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O Expresso em revista

por João Távora, em 15.06.19

(...) Os climatólogos sabem que, se o mundo parasse hoje de ser como é, os efeitos prolongar-se-iam por centenas de anos (além da perigosa turbulência geopolítica de tal opção). No entanto, contrariar a agenda climática transformou-se hoje numa heresia a que políticos e académicos arrogantes respondem com a sobranceria de dogmas, tal como na Idade Média. E as propostas climáticas que avançam são baseadas nas premissas falsas do pensamento mágico. Não se pode refazer o passado nem parar um comboio a 300km/h no espaço de um metro.

Henrique Monteiro

 

(...) A casa, essa, permanece com a arrumação socialista dada pelas esquerdas, ou seja, a direita não pode mudar os móveis, só pode limpá-los. Se repararem, tem sido essa a função da direita pós-95: a esquerda faz as festas, desarruma a casa, toca a campainha, a criada cabisbaixa (a direita) arregaça as mangas da bata e começa a limpar; quando a casa está de novo limpa, a esquerda regressa. Este arranjo é injusto e até insultuoso para os dois milhões de eleitores que deram a vitória à direita em 2015, mas essa injustiça não começa no poder hegemónico que a esquerda soube construir. Começa, isso sim, na preguiça da direita que, passados 30 anos, ainda não foi capaz de recuperar o único projeto conservador e liberal pensado em Portugal após Camarate. Estou a falar de Francisco Lucas Pires e do Grupo de Ofir, os verdadeiros herdeiros de Sá Carneiro. Está lá tudo: leiam, estudem, preparem-se. E, acima de tudo, tenham coragem. Sim, sou de direita, e então?

Henrique Raposo 

E ainda na revista, uma entrevista de Pedro Mexia ao escritor Julian Barnes, a não perder.

Expresso de 15 de Junho de 2019

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Dezassete...

por João Távora, em 28.04.19

...é este o número de Otelo Saraiva de Carvalho. Otelo e o seu grupo terrorista, FP-25 de Abril, assassinaram dezassete portugueses nos anos 80. Um bebé está entre as vítimas. Querem saber o seu nome? Nuno Dionísio, tinha quatro meses. Querem saber mais nomes dos outros dezasseis? Agostinho Ferreira, Diamantino Pereira, Gaspar Castelo-Branco. Querem saber o nome de baleados que sobreviveram? João Mesquita ou João Oliveira. Juízes, magistrados e polícias portugueses arriscaram a vida para prender Otelo. Pelo menos um polícia perdeu a vida. Querem saber o seu nome? Álvaro Militão, inspetor da PJ, que morreu durante uma perseguição a membros das FP-25, uma organização que funcionava como qualquer outra organização criminosa e terrorista: extorsão, roubo, assassínios à bala e bomba. Este rol de atrocidades não se passou lá fora ou no nosso passado remoto. Passou-se nos anos 80. Nuno Dionísio foi assassinado a 30 de abril de 1984. Este terror não pode ser esquecido, não pode ser branqueado. Não, Otelo não é uma espécie de avô cantigas da democracia. Aliás, Otelo lutou sempre contra a democracia. Quis destruí-la antes, durante e depois das primeiras eleições livres; quis destruí-la antes, durante e depois da primeira assembleia constituinte.

Este insalubre branqueamento das FP-25 de Abril não existe por acaso. É a consequência óbvia de duas exigências da corte mediática e política que nos apascenta. Primeira exigência: os fantasmas da esquerda não existem ou são notas de rodapé; um homem de esquerda não pode ser um assassino ou terrorista; a esquerda não tem pecado, a esquerda é pura, prístina, primordial, a esquerda é a virgem intocável, a nossa senhora laicizada; a esquerda não assassina, limpa; a esquerda não dispara sobre rótulas, a esquerda “ajoelha fascistas”.

 

(...) Se tivessem sido assassinadas por um grupo de extrema direita composto por “retornados” ou “católicos”, aquelas dezassete pessoas seriam hoje mártires nacionais. Como foram assassinados por um gangue de esquerda, as dezassete vítimas de Otelo não existem na foto da memória coletiva. Alguém queimou os seus rostos com a ponta do cigarro “progressista”.

 

Henrique Raposo no Expresso, a ler na integra aqui

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Os valores ocidentais, graças a Deus

por Corta-fitas, em 20.04.19

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Esta Semana Santa tem sido pródiga em declarações de esperança de que a catedral de Notre Dame pode ser ressuscitada. É esta a lição da Páscoa: que a vida pode surgir da morte. Ao contrário da Torre Eiffel, o outro grande símbolo de Paris, Notre Dame, proporciona aos franceses a evidência de que a sua república moderna e secular tem as fundações profundamente enraizadas na Idade Média. Notre Dame foi sempre mais do que um conjunto de pedra e vitrais. É também um monumento a um passado especificamente Cristão.

 

No verão passado, um dos cientistas mais conhecidos a nível mundial, um homem famoso pelas suas polémicas contra a religião e pelos seus escritos sobre biologia evolucionária, sentou-se noutra catedral, Winchester, a ouvir os sinos. ‘Muito melhor que o som agressivo de “Allahu Akhbar”,’ partilhou no Twiter Richard Dawkins. ‘Ou será apenas a minha formação cultural?’ Uma preferência por sinos da igreja face ao som dos Muçulmanos a rezar a Deus não surge por magia. Dawkins — sendo agnóstico, secularista e humanista – partilha em absoluto os instintos de uma pessoa criada numa civilização Cristã.

 

Talvez então a dívida do Ocidente contemporâneo à Cristandade seja mais profundamente enraizada do que muitos  - crentes e não crentes – possam pensar.

 

Hoje, à medida que a maré de poder e influência do ocidente se esvazia, as ilusões dos liberais Europeus e Americanos estão em risco de ficar encalhadas. Muitos dos que procuraram classificá-las como universais, provaram nunca ter sido nada disso. Os livres pensadores, que fazem troça da própria ideia de Deus como uma fada do céu, um amigo imaginário, ainda mantêm tabus e costumes que derivam evidentemente do Cristianismo. Em 2002, em Amesterdão, o Congresso Humanista Mundial afirmava ‘o valor, a dignidade e a autonomia do indivíduo e o direito de cada ser humano à maior liberdade possível compatível com os direitos dos outros’. No entanto esta — apesar da ambição referida pelos humanistas de proporcionarem  ‘uma alternativa à religião dogmática’ — não era mais do que uma declaração de crença. O pressuposto humanista de que o ateísmo e uma preocupação pela vida humana são complementares é apenas isso: um pressuposto. Que base – além da mera sentimentalidade – existe para o defender? Talvez, como referido no manifesto humanista – através da ‘aplicação dos métodos da ciência’. No entanto, isto é tanto um mito como a história bíblica de que Deus criou a humanidade à sua imagem. Não é a verdade que a ciência oferece aos moralistas, mas um espelho. Os racistas identificam-se com valores racistas; os liberais com valores liberais. O dogma primordial do humanismo — ‘que  a moralidade é uma parte intrínseca da natureza humana e uma preocupação para os outros’ — não encontra mais corroboração na ciência do que o dogma dos Nazis de que qualquer pessoa que não fosse apta para a vida devia ser exterminada. A fonte dos valores humanistas não reside na razão, no pensamento baseado na evidência, mas no passado, e especificamente na história do modo como um culto inspirado pela execução de um criminoso obscuro num império há muito desaparecido surgiu para se tornar – como o grande académico Judeu Daniel Boyarin o apresentou - ‘o  mais poderoso dos sistemas culturais hegemónicos na história do mundo’.

 

A história da Páscoa centra-se no coração desta narrativa. A crucificação, na opinião de intelectuais Romanos, não era um castigo como os outros. Era particularmente adequado aos escravos. Ser crucificado nu, sem poder afastar os pássaros que gritam, ‘numa agonia prolongada’, como o filósofo Séneca o apresenta, ‘tumefacto, com marcas horrendas nos ombros e no peito’, era o pior de todos os destinos. No entanto, na exposição do crucificado ao olhar do público residia um paradoxo. O odor da sua desgraça era de tal forma fétido que muitos se sentiam contaminados só por ver uma crucificação. Certamente, poucos paravam para pensar sobre isso em detalhe. A ordem, a ordem amada pelos deuses e cumprida pelos magistrados investidos com toda a autoridade do maior poder na terra, era o que importava — não a eliminação dos vermes que a punham em causa. Algumas mortes eram tão vis, tão sórdidas, que o melhor era passar completamente um véu sobre elas.

 

A surpresa, então, não se prende com o facto de termos tão poucas descrições pormenorizadas na literatura antiga do que uma crucificação poderia realmente envolver, mas antes de termos algumas. No entanto, entre o silêncio generalizado, há uma excepção principal que comprova a regra. Quatro descrições detalhadas do processo pelo qual um homem podia ser condenado à cruz, e sofrer o seu castigo, sobreviveram da antiguidade. Estas descrições são encontradas, claro está, no Novo Testamento. Não há razão para duvidar dos seus pontos essenciais. Mesmo os historiadores mais cépticos tendem a aceitá-las. Nas palavras de um dos mais conceituados, Geza Vermes, ‘A morte de Jesus de Nazaré na cruz é um facto estabelecido, possivelmente o único facto comprovado sobre ele.’

 

Mais controversas, claro, são as histórias sobre o que aconteceu a seguir. Que as mulheres, indo até ao sepulcro, encontraram a pedra da entrada movida. Que Jesus, ao longo dos 40 dias seguintes, apareceu aos seus seguidores, não como um fantasma ou um cadáver reanimado, mas ressuscitado numa nova forma gloriosa. Que subiu ao céu e deverá voltar um dia. O tempo viu-o aclamado, não apenas como homem, mas como Deus. Ao enfrentar o destino mais angustiante que se possa imaginar, tinha conquistado a própria morte. ‘Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todos os nomes, para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra…’

 

A completa estranheza de tudo isto, para a grande maioria das pessoas no mundo Romano, não reside na noção de que um morto se pode tornar divino. A fronteira entre o celeste e o terrestre era vastamente considerada permeável. A divindade, no entanto, era para os maiores entre os grandes: para vencedores, e heróis, e reis. A sua medida era o poder para torturar os seus inimigos, e não sofrer a tortura por si próprio. Mesmos os Cristãos nos primeiros anos do culto, poderiam vacilar ao encarar de frente a forma da morte de Jesus. Tinham as mesmas conotações da crucificação que todos os outros. Paulo, o mais bem sucedido e influente dos primeiros missionários, descreveu prontamente a execução de Cristo como um ‘escândalo’. A vergonha foi sentida por muito tempo. Apenas séculos depois da morte de Jesus começou a sua crucificação a surgir como um tema aceitável para os artistas. No ano de 400 DC a cruz começava a deixar de ser vista como uma coisa vergonhosa. Banida como um castigo décadas antes por Constantino, o primeiro imperador Cristão, a crucificação começou a ser encarada pelo povo Romano como um sinal de triunfo sobre o pecado e a morte. Um artista, ao esculpir a cena em marfim, poderia representar Jesus com tanga esfarrapada como um atleta. Não parecendo derrotado, seria apresentado não menos musculado ou dilacerado que os deuses antigos.

 

Nós somos os herdeiros de uma forma posterior, mais inquietante, da crucificação de Cristo. O Jesus pintado ou esculpido por artistas medievais, torcido, ensanguentado, a morrer, foi uma vítima de tortura, tal como os carrascos originais teriam reconhecido. A reposta ao espectáculo, foi retirada da mistura de repulsa e desdém que tinha sido atribuída pelos antigos à crucificação. Os Cristãos na Idade Média, quando viam uma imagem do seu Senhor na cruz, com os pregos cravados nos tendões e ossos dos pés, com os braços estendidos de tal forma que pareciam arrancados dos ombros, com a cabeça coroada de espinhos caída sobre o peito, não sentiam desprezo, mas compaixão, pena, e medo. Que o Filho de Deus, nascido de uma mulher e condenado à morte como um escravo, tivesse morrido sem reconhecimento dos seus juízes, era uma reflexão digna de fazer parar mesmo o monarca mais poderoso. Este conhecimento não podia deixar de introduzir nas consciências dos Cristãos medievais uma suspeita visceral e extraordinária: que Deus estava mais próximo dos frágeis que dos poderosos, dos pobres que dos ricos. Qualquer pedinte, qualquer criminoso, poderia ser Cristo. ‘Assim os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos.’

 

O Cristianismo tinha revelado ao mundo uma verdade extraordinária: que ser a vítima poderia ser uma fonte de força. Ninguém nos tempos modernos viu isto mais claramente que o crítico mais brilhante e mais implacável da religião. Foi devido ao Cristianismo que Friedrich Nietzsche escreveu, ‘a medida da compaixão de um homem pelos humildes e pelo sofrimento passa a ser a medida da elevação da sua alma’. Os lugares do poder da cultura ocidental podem agora estar ocupados por pessoas que descartam o Cristianismo como superstição; mas os seus instintos e pressupostos não deixam de ser menos Cristãos por isso. Se Deus está de facto morto, então a sua sombra, imensa e terrível, continua a cintilar mesmo com o seu cadáver já frio. O Cristo ressuscitado não pode ser evitado simplesmente recusando acreditar nele. Que os perseguidos e desfavorecidos têm queixas face aos privilegiados — amplamente dado como certo hoje em todo o Ocidente — não é remotamente uma verdade evidente. As condenações do Cristianismo como patriarcal, ou repressivo, ou hegemónico decorrem de um conjunto de valores que em si próprios não são nada se não forem Cristãos.

 

A familiaridade com a história da Páscoa dessensibilizou-nos face ao que Paulo e Nietzsche, de duas formas muito diferentes, reconheceram instintivamente naquela: um escândalo. A cruz, a ferramenta antiga do poder imperial, permanece o que sempre foi: o símbolo apropriado de uma transfiguração na história da humanidade tão profunda e vasta como qualquer outra na história. ‘O que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte.’ É a audácia – a audácia de descobrir num cadáver torcido e derrotado a glória do criador do universo – que serve para explicar, com mais certeza do que qualquer outra coisa, a completa estranheza do Cristianismo e da civilização à qual deu origem.

 

Hoje, o poder desta estranheza perene está tão vivo como sempre esteve. É manifesto no aumento das conversões que varreram a África e a Ásia no último século; na convicção de milhões e milhões de que o poder do Espírito, como um fogo vivo, ainda arde no mundo; e, na Europa e na América do Norte, nas convicções de muitos mais milhões que nunca pensariam em descrever-se a si próprios como Cristãos. Somos todos herdeiros da mesma revolução: uma revolução que tem, no seu cerne, a imagem de um Deus morto, depois de ser torturado.

 

"Thank God for western values" Tom Holland in The Spectator

 

Tradução Carlota Cambournac

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A Europa Cristã

por João Távora, em 19.04.19

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(...) A Europa de hoje é de uma beleza arquitetónica notável. No entanto, à semelhança de tantos edifícios belos, a UE é oca no campo espiritual e narrativo. A sua beleza é só racional, falta o resto, falta o essencial: o sentimento de pertença histórico e metafísico. E esse sentimento só pode ser dado pelo cristianismo. Sem o chão comum de São Paulo, a Europa cairá no pesadelo pagão, secular e relativista: a Babel nacionalista do sangue, do solo, da kultur. A cristandade é o único elemento partilhado por todas as vinte e sete tribos de UE — o único. Olhando para trás, para a história, a fé cristã é a única argamassa histórica que liga as vinte e sete sagas. Olhando para cima, para a transcendência, a cristandade é a única metafísica capaz de criar uma abóbada por cima dos vinte e sete solos. (...)

 

Henrique Raposo  aqui no Expresso

Foto daqui

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Gente estranha

por João Távora, em 19.04.19

"É verdade que são estranhos aqueles cristãos, explica o autor da carta [Epístola a Diogneto, Séc. II], os cristãos daquele tempo; não se importam com o mundo, desprezam a morte, e ignoram os deuses pagãos, deuses de pedra, de bronze, madeira, de prata, ferro, deuses de barro, materiais perecíveis. Também não querem saber das práticas judaicas, diz o autor, de interdições alimentares, superstições de calendário, ou não queriam, os cristãos daquele tempo. São gente estranha mas que não se distingue dos outros cidadãos, vestem as mesmas roupas, têm os mesmos usos, vivem onde os outros vivem: “Todo o país estrangeiro é para eles uma pátria, e toda a pátria um país estrangeiro.” São estranhos porque não cultivam o domínio, a posse, mas a entreajuda, a mansidão. E quando querem persuadir, aqueles cristãos, usam a palavra, não a força, “porque a força não é um atributo de Deus”, frase espantosa."

Pedro Mexia na Revista do Expresso

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Um raio de luz nestes dias sombrios

por João Távora, em 04.03.19

"A nossa história (do Vale d’ Acór que celebra 25 anos por estes dias) é fundamentalmente uma história de insucesso. Das pessoas que vêm ter connosco 70 % não continuam. (…) A Igreja, o Mundo, a comunidade em geral, se não tem pessoas e organizações que se dedicam a acompanhar os que não vão ter sucesso, isso contribui para que isto seja muito mais feio. Se só nos dedicamos à eficácia social, que é uma tentação das organizações, do Estado e não só, no final temos x pessoas que tiveram rendimento escolar; x pessoas que foram reinseridas; x pessoas que são casos de sucesso para serem mostrados. Tudo isso deixa os outros para trás: por muito sujos que estejam, por muito rebentados que sejam, por muito estragados que estejam, são pessoas humanas, e como questão mais poderosa, são nossos irmãos.


(...) As pessoas que recebemos são pessoas a maior parte delas que cresceram no feio, deitam-se no feio, passam o dia no feio. Quem vem à nossa casa reparará que (…) há um cuidado que ela seja uma casa e que essa casa tenha beleza. Alguém disse que a beleza é difícil. Mas de facto a beleza é um dos sinais com que Deus nos chama mais. A beleza é um dos sinais que Deus nos deixa no caminho para nos lembrar que somos feitos para mais. A beleza tem a grande potência de nos fazer não gostar ou detestar a “não beleza”. A beleza atrai-nos, a beleza puxa-nos e afasta-nos da vida suja."

Pe. Pedro Quintela em entrevista a Aura Miguel na Rádio Renascença. 

 

 

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"Não houve fantasma nenhum – o socratismo despesista existiu mesmo, teve implicações catastróficas para o país, e é imperdoável negá-lo, ou andar a fazer ironia com a página política mais dramática de toda a nossa democracia: a dívida pública portuguesa passou de 96 mil milhões no primeiro trimestre de 2005 para 195 mil milhões de euros no primeiro trimestre de 2011. Em apenas seis anos, o governo de José Sócrates agravou a dívida em 100 mil milhões de euros, cerca de 44 pontos percentuais do PIB (de 67,4% em 2005 para 111,4% em 2011). São números estratosféricos."

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Boas notícias

por João Távora, em 06.11.18

As fake news são parte inerente da liberdade de expressão e da participação democrática; proibi-las apenas faz sentido no regime dos ayatollahs, onde alguém se arroga o direito de estar acima dos outros e de ser o verdadeiro intérprete da Verdade. Em democracia, proibir fake news é apenas mais um mecanismo para criar castas superiores, que se dedicam a vigiar o cidadão comum – os guardiões dos costumes.

 

Nuno Garoupa no Polígrafo, a acompanhar atentamente

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O sequestro dos moderados

por João Távora, em 29.10.18

O verdadeiro perigo da sua presidência de Bolsonaro é outro: a incapacidade de proporcionar o governo estável e reformista de que o Brasil precisa, e agravar, com isso, a crise do país. É por isso uma tragédia que a direita conservadora e liberal não tenha conseguido protagonizar o movimento de repúdio do PT. Mas porque não conseguiu? Porque essa direita, no Brasil, se descredibilizou, ao colaborar durante anos com o PT e a sua corrupção. A opção de votar Haddad, como percebeu Fernando Henrique Cardoso, teria completado esse descrédito. Mas lá e cá, onde a Lisboa política tentou imitar as eleições brasileiras como a província imita o carnaval, vimos demasiada direita a procurar pateticamente um atestado de “moderação” abraçando o PT. A “moderação”, porém, não é escolher um dos extremos: é recusar essa escolha.

 

A Ler Rui Ramos na integra aqui

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Tempos interessantes?

por João Távora, em 23.10.18

Esta esquerda, que há muito se habituou a condicionar as cabeças e os corações dos eleitores, controla o léxico da comunicação, continuando a distribuir qualificativos destinados a acordar fantasmas de tiranias passadas (só as "fascistas") e a toldar a dura realidade das presentes tiranias. Mas se ainda domina nos grandes media, na Academia e até nas Artes, perdeu o domínio do povo. E é isso que lhe dói: deixar de controlar o que deve ouvir, ver, pensar e escolher "o povo".

 

A Ler o artigo de Jailme Nogueira Pinto aqui no Diário de Notícias

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Da Joana

por João Távora, em 21.09.18

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O propósito da geringonça protegida e até liderada por Marcelo Rebelo de Sousa, amigo de longa data de Ricardo Salgado, é esconder e impedir. O propósito é esconder o verdadeiro estado do país e impedir um verdadeiro recontro jurídico com o passado. O propósito é evitar que se reforme o SNS ou o Metro, entre outras coisas, e impedir que se investigue a fundo a CGD, a TAP, o socratismo, o BES, esse caso que o “Marcelo comentador” comentava através da lente do amigo.

A geringonça que expulsou Passos, porque tinha (e tem) medo do seu reformismo, é a mesma geringonça que agora expulsa Joana Marques Vidal, porque tem medo das investigações em curso
Se o propósito é impedir e esconder, Joana Marques Vidal era uma adversária tão ou mais poderosa do que Passos Coelho. Estava escrito: a geringonça que expulsou Passos, porque tinha (e tem) medo do seu reformismo, é a mesma geringonça que agora expulsa Joana Marques Vidal, porque tem medo das investigações em curso. É só isto. Nem por acaso, Joana Marques Vidal foi logo atacada pelo ministro-sombra de Costa, Rui Rio, que se juntou desde o início ao coro liderado pelo PS e por Costa.
António Costa, político do PS e ministro do socratismo, não podia gostar de Joana Marques Vidal. Quem se mete com o PS leva! Há dias, aqui no Expresso, Luís Marques mencionou as pressões de que Souto Moura foi alvo devido ao processo Casa Pia, que acabou por envolver figuras do PS. Um dia saberemos. O certo é que, depois de Souto Moura, o PS colocou na Procuradoria uma comédia. É este mesmo PS que agora recusa reconduzir a única procuradora que nos deu a sensação de vivermos numa democracia a sério, onde os poderosos não estão acima da lei. Guardião dos interesses das clientelas eleitorais que não querem as reformas, o PS julga-se acima da lei, julga-se acima do bem e do mal. Marcelo, amigo de Salgado, é conivente.
De repente, o fedor dos anos socráticos voltou.

 

Henrique Raposo no Expresso Diário

 

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Entregues aos bichos

por João Távora, em 18.08.18

(...) O problema dos partidos dos extremos, tanto à esquerda como à direita, é que põem em causa esses fundamentos, em função daquilo que são os seus objectivos políticos. O PCP é a melhor prova disso mesmo, com o seu patético apoio aos regimes mais abjectos, desde que vagamente comunistas. Mas também o Bloco de Esquerda sujou as mãos com a Venezuela de Chávez, com a ETA não-terrorista ou com o “prisioneiro Lula”. Desde que praticadas em nome dos mais fracos e dos bons princípios socialistas, as derivas autoritárias, a corrupção ou a estatização descabelada passam a ser subitamente aceites, quando não aplaudidas. É aí que Bloco, PCP e Frente Nacional se revelam filhos da mesma mãe – todos acomodam práticas populistas e iliberais em nome do seu “bem”, seja o “pobre” ou o “francês”. Já eu não aceito essas práticas – nunca, em nome de nada. Fiz-me entender? 

 

A let na integra João Miguel Tavares aqui

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Do regime

por João Távora, em 07.08.18

(...) O que aconteceu no PSD entre 2015 e 2017 é que a maioria dos seus militantes parece ter-se convencido de que precisam urgentemente de voltar ao poder, e que isso só será possível à boleia dos antigos ministros de Sócrates. Foi uma tentação que sempre existiu nos aparelhos partidários da direita: em 1978, levou à ASDI; em 1983, ao Bloco Central. Mas o que está em causa não é apenas a existência de uma alternativa ao PS: é a existência de uma força de pressão reformista no regime. Sem essa pressão, anulada através da submissão do PSD ao PS, resta ao regime, endividado e em divergência da Europa, confiar no BCE e na conjuntura mundial. Mas talvez baste os juros subirem ou a massa dos turistas regressar à Tunísia para, como acontece a cada incêndio florestal com a Protecção Civil, redescobrirmos que as coisas não estão bem. Não esperem uma crise do PSD: esperem uma crise do regime.

 

A ler Rui Ramos no Observador

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Da bondade

por João Távora, em 20.07.18

Curioso é como as nossas limitações e defeitos inatos, devidamente identificados e controlados, podem tornar-se alicerces dum percurso para a santidade.

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"O centenário da revolução poderia ser um bom momento para nos debruçarmos sobre a História Russa em particular e sobre a violência na sociedade em geral. A família real russa, no fundo, já estava condenada à morte logo que os bolcheviques tomaram o poder, pois o assassinato de Ekaterimburgo não passou de um episódio do chamado “terror vermelho”, que ceifou milhões de vidas. Os comunistas começaram por matar nobreza e alta burguesia, monárquicos e liberais, socialistas de direita e de esquerda, anarquistas e outros “aliados descartáveis”. Depois, como é sabido, deram início ao extermínio mútuo e à criação de “inimigos do povo”, pois a máquina do terror não podia parar."

 

 

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Eucaliptos e teorias da conspiração

por João Távora, em 05.07.18

(...) A sociedade, tendo o bode expiatório do eucalipto e dos grandes interesses económicos associados, só dificilmente se mobiliza para disponibilizar os recursos necessários para resolver a falha de mercado que tem permitido a expansão, em algumas áreas claramente excessiva, do eucalipto.

Pôr a tónica na espécie, em vez de a pôr no verdadeiro problema, isto é, na ausência de gestão, é andarmo-nos a enganar sobre a melhor forma de resgatar o mundo rural da armadilha de fogo em que está metido. (...)

 

A ler o nosso Henrique Pereira dos Santos aqui na integra.

 

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Imigração e identidade nacional

por João Távora, em 22.06.18

As elites ocidentais continuam a tratar a imigração com aquela arrogância colonial que fazia da “integração” e da “assimilação” o método de lidar com povos de culturas diferentes. Não conseguem admitir que as novas comunidades migrantes possam manter a sua cultura de origem e recusar os valores das sociedades de acolhimento. Não percebem, sequer, que o relativismo e a má consciência desarmaram os ocidentais para efectuar integrações e assimilações. E não se atrevem, por fim, a reflectir na hipótese de o modo de vida ocidental – a democracia, o Estado social, a tolerância, etc. — depender da coesão nacional, e poder não sobreviver à transformação das sociedades ocidentais numa justaposição de comunidades estranhas entre si. Não, a questão identitária não é simplesmente um vício dos “nacionalistas”.

 

A ler na integra Rui Ramos aqui

 
 

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Visto de Espanha

por João Távora, em 21.06.18

A falta de un sistema político en el que encaje su figura oficialmente, el pretendiente al extinto trono, intenta servir al pueblo luso a su manera, empleando su prestigio familiar para patrocinar causas benéficas -como la recaudación de fondos para los afectados por los incendios que devastaron al país vecino el año pasado- y promover la identidad portuguesa -con visitas regulares a las ex colonias del Imperio-. Para muchos lusos el noble es una especie de padre de la patria, respetado por ser descendiente directo de João IV (1604-1656), el heroico rey que restauró la independencia de Portugal tras 60 años de dominio español.

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Leitura aconselhada

por João Távora, em 17.06.18

Ninguém se propõe a resolver o problema dos sismos

porque é uma idiotice, mas facilmente

nos propomos a resolver o dos fogos,

quando isso também é uma idiotice.

O fogo, tal como o sismo, existirá sempre

e está para além da nossa capacidade de o eliminar.


O nosso Henrique Pereira dos Santos em entrevista ao Ponto SJ o novo sitio dos Jesuítas, a ler hoje quando se assinala um ano passado sobre a tragédia de Pedrógão Grande. 

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Mais escravidão

por João Távora, em 12.06.18

Filhos sem património são filhos deserdados. Gerações privadas da cultura que as precedeu são gerações órfãs. Assim, se a escola de Bourdieu se limitava a produzir ‘herdeiros’, o que fazem hoje as nossas escolas? A escola que resiste à transmissão da cultura mais não faz do que produzir gerações de deserdados. (...)

Os deserdados são a geração de jovens que não lê, que tem medo dos compromissos, fortemente individualista, que se deixa manipular facilmente, alimentada apenas de referentes efémeros e atraída por escassos slogans que preenchem de repente o desconforto do seu próprio vazio.

 

A ler na integra Margarida Miranda aqui

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