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"Memórias do cárcere" - II

por João-Afonso Machado, em 23.03.20

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Manhã de entusiasmada palração entre os prisionários. Enfim um tema salutar, o futebol. Discutiam-se os maiores cérebros de tão umbricada ciência.

- Artur Agostinho! - disparei eu à toa, ávido da conversa de que a reclusão nos priva. Mas os presentes olharam-me logo, reparei bem, compadecidamente, com ternura até, fitos nas minhas alvas barbas. - Ribeiro Cristóvão! - ainda emendei, a julgar-me actualíssimo, um pós-moderno, fiel ouvinte dos relatos da Renanscença.

Não houve como não suportar a gargalhada geral. Uma avalanche das perigosas, muito cuspidas. E um nome ecoou na minha vergonhosa ignorância - Pedro (edro, edro, edro...) Guerra (erra, erra, erra...) - Pedro Guerra, então, a festejada celebridade, para mim, sem desculpa, totalmente desconhecida.

Sucumbido e calado, fui aprendendo. - Pedro Guerra, o guerreiro! - O homem dos mil saberes, o douto e o profeta; o arquivo dos mil milhares de dossiers; o arbitrólogo, como mais ninguém conhece os árbitros em Portugal; enfim, o mago da Comunicação Social desportiva.

Em suma, o cientista e o polemista. O mais humilde catedrático, o conciliador, de todos o amado. O amável. Gloriosamente, uma estrela da selecção nacional da Damaia. Expatriado político, benfiquista por adopção e do coração.

E sobretudo uma saudade dos velhos tempos de liberdade, em que os canais televisivos, sempre pluralistas, falavam de tudo o que fosse futebol - em simultâneo - e de nada mais, epidemias incluídas.

"Memórias do cárcere" - I

por João-Afonso Machado, em 21.03.20

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Terríveis, estes primeiros dias entre as grades. Demorados, eternos, a arrastar as horas numa dor de grilhetas andantes no empedrado das vias. Deixando bem viva a carne dos homens livres mas injustiçados. Tudo é diferente: e, do menos mau, as esperas nas filas à porta do supermarket, por um pouco de alimento. É obrigatório, cozinhar na cela, essa uma ciência de quase ninguém. Pessoalmente, rejeito, em absoluto, o cheiro a fritos, a inglória tarefa de lavar depois a panóplia instrumental da cozinha. Assim me foi distribuída, misericordiosamente, uma refeição ultra-congelada de arroz de pato.

O tal microondas fez o resto. Imperfeitamente, acrescente-se. O alimento veio à mesa (de frio mármore, antes o conventual granito...) como numa manhã de inverno, cheínho de bocados de gelo, foi necessário - Carcereiro, quer uma rebelião já, sanguinária, arrasadora? - foi necessário, dizia,  mandar o prato para trás até ele, enfim, regressar mastigável.

Entrementes, pouco sabemos do que vai lá fora. Consta, El-Rei está bem, e com Ele, a Família Real. Assim sendo, a Nação não perecerá ainda...

No mais, serviram vinho e, depois, maçã reineta. Para já, pese embora o tormento, a fome suporta-se. Lá vamos sobrevivendo.

Mas, ficou-me a ideia, estou para saber se comi arroz de pato ou arroz desse outro aquático açoreano, o atum.

Profissão de fé - Costa, o salvador.

por João-Afonso Machado, em 09.03.20

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Estarei talvez errado, mas sempre direi, a última grande epidemia - dessas que matam a sério - ocorreu logo após o 25 de Abril e ainda deixou marcas em gente bastante, abalou o País inteiro. Foi a "cólera", nesses tempos conturbados de centenas de milhares de retornados, alojados sabe-se lá como, de bairros de lata cercando Lisboa e o geral desconhecimento preventivo de todos os portugueses. Morreram centenas. Como se lhe pôs cobro? - Com a intervenção do "General Inverno", Deo Gratias Natureza. Ou à beatitude do clima...

Agora, versando 80% do noticiário televisivo, temos o universal Coronavírus. Não lá longe na China, de forma, contornos e números nada credíveis. Mas aqui ao lado, na Itália, onde, vera e verídica - a buzinar de Europa - dá conta de percentuais alarmantes na escala afectados/mortandade. O resultado é assustador.

A epidemia é, por isso, de temor e grassa o nosso continente além. Será importante analisar os números país a país. Ao que percebi, trata-se de uma rebuscada e violenta versão de pneumonia. Transmissível como a peste de outrora.

E Portugal, onde ela deu à costa? Que armas as nossas no bacamarte que é o nosso sistema de saúde para todos? Depois das escolas, universidades e serviços encerrados à pressa, já com o bicho dentro deles, o que nos restará?

Hospitais de campanha? Médicos estenuados? Sacerdotes ministrando o derradeiro sacramento?

Costa, nosso 1º, oh! homem dos milagres orçamentais e uns cêntimos mais, -  sossega lá a gente!

 

A temida Marta e outros SOS's

por João-Afonso Machado, em 02.03.20

E pronto! A nova doença chegou a Portugal. Ao que parece, vinda de comboio e alfandegada na Pampilhosa.

Vamos ver o seguinte, os dias dos quais faço previsões não as mais optimistas. A peça deste teatro envolverá dois actos:

- O primeiro: a discussão parlamentar. Enquanto os doentes padecem, os deputados discutem. Concretamente, a velha questão do SNS e dos hospitais privados.

- Acto segundo: a virose, já se percebeu, propaga-se rapidamente. E, pela exacta razão de que o SNS é o que é, necessita demonstrar capacidade de resposta. Vai ser o assoberbar das suas urgências. Quem?, como?, quando? para acompanhar a angústia dos potenciais atingidos?

O desfecho da peça é previsivel: duzias de canais televisivos a transbordar de Martas Temidos. Um povo vislumbrando mortes temidas. E Portugal completamente fora do enredo europeu.

Tudo porque o SNS não funciona: cede o seu funcionamento à perfeição orçamental de Centeno, os números do OE hão-de conseguir proezas custe o que custar.

Todas as potenciais vítimas do Coronavirus desde já se lamentam, e para elas se quer o melhor, um feliz regresso a casa. Menos para uma: o hipócrita Governo de Costa. 

 

Janinas, Janinas, Janinas (...da Silva)

por João-Afonso Machado, em 19.02.20

E pronto, amanhã as Janinas (contracção das possidoneiras Joacine, Ana e Catarinas) terão resolvido a seu contento mais um "tema fracturante". Muito gostam o raio das mulheres de "fracturar", mesmo à revelia do saber e da vontade do povo!

Do povo que antes só se suicidava no desespero causado pelas maldades fascistas; do povo que agora o passará a fazer, com ou sem ajuda, para se ver livre do seu sofrimento fisico e moral, ambos ditados pela doença - doença "terminal", apressam-se as Janinas a esclarecer; mentira - como, o outro dia, bem lembrou um médico: a tetraplagia, por exemplo, é uma doença crónica.

Aguardam-se, pois, as tradicionais rectificações vindas a lume no Diário da República (além de baterias e baterias jurisprudenciais) para colmatar as indecifrabilidades do legislador, na sua pressa de "fracturar".

Quatro notas me parecem, entretanto, relevantes:

- A primeira a honrosa personalidade demonstrada pelo PCP ao não embarcar nesta palhaçada. Confesso, não li as razões que aduziu, mas o facto permanece - não alinhou em "fracturas" urbano-caviaristas.

- Depois, esta tirânica fonte de poder em que se estão a transformar as Janinas e os seus animaizinhos do PAN.

- Também, a costumeira plasticidade de Costa - como cidadão pensaria assim, como governante pensa assado: a dar de comer a gregos e a troianos.

- Por fim, a posição pessoal de Rio. Não é a de um humanista. Está no seu pleno direito de entender a realidade como a entende, e eu de não votar nele (e no partido dele, enquanto ele o dirigir) por causa do seu entendimento.

No mais, este novo - e "fracturante" - diploma legal nada assusta. A não ser que as Janinas consigam impor ao pessoal de Saúde (médicos e enfermeiros) a obrigação de praticar a eutanásia. Porque, se assim não for, entre a objecção de consciência da esmagadora maioria e um SNS permanentemente coxo, continuaremos a optar pelo suicídio ou pela morte natural. Sem interferências de terceiros, sempre suspeitas, sediciosas ou oportunistas.

 

Erguei-vos, vítimas das vozes!

por João-Afonso Machado, em 14.02.20

Eu arriscaria dizer, ganha a Esquerda. A Esquerda é um omnipotente Benfica da política, rubra, no name boys por toda a superfície urbana e desorientada, ávida de desconstruir, qual traficante de droga que reivindica todos os seus direitos, inclusive o de traficar.

A seu tempo, a eutanásia terá cobertura legal. Não faltará muito para isso.

Não sou, entretanto, do grupo dos cruzados que se vestem de ferro e empunham espadas pesadíssimas por uma causa que só a inteligência pode vencer. Perdendo-a, terá de se vitaminar e regredir à 4ª classe para a recuperar.

Mas sempre aqui deixo, a propósito, duas notas, decerto de pouca valia.

Imaginemos, primeiramente o doente terminal que, incapacitado de o fazer pelos seus próprios meios, pede a alguém o mate - isso mesmo, o mate, eufemismos isabel-moreiranos à parte. Imaginemos, também, já na fase irreversível do percurso, o padecente se arrepende, quer voltar a trás mas é tarde.

Qual o estado de alma do seu auxiliador nestas circunstâncias? Que cara a sua - a de um no name boy engarruçado?

A segunda questão, manifestamente, fala pouco ao pragmático coração peludo da Esquerda. Institucionalizada a eutanásia, as gerações vindouras nascerão sob o epígrafe do "sofrimento, não!". Elas saberão, a vida tem limites temporais e, a terminar naturalmente, será sempre mediante dores fisicas e mesmo morais. Muito plausivelmente, o seu dia-a-dia será a obsessão por um sofrimento antecipado - o próprio medo de sofrer transformado em sofrimento, isto é, uma porta aberta para um terror quotidianamente vivenciado.

Fora eu um estratega do Ministério da Segurança Social e rejubilaria - não podendo aumentar as pensões, reduzam-se os pensionistas...

Mas não é preciso ir tão longe. Basta ler o comunista Gramsi, mais as suas diatribes contra a civilização ocidental, para ele de abate imperioso.

Hoje, um dia triste cá na terra

por João-Afonso Machado, em 12.02.20

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A equipa viajou até Lisboa onde foi derrotada no último minuto do jogo. A equipa encheu o peito para vencer o Benfica aquando da sua recepção em Famalicão. Empatou. Porque lhe subtraíram um golo mal anulado. Deste modo a meia-final não seguiu para bingo.

É assim a vida longe das grandes máquinas ditas desportivas. Muito carregada de ilusões, amargurada por outras tantas desilusões. O jogo de ontem traduziu com exactidão a velha realidade da águia imperial trucidando os pequenos reinos livres que não prescindem da sua liberdade.

(Uma águia - imperial - que vem voando da Roma antiga, em círculos sobre o poderio germânico e a imensidão russa, com uma cria futebolística abandonada em Benfica.)

A hoste azul e branca famalicense fez o que pode. A lembrar os velhos ricos-homens de Ribadouro, ou mesmo as populações minhotas sublevadas... contra a águia de Napoleão.

No camarote de honra o tirano Vieira protestava, no maior desprezo pelo seu homólogo e anfitreão. Por pouco, um adepto não lhe pôs as mãos no gasganete - não fora a intervenção do dito anfitreão e homólogo...

Perder com mais dignidade não é possível. Em outra batalha contra as oligarquias que são as repúblicas cesaristas. Pelas nossas ruas não corre vergonha alguma: somente tristeza e talvez alguma revolta, afinal pelos dedos de quem o sonho não se tornou realidade?

Catarinas e Joacines: o calendário da vida

por João-Afonso Machado, em 10.02.20

Foi à saída da missa, ajoelhando ao caciquismo. Assim mesmo, a antecipar comentários eruditos dos fieis da maquinaria urbana.  Num tema pleno de actualidade e em vésperas de ser discutido (e aprovado...) pela República, no seu lugar onde mastiga e devora o alheamento dos portugueses - no Parlamento.

Então redigi imediatamente a minha assinatura: eutanásia - não!!!

Evidentemente o tema é complexo. Toda a gente tem o direito de querer morrer. Como é óbvio, esta vontade tem de ser avaliada cuidadosamente e, mais cuidadosamente ainda, é necessário saber quem pode matar quem.

Não me proponho reflectir sobre o tema. Não me chamo Catarino, nem Joacino, nem Costa, o augusto, ávido de palmas senatoriais.

O meu apontamento é só este: ante o já confronto de opiniões, nesse tal senado (de opiniões menos axiológicas do que jurídicas, para não variar), a extrema gravidade do assunto já ficou atrás - na manipulação das Catarinas e das Joacines, na benção do Costa do castelo eleitoral.

Exemplificando: se por acaso chegar a velho, e doente, nada me apetecem conselheiros da morte, "psicólogos" pró-socialistas a dissertar sobre o bem das minhas cinzas num arvoredo qualquer. Sendo certo, tudo é possível neste mundo em propriedade horizontal...

Daí, Senhor Abade, com a sua bênção, eu me dispenso de pensar, eu me dispenso de votar, assim não me deem cabo da cabeça com modernidades toiras, valha-me Deus, se me der para o suicídio aí vai bala (ou coisa que o valha). Grande é o Pai e a sua bondade.

A Taberna do Quinzena

por João-Afonso Machado, em 03.02.20

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Depois de meses de jejum prolongado e contrariado, dei comigo na Azambuja em fértil maré de faisões. Na véspera, Santarém e a busca para o jantar de um grupo numeroso, havia de ser coisa alegre, corridinha e saborosa.

O nosso chefe, o nosso guia, o velho M. M., ordenou a Taberna do Quinzena, uma das três escalabitanas, fora as mais, Cartaxo fora, e até no grande Hotel. A escolhida era a primitiva. Daí a história.

Noite sem luz, casa sem iluminação exterior. Como se gosta e sonha.

Mas eu não escreveria não tivesse conhecido o patrão e a saúde que fizemos a El-Rei nosso Senhor. Já não vou no pitoresco... Vou em quem é português do tempo em que Portugal não morreu. E foi depois desse copo, pela vida de todos nós, que vim cá fora, tirei um retrato e volvi dentro, a saber mais coisas.

A Taberna do Quinzena, já o disse, prolifera em Santarém. Mas é velha de 148 anos e o seu fundador, Francisco Baptista, vulgo o "Quinzena", merceava então, aceitando pagamentos dos clientes de quinze em quinze dias, o que lhe valeu o epíteto. O neto, o Sr. Fernando Baptista, comanda presentemente as operações, numa frente muito mais vasta. Ei-lo a mostrar-me a sua "bula", de um rigor sumo-pontificial, prenho de sageza como as páginas bíblicas.

De início, além das vendas dos géneros alimentares, ali se bebiam uns copos também. Quem vai à fonte, à fonte leva sede... E ali se conversava e jogava, fossem cartas, fosse o dominó. São o demónio, estes primórdios! Ainda há três décadas, na Taberna não entravam senhoras.

Marialvismos, usos disformes do nosso Minho. Certo é, damas de toda a reputada consideração nortenha, vão lá três dias, fidalgas até mais não, entraram de rompante na Taberna do Quinzena e assenhorearam-se da conversa. Quem isto afirma, prudentemente se recolhia a falar em azul riscado em papel, pela ponta de uma caneta, a ouvir, a ouvir, transcrevendo como qualquer tabelião. Mas a petiscar, orientado por conselhos sublimes acerca de grelhados. E sequioso.

Em meu redor, nas paredes, uma inteireza de cartazes tauromáquicos, alguns já quase centenários; fotografias de celebridades - reconheci muitas... - quase todas elas descansando da vida dos vivos; e, avantajando-se, um óleo monumental de Diamantino Vizeu. Olé!!! A nossa sala de repasto (uma entre tantas) parecia, cheirava a arena.

Que mais dizer? O Sr. Baptista, a amabilidade em gente. Os preços módicos. A barriguinha cheia. Mais uma saúde a El-Rei. E um negócio, percebe-se, de vento em popa, com o vinho a soprar muito de feição, de boa cêpa (- Este é Casa do Cadaval... - Eu prefiro a Casa Real - É como eu! Eu também!)

A noite findou num grande abraço. A manhã seguinte pertencia aos faisões. Tudo somado, isto é o Ribatejo, quase tanto como o Minho.

O fim de uma geração CDS?

por João-Afonso Machado, em 26.01.20

As prévias desculpas a quem apenas ouviu notícias breves no telejornal. Mas, parece,  houve uma revolução no CDS - uma revolução congressista, evidentemente. Não faço a mínima ideia quem seja o Sr.  Rodrigues dos Santos, o putativo dirigente-mor do Partido, Muito menos do que ele programa, assinalando somente que apontou o dedo do elogio (e da conivência?) a Cecília Meireles, de longe a grande, a melhor, referência parlamentar dos democratas-cristãos.

Não é o caso da celebérrima viagem a rodar um Citroen até à Figueira da Foz. Isto para o comum dos mortais, longe dos corredores do Largo do Caldas. É, por isso, a revolução. Contra a qual alguns pilares-fortes do CDS julgo terem surgido na última hora - Telmo Correia, Pires de Lima, Nuno Melo... Mas debalde, já. Aparentemente, falo do desastre Cristas, e da geração dos politicos que enfrentaram com o PSD o caos lançado por Sócrates.

A expectativa é, assim, bastante. Em boa verdade, o eleitorado consumia-se há muito, quer com a Iniciativa Liberal, quer com o Chega! Matar um partido que aguentou a vaga totalitária pré-25 de Novembro, e teve a coragem de votar contra a Constituição republicano-socialista, parece-me uma injustiça, além das demais considerações de oportunidade política.

Do que será capaz o Sr. Rodrigues dos Santos (ouvi, entretanto, para os amigos o Chicão)? A situação é, em absoluto, desconforme com a ascenção de Manuel Monteiro, in illo tempore.

Subscreve estas linhas quem nada tem a ver com o assunto e, quando se digna votar que não seja em branco, aposta em outros rumos. Mas que é da Direita (sem centros e meios centros) e se interessa por saber como vai a Direita portuguesa.

 

Joacyne no recreio

por João-Afonso Machado, em 19.01.20

Saltou como uma pantera negra assanhada para o pulpito e desatou aos berros: que eram todos uns mentirosos, como se atreviam!...

Depois foi sempre confundindo o singular com o plural, consoante lhe dava mais jeito. Sem ponta de gaguejo, sempre vociferando, - ora como ousava o partido trair a confiança nele depositada pelos eleitores, ora como podia ela ser acusada de actuar à revelia do partido?

Não tropeçou a descer a escada do pulpito, prosseguiu gesticulando, urrando, e, já no seu assento, não sossegava, voltada para trás, ameaçando não sei quem. 

O Livre entreolhou-se assustado. Joacyne acabara de o conquistar sob mão de ferro. A decisão de lhe retirar a confiança política foi imediatamente suspensa e a emissão televisiva também.

Manifestamente pouco à vontade, Ricardo Sá Fernandes tentou explicar o inexplicável. Até a uma pretensa «diferença cultural» se agarrou (ah, mas afinal não somos todos iguais?); e a questões de feitio, outrossim, (ah, mas afinal não é suposta a urbanidade dos congressistas, a sua educação?)

E a um canto, calado como um ratinho de coração aos pulos, o tótó da turma - o menino Rui Tavares.

O que vale a vitória de Rio?

por João-Afonso Machado, em 19.01.20

Contra todas as suas expectativas, o baronato do PSD perdeu as eleições internas. O forte sismo sentido entre eles a 8 de Janeiro, replicou-se ontem: Rio é preferido pelos militantes. Estou absolutamente convencido, pelo eleitorado também.

Será, por isso, o homem certo na hora certa no mais incerto partido social-democrata. Essa a grande fatalidade: o que há de fazer Rio das suas profundas convicções ideológicas, entre uma multidão cada vez menor e mais esparsa?

Ouvi-o ontem apelar à união de esforços, ao apaziguamento do partido e à conquista do País político. Que cessassem as querelas intestinas, proclamava Rio.

Em resposta, Montenegro, depois dos cumprimentos da praxe, deixou a sua ameaçazinha, adaptada do célebre dito de Mark Twain - «As notícias da minha morte são manifestamente exageradas»...

Costa ouviu e citou Napoleão - «Estamos contentes convosco».

"Para os nossos cuidadores de doentes"

por João-Afonso Machado, em 10.01.20

A costumeira descontração dos portugueses, para não se trair, não deu por isso – o mundo muda aceleradamente. A todos os níveis e, designadamente, no plano das relações familiares. Cá em Portugal, ante a euforia profissional e o fracasso do desemprego, as gentes procuravam a sua independência, o apartamento mais funcional, a cidade, o desenrascanço. E para trás foram ficando, no antigo casario onde haviam criado os seus filhos, - os idosos; cada vez mais, em quantidade e longevidade, os idosos.

É de todos hoje sabido – vive-se mais tempo, o mundo laboral é mais absorvente, os solavancos da nossa economia não se compadecem com os regalos campestres de outrora. Os nossos dias são uma selva e não é justo sigamos as teorias de Darwin acerca da sobrevivência dos mais fortes.

Um trajecto imparável, este que refiro. Mas que só agora começa a ser patente. Como não acredito na bondade do Estado, acrescento a fatalidade da falha de meios para darmos albergue, bem-estar e alegria que dignifiquem os nossos idosos. Valham-nos muitas coisas, à cabeça das quais a Santa Casa da Misericórdia e os seus lares e instituições afins!

Entretanto, confrontamo-nos com o Presente e – sempre à portuguesa – ao improviso que ele nos impõe. Quase todos se deparam já com pais e avós incapacitados, desprovidos de autonomia, e a aflição que é zelar por eles entre as incontornáveis obrigações do trabalho e dos empregos. Quantos não abdicam desta fonte de rendimento para tratar do seu velhinho acamado, alimentá-lo à colherada, tratar da sua higiene! Ouvimos nas caminhetas, recorrentemente, histórias de quem passa o seu tempo à cabeceira de um doente entrevado; ou as aflições dos que têm a seu cargo pessoas já atacadas pela demência, em maior ou menor grau…

Foi neste contexto de emergência (face à ausência de respostas capazes dos poderes públicos) que, há meses atrás, nasceu a Associação da Casa da Memória Viva, iniciativa de um grupo de meia dúzia de famalicenses. Totalmente direcionada para a terceira idade, maxime, daqueles que já vão padecendo de doenças do foro neurológico, com todas as inerentes consequências.

A Casa da Memória Viva tem objectivos amplos, e um deles passaria pela criação de um «alfarrabista», um espaço de coisas antigas que os ajudasse a viverem um tempo que não é actual mas foi o deles: que os ajudasse a guardarem essa noção do tempo e do espaço, o lugar que por direito lhes assiste na vida mediante o emergir das suas recordações.

E, também, a desenvolver, reforçar e acautelar uma nova noção, um novo affaire surgente na nossa sociedade – o dos “cuidadores”. Pessoas que, remuneradamente ou não, abdicam de si para acompanhar – cuidar – de quem necessite.

Tarefa custosa, a requerer preparação específica. Formação. Tranquilidade e resistência psicológicas. Por todos os motivos de justiça, o seu retorno à vida de antes, uma vez dispensados os seus serviços. E os modos possíveis de descanso – trata-se de uma profissão de “rápido desgaste”…

Faltam meios. Falta gente. A Casa da Memória Viva carece de apoio, de financiamento e de uma sede em local adequado aos seus propósitos. O projecto é de Famalicão e para Famalicão. E esta crónica um apelo à diligência e ao contributo de todos os famalicenses.

 

(Da rúbrica Ouvi nas caminhetas, in Opinião Pública de 09.JAN.2020)

 

 

Novidades do Ano Novo

por João-Afonso Machado, em 03.01.20

Algo de quase inédito vem sucedendo estes últimos dias: os doentes, nos centros de saúde ou nas unidades hospitalares, entram nas salas e espancam os médicos: Moscavide, Setúbal-bis... Eu digo quase inédito porque, até agora, não raro, ciganos incorriam nessa prática (desgraçados funcionários das "urgências"...). Ciganos ou, corrigindo,  «indivíduos de etnia cigana» ou, mais recentemente, com singeleza e descrição, «familiares dos doentes». Para não sermos todos votados à ignomínia da xenofobia, Andrés Venturas de segunda extracção.

Nos casos recentes, parece não se tratou de tal parentela. Assim sendo, os noticiários, livres da maldição da xenofobia, relataram os acontecimentos ao pormenor. É caso para julgar, ao fim de dez minutos a levar porrada a sério no exercício do seu múnus, prontinho para o tratamento pelos seus colegas, que médico não suspirará pelos hospitais particulares?

Neste aspecto se descobre ainda a perversidade da Esquerda: mais alto do que as falhas da sua ideologia, ergue-se o fanatismo do seu ethos ideológico. A Esquerda é absoluta e rigidamente ideológica e ideologizante. O que a torna incapaz de admitir duas realidades óbvias - todos preferem um sistema público de Saúde, com o Estado a tratar dos seus cidadãos; mas um SNS que não funciona não existe. Ideológicamente, a Esquerda chamou causa ao efeito e vice-versa. E daqui nunca sairemos porque do Estado desta República nada de bom se pode esperar.

Que vergonha!

por João-Afonso Machado, em 15.12.19

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O passante saíra do jantar a pesarem-lhe as necessidades fisiológicas que, à passagem pela dita "casa da democracia", decidiu satisfazer. Havia um portão, supostamente de acesso a esses misteriosos automóveis do Poder. Pois foi mesmo ali: umas dezenas de metros entrados, escuridão total, a parede salvífica. Um alívio. E um agente da autoridade a chamá-lo, vindo do cimo da rampa.

O passante foi ter com ele.

O que fez, o que não fez... - Senhor Agente, bem viu, que mais quer que lhe diga? - Desculpas não as pedia, nem de pistola apontada, seria sempre pedi-las à República. Entreolharam-se uns instantes. E o polícia retrocedeu, enfim, desejando correspondidas boas-noites.

Homem são. Decerto conhecedor da malandrice daquele mundo marginal.

Dias volvidos, em pleno areópago, um deputado ao que dizem redundou no termo "vergonha". "Vergonha" para aqui, "vergonha" para lá. Foi então repreendido, severamente repreendido. Não por um guarda, mas por um orangotango. Quero dizer, não por um qualquer senhor, civilizadamente posto nos seus cabelos brancos, de risca aprumada por produtos conformes, - mas por um despenteado símio, descomunal e grotesco, incapaz de se verticalizar na cadeira. A mastigar dizeres "democráticos", em vez de uma banana engasgado na palavra "vergonha". Tivesse penas e outro colorido, lá no poleiro, era um papagaio. O dito deputado - uma espécie de "representante do povo" - proibido estava de usar mais a palavra. Sem apelo nem agravo. Regimentalmente.

Moral da história: o agente da segurança, em horário nocturno, complacente com o respeito que a AR merece; o orangotango, presumivelmente um animal treinável para vigiar - mesmo sem aprender a sentar-se - desgrenhado e bronco, ditatorial, no lazer do seu dia, rosnando a simples cumpridores do seu ofício.

Que vergonha!

 

 

Gente realmente importante

por João-Afonso Machado, em 07.12.19

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Viveu uma vida inteira de lavoura. E dela tirou o bastante para comer e construir a sua casinha, que é o seu orgulho. Com toda a razão, na simplicidade das suas paredes e no bom gosto dos caixilhos verdes e brancos das janelas; ou nos bem tratados buxos do jardim, nas suas cameleiras também.

A senhora tem aparecido na televisão. Chama-se Maria da Glória Gonçalves e vive em Ribeira de Baixo, ali ao lado de Ribeira de Pena. Uma povoação condenada a submergir após a conclusão da nova barragem sobre o Tâmega, a barragem de Daivões.

O Estado pretendeu indemnizá-a com 76 mil euros. Ela diz que com isso compra um terreno, mas não sobra para o resto. Para nele edificar uma casa, entenda-se. E que não pretende dormir em cima do dito terreno...

A alternativa foram uns contentores colocados em Ribeira de Pena. Mas o próprio Presidente da Câmara opôs-se a essa desumanidade. E estamos nisto...

Maria da Glória Gonçalves é perseverante: dali não sai, assegura. A água ainda demorará uns anos a atingir aquela quota. É assim mesmo - contra o Estado, marchar, marchar!

A irmã Lúcia da religião ambientalista

por João-Afonso Machado, em 03.12.19

As televisões fizeram a reportagem até à exaustão. Ainda a vidente não passara o Bugio no seu catamarã, já elas lá estavam. O fraco vento demorou a visão mas ninguém arredou pé.

Greta Thumberg é a pastorinha da actualidade. Com algumas diferenças: os de 1917 viram Nossa Senhora, esta somente alcançou o óbvio; aqueles foram repreendidos, ameaçados, castigados, Greta é incensada pelo mundo fora.

Cá em Portugal, a esperá-la, o Presidente da Câmara de Lisboa, um ou outro deputado à caça e muitos meninos iguaizinhos a ela, talvez mesmo melhores do que ela, mas a quem a sorte não bafejou com catamarãs e devaneios por entre a multidão dos líderes do planeta.

Modelo de virtudes, Greta deslocou-se num carro eléctrico (a escolta policial iria de trotineta?) para um hotel, a fim de repousar. Seguir-se-ia uma reunião com as nossas altas esferas ambientalistas e uma viagem de comboio para Madrid, ao encontro de gente ainda mais importante. Tudo sem gastar uma gota de combustível fóssil, esta nossa Greta, tão mais capaz de nos salvar a todos do que a sua antecessora, a Pipi das Meias Altas.

Vistas as coisas, porém, a aviação parece continuar pronta a bombardear o Montijo; e Galamba a saquear o Barroso, na ganância da sua riqueza mineral. O Ministro do Ambiente desanasala a custo números e expectativas e nada mais. E o tuga, podendo (e, segundo Costa, parece que pode cada vez mais), utiliza diariamente e alvarmente o seu veículo pessoal. Jás as marcas permanecem numa demora insana quanto à democratizaçao dos automóveis eléctricos.

Eis, assim, outra fundamental diferença entre a irmã Lúcia e Greta: a primeira recolhia-se, na humildade do seu ser, à meditação e à contemplação, no desconforto da sua cela; a segunda vai mais pela aventura e pelo mediatismo. Já agora, uma oportunidade que peço para mim mesmo: deixando crescer as minhas barbas brancas qb, envoltas em profecias assustadoras, habilitem-me a um catamarã com tripulação que saiba do ofício, e  a umas viagens e ao resto da vida biblicamente dedicado ao futuro da actual juventude e das próximas.

Joacine, hoje

por João-Afonso Machado, em 27.11.19

Lembrei hoje o grande catedrático que foi António Barbosa de Melo. Professor em Coimbra, fundador do PPD de Sá Carneiro, deputado constituinte, deputado da Assembleia da República, à qual presidiu também.

Decerto, esse o seu grande defeito - seria republicano. E daí os cargos de que foi titular, os mandatos que desempenhou.

Tinha, não sei se lhes ocorre, uma deficiência fisica, uma perna maior do que a outra, o que o obrigava a, no pé da menor, usar um sapatão de sola altíssima.

Na realidade, creio que tal na sua vida não passava de um mero pormenor. O Prof. Barbosa de Melo fez a sua carreira por si, pelo seu saber e pela sua competência. Com brilhantismo, apenas.

Ora, se lembrei hoje esse grande legislador e parlamentar, foi porque acabo de assistir à intervenção da deputada Joacine no debate quinzenal da AR. A qual, sim, manifestamente foi escolhida pelo Livre pela sua gaguez.

Melhor dizendo, não assisti. Não fui capaz de ir até ao fim em tão confrangedor momento. Não havia palavra que não lhe saísse da boca sem um esforço enorme, prolongadíssimo. Sinceramente, compadeci-me, fui sala fora.

Sob o pretexo da defesa das minorias, Tavares preparou este "número especial". Parece, entretanto, a coisa não lhe corre pelo menor. Joacine, por seu lado, não se atrapalha e continua a deixar-nos incomodados por ela, aliás sem proveito que se veja para alguém. A não ser na expectativa já gerada de qual o passo seguinte na vida doméstica do Livre, sendo Joacine muito presa de língua mas muito de rédea solta na sua vontade.

 

A manif dos polícias, um atrevimento "fascista"

por João-Afonso Machado, em 22.11.19

Ontem foi mais uma manifestação das forças da ordem - contra a desordem em que as suas Instituições vivem e a desordem que não lhes e possível ordenar - por falta de ordem e de meios. 

Foi uma manifestação exemplar. Plena de ordenação. Mas carregada de sentido. Desde logo, contra o Governo.

Essa malta - o Governo - refugia-se em 2013, na Troika. Votando firme na querença do eleitorado. Na sua desmemória. Uma legislatura volvida (e o problema vinha muito de trás) continua a sua mentira.

A realidade: os agentes de segurança (urbana ou rural) cada vez mais (politicamente correcto seria dizer: cada vez menos...) dispõem de meios para atingir os seus desideratos. Faltam armamento conforme, viaturas automóveis em bom estado, comunicações e pessoal, e a autoridade confirmada pelos tribunais na sua actuação.

(Entretanto, à cambada ministerial convém lembrar a elevada taxa de suicídios entre os agentes de segurança. Porquê isso?)

Outrossim, à ordeira manifestação de ontem, cabe lembrar estes e outros antecedentes. Não será por acaso, o Sr. André Ventura foi recebido em apoteose. Segue-se o "programa" da extrema-direita... Sem mais delongas, a extrema-direita foi sempre um conveniente produto da Esquerda. Tal qual o desenterro de Franco do Vale dos Caídos...

E depois, os sindicatos da policia. Críticas? Nenhumas. Eles são o Portugal dos dias feitos pela cambada. Ninguém os poderá contestar.

Mas a sublime voz da Esquerda não cala. Os «zeros» da manif deram-lhe o pretexto. O seu silêncio reforçou-o: foi a extrema-direira infiltrada. E daqui não sairemos com a porcaria da Imprensa a fazer eco de tais derivações.

Cabrita afaga a barbela. Costa ri. Salazar não faria diferente.

 

 

"Vemos, ouvimos e lemos"...

por João-Afonso Machado, em 20.11.19

É sabido, morreu José Mário Branco. Como é do respeito devido a qualquer defunto, aqui expresso o meu sincero pesar. Estará, certamente, no reino dos justos, e o meu maior desejo é a resignação possível da sua Família.

Nada tenho a criticar à sua pessoa. Sobretudo agora... Mas revolve-me as tripas o tratamento dado pelas televisões ao infausto acontecimento. Sobretudo quando relevam a sua obra.

Porque JMB foi - felizmente de forma assumida - o que foi. Por exemplo, o autor do célebre tema  de que, até à exaustão, ouvimos agora o excerto - A cantiga é uma arma, eu não sabia, tudo depende da alma e da pontaria. Tudo depende da alma e da alegria.

Certamente. Mas o refrão era mais assim:

A cantiga é uma arma contra a burguesia (contra quem, camaradas?...). Tudo depende da raiva e da pontaria.

A parte, pois, que a actual Censura cortou.

Ora tal omissão, de tão significativo trecho, da responsabilidade da Comunicação Social, - sempre politicamente correcta - fere o passado que JMB nunca renegou.

Talvez porque os cabecilhas desta República sejam todos o exemplo crasso dessa burguesia digna de boa pontaria - de Marcelo a Costa, passando por Ferrangutângo. Todos eles menos parcos de que um genuíno voto de pesar.

O mais é nada. Cá por casa não há burgueses. Há algo que talvez JMB não entendesse. Seja como for - R.I.P.



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