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Penela

por João-Afonso Machado, em 09.12.18

Penela vem dos tempos da terra de ninguém a sul de Coimbra. Nasceu numa elevação, obra de um desses condes medievais cujo nome é dificil de dizer, sempre atento ao horizonte e às hostes sarracenas que lá poderia topar.

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Depois do galope de D. Afonso Henriques até Santarém e Lisboa, Penela foi sossegando. E desceu ao mundo. Até onde a vista alcançasse, as serranias só muitos séculos depois tornariam a ser invadidas pelo ruído dos motores

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Entretanto, a devoção ganhou o lugar que lhe compete e as muralhas, pelo sim, pelo não, também se mantiveram de guarda.

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De resto com uma função capital: a de permitir a visão da pequena vilória que brotou a partir do castelo, aos trambolhões  pelo morro abaixo.

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Sem comércio, quase sem serviços, é um castigo dar com a Câmara Municipal ou com o Tribunal. Naquelas paragens, até as fundamentais tascas escasseiam. A Primavera enche Penela de andorinhas e os seus ninhos nos beirais. Mas estamos quase no Inverno e o que frutifica agora é o presépio vivo. Está tudo a postos para o nascimento do Menino Jesus - S. José, sempre a carpinteirar, a vaca e o burro, as ovelhas e os pastores. E Nossa Senhora, lindíssima.

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Tanto que aproveitei um momento de distracção do empenhado S. José, às voltas com o martelo e os pregos, e tirei um retrato à já quase Mãe de Cristo (a deitar-se nas palhinhas apenas no dia 25). Mostrei-o, e Ela, na sua infinita bondade, ainda me agradeceu. Obrigado estava eu, respondi. E segui à minha vida pensando que afinal tudo se deve ter passado em Penela, e não em Belém.

 

 

 

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Sinistras ideias de borla

por João-Afonso Machado, em 30.11.18

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Entrados no mar e vencida a rebentação das ondas, os barcos vão até muito longe, lançam as redes e regressam. Mais não fora, tão biblico procedimento valerá o ataque. Mais adiantemos algo mais:

O par de horas seguinte é de grande sofrimento para os bois. Não nos enganem as imagens do presépio - os bovinos nasceram também para puxar as redes de pesca no seu arrasto de centenas de metros.

Arte xávega, esse o nome da monstruosidade praticada aqui e ali, ao longo da nossa costa, de Espinho à Caparica, com alguns episódios no Algarve. Atrelados às cordas das redes, os bois puxam-nas até ao cimo do areal. Uma vez lá, são desengatados e vêm em corrida desabrida até às águas, onde reiniciam a operação. A rede, sempre captando peixe, cresce em peso, tanto quanto cresce o cansaço dos animais. O remédio é simples - trancada de três em pipa nas costas do gado que muge, urra, de lingua de fora, esbaforido, as pratas enterradas na areia, incapazes de um passo além. Que vai dando, porém, sempre à força de porrada.

Bois mansos, cujo tormento estival é o narrado, salvo onde já foram substuídos por... tractores.

Agora os peixes que Jesus um dia multiplicou, e os portugueses vão subtraindo sem grandes critérios. Aliás, um assunto com actualidade política e com a Esquerda espantosamente desatenta. - Os peixes, esses infelizes, morrendo aos milhares e milhares todos os dias, afogados (ao contrário dos humanos) fora de água.

Volvendo à arte xávega, é somar os turistas em redor das redes, à chegada destas, num roldão, os peixes esmagando-se numa pasta multiespécie, com um ou outro, preso nas pontas, a conseguir libertar-se, ainda na espuma, quase no retrocesso da próxima onda, não fora a voz

- Eh Remígio, olha esse robalo que vai fugir!

E o Remígio, afoito, a enfiar no robalo um portentoso chuto que o leva para o meio da praia. A contorcer-se, enfarinhado em areia, melhor seria atirá-lo logo para a frigideira.

O demais peixe passará suplício idêntico, caso não lhes sorria a fortuna da morte por esmagamento. Sempe espinoteando, gozosamente (como alguns mistérios do Terço...) apartados - cavalas, carapaus, sardinhas, robalos, sargos - em cabazes e levados à lota e leiloados ainda vivos, no estertor da asfixia - ou asfixiando ainda, quando não, ao entrar na cozinha para serem estripados e comidos fresquinhos.

É assim na arte xávega, na pesca do alto mar, até mesmo em alguma desportiva. Só não se percebe é como as meninas do BE e o Sr. André já-não-me-lembro-do-resto ainda não deram por isso. Porque, de certeza, a nossa tradição piscatória (com raízes tremendamente cristãs) e a nossa economia não justificam tais barbaridades.

Além disso, o macho da cavala há de chamar-se cavalo, visto não ter sido feito duma costela da fémea e por cá sermos todos iguais. Se tem escamas ou patas, a Esquerda que se vá dando conta das burrices que propaga.

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O Dr. Mário Saraiva

por João-Afonso Machado, em 01.11.18

Parece, saiu recentemente, numa revista semanal, uma reportagem sobre a nobreza em Portugal. Não a li, nem pretendo ler. De antemão conheço a cantilena e apenas condeno os que se prestaram aos propósitos da coscuvilhice dos jornalistas.

Isto é importante no exacto sentido em que à conta dessa "nobreza" se pretende denegrir a nossa Monarquia. Nada é por acaso...

Porque, afinal, o que é ser "nobre"? Se é ser detentor do Poder, as "Necessidades" estão agora no Rato. Como já estiveram em outras "Soeiro Pereira Gomes". A nobreza actual é a classe política, aliás bem apoiada por algum poder económico (vd. diversos processos judiciais, de todos conhecidos). Os nobres de agora iniciam-se nos "paços" académicos, armam-se cavaleiros nas lojas maçónicas e alcançam o foro supremo nas bancadas parlamentares. Há muito mais duques do que antigamente - são os ministros.O mal - a burrice - está em alguns membros de famílias com história se deixarem fotografar adiante dos quadros de antepassados, em pose responsável e patriota, e em nada contribuindo para a Restauração. Mesmo a jeito do jornalista ir lá rir-se um bocado...

Enquanto isso:

Em décadas que já lá vão, conheci bem, e fui amigo, de um grande monárquico - o Dr. Mário Saraiva. Médico, viera do Cadaval para Guimarães, onde ficou até ao fim dos seus dias. Foi dos derradeiros discípulos de António Sardinha e integralista de alma e coração. Jamais trouxe à conversa os seus antecedentes familiares. E escreveu - que era monárquico não pelo coração, antes pela razão. Chegara lá de dedução em dedução, como bem explica no seu Razões Reais. E foi-o toda a vida, convictamente, enfrentado a II e a III República, sempre no seu quase anonimato. Publicou obra extensa, de que me orgulho de possuir diversos volumes dedicados e autografados. 

Era o exemplo acabado do verdadeiro monárquico. Acreditando apenas na eternidade da Nação e nos meios de a preservar. Nunca viveu em palácios.

Mas preparou várias gerações. Ensinou-as, melhor, sensibilizou-as. Nem queria saber de casamentos inter-classe, nem de distâncias sociais, nem de eventos e fatiota a rigor. Nem, é claro, de poder político ou de enriquecer neste mundo promíscuo. Simplesmente queria o Rei, símbolo da Nação, e o mando disseminado pelas terras do Reino.

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Quis o Destino, Tino

por João-Afonso Machado, em 28.10.18

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Tomávamos o pequeno-almoço, manhãzinha cedo, em Oldrões, Penafiel. Quando, de súbito, a pastelaria entra em alvoroço: tinha chegado lá o famosíssimo Tino de Rans. (Oldrões e Rans são duas freguesias vizinhas.) Foi um momento de política à séria.

Muitos abraços aos cavalheiros, grande troca de beijos com as senhoras presentes. O cidadão Vitorino da Silva irradia simpatia. Cumprimentei-o efusivamente: - sou um seu eleitor - disse-lhe logo.

(Parece que Tino não acreditou. Mas um parceiro, muito das minhas relações, convenceu-o - eu votei nele para as últimas Presidenciais. Monárquico como nasci, sou, e hei de morrer, só o candidato Vitorino da Silva poderia assegurar um mínimo de respeito e coerência por Portugal nesta desastrosa República. E o Tino obteve o mais fantástico resultado eleitoral, ele sozinho.)

Vinha precavido com a sua lista de assinaturas para a formação de um novo partido que almeja. - Desejo cumprir o meu sonho de ser de deputado à AR, - confessou.

Ora, a sinceridade para mim é tudo. A gente conhece as guerras intestinas nos partidos, quando se trata de formar as listas de candidatos ao cargo. Ninguém quer - mas, em boa verdade, todos querem e se guerreiam por tal. O Tino parte do zero - e ouvi-lo no Parlamento é, ou devia ser, a derradeira esperança dos portugueses da Província, em particular, e do Planeta em geral.

Não sei se foi a Oldrões a pé, ou se regressou de táxi a Rans. Sei que o vi, abracei "com afecto", e seguimos ambos, depois, os nossos caminhos. Trouxe os seus papeis. E com a mesma certeza que mandava um Santana Lopes bugiar, eu subscrevo a petição do Tino. Lembrei Marinho Pinto (cruzes!) e mais cresce em mim a crença no Senhor de Rans. Assim como este se despediu desejando apenas que Deus nos acompanhasse na nossa viagem.

Para que se saiba, nada do que digo é brincadeira ou ironia. Ver e ouvir este homem na AR, deixando sair pela boca fora o que achar não poder ficar calado, seria (será?) um lavar da alma.  Há muitos minhotos, trasmontanos e beirões a pensar assim. Oxalá nenhum escândalo superveniente anule a meta do cidadão Vitorino da Silva.

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O velhinho moderno

por João-Afonso Machado, em 19.10.18

Ainda a propósito da recente aparição na TV da criatura "dos beijos aos avós" - e antes que, como o usual entre nós, o assunto caia no esquecimento - dois ditos apenas, tentando fugir desse tom de indignação tão proveitoso à Esquerda.

(Não esquecendo a minha pessoal opinião do aberrante da criatura.)

Ponto primeiro: parece ser incontestável, o «professor» regala-se com artes e ofícios sado-masoquistas, com distinção no capítulo do cliché.

Ponto segundo: há a já célebre fotografia da criatura agarrada por trás, por um seu semelhante com as mãos cravadas onde os homens gostam de sentir algo mais substancial. E vão surgindo muitas outras, certamente não roubadas da gaveta da sua mesinha de cabeceira.

Ponto final: mediante o seu douto saber revelado televisivamente, é de supor a criatura lide com menores. Onde a sua vida profissional não reflectirá a sua vida pessoal?

a sua propensão para o exibicionismo é manifesta. Felizmente para ele, não é padre da Igreja Católica. Senão estaria feito, com os media a cairem-lhe em cima. Assim não, por mais apalpões em público e fotografias a registá-los, por mais aparato que faça, trata-se apenas de um pensador moderno que recomenda às crianças - dêem beijos aos avós só se lhes apetecer.

 O resto fica no critério de cada um.

 

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Diz (contrariada) que está mais "forte"

por João-Afonso Machado, em 05.10.18

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Há já algum tempo não nos cruzávamos. Hoje encontrei-a no hipermecado e, cerimoniosamente, cumprimentei-a. Que estava muito bem, obrigado, apenas um pouco «mais forte», abusava algo, abria a boca em excesso..

(Esta recusa feminina em darem-se por gordas, estes eufemismos... A D. Repúbica dir-se-ia poder estourar a qualquer momento, de tão «forte», de tanta chouriça que havia de rilhar todos os dias...)

Com ela, a prole, endiabradíssima. E magricela, não obstante. São uns três ou quatro e apenas o mais velho me pareceu sadio. A multiplicar-se em maus exemplos. Quando eu já quase gritava - Socorro! Fugiu um fauno da mitologia, agarrem-no! - era somente o Antoninho que abrira um pacotinho de especiarias e esperneava do nariz e dos olhos em todas as direcções.

A D. República limitou-se a sorrir. Mas já não assim com os pequenotes que mexiam ávidos na montra das frutas e das hortaliças, agarrados a pés de couve galega, de couve de Bruxelas, com se lhes mordessem as saudades do chocolate. De comestíveis menos republicanos, menos caseiros, melhor cozinhados. E a mãe, inflexivel, que não, as compras hoje ficavam por ali, ainda faltava a gasolina para o automóvel, caríssima, vá lá saber-se porquê?

(Mas acabou vergando, quando o Antoninho lhe pediu duas dúzias de chamuças para levar para casa. Ela própria se lambuzou toda, sublime, «forte», fortíssima, já se vê para quem duas duzias assim compradas, quase às escondidas dos mais miúdos. Da propriamente dita "arraia miúda", conclui).

Eu ia apenas por ração para os meus cães e gato. Depois lembrei-me de umas bolachitas para os idosos da minha família. Hoje é um dia triste. Os hipermercados são a costumeira enchente... Mas quem seríamos nós, portugueses, se em vez de comprarmos para nós e para os nossos - familiares e animais - nos atafulhássemos em chamuças? Anda por aí, ao que dizem, um partido novo que se preocupa com essas questões. Infelizmente só tem um deputado, um finguelinhas ao pé da D. República. E esta, sempre na lamúria, não lhe passa um dia por cima. Azar nosso, quando a apanhámos por vizinha... O melhor ainda será inundá-la de chamuças, até à indigestão - ao crash... - fatal.

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Até à hora da verdade

por João-Afonso Machado, em 28.08.18

Há muito, - caro Henrique Pereira dos Santos (à cause do apontado na sua última crónica no CF), - há muito ando arredado do comentário político. Mais concretamente, desde que Costa se apossou do Poder. Foi aí que me apercebi da pouca fibra da nossa gente; e da inutilidade da devida oposição, a nenhuma valência dos argumentos honestos. Costa despreza-a com um sorriso "à Martim Moniz" (parece que a praça mudou o nome...), a Imprensa faz eco dele (do tal sorriso), algo impossível senão entre nós, e as manigâncias da Esquerda prosseguem. Resta esperar o futuro.

O Henrique Pereira dos Santos tem toda a razão quando confronta, e tira conclusões, acerca da malta dos jornais. Já por eles andei... Penso eu - e pensará o HPS - outras laudas virão, assim a situação vire no vento.

Para já, a denúncia do contrassenso é absolutamente inútil. Contra a ideologia marxista-leninista-trotskista, a relativiade do "movimento de massas", é a "aspirina" de todas as incongruências. Acrescente-se-lhe o "guronsan" de Costa, burocrata domiciliado em Sintra (portões vigiados) e o seu temor ao desemprego.

No mais, restaria a independência dos blogs. E dos jornais on line, ou mesmo no papel de antanho. Eu não tenho vergonha de me dizer leitor do CM. E do Observador. Mas a publicidade da Esquerda vai mais longe, muito mais longe, capaz de, de permeio, destroçar a concorrência. Essa a questão de há 44 anos.

Por isso o País continua a ser o que é - um domínio da Revolução. Isto é, dos tachos, dos burocratas e - mais recentemente - da destruição dos costumes.

 

 

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Monchique já está a arder?

por João-Afonso Machado, em 08.08.18

São conhecidos - e amplamente divulgados - os pormenores tétrico-ridículos desta batalha que leva já quase uma semana, com inúmeros feridos e desalojados.

Por isso, não se trata agora de pormenorizar ou frisar mais esta ou aquela mentira de dois mentirosos encartados, bem conhecidos das nossas gentes. Pela televisão e pelos seus dizeres absolutamente surreais.

Não, a nota principal não é o fenómeno, mas a alma que o prodigaliza. O Algarve interior arde sem controlo e os episódios de obscenidade multiplicam-se (depois do Estado avocar as chamas - onde, infelizmente, não arde - vieram os helicópteros que não molham...), enquanto os locais sofrem e o País se apachorrenta. Com Costa e Cabrita a enaltecerem os gloriosos esforços deles próprios.

No plano nacional este é o drama: as pessoas descarregam a sua raiva no Facebook; ridicularizam duas figuras em si mesmo ridículas; revoltam-se, despem completamente a verdade encapotada...

... E o resultado é nada. Portugal não se levanta. Alguém, fugazmente, desabafa contra as visitas do Presidente Marcelo...

Assim não morra qualquer infeliz no fogo. Porque então... Pensando melhor, - nem desse modo. A impunidade dos próceres da nossa Administração Pública está segura. Essa a grande e demolidora questão. Porque vale tudo para um comunista (gigantesco seja o sapo!) desde que a Direita fique longe do Poder. O mais é - para sermos honestos - assumirmos o nosso egoísmo e sequer votarmos. Quero dizer, deixá-los lá, a política é isso mesmo.

Foio que tais figurões perceberam poder contar de todos nós.

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Quase mártires da liberdade

por João-Afonso Machado, em 12.07.18

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O episódio é verídico, rigoroso, ocorrido em plena Lisboa. Eles eram três democratas com a cabeça a prémio. A fuga tornara-se imperiosa. Valendo-se de alguns sofisticados meios tecnológicos (felizmente ao dispor), o mais novo, mais afoito, conseguiu estabelecer contacto com um resistente destacado para auxiliar a evacuação (salvo seja) dos aflitos.

A cidade dormia quando o operacional surgiu silenciosamente, num automóvel vulgar, conquanto limpo e dotado de boa música na telefonia, completa a ausência de futebol no seu habitáculo. A viagem para o aeroporto decorreu sem sobressaltos, rapidíssima. Nada de palavras de ordem, de diatribes políticas, de populismos travessos. Tudo fora combinado, o desembarque processou-se discreto, instantâneo, mesmo nas barbas das viaturas verde-negras ou bejes dos guardiões do regime.

A ditadura taxista sofrera mais um revés, sobretudo quando, muito ao longe, ouviu gritar:

- Uber alles!!!

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A República sem ter de fazer

por João-Afonso Machado, em 03.07.18

Eis um Verão dos mais cinzentos dos últimos anos: sem sol e sem incêndios. Sem esse drama terrível que, em política, serve basicamente para trocas recíprocas de acusações e responsablizações.

Um Verão, ainda, que se esperava apimentado pelo Mundial de futebol onde Portugal não foi além dos oitavos-de-final. Como festejar assim, a classe política, os "nossos herois", indo ao aeroporto, abraçando-os, passeando-os em autocarro aberto na Capital, recebendo-os nos salões camarários, condecorando-os?

Um Verão que nunca mais é Outono, para reatarmos o "caso Sócrates". E um Sócrates, por maldade e casmurrice, há meses calado e escondido.

Um Verão sem Bruno de Carvalho e com um Sousa Cintra tomado por essa complicada doença que é o bom senso.

Um Verão em que o Governo aparenta paz e tranquilidade, sabe que os portugueses para nada querem saber da discussão orçamental que lhe sucede. Por isso António Costa não perde o sono, e vive pacatamente um dia de cada vez.

Assim sendo este Verão, como não encontrá-los todos, de todos os orgãos de soberania da República, aos pulos no concerto dos Xutos? Coitada dela, espreguiça-se e quase vai morrrendo de tédio.  Fez muito bem a República em sair à noite para se divertir e a nós também. Gostei - como sempre - particularmente de Catarina Martins e de Ferro Rodrigues. Que speed, meu!

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A nossa claque no castelo de Windsor

por João-Afonso Machado, em 20.05.18

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A  nossa comitiva chegou a Londres um pouco macerada do voo na Ryanair, mas com um entusiasmo furioso. Eram umas largas dezenas.

- Please,

começou uma senhora ilustrada, sonhando a arquibancada, e o policeman, olhando em redor, a voz naquele microfone tamanino,

- Portugueses...

apontando ao colega a chusma, como quem endossa o assunto. Porque era muita gente de Almada e do Seixal. Altos, de cabeça rapada e a pele bem tisnada do sol (e não só); ostentando bandeiras americanas, a discutir o basquetebol. E os mais, aloirados, decerto da banda de cá do Tejo, a espanejarem a velha flag britânica.

- This way, please...

E todos seguiram ordeiramente o cordão policial criado em sua volta. quarteirão após quarteirão.

- Olhe que nós queremos uma vista de primeiro plano para o castelo de Windsor!

- Sorry?!

E ele sorriu. O agente também, tudo sem incidentes. O destino previsto era uma junção com madeirenses radicados na Grã-Bretanha que se associavam ao delírio do evento. Ali ficaram todos, descendentes de Viriato.

Decorreu o tempo bastante para trazer a nossa proverbial impaciência. Percebeu-se, finalmente, o novo casal real vinha aí e passou ante o gáudio dos seus súbditos, a loucura total.

Escutando o clamor levantado, os nossos não quiseram ficar por menos:

- Olé. olé, olé, olá!!!

- Alé, alé alé!!!

E houve até um barreirense a intentar um beijo na bela Meghan, mas um polícia encorpado deu-lhe a entender - educadamente - o peso do bastão. De resto, lera algo sobre o Buiça e o Costa... O nosso compatriota  logo voltou ao seu lugar.

O cortejo findara. A expressão ruiva do Principe Harris permaneceu. Tal como a da nova duquesa de Sussex.

- Um sucesso, é verdade, um sucessso,

confirmou a velhinha da Baixa da Banheira.

Depois, foi uma noite de muita cerveja e uma manhã mal acordada. Mas... tratasse-se de um neto de Marcelo, quem iria lá? Assistir a quê? Os lusos caíam em si, inquiriam-se, nada percebiam já.

(E Portugal não gosta de vergonhas - o grupo rejeitou a inscrição de um senhor Bruno, que teve o azar de proclamar - no aperitivo da Royal Academy, raparia o gin todo e os After Eight também, num badamerda para o planeta inteiro).

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Maio de 68

por João-Afonso Machado, em 08.05.18

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Entre amigos, hoje, o tema maior da conversa foi o celebérrimo Maio de 68. É o seu cinquentenário. Na parte que me toca, quando em fazia os deveres escolares, apenas, e coleccionava cromos de jogadores de futebol. O Maio de 68 entrou na minha compreensão muitos anos depois.

Mais precisamente - anoto sempre nos meus livros a data da sua aquisição - em 1986, quando li - e reli - A Revolução Inexistente, de Raymond Aron. Uma obra escrita sob a forma de entrevista de Alain Duhamel ao próprio Autor, onde, logo na página inicial, pontifica o dizer de Proudhon (1848) - «Fez-se uma revolução sem uma ideia. A nação francesa é uma nação de comediantes».

Muito mais podia acrescentar-se. A Revolução hoje não tem um destino senão o da destruição pela destruição. Sobretudo a do Reformismo. «Toda aquela gente imitava os grandes antepassados e reencontrava os modelos revolucionários inscritos no inconsciente colectivo. Mais psicodrama do que drama, à falta de partido revolucionário», frisava R. Aron.

Pois. O resto foi o aproveitamento dos protestos estudantis pelo parco marxismo-leninismo e maoísmo organizado. É sempre assim. A confortar as minhas saudades do tempo em que me escapulia à polícia. Ao menos, os motivos eram nobres - os lares das freirinhas estavam coalhados de meninas  e nós, altas horas da noite, queríamos confraternizar com elas.

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Prós Aliados, carago! (Escreve um portista)

por João-Afonso Machado, em 30.04.18

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Esfuziante, ergue os braços perante o repórter. Oh! massa poderosa, sumo dos mais consagrados japoneses, padeira de aljubarrota, bandeirante de muitos hectares de bandeira... Pois claro, dali segue para os Aliados. - Bou eu e bai o meu home! Bamos todos, o puto também! . - Mas ainda falta um ponto para o Porto ser campeão... - Falta quê?! Falta nada! Já é!

Excitação total. E se amanhã é dia de trabalho, o trabalho que espere pelo dia. A noite será longa. - Carago!

Há muitos anos deixou de olhar para si. Entre o trabalho e a cozinha não há espelhos... Mas só de pensar em blusas com mangas já sua cavalarmente. E este é um dia diferente (- carago! -), um dia de liberdade. O home, tão ferrenho assim, vê-a com bons olhos nos Aliados. É substância, é megafonia acrescentada à multidão. Uma vez por outras, a cortar no rame-rame, sendo tanto o alarido e a hipótese de a TV os entrevistar...

Todos a vimos. Isto é o futebol na sua fase culminante, o pós-jogo. A vitória sobre esses inúteis de Lisboa. - Nós cá somos assim, carago! - Mas houve desacatos, briga nas ruas... - Foram eles, polha, foram esses vadios que começaram a apedrejar os nossos! Arfando, bota a mão ao seio e cobre o decote.

De Pedras Rubras aos Aliados a viagem promete. Ela ameaça sentar-se na janela aberta da viatura, atropelar os transeuntes com as suas nádegas de fora. - Oh moço, tens aí a tua bubuzela?

Seja-lhe feita justiça. Antes de finais de Junho, só lá para o S. João, não terá outra oportunidade de se divertir assim. A vida é mesmo muito monótona.

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Sidónio e 1917 - o tempo breve da esperança

por João-Afonso Machado, em 03.04.18

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As histórias pagam-se com a História. Depois de 1910, Portugal só sofreu. O ano de 1917 terminaria num natal de esperanças para todos os portugueses. Recorde-se, a nossa tropa morria aos milhares na I Grande Guerra. Contra a vontade dos seus próprios "aliados", a República decidiu entrar numa beligerância tolíssima, não fora o caso de assim a oficiliadade monárquica deixar de incomodar, e a conflitualidade interna se instalar além fronteiras.

Num golpe sem quase sangue, Sidónio escorraçou o Partido Democrático (ou Republicano), ordenou o regresso dos nossos soldados na Flandres (após a hecatombe de La Lys) e, politicamente, tentou instituir um regime presidencialista, um esgar de desdém ao parlamentarismo sob que viviamos em ditadura de Afonso Costa.

Em duas palavras foi isto. Em um livro, temos Sidónio Pais, Heroi e "Mártir" da República. De José de Carvalho.

É justo dizer, o Autor manifesta sem pejo a sua crença histórico-política.. Nada a opor-lhe, a ela, toda sidonista, perante tantas loucuras e facciosismos escritos pós retorno à nova República Velha.O resto são pormenores. Designadamente sobre a intervenção dos monárquicos.

Mas o livro conjuga três dados fundamentais: o fim da demagogia republicana; o novo regime presidencialista (de que, à socapa, Marcelo é continuador) e as aparições em Fátima. Siga, já agora, a costumeira diatribe sobre a religiosidade dos portugueses.

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A questão é de fé, discutivel não é

por João-Afonso Machado, em 30.03.18

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A procissão logo à noite será carregada de silêncio. Nas ruas o mesmo, por muita que seja a preocupação das mães com as asinhas dos seus anjinhos. Agora mesmo são três da tarde e o som lamuriento das sirenes dos bombeiros ouviu-se longamente, a furar a cortina de chuva caindo, o breu do céu. Digam lá o que disserem, hoje é um dia lutuoso.

E solene, diferente dos outros. Por cá é assim, e, por assim ser, mais me convenço de que Cristo subiu realmente o Calvário com uma cruz às costas, na qual foi depois pregado. Competirá, entretanto, ao mundo demonstrar que valeu a pena...

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Para a semana há horácios

por João-Afonso Machado, em 17.03.18

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Com uma pitada de sorte nevará até nas terras baixas do Norte. O resto é o costume: vento, muita chuva, mar levantado. Umas estufas e uns telhados pelo ar, outras tantas inundações e, não é impossível, qualquer fatal imprevidência. Mas, se o Mundo baptiza os seus tufões, porque não havemos nós de levar também à pia as nossas mais caseirinhas tempestades?

Aliás, já nos devíamos ter lembrado mais cedo - o inverno vai para o fim e dificilmente sofreremos este ano as molhas do Zózimo. Coitado, ele que até metera uma cunha para ser temporal e lá lhe ofereceram o distintivo amarelo...

Mas identificar as tempestades faz mais do que sentido. Deviam era escolher nomes truculentos, ou, pelo menos, bonifrates: Fabião, Raimundo, Brás, Judas, Hermógenes, Expedito. De modo a que os afectos presidenciais produzissem resultados duplicados nos seus contactos com os locais (eu ia a escrever "indígenas" mas não quero ser depreciativo...). - Então, portugueses, o que se passou? - Foi o Gedeão, esse mafarrico, que veio por estas bandas... - E logo Marcelo uniria os lesados todos num prolongado abraço (- O Gedeão, quem diria! Mas ele voa sempre fora dos limites! -) jurando voltar para o ano a festejar o aniversário da senhora mais idosa, sem esquecer uma vassoura para lhe varrer a casa.

Atrás de Marcelo, não abdicando da sua vez, Costa e Cabrita, com a entusiasmante promessa de que no próximo inverno já não haverá tempestades, sequer.

Assim vamos vivendo. Mas original, original seria baptizarmos os incêndios. Com nomes estrangeiros, para fazer de conta que eles vieram de fora. Enquanto não, chegará a vez dos horácios. Estão aí a estoirar e oxalá eles não se esqueçam da neve entre o  Cávado e o Ave. Aguardemos. Como dizia um deles - carpe diem!

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O «clã familiar»

por João-Afonso Machado, em 20.02.18

Há dias, foram amplamente noticiados os desacatos ocorridos nas Urgências do Hospital S. João (Porto), de que resultaram enfermeiros feridos, uma tentativa de atropelamento de um polícia, tiros disparados e, finalmente, a fuga dos causadores, segundo os jornais, um «clã familiar» inteiro.

Está visto, eufemismos inúteis à parte, um bando de ciganos.

Correu uma semana e o JN publicou uma entrevista com um Sr. Melo, intitulado «intermediário» (de quem?) com a comunidade cigana. Ele próprio desta etnia. Lamentava o caso e condenava os intervenientes ao ostracismo (à «desonra») para os seus demais - não voltariam a poder comparecer nos baptizados e casamentos das outras famílias. «É pior do que levar um tiro», concluia o Sr. Melo.

Será. E espera-se que sirva de exemplo, e os ciganos dêem cumprimento ao princípio da igualdade supostamente consagrado na Constituição da República. Porque estes casos são recorrentes e as meninas Catarina e Marisa meteram-nos tanto medo da xenofobia que até os jornais já não conseguem contar direito a história. Entretanto os enfermeiros, os policias e quem sabe quantos outros continuam a ser perturbados à porta dos hospitais.

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Nova Lisboa (à Metrópole)

por João-Afonso Machado, em 12.02.18

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À passagem pelo Campo das Cebolas, o taxista transfigurou-se - era agora o elenco completo do Jornal de Negócios. Ele que vivia lá para cima, em Alfama ou na Mouraria, onde, a semana passada, uns franceses tinham pago um milhão de euros por três ou quatro assoalhadas com vista para o rio!... E pela Rua da Prata, no Rossio, Restauradores, até à Fontes Pereira de Melo, naquele jeito próprio dos taxistas e dos redactores - de guiar e escrever sem mãos - não mais deixou de apontar futuros hoteis e apartamentos de luxo. Prédios antigos, enormes, desdentados, tolhidos de reumatismo, a recuperarem da boca e dos ossos, entregues à ciência dos estrangeiros... - Este compraram-no os chineses - informava o expert, uma vez mais esquecendo o volante. E aquele os brasileiros, o outro os russos...

Estávamos a entrar na hora de ponta. Tudo acontecera porque me lembrei em voz alta há 40 anos apanhava no Campo das Cebolas as célebres camionetas-pirata, estudante, nas vindas ao Norte, aos fins de semana. E também por razões de fiscalidade - o cunhado do taxista engenhara um tuk-tuk e tuk-tukava o dia inteiro sem pagar impostos.

- Olhe - ansiava eu - e nas Avenidas Novas também é assim?

- Não - retorquiu o mestre - aí a vida está mais calma.

Te Deo laudamos!

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Os advogados não podem adoecer. Oxalá possam envelhecer.

por João-Afonso Machado, em 26.01.18

Hoje, não sei quantas dezenas de colegas advogados parece tentarão uma audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, alarmados com o alto custo das comparticipações para a Previdência da Ordem e com o desprezo desta pela doença, pelos partos e outras atrapalhações ao trabalho.

Evidentemente, a situação não devia continuar. Mas continuará.

A Previdência da Ordem quase nada mais prevê além da reforma dos advogados. E mesmo esta começa a estar em risco. Os funcionários da Previdência, quando confrontados com essa hipótese, já só se limitam a dizer - vamos ser óptimistas...

Foram muitos anos de desgoverno. Desde o nosso último Bastonário "a sério", o Dr. Pires de Lima. Nada se fez. Não há dinheiro, salvo nos bolsos de onde ele abarrota. Este é apenas um pormenor no quadro geral do País. E, esperemos, Costa ou Centeno não vejam aqui mais um montinho de terra para apanhar umas minhocazitas que ajudem a compor os seus célebres orçamentos.

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Hoje é dia de eleições

por João-Afonso Machado, em 13.01.18

É tudo igual, afora ser sábado e não domingo. Mas estão lá os apelos, a incerteza quanto ao vencedor, sondagens e projecções, e a televisão à porta dos locais de votação.

Já com a campanha foi o mesmo, isto é debates e passeios pelo campo. Ou até à Provincia, se quiserem. De onde é oriundo um dos candidatos, o tal que, no segundo frente-a-frente com o seu urbaníssimo rival, usou dos mesmos métodos e o entalou no seu próprio passado. 

A conclusão é óbvia, conquanto não entusiasmante: a política em Portugal é um confronto de partidos. Interna ou externamente. Do que tem sempre resultado, a melhor escolha possível é a do menos mau. Se sou contra os partidos? De modo algum. Os partidos é que são contra Portugal, em nome da sua própria sobrevivência.

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