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Ainda as eleições: no distrito de Braga

por João-Afonso Machado, em 07.06.19

Salvo melhor opinião, os resultados eleitorais para o Parlamento europeu, no distrito bracarense, traduzem uma nova realidade, sobre a qual valerá a pena reflectir.

A abstenção foi da ordem dos 30%.

O PS o partido mais votado (33,5%) e o PSD o segundo (27,5%).

Seguem-se o BE (8,1%), o CDS (7,4%) e a CDU e o PAN (3,8% cada).

Os votos em branco atingiram o record de 5,6%, e os nulos ficaram nos 2,6%.

O mesmo significa a coligação brancos/nulos alcançou os 8,2% da votação. É, na realidade, pois, a terceira formação neste ranking.

Por isso, uma primeira conclusão, imediata: o eleitorado (com "apenas" 30% de abstencionistas) foi, apesar de tudo, participativo; e - segunda conclusão - pautou expressivamente a sua participação por um protesto (votos em branco e nulos) sem precedentes na estatística destas "corridas".

Posteriormente às eleições, mais dois autarcas socialistas (Santo Tirso e Barcelos) foram "de gancho", indiciados por corrupção. Ainda esta vez tais actividades de caracter egocentrico, tão frequentes no género PS, não produzirão efeitos nos próximos episódios eleitorais?

 

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No dia seguinte

por João-Afonso Machado, em 27.05.19

A empregada da nossa casa foi ontem votar. No desejável, aliás. Mas não sabia para quê. No breve intervalo do pequeno-almoço, o cabo dos trabalhos - explicar-lhe que não se tratava do Parlamento português, mas sim do europeu.

Este é um dado importante, a contrariar a tese de que a abstenção - elevadíssima - não deriva da apatia lusa ante a problemática das eleições "europeias".

No resto, - como é sabido - temos um elevadíssimo movimento abstencionista que valerá 68,6% do eleitorado. Por mim - eu só não voto nele porque me traduziriam em votante da praia. Fosse antes da pesca no rio... E, de qualquer modo, é tempo da Constituição da República morrer de pneumonia, e, ao Presidente da dita, dar uma coisinha cardíaca.

Costa segue em frente, vitorioso, com menos de 10% do eleitorado. Os mais partidos no seu encalço (x% de 30%), a discutir vitórias e derrotas. É a festa. Sobre a qual a gente decente deve pensar.

(Não como Ana Gomes, a quem só assusta o fantasma da extrema-direita, qualquer coisa que o PPE, além dos mais, liquida num instante. Mas isso nada quer dizer, porque Ana Gomes foge de falar na abstenção).

Em suma:

- Não sabemos ao que andamos.

- Em Portugal - neste nosso Portugal dos brandos costumes - não vale a pena falar na "extrema-direita", totalmente inexistente. Previsão de futuro - a Esquerda, e o seu poderio na Imprensa, hão de pôr o CDS nesse estúpido e deslocado lugar.

- Mas, risco grave, se assim for, os tugas irão nessa conversa.

- A maioria dos portugueses (2/3) não sabem, não querem saber, não acreditam nesta história eleitoral.

- Há - haverá sempre - a militância quase só localizada à esquerda, e daí os resultados dos PS, BE, CDU (este o somatório PCP+favor PV).

- A Direita (que é Portugal) não consegue adequar o seu discurso às circunstâncias.

- Essas circunstâncias são como a noite e o dia, mas a realidade do presente. V.g. dos machos (ou fémeas) juntos adoptarem um filho. Em sociedade um qualquer barbado careca apresenta outro barbado careca qualquer, e diz - É o meu marido. - Já não é do outro mundo, queiramos ou não, é do nosso.

- Tem, pois, de haver uma actualização do discurso à direita. Qual? Como? Os senhores da política, devidamente assessorados, que o determinem.

- A vida nova (pior que melhor) tem causas outras. A dos animais, por exemplo. Esta malta urbana - só agora convivendo com eles - não percebeu (feito o credo, jamais entenderá) que cães e gatos sempre foram os velhos companheiros dos solitários. Por isso a emergência de um blá-blá-blá destituido de nexo, só apenas o varrer as ruas dos animais vadios e a guerra contra as touradas. Na prática não mais do isso e uma ideologia sem ideias. Mas não faltará muito, qualquer directiva da UE, qualquer negociação do PS e do PAN (riam-se, riam-se...), a bicharada alcança, por decreto, alma e transcendências congéneres. É esperar e ver...

- Enfim, o PS e a Esquerda vão na crista da onda. Sobra ver "o depois".

E por isso me manifesto absolutamente a favor de uma próxima vitória eleitoral (nas Legislativas) da Esquerda. Ela terá de suportar as sequelas das suas maquinagens. Com a vaga esperança (a última a morrer...) de que os portugueses saibam estabelecer a conexão Sócrates-Costa. 

Deixemos chegar os os dias que vém...

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Decerto todos já repararam, há momentos em que António Costa não consegue disfarçar a sua atrapalhação. É quando tropeça nas palavras, engasga as frases, engana-se nos enunciados, descobre uma expressão verdadeiramente aflita do aluno que sente a sebenta decorada fugir-lhe debaixo dos pés. Isto acontece em algumas entrevistas com jornalistas mais afoitos e, sobretudo, em debates televisivos.

(Foi assim com Passos Coelho, a quem a generalidade dos comentadores atribuiu a "vitória" no último confronto com Costa nas eleições de 2015. E Passos embandeirou em arco, esquecido de que é apenas um homenzinho de Massamá, e Costa, sempre, um lord de Sintra.)

Mas, de um modo geral, o 1º Ministro criador e comercializador da Geringonça passeia ante todos nós o seu diletantismo e falta de escrúpulos. Estes e a coerência são conceitos de que Costa conhece apenas a película utilitária, se for a oportunidade de os lançar à cara dos adversários.

No mais, o sorriso matreiro (e descarado) de sempre, o andar gingão e descontraído próprio daqueles a quem a vida corre bem.

E, de vez em quando, um susto. Real ou simulado. Como com o recente episódio dos professores. Na base de tudo estará (segundo, por exemplo, o credibilíssimo José Eduardo Martins) a sua vontade em enxotar o PC e o BE da órbita dos seus amigos parlamentares. Não é isso que está agora em causa. Antes o célebre Conselho de Ministros do dia seguinte. Apenas com o «núcleo duro» do Governo (há, portanto, um núcleo "mole", descartável, a que se limpará o rabo e se deitará fora); e com D. Ana Catarina Mendes que - Costa tem alma para o afirmar... - ali estaria, sendo sábado, para ajudar nuns cafézinhos.

(Ou teremos outras surpresas na agência governamental de matrimónios? Será o discreto Ministro da Educação o escolhido? Ou o Capitão Hadock e a Castafiore?)

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Outra vez a praga dos argentários socialistas

por João-Afonso Machado, em 09.05.19

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É notícia nos jornais, as câmaras municipais voltaram ao angustiante atraso no pagamento dos seus fornecedores. Porquê? - É improvável por caloteirismo dos autarcas...

Fique o registo deste retrocesso, seja ele julgado pelos portugueses.

É notícia, também, o elevdo risco de pobreza das regiões Norte e Centro. Mas a Grande Lisboa vive melhor (com um rendimento superior à média nacional em 1600 euros). Sobre este tema, para não variar, o Governo mastiga os números e vomita mentiras.

É notícia, por fim, os impostos e contribuições sociais cresceram 5,9% em 2018, com reflexos (contas feitas a final) numa subida de 0,8% no PIB. Di-lo o Banco de Portugal.

O aumento da carga fiscal, obviamente, é a contrapartida das migalhas que Centeno - no maior alarido - distribuiu por uns tantos, a maior parte dos quais as gasta agora em gasolina e outras habilidades tributárias similares.

Estamos como estivemos com Sócrates. Na burla, na hipocrisia e no bom caminho da miséria socialista. Do socialismo da alta sociedade.

Quem vê caras, vê corações...

 

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Descubra as diferenças

por João-Afonso Machado, em 30.04.19

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Entre Bernardino, deputado do Partido Regenerador, Par do Reino, com o guardanapo que é a bandeira nacional, a da nossa Monarquia que ele abjurou (o próprio, segundo os jornais da época, um «quase conterrâneo» famalicense),

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e o Bernardino, o presidente populista, com o cachecol do F. C. Famalicão, após a garantia da subida do nosso glorioso clube à primeira Divisão do futebol nacional.

 

 

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Um poucochinho pela data de hoje

por João-Afonso Machado, em 25.04.19

Enfim, depois de muitas buscas na Comunicação Social (TV's e jornais), lá consegui encontrar no Observador notícia e imagens que fizessem luz sobre o incidente no aniversário do PS.

Em suma, Costa discursava e um jovem - daqueles magrinhos, de puxo no cucuruto da cabeça, - quis apossar-se do microfone para informar o mundo de uma qualquer hecatombe ecológica iminente. O dito jovem, acrescente-se, foi insistente qb e, ao que se sabe, pertence a uma organização próxima do Bloco.

O interessante do episódio consiste no breve, mas incisivo, olhar de Costa para uns camaradas engravatados, fardados de escuro, perto de si. O rapaz foi levado dali na forma mais indiscreta, vale dizer, apanhado de pernas e braços, aos baldões pelo palco abaixo. Desse-se a ocorrência com Passos Coelho ou com Víctor Gaspar e as suas origens ficariam plenamente justificadas, as suas consequências rotular-se-iam da mais sinistra violência. Qualquer jornal ou telejornal repetiria a notícia até à exaustão. Assim, não.

Aliás, Costa,recentemente, não se conseguiu esquivar a uma cachaçada de um "lesado do BES", em espera que lhe fizeram esses que, agora, além de lesados, se encontram ainda mais desesperados pelas muitas e costumeiras promessas não cumpridas. Também nesta "matéria" a Esquerda do "Povo Unido" nada se tem indignado.

Para rematar, a greve dos trasportadores de combustível, o auto-proclamado "sindicato democrático" que a promoveu, e Costa enfiado no buraquinho de rato em que se consegue encolher. Deixando para as pombinhas da Catarina o delírio de responsabilizar os anos da Troika por essa quase imobilização do País.

Mas vivemos a mais justa, equitativa e eficaz democracia! Isto é: vamos ainda a caminho do "25 de Novembro". Falta-nos percorrer o "Verão Quente"...

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Costa desrespeita a "igualdade de género"

por João-Afonso Machado, em 08.04.19

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A apresentação do paquete World Express, em Viana da Foz do Lima (vulgo "Viana do Castelo") mereceu a presença do Chefe Costa e uma gala animada pelo, também incontornável, Manuel Luís Goucha. Até aí, nada mais além do mesmo. Mas Goucha não é personagem que não se desboque. E lá foi dizendo (segundo os jornais), pesado de ironia, - Comi uma óptima cataplana em Viana. Não sei se era melhor do que a sua Senhor 1º Ministro, pois só a faz para certos apresentadores.

Estas miúdices nada interessam (conquanto o dito seja rigorosamente "marialva"), embora pareça a alusão fosse para a beldade nacional Cristina Ferreira, a cujo programa Costa compareceu e cataplanou. "Apresentador", quanto a ela, julgo ser maldoso. Eu voto na Cristina feminina! Votemos todos: viva o slogan - "Cristina feminina"!!!

Aparte isso, Costa tem de cumprir a Constituição. Tem de acompanhar todas as tendências da LGTB, já não sei quantas. Mas a igualdade do género é uma obrigação sua. Toca a cataplanar homo, hetero, bi e transsexuais, entre o restante que apareça na praça.

Costa, estás... Estás o quê? Olha, já ninguém sabe.

 

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Quem é Rui Rio?

por João-Afonso Machado, em 02.04.19

A primeira figura do PSD não é, seguramente, incontroverso. De tal modo que a cisão no partido não tardou e logo surgiu o incontornável Santana Lopes e o seu Aliança.

Aparentemente, Rio ou é ingénuo e estúpido, ou sabe o que faz e para onde quer ir. Somente talvez não denuncie, desde já, os seus planos. Primeiro sintoma de um político sagaz, reconheça-se, - na esteira do velho Costa.

Rio é inquestionavelmente social-democrata. (Eu também.) Rio não gosta de perder. (Ninguém.) Os próximos meses talvez calem tanta atoarda. Rio não gostará do CDS, mas nunca aceitará uma aliança pré ou pós eleitoral com o PS, não sendo o PSD o partido mais votado. Sobretudo com o PS de Costa. Conviria estar atento aos passos que se seguem na triste política portuguesa até Outubro.

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A prostituírem o Ideal monárquico

por João-Afonso Machado, em 17.03.19

Conheci Nuno da Câmara Pereira há 25 anos, num debate televisivo com um deputado socialista e professor da Faculdade de Letras do Porto sobre o 31 de Janeiro.

Câmara Pereira abriu o programa cantando o Embuçado. Na altura era miguelista...

Depois quis ser "Dom". Parece que de acordo com as regras próprias não foi possível. Furioso, resolveu vingar-se.

Apoderou-se então de um cadáver chamado PPM. Inventou uma nova dinastia e foi desassossegar uma pacata família, jurando-lhe ser a herdeira da Coroa portuguesa. Ela, infelizmente, acreditou..

Escrevi-lhe duas cartas abertas, na sequência de entrevistas suas, mas, de ambas, uma não foi publicada, a outra completamente ratada. Câmara Pereira tinha amigos, filiara-se na Maçonaria.

E quando o PPM já de nada lhe servia, endossou-o ao irmão Gonçalo. O cadáver era agora arrastado em câmara ainda mais lenta.

Representativo de nada - e talvez porque Marinho Pinto não se encontrásse disponível... -  foi descobrir no catedrático de Benficalogia, Prof. André Ventura, o seu candidato ao Parlamento Europeu. 

De conhecedor da insegurança nocturna lisboeta a agitado comentador do escalão CMTV, não se entende o lugar do monarquismo de André Ventura. Sabe-se apenas que ele pretende entrar na política portuguesa, um direito que plenamente lhe assiste, e que todos os partidos lhe fecham a porta. Todos? Não, o PP dito M persevera em enxovalhar o Ideal monárquico.

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Nem de propósito, uma voz incómoda que regressa a casa

por João-Afonso Machado, em 06.03.19

A Senhora D. Teodora Cardoso vai deixar a Presidência do Conselho de Finanças Públicas, ao fim de sete anos de mandato. Bato palmas! Não havia o direito de manter tão respeitável personagem, já não em idade de grandes incómodos, obrigada a dizer a verdade sobre a jagunçada do Governo da Esquerda Unida (EU).

É certo, tudo se moveu para que nada do que ela sustentou fosse levado a sério. O que vale uma Senhora honesta perante Costa & Cª em matéria de despesa pública, dívida pública, investimento público? Obviamente nada. Tão obviamente que demiti-la não valia a pena.

Neste País, o mais relapso de todos em Matemática, nobremente desconhecedor da "cadeira" de Finanças, não será dificil à EU substituir a Senhora D. Teodora por um qualquer apalermado de serviço, alguma figura invertebrada como a que a República foi desencantar em Vila Rea de Santo António. Aliás com toda a oportunidade, dada a proximidade das eleições.

 

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De passagem pela Batalha com O. Martins

por João-Afonso Machado, em 25.02.19

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A Vida de Nun'Álvares é um bocado de História com movimento, com todas as emoções que Oliveira Martins sabe dar à sua escrita e aos seus personagens. O Condestável, de início um simples escudeiro, viúvo aos 26 anos, dono de metade de Portugal, acabou repartindo a sua riqueza pelos antigos companheiros de armas e enveredar pela ascese no seu mosteiro do Carmo.

«Confiança, a confiança que há na consciência da força, não existia. Mas havia a fé: a esperança num milagre como aquele que o ano passado salara Lisboa, semeando a peste nos arraiais inimigos. Qual seria o milagre salvador de agora? Ninguém podia dizê-lo; mas confiavam todos, que um milagre viria; porque D. João I parecia predestinado, e o seu condestável figurava-se às imaginações atónitas como um anjo vindo dos céus, S. Miguel, ou S. Tiago, armado pela mão de Deus para o combate com energias invencíveis».

É o que se lê logo na primeira página do capítulo dedicado a Aljubarrota. Onde, quase juraria, ouvimos ainda agora o entrechoque das armas, as invectivas dos capitães, o relinchar dos cavalos espetados nos piques. O milagre, afinal, foi o excesso de confiança dos castelhanos, a sua soberba, e o génio e a coragem, a força de Nun'Álvares.

Recentemente canonizado. Confesso, esse não é para mim o mais importante do que foi o grande Homem. Canonizado estava ele, há muito, na sua estátua na Batalha. Porque ali não se retrata um combatente, antes uma chefia, um carácter forte, toda a tranquilidade de quem sabe defender uma causa justa. 

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A ética siciliana

por João-Afonso Machado, em 21.02.19

Especialmente gozosa a crónica, no JN, de Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, versando a inefável ética republicana. Explicando, nas suas contradições, essa ética que pressupõe duas Éticas, uma - a dos republicanos - superior à outra, a dos inquestionáveis valores primordiais.

Nuno Botelho ilustra a impagável ética republicana com o Governo de Costa. Com os Cabritas, os Vieiras da Silva, os Cravinhos - descobriu-se agora: os Zorrinhos também - os Soares e quantos mais, tudo ao monte e fé no Supremo Arquitecto.

Assim - desde sempre assim - a República se explica. Aos costumes (à costumeira vozearia) redarguirei com o cunhado do Rei de Espanha, a cumprir pena de prisão. E com Carlos César, num último dizer antes de embarcar para o Continente - a César o que é de César. E lá ficou a sua família, zelando pelos seus interesses. Não há dúvida, assim nasceu a República, assim subsistirá, entre punhais e veneno, compadrios e intrigas, nepotismo e revanches - perseguições políticas em que Salazar apenas se evidenciou um bocado mais do que os outros.

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Bons augúrios

por João-Afonso Machado, em 13.02.19

Costa não pode garantir que o aeroporto do Montijo é uma certeza por que esperou quase 60 anos; e no dia seguinte, matreiramente, afirmar não haverá esse aeroporto sem um prévio estudo do impacto ambiental

(a não ser conheça de antemão as conclusões do mesmo, circunstância não impossivel na reinação socialista...),

não pode Costa, dizia, perfeitamente sabedor de que mente, e habituado a mentir sem pudor, continuar a enganar os portugueses. Dando sempre uma no cravo, outra na ferradura, em nome do seu vício particular, o poder político.

A este propósito, o auto-afastamento de uma vintena de bloquistas, pelas razões que são deles, mas radicam nesta ambiguidade, vale muito mais do que vinte votos. Vale a rejeição da Esquerda, na sua coerência própria, vale um sinal claro de que, afinal, talvez Costa não tenha descoberto a galinha dos ovos de ouro, isto é, não se perpetue no governo deste pobre País.

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Correio do Minho

por João-Afonso Machado, em 01.02.19

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À minha prezada Amiga,

Menina Catarina:

Espero que esta a vá encontrar de boa saúde, que nós por cá todos bem. E me desculpe o incómodo, não me atreveria não fosse o acaso da fonte, e da placa nela aposta, descoberta numa das minhas recentes andanças por terras das suas gentes.

A minha rica Menina decerto não conterá a fúria diante os seus dizeres. E há de apelidar-me do pior.

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Mas, Menina Catarina, eu sequer quero comparações com o heróico antifascismo de tão galante Menina. Saiba, porém, aqui em casa não se votava Salazar e sempre se foi defensor de uma monarquia radicada na liberdade, no respeito pelas pessoas e por todos os valores da Modernidade séria, incluindo, claro está, os de Deus Pai Nosso Senhor. Se iriamos à Guerra? Iriamos. Iriamos porque não tinhamos o direito de não partilhar a sorte dos nossos compatriotas que a ela não podiam escapar. Se eramos socialistas? Não, redondamente não! O socialismo era o outro lado da Guerra, à escala mundial, uma imensa gula imperialista que cavalgava a nossa sociedade europeia. Ou estará tão arguta Menina a imaginar-nos militantes da Liga Comunista Internacionalista?

Com o 25/A, varrida a II República, pensámo-nos de regresso à civilização. Mas levámos em cheio com os desmandos dos admiradores da minha prendada Menina; e depois maltratados por este Estado voraz e corrupto, como agora vivemos. Pobres não são robles, diz o povo e com toda a razão.

A Menina perguntará, enfim, porquê isto tudo. Olhe minha Menina, porque sim - porque nada mudou, salvo as placas. À Menina, e aos da sua condição, continuamos a pagar impostos para os sustentar. Em troca - mandam-nos prás cativações. A Menina, a minha estremosa Menina, desculpará, mas para estes lados ainda ninguém veio contar a história do politicamente correcto. Por isso me despeço sem lhe revelar onde topei as ditas fonte e placa. E com um conselho: deixe o passado, pense no futuro, que ambos pertencem à História, seguramente um percurso, e não um instrumento do seu socialismo.

Este último, fique seu, sempre seu e só seu.

Do sempre devotamente também seu

JAM

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Para este próximo ano

por João-Afonso Machado, em 02.01.19

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A corvina, toda a vida, fora o mais formidável desempenho de barbatanas que o trazia preso à barra. Há quem diga, graças também ao exagero de algumas vozes mazinhas, a acrescentar-lhe o peso, a dignidade e a braveza do troféu, a delícia do pitéu. O certo é que empreendera na corvina.

E pontualíssimo, dia após dia, na foz, lançamento sobre lançamento, já não havia solha, cavala, sargo ou mesmo robalo (quando eles vêm em cardume, aos milhares, enormes), já nada sobrava para lhe satisfazer as aspirações. Senão a corvina.

Nunca a vira. Mas estudara-a, lera muito. Empenhou-se mesmo, para comprar a cana e o carreto adequados. Encheu o velho Opel Rekord de aparelhagens e iscos, cheques, sabão e víveres, o necessário para uma ausência prolongada. No carro dormia, no cais cozinhava e mirava o horizonte, conversava com as estrelas e as marés, com a lua... e infatigavelmente pescava.

Assim decorreu um ano todo. As gentes ribeirinhas segredavam entre si, aquilo ou enviuvara sem filhos, ou endoidecera. A criançada já esgotara a curiosidade de o espreitar, sempre igual.

Conheceu o fustigar das chuvas, as navalhadas do vento frio, o sol em brasa. Sem esmorecer. De coração posto na corvina, prateada, uma boca tubaranesca, para cima de uma arroba na balança... Assim ela entrasse no rio e se deixasse cativar pelos atractivos do seu anzol.

Está lá, neste exacto momento, o lutador. Viram-no receber a encomenda pesadíssima, um farto renovar do seu stock de apetrechos. E a um apiedado daquela fé, respondeu em vibrante entusiasmo - É já este ano!!!

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Bom Natal!

por João-Afonso Machado, em 24.12.18

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Vivo o Natal de um modo decerto diferente da maioria das pessoas. Para mim, o Natal é, sobretudo, saudade. É, e quero que continue a ser - muito limitado quanto a alegrias.

No entanto, imensamente agradado por muitos - quase todos - fazerem desta época um momento de bem-estar espiritual e convívio familiar, aqui deixo expresso o meu voto de uma Festa feliz em que reine o Deus Menino.

Para lá de todas as vicissitudes, a inabalável certeza do Presépio.

A todos - parceiros do Corta-Fitas, leitores do blog e os mais, - um Santo Natal, as maiores felicidades... e Paz!

 

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Penela

por João-Afonso Machado, em 09.12.18

Penela vem dos tempos da terra de ninguém a sul de Coimbra. Nasceu numa elevação, obra de um desses condes medievais cujo nome é dificil de dizer, sempre atento ao horizonte e às hostes sarracenas que lá poderia topar.

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Depois do galope de D. Afonso Henriques até Santarém e Lisboa, Penela foi sossegando. E desceu ao mundo. Até onde a vista alcançasse, as serranias só muitos séculos depois tornariam a ser invadidas pelo ruído dos motores

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Entretanto, a devoção ganhou o lugar que lhe compete e as muralhas, pelo sim, pelo não, também se mantiveram de guarda.

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De resto com uma função capital: a de permitir a visão da pequena vilória que brotou a partir do castelo, aos trambolhões  pelo morro abaixo.

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Sem comércio, quase sem serviços, é um castigo dar com a Câmara Municipal ou com o Tribunal. Naquelas paragens, até as fundamentais tascas escasseiam. A Primavera enche Penela de andorinhas e os seus ninhos nos beirais. Mas estamos quase no Inverno e o que frutifica agora é o presépio vivo. Está tudo a postos para o nascimento do Menino Jesus - S. José, sempre a carpinteirar, a vaca e o burro, as ovelhas e os pastores. E Nossa Senhora, lindíssima.

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Tanto que aproveitei um momento de distracção do empenhado S. José, às voltas com o martelo e os pregos, e tirei um retrato à já quase Mãe de Cristo (a deitar-se nas palhinhas apenas no dia 25). Mostrei-o, e Ela, na sua infinita bondade, ainda me agradeceu. Obrigado estava eu, respondi. E segui à minha vida pensando que afinal tudo se deve ter passado em Penela, e não em Belém.

 

 

 

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Sinistras ideias de borla

por João-Afonso Machado, em 30.11.18

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Entrados no mar e vencida a rebentação das ondas, os barcos vão até muito longe, lançam as redes e regressam. Mais não fora, tão biblico procedimento valerá o ataque. Mais adiantemos algo mais:

O par de horas seguinte é de grande sofrimento para os bois. Não nos enganem as imagens do presépio - os bovinos nasceram também para puxar as redes de pesca no seu arrasto de centenas de metros.

Arte xávega, esse o nome da monstruosidade praticada aqui e ali, ao longo da nossa costa, de Espinho à Caparica, com alguns episódios no Algarve. Atrelados às cordas das redes, os bois puxam-nas até ao cimo do areal. Uma vez lá, são desengatados e vêm em corrida desabrida até às águas, onde reiniciam a operação. A rede, sempre captando peixe, cresce em peso, tanto quanto cresce o cansaço dos animais. O remédio é simples - trancada de três em pipa nas costas do gado que muge, urra, de lingua de fora, esbaforido, as pratas enterradas na areia, incapazes de um passo além. Que vai dando, porém, sempre à força de porrada.

Bois mansos, cujo tormento estival é o narrado, salvo onde já foram substuídos por... tractores.

Agora os peixes que Jesus um dia multiplicou, e os portugueses vão subtraindo sem grandes critérios. Aliás, um assunto com actualidade política e com a Esquerda espantosamente desatenta. - Os peixes, esses infelizes, morrendo aos milhares e milhares todos os dias, afogados (ao contrário dos humanos) fora de água.

Volvendo à arte xávega, é somar os turistas em redor das redes, à chegada destas, num roldão, os peixes esmagando-se numa pasta multiespécie, com um ou outro, preso nas pontas, a conseguir libertar-se, ainda na espuma, quase no retrocesso da próxima onda, não fora a voz

- Eh Remígio, olha esse robalo que vai fugir!

E o Remígio, afoito, a enfiar no robalo um portentoso chuto que o leva para o meio da praia. A contorcer-se, enfarinhado em areia, melhor seria atirá-lo logo para a frigideira.

O demais peixe passará suplício idêntico, caso não lhes sorria a fortuna da morte por esmagamento. Sempe espinoteando, gozosamente (como alguns mistérios do Terço...) apartados - cavalas, carapaus, sardinhas, robalos, sargos - em cabazes e levados à lota e leiloados ainda vivos, no estertor da asfixia - ou asfixiando ainda, quando não, ao entrar na cozinha para serem estripados e comidos fresquinhos.

É assim na arte xávega, na pesca do alto mar, até mesmo em alguma desportiva. Só não se percebe é como as meninas do BE e o Sr. André já-não-me-lembro-do-resto ainda não deram por isso. Porque, de certeza, a nossa tradição piscatória (com raízes tremendamente cristãs) e a nossa economia não justificam tais barbaridades.

Além disso, o macho da cavala há de chamar-se cavalo, visto não ter sido feito duma costela da fémea e por cá sermos todos iguais. Se tem escamas ou patas, a Esquerda que se vá dando conta das burrices que propaga.

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O Dr. Mário Saraiva

por João-Afonso Machado, em 01.11.18

Parece, saiu recentemente, numa revista semanal, uma reportagem sobre a nobreza em Portugal. Não a li, nem pretendo ler. De antemão conheço a cantilena e apenas condeno os que se prestaram aos propósitos da coscuvilhice dos jornalistas.

Isto é importante no exacto sentido em que à conta dessa "nobreza" se pretende denegrir a nossa Monarquia. Nada é por acaso...

Porque, afinal, o que é ser "nobre"? Se é ser detentor do Poder, as "Necessidades" estão agora no Rato. Como já estiveram em outras "Soeiro Pereira Gomes". A nobreza actual é a classe política, aliás bem apoiada por algum poder económico (vd. diversos processos judiciais, de todos conhecidos). Os nobres de agora iniciam-se nos "paços" académicos, armam-se cavaleiros nas lojas maçónicas e alcançam o foro supremo nas bancadas parlamentares. Há muito mais duques do que antigamente - são os ministros.O mal - a burrice - está em alguns membros de famílias com história se deixarem fotografar adiante dos quadros de antepassados, em pose responsável e patriota, e em nada contribuindo para a Restauração. Mesmo a jeito do jornalista ir lá rir-se um bocado...

Enquanto isso:

Em décadas que já lá vão, conheci bem, e fui amigo, de um grande monárquico - o Dr. Mário Saraiva. Médico, viera do Cadaval para Guimarães, onde ficou até ao fim dos seus dias. Foi dos derradeiros discípulos de António Sardinha e integralista de alma e coração. Jamais trouxe à conversa os seus antecedentes familiares. E escreveu - que era monárquico não pelo coração, antes pela razão. Chegara lá de dedução em dedução, como bem explica no seu Razões Reais. E foi-o toda a vida, convictamente, enfrentado a II e a III República, sempre no seu quase anonimato. Publicou obra extensa, de que me orgulho de possuir diversos volumes dedicados e autografados. 

Era o exemplo acabado do verdadeiro monárquico. Acreditando apenas na eternidade da Nação e nos meios de a preservar. Nunca viveu em palácios.

Mas preparou várias gerações. Ensinou-as, melhor, sensibilizou-as. Nem queria saber de casamentos inter-classe, nem de distâncias sociais, nem de eventos e fatiota a rigor. Nem, é claro, de poder político ou de enriquecer neste mundo promíscuo. Simplesmente queria o Rei, símbolo da Nação, e o mando disseminado pelas terras do Reino.

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Quis o Destino, Tino

por João-Afonso Machado, em 28.10.18

IMG_20181027_090457.jpg

Tomávamos o pequeno-almoço, manhãzinha cedo, em Oldrões, Penafiel. Quando, de súbito, a pastelaria entra em alvoroço: tinha chegado lá o famosíssimo Tino de Rans. (Oldrões e Rans são duas freguesias vizinhas.) Foi um momento de política à séria.

Muitos abraços aos cavalheiros, grande troca de beijos com as senhoras presentes. O cidadão Vitorino da Silva irradia simpatia. Cumprimentei-o efusivamente: - sou um seu eleitor - disse-lhe logo.

(Parece que Tino não acreditou. Mas um parceiro, muito das minhas relações, convenceu-o - eu votei nele para as últimas Presidenciais. Monárquico como nasci, sou, e hei de morrer, só o candidato Vitorino da Silva poderia assegurar um mínimo de respeito e coerência por Portugal nesta desastrosa República. E o Tino obteve o mais fantástico resultado eleitoral, ele sozinho.)

Vinha precavido com a sua lista de assinaturas para a formação de um novo partido que almeja. - Desejo cumprir o meu sonho de ser de deputado à AR, - confessou.

Ora, a sinceridade para mim é tudo. A gente conhece as guerras intestinas nos partidos, quando se trata de formar as listas de candidatos ao cargo. Ninguém quer - mas, em boa verdade, todos querem e se guerreiam por tal. O Tino parte do zero - e ouvi-lo no Parlamento é, ou devia ser, a derradeira esperança dos portugueses da Província, em particular, e do Planeta em geral.

Não sei se foi a Oldrões a pé, ou se regressou de táxi a Rans. Sei que o vi, abracei "com afecto", e seguimos ambos, depois, os nossos caminhos. Trouxe os seus papeis. E com a mesma certeza que mandava um Santana Lopes bugiar, eu subscrevo a petição do Tino. Lembrei Marinho Pinto (cruzes!) e mais cresce em mim a crença no Senhor de Rans. Assim como este se despediu desejando apenas que Deus nos acompanhasse na nossa viagem.

Para que se saiba, nada do que digo é brincadeira ou ironia. Ver e ouvir este homem na AR, deixando sair pela boca fora o que achar não poder ficar calado, seria (será?) um lavar da alma.  Há muitos minhotos, trasmontanos e beirões a pensar assim. Oxalá nenhum escândalo superveniente anule a meta do cidadão Vitorino da Silva.

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