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A propósito de vitórias "poucochinhas"

por João-Afonso Machado, em 15.09.20

Não vale a pena voltar a António Costa e à Comissão de Honra da candidatura de Vieira à presidência do Benfica. Tudo é tão destituido de nexo que a conclusão possível é só uma: o espertalhão do nosso 1º para a frente apresentará os seus trunfos, que os tem de certeza.

Não é homem de inocências, nem de favores a amigos que não sejam retribuídos. Vive de e para a politica, exclusivamente.

Entretanto, surpresa das surpresas, o Benfica sai - o que muito lamento - da Champions antes mesmo de entrar. Não há canal televisivo onde este momento não se malhe forte e feio nos milhões de Vieira e nas exigências de Jesus.

Na próxima sexta-feira o Benfica vai jogar a Famalicão, onde ardentemente espero perca. E então - fica a aposta - Costa tornará ao tempo das vitórias "poucochinhas" e apunhalará Vieira como já apunhalou o seu camarada Seguro. 

Que não lhe passem pela cabeça, entretanto, "geringonças" futebolisticas...

Rui Pinto, hoje, o tema do mundo

por João-Afonso Machado, em 04.09.20

Como é sabido principia hoje o julgamento do pirata informático Rui Pinto. Está acusado da prática de 90 crimes relacionados com a sua actividade flibusteira. O resto da história todos a conhecem, certamente, tanta é a Ana Gomes e a televisão.

O verdadeiramente extraordinário, inaudito, são as medidas de segurança tomadas. Entre "binómios cinotécnicos" (delicioso termo), corpo de vigilância pessoal, polícia fardada e à paisana, vulgar, especial e especialíssima, dir-se-ia que o Daesh tinha implicado com o pobre Rui Pinto.

Mas não, o caso é mais com os angolanos e a Isabel dos Santos, quem vem engordando; e com o futebol, Bruno de Carvalho, Luís Filipe Vieira e desses assim; ou com o Marquês de Sócrates e outros habilidosos políticos.

Qual deles contratará bombistas ou snipers para silenciar o herói Rui Pinto?

De volta aos tempos da cassete

por João-Afonso Machado, em 31.08.20

A festa do Avante! diz muito, muitíssimo. Desde logo, diz que para um bom comunista não há argumentos, há cassetes encerebradas.

Mas diz mais e mais picaresco:

- A DGS (organismo sob a tutela do Ministério de Saúde) faz um relatório que recusa revelar aos cidadãos. Di-lo um apelo à consciência do PCP. Da tal agremiação de cassetes.

- O PCP queixa-se que a DGS é tendenciosa e o desfavorece. Só por aqui poderemos intuir o teor do documento, mas de imediato nos lembramos que Costa persiste na "Geringonça" e a discussão e votação do Orçamento estão aí à porta... Para bom entendedor...

- Uma invasão de 33.000 pessoas numa localidade como o Seixal é um semáforo vermelho imenso em qualquer praia, ou uma carga policial em qualquer rua de bares nocturnos.

- Independentemente das opiniões, eleva-se o facto: cerca de 40 comerciantes do Seixal (que não é propriamente a Baixa lisboeta ou portuense) vão fechar as portas nesse dia, por medo e precaução da pandemia.

- Esta, está bem visto, não impedirá a propaganda e o encher dos cofres comunistas. Avante camarada!

 

Um dia depois

por João-Afonso Machado, em 26.08.20

Já algum orgão da Comunicação Social referiu, António Costa e Miguel Guimarães, na célebre cimeira de ontem, tinham fumado o "cachimbo da paz". A isso estamos condenados.

No fim do tremendo conclave, ao que o cidadão médio consegue aperceber, Costa lavou as mãos como Pilatos. Guimarães disse mais, sobretudo defendeu os médicos envolvidos no "caso Reguengos". Não podia agir de modo contrário. Mas... palavras vãs. E cada um foi à sua vida.

Ouvimos agora os sindicatos médicos clamando contra o Governo. Na televisão. Serão fascistas? Fascistas de longo curso, como tal protestando desde as cativações de Centeno?

A resposta a estas interrogações será sempre a falácia de Costa. O abismo português também.

O "On" e o "Off"

por João-Afonso Machado, em 25.08.20

Finalmente! - vai uma diferença grande entre o que um político diz e o que ele pensa. Algo não desconhecido pela generalidade dos portugueses, como agora se confirma, e com as consequências eleitorais bem medidas pela abstenção.

Desta feita, a entrevista de Costa tem, à devida escala, a dimensão de um Watergate português.

Primeiramente, as palavras de circuntância. Já o episódio de Reguengos estava sob investigação, já a Ordem dos Médicos expusera as suas críticas, e Costa repudiava-as com o argumento jurídico da falta de competência para se pronunciar, via parecer, sob o assunto. E tudo - embora de evidente modo irritado - dentro do formalismo adequado aos trâmites legalistas.

Contudo, voluntária ou involuntariamente, já em privado, o seu pensamento veio à tona e foi divulgado - «gajos cobardes, os médicos».

No instante segundo, a Ordem reagiu. Diplomaticamente. Pediu uma reunião, que aconteceu. No fim da qual, Costa saiu dizendo esperava os mal-entendidos fossem ultrapassados.

O costume!

Desse cavalheiro, por natureza negociante, não havia a esperar mais. Aguarda-se é a resposta da Ordem dos Médicos (o Bastonário, Miguel Guimarães, parece dono de toda a confiança), em nome da nossa segurança e saúde.

Espera-se essa resposta - sem "On" nem "Off", apenas ditada pela verdade no nosso País.

Um minhoto na Capital

por João-Afonso Machado, em 19.08.20

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Com Lisboa repelindo já o invasor normando, ela aventurou-se cá fora, embuçada e cautelosa. Encontrei-a, por mero acaso, deambulando no Terreiro do Paço, quando cogitava se havia de atravessar o rio e dar um adianto no meu estudo sobre churrasqueiras nacionais.

Foi a festa do costume! Lamentavelmente, sem abraço nem beijinhos, conforme a nova moda do distanciamento social. Mas sempre tilintando das suas pulseiras, nada bronzeada, praias com semáforos e fitas métricas - não! E, cintilando, a ideia sua:

- Vamos a Cascais?

Eu acho, ninguém vai a Cascais depois que mataram o Rei e o Príncipe Real. Porém, como recusar? Fomos.

A vila estava animada. O mar chão, a Praia dos Pescadores muito colorida das traineiras. De súbito, um sulco cavado nas águas e a minha amiga gritando de excitação:

- Olhe o nosso Presidente! Lá vai ele salvar mais um afogado!

Sem óculos, cegueta e ofuscado pelo sol, ainda alvitrei:

- Não será um golfinho brincalhão?

(Gosto muito mais de golfinhos do que de presidentes da república...)

- Qual golfinho! É o nosso Marcelo. Aposto que está no mar alguém aflito e aí vai ele!

Imperava o silêncio. Àquela velocidade o presidente, com toda a certeza, ia chegar atrasado ao salvamento. E a vítima devia ter submergido já, atacada por um tubarão. (Negando-me os golfinhos, eu replico com carnívoros letais...)

Servisse o tilintar das suas pulseiras para incutir ao moribundo uma réstea de esperança, surgiam os bombeiros de Cascais, chocalhando a sineta do seu "meio terrestre".

E conclui: a nadar assim, tivesse eu trazido o maillot e o salvamento seria obra minha. Obviamente cederia, então, os meus créditos à Casa Real portuguesa.

Por qué no te callas?

por João-Afonso Machado, em 08.08.20

Sobre o Rei Juan Carlos, os seus últimos anos, a sua partida de Espanha:

É já excessivamente repetitivo aludir ao papel do monarca na consolidação da democracia (momento alto: a tentativa golpista de Milans del Bosch e de Terrero), na pacificação da nação e no seu crescimento económico. Foram muitas décadas. De repente, um elefante morto a destempo, uns negócios mal (- pessimamente -) explicados, e até se descobriu que, afinal, Juan Carlos é um mulherengo infrene.

(Oh Sr Ministro Tal da nossa República! Vocelência esta parte da história não comenta, pois não?)

Íamos, portanto, no ponto conclusivo de a Monarquia, que os demagogos - com o beneplácito da santa ignorância instalada - dizem ser de direito divino (!!!), traduzir, porém, cousa infernal. Comprovada em todos os países pobres europeus, sobretudo nos que levantam a cabeça à UE... Assim a Esquerda já vislumbra luz republicana ao fundo do tunel.

Convirá no entanto recordar, o actual Rei de Espanha é um homem novo. Gozando de um prestígio em que poucos não comungam. A transmissão do trono processou-se sem qualquer aparato ou balbúrdia. E, nas suas funções de Chefe de Estado, obrigado a escolher entre o Pai e o acusado de prevaricação, não hesitou: pôs o Pai longe do lugar das badaladas ilegalidades. Tirou-o da Família Real, que não da alçada dos tribunais espanhois.

(ALô, alô, instituições republicanas portuguesas - algum exemplo semelhante por cá? Alô, Paulo Pedroso, alô, Soares & Cª, alô PS, Sócrates, - ligação estabelecida?)

Agora a Esquerda vizinha (e a parolice da nossa imprensa) precipitam-se a averiguar para que milionárias arábias Juan Carlos terá partido, obviamente à custa do contribuinte que suportará os milhares de euros diários de estadias em hoteis de luxo.

Isto é o que se ouve.

Não se ouve, infelizmente, em Espanha a Esquerda  ser sobretudo o separatismo (catalão ou basco). Não se ouviu Iglesias ironizar com uma deputada do PP (a «marquesa»), mas ouviu-se, e houve indignação ético-republicana, quando a senhora, replicando, o disse filho de um terrorista da ETA. Que o eram - um terrorista, o outro filho.

Não se ouve, tão-pouco, recordar o célebre «por qué no te callas» dirigido ao - sabe-se agora - ditador Chavez. Que Marcelito nosso teria coragem para tanto, mesmo numa conferênciazinha dos nossos "palopinhos"?

O Sotavento algarvio, lugar de expiação

por João-Afonso Machado, em 23.07.20

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Das antigas Ordenações do Reino (Livro V, Tit. 3, §3º, Dos Feiticeiros) consta a penalização imposta a quem "alimentasse" certo tipo de superstições, mais não fosse, os malefícios provocados, por exemplo, por um sapo. Lê-se então naquela norma: «(...) E porque tais abusões não devemos consentir, defendemos que pessoa alguma não faça as ditas coisas (...) e qualquer que as fizer (...) se for escudeiro e daí para cima seja degradado para África (...); e sendo mulher da mesma qualidade, seja degradada três anos para Castro Marim (...)».

A legislação do Reino, imensamente mais sábia do que a da República, neste capítulo peca contra a igualdade de género, impontando os homens para o inferno africano e as senhoras conduzindo-as às delícias do sotavento algarvio. Mas as nossas amigas do BE rapidamente se encarregariam, volvendo nós ao regime das Ordenações, de, no Parlamento, corrigir esta distorção apontando o dedo a Casto Marim, visto Angola já não ser nossa.

Assim fosse, ou assim sendo, e repristinada aquela regra, eu próprio me confessaria imensamente supersticioso, v. g. vendo peçonha em tudo quanto viva da política.

E por isso fico aguardando uma condenação futura, uns tempinho de degredo em Castro Marim, terra encantadora.

 

Tão simples quanto isso

por João-Afonso Machado, em 06.07.20

O facto: Portugal está excluido dos corredores aéreos britânicos; estes contemplam 40 outros destinos.

A hipótese: assim sendo, com razões escondidas, o UK visa prejudicar Portugal, ou favorecer outrém.

O preâmbulo: uma gargalhada.

A "narrativa": basta ler a listagem dos países que são esses 40 paraísos de eleição. Senão pertencentes ao Commonwhealt, pelo menos sempre locais absolutamente fora das possibilidades da classe média/baixa britânica, ou então "frigoríficos" ainda maiores do que o UK.

Antevendo argumentos, destaquemos o caso espanhol - uma não proibição. Pois bem: é apenas um caso à parte - e não o fosse, o Algarve era história antiga, por tabela. Soma décadas o conflito hispano-britânico acerca de Gibraltar; uns e outros não se entendem linguisticamente, porque ambos não prescindem da sua própria; a cozinha espanhola está a léguas da portuguesa, a nossa simpatia bate a deles por muitissimo.

Por tudo, não haverá esquemas: o Governo de Sua Magestade Britânica quer o seu povo em casa. Assim definiu roteiros só para os ricaços. Não é propagado pelo vírus (o UK) e, já agora, também não o propaga. O mais são sonhos (portugueses) algures no Pacífico.

E, é claro, a gente não gosta. O Governo da República disse-o abertamente, invocando uma velha Aliança que em 1891 escarnecia e, em 1914, outra vez chamava a si, ante o desespero de Sir Alexander Haig, o chefe supremo das forças britânicas. Nestas circunstâncias, como esperar do UK mais do que a defesa dos seus interesses?

O futuro cheira a Ryanair

por João-Afonso Machado, em 03.07.20

Depois das furiosas ameaças de Pedro Nuno Santos, o mais tamanqueiro dos nossos ministros, assanhadíssimo em nacionalizar a TAP e reforçar os laços com o povo irmão do BE, eis finalmente algo de novo - uma seminacionalização, um enorme ponto de interrogação. E uma referência de Costa à redução de rotas que só pode deixar o Norte preocupado.

Contas feitas, o Estado abriu mão de 55 milhões de euros (decerto não a reinvestir em Portugal) para adquirir a posição de privados, reforçando em 22,5% a sua. Detém agora 72,5% do capital da nossa transportadora aérea. A seu lado ficaram apenas os próprios trabalhadores (5% das acções) e o império Barraqueiro.

Seria bom conhecer com que intuito, uma vez que se fala já na contratação de um grupo estrangeiro para estudar o futuro e a gestão,o relançamento da TAP!!! Onde estará a famigerada classe dos gestores públicos nacionais, ao longo dos tempos de memórias  tão tristes quão, às vezes, escandalosas?

Tenho para mim, o engenho do grupo Barraqueiro chegaria para relançar a TAP. Demonstraria uma especial sensibilidade para com as demais regiões do País, e mesmo para com as rotas tradicionalmente mais utilizadas. Talvez, até, não deixasse ir tão longe o desemprego na Companhia, que o próprio Costa temeu ocultar e lhe será pesado quando se concretizar.

Mas o Barraqueiro é um grupo privado, estando-lhe, como tal, vedado os louros do sucesso.

Depois "só" falta receber os 1200 milhões de euros vindo da UE para que, em definitivo, a esponja seja passada sobre o descalabro da TAP. É simples. Quase tão simples como a certeza que melhor será irmos ginasticando o ventre para cabermos no desconforto da Ryanair em qualquer voltinha que queiramos dar extra-fronteiras.

Eufemismos

por João-Afonso Machado, em 22.06.20

Para início, o que parece ser verdade: - mais coisa, menos coisa, o Governo de Costa lidou bem com a pandemia. Soube ser prudente e manter o sangue-frio. Disse umas mentiras, aqui e ali, mas o resultado final dos decretados estados de emergência foi francamente positivo.

Faça-se justiça!

Depois Costa percebeu - e bem - que o País não podia parar, urgia saísse de casa e desse andamento adequado à economia nacional. Até aqui, nada que se lhe aponte.

Ainda depois, "marcelou" o estado de calamidade. Foi onde as coisas começaram a correr mal.

Imagino eu: uma multidão citadina enfiada, semanas a fio, nos seus apartamentos. (Felizmente sem vagas de calor ainda.) Essa mesma multidão finalmente liberta, apenas com indicações de precaução...

Repare-se: a doença entrou em Portugal pelo (povoadíssimo) Norte, através de uns desgraçados fabricantes de calçado que foram a uma feira de sapatos em Milão. E durante árduos meses, o Norte era o mal dos males, só ele contabilizava mais doentes do que o todo do País inteiro (continente e ilhas). 

No aspecto nacional, a situação inverteu-se completamente. Hoje é a chamada região de Lisboa e Vale do Tejo quem está no cerne das preocupações governamentais. Cujos membros já alvitraram duas explicações para o fenómeno:  - a primeira, o problema do operariado da construção civil; - a segunda, aquilo que esses ilustres do Poder dizem ser «focos perfeitamente determinados».

Mentiras. Mentiras que matam.

Desde logo, e para não incorrer em acusações de xenofobia, basta ver a televisão. Os "comandos" da Linha de Sintra atacando a Linha de Cascais, descaradamente, sem máscaras, obrigando a intervenção das forças de segurança; os cercos policiais a uma série de bairros do crime que a Polícia vem fazendo ultimamente. Quem são os envolvidos nessas peripécias?

Depois as "festas" nocturnas. Em Carcavelos, em diversas praias do Norte, em Setúbal, em Lagos, em tantos outros lugares ao longo da nossa costa.

Troquem-se por termos interpretáveis a «construção civil» e os «focos determinados».

E sejamos sinceros:

A rapaziada olhou para os números. Percebeu que a doença dá, na esmagadora maioria dos casos, direito a umas semanas de duolce faire niente em casa. Mesmo os hospitalizados são uma minoria. Os casos mortais, outra minoria, menor ainda, incidindo sobre idades avançadas. E a malta quer é saber de Nikes e Adidas e que se lixem os cotas.

Depois é a propagação da doença. as tais semanas de repouso. E a continuidade do vírus.

Dispenso-me de considerações jurídicas. Dispenso Marcelo, já acredito mais em Costa. Isto é um problema do foro da polícia. Cães na rua, miudagem em casa.

Da Linha de Sintra

por João-Afonso Machado, em 31.05.20

Portanto, conforme ia a dizer, o Covid19 por cá se mantém, privilegiando agora os bons ares da Capital. Decerto farto da pouca limpeza e da ignorância dos nortenhos...

Marcelo, a avaliar pelo que se lê nos jornais, já repetidamente manifestou a sua preocupação em relação à Região de Lisboa e Vale do Tejo; remeteu vários recados aos «jovens»: que fossem prudentes, não participassem em «festas»...; e, em entrevista televisiva, deixou escapar a maior indiferença - nem dera por nada... - no multirrepetido (nos ecrãs) episódio ocorrido em Cascais, perto do hotel onde jantava com a sua família.

Um episódio em que protagonizava os "maus" um gang da Linha de Sintra (!). Viram-se facas mostradas com o maior desplante, capazes de matar um porco à moda antiga.

Ignoro se havia bródio na Linha de Cascais: isso poderia explicar o tamanho das facas, as guerreiras, ou festivas, indumentárias dos da Linha de Sintra, e até a sua presença no local, um encontro anual de Linhas.

Quem, no entanto, seguir a evolução dos números da pandemia diariamente, poderá constatar a fulgurante subida dos concelhos de Sintra, Loures, Amadora, Odivelas, Seixal, Almada, e de todas as mais Linhas que compõem a Grande Lisboa. Alíás, o propriamente dito concelho lisboeta não cresce a esse ritmo. Isto é: não estabelecer uma relação entre "Linhas" periféricas, violência das chamadas tribos urbanas e expansão da doença, simplesmente está a destruir todo o trabalho feito - sem meias tintas, de modo claro e firme, e estatuindo procedimentos adequados. E talvez apenas para não enfurecer as nossas Catarinas.

 

Teatro de revista

por João-Afonso Machado, em 26.05.20

A gente lê, mais do que os escritos ou os dizeres, as expressões. Aliás, entre o nosso macacal político, quase desconheço outra forma de leitura... Esse é um marco de experiência, a partir do qual é certo o gozo das previsões.

Tudo a propósito das declarações do Costa-manhoso, já não me lembro em qual fábrica, acerca da recandidatura do nosso Marcelo.

Passaram todas as semanas que eu quis antes de retomar o assunto. Além do resto, Costa fez a cortesia a Ana Gomes de a trazer para a ribalta. Distraiu, espicaçou a política. Coitada... que grande decepção a esperará!

Rememoriemos. No minuto exacto anterior à sua "coligação" com a Esquerda leninista-trotskista, o mesmo Costa deu o seu aval ao pensamento de Manuela Ferreira Leite. Com ele é assim - tão habilmente assim, que a gente esquece e nem dá pelo dito por não dito.

O candidato de Costa nas Presidências será o que for na altura. No limite, ele próprio, se os ventos soprarem para aí.

Marcelo sabe disso. Redarguiu impavidamente. Entre vichyssoises e vitórias "poucochinho", a vergonha já não se alcança no horizonte. Ambos se conhecem, em malandrice chegam um para o outro.

O PS, a seu tempo, designará um campeão para as Presidênciais. No meu modesto modo de ver, Costa teme um segundo mandato de Marcelo, um político com anti-corpos até para as áspides de Cleópatra. Não se entende porque os artistas do teatro reclamam apoios financeiros  - a peça está aí, no seu esplendor, a encenação é do melhor. Não há teatro em Portugal?

 

Valentina e o regresso à normalidade

por João-Afonso Machado, em 12.05.20

Todos saberão, chamava-se Valentina a infeliz criança barbaramente assassinada: «alegadamente» pelo pai e pela madrasta, num enredo que impressiona pelos requintes de insensibilidade e malvadez. Há 72 horas ininterruptas quase, a CMTV dá notícias sobre notícias acerca do crime de Atouguia da Baleia.

Até então, era o tema Covid19. A levar-nos à exaustão. Mas fique a ressalva: as intervenções do Bastonário da Ordem dos Médicos, de Roque da Cunha, Baptista Leite, e de mais dois ou três clínicos "sem papas na língua" dizendo da sua ciência, da sua verdade, na CMTV, decerto muito ao arrepio do gosto do Governo. O canal televisivo mais acompanhado em Portugal tem as suas vantagens.

Aliás, se é o mais acompanhado é porque também é o mais gostado. Os portugueses não prescindim de algo que lhes prometa tragédia, e o Covid19 já só quase era um lugar-comum.

E muita violência, nestas semanas de estado de emergência, terá sido cometida à revelia do conhecimento nacional. Assim vamos regressando aos nossos bons costumes - a actividade criminal para ser sugada até ao tutano, o escandalo político para tornar à tona. A propósito, parece que a formiguinha Catarina Martins encomendou a Quaresma a fábula da cigarra André Ventura...

Enfim, depois de Fátima, a apaixonante longa-metragem do Avante. Para já, apenas se discute o seu título (enqanto em Hollyood o cenário começa a ser montado), e a respectiva tradução para português - "Festa" não será... "Avante Cultura"?; "A Cultura e os previlégios"?; "Atalaia, a Atlântida cultural"? Não se sabe ainda. De certo, somente, a entrada nessa mega-produção ser livre, de borla, com o alto patrocínio da República.

Sobre as vagas da epidemia

por João-Afonso Machado, em 08.05.20

Com todo o respeito pelos colegas e comentadores que aqui têm terçado argumentos sobre a evolução da pandemia - num duelo em que não participo porque não sei manejar tais armas - devo confessar a minha estranheza por, exactamente na altura em que é levantado o estado de emergência, o número de infectados disparar para cima.

Desde 3ª feira, esse número sobe todos os dias. A explicação que hoje ouvi de um farmacêutico - estão a fazer mais testes - só contribuiu para aumentar a minha perplexidade.

Tendo por referência o meu concelho (V. N. de Famalicão) onde tudo começou muito mal, vejo-o agora ultrapassado por Loures, Cascais, Amadora, onde a doença está em nítida expansão.

E reparo também no crescendo de agitação social, sobretudo na chamada Grande Lisboa. E - fatalmente - na pronta intervenção das forças da Esquerda pela manutenção da desordem, a realidade que subjaz aos seus "cuidados" com os mais desprotegidos.

Não escreveria isto tudo para chegar à conclusão, a que quantos vêm chegando, de que a Covid19 recrudescerá em segunda vaga. Não, o meu propósito é outro:

Desde logo (vd. o episódio da mesquita da Amadora) assinalar um certo desgoverno emocional - espontâneo, sabe Deus fruto de quantas e quais carências - que não ajuda à disciplina recomendada. E assinalar casos de absoluta e consciente indiferença pelo regramento e interesse público, observável em «famílias», outrora «de etnia cigana», mais outrora ainda, «ciganos» tão-só.

(No que estou com o Sr. André Ventura, que se limita a dizer alto o que a maioria pensa mas cala no seu íntimo.)

Julgo, a situação social só tenderá a piorar. E por isso não acredito nessa vaga segunda vaga, mas numa vaga única, cujos efeitos económicos em Portugal e sobre os portugueses irão além das piores previsões.

Ou seja: os já "palpáveis" danos causados pela pandemia se encarregarão de a manter bem viva e mais incidente em Lisboa e arredores. Se é assim, ou não, veremos com a leitura diária dos números nestes grandes centros urbanos, mesmo comparando-os com os concelhos, tendencialmente mais sossegados, da Área Metropolitana do Porto por onde os males cá chegaram.

Fátima - 13 de Maio

por João-Afonso Machado, em 04.05.20

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Depois da académica distinção entre celebrantes e peregrinos - Portugal ri-se..., pobre Ministra - certo é, não haverá peregrinações. A Igreja, assaz mais nova do que o caduco funcionalismo público do Estado laico - mas tendencioso - num breve comunicado, aliás não gaguejado, disse-o claramente.

Como é evidente, o sentir e a Fé de milhões de portugueses representa muito mais do que o canino servir de uns quantos sindicalistas fretadores de autocarros. Estes sobrevivem ao som dos megafones. Os católicos, - nas suas convicções. E no respeito por quem os cerca.

Falar disto, para quê? Para nada. Ó Tia Nanda, não há quem mude a gajada, fora do punho erguido ergue-se o trabalho, as dificuldades, privações, incertezas de todos nós.

Esse o acento tónico da Esquerda. Da sua classe política. Nada resolve, tudo choraminga como uma virgem enganada.

 

"Memórias do cárcere" - III

por João-Afonso Machado, em 02.05.20

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A liberdade estava por horas e o carcereiro resolveu-se a uma breve prelecção sobre os nossos deveres de cidadão. A manhã era húmida, cacimbada, desagradável de todo, mesmo a pedir nos abrissem os portões, enfim.

- Que o mundo estava diferente -  dizia ele, o carcereiro. Que não podíamos aproximarmo-nos das outras pessoas... - ?!?!?! - E era obrigatório o uso de uma máscara na cara.

Bom, quanto a essa prática, muitos estavamos já familiarizados (pela minha parte, devo esclarecer, abandonei-a depois do tempo das brincadeiras do Zorro e do Tonto). O problema da aproximação ao próximo era mais complexo, sobretudo para os colegas carteiristas.

Mas o carcereiro não era homem merecedor de grande confiança. Treslia, inventava, titubeava, sempre numa vozinha ténue, assustadiça. Tinha uma estranha, comprometedora, paixão por lesmas, carochas, aranhas, toda a bicharada imunda que povoava as pedras escorregadias de paredes e chão dos corredores da prisão. Dos mais antigos, quase todos juram que o carcereiro conhecia essa parasitagem um por um, e a cada atribuiu um nome próprio. Nome de gente! No mais, é um inspirado cagarola, o carcereiro.

- Ó Sr. carceireiro, anda aqui um morcego! - ouvia-se de uma cela. - Na China parece que acompanha muito bem a caldeirada de pangolim... - ouvia-se de outra. E o homenzinho de voz ténue nada dizia, tomava cores de pânico e refugiava-se no seu cúbiculo. Em noites dessas, fumávamos à vontade e até jogávamos à batota.

Mas a hora de saírmos chegou por fim. Esquecido das recomendações do carcereiro, dirigi-me a um transeunte, que de máscara e luvas calçadas fugiu espavorido, os olhinhos dele, muito rotativos,  correndo à frente com se gritassem por socorro. Não se viam autocarros, gente, qualquer cãozito... Até que chegámos à Alameda, e aí sim! Camionetas por todo o lado, uma fartura de gente conversadora e animada, muitas bandeiras. Aos magotes, nos passeios, no meio da rua, até se ouvir no microfone uma voz autoritária, ordenando a formatura. Ei-los então, essas centenas de paisanos, dispostos militarmente, à distância regulamentar.

Foi o nosso primeiro espectáculo depois da liberdade - uma parada norte-coreana em Lisboa.

É mais forte do que eles

por João-Afonso Machado, em 30.04.20

O costume. A UGT alinhou pelas regras do bom senso, não intentando perturbar a segurança pública. Já a CGTP não nos poupa: cenário montado, na peça só não participam crianças e idosos, mas a manif do 1º de Maio faz-se. É claro, um comunista é imune e sem pais, sem filhos nem netos quando chegar a casa.

Haverá, portanto, a festança da Av. da Liberdade. Ou outra igual, a esforçar-se para ser diferente. Manda a ideologia.

E depois os remoques ao SNS. O PCP necessita sobreviver e o nosso Costa nunca terá cabedal para paralisar a programada marcha da morte. Numa angústia absoluta para ressuscitar a nossa economia, tudo consente, tudo a sua generosa barriga empurra para a frente. Está por minutos a fórmula alquímica por ele descoberta de acordos à esquerda...

(Acabo de saber os números infectados/óbitos referentes a ontem. Estes últimos continua(v)am a decrescer; aqueloutros quase quadruplicaram. É sabido, há um período medido entre a contaminação e o desfecho fatal. Ainda assim, o 25 é o 25 e o 1º é o 1º... Aguardemos estatísticas próximas.)

 

«Íamos mascarados para o 25 de Abril?»

por João-Afonso Machado, em 22.04.20

«Íamos mascarados para o 25 de Abril?» - parece terá sido um interrogação recente do dificultosamente na vertical Ferro Rodrigues.

De algum modo, espero que sim. O personagem em causa, por exemplo de Cinderela, Pinóquio, os Três Porquinhos, a Cinderela ou Huguinho, Zezinho e Luisinho, assim qualquer tenro apetite de que ele decerto gosta, e ameniza o baixo astral da sua presença.

(Ou, vá lá, do Tio Patinhas a amoedar em Sintra para fugir à bancarrota...) 

As orgias da oligarquia abrilesca

por João-Afonso Machado, em 20.04.20

Manda quem manda. O festejo do «25 de Abril tem de ser e vai ser» comemorado na AR, proclamou Ferro Rodrigues, à margem de tudo,  respondendo fora do regimento parlamentar a uma intervenção do deputado João Almeida, do CDS. Eles mandam, realmente. Não há memória de tanto desplante e desilegância na nossa história contemporânea. Fátima é uma devoção - ordeira - da quase totalidade dos portugueses; a Revolução, a pérola de uns tantos ungulados. Entre coices e a Fé, vemos as bestas - sempre zurrando o bem-comum e os cuidados para isso devidos.

Eles mandam e impõem. O poeta Alegre foi categórico - abdicar das comemorações abrilinas jamais. (Assim como quem passa um atestado de menoridade aos não concordantes.) Mas fá-lo de sua casa, dirigindo-se à plebe por vídeo-conferência. Explicação: integra o grupo de risco. Nem comparecerá...

Ora, o absentismo de alguém que caiba no grupo de risco pressupõe - o risco. Se o poeta Alegre não vai estar presente é porque teme o risco. Assim cartesianamente existente.

Entrementes, a temerosa, temida, ministra da Saúde dispara avisos sobre o contágio - A infecciona B, este transmite a C, que dá a deixa a D...

E se A fosse algum obtuso «capitão de Abril», B outro dinosssauro do Conselho da Revolução e C um camarada ao lado?

Nada se perdia (além do ser humano, claro). Mas qualquer deles é um possível transmissor do virús aos seus semelhantes no exterior da AR. Gente justa que trabalha, a pagar pelo pecador festivaleiro.

Em suma, o País político ofende o país nacional. Porque o exemplo devia vir de cima.

Marcelo, cada vez mais caricato, alinhou na macacada: imposições da popularidade...

E eu estou capaz de me pôr a caminho de Fátima. Depois indiciado por desobediência? - Venha então essa medalha.

Quatro notas curiosas, a finalizar: Jorge Sampaio, também acusando o seu estado etário, não estará presente no bródio dos cravos. Justificou-o num comunicado a ser lido nas entrelinhas - hábito seu - com notórias reservas à romaria, a cause dos seus juguláveis; João Soares, uma personalidade que nada aprecio, corajosa e frontalmente disse - não!; André Ventura comparece - o auto-proclamado incorruptível que até votou contra...; e Eanes, que vai mas não iria, aquele eterno "nim".

O caminho, porém, está traçado. As comemorações abrilinas serão uma realidade. Por isso eu não pactuo com essa religião - a dos oligarcas que, sob o pretexto do fim da ditadura, coleccionam votos e engordam e mandam em nós como nos tempos da outra senhora. Ou seja: não! ao 25 de Abril, data quase cinquentenária - a favor de uma nova época de democracia plena.

Post scriptum - no próximo sábado celebro a liberdade na praia, nem que chova. Não haverá aí cravo vermelho que me contamine. Até porque se está ao ar livre...

 

 



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

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