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Costa desrespeita a "igualdade de género"

por João-Afonso Machado, em 08.04.19

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A apresentação do paquete World Express, em Viana da Foz do Lima (vulgo "Viana do Castelo") mereceu a presença do Chefe Costa e uma gala animada pelo, também incontornável, Manuel Luís Goucha. Até aí, nada mais além do mesmo. Mas Goucha não é personagem que não se desboque. E lá foi dizendo (segundo os jornais), pesado de ironia, - Comi uma óptima cataplana em Viana. Não sei se era melhor do que a sua Senhor 1º Ministro, pois só a faz para certos apresentadores.

Estas miúdices nada interessam (conquanto o dito seja rigorosamente "marialva"), embora pareça a alusão fosse para a beldade nacional Cristina Ferreira, a cujo programa Costa compareceu e cataplanou. "Apresentador", quanto a ela, julgo ser maldoso. Eu voto na Cristina feminina! Votemos todos: viva o slogan - "Cristina feminina"!!!

Aparte isso, Costa tem de cumprir a Constituição. Tem de acompanhar todas as tendências da LGTB, já não sei quantas. Mas a igualdade do género é uma obrigação sua. Toca a cataplanar homo, hetero, bi e transsexuais, entre o restante que apareça na praça.

Costa, estás... Estás o quê? Olha, já ninguém sabe.

 

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Quem é Rui Rio?

por João-Afonso Machado, em 02.04.19

A primeira figura do PSD não é, seguramente, incontroverso. De tal modo que a cisão no partido não tardou e logo surgiu o incontornável Santana Lopes e o seu Aliança.

Aparentemente, Rio ou é ingénuo e estúpido, ou sabe o que faz e para onde quer ir. Somente talvez não denuncie, desde já, os seus planos. Primeiro sintoma de um político sagaz, reconheça-se, - na esteira do velho Costa.

Rio é inquestionavelmente social-democrata. (Eu também.) Rio não gosta de perder. (Ninguém.) Os próximos meses talvez calem tanta atoarda. Rio não gostará do CDS, mas nunca aceitará uma aliança pré ou pós eleitoral com o PS, não sendo o PSD o partido mais votado. Sobretudo com o PS de Costa. Conviria estar atento aos passos que se seguem na triste política portuguesa até Outubro.

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A prostituírem o Ideal monárquico

por João-Afonso Machado, em 17.03.19

Conheci Nuno da Câmara Pereira há 25 anos, num debate televisivo com um deputado socialista e professor da Faculdade de Letras do Porto sobre o 31 de Janeiro.

Câmara Pereira abriu o programa cantando o Embuçado. Na altura era miguelista...

Depois quis ser "Dom". Parece que de acordo com as regras próprias não foi possível. Furioso, resolveu vingar-se.

Apoderou-se então de um cadáver chamado PPM. Inventou uma nova dinastia e foi desassossegar uma pacata família, jurando-lhe ser a herdeira da Coroa portuguesa. Ela, infelizmente, acreditou..

Escrevi-lhe duas cartas abertas, na sequência de entrevistas suas, mas, de ambas, uma não foi publicada, a outra completamente ratada. Câmara Pereira tinha amigos, filiara-se na Maçonaria.

E quando o PPM já de nada lhe servia, endossou-o ao irmão Gonçalo. O cadáver era agora arrastado em câmara ainda mais lenta.

Representativo de nada - e talvez porque Marinho Pinto não se encontrásse disponível... -  foi descobrir no catedrático de Benficalogia, Prof. André Ventura, o seu candidato ao Parlamento Europeu. 

De conhecedor da insegurança nocturna lisboeta a agitado comentador do escalão CMTV, não se entende o lugar do monarquismo de André Ventura. Sabe-se apenas que ele pretende entrar na política portuguesa, um direito que plenamente lhe assiste, e que todos os partidos lhe fecham a porta. Todos? Não, o PP dito M persevera em enxovalhar o Ideal monárquico.

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Nem de propósito, uma voz incómoda que regressa a casa

por João-Afonso Machado, em 06.03.19

A Senhora D. Teodora Cardoso vai deixar a Presidência do Conselho de Finanças Públicas, ao fim de sete anos de mandato. Bato palmas! Não havia o direito de manter tão respeitável personagem, já não em idade de grandes incómodos, obrigada a dizer a verdade sobre a jagunçada do Governo da Esquerda Unida (EU).

É certo, tudo se moveu para que nada do que ela sustentou fosse levado a sério. O que vale uma Senhora honesta perante Costa & Cª em matéria de despesa pública, dívida pública, investimento público? Obviamente nada. Tão obviamente que demiti-la não valia a pena.

Neste País, o mais relapso de todos em Matemática, nobremente desconhecedor da "cadeira" de Finanças, não será dificil à EU substituir a Senhora D. Teodora por um qualquer apalermado de serviço, alguma figura invertebrada como a que a República foi desencantar em Vila Rea de Santo António. Aliás com toda a oportunidade, dada a proximidade das eleições.

 

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De passagem pela Batalha com O. Martins

por João-Afonso Machado, em 25.02.19

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A Vida de Nun'Álvares é um bocado de História com movimento, com todas as emoções que Oliveira Martins sabe dar à sua escrita e aos seus personagens. O Condestável, de início um simples escudeiro, viúvo aos 26 anos, dono de metade de Portugal, acabou repartindo a sua riqueza pelos antigos companheiros de armas e enveredar pela ascese no seu mosteiro do Carmo.

«Confiança, a confiança que há na consciência da força, não existia. Mas havia a fé: a esperança num milagre como aquele que o ano passado salara Lisboa, semeando a peste nos arraiais inimigos. Qual seria o milagre salvador de agora? Ninguém podia dizê-lo; mas confiavam todos, que um milagre viria; porque D. João I parecia predestinado, e o seu condestável figurava-se às imaginações atónitas como um anjo vindo dos céus, S. Miguel, ou S. Tiago, armado pela mão de Deus para o combate com energias invencíveis».

É o que se lê logo na primeira página do capítulo dedicado a Aljubarrota. Onde, quase juraria, ouvimos ainda agora o entrechoque das armas, as invectivas dos capitães, o relinchar dos cavalos espetados nos piques. O milagre, afinal, foi o excesso de confiança dos castelhanos, a sua soberba, e o génio e a coragem, a força de Nun'Álvares.

Recentemente canonizado. Confesso, esse não é para mim o mais importante do que foi o grande Homem. Canonizado estava ele, há muito, na sua estátua na Batalha. Porque ali não se retrata um combatente, antes uma chefia, um carácter forte, toda a tranquilidade de quem sabe defender uma causa justa. 

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A ética siciliana

por João-Afonso Machado, em 21.02.19

Especialmente gozosa a crónica, no JN, de Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, versando a inefável ética republicana. Explicando, nas suas contradições, essa ética que pressupõe duas Éticas, uma - a dos republicanos - superior à outra, a dos inquestionáveis valores primordiais.

Nuno Botelho ilustra a impagável ética republicana com o Governo de Costa. Com os Cabritas, os Vieiras da Silva, os Cravinhos - descobriu-se agora: os Zorrinhos também - os Soares e quantos mais, tudo ao monte e fé no Supremo Arquitecto.

Assim - desde sempre assim - a República se explica. Aos costumes (à costumeira vozearia) redarguirei com o cunhado do Rei de Espanha, a cumprir pena de prisão. E com Carlos César, num último dizer antes de embarcar para o Continente - a César o que é de César. E lá ficou a sua família, zelando pelos seus interesses. Não há dúvida, assim nasceu a República, assim subsistirá, entre punhais e veneno, compadrios e intrigas, nepotismo e revanches - perseguições políticas em que Salazar apenas se evidenciou um bocado mais do que os outros.

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Bons augúrios

por João-Afonso Machado, em 13.02.19

Costa não pode garantir que o aeroporto do Montijo é uma certeza por que esperou quase 60 anos; e no dia seguinte, matreiramente, afirmar não haverá esse aeroporto sem um prévio estudo do impacto ambiental

(a não ser conheça de antemão as conclusões do mesmo, circunstância não impossivel na reinação socialista...),

não pode Costa, dizia, perfeitamente sabedor de que mente, e habituado a mentir sem pudor, continuar a enganar os portugueses. Dando sempre uma no cravo, outra na ferradura, em nome do seu vício particular, o poder político.

A este propósito, o auto-afastamento de uma vintena de bloquistas, pelas razões que são deles, mas radicam nesta ambiguidade, vale muito mais do que vinte votos. Vale a rejeição da Esquerda, na sua coerência própria, vale um sinal claro de que, afinal, talvez Costa não tenha descoberto a galinha dos ovos de ouro, isto é, não se perpetue no governo deste pobre País.

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Correio do Minho

por João-Afonso Machado, em 01.02.19

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À minha prezada Amiga,

Menina Catarina:

Espero que esta a vá encontrar de boa saúde, que nós por cá todos bem. E me desculpe o incómodo, não me atreveria não fosse o acaso da fonte, e da placa nela aposta, descoberta numa das minhas recentes andanças por terras das suas gentes.

A minha rica Menina decerto não conterá a fúria diante os seus dizeres. E há de apelidar-me do pior.

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Mas, Menina Catarina, eu sequer quero comparações com o heróico antifascismo de tão galante Menina. Saiba, porém, aqui em casa não se votava Salazar e sempre se foi defensor de uma monarquia radicada na liberdade, no respeito pelas pessoas e por todos os valores da Modernidade séria, incluindo, claro está, os de Deus Pai Nosso Senhor. Se iriamos à Guerra? Iriamos. Iriamos porque não tinhamos o direito de não partilhar a sorte dos nossos compatriotas que a ela não podiam escapar. Se eramos socialistas? Não, redondamente não! O socialismo era o outro lado da Guerra, à escala mundial, uma imensa gula imperialista que cavalgava a nossa sociedade europeia. Ou estará tão arguta Menina a imaginar-nos militantes da Liga Comunista Internacionalista?

Com o 25/A, varrida a II República, pensámo-nos de regresso à civilização. Mas levámos em cheio com os desmandos dos admiradores da minha prendada Menina; e depois maltratados por este Estado voraz e corrupto, como agora vivemos. Pobres não são robles, diz o povo e com toda a razão.

A Menina perguntará, enfim, porquê isto tudo. Olhe minha Menina, porque sim - porque nada mudou, salvo as placas. À Menina, e aos da sua condição, continuamos a pagar impostos para os sustentar. Em troca - mandam-nos prás cativações. A Menina, a minha estremosa Menina, desculpará, mas para estes lados ainda ninguém veio contar a história do politicamente correcto. Por isso me despeço sem lhe revelar onde topei as ditas fonte e placa. E com um conselho: deixe o passado, pense no futuro, que ambos pertencem à História, seguramente um percurso, e não um instrumento do seu socialismo.

Este último, fique seu, sempre seu e só seu.

Do sempre devotamente também seu

JAM

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Para este próximo ano

por João-Afonso Machado, em 02.01.19

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A corvina, toda a vida, fora o mais formidável desempenho de barbatanas que o trazia preso à barra. Há quem diga, graças também ao exagero de algumas vozes mazinhas, a acrescentar-lhe o peso, a dignidade e a braveza do troféu, a delícia do pitéu. O certo é que empreendera na corvina.

E pontualíssimo, dia após dia, na foz, lançamento sobre lançamento, já não havia solha, cavala, sargo ou mesmo robalo (quando eles vêm em cardume, aos milhares, enormes), já nada sobrava para lhe satisfazer as aspirações. Senão a corvina.

Nunca a vira. Mas estudara-a, lera muito. Empenhou-se mesmo, para comprar a cana e o carreto adequados. Encheu o velho Opel Rekord de aparelhagens e iscos, cheques, sabão e víveres, o necessário para uma ausência prolongada. No carro dormia, no cais cozinhava e mirava o horizonte, conversava com as estrelas e as marés, com a lua... e infatigavelmente pescava.

Assim decorreu um ano todo. As gentes ribeirinhas segredavam entre si, aquilo ou enviuvara sem filhos, ou endoidecera. A criançada já esgotara a curiosidade de o espreitar, sempre igual.

Conheceu o fustigar das chuvas, as navalhadas do vento frio, o sol em brasa. Sem esmorecer. De coração posto na corvina, prateada, uma boca tubaranesca, para cima de uma arroba na balança... Assim ela entrasse no rio e se deixasse cativar pelos atractivos do seu anzol.

Está lá, neste exacto momento, o lutador. Viram-no receber a encomenda pesadíssima, um farto renovar do seu stock de apetrechos. E a um apiedado daquela fé, respondeu em vibrante entusiasmo - É já este ano!!!

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Bom Natal!

por João-Afonso Machado, em 24.12.18

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Vivo o Natal de um modo decerto diferente da maioria das pessoas. Para mim, o Natal é, sobretudo, saudade. É, e quero que continue a ser - muito limitado quanto a alegrias.

No entanto, imensamente agradado por muitos - quase todos - fazerem desta época um momento de bem-estar espiritual e convívio familiar, aqui deixo expresso o meu voto de uma Festa feliz em que reine o Deus Menino.

Para lá de todas as vicissitudes, a inabalável certeza do Presépio.

A todos - parceiros do Corta-Fitas, leitores do blog e os mais, - um Santo Natal, as maiores felicidades... e Paz!

 

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Penela

por João-Afonso Machado, em 09.12.18

Penela vem dos tempos da terra de ninguém a sul de Coimbra. Nasceu numa elevação, obra de um desses condes medievais cujo nome é dificil de dizer, sempre atento ao horizonte e às hostes sarracenas que lá poderia topar.

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Depois do galope de D. Afonso Henriques até Santarém e Lisboa, Penela foi sossegando. E desceu ao mundo. Até onde a vista alcançasse, as serranias só muitos séculos depois tornariam a ser invadidas pelo ruído dos motores

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Entretanto, a devoção ganhou o lugar que lhe compete e as muralhas, pelo sim, pelo não, também se mantiveram de guarda.

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De resto com uma função capital: a de permitir a visão da pequena vilória que brotou a partir do castelo, aos trambolhões  pelo morro abaixo.

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Sem comércio, quase sem serviços, é um castigo dar com a Câmara Municipal ou com o Tribunal. Naquelas paragens, até as fundamentais tascas escasseiam. A Primavera enche Penela de andorinhas e os seus ninhos nos beirais. Mas estamos quase no Inverno e o que frutifica agora é o presépio vivo. Está tudo a postos para o nascimento do Menino Jesus - S. José, sempre a carpinteirar, a vaca e o burro, as ovelhas e os pastores. E Nossa Senhora, lindíssima.

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Tanto que aproveitei um momento de distracção do empenhado S. José, às voltas com o martelo e os pregos, e tirei um retrato à já quase Mãe de Cristo (a deitar-se nas palhinhas apenas no dia 25). Mostrei-o, e Ela, na sua infinita bondade, ainda me agradeceu. Obrigado estava eu, respondi. E segui à minha vida pensando que afinal tudo se deve ter passado em Penela, e não em Belém.

 

 

 

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Sinistras ideias de borla

por João-Afonso Machado, em 30.11.18

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Entrados no mar e vencida a rebentação das ondas, os barcos vão até muito longe, lançam as redes e regressam. Mais não fora, tão biblico procedimento valerá o ataque. Mais adiantemos algo mais:

O par de horas seguinte é de grande sofrimento para os bois. Não nos enganem as imagens do presépio - os bovinos nasceram também para puxar as redes de pesca no seu arrasto de centenas de metros.

Arte xávega, esse o nome da monstruosidade praticada aqui e ali, ao longo da nossa costa, de Espinho à Caparica, com alguns episódios no Algarve. Atrelados às cordas das redes, os bois puxam-nas até ao cimo do areal. Uma vez lá, são desengatados e vêm em corrida desabrida até às águas, onde reiniciam a operação. A rede, sempre captando peixe, cresce em peso, tanto quanto cresce o cansaço dos animais. O remédio é simples - trancada de três em pipa nas costas do gado que muge, urra, de lingua de fora, esbaforido, as pratas enterradas na areia, incapazes de um passo além. Que vai dando, porém, sempre à força de porrada.

Bois mansos, cujo tormento estival é o narrado, salvo onde já foram substuídos por... tractores.

Agora os peixes que Jesus um dia multiplicou, e os portugueses vão subtraindo sem grandes critérios. Aliás, um assunto com actualidade política e com a Esquerda espantosamente desatenta. - Os peixes, esses infelizes, morrendo aos milhares e milhares todos os dias, afogados (ao contrário dos humanos) fora de água.

Volvendo à arte xávega, é somar os turistas em redor das redes, à chegada destas, num roldão, os peixes esmagando-se numa pasta multiespécie, com um ou outro, preso nas pontas, a conseguir libertar-se, ainda na espuma, quase no retrocesso da próxima onda, não fora a voz

- Eh Remígio, olha esse robalo que vai fugir!

E o Remígio, afoito, a enfiar no robalo um portentoso chuto que o leva para o meio da praia. A contorcer-se, enfarinhado em areia, melhor seria atirá-lo logo para a frigideira.

O demais peixe passará suplício idêntico, caso não lhes sorria a fortuna da morte por esmagamento. Sempe espinoteando, gozosamente (como alguns mistérios do Terço...) apartados - cavalas, carapaus, sardinhas, robalos, sargos - em cabazes e levados à lota e leiloados ainda vivos, no estertor da asfixia - ou asfixiando ainda, quando não, ao entrar na cozinha para serem estripados e comidos fresquinhos.

É assim na arte xávega, na pesca do alto mar, até mesmo em alguma desportiva. Só não se percebe é como as meninas do BE e o Sr. André já-não-me-lembro-do-resto ainda não deram por isso. Porque, de certeza, a nossa tradição piscatória (com raízes tremendamente cristãs) e a nossa economia não justificam tais barbaridades.

Além disso, o macho da cavala há de chamar-se cavalo, visto não ter sido feito duma costela da fémea e por cá sermos todos iguais. Se tem escamas ou patas, a Esquerda que se vá dando conta das burrices que propaga.

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O Dr. Mário Saraiva

por João-Afonso Machado, em 01.11.18

Parece, saiu recentemente, numa revista semanal, uma reportagem sobre a nobreza em Portugal. Não a li, nem pretendo ler. De antemão conheço a cantilena e apenas condeno os que se prestaram aos propósitos da coscuvilhice dos jornalistas.

Isto é importante no exacto sentido em que à conta dessa "nobreza" se pretende denegrir a nossa Monarquia. Nada é por acaso...

Porque, afinal, o que é ser "nobre"? Se é ser detentor do Poder, as "Necessidades" estão agora no Rato. Como já estiveram em outras "Soeiro Pereira Gomes". A nobreza actual é a classe política, aliás bem apoiada por algum poder económico (vd. diversos processos judiciais, de todos conhecidos). Os nobres de agora iniciam-se nos "paços" académicos, armam-se cavaleiros nas lojas maçónicas e alcançam o foro supremo nas bancadas parlamentares. Há muito mais duques do que antigamente - são os ministros.O mal - a burrice - está em alguns membros de famílias com história se deixarem fotografar adiante dos quadros de antepassados, em pose responsável e patriota, e em nada contribuindo para a Restauração. Mesmo a jeito do jornalista ir lá rir-se um bocado...

Enquanto isso:

Em décadas que já lá vão, conheci bem, e fui amigo, de um grande monárquico - o Dr. Mário Saraiva. Médico, viera do Cadaval para Guimarães, onde ficou até ao fim dos seus dias. Foi dos derradeiros discípulos de António Sardinha e integralista de alma e coração. Jamais trouxe à conversa os seus antecedentes familiares. E escreveu - que era monárquico não pelo coração, antes pela razão. Chegara lá de dedução em dedução, como bem explica no seu Razões Reais. E foi-o toda a vida, convictamente, enfrentado a II e a III República, sempre no seu quase anonimato. Publicou obra extensa, de que me orgulho de possuir diversos volumes dedicados e autografados. 

Era o exemplo acabado do verdadeiro monárquico. Acreditando apenas na eternidade da Nação e nos meios de a preservar. Nunca viveu em palácios.

Mas preparou várias gerações. Ensinou-as, melhor, sensibilizou-as. Nem queria saber de casamentos inter-classe, nem de distâncias sociais, nem de eventos e fatiota a rigor. Nem, é claro, de poder político ou de enriquecer neste mundo promíscuo. Simplesmente queria o Rei, símbolo da Nação, e o mando disseminado pelas terras do Reino.

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Quis o Destino, Tino

por João-Afonso Machado, em 28.10.18

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Tomávamos o pequeno-almoço, manhãzinha cedo, em Oldrões, Penafiel. Quando, de súbito, a pastelaria entra em alvoroço: tinha chegado lá o famosíssimo Tino de Rans. (Oldrões e Rans são duas freguesias vizinhas.) Foi um momento de política à séria.

Muitos abraços aos cavalheiros, grande troca de beijos com as senhoras presentes. O cidadão Vitorino da Silva irradia simpatia. Cumprimentei-o efusivamente: - sou um seu eleitor - disse-lhe logo.

(Parece que Tino não acreditou. Mas um parceiro, muito das minhas relações, convenceu-o - eu votei nele para as últimas Presidenciais. Monárquico como nasci, sou, e hei de morrer, só o candidato Vitorino da Silva poderia assegurar um mínimo de respeito e coerência por Portugal nesta desastrosa República. E o Tino obteve o mais fantástico resultado eleitoral, ele sozinho.)

Vinha precavido com a sua lista de assinaturas para a formação de um novo partido que almeja. - Desejo cumprir o meu sonho de ser de deputado à AR, - confessou.

Ora, a sinceridade para mim é tudo. A gente conhece as guerras intestinas nos partidos, quando se trata de formar as listas de candidatos ao cargo. Ninguém quer - mas, em boa verdade, todos querem e se guerreiam por tal. O Tino parte do zero - e ouvi-lo no Parlamento é, ou devia ser, a derradeira esperança dos portugueses da Província, em particular, e do Planeta em geral.

Não sei se foi a Oldrões a pé, ou se regressou de táxi a Rans. Sei que o vi, abracei "com afecto", e seguimos ambos, depois, os nossos caminhos. Trouxe os seus papeis. E com a mesma certeza que mandava um Santana Lopes bugiar, eu subscrevo a petição do Tino. Lembrei Marinho Pinto (cruzes!) e mais cresce em mim a crença no Senhor de Rans. Assim como este se despediu desejando apenas que Deus nos acompanhasse na nossa viagem.

Para que se saiba, nada do que digo é brincadeira ou ironia. Ver e ouvir este homem na AR, deixando sair pela boca fora o que achar não poder ficar calado, seria (será?) um lavar da alma.  Há muitos minhotos, trasmontanos e beirões a pensar assim. Oxalá nenhum escândalo superveniente anule a meta do cidadão Vitorino da Silva.

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O velhinho moderno

por João-Afonso Machado, em 19.10.18

Ainda a propósito da recente aparição na TV da criatura "dos beijos aos avós" - e antes que, como o usual entre nós, o assunto caia no esquecimento - dois ditos apenas, tentando fugir desse tom de indignação tão proveitoso à Esquerda.

(Não esquecendo a minha pessoal opinião do aberrante da criatura.)

Ponto primeiro: parece ser incontestável, o «professor» regala-se com artes e ofícios sado-masoquistas, com distinção no capítulo do cliché.

Ponto segundo: há a já célebre fotografia da criatura agarrada por trás, por um seu semelhante com as mãos cravadas onde os homens gostam de sentir algo mais substancial. E vão surgindo muitas outras, certamente não roubadas da gaveta da sua mesinha de cabeceira.

Ponto final: mediante o seu douto saber revelado televisivamente, é de supor a criatura lide com menores. Onde a sua vida profissional não reflectirá a sua vida pessoal?

a sua propensão para o exibicionismo é manifesta. Felizmente para ele, não é padre da Igreja Católica. Senão estaria feito, com os media a cairem-lhe em cima. Assim não, por mais apalpões em público e fotografias a registá-los, por mais aparato que faça, trata-se apenas de um pensador moderno que recomenda às crianças - dêem beijos aos avós só se lhes apetecer.

 O resto fica no critério de cada um.

 

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Diz (contrariada) que está mais "forte"

por João-Afonso Machado, em 05.10.18

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Há já algum tempo não nos cruzávamos. Hoje encontrei-a no hipermecado e, cerimoniosamente, cumprimentei-a. Que estava muito bem, obrigado, apenas um pouco «mais forte», abusava algo, abria a boca em excesso..

(Esta recusa feminina em darem-se por gordas, estes eufemismos... A D. Repúbica dir-se-ia poder estourar a qualquer momento, de tão «forte», de tanta chouriça que havia de rilhar todos os dias...)

Com ela, a prole, endiabradíssima. E magricela, não obstante. São uns três ou quatro e apenas o mais velho me pareceu sadio. A multiplicar-se em maus exemplos. Quando eu já quase gritava - Socorro! Fugiu um fauno da mitologia, agarrem-no! - era somente o Antoninho que abrira um pacotinho de especiarias e esperneava do nariz e dos olhos em todas as direcções.

A D. República limitou-se a sorrir. Mas já não assim com os pequenotes que mexiam ávidos na montra das frutas e das hortaliças, agarrados a pés de couve galega, de couve de Bruxelas, com se lhes mordessem as saudades do chocolate. De comestíveis menos republicanos, menos caseiros, melhor cozinhados. E a mãe, inflexivel, que não, as compras hoje ficavam por ali, ainda faltava a gasolina para o automóvel, caríssima, vá lá saber-se porquê?

(Mas acabou vergando, quando o Antoninho lhe pediu duas dúzias de chamuças para levar para casa. Ela própria se lambuzou toda, sublime, «forte», fortíssima, já se vê para quem duas duzias assim compradas, quase às escondidas dos mais miúdos. Da propriamente dita "arraia miúda", conclui).

Eu ia apenas por ração para os meus cães e gato. Depois lembrei-me de umas bolachitas para os idosos da minha família. Hoje é um dia triste. Os hipermercados são a costumeira enchente... Mas quem seríamos nós, portugueses, se em vez de comprarmos para nós e para os nossos - familiares e animais - nos atafulhássemos em chamuças? Anda por aí, ao que dizem, um partido novo que se preocupa com essas questões. Infelizmente só tem um deputado, um finguelinhas ao pé da D. República. E esta, sempre na lamúria, não lhe passa um dia por cima. Azar nosso, quando a apanhámos por vizinha... O melhor ainda será inundá-la de chamuças, até à indigestão - ao crash... - fatal.

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Até à hora da verdade

por João-Afonso Machado, em 28.08.18

Há muito, - caro Henrique Pereira dos Santos (à cause do apontado na sua última crónica no CF), - há muito ando arredado do comentário político. Mais concretamente, desde que Costa se apossou do Poder. Foi aí que me apercebi da pouca fibra da nossa gente; e da inutilidade da devida oposição, a nenhuma valência dos argumentos honestos. Costa despreza-a com um sorriso "à Martim Moniz" (parece que a praça mudou o nome...), a Imprensa faz eco dele (do tal sorriso), algo impossível senão entre nós, e as manigâncias da Esquerda prosseguem. Resta esperar o futuro.

O Henrique Pereira dos Santos tem toda a razão quando confronta, e tira conclusões, acerca da malta dos jornais. Já por eles andei... Penso eu - e pensará o HPS - outras laudas virão, assim a situação vire no vento.

Para já, a denúncia do contrassenso é absolutamente inútil. Contra a ideologia marxista-leninista-trotskista, a relativiade do "movimento de massas", é a "aspirina" de todas as incongruências. Acrescente-se-lhe o "guronsan" de Costa, burocrata domiciliado em Sintra (portões vigiados) e o seu temor ao desemprego.

No mais, restaria a independência dos blogs. E dos jornais on line, ou mesmo no papel de antanho. Eu não tenho vergonha de me dizer leitor do CM. E do Observador. Mas a publicidade da Esquerda vai mais longe, muito mais longe, capaz de, de permeio, destroçar a concorrência. Essa a questão de há 44 anos.

Por isso o País continua a ser o que é - um domínio da Revolução. Isto é, dos tachos, dos burocratas e - mais recentemente - da destruição dos costumes.

 

 

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Monchique já está a arder?

por João-Afonso Machado, em 08.08.18

São conhecidos - e amplamente divulgados - os pormenores tétrico-ridículos desta batalha que leva já quase uma semana, com inúmeros feridos e desalojados.

Por isso, não se trata agora de pormenorizar ou frisar mais esta ou aquela mentira de dois mentirosos encartados, bem conhecidos das nossas gentes. Pela televisão e pelos seus dizeres absolutamente surreais.

Não, a nota principal não é o fenómeno, mas a alma que o prodigaliza. O Algarve interior arde sem controlo e os episódios de obscenidade multiplicam-se (depois do Estado avocar as chamas - onde, infelizmente, não arde - vieram os helicópteros que não molham...), enquanto os locais sofrem e o País se apachorrenta. Com Costa e Cabrita a enaltecerem os gloriosos esforços deles próprios.

No plano nacional este é o drama: as pessoas descarregam a sua raiva no Facebook; ridicularizam duas figuras em si mesmo ridículas; revoltam-se, despem completamente a verdade encapotada...

... E o resultado é nada. Portugal não se levanta. Alguém, fugazmente, desabafa contra as visitas do Presidente Marcelo...

Assim não morra qualquer infeliz no fogo. Porque então... Pensando melhor, - nem desse modo. A impunidade dos próceres da nossa Administração Pública está segura. Essa a grande e demolidora questão. Porque vale tudo para um comunista (gigantesco seja o sapo!) desde que a Direita fique longe do Poder. O mais é - para sermos honestos - assumirmos o nosso egoísmo e sequer votarmos. Quero dizer, deixá-los lá, a política é isso mesmo.

Foio que tais figurões perceberam poder contar de todos nós.

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Quase mártires da liberdade

por João-Afonso Machado, em 12.07.18

UBER.JPG

O episódio é verídico, rigoroso, ocorrido em plena Lisboa. Eles eram três democratas com a cabeça a prémio. A fuga tornara-se imperiosa. Valendo-se de alguns sofisticados meios tecnológicos (felizmente ao dispor), o mais novo, mais afoito, conseguiu estabelecer contacto com um resistente destacado para auxiliar a evacuação (salvo seja) dos aflitos.

A cidade dormia quando o operacional surgiu silenciosamente, num automóvel vulgar, conquanto limpo e dotado de boa música na telefonia, completa a ausência de futebol no seu habitáculo. A viagem para o aeroporto decorreu sem sobressaltos, rapidíssima. Nada de palavras de ordem, de diatribes políticas, de populismos travessos. Tudo fora combinado, o desembarque processou-se discreto, instantâneo, mesmo nas barbas das viaturas verde-negras ou bejes dos guardiões do regime.

A ditadura taxista sofrera mais um revés, sobretudo quando, muito ao longe, ouviu gritar:

- Uber alles!!!

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A República sem ter de fazer

por João-Afonso Machado, em 03.07.18

Eis um Verão dos mais cinzentos dos últimos anos: sem sol e sem incêndios. Sem esse drama terrível que, em política, serve basicamente para trocas recíprocas de acusações e responsablizações.

Um Verão, ainda, que se esperava apimentado pelo Mundial de futebol onde Portugal não foi além dos oitavos-de-final. Como festejar assim, a classe política, os "nossos herois", indo ao aeroporto, abraçando-os, passeando-os em autocarro aberto na Capital, recebendo-os nos salões camarários, condecorando-os?

Um Verão que nunca mais é Outono, para reatarmos o "caso Sócrates". E um Sócrates, por maldade e casmurrice, há meses calado e escondido.

Um Verão sem Bruno de Carvalho e com um Sousa Cintra tomado por essa complicada doença que é o bom senso.

Um Verão em que o Governo aparenta paz e tranquilidade, sabe que os portugueses para nada querem saber da discussão orçamental que lhe sucede. Por isso António Costa não perde o sono, e vive pacatamente um dia de cada vez.

Assim sendo este Verão, como não encontrá-los todos, de todos os orgãos de soberania da República, aos pulos no concerto dos Xutos? Coitada dela, espreguiça-se e quase vai morrrendo de tédio.  Fez muito bem a República em sair à noite para se divertir e a nós também. Gostei - como sempre - particularmente de Catarina Martins e de Ferro Rodrigues. Que speed, meu!

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