Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Tributo a Jim Henson

por João Távora, em 24.09.11

 

Jim Henson faria hoje 75 anos. Uma obra a rondar a genialidade.

Um outro centenário

por João Távora, em 08.10.10

 

João António Gomes de Castro, meu avô e padrinho, nasceu faz hoje cem anos. Filho único de famílias com tradição burguesa e liberal, cedo ficou órfão do pai, tendo crescido no Portugal conturbado do princípio do século. Bancário de profissão e monárquico militante, foi um cidadão do seu tempo: fundou a editora Gama para publicação dos grandes doutrinários da monarquia, foi um dos primeiros portugueses com brevet de aviação civil, e acompanhou S.A.R. no exílio D. Duarte Nuno de Bragança na viagem ao Brasil em que se celebraria o noivado com D. Maria Francisca de Orleães e Bragança. Casou com Maria da Assunção Daun e Lorena, uma mulher fascinate de quem teve sete filhos. Na Avenida da Liberdade em que crescera, no coração do império como alguém chamara, constituiu uma das casas mais luminosas de Lisboa dessa época: muito ouvi eu falar os amigos dos meus tios e avós dos saudosos serões bem-humorados de conversa fácil e erudita, um mundo encantado que eu ainda vislumbrei em pequeno. O 25 de Abril apanhou o meu avô João numa acelerada decadência física causada por uma doença incurável. A revolução ainda teve o condão de lhe avivar a ingénua esperança no restabelecimento da monarquia, por via do sufrágio universal.

Hoje lembro com saudade o Avô João de fato elegante, lenço branco no bolso do casaco, cabelo com gel e cheiro a lavanda.

Beatriz Costa: 1907 - 2007

por João Távora, em 14.12.07
Por razões profissionais, envolvi-me em vários projectos ligados a Beatriz Costa, mulher bela e desempoeirada que, sem que eu tenha conhecido pessoalmente, me conquistou e seduziu profundamente. Hoje, na passagem do centenário do seu nascimento, aqui lhe presto a minha homenagem.

Fotografia – Beatriz Costa, Rio de Janeiro 1927 - Estúdio Fotográfico Non Plus Ultra.

Tesouros de Walt Disney

por João Távora, em 09.06.07

Faz hoje 73 anos que estreou nas salas de cinema The Wise Little Hen (A Galinha Sabichona), curta-metragem da genial série de Walt Disney Silly Symphonies, película que marca a estreia mundial do popular personagem Pato Donald. A peça (de que a minha filha Carolina tão fanaticamente gosta) é uma genial fábula musical em que uma galinha, apenas com a ajuda dos seus pintos, semeia, cuida e colhe o milho. Donald e o amigo porco, que à distância dançam e cantam as desculpas para se esquivarem ao trabalho, no fim arrependem-se amargamente do seu egoísmo e preguiça quando lhes é recusada a participação num lauto e apetitoso lanche. Hoje este filme faz parte de uma esplêndida colectânea “Walt Disney - Os Melhores Contos da Animação” de grande sucesso em minha casa. O DVD, para bom grado das nossas crianças, possui uma versão muito bem dobrada em português - de realçar que muitos dos filmes são cantados com preciosas polifonias à boa maneira americana dos anos 30 e 40. A colectânea inclui A Lebre e a Tartaruga, Os Três Porquinhos (que inclui um terrível lobo mau com carregada pronúncia alemã), O Patinho Feio (nas versões de 1931 e 1939) O Rato do Campo e o Rato da Cidade, O Capuchinho Vermelho, A Arca de Noé, O Rei Midas, A Cigarra e a Formiga e O Velho Moinho, laureado com um Óscar da Academia, entre muitas mais preciosidades. Tudo esplendidamente musicado como só Carl W. Stalling ("Quem tem medo do lobo mau?") sabia fazer.

Ainda o tributo a Hergé

por João Távora, em 22.05.07

Quero prestar também aqui a minha homenagem a Hergé. Discordo apenas do João Villalobos quando mistifica a versão “animada” de Tintim que foi para mim uma autentica desilusão, um susto, uma afronta ao meu imaginário. É que a mim puseram-me um álbum do Tintim nas mãos antes sequer de eu saber o meu próprio nome. Afinal não fui eu que lhe dei voz e movimentos? Até fui eu que inventei as tramas, enquanto folheava atento os livros ainda sem saber ler... O Tintim na TV chocou-me desde logo com a veleidade daquela animação tão deficiente e a histérica dramatização daqueles guiões sempre simplificados. Fiquei definitivamente enciumado com a exposição pública e banalização do meu herói. Quase desde o berço que passeei por dentro daqueles quadradinhos, daquelas histórias e mistérios. Lembro-me das horas estáticas, de pernas cruzadas, em puro deleite passadas diante da ultima prancha do álbum Carvão no Porão, aquele insólito e colorido rally nos jardins de Moulinsart. As horas passadas em êxtase, fisgado num só quadradinho, invejando o pequeno carro vermelho do rebelde Abdallah em No Pais do Ouro Negro. Hergé deu-me os meus melhores amigos de toda a infância, de quem aliás fui íntimo. Com o Tintim e Milou fui crescendo e lutei contra os sovietes e contra a máfia. Ajudei a libertar os escravos e lutei contra o tráfico de droga. Fui também à lua, onde ia perdendo os meus amigos todos e não salvei o Engº Wolf de uma heróica morte. Planei arrastado por um condor pelas encostas dos Andes. Tremi de medo e gelei de frio a caminho do Tibete, num hino à generosidade. Comovi-me com o cão mais simpático do mundo, ri-me com os excessos do bêbado mais divertido de todos, o Capitão Haddock. Ao Hergé ficarei sempre grato pelos amigos que me proporcionou. Hergé será por certo responsável por muitas das mais felizes horas da minha infância, e por isso ser-lhe-ei sempre grato.

Tributo ao Vasco

por João Távora, em 09.07.06
O Vasco Rosa anda por aí, regressado do Brasil, e numa sua recente visita, muito emocionante e esperada, ofereceu-me o seu último trabalho, dois volumes de inéditos de Raul Brandão (Lume sob Cinzas e Paisagem com Figuras) editados em Portugal pela Âmbar e que tanta companhia me fizeram no comboio nos últimos dias.
Vasco Rosa há muitos anos que faz o favor de ser meu amigo. É editor, designer e produtor gráfico. Há quase 30 anos, na Rua de Santo Amaro, além da música brasileira (e da mística do seu Brasil), o Vasco desvendava-me os segredos das "suas" artes gráficas: numa página, à transparência, cada linha e cada caractere coincidia ao milímetro sobreposto com os seus antípodas da página de trás. E se o rapaz trabalhava!
Sempre que penso no Vasco e ele não esteja a namorar ou a vasculhar uma biblioteca, imagino-o silencioso atrás dos seus eternos óculos, à frente do computador, a trabalhar, a trabalhar, cheio de papel, livros e... os seus sonhos tropicais – Ai as miúdas!
Além de tanto trabalho anónimo para o jornalismo e edição portuguesa em geral, Vasco Rosa organizou antologias de Alexandre O’ Neill, José Cardoso Pires, Maria Filomena Mónica, Miguel Esteves Cardoso, Leonardo Ferraz de Carvalho, Vítor Cunha Rego, José Cutileiro e Rui Henriques Coimbra, entre outros. Sempre nos meandros da cultura portuguesa, Vasco Rosa é, a meu ver, um “carregador de pianos” da cultura dos nossos dias. "Rato de biblioteca" e arqueólogo literário, foi muita a literatura e a edição contemporânea que organizou e ajudou a dar ao prelo, juntando o “cimento, a água e a areia” com que se ergue uma qualquer obra sólida. E também sei quantas vezes "veste o fraque" e faz cobranças difíceis! Tão ingratamente difíceis, pois bem sabemos que os projectos, a investigação e o trabalho pela cultura é muitas vezes sacado a ferros aos nossos Mecenas distraídos...
Há alguns anos tive o gozo de “patrocinar” a sua Fotobiografia de Beatriz Costa – Avenida da Liberdade para a Mediatexto e para o Tivoli Lisboa. Foram tempos de entusiasmo e fascinantes descobertas que o Vasco me ia revelando sobre essa rapariga que já é das nossas vidas e pela qual nos apaixonámos os dois (desculpa lá o mau jeito!).
Agora o Vasco publica a sua recolha de textos inéditos de Raul Brandão, monárquico, militar, jornalista e intelectual (1867–1930). Recolhidos de revistas efémeras, jornais da época (…) e outros impressos amarelecidos e frágeis, em dois volumes.
Sei que o Vasco Rosa colabora actualmente com o Pe. Peter Stilwell na edição da Obra Completa de Ruy Cinatti. E diz-se que o seu regresso a Portugal será definitivo, e que é bem capaz de voltar a Campo D’ Ourique, de onde aliás já faz parte, tanto quanto o Jardim da Parada. Sê bem-vindo a casa, grande Vasco!

No fotografia, a "arqueologia fotográfica" desvenda-nos o Vasco Rosa (à esquerda) e eu em 1980, antes de uma noitada algures num restaurante da Baixa.



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Portugal está num processo de degradação acelerada...

  • Anónimo

    Na bicha, minha senhora, na bicha.Recusar colonial...

  • Luís Lavoura

    uma acção coerciva de uma violência brutal, sem cu...

  • Luís Lavoura

    Sim, Marina, as pessoas em Lisboa estão todas borr...

  • Anónimo

    https://observador.pt/opiniao/retorno-ao-normal-de...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2008
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2007
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2006
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D


    subscrever feeds