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Só para pôr os assentos nos is

por João-Afonso Machado, em 07.05.21

LEGITIMISMO.JPG

A extrema-direita é a nova arma da extrema-esquerda. Um fantasma, enfim, agora manejado como um fantoche, com fios de nylon. Em países menos impressionáveis, mais informados, a artimanha não serviria de muito. Mas em Portugal, a Esquerda e a Imprensa satélite vão chegando onde querem.

Portanto, a extrema-direita, cá no nosso lugar, é somente um lugar Facebook onde tudo é possível, mesmo as maiores idiotices. Desde logo, envolver o Senhor D. Miguel, Rei de Portugal, com Salazar e malandrices quejandas. Obra de uma tropa arruaceira, que pretende ter lido António Sardinha e o Integralismo, mas nada percebeu. No confronto verbal rapidamente entra nas ameaças e no insulto, à falta de outros argumentos. Cria divisionismos onde a maior razão de ser é a união. E circuita à volta de Mários e outros déspotas tatuados, cujo ideário político todos desconhemos - porque a cabeça rapada, a mota e as lutas entre gangs não são propriamente uma doutrina ou uma ideologia.

Os politólogos querem falar da "extrema-direita"? Entretenham-se: as chamadas são - Mário Machado (às vezes tenho dó do meu apelido, tão dado a semelhanças tristes...), skinheads, Salazar, 28 de Maio, Pátria-patriotismo e saudosismos não sadios. Ah! generalizadamente dizem-se "cruzados", guerreiros sempre dispostos a morrer por Portugal...

O mais é a Direita. Sobretudo, a gente educada, respeitadora, mal dada com barulhos trauliteiros. Essa mesmo que perde eleitoralmente por respeitar tudo e todos.

 

De Madrid só chegam notícias de maus casamentos

por João-Afonso Machado, em 05.05.21

Realizaram-se as eleições. Delas resultou, desde logo, a estrondosa derrota de Iglesias e o, por ele mesmo anunciado, abandono da vida política. O Mundo agradece penhoradamente. No fundo, o seu percurso é o de Tsipras ou Varoufakis: e pena é o nosso Bloco caseiro não tenha acesso a uma ou duas pastas ministeriais, para depois passar definitivamente à História. António Costa bem saberá disso, precisa do BE no Parlamento e, assim, lhe veda o acesso ao Governo.

Já a vitória do PP de Isabel Díaz Ayuso, inocultável, se transformou num saboroso "pratinho" para a Imprensa. O facto de o PP ter conseguido mais votos de que toda a Esquerda é irrelevante - a excitação que grassa por aí é a maioria relativa, o putativo entendimento com o Vox, com a extrema-direita.

Suponho que a vozearia da Esquerda, de mãos dadas com o oportunismo da Imprensa, ainda venha a dar conta da Direita em Espanha - doravante existirá apenas a "Extrema-direita". E a rapaziada por essa Peninsula fora irá na conversa...  

Quando é para maldizer, não há des-Câncio

por João-Afonso Machado, em 02.05.21

Foi-me especialmente agradável a leitura de uma crónica no Observador de um senhor, para mim até agora desconhecido, João Pedro Marques de seu nome.

O tema andava em volta da Ex.ma Senhora D. Fernanda Câncio, doutora de profundos conhecimentos sobre Portugal até algures na primeira década deste século. Depois dedicou-se à política, dedicou-se ao Passado, dedicou-se a imensas coisas frutíferas menos as que lhe passavam diante do nariz e até lhe terão proporcionado bons e caros momentos de lazer.

Mas indo à dita crónica. Nela se comentavam as inefáveis sentenças da Ex.ma Senhora D. Fernanda Câncio sobre o discurso do presidente Marcelo no 25 de Abril. Ou o seu inesperado apelo de reconciliação dos portugueses com a sua História.

A Ex.ma Senhora D. Fernanda Câncio achava que não. Vai daí, embrenhou-se numa maçadora - com a devida vénia a S. Ex.cia - diatribe sobre a Guerra Colonial, lida e interpretada no seu tempo e à luz dos dias de hoje. Para concluir pela nefanda portugalidade (quiçá porque enseja propor mais alguma obrigatoriedade, por exemplo a dos casamentos inter-raciais).

João Pedro Marques limitou-se a invocar a legislação pombalina de 1761, que aboliu a escravatura na Metrópole e nas actuais Regiões Autónomas. Era o suficiente? - inquire. Não, claro, mas era um passo à frente do tempo, no meado do século XVIII.

E eu acrescentaria: fomos depois o primeiro País (obviamente em Monarquia) a abolir a pena de morte. E dos últimos em consentir o voto das mulheres, mas, retroagindo, agora em República.

A Ex.ma Senhora D. Fernanda Câncio sabe isto e muito mais. Sabe até que nunca será uma Ex.ma Senhora D. Mas o vício é quem manda. E o vício chama-se desconstruir.

 

Um ano mais e completa 48...

por João-Afonso Machado, em 25.04.21

Da data em festejo, - o 25 de Abril - manda a verdade se preserve uma realidade insofismável: antes, o meu pensamento não poderia ser livremente expresso e publicitado, como agora estou fazendo.

Mas tanto não chega. Não obstante essa fundamental liberdade, o 25 de Abril jamais será uma comemoração nacional, antes a data mais vincada de uma fractura que a Esquerda alimenta: o 25 de Abril pertence ao socialismo.

A Esquerda galopou adiante a mudança de sistema político e cavalgou a Revolução. Perfilhou-a. Ai da Direita que se aproximasse!

Nem sequer a social-democracia foi admitida ao bodo, no qual só entram os do cravo vermelho ao peito. Assim Portugal perigou o risco de uma ditadura leninista-estalinista e, anulado esse, vive sob o poder dos sindicatos na rua, manipulados pelo PCP, e pela obrigatoriedade do "politicamente correcto".

Sem que a queda do Muro de Berlim alterasse fosse o que fosse. A Esquerda logo se reorganizou. Esqueceu as "massas", a "ditadura do proletariado", e apostou no fim do nosso mundo através dos "direitos das minorias" (outrora pecados de "burgueses viciosos"). É o nosso dia-a-dia, mais recentemente com o propósito legislativo de atribuir a paternidade a homens já mortos. Tudo, enfim, num experiencialismo ao jeito de Josef Mengele...

Com o acento tónico mais aqui ou além, esta III República não se afasta das suas antecessoras. O que é sobejamente notório quando falamos na plutocracia e na corrupção instaladas.

Assim o 25 de Abril é uma comemoração à porta fechada. António Costa consegue que o "segurança" o deixe entrar. Porque veio cair nas mãos da Esquerda extremista. Populista e demagógica? Não, isso são epítetos de uma certa Direita, dado os rótulos serem um apanágio exclusivo da Esquerda propagandista e dominadora da Imprensa. E por causa, também, do dito "politicamente correcto". Assim se entende a prepotência do nosso dinossauro Vasco Einstein Lourenço.

O resultado - evidentemente, mais de metade do eleitorado português não se revê nesta "democracia" nem nos "democratas" seus prossecutores. Como bem patenteiam os índices altíssimos da abstenção. Contra os quais o argumento do "dia de sol na praia" já lá vai distante.

Seja como for, há uma verdade ainda não tocada: eu escrevi isto e, creio, não serei criminalizado por tal... No restante... são, mutatis mutandi, mais quase 48 anos do mesmo.

Do enriquecimento ilícito ou ilegítimo

por João-Afonso Machado, em 19.04.21

Nesta República que tanto me ofende as ideias - e mantem viva a chama monárquica - existe um Código Civil (o normativo-mor do Direito Civil), aliás elaborado na II série da dita malandragem, mas inquestionavelmente conhecedor e abrangente da nossa realidade.

Tanto é assim que o CC só foi alterado em 1977, na sequência do princípio da igualdade entre os sexos, plasmado na Constituição de 1976. E, quase só também, nos anos sequentes, na legislação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e das concomitantes anomalias na adopção de menores.

Em termos muitos simplificados, estou a dizer, meio século volvido, o CC foi "mexido" sobretudo nos Livros referentes aos Direitos de Família e de Adopção. Quem sabe legislar legisla, e o resto é eleitoralismo e parlamentarice. O mais ainda vai estando actualizado.

É por isso que ocorre o art. 473º, 1 do dito Diploma, acerca do "enriquecimento sem causa". A definição do mesmo: «Aquele que, sem causa justificativa, enriquecer à custa de outrem é obrigado a restituir aquilo com que injustamente se locupletou».

Nesse longínquo ano de 1966, estávamos ainda no berço das grandes malandragens dos nossos dias. Em suma, quem se enchesse à custa de quem quer - a criminosalidade alheada da questão - havia de repor o fruto desse abuso. Ponto final.

Eram os ditâmes da legislação civil, à margem daqueloutros da Penal. E esta alicerça-se em comportamentos que fazem perigar o regramento, o convívio,  e, em geral, a paz social.

O próximo capítulo de algo que me apetecesse escrever teria de incidir sobre a velha questão do ónus da prova. Somente - eu já destesto escrever sobre temas jurídicos. E, por isso, fico-me por cá: ónus da prova? Isso são os partidos a falarem sozinhos.

Haja indícios e um suspeito de cambalacho. Investigue-se e recolham-se dados de que alguém ganhou dinheiros com favores, influências, tráficos e almoçaradas. Perante esses dados, qualquer - então - indiciado que se defenda, conteste, venha dizer que não. Como qualquer acusado de homícido que nega ou alega legítima defesa

A vida das pessoas é um espelho que dispensa a compra de um apartamento na Rua Braancamp em Lisboa. Ou, a escalas menores, outras coisinhas quaisquer.

 

A entrevista de hoje com Sócrates? - Haja higiene mental!!!

por João-Afonso Machado, em 14.04.21

Parece que essa pinoquiana figura será entrevistado dentro em pouco na TVI. Se vou assistir a esse despautério? - Não, não vou.

Não vou por cuidados de saúde. Não quero enervar-me com o descaramento... Antevejo o filme, aliás um remake de longos anos de outros remakes:

- Sócrates tentará denunciar a «cabala».

- Insistirá que não se trata de um processo judicial mas político. Do seu assassinato político. Ele que já ia a caminho da Presidência desta República...

- Vergastará o MP e apoiar-se-á numa decisão instrutória que a generalidade dos portugueses não tem meios de compreender, enquanto não decisão final do processo.

- Dir-se-à inocente (at finis) valendo-se do que as pessoas desconhecem: em que fase processual estamos e quais as que se seguirão.

- Indignar-se-á com a acusação de 3 crimes de branqueamento de capitais e jurará que se inocentará deles. Pelo meio, tudo há de fazer para que se não fale em falsificação de documentos. Está pronunciado por 3 crimes dessa natureza, e papel é papel, assinatura é assinatura. E o 1º Ministro foi 1º Ministro.

- Vitimar-se-à, crucificar-se-á e tentará silenciar o entrevistador. Como fez, há uns anitos, com Vítor Gonçalves.

- Para memória dos leitores, este link - https://observador.pt/2017/10/13/gaffe-na-rtp-entrevista-de-socrates-interrompida-por-serie-policial/.

- Ou seja, se o entrevistador da TVI estiver à altura dos acontecimentos, ao menos todos ficaremos a saber: estatisticamente, a Relação de Lisboa mandará Ivo Cruz dar uma volta ao bilhar grande. O dito entrevistador decerto acabará insultado pelo seu bom serviço a Portugal.

 

Enfim, nesta perspectiva, um share baixo dessa hora, só poderá demonstrar o crédito dos portugueses na Justiça. Ou o seu vómito sobre a personagem em causa...

 

A grande encenação

por João-Afonso Machado, em 09.04.21

Logo no início, quando ouvi Ivo Rosa explicar ao povinho a diferença entre responsabilidades políticas e responsabilidades criminais, percebi o circo que tinham montado. O juiz de instrução lendo a súmula do seu despacho (caso inédito), as televisões todas em directo, Sócrates na primeira linha, de peito feito, ininterruptas notas de rodapé, e o desgraçado Rosário Teixeira enfiado no seu canto.

Depois foi um relambório de mais de duas horas, lido baixinho e a correr, perceptível a muito poucos. Apenas o pé-de-página ia esclarecendo: este não é pronunciado, aquele não vai a julgamento, sobre aqueloutro não recai acusação...

E assim Ivo Rosa «arrasou» - terminolgia das legendas televisivas - Rosário Teixeira. A acusação era incoerente, destituída de prova, baseada em presunções...

... e, mesmo na parte em que foi mantida, absolutamente inócua do ponto de vista noticioso, ao fim de semelhante sermão. Já toda a gente tinha ido embora.

Sócrates na rua ainda se vitimizava - tinha sido pronunciado! E fora indiciado por crimes cometidos mas já prescritos - dos quais, portanto, não se podia defender.

Eis como um juíz singular (de instrução) limpa um processo inteiro e deixa as sobras para o tribunal colectivo. Andaremos muito à volta de um certo acórdão do Constitucional, creio eu. Oxalá Rosário Teixeira leve o restante a peito.

Em síntese, Ivo Rosa, por razões que espero se venham a apurar, incumpriu gravemente o seu dever de imparcialidade. Tal qual aconteceu após a morte, deixada morrer, d'El-Rei o Senhor D. Carlos.

 

Como se sulfatando as vinhas

por João-Afonso Machado, em 08.04.21

Talvez não haja a noção verdadeira do seguinte:

- A estatistica, melhor ou pior, fornece os seus números sobre a incidência letal de uma doença - a Covid.

- A estatísca fornece também os seus números sobre a incidência letal da vacina ("astrazeneca") já em prática no combate a essa mesma Covid.

Tal significando, o paciente (embora em percentagens diferentes) vê-se obrigado a optar entre morrer da doença ou da pretensa cura.

Enquanto tal, o mundo cientifico ainda discute se a dita vacina há de ser, ou não, aplicada. Enquanto tal, a Humanidade, como se tratada a sulfato de cobre, vai vivendo entre o ser oídio ou míldio.

Não se trata de atribuir culpas a cientistas, os quais têm galopado para resolver um problema que atingiu em cheio o planeta. Nem sequer aos governantes do mesmo. Trata-se apenas de sublinhar a gravidade que perspassa a nossa era. E de perceber que todos vamos passar mal muito por causa da nossa indisciplina, e ainda mais por causa de não estarmos preparados para privações. É uma pescadinha de rabo na boca. Se o restaurante não abre, como sobreviverá o seu dono? E se este for ao fundo, o que acontecerá aos seus fornecedores?

E etc, - tudo o mais de que nos vamos dando conta agora.  Agora porque o vírus é mais violento e o mundo (a começar pelo Ensino) necessita sair da toca e produzir para sobreviver.

Quem matou o Padre Max?

por João-Afonso Machado, em 05.04.21

I - Passaram agora 45 anos desde que o rebentamento de uma bomba no VW em que o vilarrealense Padre Max, militante da UDP, e a sua companheira de viagem, pereceram. A Esquerda, sempre ávida de heróis e mártires, não deixou a data passar em claro e a Imprensa, servil e lambedora de botas, deu-lhe o devido destaque: foi atentado do nefando MDLP.

II - Na época, tanta foi a violência praticada pela dita Esquerda que dúvidas não sobraram: as vítimas tinham-no sido de si próprias. A bomba era transportada por eles, não se sabe com que intentos.

III - Aliás, por essa altura morria também Ferreira Torres, um homem da Direita. E aí não houve dúvidas: a morte foi causada por rajadas de G3. Mas qual o seu lugar hoje na História? Afinal era de Direita... Exactamente como em 19 de Outubro de 1921, quando um sargento da Marinha, e os seus próceres, assassinaram António Granjo, Chefe de um governo não radical, mais quatro republicanos de proa. Autoria moral: as forças monárquicas, evidentemente... Com Ferreira Torres só poderá ser mais do mesmo!

IV - Valerá a pena recordar episódios do PREC. Agora sirvo-me dos meus olhos, apenas: em 11 de Março de 1975, a sede do CDS em Famalicão foi incendiada. Como ela muitas outras, das que conseguiam manter-se onde era suposto, nunca além do Tejo. Se no Verão seguinte as populações se revoltaram... Não, impossível, a movimentação de massas é apanágio do marxismo-leninismo.

V - Os tribunais da actualidade jamais conseguiram provar a culpa de alguns "suspeitos" da Direita na morte do Padre Max. Tanto bastaria para o assunto ficar assim. O "caso Sá Carneiro" isso mesmo demonstra.

VI - Por falar em vítimas - e volto a fazer uso do meu olhar - nessa pré-guerra, recordo o assalto ao Congresso do CDS no Palácio de Cristal, comícios em que participei e saí, com os demais, escoltado pelo Exército. Sobretudo recordo o assalto à sede do PCP em Famalicão...

(Parenteses: o meu Pai andou o dia todo a aconselhar calma aos lavradores da nossa terra. Responderam-lhe, resumidamente, «já era muito tarde».)

Morreram dois homens nesse episódio: um jovem enfermeiro de 18 anos e um agricultor do concelho. Os tiros vieram da dita sede, disparos de espingardas-metralhadoras...

Ainda são lembrados entre nós. Contudo sem manifestações de vingança ao PCP. Somente com saudade das vítimas.

VII - Há uns anos, dei, eu mesmo, um abanão ao Gen. Pezarat Correia, numa conferência em que debitou a parlenga - o terrorismo em Portugal acabou com o ELP (- então não foi com o MDLP? -). Lá lhe lembrei as FP25 e - na mouche! - um almoço ocorrido entre um oficial afecto ao Grupo dos 9 e uns tantos civis, aqui em Famalicão, no restaurante O Tanoeiro. Sucede que se estava a 24 de Novembro de 1975; sucede que se preparava o golpe iminente; sucedeu a ligação desse oficial, meu estimado Tio, aos opositores do radicalismo e a sua conversa com um grupo... do MDLP!

Não havia segredo: o meu Tio contou-me isto às escâncaras.

Houve foi uma rolha bem encaixada no discurso de Pezarat...

XIII - Uma vez mais, a Esquerda - gente da Esquerda; ou terá sido de uma Direita encapotada? - vandalizou a estátua do Cónego Melo e do que suponho ter sido a sua residência. Os dizeres incidiam sobre o Padre Max...

IX - Assim continuarei descrente dessa estranha - e decerto numerosa - horda. Eu discuto com Pezarat Correia e tenho o especial sabor de lhe mostrar que sei mais do que o Sr. Gen. proclama aos papalvos. Mas, obviamente, nunca irei pichar sedes, estátuas, residências, mausoléus, seja o que for diga respeito à maralha da Esquerda.

X - Já agora, para arredondar números: nessa época, presenciei, além de muito mais, três ou quatro explosões de autocarros e automóveis em plenários da CAP (Braga); não recordo quantos boicotes a comícios do PSD e CDS ( os tais "boicotes activos a..."), violência liceal sobre os estudantes da Direita... Quanto mais? Se hoje fazemos romagens a esses momentos?. Não! Não precisamos. A Esquerda quer o silêncio sobre os seus extremismos; nós, a pacificação dos portugueses.

 

E que acabem, de uma vez, o padre Marx e o cardeal Lenine

Tudo mal, tudo normal

por João-Afonso Machado, em 27.03.21

E um milhão de tugas lá se antecipou a Costa e foi à terra (a medida fornecida: um raio de 100 km percorridos desde o domicílio), passar a Páscoa com os seus! É de supor - eles supuseram! 

Supuseram o cerco fechado às zero horas de ontem, sexta-feira, e anunciado já no limite do tempo. Era tarde, já tinham saído, já lá estavam, de olhos no cabrito e no pão-de-ló. O preço? - eventualmente um dia de férias.

Está mal, está bem? Nem sei se pior, se melhor. Sei apenas somos nós, a nossa idiossincrasia, uns habilidosos. Adiante as estatísticas falarão do resultado da proeza.

Importante é conhecermo-nos. Irredutíveis, quando não loucos, amontoados em bairros de qualidade suspeita. E fieis de Fátima, seja o que Nossa Senhora quiser - dizem, por norma, os de territórios mais arejados.

Mas Costa só poderá ficar calado. A arte das manigâncias e do contorcionismo muito lhe deve. A família directriza os filhos, a política os cidadãos.

Em isto tudo, a - oxalá errada - percepção, a pandemia veio para ficar, em todos os altos e baixos dos seus gráficos. Ganham os jornais, sequer ao menos, no catastrofismo das notícias.

Tudo isto vem de antigamente, e a República, mesmo orfã de Afonso Costa, poderá esperar muito, menos milagres. Para acabar: onde está o estadista português capaz de mobilizar a Nação neste, ou em outros apertos? Não está! E assim vamos todos, cantando e rindo, cantando e rindo, sim.

Os LGTB's de rabo de fora

por João-Afonso Machado, em 19.03.21

Vou escrever na primeira pessoa do singular, que se trata de uma opinião minha e só minha. Mas, primeiramente, os factos:

Em 2006, uma transsexual brasileira, de nome Gisberta Salce Júnior, foi barbaramente agredida, até à morte, por um grupo de jovens de idade inferior a 16 anos - portanto, inimputáveis - algures no Porto. 

Descobertos os autores desse crime sem dúvida com requintes de malvadez,  foram os mesmos castigados de acordo com a legislação vigente.

Isto dito:

Até aqui cabem todas as críticas à lei. Se deve ser mais severa? Pois decerto. A prevenção geral (e a especial) é sempre da maior valia para a dissuasão da criminalidade, seja ela de que que natureza for.

Entretanto, li hoje a notícia, corre aí uma petição para que à infeliz Gisberta seja, no Porto, atribuído o seu nome a uma rua. Inacreditavelmente!

Inacreditavelmente, porque crimes de essência assim violenta ocorrem todos os dias (o filho drogado que mata a mãe para a roubar, o marido traído que limpa os "arredores" a tiros de caçadeira...), e as famílias atingidas, o vulgar cidadão, pugnam apenas por justiça, e justiça severa.

In casu, não é de justiça que se trata. Se as pessoas, em geral, avaliam e pedem a condenação adequada aos crimes cometidos, se, amplamente, já ninguém despreza quem quer que seja, as forças LGTB prescindem do julgamento e almejam o ídolo. Um símbolo. Um leit-motiv para a sua luta.

Vale dizer, é a comunidade quem respeita a desgraçada Gisberta. Por ela e pela sua infelicidade. Pelo drama vivido. Pela justiça que seja feita, a si e aos seus putativos familiares.

Ao invés, os LGTB's, desconsiderando a educação que ensina a respeitar o próximo, querem uma placa na esquina de uma rua. E assim instrumentalizam - desprezam - a pessoa que sofreu e de quem agora sugam apenas o nome.

(A fazer lembrar o velho MRPP e os camaradas Ribeiro dos Santos e Saldanha Sanches, pintados por quantas paredes havia. Mas isso era política. Ou o "caso Gisberta" não o será também? É! Numa lógica diversa de baralhar o nosso mundo.)

A tomada de posse do nosso Marcelo

por João-Afonso Machado, em 09.03.21

Não ouvi o discurso da praxe, estava muito ocupado em terminar a leitura do Mau Tempo no Canal. De resto, não faltarão os milhares do costume para o analisar e comentar.

Curioso é,  sempre fui imaginando Marcelo não se recanditaria. Assim a modos de que quereria ser exemplar até ao fim: no desempenho e no desprendimento.

Afinal, a situação pandémica veio alterar o que seria realmente o seu pensamento. A Pátria reclama ainda o sacrifício e o heroísmo de Marcelo.

E o resto são as incógnitas já por todos faladas: a crise económica, a provável crise política. Por quem desembainhará Marcelo a espada?

Marcelo não é do PSD como Soares era do PS. Não creio assistamos à desilegância e falta de seriedade do segundo mandato de Soares. Ou de Sampaio, em relação a Santana. Nem Marcelo se deixará enxovalhar pela Esquerda, como deixou o ingénuo Cavaco.

Esta fase que hoje se inicia na vida da inefável República, terá essa marca: Marcelo estará sempre ao lado do que, ou de quem, lhe garanta a manutenção da sua popularidade. Prosseguirá a fartura de afectos e selfies. O mais não é problema seu.

 

Os cem anos de um esqueleto, o PCP

por João-Afonso Machado, em 06.03.21

É o mais antigo partido português, festejando-se sempre na sua primordial atitude contra o que apelidam - "a ditadura". E na habitual tontice da Imprensa, faz-se eco da longevidade do PCP e da sua acção revolucionária. Mas convém deixar tudo claro. A saber:

- Em 1921 vivia-se o mais radical período da I República. Ainda assim, não há notícias de que a sua acção fosse levada em boa conta.

- Sobreveio a II República (dita agora, somente, o "Estado Novo", -1926-1974). O desempenho do PCP, sem dúvida, tornou-se mais aventureiro e mais arriscado para os seus militantes.

(A leitura dos quatro volumes biográficos de Pacheco Pereira sobre Cunhal é, nesta matéria, de extrema importância.)

O PCP historia-se, desde logo, em si mesmo. Nas muitas depurações que realizou. Depois, finalmente nos contornos próprios do estalinismo, impôs - ainda impõe - a luta contra a ditadura salazarista, que não pela nossa democracia, como a concebemos, sempre distante da "democracia popular", eufemismo da genuína e leninista "ditadura do proletariado".

Em suma, o PCP foi um opositor do "fascismo", nunca um prosélito da democracia dos países ocidentais. Onde cabemos.

Era a ditadura contra a ditadura. Falemos claro: entre Salazar e Lenine ou Estaline (ou Krutschev e Brejnev), mil vezes antes Salazar.

Poderemos dizer, o PCP ajudou a derrubar a autocracia da II República. E sofreu por isso. Inquestionavelmente. Mas a troco de quê?

Claro, a troco do PREC de triste memória. De uma cavalgada de uma minoria (como se leu nas eleições constituintes) que chegou às portas da guerra civil. Na antevisão de um totalitarismo que faria de Salazar um menino de coro.

A normalidade foi, felizmente, retomada, com alguns disparates ainda hoje não assumidos. O PCP - o derradeiro partido comunista europeu (e isso diz muito), no primarismo português continua a dominar os sindicatos - um instrumento meramente reinvindicativo do impossível - conquanto veleje de vento em popa para os arquivos. Mesmo nas autarquias que foram sendo feudos seus.

Portanto, não é de um dia de festa que falamos. Apenas na História (a que o Futuro pertence também), de um momento indelével do Passado.

A antevisão do jogo

por João-Afonso Machado, em 26.02.21

Da maior importância, na actualidade, o mundo do futebol está em alta rotação política. Uma verdadeira pandemia em toda a vanguarda da Divisão superior. E um novo regime que se adivinha está para, sustentadamente (como ora se diz), chegar e ficar.

Isso tem a ver com o findar - e ainda bem - do monótono império dos "3 grandes", apenas quebrado, ao longo de uns 80 anos, por proezas esporádicas do Belenenses (a bem dizer, a proeza tinha nome: Almirante Tomaz) e do Boavista (e, sobre esta, as histórias que se contam...).

A afirmação do Braga como uma quarta grande equipa, vem vindo a fazer-se. E não fora o assalto ao seu plantel, pelos mais ricos, e a saída de Rúben Amorim... não sei, não.

O F. C. do Porto, digam o que disserem, ainda é uma grande Naçom. Não tem estrelas, porque, quando as tem, aí vão elas, cadentes, para o futebol milionário. Mas com meia América do Sul a jogar lá, gigantes malianos e alguma juventude portuguesa por imigrar, sempre se desenrasca, permanece na Europa, e... «ainda há muito campeonato para jogar, o futebol é isto».

O Sporting, uma enorme surpresa! Eu diria, desde logo, com um treinador que é um predestinado; mas, sobretudo, com a gente da casa, gente nova que joga sem medo e é portuguesa. Tudo isto merece, sem dúvida, a devida recompensa.

E o Benfica... Enfim, a minha qualidade de provinciano não me permite alcançar onde foram buscar tantos milhões para tanto desperdício. Em 4º lugar, a um ponto do 5º e a quatro pontos do 3º... Onde os lisboetas não organizaram buzinões contra Cabritas, Temidos e outros que tais, ao nível do Pedro Guerra, fizeram-no contra o pobre JJ, a quem, já se vislumbra, nem Cristo valerá.

Isto sim, é política. O resto é confinamento. Aqui o nosso Famalicão já conheceu melhores dias, e se eu fosse lisboeta era do Atlético da Tapadinha. Alguém se lembra? Azul e branco, sempre! Em tudo o verdadeiramente importante, como é caso do futebol.

 

Marcelino da Mata, o inconveniente

por João-Afonso Machado, em 20.02.21

Se não estou em erro, a biografia do tenente-coronel Marcelino da Mata nunca foi escrita. Sabemos bocados avulsos da sua extraordinária vida de combatente na Guerra Colonial, do lado das forças do Exército português. Parece, actuou muitas vezes à margem das tropas convencionais, não brincava em serviço e matou tantos quantos (os desaparecidos filhos das famílias da Metrópole que sofriam a angústia do seu destino...) lhe apareciam pela frente, opondo-se às suas operações militares. Foi o mais condecorado dos nossos militares... Porque Marcelino da Mata, nascido na Guiné e negro, embora, português se considerava. Tinha esse direito! Marcelino combateu pela sua Nação.

Apenas o racismo de Esquerda o condena - por ser negro, - como não condena todos os militares, aderentes à III República, que igualmente se bateram em África. Desses se diz - foram uns bravos, uns sacrificados... Principiemos essa longa lista nos oficiais generais (Spínola, Costa Gomes, Rosa Coutinho...) e prossigamos até aos soldaditos sobre quem chovia o choro das suas mães, nas nossas aldeias. Mas Marcelino era negro - logo, havia de ter matado brancos.

Marcelino da Mata é tema actual, como se sabe. O Bloco de Esquerda está lá para tanto. Além de outros. Só agora, por isso, conheceremos a sua biografia, que será da autoria de um Rosas qualquer.

Não importa. Escreveu Bernard Shaw, «biógrafo que não ornamente a nossa biografia com farta quantidade de mentiras agradáveis - é um rancoroso e pérfido caluniador».

Ora, para a Esquerda, a agradável mentira seria uma África pintada a preto e branco, como no jogo das damas. E não era assim, o português de então nunca foi racista. A Esquerda, maldizendo o oficial Marcelino, só o enaltecerá.

O BE ou o regresso da Santa Inquisição

por João-Afonso Machado, em 18.02.21

Fui aluno, na Faculdade, do Doutor Cardoso da Costa, então juiz do Tribunal Constitucional, a que mais tarde viria a presidir. Eram tempos diferentes - os comunistas nem queriam saber das minorias, somente insistiam nas lutas das «massas», leia-se, do proletariado industrial ou rural. Até sobrevir a queda do Muro de Berlim.

A sua gramsciana estratégia houve de se adaptar. Já não havia proletariado e a «luta de classes» não soava nas balalaikas cunhalistas. Face à louvável ortodoxia do nosso PC (uma relíquia a conservar no universo político europeu), surgiu o Bloco de Esquerda, e um novo jeito de prosseguir Gramsci. Qual? - o da dita defesa dos direitos das tendências menores.

Abreviando: num instante a Esquerda moderna dava a mão ao maçonarismo. Tudo veio à tona com os casamentos homossessuais and so on.

Já aqui escrevi, o casamento é, na lei, um facto jurídico. Tanto se me faz que um homem case com outro, como o piriquito com o seu dono. As coisas só pioram quando envolvem menores, incapacitados do exercício dos seus direitos. Mas mesmo essa fronteira foi cavalgada. E outras serão...

Este longo interlúdio porquê? Porque o Doutor João Caupeurs foi nomeado Presidente do Tribunal Constitucional. E porque Portugal vive agora sob os desígnios de um novo Santo Ofício - de uma Inquisição que não perdoa.

O Doutor João Caupers há de ser - tudo o demonstra - uma pessoa educada e ponderada. Em tempos disse e escreveu coisas da maior lucidez sobre o inatural conceito de dois pais (o pai A e o pai B) ou duas mães (a mãe A e a mãe B) na criação de um filho. Disse-o e, sabe-se, mantem-no.

Logo as vestes albinegras das Catarinas sairam a terreiro (do Paço), reclamando a severidade do castigo. Que se retratasse, tinha de ser...

Não me alongo mais. Veremos no que dá. Entretanto, se as Catarinas lessem Frei Bento e Frei Bernardo Domingues, entre outros dominicanos, verificariam que o mundo mudou. Não, é claro, para a demolidora bandalheira para onde elas nos querem levar.

J. Soares, o investidor

por João-Afonso Machado, em 16.02.21

Cada vez gosto mais de João Soares. A coisa começou nos frente-a-frente com Poiares Maduro e aquela sua papagaiada do «ser de Esquerda» antes de, manifestamente, não saber contrariar o seu opositor. E culminou - segundo uma crónica que acabo de ler - na entrevista que deu a Ricardo Araújo Pereira, na qual revelou a sua actual grande fonte de rendimentos: o investimento na dita Bitcoins Revolution

Dizem, um escândalo político. Simplificando: um político sem cargo vira-se para o que pode, até para manter o nível de vida a que está habituado. João Soares foi apenas singelamente sincero, apreciável atitude. Eu ainda não percebi bem essa história dos bitcoins, mas, cheira-me, anda por aí o espírito da D. Branca.

Nunca fui republicano, nasci monárquico e monárquico hei de morrer. Acontecendo algo em contrário, por favor, chamem o exorcista de serviço. É claro, com gente exilada em cadeiras douradas nos apetecíveis boulevards, nada pode obedecer a tais critérios. - Dinheiro? Apenas o necessário para não ter de pensar, e sofrer, a falta dele. É como me oriento.

A especulação não tem muito a ver com esta panorâmica. Esta panorâmica é que tem a ver com alguns estigmas lançados pelos auto-apelidados "defensores do povo".

E já agora, a propósito, assim sempre viveu o meu Pai - obviamente, um monárquico também. Desafiavam-no, os seus amigos, para "jogar" na Bolsa pré-abrilina, e o Pai mandava-os dar uma volta.

Mas não corramos o risco de misturar as coisas. É tudo a questão de dispensar, ou não, o automóvel topo de gama. E eu nada sou de pregar a moral. Cada um que trate de si...

Há apenas um pormenor em que não gosto de transigir. Chama-se ele - coerência.

Leão a pão com manteiga

por João-Afonso Machado, em 12.02.21

038.JPG

É, não se trata de futebol. Antes de um blog que ando seguindo, e comentando, de uma senhora para quem a trupe toda de caçadores e pescadores se resume à hedionda condição de assassinos. Já lá fui, repetidamente, dizer da minha parca ciência.

Numa dessas últimas vezes, tentei distinguir entre a defesa do lobo - espécie em vias de extinção por cá - e a praga dos javalis.

Dizia a dira senhora, os javalis acometem as culturas porque o Homem (nós, sinistramente nós), lhe roubamos o habitat.

Redargui: mas como, se o Interior se encontra cada vez mais desertificado?

Réplica da doutora: estava eu a afirmar, os javalis provocaram o despovoamento desse dito Interior?...

É claro, assim não é possível honestamente trocar impressões. Como ainda acrescentei, depois do Litoral só há idosos, népia de gente nova, e matagais sobre matagais. Por isso os incêndios, desses que apanham aldeias inteiras; e, na falta de outro alimento, os javalis vão às couvinhas e aos vinhedos dos velhos. São muito menos bem vindos do que a caça de espera, noite fora, junto aos bebedouros dos porcinos, cada javali abatido são mais umas espigas de milho no celeiro de quem ainda se dá ao contrassenso da lavoura.

Resumidamente, a conversa decorreu assim. Na prática, há uma história um pouco mais longa, parte da qual testemunhei. Em concreto, as batidas aos lobos: ainda nos tempos em que as populações serranas viviam dos seus rebanhos, pendularmente dizimados pelas feras. No auge da revolta, as armas das aldeias reuniam-se num dia só e quanto aos lobos... só se conseguissem alcançar Espanha... Caça-desporto? Inquestionavelmente apenas sobrevivência.

Daí a mortandade. Daí os cuidados actuais e os subsídos estatais por caprinos ou ovinos mortos por lobos. Isto é: o Estado indemniza, o proprietário não suporta prejuízos, e o Canis Lupus lupus vai permanecendo. Controladamente.

Com o javali nunca será assim. Até por se tratar de uma espécie comestível e imensamente mais reprodutora. Que mal vem ao mundo se se ajuntar o útil ao agradável e até houver uns citadinos que paguem para dar uns tiros? Nenhum, só mais cereal.

A dita senhora confia muito em tsunamis e terramotos. Diz ela, os fenómenos naturais, as manifestações da Mãe-Natureza (sim, tudo com maiúsculas) se encarregarão de repor a normalidade...

Ora bolas!!! Eu não sou filho de Noé, não fui convidado a embarcar e não me apetece morrer afogado para reequilibrar os excessos de javalis.

Esta minha senhora invoca muito o PAN. O que me assusta mais é que ela vai editando uma nova religião. Eu sou muito fiel à minha, e cultivo o maior respeito pelas outras todas que põem o ser humano acima de tudo... O mais é discussão com o Astérix e o Obélix...

Dissonâncias do legislador português

por João-Afonso Machado, em 05.02.21

Não deixa de ter interesse a hipótese suscitada por Rui Rio quando à produção de legislação criminal expressamente dedicada à punição dos prevaricadores da vacinação anti-covid. E não me parece colha o argumento contrário - desde logo o de António Costa - no sentido de que o normativo já existente é bastante para prevenir esse fenómeno tão "português".

Se alguém falou, sobre o assunto, com propriedade e bom senso, foi o Senhor Bastonário dos Advogados, invocando o sagrado princípio da irrectroatividade da lei. Pela óbvia razão de que todo o formalismo do processo legislativo (desde a aprovação na A. R. até à publicação na folha oficial, passando pela promulgação pelo P. R. e a fatal intervenção do Tribunal Constitucional) só atrasaria procedimentos e assim mais ajudaria à confusão. Todos ouvimos na televisão: são tantas as molduras penais aplicáveis que, visto está, os usurpadores (a serem julgados) irão todos para casa em paz e com saúde.

Em Portugal, os poderes legislativos propendem muito mais para simplificar a morte do que a vida: essa a realidade. Veja-se como em plena pandemia tão celeremente se aprova um diploma sobre a eutanásia; recorde-se ainda a despenalização do aborto. Igualmente o legislador é eficaz em matéria da intransmissibilidade da vida - v. g., o casamento homossexual, a adopção por casais do mesmo sexo.

No mais, a coisa complica. São os exemplos dos incêndios florestais, dos rigores do Direito Estradal, da barafunda no SNS (muito mais do que uma questão sanitária, um imparável calvário ideológico), mesmo do âmbito dos poderes policiais de intervenção ou dos crimes sexuais e de violência familiar. Enfim, não contasse o Estado com as IPSS's, qual o destino de tantos idosos? Em boa verdade, não fora eterna a Nação, a espécie portuguesa extinguir-se-ia, ressalvando um pequeno, mas fiel, núcleo da Esquerda...

Como chegámos à "ética republicana"

por João-Afonso Machado, em 01.02.21

IMG_3297.JPG

Precisemos: 112 anos não desculpam um morticínio. Eu falo, obviamente, da tragédia da Família Real portuguesa e da única forma da "ética republicana", exterminando-a, dar vantagem à sua cavalgada. Mas tanto já foi dito e escrito sobre o tema que mais não me ocorre senão narrar os factos na perspectiva dos maiores defensores da vida humana. Aborto e eutanásia à parte, é claro. Ouçamos então, hipoteticamente, a nossa humanista Catarina Martins que sobre o Regicídio diria (ou diz, com certeza):

- Nessa meia-tarde, uma família portuguesa desembarcou no Cais das Colunas e, após cerimónias protocolares, subiu a uma traquitana (- os tuk-tuc's da época -), rumo ao palácio onde residia;

- Ainda no Terreiro do Paço, viajando a descoberto (lá está: os tuk-tuk's...), um bandido carbonário, de seu nome Buíça, munido de uma carabina, alvejou e matou o chefe da família, por acaso, o Rei de Portugal;

- Seguiram-se momentos confusos em que o filho mais velho, pora acaso também, o Princípe Real, puxou do seu revólver e tentou defender os Seus. Azar: havia mais banditagem nas cercanias e um deles, o Costa, baleou-o: morreu em caminho, quando o postilhão fustigava os cavalos para fugir ao atentado;

- Neste comenos, o filho mais novo, à época menor, o Infante (depois Rei) D. Manuel foi atingido num braço e a Mãe (a Rainha Senhora Dona Amélia), à falta de outro meio batia nos assassinos... com um ramo de flores;

Após a narrativa, a História. E a historiadora Catarina prosseguirá: assim nasceu a República,  filha de carabina assassina, com as assinaladas mortes a que acrescem a de um transeunte cuja convicção política se desconhece.

Foi deste modo, sem retorno das vidas supliciadas.

No mais, ficou nos fastos a corajosa intervenção do Tenente de Cavalaria Francisco Figueira Freire, da guarda do séquito real. Espadeirou (e limpou) um dos regicídas e, logo após, pelo sim, pelo não, - criada a inefável "comissão de inquérito" - foi recambiado para Macau.

Afirma Catarina Martins, categoricamente, o Sr. Tenente em breve regressará. Queira Deus!

 



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