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José Ramos-Horta e D. Duarte Pio em 2012
Ao que se sabe as comemorações dos 500 anos da chegada de portugueses a Timor não contarão com uma representação oficial do Estado português, situação que estará a causar alguma estranheza no executivo local e incómodo na comunidade portuguesa. No entanto o Chefe da Casa Real Portuguesa, D. Duarte Duque de Bragança, que há muito mantém uma forte relação com os timorenses, será presença certa em representação da nação portuguesa. Os festejos terão o seu ponto alto no dia 28 de Novembro, data que marca ainda o 40º aniversário da declaração da independência de Timor-Leste. S.A.R. Dom Duarte de Bragança estará de volta a Portugal a tempo de fazer a sua habitual alocução do 1º de Dezembro e participar em conjunto com a Família Real no tradicional Jantar dos Conjurados que este ano se realiza no dia 4 de Dezembro no Hotel Palácio do Estoril.
Publicado originalmente aqui.
Eles dizem-nos que Timor é a terra das histórias mal contadas e acusam os jornalistas portugueses de fazerem sempre um trabalho incompleto e tendencioso nesta matéria. Mas depois põem-se a falar como se afinal fossem eles a saber tudo sobre o assunto. Desde Pacheco Pereira, que andou anos a pregar a realpolitik sobre Timor, que ele só conseguia imaginar "integrado" na Indonésia, e agora anuncia cinicamente que vai começar a ler o Australian para se informar melhor (se fosse há uns anos preferia certamente o Jakarta Post). Desde o Daniel Oliveira, que jura também não saber nada mas garante, com aquele ar categórico de todas as ocasiões, que "Xanana é o homem dos australianos". Até ao líder parlamentar do CDS, que há dias, num debate da RTP-N, chamava ao major Reinado "líder da resistência" e lamentava que "o irmão de Ramos-Horta não fale português". Devia estar a referir-se a Arsénio Horta, que fala melhor português do que muitos deputados da Assembleia da República.
De facto, eles não sabem nada de Timor. Mas não resistem a falar e a escrever sobre Timor. Como se soubessem.
O cobarde atentado de que foi vítima Ramos-Horta e a tentativa de assassínio de Xanana Gusmão não são actos isolados: são as mais recentes manobras para pôr fim a uma certa visão de Timor como membro do espaço lusófono. Não entender isto é não entender nada. A decapitação de Horta e de Xanana, vértices do ainda débil estado timorense, teria efeitos catastróficos para o mais jovem país de língua portuguesa, inviabilizando-o como nação independente e deitando por terra toda a luta heróica, travada durante duas gerações, contra o invasor indonésio. A hora não é de falar - é de agir, nomeadamente com o reforço dos efectivos policiais que nos foram já solicitados. Portugal tem obrigações históricas em relação a Timor-Leste depois do miserável abandono de 1975. Urge apoiar por todos os meios possíveis aquele povo que continua a ver Lisboa como uma capital solidária, nas boas e más horas. Nenhum outro critério, em nome do pragmatismo eurocêntrico ou do "economicismo" tornado moda corrente, deve sobrepor-se ao da ajuda fraterna a quem tanto confiou e confia em nós.A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.