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Estou em crer, Marcelo não foi mau Presidente. (Afora algumas peripécias, designadamente o caso das crianças brasileiras e do seu filho, e a sua manifesta tentativa de assassinato do Papa Francisco.) Entrou em funções quase em simultâneo com o Governo da Geringonça e talvez tenha tido a habilidade de lidar com a tenebrosidade de Costa, pondo-se no lugar do professor ante um aluno dilecto, espertalhão mas torcido.
Não esqueceu a "política dos afectos", foi uma diarreia de selfies, falou de mais (o que será natural, dada a sua paternidade...) diante dos governantes das ex-colónias... E haverá outros casos, decerto; mas nada parecido com o permanente clima de intriga política que sempre pautou as magistraturas de Soares e Sampaio. E mesmo de Eanes, que teve de se socorrer de Melo Antunes e de Vítor Alves - do CR! - para exercer o seu cargo e, ainda nele, declarou apoiar Zenha para "o senhor que se segue". Marcelo proporcionou aos portugueses dez anos de paz, no que tange à "ética republicana" E hoje lá foi à sua vida, acredito, arredado em definitivo das esferas político-partidárias.
Assim entra Seguro em cena. Mais dois mandatos seguidos? É provável. Seguro não faz lembrar um mal-intencionado, não senhor. Mas não se desprende do seu ar de Director-geral, sempre cioso das suas prerrogativas. Seguro leva-se, a si mesmo, muito a sério. Parece que andou na catequese, mas a sua divindade andará algures na órbita do soarismo ou do sampaismo. Aprendeu com Costa (aliás, urge reconhecê-lo, foi um verdadeiro senhor) que não se fazem coisas feias aos outros e Montenegro, até ver, não tem nele com que se preocupar. Seguro é um idoso simultaneamente precoce - e ridículo, no rejuvenescimento que quer aparentar. Aguardemos, com uma única certeza apenas: vamos todos enjoar: as aulas teóricas sobre democracia serão o substituto das selfies.
Deixei os debates parlamentares de hoje no exacto momento em que findou o taco-a-taco entre o nosso 1º e José Luís Carneiro. Antes ouvira o "oficial de serviço" confrontado com André Ventura. Ouvira, ouvi, e tirei as minhas conclusões. Quais sejam:
Com Ventura é impossível porque Ventura é impossível - de aturar. Com Carneiro, a questão torna-se mais demorada e faz lembrar algo.
Faz-me lembrar um amigo virtual (cujo nome obviamente omito) com quem comungo o mesmo princípio de Regime, vale dizer, somos ambos monárquicos. Só isso é enorme! Mas ele milita num clube do grupo elegível para a nata dos campeões; eu, no meu F. C. Famalicão, que um dia há de ser grande. Um dia... tal como a Restauração da Monarquia. E, é claro, trocamos comentários que versam as flores todas menos a questão futebolística, porque daí só poderia sair asneira. Tal é assim o resultado da clubite (até porque o seu clube ainda recentemente venceu o meu de modo... digamos que inesperado).
Voltando ao Parlamento. Ventura para trás, Montenegro foi confrontado por Carneiro. Evidentemente não se puseram de acordo, nem isso interessa. Interessa, sim, jogaram correctamente. Com fairplay. Não houve necessidade de recorrer a tempo complementar. Foi uma disputa acesa mas cavalheiresca.
Em causa, a calamidade recente das chuvas, ventos e neves. Vamos dizer, cada um ficou na sua, ambos se contraditaram. No fim, depois de muitas críticas, Carneiro manifestou a sua disposição em participar «na solução», como ora se diz. Palmas!
Direi, a findar, que Carneiro é o lado bom do PS. O lado minoritário dos genuínos e bem intencionados. Já me constou, troçam dele em Lisboa por ser de Baião, tão no fim do Minho, já quase no Douro; e que, na primeira oportunidade, o chutam para lá da bancada. Deve ser assim, Seguro isso mesmo experienciou. O PS é da Capital, do capital e da Maçonaria, o resto são remendos.
Talvez essa gente que já sentiu, e continuará a sentir, tal oportunismo-ostracização um dia saiba constituir um verdadeiro partido social-democrata. Já agora: sem preconceitos contra a Monarquia.
Nas ultimas eleições legislativas a abstenção não chegou aos 42%. Na primeira ronda das presidenciais rondou os 47%. Aparentemente, os portugueses preocupam-se mais com a escolha parlamentar/governativa do que com a chefia do Estado. No que muito bem procedem.
Entretanto, a sondagem da Univ. Católica (ontem divulgada) aponta para 70% pró Seguro versus 30% a favor de Ventura. Repetindo um dizer próximo do célebre "prognósticos só depois do jogo", escrevo "as sondagens valem o que valem". Só para não correr riscos comprometedores.
Mas a Católica prima por esses estudos, perspectivas que, geralmente, a realidade depois confirma. São as mais fiáveis, as da Univ. Católica. E de 70% para 30% decorre uma margem tão extensa que a vitória de Seguro parece incontornável.
Não sinto nem alegria nem tristeza perante o tal resultado. Não sou repubicano, não voto em qualquer candidatura e sigo o assunto à distância. Tento percebê-lo. Ventura será a derrota da malcriação; Seguro, a manutenção do status quo vigente e o discurso redondo, sem mais. Não é por aqui que a Nação se revitalizará.
Mas a mudança urge. Com a rapidez com que Portugal acolhe novas gerações e novas gentes. E, neste contexto, atrevo-me a apelar à formação do Partido do Voto Nulo (PNV). Um partido que dispensa formalidades constitutivas, listas de promotores ou de candidatos a cargos e mesmo do prévio assentimento do Tribunal Constitucional. O PNV apenas funcionará à boca das urnas. E apenas requer a ida ao posto eleitoral, se possível com uma frase no boletim de voto, do tipo - "Pela Monarquia sempre".
Algo que será contabilizado, conquanto sem quaisquer menções exteriorizadas. Mas a votação é escrutinada em cada mesa e, por essa via, a verdade saltará cá para fora. Mais tarde ou mais cedo. Quanto não seja, entre os múltiplos escrutinadores espalhados Portugal fora.
E assim, sem acintes, os portugueses darão conta de que somos - os fieis da Monarquia - muitos, muitíssimos. No caminho da maioria.
Preâmbulo:
Muitos lembrarão as eleições presidenciais de 1985, ganhas na segunda volta por Mário Soares. E não terão esquecido a sua estratégia: inicialmente piscando o olho à Direita (aquele célebre debate com Lurdes Pintassilgo, em lhe disse, se ela vencesse, no dia seguinte seria um fugir de castiçais de prata para o estrangeiro...), depois tirando a gravata, ultra "fixe" (porque Freitas era um "chato", o carrasco de O Primeiro de Janeiro...) namorando com descaro a Esquerda de onde adviriam os votos para si vitais.
Factos presentes:
1 - O programa na RTP Choque Ideológico, em que o moderador Carlos Daniel parece exigir dos intervenientes uma promessa de voto em António José Seguro.
2 - A sobranceria dos ditos intervenientes conjugada com as suas juras de fidelidade à democracia, como se tomados por um medo qualquer, um complexo, uma patologia do foro politico-partidário.
3 - Um representante do Chega calado como rato versus um triunfal papagaio socialista.
4 - Um ouvinte (eu próprio) já meio tentado em votar em Ventura, tal a dureza do referido processo inquisitorial.
O devido e o devir:
- Com que direito se faz uma mesa redonda perguntando a cada participante em quem vai votar a 8 de Fevereiro?
- Isto vai ser assim? Ser democrata obriga a assinar uma declaração contra Ventura?
- Porquê a insistência no apoio institucional do PSD e da IL à candidatura de Seguro? Porque não podem estes partidos proclamar a absoluta liberdade de voto dos seus militantes?
- E se Seguro resolve ir à pesca na Esquerda? Se, porventura, é também um estratega e repete o caminho do seu ídolo Soares?
- Qual a legitimidade dos partidos da Esquerda para, generosamente, aceitarem o democratismo dos da Direita apenas se estes se unirem (e o proclamarem) contra Ventura?
Rebobinem o programa (são 23.30 quando escrevo este apontamento, e ele está no ar) e não percam o interrogatório. O acusado é Montenegro - o alvo a abater é o Governo, claro - e parece o estalinismo, sentado em frente do pobre coitado.
Pesarosamente assisti ontem ao debate entre todos os candidatos à Presidência. Diria, mesmo, tomado de uma curiosidade mórbida que explicarei, não sem antes declarar a reforçada minha decisão em votar branco. Até porque não há razões de sobressalto: todos são pessoas inofensivas, o rapazinho da II República (como o Pinto Livre ontem referiu esta III) vende-se por pouco e o comprador, o Tozé Seguro, aparenta desinteresse pelo negócio, sobranceiro, confiante, todo contente com os números das últimas sondadens. Experimentado e professoral.
Mas boa alma, estou certo. Como, aliás, os demais, não contemplando Catarina nem Ventura, e deixando aqui um recado a Gouveia e Melo: um almirante que se preze não faz uso dos seus argumentos contra Marques Mendes que, ainda por cima, é sobejamente mais baixinho. Do que se não é capaz para roubar votos à concorrência!
O candidato Vieira é uma encenação de comicidade, o contraponto da humilde mas genuína participação do meu amigo Tino de Rans. António Filipe, a agradável surpresa de um comunista dialogante; Humberto, quase uma tentação em votar nas suas mãos de uma vida de trabalho; e Cotrim o mais clarividente, a voz mais sonora e mais fiável.
Mas não chega... Nenhum deles chega para convencer um monárquico. Os portugueses que elejam o candidato à medida do que merecem.
A questão principal deixei-a, claro, para o fim. Sendo o Chefe de Estado o Supremo Comandante das Forças Armadas, por que motivo o silêncio sobre a nova realidade europeia, agora ameaçada sem rebuço por Trump? Tema especulativo, prematuro? Especulação e prematuridade era o dia anterior ao das redes lançadas à cama de Maduro e da Mulher! Por isso... terão os nossos militares já em vista uma greve geral em data a fixar sem aviso prévio?
Nada me compadece o destino de Maduro. E registo a magistral intervenção militar que o pescou em casa e o deixou em solo norte-americano. Mas mais do que isto - nada. A não ser o habitual discurso da Diplomacia, entre o hipócrita e o desbocamento total, consoante os Estados tenham tudo, algo, ou nada a perder.
Trump falou. Sobre o futuro político da Venezuela, excluiu à partida a Prémio Nobel da Paz, Corina Machado... Não será necessário acrescentar mais... O País ficará sob a tutela dos EUA nos moldes indecifráveis (ou talvez não...) que Trump foi já anunciando. Esta uma maior preocupação nossa, portuguesa, atento o elevado número dos compatriotas que lá se estabeleceram. É verdade, assim é, o mundo ensina-nos, pensemos em nós primeiramente.
E consoante os regimes vigentes, a América do Sul insurge-se ou bate palmas. Num continente de abissais dessintonias, a ingenuidade é a marca preponderante. Ainda há - vê-se - quem acredite no retorno, puro e simples, da liberdade à Venezuela...
Há, sim, um mundo político novo, inexplorado e sem fim à vista. Há Trump! E a Federação Russa, a China e os "deals" e "millions of dollars".
Haverá, porventura, um novo Eixo - os EUA, a Russia e o empório chinês. Ou uma nova repartição do planeta nas correspondentes três áreas de influência. Deals, alwyais deals. Em que ponto ficamos nós, os europeus? E a Ucrânia, já agora?
A vida de hoje não contempla previsões. A Ucrânia é europeia e a nossa fronteira com a barbárie. É um povo mártir. Somos nós enquanto nós não somos o alvo ou um lugar esquecido. E nós continuamos sentados em Bruxelas dizendo coisas humanitárias e proferindo ditames do Direito Internacional antigo. Insistindo na nossa indefesa, talvez crendo que os mísseis passarão por cima, de um para o outro lado do Atlântico.
Por isso os ucranianos já só poderão contar com os europeus perdidos em falatório. O equilíbrio mundial poderá sacrificá-los à Federação Russa; e Taiwan (outro lugar de liberdade) à China. Trump apostou na riqueza sul-americana e parece querer negociá-la. Nesses termos.
A questão final é perturbadora: Trump, conforme a Constituição dos EUA, vai quase a meio do seu mandato, que será o derradeiro. Será mesmo? Trump distorce o planeta em quatro anos de mandato sem continuidade? Ou alguma surpresa nos reserva ainda? O que tem a dizer o eleitorado americano? E conseguirá abrir a boca? E, até lá (tudo correndo na normalidade constitucional), que irremediáveis estragos serão produzidos?
É de temer o pior. Somente o pior!

O ano está no fim. Um outro ano em que me senti humilhado pelo "pensamento" ético-republicano e as suas enormidades proferidas. Ou seja, com o cada vez mais usual dislate com que falam da I República, da Ditadura (ou "Estado Novo") e da III República, para concluirem, afinal, que houve duas Repúblicas e, de permeio, a "longa noite do fascismo". A Imprensa é poderosa e a enganosa mensagem vai passando, aos pontapés nas pessoas e na aritmética...
Portanto, repondo a verdade, de 1910 a 1926 foi a vigência da I República, sob a batuta da Constituição de 1911; o mais absoluto desconchavo parlamentar, o homicídio impune e os milhares de portugueses mortos numa guerra que não era deles. De então até 1974, arrastou-se a II República, autocrática, salazarista, persecutória, colonialista ex tempore e suportada pela Constituição de 1933 que nos dizia um "Estado corporativo" (deturpada noção das ideias do Integralismo Lusitano). Finalmente, depois do 25 de Abril, a III República, dita democrática, mas essencialmente um regime partidocrata e plutocrata, cuja lei suprema é a Constituição de 1976 e, sendo já a mais idosa, acarreta consigo a Nação no descalabro que sabemos.
Há muito venho referindo a superveniência de uma IV República. Algo que, dado o actual enquadramento parlamentar, é agitado como um papão. A IV República, advindo, só poderá ser um regime (transitório) onde os portugueses terão voz activa e definirão o seu futuro. Uma fase, em suma, onde a questão de regime será suscitada e discutida sem demagogias.
O que hoje é impossível por razões múltiplas, entre as quais a passividade dos monárquicos. E a tremenda e cissiante ideologização da História estudada, o grande mal actual a combater.
É o que espero aconteça. Que os dados do estudo não sejam viciados. E que haja estudiosos.
Entretanto... Ainda irei ver se restam umas perdizes por aí. Donde, hoje mesmo, os meus votos sinceros e amigos que a todos (mesmo aos "éticos") endereço de um Santo e Feliz Natal, com a Fé enorme num futuro muito melhor.
Um abraço!

Há que dizer, não assisti à entrevista televisiva de Ana Gomes, ontem tão propalada. Mais altos valores se alevantavam, quais fossem eles o jogo do F. C. do Porto e do meu (do coração) F. C. de Famalicão, para a Taça Nacional. Isso sim, coisa importante, a razão de uma equipa minhota posta diante do Campeão nortenho. Perdemos... Já é um hábito perder... tudo menos a razão e o dito coração.
Mas de antemão se sabia que Ana Gomes (que estranhas razão e coração) não se daria por vencida. Hoje, nas minhas fugazes passagens pela Internet, isso mesmo confirmei. Ana Gomes disparou para todo o lado e foi jurisprudenciando sobre a magistratura europeia e nacional. Onde o fascismo, infelizmente, não a quer a inquirir e julgar.
O tema é conhecido. Houve uma averiguação prévia sobre as actividades da tal Spinunvivus. Sem obrigatoriedades e contando somente com a abertura do(s) averiguado(s). É a tal questão do "ónus da prova": o contemplado (neste caso, Montenegro) facultaria o que lhe aprovesse e, face aos elementos recolhidos, o MP avançaria, ou não, para um eventual inquérito.
Ao que se sabe. Montenegro abriu as portas da casa. - Espreitem tudo - terá dito. E do tudo saiu nada. Assunto arrumado.
É óbvio, a Esquerda (realço, no entanto, as palavras mais amáveis do Livre) apressou-se a retirar a questão do plano judicial e a colocá-lo na órbita política. A Esquerda tem sempre razão e o Chega, seu ocasional parceiro, também.
Os portugueses, de caminho, já nem sabem do que está sendo falado. Não incumbido nem detentor de mandato do 1º Ministro, gosto das conclusões da dita averiguação. Para o bem ou para o mal, quero Montenegro na chefia do Governo. Desde logo porque sim; depois porque acredito, na actual conformação partidária, com alguma sageza ele chegará onde quer.
A questão resume-se a saber se ele quer chegar onde deve. O julgamento da sua governança terá o seu momento nas eleições sequentes. Assim Montenegro, contra ventos e marés, se revele um reformista. Um verdadeiro social-democrata.
Este País, este tão cinzento País político, ainda poderá despertar e colorir-se. Aposto no Governo. Ainda não sei como publicamente silenciar todas as suas Anas Gomesssssss. No cimo dos montes, onde elas viperam, é de paulada na cabeça.
Do mundo da diplomacia fica-me sempre (e quase só) a imagem do grande fosso cavado entre a prepotência e a humilhação. Com uns tantos parasitas pelo meio, manifestando (com óbvios propósitos interesseiros) a sua vontade de intervir e medear. Além de uma maçadoríssima linguagem utilizada, em que cada palavra pode ser uma armadilha. Definitivamente não é o meu mundo, o da diplomacia.
Por isso passo um pouco ao lado destes episódios em que se vê um jovem americano de sucesso, muito jingão e a mastigar chiclete à entrada de uma boite, decerto já ensaiando uns passinhos no perverso universo onde hoje dá cartas: estou a falar de Donald Trump, é claro. E do perigo que representa para nós, resultante do estorvo que considera ser a Europa. Great deals and millions of dolars é o escasso resumo do seu pensamento e do seu léxico, apenas acrescentado das flutuantes alarvidades que profere.
Mas é um homem que sabe o que quer (poder e riqueza), tal qual Putin sabe também aonde quer chegar, e como Hitler comungava nos propósitos de ambos.
De permeio, a Ucrânia cujo futuro de paz parece estar a ser decidido entre a crescente ofensiva russa e uma conversa de chacha mantida entre os seus diplomatas e os americanos, todos conluiados numa encenação das mais cínicas. Insistindo em comparações históricas, perante a tibieza de Duvalier e Chamberlain na pré-Guerra Mundial, o tempo bastante para Hitler anexar a Austria e invadir a Checoslováquia e a Polónia.
Hoje fica-nos também a ideia de que, à parte algumas bravezas proferidas pela UE ou pelo presidente francês, aqui no Ocidente estamos todos à espera dos americanos para nos salvarem do urso mau. Com a bondade do Senhor Deus Pai, lá para depois do mandato de Trump...
Quando devíamos todos preparar a defesa deste hiperpovoado minicontinente. NATO? Qual NATO? Já só se for uma NATO europeia, feita do know how e do poderio britânico e germânico e da comprovada resiliência de algumas nações conquistadas nos idos da blitzkrieg. Não creio que a Ucrânia capitule, nem mesmo por via da nossa inépcia. Continuará a ser bombardeada e assassinada à noite até à exaustão. Até que a bondade o Senhor Deus Pai consinta os EUA regressem - a tempo - ao convívio com o mundo civilizado... mas aterrorizado ante a hipótese de uma guerra.
A Moldávia, a Polónia... Sabe-se lá que mais... Mas esses são povos habituados a resistir. Cá para estas bandas de solidariedade e flotilhas, armas é o que nem se quer ver. Apenas urnas, eleições e sindicatos e activistas de uma paz inexistente já.
Não assisti ao filme. Mas vi um resumo no inefável FB. Em suma, parece que três patrioteiros queriam fritar em lume brando o Ventura do Chega, hoje incontornável personagem proprietário de 60 deputados (incluindo o próprio) na AR, e candidato à presidência desta República que tanto o merece.
Foram primeiro os cumprimentos da praxe. E depois, logo depois, o ataque, a cargo do o-o-o... O tal, que, li por aí, dá beliscões no namorado e está acusado de maus-tratos. (Acentue-se tonicamente o ridículo da República, a vergonha da Nação!)
Perguntas capciosas. Vozes que se misturavam. Sorrisos que eram descargas de ironia e cinismo. Ventura é um homem (ao menos é homem) esperto. Percebeu tudo. Largou duas descargas e abandonou o palco. Sem baixas, ganhou a batalha.
É o que as "redes sociais" mais divulgam. E elas mandam, hoje em dia. Fora "ontem em dia", Ventura mereceria, com tudo o que ele não vale nem tem de bom, um tratamento igual aos demais candidatos à presidência de um regime falido. Ventura saiu bem. Os jornaleiros pessimamente. A CNN bem pode limpar as mãos à parede.
E depois disto - o que querem os portugueses ainda?
(Não, aqui no Reino ninguém entra. Jamais!)
Os papeis foram propositadamente lançados ao ar, e depois o deputado houve que se vergar e apanhá-los, com a reprimenda que levara. É o mesmo que, nos seus cartazes da campanha que se avizinha para as Presidenciais, brama contra os ciganos (diga-se, em sã verdade, eu também não gosto de ciganos, e os ciganos, em geral, não gostam dos portugueses) e contra o Bangladesh, compreenda-se, contra toda a migração asiática.
Isto, reitero, da parte de alguém que quer ser o sumo-pontífice do Estado e exercer a suprema magistratura. Manda o decoro a exclusão do voto no candidato Ventura.
Há outros. Desde logo o "Almirante", salvo o devido respeito, um cavalheiro que terá lidos uns livritos sobre Sidónio Pais e se julgará tão providencial. Há também um "estadista" de pequena estatura, um homem de sempre ligado à política partidária, conquanto nada de mau lhe seja apontável no seu percurso moral. O mesmo se diga de um terceiro, mais jovem, estou certo uma pessoa boa, sem embargo de um algum ar ridículo, de sobrancelhas em til, com que pretende frisar a sua jovialidade.
E há outros mais que não contam para a disputa do campeonato.
(De fora ficou o único em que votaria, o meu amigo Tino de Rans, a mais conseguido retrato da idiossincrasia portuguesa e, consequentemente, o que melhor nos podia representar.)
Por isso não voto. Ou melhor, voto, sim senhor, aproveitando o boletim para uma breve exortação à Nação - Monarquia sempre!!!
Se outras não restassem, sempre referiria estas razões: o Almirante, se ganhar, creio não findará o mandato e tornará à sua antecedência monárquica com a maior convicção; Marques Mendes, é terrivel dizê-lo, - porque é de um fatalismo cruel - não tem planta de estadista, mais pela sua expressão pouco forte e pelo seu passado partidário; Tozé Seguro, um anjo sem asas, logo se perderia em discursos "à Sampaio", num tempo diferente e com os amigos do luso-universal Costa a comerem-lhe a cabeça...
E que assim não fosse. A Nação é realista, o estado é republicano e inimigo da Nação. Dentro da minha porta a Nação entra, a República não. Logo...
Tenho dito.
Parece que hoje, em gloriosa jornada parlamentar, a República proíbiu o uso da burca em espaços públicos, assim pretendendo "libertar" as mulheres desse atavio e da sua eterna submissão ao poder masculino. E a única conclusão que logrei tirar foi - eu afinal não sei o que é a liberdade.
Depois ouvi um breve debate sobre o tema, na CNN, entre um cavalheiro do Chega, uma senhora deputada (muito atrapalhada) do PSD e o sempre sereno Álvaro Beleza - alguém que prezo e recuso situar à esquerda, mesmo que ele se diga como tal - e reorganizei as ideias. Parece que tudo poderá ser resumido assim:
- A burca usada por muçulmanas contra a sua vontade, v. g. por imposição familiar - não, jamais! (E por esta via iriamos dar à violência familiar..) A burca usada por vontade própria é uma tão legítima opção quanto o turbante dos sikhs, a batinas dos eclesiásticos católicos romanos ou a longa barba dos ortodoxos. A circunstância de viverem em Portugal e terem de seguir o normativo jurídico da República Portuguesa nada contende com isso.
- Donde a péssima colocação do problema. Aliás: da jacobina colocação do problema.
- Depois sobram as imprescindíveis questões de segurança, para as quais uma defesa eficaz é a vídeo-vigilância. E aí, na realidade, debaixo de uma burca poderá estar um(a) terrorista, quem quer que seja animado dos piores propósitos, e a cara destapada é sempre um dado de valia.
- Tudo somado acarreta uma só conclusão: legislar assim à pressa, só na República portuguesa, ou nas demais afectadas pelo jacobinismo. Há lugares e lugares, propensões e propensões. Valeria proíbir uma burca como o uso de um barrete de esquiador, seja verão ou inverno. O legislador, em vez de pretender chatear, devia estudar e prever e só depois estatuir. Devia tirar os óculos escuros que, às vezes, são o disfarce dos meliantes. Também poderia pressupor que uma mulher de burca por convicção religiosa não se passeia por aí, à noite, em lugares atreitos a navalhas, rebentamento de caixas-multibanco ou de lojas de conveniência. E, então, o diploma legal sairía mais centrado nas condições de tempo e local do que no pano enroscado nas cabeças islamitas.
Mas isso dá trabalho, não provoca o outro lado do hemiciclo parlamentar e até pode ser consensual. Tudo uma monotonia, uma maçadora sessão. E não foi para isso que a Assembleia da República Portuguesa foi criada.
Ou então passem ao capítulo seguinte: o dos turbantes, batinas, balandraus e - sejamos coerentes - gajas em sapatos-andaime que atacam à noite na escuridão das avenidas.
I - DOS INTERVENIENTES
Nesta vivência de agitar fantasmas, é óbvio o Chega seria um deles. A Esquerda uniu-se nas frentes que sempre concebe para ganhar votos à custa do defunto "fascismo". (Se necessário explicarei em mais detalhe a razão das aspas...).
Ora, manifestamente, o Chega nunca chegaria além de onde chegou - e, mesmo assim, com a maior surpresa. A sua realidade está amplamente referenciada, vale os protestos de massificação eleitoral e, na proximidade autárquica com os eleitores... será sempre preciso para o Chega trazer gente de fora para compor uma marcha de rua.
Já quanto ao PS. É, insisto, jamais um partido de ideologias, antes um PARTIDO DE PODER. O PS vive para governar, nacional ou autárquicamente. E, por isso, graças a muitos factores (inclusive a votação do Chega nas Legislativas), vem sucessivamente perdendo. Perdeu ontem mesmo, depois de todos os escabrosos casos suscitados contra Montenegro, quando baixou tudo: número de eleitores, Câmaras conquistadas, a principalidade das mesmas.
José Luís Carneiro, um homem que tenho na boa conta de um honrado e simples cidadão de Baião, terra sã, lá apareceu a querer evidenciar dados fantásticos como Viseu e Brangança, long time ago.... Ora, caro Senhor, todos sabemos que só a Lourinhã vale isso, se acrescentada a Portalegre...
II - DOS POLITÓLOGOS
Ouvi, porque calhou, o Sr. Costa Pinto esta manhã na televisão. Na entrevista em que lhe pediam comentasse o resultado das eleições. E para ele havia dois vitoriosos (o PSD e o PS) e um derrotado (o Chega).
Ora nada me interessando este último - nem de resto, por amor à camisola, os demais, - afundei, abismei. E perguntei-me: o que será necessário para o PS ser perdedor? Que desça abaixo do Chega?
Creio que mais não será preciso dizer. O Sr. Costa Pinto é magrinho, usa uma barba desconhecedora do que é um barbarbado (vd. célebre dizer de Lucas Pires nas suas Lições de Ciência Política) e eu descobri-o em 2010, por ocasião do Centenário da República. Dele só poderão vir parcialidades e é um maçon treinado para vida longa (do 8º dan, pelo menos). À sua conta (e à dos demais similares) uma história trenga, uma visão miope. A mim não me afecta, mas a quem seja menos informado talvez. E isto é a República.
Li há pouco uma curiosa rúbrica no JN, segundo a qual, em uma parte generosa dos concelhos interiores, às eleições autárquicas se apresentam listas únicas, vale dizer uma candidatura apenas. Uma só lista de um só partido ou de independentes. Havia um mapa esclarecedor contendo as freguesias, e mesmo os concelhos, onde tal se verificava.
E havia também comentários, nos quais sobressaía o de "especialistas" (o termo é do jornal), segundo os quais, essa realidade constituía "pregos na democracia" (suponho que esta já seja uma expressão dos ditos "especialistas", sobretudo em cangalheirice)...
Ora por aqui se lê o alcance dos partidocratas. Dos poucochinhos das paróquias.
Falei no Interior. Necessariamente em freguesias de uma centena - vá lá: duas - de eleitores. Não preciso falar no carácter personalizado das eleições em espaços assim reduzidos de gente. As pessoas conhecem-se e gostam de quem lá está, na Junta da freguesia ou até no concelho. Haverá discordantes, mas em número tal que não arriscam perder tempo. E é só.
Se são desta ou daquela cor, se vai ganhar o partido A ou o B, se os candidatos concorrem por conta própria, não sei, nem procurei saber. O que me deixou em transe foram os "especialistas".
Serão estes os que querem o País - quase escrevia: a Nação - eternamente dividida em facções partidárias. Para que servem (na sua perspectiva), os velhos residuais das freguesias do Interior? Para guerrearem entre si. O partido fornece aventais e esferográficas e agradece.
É uma litigância que só tem uma conclusão, senão um objectivo: pôr cobro à sã solidariedade dos sobreviventes de um Portugal interior por quem nada faz. E que nada se faça (conforme esses carpinteiros), senão manter a partidocracia. Não estamos aqui para outra coisa - uma freguesia partidariamente dividida a meio sempre trará alguns dividendos...
O episódio da flotilha é grotesco. E protegido da demolidora ironia de Eça ou de Pulido Valente. Sim, será um bom exercício mental pensar na Mariana Guevara posta nas mãos destes Enormes, só eles capazes de destruir (ridicularizando) a parlamentarice e a demagogia portuguesa. Tanto mais que a nossa revolucionária e os seus camaradas se queixam do único país - Israel - que não gosta de intrusos mas não atenta contra os seus direitos de humanos. São de macro-exigência, os nossos proletários de serviço.
Com o maior respeito pelas crianças palestinas, fica a certeza que são vítimas dos seus pais e de quem estes encobrem. A minha flotilha está na Ucrânia e se a Ucrânia for bem sucedida, a Palestina resolvida estará, também.
E por cá?
Por cá ouvimos os altifalantes da campanha eleitoral. Se a minha terra servir com paradigma, o PS anda frenético. Dizem as más-linguas, o Chega conseguirá um vereador. E a edilidade não foi brilhante neste mandato que finda, aceito já, calmamente, uma maioria relativa da coligação PSD/CDS.
Falta uma semana para o voto. Mas creio que já falta tempo nenhum para opções, todas elas tomadas. A campanha desenrola-se no maior desinteresse. Isto vai andando - mas para trás. Se votássemos todos amanhã, com toda a modernidade faríamos a eutanásia desta maçada.
Vai chuviscando. Os incêndios desapareceram do mapa e do troglodice da Comunicação Social também. Vão sobrando uns temas futebolísticos e, sobretudo, a aventura da expedição à Palestina - a célebre "flotilha" povoada de revolucionários desta gema tão "tuga".
Parece que uma nossa estrela das artes - uma "famosa" - cujo nome não me ocorre, já voltou a casa. Há quem diga, porque se enchumbada em água morria afogada e (pior) azedava o mar com poluentes não degradáveis. Até ver, nas traineiras eleva-se à proa a nossa Mariana G-3 e outros tantos do tipo "nacionalizado, nosso".
Também li os apelos à intervenção internacional. Ou seja: amanhã estão todos de volta. A ocorrência, uma vez mais, pauta-se pelo ridículo. O que nada interessa, não fora a propaganda em seu redor. Aliás, perdido por perdido, só para não poluir as águas em vão, podiam subir o Mar Negro e, já agora, soltar (a meia voz, baixinho) uns slogans contra Putin. Ele que fosse à merda e deixasse a Ucrânia em paz...
Mas não. Será o que a Mariana G-3 quiser. Apenas isso não é assunto dos portugueses nem do contexto europeu.
Dos portugueses é assunto, sim, que Setembro ainda dará muitas voltas. Decerto sobrevirá o calor e os incêndios. E?...
E - nada. Nada sabemos. Nem para Setembro nem para o próximo ano. O Governo está atento? Planeia - ou constitui inócuas comissões? Poderemos descansar? Vem mais do mesmo? Temos e mantemos o direito à vida e ao sossego? Será legislado proficuamente?
Mariana, volta e dá o teu contributo, ó cachopa! Anda lá, que na Palestina nem vales um lugar de harém.
Das calamidade de 2017 até hoje (maxime este Agosto), assistimos a algumas ocorrências curiosas: o poder legislativo resolveu ser actuante e, vai daí, legislou sobre o cadastro predial (como também sobre as piriscas deitadas ao chão nas ruas da cidade...), a limpeza dos solos florestais e das bermas das estradas e proximidades das casas e embrenhou-se na burocratização do sistema de Protecção Civil (é só ouvir o que os bombeiros dizem dos «senhores da boina preta»).
Ou seja, fez coisa nenhuma. Ontem, em Pedrógão Grande, os matos estava mais viçosos, as bermas verdejantes, as casas tinham o fogo à porta, as populações - houve, felizmente, tempo de evacuar quem quisesse - de baldes e mangueiras resignadas, esperando a repetição do filme. Dali à Sertã, o fogo tinha o espaço todo por sua conta.
Dos anteriores incêndios mais não haverá a acrescentar. Apenas a frisar a sua extensão, a imensidão de incêndios começados num distrito, cavalgando mais dois ou três e ainda activos.
Também o poder executivo nada fez. Nem o socialista, com Costa a preparar demoradas malas para a Europa que ambicionava, nem o social-democrata, durante meses acossado pela "caso Spinumviva" e por uma série de gaffes ministeriais cometidas. Ou seja, por muito combustível para discussões políticas já na rentrée visando as eleições autarquicas que não estão longe. A República é assim...
... é assim e não quer admitir que a situação não dispõe de muitas soluções. O Interior do País está entregue às silvas e ao bravio, os poucos que lá vivem - umas tantas martirizadas aldeias - não logram forças para se defenderem eficaz e definitivamente. É o seu destino - a angústia vivida todos os verões. Assim como todos continuam a pisar a pirisca no cimento do passeio, ninguém vai limpar o hectarzito de pinhal que herdou já não sabe bem aonde. (Falo de leis inócuas, a especialidade parlamentar nossa.)
Tudo talvez não fosse tão complicado se não se verificassem dois factores: o primeiro - a maioria dos incêndios continua a ter mão humana, negligente ou intencional; o segundo - o clima mudou, as vagas de calor prolongam-se e um sinistro vento se encarrega de levar o fogo daqui para muitos quilómetros além (de resto, muito facilitando a vida aos incendiários).
Se o Poder político quisesse ser realmente actuante, rapava o País privado à escovinha e actuava com rigor nas matas nacionais e nos baldios. Invertia o ónus: quem se sentisse lesado pelo abate das suas árvores, que fizesse prova de propriedade e pedissse o ressarcimento das suas perdas. Se, ao menos, ainda dispusesse de alguma vontadinha, minimizava riscos, apostando na prevenção in loco: assim que a meteorologia tocasse os sinos a rebate, a guarda a cavalo, a pé ou motorizada em lugares considerados mais susceptíveis, e os carros de bombeiros também. É que todos os dias ouvimos - a rapidez da actuação é fundamental.
Mas não. Se de 2017 para cá tudo está na mesma, porque se mudará agora?
"Habitações autoconstruídas". É o novo eufemismo. Sigamos, então, para a realidade dos renascidos bairros de lata.
Mas antes um dito do coração. Qual seja, o meu apreço pelos naturais de S. Tomé e Príncipe, um país nascido da preguiça e da falta de visão dos revolucionários de Abril. Um arquipélago que tinha tudo - nem sequer contestatários - para ser português, não fora a sanha ideológica dos "capitães" e dos comunistas. Faltou apenas (desculpavelmente) a visão de futuro, a percepção do turismo de que nos sustentamos, o custo elevado a que somos obrigados moralmente para que a vida possa ser vivida naquelas paragens.
Adiante. Cheguemos ao cenário de miséria actual em tais paragens que descobrimos desertas. Os sãotomenses anseiam alcançar a Metrópole - isso mesmo: a Metrópole - e fazer pela vida. Tal qual os portugueses das eras dos bidonvilles. Somente passaram décadas, o tempo de João Soares e o fim dos bairros de lata. Lisboa era outra.
Já não é. Lisboa evoluiu e transformou-se em Tapiocopolis, a capital de Tintin e os Pìcaros: de um lado, o aparato turístico; do outro, a pobreza fatalmente vigiada pelas polícias. Porquê? Porque a República, escondida atrás de uma Constituição que, ela própria, não cumpre, decidiu destruir Portugal.
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É rigorosamente verdade não termos gente de trabalho (fugiu essa gente...). Dito com maior precisão, não temos gente para o trabalho "menor" das obras públicas e da lavoura. Por isso abraçamos - só à chegada - os desgraçados vindos de países paupérrimos na esperança de amealharem algo e regressarem um dia, como os nossos (fugidos para França, Alemanha...) procederam há mais de meio século. Somente, algo aconteceu entretanto. Parece que surgiram regras... No compasso inefável de rendas exorbitantes.
E assim a TV mostra e acompanha in loco o desmantelar de um bairro de cabanas em Loures. Ou na Amadora. Decisões municipais. Porque ali se instalaram perigosos centros de droga ou violência? Não! Apenas porque instabilizavam a paisagem. Mas então porque deixaram essa pobre gente entrar assim à toa?
A República é isto. Proclama, proclama e depois revela a sua crueza. Pobre gente!!!! O luar a aqueça....
O meu filho mais velho chama-se Vicente. É o nome do Avô, o meu saudoso Pai, e de muitos outros seus ascendentes e tios ou primos. Um nome nosso... Quando fui ao Registo Civil, para os devidos efeitos, a funcionária que me atendeu logo proclamou ser nome não aceite. Imbuído de paciência imensa, dei-lhe conta do topónimo de onde então residia - na Rua de São Vicente; mais lhe falei do Santo padroeiro da Capital - S. Vicente; reforcei com o nome do Avô, patente no meu BI - Vicente; e (episódio idiota), contei a história do corvo quase centenário em Lisboa - o Vicente.
Ainda assim, a primo-rigorosa funcionária rapou de um livro imenso, ordenado alfabeticamente, no qual confirmou a existência dessa relíquia nominal - Vicente. Foi o modo, finalmente, de conseguir registar o meu filho com o nome que lhe cabia por herança e opção dos pais.
Enquanto tal, a empregada da época, portuguesa de gema (desconfio, o seu marido não) tinha um filho de idade aproximada e a mesma nacionalidade; chamava-se - chama-se, Deus queira - Wellington. Registado em Portugal.
Ficou-me. Ficou-me este momento de ignorância, estupidez e enfarte de telenovela.
Agora, Ventura pegou num papel e leu nomes de crianças da nossa nacionalidade mas diversos, não sei quais porque nem me interessei em saber. Oriundos de outros continentes, porém, estranhos ao calhamaço distribuido pelas Conservatórias... E o Parlamento ia caindo à esquerda, entre o Carmo e a Trindade.
Muito rapidamente: Ventura tem razão. Muitíssima razão. Tanta razão que os antigos nomes da nossa essência nacional são questionados e os de fora entram por Portugal dentro como foice na seara. Nem sequer há igualdade!!!
Onde está a nossa identidade? Aparentemente não está, já foi. Oxalá o Governo saiba, e o Parlamento também, dar remédio à descaracterização que a Esquerda Unida programou para o futuro nacional. Neste particular aspecto e nos restantes.
O contrário será sempre o retorno à comprovadamente dispensável diferença entre "cristãos velhos" e "cristãos novos" em versão actualizada.
Já lá vão 40 anos de andanças pelos tribunais como advogado. Assisti a muitos excessos, quer da parte dos magistrados ou dos colegas, quer da parte dos arguidos, quantas vezes indivíduos violentos e de um despropósito que só a sua pouca educação, o seu primitivismo, poderiam desculpar. Assim o entendiam os juízes num desconto que os poupava (aos arguidos) a dissabores maiores.
Tudo isto para dizer que José Sócrates é totalmente desprovido de educação, é um verdadeiro arruaceiro, um primitivo cuja falta de escrúpulos lhe encheu os bolsos e ergueu o tom de voz e a desconexão do discurso. Não obstante, um ex-primeiro-ministro desta República o tempo bastante para conhecer os mínimos protocolares. Sem perdão, portanto.
Do que me tenho apercebido passar-se, dentro e fora da sala de audiências, jamais pensei ser possível. No exterior, enfrentando a horda de jornalistas propalando os maiores dislates em tom de desafio, o nariz já enrolando e estrafegando a pobre ponte Vasco da Gama. Lá dentro, poisando os seus calhamaços à sua frente e explicando à Presidente do Colectivo como se propõe conduzir os trabalhos. A sua exposição, que já anunciou longa e em relação à qual impõe a todos os agentes judiciais não o interrompam.
Hoje foi só o primeiro dia. Intuamos o que se avizinha... Oxalá o tribunal esteja à altura e a magistrada que o preside não desmereça das suas colegas que, mais que os seus colegas, gostam pouco de não serem prontamente obedecidas.
A procissão ainda vai no adro. Os milhões de Sócrates ainda terão farta aplicação. Quanto terá ele pago a Paulo Pinto de Albuquerque pelo vergonhoso parecer que este deu em seu auxílio?
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