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A tragédia

por João Távora, em 27.01.14

A tragédia da praia do Meco é achar que o problema é a praxe. É fácil dizer que uma universidade de quinta categoria atrai pessoas de quinta categoria, os piores dos quais se dedicam a praxar os outros cruelmente, que a ralé, já se sabe, praxa mais forte do que as elites. É fácil dizer que a solução é prender o dux, proibir a praxe ou encerrar as universidades.

 

 

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Da tragédia do Meco

por João Távora, em 25.01.14

A exploração mediática da macabra tragédia do Meco ocorrida em Dezembro que ceifou a vida a seis jovens da universidade Lusófona trouxe para a ordem do dia a velha bandeira anti praxes, tradição das esquerdas academistas, que afinal não é mais que uma sua caprichosa exibição de moralismo serôdio. Se é verdade que tudo o que é tradição não é automaticamente bom, também não vislumbro uma perversão intrínseca no costume das praxes, ritual de integração grupal de comprovada eficiência com raízes profundas na Universidade de Coimbra, que como em qualquer prática humana pode degenerar em excessos – nenhum indivíduo poderá ser sujeito a tais jogos contra sua vontade. Até prova em contrário nada indica que algo parecido tenha sido a causa do fatídico evento. Finalmente, admitindo que a adolescência é um estágio algo imbecil da existência, posso-vos assegurar que de nada nos serve proibi-la. 

Este unânime coro persecutório a que hoje assistimos pretendendo atribuir a responsabilidade da desgraça à malvadez das praxes (ou à falta de vigilância das praias o ano inteiro como a certa altura apareceu sugerido num jornal diário), incorre num erro de viciosa ingenuidade, como se o destino humano pudesse ser preventivamente manobrado por legislação. Tal como querer discutir tão lúgubre tragédia à luz da decadência do ensino universitário ou duma pretensa degenerescência das novas gerações académicas, procede dum profundo equívoco que desrespeita acima de tudo a memória das vítimas. Pretender aliviar a indignação e fugir à dor alimentando um qualquer bode expiatório é como ceder a uma superstição na linha da ancestral caça às bruxas.

 

 

 

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