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Sernancelhe, enfim à luz do dia

por João-Afonso Machado, em 23.07.21

Cheguei de manhã, pronto a batalhar com o indígena e regicida Aquilino. Para lhe roubar a terra, o coração, de todos os portugueses uma alma pretenciosa, apontando-lhe o ricochete do tiro mesmo no coração desta vila antiga, sede de concelho no distrito de Viseu. A minha arma, - somente a caneta, mais a magia da máquina fotográfica. É pouco. Aquilino escreveu as serranias, o vale do Coa, e as minhas palavras não descem além do vilório granítico. Assim o pelourinho duocentista se me plantou firme, na praça principal - Aquilino esquecido, o malandro, - nas eras eternas em que a voz do povo sempre mandou.

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Em seu redor, o casario dos de lá. Vivo, sempre vivo. Pedras que o Tempo nada deve à História; histórias a quem o tempo deve explicações. Valha o caso da Casa da Comenda de Malta!

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E, digam os compêndios, a nascença do nome, por que amargas margens não reside nele um orgulho, qualquer boaventurança do berço do regicída Aquilino.

(Vivemos, hoje ainda, almas que ele quis profanas de maldade engatilhada em pontaria de assassínio.)

Mesmo a ladear a Matriz, velhinha nascida no século IV. Os sinais românicos apontam para gerações anteriores. Não importa, reside ali uma realidade sobretemporal, santa, sã e sineira.

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Onde? - as marcas dos castigos, da sobranceria dos poderes, das vergastadas nas costas dos mais fracos? Sernancelhe descansa neste cimo e renova-se onde as gentes vão à fonte. E conversam e livremente explicam a sua terra, o seu devir. Toda a sua crença em amanhã.

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Não, em Sernancelhe nada condiz com o mundo macabro de Aquilino.

Há é muito para reconstruir. Ruínas datadas de quando? Tudo o abandono leva, menos os pétreos esqueletos que a pobreza mais recente deixou ao léu. Há sintomas naqueles arruamentos estreitos a que eu chamaria "esperança".

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Ou, talvez, desconfiança... Transmitiu-me o gato local, posto no que terá sido janela rasgada, grandiosa, esse medo medonho. Os animais são os iniciais presságios dos desastres; e serão, decerto, os últimos a compreeender a bonança.

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Assim a calçada me levou ao morro maior e aos vagos dizeres de uma castelania suposta. Subir o escadório foi uma aposta nos pulmões, apenas onde se circunvizinhavam restos esparsos de muros, muralhas e degraus.

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De uma fortificação - que terá defendido os antepassados de Aquilino e passou ao lado do Malhadinhas. Porquê? - porque a jactância do Mestre viajou até ao Minho, a Romarigães, lugar benigno em que se aconchegou em casa nobre. É sempre assim...

E em Sernancelhe ficava a velha vila, inspiração de males essencialmente políticos. Outrora grandiosa com episódios menos claros, fonte de investigações, quais as passeatas dos malteses por ali? Como queiram, a velha vila lá está, muito alargada, subindo nos andares dos prédios de hoje. Mas na sua paz e no seu sossego.

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Antiga, reservada (sem me querer intrometer nem expropriar), talvez mais dos visitantes do que dos seus nativos que vivem cá em baixo, preguiçosos de ir lá ao cimo.

 

O Dr. Magalhães e Silva fez ontem as suas alegações

por João-Afonso Machado, em 13.07.21

Costumam os indignados de sempre condenar severamente os chamados "julgamentos na praça pública" em que a Comunicação social será uma gigantesca sala de audiências e o povo português um imenso tribunal colectivo.

São esses indignados, sensivelmente, os que também se insurgem contra as constantes violações do sagrado "segredo de justiça".

Curiosamente ontem, pela noite fora, Luís Filipe Vieira foi julgado e defendido/sentenciado pelo seu advogado constituido, o Dr. Magalhães e Silva. Em mesa-redonda, cercado de procuradores que nem de perto chegaram ao seu verbo falaz e sagaz, à força e ao poder da sua oratória.

Ontem, Luís Filipe Vieira saiu em paz, inocentado. Pergunta-se é como sucederam estas alterações do Código do Processo Penal em que a absolvição é decidida na televisão sem produção de prova e mediante, somente, as doutas alegações do seu mandatário, antes mesmo da audiência judicial. Afinal, não será tanto a Comunicação Social e o povo que julgam e condenam.

Simplesmente, apenas alguns - Vieira é um deles - gozam de especiais prerrogativas de "tempo de antena". Não creio, porém, as bastantes para evitar a sua condenação pelas instâncias judiciais. E já que nos baldamos em tudo, eu passo ao lado da presunção de inocência.

Da ponta do iceberg

por João-Afonso Machado, em 08.07.21

Chegados a este ponto, já tudo é óbvio. Ou quase tudo. A política, o mundo financeiro, o futebol... e sabe-se lá mais o quê e quem, andam de mãos dadas e as negociatas valem milhões e milhões que arrastam a Nação para um poço sem fundo.

Mais: a macacada é longa de décadas e só recentemente a Justiça parece começar a levar a sério os seus malefícios. Azar dos azares, ainda sem capacidade de actuar com a urgência que a situação reclama. A minha classe, a dos advogados, se encarregará de demorar os tribunais até ao tempo inútil do post mortem. (A propósito: estou reformado; para mim só processozinhos de lana caprina.)

Haverá ainda - indesejavelmente - o perigo, remoto embora, de alguma nova caça às bruxas. Almocei hoje com um senhor de peso na Cofina: os jornais julgam, e condenam, muito antes dos juízes, esse, em parte, o tema de conversa à mesa.

No entanto, de um modo geral, onde há fumo há fogo. Vieira há muito era comentado e personagem de histórias rocambolescas. Maquinações dos seus rivais dentro e fora do Benfica?... Afinal, tudo indica que não. Está detido por suspeita da prática de alguns quatro ou cinco tipos de crime diferentes, com um denominador comum - o dinheiro.

Em simultâneo, vai outra constatação: a vigarice está estratificada: tem os seus criados de quarto, os seus mordomos, uns comendadorzitos pelo meio e, finalmente os grandes senhores da República. A grande incógnita reside em saber - quem serão eles?!

Creio que nunca serão pessoalmente identificáveis. Um meu conhecido da mais alta confiança contava-me o outro dia que um enviado de Angela Merkel para resolver o imbróglio dos submarinos não tratou com Portas (então ministro), mas com um dignitário do PS que entretanto morreu (razão porque não estampo aqui o seu nome), obviamente uma figura de topo na Maçonaria.

Et voilà, eis-nos no cerne da questão. Estamos falando duma portugalidade em agonia já desde o século XIX. Agora talvez defunta. São monárquicos? São republicanos? São da Direita? São da Esquerda?

São tudo o que se lhes afigurar necessário para conquistarem a riqueza e o poder. Transversalmente aos regimes, aos sistemas e às ideologias. Conquanto seja verdade, o mundo burguês, mesquinha e hipocritamente Liberté-Egalité-Fraternité, encontre as terras de melhor cultivo seu nas amplas searas da República. Está demonstrado pela História, desde a França de 1789, embora eu saiba que Pedro Adão e Silva discorda de mim...

Novas ementas, restaurantes exóticos

por João-Afonso Machado, em 29.06.21

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Acabo de ler nos jornais, alguns insectos a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária vai consentir na sua «produção, comercialização e utilização na alimentação»!!!

Assim acabo de aderir ao PAN!

Pobres insectos, aliás desvastados pelos adubos químicos nos campos! E que saudades dos tempos em que as tocas dos grilos eram aos milhões, e um breve xixi os punha cá fora e uma folha de alface, na gaiola, os fazia "cantar" o Verão todo!

O meu (de agora) PAN esqueceu essa benesse da Natureza.

Contas feitas, sete espécies de insectos poderão ser comidos - cá, não nas Arábias. A saber: duas de grilos, outras tantas de gafanhotos e de larvas (???) e uma de besouros.

Que delícia!!!

Enquanto a estupidez não deu conta, definitivamente, da Nação os bicharocos serviam muito para pescar trutas. Era mais substância, por troca com menos seres vivos. Ah!, grande PAN, vamos acabar com os atentados às minorias! É desta!...

Caso não saibam, uma das larvas (dita da farinha) consentida comer é a da mosca varejeira: uma rapariga de bons hábitos, muito pousadia no esterco, nas lixeiras, e lambuzadamente necrófaga.

Os (as) desgraçado(a)s terão de ser comercializados ou usados inteiros, mas não vivos, ou moídos e não será permitido vendê-los «em partes ou extractos». Decerto por esquecimento, os fascistas (viva o PAN!!!) olvidaram a prévia passagem pelas Faculdades de Ciência, onde a garantia de qualidade será assegurada. É necessário criar a (socialista) CVIC (Comissão de Verificação dos Insectos Comestíveis)

Enfim, tenho muito mais a escrever. Mas, entretanto, vou ali à janela fumar um cigarro, atirando depois a pirisca para o passeio.

PAN! PAN! PAN!

 

Paradoxos

por João-Afonso Machado, em 23.06.21

O País continua vivendo entre as atoardas de Costa, o Europeu de futebol e as oscilações da covid.

Quanto ao nosso 1º, nada haverá a esperar. Nem já mesmo a bazuca financeira...

No mais, tenho algum medo o Europeu seja de mais rápido desfecho do que a covid. E se, porventura, for um Europeu de grandes alegrias e emoções, ainda venha complicar o dito imbróglio covid.

Estranhamente, nos jogos disputados há assistência e não se estabelece qualquer nexo de causalidade entre esse facto e o recrudescimento da doença. Aqui... acabamos de verificar que muitos com a primeira vacina já aplicada ainda vão contagiados parar aos hospitais. Fala-se numa hipotética 4ª vaga, no retrocesso dos desconfinamento, a indústria do turismo vive já em alarme. E a India e a sua versão covid são a mãe de todos os males.

Todos os dias aprendemos. Aprendemos, ao menos, que não conseguimos aprender.

O Ano 111

por João-Afonso Machado, em 16.06.21

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Lembro bem os 100 anos da velhota. Um grupo de monárquicos organizou um blog denominado O Centenário da República e deu uma coça nessa inefável comemoração. Não foi preciso muito, sequer teorizar: bastou trazer ao cimo o que a III República dizia da II, e esta da I. Todas elas nunca se entenderam e, em geral, se maldiziam, numa maldicência que se estendia ao âmago de cada uma, conforme a partidarite que as tomou.

Agora, no 111º aniversário, o momento seria também de festejo, a repetir no 222º soprar das velas. Datas assim têm significado, não é?

Pois não é (a frase traz à memória a sebenta de Direito Civil do saudoso Professor Castro Mendes). A gente voltava a cair-lhes em cima e as cerimónias oficiais tornavam a envergonhar-se ante a triunfal volta por Guimarães, com centenas de portugueses e El-Rei a pé, tudo sempre do modo mais espontâneo.

Uma lástima. Uma lástima sobretudo agora em que uma sondagem qualquer diz que 90% dos portugueses pensa o Governo é corrupto...

E o republicano Presidente Marcelo?

 

Desembolada e à solta

por João-Afonso Machado, em 05.06.21

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Na verdade, nem sou grande aficcionado. Uma touradazita por ano... e o serão televisivo. Mas há quem consiga trazer-me à pregação em prol da tauromaquia, tal a ditadura a que nos pretendem condicionar.

Tudo a propósito de um certo blog que não identifico por não querer oferecer-lhe publicidade gratuita. A sua dona, num misto de puritanismo americano e proletarismo maoísta, usualmente refere-se aos apreciadores da "festa brava" como - «trogloditas» e «mentecaptos». Isto quando não se excita e se sente rodeada de «boçais», «ignorantes», «primários», enfim, seres que se opõem ao seu projectado «mundo novo», por acaso também vegetariano.

É dotada de boa técnica. Se lá vou, educadamente, rebater os seus argumentos, estou a proporcionar-lhe um bom momento para aliviar o seu pesado saco de adjectivos (vd. supra).

Se replico, sublinhando a sua agressividade, a sua brejeirice de termos e a falta de respeito pela opinião dos outros, já não publica este comentário.

Ao invés (e estou a pensar numas infelicíssimas considerações que fez sobre a morte de um forcado e sobre o «atraso» da Terceira), se simplesmente essa rapaziada mais assanhada a insulta no blog, a freirinha publica tudo. Vitimiza-se. Prega-se numa cruz como Cristo padecente.

Analisei o blog. Verifiquei que os meus comentários foram depois eliminados. E, ultimamente, tem surgido misteriosos e anónimos apoiantes da sua causa, depois de lhe ter feito notar (em comentário não publicado...) que, a esse nível, havia ali um deserto enorme.

Em uma das suas tiradas, chegou a dizer-me (cito de memória) «o touro é um animal como eu, mas mais humano do que eu». Claro que não editou o que escrevi em resposta...

Pois direi aqui: faria muito bem à elevada carga de fanatismo e de arrogância desta militante a maior e mais humana cornada de um touro no seu corpo de virgem forçada.

E a conclusão final - de resto a única que importa - é só uma: caminhamos aceleradamente para a ditadura. Uma ditadura diferente, exercida sobre as mentes, incapacitante da vontade e das escolhas, impeditiva da liberdade de expressão, e orquestrada por gentinha assim.

 

Depois do Ultimato, a Champions

por João-Afonso Machado, em 01.06.21

Corrida a trovoada, é altura de pensar nos estragos e na ausência de pára-raios. A final da Champions no Porto por alma de quem? E visando exactamente o quê?

Temos, em primeiro lugar, o prestígio do acontecimento. Uma final europeia na capital nortenha!!! Correcto?

Não. A verdade está em uma final da Champions onde mais ninguém a quis suportar. Os britânicos, está à vista, dão muito trabalho, trabalho demais para as grandes cidades que ainda varrem das suas ruas o covid.

Em segundo lugar: um modo de reanimar a economia dos bares e restaurantes tripeiros? Ora, para isso bastaria abri-los à pacatez do burgo. Talvez não corresse essa cerveja toda pelas goelas e pelos bueiros. Mas não haveria tantas montras e equipamentos desgraçados. Sobraria tempo para gastos a preços mais elevados. E deixava-se as polícias descansarem. Contas feitas a final, a cidade perdeu.

Talvez estas ideias andem agora na cabeça dos comerciantes. Quanto às quadrilhas do Erário Público, elas regem-se pelos interesses políticos, que não outros. Por isso, nada mais haverá a acrescentar.

Foi uma vergonha. Em 1891, a Grã-Bretanha lançou um ultimato a Portugal. Em 2021, os britânicos agrediram e mandaram para o hospital agentes de autoridade portugueses. O País - perdão, a República portuguesa - fez vista grossa, conforme antes entrara em histeria. Não houve nem haverá satisfações ou desculpas de quem de direito.

Foi tudo política. Um isco lançado às águas paradas do negócio na Invicta. A recusa de Costa em responder às sequentes perguntas da Imprensa. Dias depois, uma tímida entrevista sua ao i, reconhecendo que nem tudo correra bem. Pôncio Pilatos não faria melhor. Escrevo agora, propositadamente, quando o assunto esquecido está.

Digo o mesmo de sempre: temos o que merecemos. Até porque, estranhamente, Rui Moreira deixou correr o marfim... A política é mesmo cozida!

 

O maniqueismo catarinista, vulgo populismo

por João-Afonso Machado, em 23.05.21

Acabo de ouvir na TV o discurso de encerramento da Convenção do BE. A cargo da nossa inefável Catarina Martins.

Gestos estudados, olhares calculados de uma sensualidade de cácaracá. Uma encenação de teatro de marionetas.

E, logo de seguia, o verdete todo cá para fora: que a Direita e a extrema-direita querem matar o povo à fome, e eles não; que a Direita e a extrema-direita se aliam e conspiram contra a Esquerda e o PS já descamba para o centro; que a saúde é para todos e não apenas para os ricos; que etc, etc...

De tudo resultam dois fundamentais aspectos a devererm ser bem anunciados:

- O populismo da Esquerda, a que os mais cerimoniosos chamam os «partidos de protesto»;

- O terror (também patente no discurso do Sr. Pureza) de que eleitoralmente o Chega vá além do BE.

(Porque será muito difícil explicar às "massas" como assim - eventualmente - terá acontecido.)

E Marisa enorme. Uma voz, um voto, uma presença que vale por dois e meio.

Só para pôr os assentos nos is

por João-Afonso Machado, em 07.05.21

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A extrema-direita é a nova arma da extrema-esquerda. Um fantasma, enfim, agora manejado como um fantoche, com fios de nylon. Em países menos impressionáveis, mais informados, a artimanha não serviria de muito. Mas em Portugal, a Esquerda e a Imprensa satélite vão chegando onde querem.

Portanto, a extrema-direita, cá no nosso lugar, é somente um lugar Facebook onde tudo é possível, mesmo as maiores idiotices. Desde logo, envolver o Senhor D. Miguel, Rei de Portugal, com Salazar e malandrices quejandas. Obra de uma tropa arruaceira, que pretende ter lido António Sardinha e o Integralismo, mas nada percebeu. No confronto verbal rapidamente entra nas ameaças e no insulto, à falta de outros argumentos. Cria divisionismos onde a maior razão de ser é a união. E circuita à volta de Mários e outros déspotas tatuados, cujo ideário político todos desconhemos - porque a cabeça rapada, a mota e as lutas entre gangs não são propriamente uma doutrina ou uma ideologia.

Os politólogos querem falar da "extrema-direita"? Entretenham-se: as chamadas são - Mário Machado (às vezes tenho dó do meu apelido, tão dado a semelhanças tristes...), skinheads, Salazar, 28 de Maio, Pátria-patriotismo e saudosismos não sadios. Ah! generalizadamente dizem-se "cruzados", guerreiros sempre dispostos a morrer por Portugal...

O mais é a Direita. Sobretudo, a gente educada, respeitadora, mal dada com barulhos trauliteiros. Essa mesmo que perde eleitoralmente por respeitar tudo e todos.

 

De Madrid só chegam notícias de maus casamentos

por João-Afonso Machado, em 05.05.21

Realizaram-se as eleições. Delas resultou, desde logo, a estrondosa derrota de Iglesias e o, por ele mesmo anunciado, abandono da vida política. O Mundo agradece penhoradamente. No fundo, o seu percurso é o de Tsipras ou Varoufakis: e pena é o nosso Bloco caseiro não tenha acesso a uma ou duas pastas ministeriais, para depois passar definitivamente à História. António Costa bem saberá disso, precisa do BE no Parlamento e, assim, lhe veda o acesso ao Governo.

Já a vitória do PP de Isabel Díaz Ayuso, inocultável, se transformou num saboroso "pratinho" para a Imprensa. O facto de o PP ter conseguido mais votos de que toda a Esquerda é irrelevante - a excitação que grassa por aí é a maioria relativa, o putativo entendimento com o Vox, com a extrema-direita.

Suponho que a vozearia da Esquerda, de mãos dadas com o oportunismo da Imprensa, ainda venha a dar conta da Direita em Espanha - doravante existirá apenas a "Extrema-direita". E a rapaziada por essa Peninsula fora irá na conversa...  

Quando é para maldizer, não há des-Câncio

por João-Afonso Machado, em 02.05.21

Foi-me especialmente agradável a leitura de uma crónica no Observador de um senhor, para mim até agora desconhecido, João Pedro Marques de seu nome.

O tema andava em volta da Ex.ma Senhora D. Fernanda Câncio, doutora de profundos conhecimentos sobre Portugal até algures na primeira década deste século. Depois dedicou-se à política, dedicou-se ao Passado, dedicou-se a imensas coisas frutíferas menos as que lhe passavam diante do nariz e até lhe terão proporcionado bons e caros momentos de lazer.

Mas indo à dita crónica. Nela se comentavam as inefáveis sentenças da Ex.ma Senhora D. Fernanda Câncio sobre o discurso do presidente Marcelo no 25 de Abril. Ou o seu inesperado apelo de reconciliação dos portugueses com a sua História.

A Ex.ma Senhora D. Fernanda Câncio achava que não. Vai daí, embrenhou-se numa maçadora - com a devida vénia a S. Ex.cia - diatribe sobre a Guerra Colonial, lida e interpretada no seu tempo e à luz dos dias de hoje. Para concluir pela nefanda portugalidade (quiçá porque enseja propor mais alguma obrigatoriedade, por exemplo a dos casamentos inter-raciais).

João Pedro Marques limitou-se a invocar a legislação pombalina de 1761, que aboliu a escravatura na Metrópole e nas actuais Regiões Autónomas. Era o suficiente? - inquire. Não, claro, mas era um passo à frente do tempo, no meado do século XVIII.

E eu acrescentaria: fomos depois o primeiro País (obviamente em Monarquia) a abolir a pena de morte. E dos últimos em consentir o voto das mulheres, mas, retroagindo, agora em República.

A Ex.ma Senhora D. Fernanda Câncio sabe isto e muito mais. Sabe até que nunca será uma Ex.ma Senhora D. Mas o vício é quem manda. E o vício chama-se desconstruir.

 

Um ano mais e completa 48...

por João-Afonso Machado, em 25.04.21

Da data em festejo, - o 25 de Abril - manda a verdade se preserve uma realidade insofismável: antes, o meu pensamento não poderia ser livremente expresso e publicitado, como agora estou fazendo.

Mas tanto não chega. Não obstante essa fundamental liberdade, o 25 de Abril jamais será uma comemoração nacional, antes a data mais vincada de uma fractura que a Esquerda alimenta: o 25 de Abril pertence ao socialismo.

A Esquerda galopou adiante a mudança de sistema político e cavalgou a Revolução. Perfilhou-a. Ai da Direita que se aproximasse!

Nem sequer a social-democracia foi admitida ao bodo, no qual só entram os do cravo vermelho ao peito. Assim Portugal perigou o risco de uma ditadura leninista-estalinista e, anulado esse, vive sob o poder dos sindicatos na rua, manipulados pelo PCP, e pela obrigatoriedade do "politicamente correcto".

Sem que a queda do Muro de Berlim alterasse fosse o que fosse. A Esquerda logo se reorganizou. Esqueceu as "massas", a "ditadura do proletariado", e apostou no fim do nosso mundo através dos "direitos das minorias" (outrora pecados de "burgueses viciosos"). É o nosso dia-a-dia, mais recentemente com o propósito legislativo de atribuir a paternidade a homens já mortos. Tudo, enfim, num experiencialismo ao jeito de Josef Mengele...

Com o acento tónico mais aqui ou além, esta III República não se afasta das suas antecessoras. O que é sobejamente notório quando falamos na plutocracia e na corrupção instaladas.

Assim o 25 de Abril é uma comemoração à porta fechada. António Costa consegue que o "segurança" o deixe entrar. Porque veio cair nas mãos da Esquerda extremista. Populista e demagógica? Não, isso são epítetos de uma certa Direita, dado os rótulos serem um apanágio exclusivo da Esquerda propagandista e dominadora da Imprensa. E por causa, também, do dito "politicamente correcto". Assim se entende a prepotência do nosso dinossauro Vasco Einstein Lourenço.

O resultado - evidentemente, mais de metade do eleitorado português não se revê nesta "democracia" nem nos "democratas" seus prossecutores. Como bem patenteiam os índices altíssimos da abstenção. Contra os quais o argumento do "dia de sol na praia" já lá vai distante.

Seja como for, há uma verdade ainda não tocada: eu escrevi isto e, creio, não serei criminalizado por tal... No restante... são, mutatis mutandi, mais quase 48 anos do mesmo.

Do enriquecimento ilícito ou ilegítimo

por João-Afonso Machado, em 19.04.21

Nesta República que tanto me ofende as ideias - e mantem viva a chama monárquica - existe um Código Civil (o normativo-mor do Direito Civil), aliás elaborado na II série da dita malandragem, mas inquestionavelmente conhecedor e abrangente da nossa realidade.

Tanto é assim que o CC só foi alterado em 1977, na sequência do princípio da igualdade entre os sexos, plasmado na Constituição de 1976. E, quase só também, nos anos sequentes, na legislação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e das concomitantes anomalias na adopção de menores.

Em termos muitos simplificados, estou a dizer, meio século volvido, o CC foi "mexido" sobretudo nos Livros referentes aos Direitos de Família e de Adopção. Quem sabe legislar legisla, e o resto é eleitoralismo e parlamentarice. O mais ainda vai estando actualizado.

É por isso que ocorre o art. 473º, 1 do dito Diploma, acerca do "enriquecimento sem causa". A definição do mesmo: «Aquele que, sem causa justificativa, enriquecer à custa de outrem é obrigado a restituir aquilo com que injustamente se locupletou».

Nesse longínquo ano de 1966, estávamos ainda no berço das grandes malandragens dos nossos dias. Em suma, quem se enchesse à custa de quem quer - a criminosalidade alheada da questão - havia de repor o fruto desse abuso. Ponto final.

Eram os ditâmes da legislação civil, à margem daqueloutros da Penal. E esta alicerça-se em comportamentos que fazem perigar o regramento, o convívio,  e, em geral, a paz social.

O próximo capítulo de algo que me apetecesse escrever teria de incidir sobre a velha questão do ónus da prova. Somente - eu já destesto escrever sobre temas jurídicos. E, por isso, fico-me por cá: ónus da prova? Isso são os partidos a falarem sozinhos.

Haja indícios e um suspeito de cambalacho. Investigue-se e recolham-se dados de que alguém ganhou dinheiros com favores, influências, tráficos e almoçaradas. Perante esses dados, qualquer - então - indiciado que se defenda, conteste, venha dizer que não. Como qualquer acusado de homícido que nega ou alega legítima defesa

A vida das pessoas é um espelho que dispensa a compra de um apartamento na Rua Braancamp em Lisboa. Ou, a escalas menores, outras coisinhas quaisquer.

 

A entrevista de hoje com Sócrates? - Haja higiene mental!!!

por João-Afonso Machado, em 14.04.21

Parece que essa pinoquiana figura será entrevistado dentro em pouco na TVI. Se vou assistir a esse despautério? - Não, não vou.

Não vou por cuidados de saúde. Não quero enervar-me com o descaramento... Antevejo o filme, aliás um remake de longos anos de outros remakes:

- Sócrates tentará denunciar a «cabala».

- Insistirá que não se trata de um processo judicial mas político. Do seu assassinato político. Ele que já ia a caminho da Presidência desta República...

- Vergastará o MP e apoiar-se-á numa decisão instrutória que a generalidade dos portugueses não tem meios de compreender, enquanto não decisão final do processo.

- Dir-se-à inocente (at finis) valendo-se do que as pessoas desconhecem: em que fase processual estamos e quais as que se seguirão.

- Indignar-se-á com a acusação de 3 crimes de branqueamento de capitais e jurará que se inocentará deles. Pelo meio, tudo há de fazer para que se não fale em falsificação de documentos. Está pronunciado por 3 crimes dessa natureza, e papel é papel, assinatura é assinatura. E o 1º Ministro foi 1º Ministro.

- Vitimar-se-à, crucificar-se-á e tentará silenciar o entrevistador. Como fez, há uns anitos, com Vítor Gonçalves.

- Para memória dos leitores, este link - https://observador.pt/2017/10/13/gaffe-na-rtp-entrevista-de-socrates-interrompida-por-serie-policial/.

- Ou seja, se o entrevistador da TVI estiver à altura dos acontecimentos, ao menos todos ficaremos a saber: estatisticamente, a Relação de Lisboa mandará Ivo Cruz dar uma volta ao bilhar grande. O dito entrevistador decerto acabará insultado pelo seu bom serviço a Portugal.

 

Enfim, nesta perspectiva, um share baixo dessa hora, só poderá demonstrar o crédito dos portugueses na Justiça. Ou o seu vómito sobre a personagem em causa...

 

A grande encenação

por João-Afonso Machado, em 09.04.21

Logo no início, quando ouvi Ivo Rosa explicar ao povinho a diferença entre responsabilidades políticas e responsabilidades criminais, percebi o circo que tinham montado. O juiz de instrução lendo a súmula do seu despacho (caso inédito), as televisões todas em directo, Sócrates na primeira linha, de peito feito, ininterruptas notas de rodapé, e o desgraçado Rosário Teixeira enfiado no seu canto.

Depois foi um relambório de mais de duas horas, lido baixinho e a correr, perceptível a muito poucos. Apenas o pé-de-página ia esclarecendo: este não é pronunciado, aquele não vai a julgamento, sobre aqueloutro não recai acusação...

E assim Ivo Rosa «arrasou» - terminolgia das legendas televisivas - Rosário Teixeira. A acusação era incoerente, destituída de prova, baseada em presunções...

... e, mesmo na parte em que foi mantida, absolutamente inócua do ponto de vista noticioso, ao fim de semelhante sermão. Já toda a gente tinha ido embora.

Sócrates na rua ainda se vitimizava - tinha sido pronunciado! E fora indiciado por crimes cometidos mas já prescritos - dos quais, portanto, não se podia defender.

Eis como um juíz singular (de instrução) limpa um processo inteiro e deixa as sobras para o tribunal colectivo. Andaremos muito à volta de um certo acórdão do Constitucional, creio eu. Oxalá Rosário Teixeira leve o restante a peito.

Em síntese, Ivo Rosa, por razões que espero se venham a apurar, incumpriu gravemente o seu dever de imparcialidade. Tal qual aconteceu após a morte, deixada morrer, d'El-Rei o Senhor D. Carlos.

 

Como se sulfatando as vinhas

por João-Afonso Machado, em 08.04.21

Talvez não haja a noção verdadeira do seguinte:

- A estatistica, melhor ou pior, fornece os seus números sobre a incidência letal de uma doença - a Covid.

- A estatísca fornece também os seus números sobre a incidência letal da vacina ("astrazeneca") já em prática no combate a essa mesma Covid.

Tal significando, o paciente (embora em percentagens diferentes) vê-se obrigado a optar entre morrer da doença ou da pretensa cura.

Enquanto tal, o mundo cientifico ainda discute se a dita vacina há de ser, ou não, aplicada. Enquanto tal, a Humanidade, como se tratada a sulfato de cobre, vai vivendo entre o ser oídio ou míldio.

Não se trata de atribuir culpas a cientistas, os quais têm galopado para resolver um problema que atingiu em cheio o planeta. Nem sequer aos governantes do mesmo. Trata-se apenas de sublinhar a gravidade que perspassa a nossa era. E de perceber que todos vamos passar mal muito por causa da nossa indisciplina, e ainda mais por causa de não estarmos preparados para privações. É uma pescadinha de rabo na boca. Se o restaurante não abre, como sobreviverá o seu dono? E se este for ao fundo, o que acontecerá aos seus fornecedores?

E etc, - tudo o mais de que nos vamos dando conta agora.  Agora porque o vírus é mais violento e o mundo (a começar pelo Ensino) necessita sair da toca e produzir para sobreviver.

Quem matou o Padre Max?

por João-Afonso Machado, em 05.04.21

I - Passaram agora 45 anos desde que o rebentamento de uma bomba no VW em que o vilarrealense Padre Max, militante da UDP, e a sua companheira de viagem, pereceram. A Esquerda, sempre ávida de heróis e mártires, não deixou a data passar em claro e a Imprensa, servil e lambedora de botas, deu-lhe o devido destaque: foi atentado do nefando MDLP.

II - Na época, tanta foi a violência praticada pela dita Esquerda que dúvidas não sobraram: as vítimas tinham-no sido de si próprias. A bomba era transportada por eles, não se sabe com que intentos.

III - Aliás, por essa altura morria também Ferreira Torres, um homem da Direita. E aí não houve dúvidas: a morte foi causada por rajadas de G3. Mas qual o seu lugar hoje na História? Afinal era de Direita... Exactamente como em 19 de Outubro de 1921, quando um sargento da Marinha, e os seus próceres, assassinaram António Granjo, Chefe de um governo não radical, mais quatro republicanos de proa. Autoria moral: as forças monárquicas, evidentemente... Com Ferreira Torres só poderá ser mais do mesmo!

IV - Valerá a pena recordar episódios do PREC. Agora sirvo-me dos meus olhos, apenas: em 11 de Março de 1975, a sede do CDS em Famalicão foi incendiada. Como ela muitas outras, das que conseguiam manter-se onde era suposto, nunca além do Tejo. Se no Verão seguinte as populações se revoltaram... Não, impossível, a movimentação de massas é apanágio do marxismo-leninismo.

V - Os tribunais da actualidade jamais conseguiram provar a culpa de alguns "suspeitos" da Direita na morte do Padre Max. Tanto bastaria para o assunto ficar assim. O "caso Sá Carneiro" isso mesmo demonstra.

VI - Por falar em vítimas - e volto a fazer uso do meu olhar - nessa pré-guerra, recordo o assalto ao Congresso do CDS no Palácio de Cristal, comícios em que participei e saí, com os demais, escoltado pelo Exército. Sobretudo recordo o assalto à sede do PCP em Famalicão...

(Parenteses: o meu Pai andou o dia todo a aconselhar calma aos lavradores da nossa terra. Responderam-lhe, resumidamente, «já era muito tarde».)

Morreram dois homens nesse episódio: um jovem enfermeiro de 18 anos e um agricultor do concelho. Os tiros vieram da dita sede, disparos de espingardas-metralhadoras...

Ainda são lembrados entre nós. Contudo sem manifestações de vingança ao PCP. Somente com saudade das vítimas.

VII - Há uns anos, dei, eu mesmo, um abanão ao Gen. Pezarat Correia, numa conferência em que debitou a parlenga - o terrorismo em Portugal acabou com o ELP (- então não foi com o MDLP? -). Lá lhe lembrei as FP25 e - na mouche! - um almoço ocorrido entre um oficial afecto ao Grupo dos 9 e uns tantos civis, aqui em Famalicão, no restaurante O Tanoeiro. Sucede que se estava a 24 de Novembro de 1975; sucede que se preparava o golpe iminente; sucedeu a ligação desse oficial, meu estimado Tio, aos opositores do radicalismo e a sua conversa com um grupo... do MDLP!

Não havia segredo: o meu Tio contou-me isto às escâncaras.

Houve foi uma rolha bem encaixada no discurso de Pezarat...

XIII - Uma vez mais, a Esquerda - gente da Esquerda; ou terá sido de uma Direita encapotada? - vandalizou a estátua do Cónego Melo e do que suponho ter sido a sua residência. Os dizeres incidiam sobre o Padre Max...

IX - Assim continuarei descrente dessa estranha - e decerto numerosa - horda. Eu discuto com Pezarat Correia e tenho o especial sabor de lhe mostrar que sei mais do que o Sr. Gen. proclama aos papalvos. Mas, obviamente, nunca irei pichar sedes, estátuas, residências, mausoléus, seja o que for diga respeito à maralha da Esquerda.

X - Já agora, para arredondar números: nessa época, presenciei, além de muito mais, três ou quatro explosões de autocarros e automóveis em plenários da CAP (Braga); não recordo quantos boicotes a comícios do PSD e CDS ( os tais "boicotes activos a..."), violência liceal sobre os estudantes da Direita... Quanto mais? Se hoje fazemos romagens a esses momentos?. Não! Não precisamos. A Esquerda quer o silêncio sobre os seus extremismos; nós, a pacificação dos portugueses.

 

E que acabem, de uma vez, o padre Marx e o cardeal Lenine

Tudo mal, tudo normal

por João-Afonso Machado, em 27.03.21

E um milhão de tugas lá se antecipou a Costa e foi à terra (a medida fornecida: um raio de 100 km percorridos desde o domicílio), passar a Páscoa com os seus! É de supor - eles supuseram! 

Supuseram o cerco fechado às zero horas de ontem, sexta-feira, e anunciado já no limite do tempo. Era tarde, já tinham saído, já lá estavam, de olhos no cabrito e no pão-de-ló. O preço? - eventualmente um dia de férias.

Está mal, está bem? Nem sei se pior, se melhor. Sei apenas somos nós, a nossa idiossincrasia, uns habilidosos. Adiante as estatísticas falarão do resultado da proeza.

Importante é conhecermo-nos. Irredutíveis, quando não loucos, amontoados em bairros de qualidade suspeita. E fieis de Fátima, seja o que Nossa Senhora quiser - dizem, por norma, os de territórios mais arejados.

Mas Costa só poderá ficar calado. A arte das manigâncias e do contorcionismo muito lhe deve. A família directriza os filhos, a política os cidadãos.

Em isto tudo, a - oxalá errada - percepção, a pandemia veio para ficar, em todos os altos e baixos dos seus gráficos. Ganham os jornais, sequer ao menos, no catastrofismo das notícias.

Tudo isto vem de antigamente, e a República, mesmo orfã de Afonso Costa, poderá esperar muito, menos milagres. Para acabar: onde está o estadista português capaz de mobilizar a Nação neste, ou em outros apertos? Não está! E assim vamos todos, cantando e rindo, cantando e rindo, sim.

Os LGTB's de rabo de fora

por João-Afonso Machado, em 19.03.21

Vou escrever na primeira pessoa do singular, que se trata de uma opinião minha e só minha. Mas, primeiramente, os factos:

Em 2006, uma transsexual brasileira, de nome Gisberta Salce Júnior, foi barbaramente agredida, até à morte, por um grupo de jovens de idade inferior a 16 anos - portanto, inimputáveis - algures no Porto. 

Descobertos os autores desse crime sem dúvida com requintes de malvadez,  foram os mesmos castigados de acordo com a legislação vigente.

Isto dito:

Até aqui cabem todas as críticas à lei. Se deve ser mais severa? Pois decerto. A prevenção geral (e a especial) é sempre da maior valia para a dissuasão da criminalidade, seja ela de que que natureza for.

Entretanto, li hoje a notícia, corre aí uma petição para que à infeliz Gisberta seja, no Porto, atribuído o seu nome a uma rua. Inacreditavelmente!

Inacreditavelmente, porque crimes de essência assim violenta ocorrem todos os dias (o filho drogado que mata a mãe para a roubar, o marido traído que limpa os "arredores" a tiros de caçadeira...), e as famílias atingidas, o vulgar cidadão, pugnam apenas por justiça, e justiça severa.

In casu, não é de justiça que se trata. Se as pessoas, em geral, avaliam e pedem a condenação adequada aos crimes cometidos, se, amplamente, já ninguém despreza quem quer que seja, as forças LGTB prescindem do julgamento e almejam o ídolo. Um símbolo. Um leit-motiv para a sua luta.

Vale dizer, é a comunidade quem respeita a desgraçada Gisberta. Por ela e pela sua infelicidade. Pelo drama vivido. Pela justiça que seja feita, a si e aos seus putativos familiares.

Ao invés, os LGTB's, desconsiderando a educação que ensina a respeitar o próximo, querem uma placa na esquina de uma rua. E assim instrumentalizam - desprezam - a pessoa que sofreu e de quem agora sugam apenas o nome.

(A fazer lembrar o velho MRPP e os camaradas Ribeiro dos Santos e Saldanha Sanches, pintados por quantas paredes havia. Mas isso era política. Ou o "caso Gisberta" não o será também? É! Numa lógica diversa de baralhar o nosso mundo.)



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