necessário - Carcereiro, quer uma rebelião já, sanguinária, arrasadora? - foi necessário, dizia,  mandar o prato para trás até ele, enfim, regressar mastigável.

Entrementes, pouco sabemos do que vai lá fora. Consta, El-Rei está bem, e com Ele, a Família Real. Assim sendo, a Nação não perecerá ainda...

No mais, serviram vinho e, depois, maçã reineta. Para já, pese embora o tormento, a fome suporta-se. Lá vamos sobrevivendo.

Mas, ficou-me a ideia, estou para saber se comi arroz de pato ou arroz desse outro aquático açoreano, o atum.

Profissão de fé - Costa, o salvador.

por João-Afonso Machado, em 09.03.20

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Estarei talvez errado, mas sempre direi, a última grande epidemia - dessas que matam a sério - ocorreu logo após o 25 de Abril e ainda deixou marcas em gente bastante, abalou o País inteiro. Foi a "cólera", nesses tempos conturbados de centenas de milhares de retornados, alojados sabe-se lá como, de bairros de lata cercando Lisboa e o geral desconhecimento preventivo de todos os portugueses. Morreram centenas. Como se lhe pôs cobro? - Com a intervenção do "General Inverno", Deo Gratias Natureza. Ou à beatitude do clima...

Agora, versando 80% do noticiário televisivo, temos o universal Coronavírus. Não lá longe na China, de forma, contornos e números nada credíveis. Mas aqui ao lado, na Itália, onde, vera e verídica - a buzinar de Europa - dá conta de percentuais alarmantes na escala afectados/mortandade. O resultado é assustador.

A epidemia é, por isso, de temor e grassa o nosso continente além. Será importante analisar os números país a país. Ao que percebi, trata-se de uma rebuscada e violenta versão de pneumonia. Transmissível como a peste de outrora.

E Portugal, onde ela deu à costa? Que armas as nossas no bacamarte que é o nosso sistema de saúde para todos? Depois das escolas, universidades e serviços encerrados à pressa, já com o bicho dentro deles, o que nos restará?

Hospitais de campanha? Médicos estenuados? Sacerdotes ministrando o derradeiro sacramento?

Costa, nosso 1º, oh! homem dos milagres orçamentais e uns cêntimos mais, -  sossega lá a gente!

 

A temida Marta e outros SOS's

por João-Afonso Machado, em 02.03.20

E pronto! A nova doença chegou a Portugal. Ao que parece, vinda de comboio e alfandegada na Pampilhosa.

Vamos ver o seguinte, os dias dos quais faço previsões não as mais optimistas. A peça deste teatro envolverá dois actos:

- O primeiro: a discussão parlamentar. Enquanto os doentes padecem, os deputados discutem. Concretamente, a velha questão do SNS e dos hospitais privados.

- Acto segundo: a virose, já se percebeu, propaga-se rapidamente. E, pela exacta razão de que o SNS é o que é, necessita demonstrar capacidade de resposta. Vai ser o assoberbar das suas urgências. Quem?, como?, quando? para acompanhar a angústia dos potenciais atingidos?

O desfecho da peça é previsivel: duzias de canais televisivos a transbordar de Martas Temidos. Um povo vislumbrando mortes temidas. E Portugal completamente fora do enredo europeu.

Tudo porque o SNS não funciona: cede o seu funcionamento à perfeição orçamental de Centeno, os números do OE hão-de conseguir proezas custe o que custar.

Todas as potenciais vítimas do Coronavirus desde já se lamentam, e para elas se quer o melhor, um feliz regresso a casa. Menos para uma: o hipócrita Governo de Costa. 

 

Janinas, Janinas, Janinas (...da Silva)

por João-Afonso Machado, em 19.02.20

E pronto, amanhã as Janinas (contracção das possidoneiras Joacine, Ana e Catarinas) terão resolvido a seu contento mais um "tema fracturante". Muito gostam o raio das mulheres de "fracturar", mesmo à revelia do saber e da vontade do povo!

Do povo que antes só se suicidava no desespero causado pelas maldades fascistas; do povo que agora o passará a fazer, com ou sem ajuda, para se ver livre do seu sofrimento fisico e moral, ambos ditados pela doença - doença "terminal", apressam-se as Janinas a esclarecer; mentira - como, o outro dia, bem lembrou um médico: a tetraplagia, por exemplo, é uma doença crónica.

Aguardam-se, pois, as tradicionais rectificações vindas a lume no Diário da República (além de baterias e baterias jurisprudenciais) para colmatar as indecifrabilidades do legislador, na sua pressa de "fracturar".

Quatro notas me parecem, entretanto, relevantes:

- A primeira a honrosa personalidade demonstrada pelo PCP ao não embarcar nesta palhaçada. Confesso, não li as razões que aduziu, mas o facto permanece - não alinhou em "fracturas" urbano-caviaristas.

- Depois, esta tirânica fonte de poder em que se estão a transformar as Janinas e os seus animaizinhos do PAN.

- Também, a costumeira plasticidade de Costa - como cidadão pensaria assim, como governante pensa assado: a dar de comer a gregos e a troianos.

- Por fim, a posição pessoal de Rio. Não é a de um humanista. Está no seu pleno direito de entender a realidade como a entende, e eu de não votar nele (e no partido dele, enquanto ele o dirigir) por causa do seu entendimento.

No mais, este novo - e "fracturante" - diploma legal nada assusta. A não ser que as Janinas consigam impor ao pessoal de Saúde (médicos e enfermeiros) a obrigação de praticar a eutanásia. Porque, se assim não for, entre a objecção de consciência da esmagadora maioria e um SNS permanentemente coxo, continuaremos a optar pelo suicídio ou pela morte natural. Sem interferências de terceiros, sempre suspeitas, sediciosas ou oportunistas.

 

Erguei-vos, vítimas das vozes!

por João-Afonso Machado, em 14.02.20

Eu arriscaria dizer, ganha a Esquerda. A Esquerda é um omnipotente Benfica da política, rubra, no name boys por toda a superfície urbana e desorientada, ávida de desconstruir, qual traficante de droga que reivindica todos os seus direitos, inclusive o de traficar.

A seu tempo, a eutanásia terá cobertura legal. Não faltará muito para isso.

Não sou, entretanto, do grupo dos cruzados que se vestem de ferro e empunham espadas pesadíssimas por uma causa que só a inteligência pode vencer. Perdendo-a, terá de se vitaminar e regredir à 4ª classe para a recuperar.

Mas sempre aqui deixo, a propósito, duas notas, decerto de pouca valia.

Imaginemos, primeiramente o doente terminal que, incapacitado de o fazer pelos seus próprios meios, pede a alguém o mate - isso mesmo, o mate, eufemismos isabel-moreiranos à parte. Imaginemos, também, já na fase irreversível do percurso, o padecente se arrepende, quer voltar a trás mas é tarde.

Qual o estado de alma do seu auxiliador nestas circunstâncias? Que cara a sua - a de um no name boy engarruçado?

A segunda questão, manifestamente, fala pouco ao pragmático coração peludo da Esquerda. Institucionalizada a eutanásia, as gerações vindouras nascerão sob o epígrafe do "sofrimento, não!". Elas saberão, a vida tem limites temporais e, a terminar naturalmente, será sempre mediante dores fisicas e mesmo morais. Muito plausivelmente, o seu dia-a-dia será a obsessão por um sofrimento antecipado - o próprio medo de sofrer transformado em sofrimento, isto é, uma porta aberta para um terror quotidianamente vivenciado.

Fora eu um estratega do Ministério da Segurança Social e rejubilaria - não podendo aumentar as pensões, reduzam-se os pensionistas...

Mas não é preciso ir tão longe. Basta ler o comunista Gramsi, mais as suas diatribes contra a civilização ocidental, para ele de abate imperioso.



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

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