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O "direito à indignação", um direito orweliano

por João-Afonso Machado, em 21.10.21

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Todos recordarão os últmos tempos do cavaquismo, fatalmente acossado pelo Presidente Mário Soares e pelo "direito à indignação" que criou e constitucionalmente consagrou.

Foram os tempos do famoso buzinão na Ponte sobre o Tejo, cujas portagens haviam sido aumentadas.

Não muito depois, chegaram as SCUTT's, uma das mais formidáveis mentiras da política portuguesa. E seguidamente a bancarrota socrática, de pronto transformada no pecado da austeridade, cometido por Passos Coelho. Quando o País já erguia a cabeça - a rasteira eleitoral de Costa e a sua geringonça...

O que sempre ficou - fechado à chave - foi o dito "direito à indignação", da exclusiva titularidade da Esquerda. Que o usa na perspectiva de George Orwel (in 1984) - «se toda a gente aceitasse a mentira que o partido impunha (...) então a mentira passaria à História e tornar-se-ia verdade».

Ao longo dos anos, esse o grande trunfo da Esquerda, através de uma Comunicação Social muito bem orquestrada.

Só agora, com as redes sociais e a espontaneidade que consentem, o fenómeno tem vindo a ser invertido. Mais a mais, porque o PCP e o BE têm de estar à altura do seu eleitorado da Área Metropolitana de Lisboa.

Em suma, Costa sem uma bazoca que o proteja, o País a queixar-se de mais e mais falhas e, entre estas, como já não é possível esconder, o encerramento à vista do SNS. Pelos seus criadores!

 

Uma aldrabice chamada OE

por João-Afonso Machado, em 15.10.21

Ainda demorará mais de um mês a discussão parlamentar de uma das maiores inutilidades da República - o Orçamento de Estado. Um pequeno invólucro que Ferro Rodrigues exibe, no acto da sua entrega, com a maior alegria "ética" e contém páginas e páginas de números sobre números, nada mais valendo - actualmente - senão um "braço de ferro" entre o Governo e a Esquerda sua aliada.

Somente tudo serve para aferir lealdades - por um lado; para levar para casa (leia-se: para o sindicato) a consciência do trabalho feito - por outro; e para se consolidarem vitórias sobre a Direita, para se manter bem viva a chama revolucionária - em suma.

Orçamentos, rectificativos ou suplementares (os que serviam para acudir a situações imprevistas ou a negociações menos realistas), já não há, desde que Centeno inventou as famigeradas cativações e outros instrumentos congéneres. E, quem diria?! - como os números se prestam à fantasia...

O que há é a subida dos preços dos combustíveis por razões absolutamente tributárias; há os médicos e os enfermeiros do sector público em sucessivas greves: o SNS (o nosso sistema de saúde, por que a Esquerda tanto zela) exige uma carga de trabalho insuportável, não paga e não dispõe de meios nem oferece garantias aos doentes; há também os professores a reclamarem contra um Ensino inepto; há, finalmente (e por causa do permanente aumento nos combustíveis), um custo de vida que se agravará por todo o ano de 2022.

Mas o que é isto se o salário mínimo, com eficazes arautos a proclamá-lo, vai crescer uns eurozitos?

Foi muito, quando Costa inventou a gerigonça. Agora creio não será mais. Recordando Sócrates e toda a movimentação social de 2011, é provável que a "paz" que Marcelo tanto almeja, e lhe permite continuar a distribuir afectos, esteja por quase nada.

Nota: ando tão pouco de carro que pessoalmente a questão dos combustíveis não é importante; disponho, felizmente, de meios de ser tratado num hospital particular; e já não tenho filhos em idade de estudos. Não, as vítimas as aldrabices da Esquerda vão ser mesmo os mais pobres e desfavorecidos.

Nuno Melo

por João-Afonso Machado, em 10.10.21

Anunciou a sua candidatura à liderança do CDS e não tenho dúvidas a alcançará. Enfim, eu não navego as águas democratas-cristãs deste meu conterrâneo, aliás monárquico também. Mas entusiasma-me o regresso de Nuno Melo à  política local, esta que aqui se pratica sob a cruel vigilância da Esquerda.

Nuno Melo é uma voz forte e desembaraçada. O ideal para os tempos que correm onde Costa é uma espécie de travesti, de manhã no Governo, de tarde por essas autarquias além e, à noite, um honrado estadista.

O CDS terá a ganhar com Nuno Melo, claro. Mas não só o CDS: desde o Chega, que ou por cautela ou por medo, já foi rotulado da "extrema-direita" - um partido sem ideias, apenas um partido de protesto - até à IL, ideologizada em demasia, a necessitar tornar-se mais acessível ao eleitorado. Isto sem contar com o principal - o PSD, entretanto não já de Rio e, por isso, decerto mais assertivo em relação ao PS.

As autárquicas deram o sinal, o País não é propriedade da Esquerda. Só precisa é de vozes mais altas, se for o caso mais demagogas (excesso meu de linguagem, entenda-se), mais subtis e carregadas de ironia. Ainda recentemente se viu Costa enfurecido no Parlamento... Tal só acontece quando sente o chão fugir-lhe debaixo dos pés.

Bem vindo à barafunda, Nuno Melo!

Viva Paiva Couceiro!

por João-Afonso Machado, em 05.10.21

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Pessoa amiga ofereceu-me cópia de um extraordinário postal dos tempos da breve Monarquia de 1911. Estão lá os sêlos de correio então emitidos; mas estão lá, sobretudo, as duas bandeiras - a do Constitucionalismo e a do Legitimismo. E no cruzamento de ambas, a palavra "PAZ".

Quem não esteja inteirado do problema e o quiser averiguar, faça o favor de ler a História da época e do acontecimento. Para os restantes, uma citação do Prof. Doutor Jorge Borges de Macedo:

«Tudo continuou mais ou menos na mesma... O Rei foi o grande prejudicado, teve de sair para nunca mais voltar. A Nobreza, aparte uns sobressaltos urbanos, ficou sempre com a consideração do bairro e o crédito dos merceeiros».

Cruel, mas verdadeiro. O monarca em apreço é D. Manuel II. Poucos anos volvidos, o Conde de Vila Flor, presidindo à Causa Monárquica, escreve-Lhe: «A união de todos os monárquicos é uma quimera. (...) lavra o espírito de divisão, que afinal é o morbo que mais convulsiva as sociedades tradicionais».

Não vale a pena auto-flagerarmo-nos. O apelo de Paiva Couceiro à união em volta do Rei reinante, século e meio volvido sobre a Guerra Civil, caiu em muito pouco. O que é nada, comparado com a actualidade. Há quem já tenha descoberto uma bandeira azul-vermelha (parece que simbolizando as cores das tropas miguelistas...); há loucos a proclamarem, restaurar-se a "monarquia" e escolher-se o rei depois. As redes socias, escusado será dizer, cobrem todos estes dislates...

Permanecem os de sempre, desinteressados do mais além da Nação...

Monárquicos: quantos somos? Unidos em Portugal e no representante da nossa Casa Real?

Monárquicos: o que queremos? Aqui posso falar por mim - reunir, manter a crença dos monárquicos da minha terra. E só.

Se for assim, Província fora...

«A extrema-direita» do ginásio

por João-Afonso Machado, em 03.10.21

Em boa verdade, sou desconhecedor (mas adivinho-o) do treino psicológico nazi - SS, Gestapo - antes e depois da tomada do poder por Hitler. Mas, acredito, a violência fosse um meio, não exactamente um fim. Do autocrata Salazar deverá dizer-se o mesmo - os mais abjectos procedimentos pidescos visavam sempre uma informação, uma confissão. E tudo isto era o mau bastante, a chamada "extrema-direita", algo cuja essência se pode, e deve, um dia discutir.

Hoje, em Portugal sobreveio uma «extrema-direita» assumida com tal, não ideologizada, mas ginasticada. É a «extrema- direita» do músculo, da pancada, do assassinato. Quantas vezes com emprego na porta das discotecas... E das tatuagens e dos Black Angels. Da absoluta ausência de um cardápio político organizado. Da criminalidade, enfim.

Se tudo era mau, agora é pior. Abundam em exagero "Mários Machados" à solta numa sociedade onde o foro competente para os açaimar seriam os tribunais.

Em boa verdade, a extrema-direita é morta, afora um ou outro sobrevivente salazarista de impecável fatiota. E a Direita - que é a democracia pluralista e fustigada - vê-se atormentada por colagem a malfeitores, e pelo uso que dela faz a Imprensa, sempre servil ao totalitarismo socialista e maçónico.

Em suma, a República portuguesa alonga-se na sua tradição anti-democrática vinda de 1910.

Moedas sem esperar o troco

por João-Afonso Machado, em 27.09.21

Carlos Moedas ganhou a autarquia lisboeta, contra todas as expectativas! Por isso presidirá à mais ampla municipalidade portuguesa e estará na frente do que tantos - Sampaio, Marcelo, Santana, Costa - conceberam uma vitória antes de se lançarem em rampa mais ascendente..

Costa - de cognome "o versátil" - nas suas sorridentes intervenções da noite eleitoral, falou como um papagaio, só para minimizar o facto da  derrota do PS em Lisboa. Sorrindo sempre. Como se antes jamais tivesse mencionado a importância simbólica de uma vitória autarquica na Capital. Está-lhe no sangue, não há outros considerandos.

Mas todos sabemos, Lisboa, 1,5% da população nacional, é o grande aferidor.

Resulta de tudo, a preocupante circunstância de os sete vereadores da candidatura de Moedas se igualarem, com esse número, do de Medina. Acrescem os dois da CDU e o solitário do BE.

Está formulado o problema. Já todos conhecemos o fanatismo da Esquerda. por natureza - sempre sempre, ad eternum - populista. E se o PS facilita os projectos de Moedas, aí temos o Orçamento de Estado em crise.

É questão das piores, a Esquerda não quer deixar de amamentar Lisboa. Carlos Moedas, simplemente pelo seu discurso de ontem, vale a fiança de toda a gente. O grau de estadista (que hoje vale nada) poderá ser-lhe atribuido com o maior mérito.

A Nação espera por Gouveia e Melo

por João-Afonso Machado, em 20.09.21

A tempestade parece amainar. Longe vão os cinzentos tempos de terror, esses tempos em que só se só se saía de caso no caso extremo de prover à subsistência, todos mascarados a fugir uns dos outros, e de olhos postos na televisão, nos resultados diários da catástrofe. Falo, evidentemente dos inesquecíveis muitos meses de pandemia.

O mundo lá se conseguiu reorganizar (terá conseguido?...). Entre nós, formou-se a dita task force e chamou-se a comandá-la o Almirante Gouveia e Melo.

O Almirante não virou a cara ao desespero generalizado. Surgiu de camuflado, mangas arregaçadas, e tomou conta das tropas. Sereno, sem palavras meias, com objectivos e resultados. Jamais vestiu o fato, ou a farda principal, e a palavra enfatuada.

Seria de reparar, já não há memória de uma intervenção - sobretudo num momento grave assim - de alguém e de tanta eficácia como a por ele demonstrada. Acima de tudo, pacificante.

Tenho para mim, não ficou na História recente uma pessoa tão capaz. E tenho ainda a intuição de que o Almirante Gouveia e Melo não se identifica com a República. (Está bem, seguiu a carreira das armas, jurou servir  a Pátria. Também, como ele, o Almirante Canto e Castro, monárquico assumido e Presidente daquela desgraçada.)

É claro, no próximo 10 de Junho, senão antes, aí vem uma grã-cruz qualquer para o seu peito.De alguma Ordem antiga, que o Regime fez sua e agora distribui às mãos largas.

A dar-se o caso de Gouveia e Melo recusar a medalha - a migalha - temos caminho andado para que a República comece, finalmente, a ficar de rabo ao léu.

Oxalá!...

 

Jorge Sampaio

por João-Afonso Machado, em 10.09.21

No início da manhã, subitamente, a notícia que ninguém estranhou: Jorge Sampaio tinha morrido. Paz à sua alma, sentidos pesâmes à Família, e que resignadamente suporte este doloroso momento.

Foi decretado luto nacional de três dias. Percebe-se e aceita-se.

Após o que nos caiu em cima a costumeira chuvada de depoimentos e comentários, estranho modo de a Comunicação Social e os ditos mais próximos fazerem o seu luto.

Houve até quem realçasse a figura de estadista que foi Jorge Sampaio... Insisto: com todo o respeito pelo defunto, Jorge Sampaio jamais foi um estadista. Confesso: muitas vezes me perguntei como conciliaria ele as suas ideias, o seu modus vivendi, mas eis o que agora nada interessa.

Interessa sim, altura houve em que Jorge Sampaio foi considerado o melhor advogado lisboeta. E, realmente, o seu escritório (seu e dos demais Colegas) foi pujante. Contam-me ainda, era na barra que Jorge Sampaio brilhava.

Do meu ponto de vista, foi esse o seu estilo na política. Avaliando sempre o adversário, afinando a estratégia, aguardando o momento exacto para desfechar o argumento fatal. Nesta sua habilidade, Durão Barroso (talvez...) e Santana Lopes (seguramente) cairam como uns patinhos e abriram as portas ao socratismo. Só mais nada. 

O estigma das touradas ou o atentado à nossa gente

por João-Afonso Machado, em 01.09.21

Quero ir à minha vida e a falácia política não deixa!... Concretizando: hoje mesmo, final da manhã, num desses canais que dão o que tiverem a dar ao Poder, discutiam-se as touradas. Intervenientes, além da senhora do programa, um cavalheiro hábil na palavra, não a deixando resvalar para o outra participante, uma senhora, deputada independente, que se perfilou nessa tolice chamada PAN.

O tema, adivinha-se qual é...

Fiquei com a vaga ideia que o dito debatente era Secretário de Estado. Eu daqui lhe envio os meus parabéns. Havia um telefone para o público ao qual tentei aceder - coisa rara! . sem conseguir. Havia uma panóplia de imagens: manifestações contra as touradas, repletas de algumas dezenas de imbecis que tentavam tourear a polícia; e outras do espectáculo, - se calhar por mera coincidência relembrando somente faenas do agora controverso João Moura (porque não Ribeiro Teles, Rouxinol, Ana Baptista e quejandos?)

O dito senhor explicou tudo tintim por tintim, realçando que a cultura nossa é nossa e não é a A.R. que a determina. A senhora deputada mastigava os direitos dos animais, ruminava-os como um bovino qualquer.

Depois, - azar dos azares - os comentários telefónicos dos seguidores do programa, apontavam todos no mesmo caminho... O das modas.

Sendo a questão muito simples. Vou começá-la - imagine-se! - na ictiologia. Nos peixes. Nesses desgraçados que, pescados à linha ou no arrasto, padecem longos minutos de asfixia fora de água! Alô defensores dos animais?!

E nos aviários. Nessas centenas de milhar de pintos e frangos, todos de pena branca, nascidos e crescidos, sem espaço para se movimentarem, em pavilhão estreito, onde engordam e são mortos, rumo aos supermercados. Alô defensores dos animais?!

E no gado leiteiro, acorrentado às grades, comendo ração e despejando leite, até ao dia destinado à sua morte. Alô defensores doa animais?!

E, ao invés, a defesa contra a extinção de espécies - o lince, o grifo, aves diversas, o lobo e tantas outras? Silêncio total. Alô defensores do animais?!

Tudo é demasiadamente óbvio. A tourada é - goste-se ou não - parte integrante da nossa Cultura. E é esta que interessa destruir, por decreto. Em nome de uma pretensa cultura uniformizada, urbana, incaracterística, massificada. O PAN é a guarda avançada, gramnschiniana, de um pretenso mundo novo, em que o que interessa é isso mesmo, o mundo novo, despojado de tradições.

Daí as minhas ganas em conseguir o telefonema, no dito programa, que me foi inviabilizado. E o meu renovado amor à tauromaquia! O mister Costa terá de lidar com esta tensão. Certo é, o PCP é o principal aval da Festa Brava. Eles que vão para as autarquias do Ribatejo e Alentejo anunciar que a tourada é morta...

 

Retaliação ou vingança - eis o problema

por João-Afonso Machado, em 30.08.21

Na sua rigidez teocrática, o Estado Islâmico (finalmente sediado), não será, porém, capaz de se governar a si mesmo. Jamais! A óbvia consequência resulta na insegurança e no medo em que há de ficar o mundo inteiro sofrendo, sempre na expectativa de uma brutalidade qualquer, em qualquer indeterminado lugar.

Assim o demonstra o recente atentado ao aeroporto de Cabul, e mesmo os mísseis hoje disparados, mas, ao que parece, neutralizados. Morreram, indiscriminadamente, ocidentais e afegãos e, de imediato, Joe Biden veio aos microfones informar o planeta - os americanos vingar-se-iam. E foi, - vingaram-se, utilizando belicista tecnologia de ponta.

Os EUA vivem, sempre viveram, no espírito e no procedimento dos seus Wyatt Earp e Pat Garret's. Sendo, já então, uma imensa potência guerreira, envolveram-se na II Guerra Mundial por retaliação ao cobarde ataque a Pearl Harbour. E estiveram no Vietname com a mesma postura com que quase exterminaram os peles-vermelhas...

Contudo, o seu poderio militar é uma salvaguarda nossa, europeus. Tal como a habitual sensatez do aliado britânico, sem cuja Commonwealth ficaríamos muito pequeninos. De um lado e do outro, devia resultar a lucidez do estado de guerra em que vivemos. Um novo tipo de guerra, mas isso ao caso interessa tanto quanto os combates de trincheira de 14/18, por comparação com a blitzkrieg de 39/45.

Entre o fundamentalismo religioso e os ódios étnicos do "deserto", a paz é uma ilusão para americanos, europeus, Oriente islamita e o que mais der na cabeça daqueles loucos. Sejamos crus: a guerra é lícita se o desiderato for a dita paz. Churchill assim o disse, sem rodeios, quando o Reino Unido enfrentava sozinho o poderio nazi. E não foi em conversas, exigiu a capitulação, a total rendição. Entre estes facínoras talibãs e Adolf Hitler, ainda não consegui perceber onde o mundo livre vislumbra diferenças...

Os quatro militares portugueses em Cabul

por João-Afonso Machado, em 25.08.21

Há notícias assim, no meio da catástrofe têm o condão de nos fazer rir. Vão para o aeroporto de Cabul quatro soldados portugueses ajudar a impor a ordem! E o ridiculo estala em gargalhada.

Ou talvez não. Porque vejamos: portugueses no Afeganistão, felizmente já regressaram todos. E a adiantada explicação de que Portugal apoiará, dará asilo, a quantos afegãos com as nossas tropas colaboraram - designadamente intérpretes - faz confissão plena das mais negras expectativas. Não voltar atrás, in casu,  é tão somente o mundo dito civilizado assistir impávido e sereno a mais um genocídio.

Os EUA mantém, a propósito, a sua ambígua posição. O Reino Unido, França, a Alemanha pressionam agora Biden (que deixa uma saudade imensa da família Bush). As boinas azuis da ONU não bastariam para conter a matança?

Tudo se faz na devida proporção. Os quatro soldados portugueses espera-se emparceirem com as quatro centenas britânicas e os mais necessários. Em nome dos desgraçados afegãos - as imagens no aeroporto dão bem conta do seu terror - e de nós próprios. Porque o Estado Islâmico tem agora o elemento de facto que o Direito Internacional exige para reconhecer um País - um território. Aliás, com as melhores condições de refúgio das forças terroristas, como está amplamente demonstrado no correr dos séculos.

Entre Repúblicas

por João-Afonso Machado, em 12.08.21

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Contas feitas, uma "senhora" francesa, supõe-se que em férias por cá, desenhou em letra da melhor forma uma mensagem política no lisboeta monumento aos Descobrimentos..

A dita, requintada, "senhora", com formação académica superior, não se conteve em meias palavras. Sumariamente, acusou a nossa História e os seus personagens maiores de ganância, lambuzada em África e no Oriente.

Esse período, dito "dos Descobrimentos", decorreu nos séculos XV-XVII.

Por isso, é claro, nós, portugueses, podiamos retorquir com uma vastidão de argumentos. Desde logo, o de Napoleão (século XIX) e o que a sua rapinácia levou da riqueza nacional: ouro e ouro, prata e prata; mais o melhor da nossa arte religiosa e civil.

Mas não percamos tempo com a traste. Imaginemos, somente, um português rabiscava a Torre Eiffel a cause de um protesto qualquer. Se apanhado, iria logo preso. Se identificado a posteriori, a República francesa exigiria contas ao Estado português. E nada mais verdadeiro do que isto.

E nós?

Creio - e oxalá me engane - a República nossa pedirá vénia à sua irmã mais velha, e vagamente protestará. Decerto, condescendentemente, o protesto será recebido e respondido, na linguagem própria da Diplomacia. Ponto final.

Parênteses: os encargos da lavagem do monumento serão por conta da Câmara Municipal de Lisboa. Dos lisboetas. Elaborado o Orçamento de Estado, de todos nós.

Assim decorre o "patriotinheiro" desempenho desta nossa subserviente República. 

 

Handling...

por João-Afonso Machado, em 05.08.21

A TAP requereu a falência da privada Groundforce. Uma falência, uma falácia - a TAP é maioritariamente detida pela República. E a República, dotada de todo o tempo de antena, dirá a propósito o que lhe vier à cabeça pela voz do Governo, sob os bons auspícios da Comunicação Social.

Pois, como referi, os tribunais decretaram a mencionada falência. (Fica por saber até onde o Poder Judicial é realmente independente do Poder Executivo...) Neste comenos, logo se ouviu o mais ajavardado ministro, Pedro Nuno Santos, explicar que os postos de trabalho na Groundforce estão salvaguardados. Mais não seria preciso para confirmar o envolvimento de Costa e dos seus energúmenos neste imbróglio.

(Tenha-se presente, o ministro falou, mas a sentença ainda não transitou em julgado; tenha-se presente, também, o processo, de natureza urgente, - logo, correndo em férias judiciais - impossibilita o Parlamento de tomar posição no tema antes de Setembro.)

Cá com o PS é assim...

Caminhos sofisticados... Indo pelas vias mais rápidas e melhor iluminadas, o Governo quis acabar, tão simplesmente, com a Groundforce. Dar a paulada final no "privado". Pedro Nuno Santos não aspira a outro desiderato. E, entretanto, vai despedindo enquanto promete manter os vínculos laborais. Tudo faz em conformidade com o que tudo assanhadamente criticaria se fosse iniciativa de outrém. Na naturalidade com que conduzia o Porsche seu que os mentores de imagem lhe recomendaram vendesse, porque - bem vê... - o comedimento...

Em suma, quando a TAP for em definitivo nacionalizada - essa a sua questão de princípio - aqui estaremos para analisar a proeza. Julgo não pensar errado ao dizer: mesmo então, as proclamações da Imprensa serão uma água benta sobre estas mudas transvias da desprivatização. Mas então, já esquecidos, os portugueses, resmoneando contra o Destino, procurarão alternativas de voo sem tugir nem mugir contra o Governo.

Assim se governa à socialista. E este é o nosso fado...

A pessoa, o militar e o político

por João-Afonso Machado, em 26.07.21

I - Morreu, já de idade algo avançada, o cidadão Otelo Saraiva de Carvalho. Espera-se, com o menor sofrimento possível. À sua enlutada família são devidos, e endereçados, pesâmes. Ao próprio, o sincero desejo que descanse em paz. Deus o guarde.

II - Morreu o coronel Otelo Saraiva de Carvalho. Conforme se historia, foi o brilhante estratega do golpe militar que pôs cobro à II República. Uma manobra que comandou a partir do denominado "centro de operações da Pontinha", a qual, graças à dedicação e ao sangue-frio dos oficiais no terreno e à pronta adesão dos portugueses, generalizadamente, não foi sanguinolenta. Ignora-se se o falecido perfilhava, já então, a ideologia social-democrata que mais tarde disse ser a sua.

III - Morreu o político, ainda fardado, Otelo Saraiva de Carvalho. Do que dele é inquestionável tudo se resume a terrorismo, mormente após a sua célebre viagem a Cuba. Comandante do COPCON, aprisionou arbitrária e desabridamente; dirigente partidário, apelou à violência; chefe revolucionário, pesam-lhe nas costas a morte de quase 20 pessoas, mais um número indeterminado de feridos - e de famílias enlutadas. Foi julgado e condenado a 17 anos de prisão e posteriormente amnistiado.

IV - À inferior condição da gente governante e partidocrata portuguesa apenas sobreleva o que, exactamente, não dependeu dele: o desfecho do movimento das tropas na rua. E ninguém proclama o óbvio: felizmente para Portugal, o militar e político Otelo Saraiva de Carvalho há muito havia morrido. O cidadão, repete-se, - durma tranquilo o  seu sono eterno.

Sernancelhe, enfim à luz do dia

por João-Afonso Machado, em 23.07.21

Cheguei de manhã, pronto a batalhar com o indígena e regicida Aquilino. Para lhe roubar a terra, o coração, de todos os portugueses uma alma pretenciosa, apontando-lhe o ricochete do tiro mesmo no coração desta vila antiga, sede de concelho no distrito de Viseu. A minha arma, - somente a caneta, mais a magia da máquina fotográfica. É pouco. Aquilino escreveu as serranias, o vale do Coa, e as minhas palavras não descem além do vilório granítico. Assim o pelourinho duocentista se me plantou firme, na praça principal - Aquilino esquecido, o malandro, - nas eras eternas em que a voz do povo sempre mandou.

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Em seu redor, o casario dos de lá. Vivo, sempre vivo. Pedras que o Tempo nada deve à História; histórias a quem o tempo deve explicações. Valha o caso da Casa da Comenda de Malta!

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E, digam os compêndios, a nascença do nome, por que amargas margens não reside nele um orgulho, qualquer boaventurança do berço do regicída Aquilino.

(Vivemos, hoje ainda, almas que ele quis profanas de maldade engatilhada em pontaria de assassínio.)

Mesmo a ladear a Matriz, velhinha nascida no século IV. Os sinais românicos apontam para gerações anteriores. Não importa, reside ali uma realidade sobretemporal, santa, sã e sineira.

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Onde? - as marcas dos castigos, da sobranceria dos poderes, das vergastadas nas costas dos mais fracos? Sernancelhe descansa neste cimo e renova-se onde as gentes vão à fonte. E conversam e livremente explicam a sua terra, o seu devir. Toda a sua crença em amanhã.

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Não, em Sernancelhe nada condiz com o mundo macabro de Aquilino.

Há é muito para reconstruir. Ruínas datadas de quando? Tudo o abandono leva, menos os pétreos esqueletos que a pobreza mais recente deixou ao léu. Há sintomas naqueles arruamentos estreitos a que eu chamaria "esperança".

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Ou, talvez, desconfiança... Transmitiu-me o gato local, posto no que terá sido janela rasgada, grandiosa, esse medo medonho. Os animais são os iniciais presságios dos desastres; e serão, decerto, os últimos a compreeender a bonança.

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Assim a calçada me levou ao morro maior e aos vagos dizeres de uma castelania suposta. Subir o escadório foi uma aposta nos pulmões, apenas onde se circunvizinhavam restos esparsos de muros, muralhas e degraus.

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De uma fortificação - que terá defendido os antepassados de Aquilino e passou ao lado do Malhadinhas. Porquê? - porque a jactância do Mestre viajou até ao Minho, a Romarigães, lugar benigno em que se aconchegou em casa nobre. É sempre assim...

E em Sernancelhe ficava a velha vila, inspiração de males essencialmente políticos. Outrora grandiosa com episódios menos claros, fonte de investigações, quais as passeatas dos malteses por ali? Como queiram, a velha vila lá está, muito alargada, subindo nos andares dos prédios de hoje. Mas na sua paz e no seu sossego.

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Antiga, reservada (sem me querer intrometer nem expropriar), talvez mais dos visitantes do que dos seus nativos que vivem cá em baixo, preguiçosos de ir lá ao cimo.

 

O Dr. Magalhães e Silva fez ontem as suas alegações

por João-Afonso Machado, em 13.07.21

Costumam os indignados de sempre condenar severamente os chamados "julgamentos na praça pública" em que a Comunicação social será uma gigantesca sala de audiências e o povo português um imenso tribunal colectivo.

São esses indignados, sensivelmente, os que também se insurgem contra as constantes violações do sagrado "segredo de justiça".

Curiosamente ontem, pela noite fora, Luís Filipe Vieira foi julgado e defendido/sentenciado pelo seu advogado constituido, o Dr. Magalhães e Silva. Em mesa-redonda, cercado de procuradores que nem de perto chegaram ao seu verbo falaz e sagaz, à força e ao poder da sua oratória.

Ontem, Luís Filipe Vieira saiu em paz, inocentado. Pergunta-se é como sucederam estas alterações do Código do Processo Penal em que a absolvição é decidida na televisão sem produção de prova e mediante, somente, as doutas alegações do seu mandatário, antes mesmo da audiência judicial. Afinal, não será tanto a Comunicação Social e o povo que julgam e condenam.

Simplesmente, apenas alguns - Vieira é um deles - gozam de especiais prerrogativas de "tempo de antena". Não creio, porém, as bastantes para evitar a sua condenação pelas instâncias judiciais. E já que nos baldamos em tudo, eu passo ao lado da presunção de inocência.

Da ponta do iceberg

por João-Afonso Machado, em 08.07.21

Chegados a este ponto, já tudo é óbvio. Ou quase tudo. A política, o mundo financeiro, o futebol... e sabe-se lá mais o quê e quem, andam de mãos dadas e as negociatas valem milhões e milhões que arrastam a Nação para um poço sem fundo.

Mais: a macacada é longa de décadas e só recentemente a Justiça parece começar a levar a sério os seus malefícios. Azar dos azares, ainda sem capacidade de actuar com a urgência que a situação reclama. A minha classe, a dos advogados, se encarregará de demorar os tribunais até ao tempo inútil do post mortem. (A propósito: estou reformado; para mim só processozinhos de lana caprina.)

Haverá ainda - indesejavelmente - o perigo, remoto embora, de alguma nova caça às bruxas. Almocei hoje com um senhor de peso na Cofina: os jornais julgam, e condenam, muito antes dos juízes, esse, em parte, o tema de conversa à mesa.

No entanto, de um modo geral, onde há fumo há fogo. Vieira há muito era comentado e personagem de histórias rocambolescas. Maquinações dos seus rivais dentro e fora do Benfica?... Afinal, tudo indica que não. Está detido por suspeita da prática de alguns quatro ou cinco tipos de crime diferentes, com um denominador comum - o dinheiro.

Em simultâneo, vai outra constatação: a vigarice está estratificada: tem os seus criados de quarto, os seus mordomos, uns comendadorzitos pelo meio e, finalmente os grandes senhores da República. A grande incógnita reside em saber - quem serão eles?!

Creio que nunca serão pessoalmente identificáveis. Um meu conhecido da mais alta confiança contava-me o outro dia que um enviado de Angela Merkel para resolver o imbróglio dos submarinos não tratou com Portas (então ministro), mas com um dignitário do PS que entretanto morreu (razão porque não estampo aqui o seu nome), obviamente uma figura de topo na Maçonaria.

Et voilà, eis-nos no cerne da questão. Estamos falando duma portugalidade em agonia já desde o século XIX. Agora talvez defunta. São monárquicos? São republicanos? São da Direita? São da Esquerda?

São tudo o que se lhes afigurar necessário para conquistarem a riqueza e o poder. Transversalmente aos regimes, aos sistemas e às ideologias. Conquanto seja verdade, o mundo burguês, mesquinha e hipocritamente Liberté-Egalité-Fraternité, encontre as terras de melhor cultivo seu nas amplas searas da República. Está demonstrado pela História, desde a França de 1789, embora eu saiba que Pedro Adão e Silva discorda de mim...

Novas ementas, restaurantes exóticos

por João-Afonso Machado, em 29.06.21

GRILO.JPG

Acabo de ler nos jornais, alguns insectos a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária vai consentir na sua «produção, comercialização e utilização na alimentação»!!!

Assim acabo de aderir ao PAN!

Pobres insectos, aliás desvastados pelos adubos químicos nos campos! E que saudades dos tempos em que as tocas dos grilos eram aos milhões, e um breve xixi os punha cá fora e uma folha de alface, na gaiola, os fazia "cantar" o Verão todo!

O meu (de agora) PAN esqueceu essa benesse da Natureza.

Contas feitas, sete espécies de insectos poderão ser comidos - cá, não nas Arábias. A saber: duas de grilos, outras tantas de gafanhotos e de larvas (???) e uma de besouros.

Que delícia!!!

Enquanto a estupidez não deu conta, definitivamente, da Nação os bicharocos serviam muito para pescar trutas. Era mais substância, por troca com menos seres vivos. Ah!, grande PAN, vamos acabar com os atentados às minorias! É desta!...

Caso não saibam, uma das larvas (dita da farinha) consentida comer é a da mosca varejeira: uma rapariga de bons hábitos, muito pousadia no esterco, nas lixeiras, e lambuzadamente necrófaga.

Os (as) desgraçado(a)s terão de ser comercializados ou usados inteiros, mas não vivos, ou moídos e não será permitido vendê-los «em partes ou extractos». Decerto por esquecimento, os fascistas (viva o PAN!!!) olvidaram a prévia passagem pelas Faculdades de Ciência, onde a garantia de qualidade será assegurada. É necessário criar a (socialista) CVIC (Comissão de Verificação dos Insectos Comestíveis)

Enfim, tenho muito mais a escrever. Mas, entretanto, vou ali à janela fumar um cigarro, atirando depois a pirisca para o passeio.

PAN! PAN! PAN!

 

Paradoxos

por João-Afonso Machado, em 23.06.21

O País continua vivendo entre as atoardas de Costa, o Europeu de futebol e as oscilações da covid.

Quanto ao nosso 1º, nada haverá a esperar. Nem já mesmo a bazuca financeira...

No mais, tenho algum medo o Europeu seja de mais rápido desfecho do que a covid. E se, porventura, for um Europeu de grandes alegrias e emoções, ainda venha complicar o dito imbróglio covid.

Estranhamente, nos jogos disputados há assistência e não se estabelece qualquer nexo de causalidade entre esse facto e o recrudescimento da doença. Aqui... acabamos de verificar que muitos com a primeira vacina já aplicada ainda vão contagiados parar aos hospitais. Fala-se numa hipotética 4ª vaga, no retrocesso dos desconfinamento, a indústria do turismo vive já em alarme. E a India e a sua versão covid são a mãe de todos os males.

Todos os dias aprendemos. Aprendemos, ao menos, que não conseguimos aprender.

O Ano 111

por João-Afonso Machado, em 16.06.21

COMEMORAÇÕES 5.OUT.jpeg

Lembro bem os 100 anos da velhota. Um grupo de monárquicos organizou um blog denominado O Centenário da República e deu uma coça nessa inefável comemoração. Não foi preciso muito, sequer teorizar: bastou trazer ao cimo o que a III República dizia da II, e esta da I. Todas elas nunca se entenderam e, em geral, se maldiziam, numa maldicência que se estendia ao âmago de cada uma, conforme a partidarite que as tomou.

Agora, no 111º aniversário, o momento seria também de festejo, a repetir no 222º soprar das velas. Datas assim têm significado, não é?

Pois não é (a frase traz à memória a sebenta de Direito Civil do saudoso Professor Castro Mendes). A gente voltava a cair-lhes em cima e as cerimónias oficiais tornavam a envergonhar-se ante a triunfal volta por Guimarães, com centenas de portugueses e El-Rei a pé, tudo sempre do modo mais espontâneo.

Uma lástima. Uma lástima sobretudo agora em que uma sondagem qualquer diz que 90% dos portugueses pensa o Governo é corrupto...

E o republicano Presidente Marcelo?

 



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




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