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Ordem dos Cata-ventos

por Luísa Correia, em 08.11.14

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A revista L'Histoire, no seu número especial dedicado a Napoleão, dá-nos conta de que, em 1815 - na sequência de 25 anos de mudanças políticas radicais, que incluíram, desde a anarquia revolucionária até ao despotismo imperial - o jornal satírico francês «Le nain jaune» anunciava o nascimento da grande «Ordem dos Cata-ventos», na qual tinham lugar, de direito próprio, todos os franceses invertebrados (e teriam, seguramente, alguns portugueses de então, como de agora). A Ordem integrava quatro categorias, acedendo-lhes os indivíduos com as características ou comportamentos seguintes:

 

1) Grande cata-vento para todos os ventos - exigiam-se apostasia, conduta oblíqua, astúcia e velhacaria, violação de juramentos, insolência e falsidade bem caracterizadas, palinódia permanente, traição, baixeza. No caso francês, exigia-se ainda uma opinião diferente em 1789, 1792, 1796, 1814 e 1815.

 

2) Cata-vento duplo - os prestativos das antecâmaras e os jornalistas (com raras e honrosas excepções) acediam automaticamente à categoria. Seguiam-se-lhes os lambe-botas, os poetas aduladores, os parasitas, os vis complacentes e, em geral, os típicos cortesãos e «[in]dignitários».

 

3) Cata-vento de primeira classe - exigiam-se, pelo menos, dez sermões de fidelidade a favor e contra as ideias liberais em dez períodos distintos; ou seja, uma versatilidade, uma inconstância e uma cupidez indefectíveis. A composição de um acróstico em honra dos inimigos do seu país caía como ouro sobre azul.

 

4) Cata-vento de segunda classe - cabiam nesta última categoria os ingénuos, os ociosos, os intriguistas, os políticos de café e, em suma, os imbecis de todas as cores e seitas. Exigiam-se, como únicas provas, muitos bravos, muitos vivas e outras mostras de grande entusiasmo e adesão ao primeiro aparecido.

 

É sempre interessante constatar como, para além dos desenvolvimentos científicos e tecnológicos, a nossa condição humana se tem mantido, nas suas linhas gerais, tão fiél a si própria.

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A melhor resposta

por Luísa Correia, em 29.10.14

Siena

 

Há dias, na televisão, uma repórter questionava os transeuntes sobre o estado do país em matéria de liberdade. A páginas tantas, interpelando um estudante que passava, pergunta:

- Acha que há liberdade em Portugal?

- Não vou responder.

- Mas porquê?

- Porque não vou responder.

- Mas não responde porque acha que não tem liberdade para dar a sua opinião?

- Não respondo porque acho que VOCÊS não têm liberdade para a interpretar com correcção.

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