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Anti-racismo.

por João Távora, em 18.02.20

A igreja de Pedro, herança de Jesus Cristo, no Vaticano, numa paróquia de Lisboa, numa aldeia de África ou em qualquer lugar da terra, é o maior exemplo de promoção e sucesso de convivência interétnica e racial que eu conheço. Orgulhamos-nos disso, pois.

Chega de escroques

por João Távora, em 17.02.20

André Ventura.jpg

Ainda estou a tentar perceber quem André Ventura queria atingir com este tweet, para além do claro propósito de relativizar da atitude alarve da claque vimaranense ontem com Marega. Não percebo se fala como adversário político da deputada Joacine ou como comentador benfiquista ressentido da derrota de sábado na Luz e adversário do Porto desprovido de simpatia pelos seus atletas, ou se simplesmente está a usar a velha táctica dos esquerdistas quando se vêm apertados de chamar hipócrita aos seus adversários, género “vocês são todos racistas só que não assumem”. Pela minha parte quero relevar que me faz muita confusão a quantidade de pessoas que acham aceitável qualificar (enxovalhar) uma pessoa pela sua cor da pele ou pertença étnica. De resto, se este triste episódio não nos autoriza a classificar os portugueses de racistas (há por aí muita gente a esfregar as mãos de contentes com a hipótese), já temos informação suficiente para chamar escroque ao André Ventura. 

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Em dias de tempestade verbal como esta, se me sobra algum respeito (ainda assim muito) reservo-o a brancos que falam em nome próprio, em defesa da sua identidade branca, como Maria de Fátima Bonifácio. Não me sinto obrigado a respeitar brancos que usurpam sentimentos, identidades, representatividades de terceiros. Não por uma birra qualquer, mas porque usurpar identidades alheias é profundamente imoral. A representatividade social existe para ser tomada a sério. Os homens não representam as mulheres; os idosos não representam os jovens; os ricos não representam os pobres; logo, os brancos não representam negros, ciganos ou quaisquer outros. (...)

(...) Há outro detalhe da loucura dos tempos. Ao longo de quatro séculos, negros das mais variadas origens, estatutos (as comunidades ancestrais africanas organizam-se por linhagens, isto é, desde a origem que marcam diferenças sociais), línguas, crenças, hábitos, tradições em África eram, depois, amalgamados nos países de destino da escravatura como se fossem todos iguais. Bastava serem negros para se reconverterem numa massa coletiva indistinta homogénea, para desaparecerem enquanto indivíduos e, com isso, dissolvia-se a singularidade e subjetividade que a condição humana acarreta. Por ironia, esse passado está hoje bem vivo pela ação do igualitarismo de esquerda.

(...) Mas é importante clarificar ainda outra questão. O que marca as sociedades ocidentais é o primado do indivíduo sobre o coletivo, sendo o inverso na tradição islâmica ou na tradição soviética. Isso para sublinhar que, no mundo ocidental, nunca serão os negros ou os ciganos enquanto coletivos a «subir na vida», mas todos os indivíduos de todas as pertenças raciais, e cada um por si. Negros, brancos, mestiços, pobres, remediados e todos os demais. É por serem assim que as sociedades ocidentais articulam, melhor do que muitas outras, mobilidade social com coesão social.

Por isso, é do caminho cultural da descoberta do indivíduo enquanto tal de que mais necessitam os segmentos que mais recentemente se vão integrando na tradição ocidental, as minorias. (...)

Gabriel Mithá Ribeiro a ler na integra aqui 

Nós e os outros - racionalidade precisa-se!

por João Távora, em 08.07.19

tintin_2-1.jpg

Anda praí um forrobodó que extravasa as redes sociais por causa dum artigo polémico da Maria de Fátima Bonifácio, de tal forma que o jornal que o publicou já veio meter os pés pelas mãos manifestando arrependimento e pedidos de desculpa à parte dos leitores que se amofinou com ele. O  Público fez bem publicá-lo: a censura ou a proibição é sempre um erro grave, para mais num debate que me parece tão difícil quanto importante. Ou seja, como poderemos em Portugal garantir a preservação dos nossos valores civilizacionais e ao mesmo tempo promover uma abertura a culturas em que a maioria dos seus elementos neles não se revêem? Em minha defesa, e antes que me comecem a apedrejar pelos motivos errados, deixem-me que vos diga que ao contrário da Maria de Fátima Bonifácio, eu não concordo com as quotas para as mulheres e acho que o maior problema de Portugal são os portugueses - basta conhecer a nossa História ou constatar a maioria de esquerda que por passividade nossa nos pastoreia há pelo menos duzentos anos - somos demasiado atreitos ao Síndrome de Estocolmo. Além disso, parece-me que temos muita sorte pelo facto de a maioria dos imigrantes que se por cá vêm instalando provirem das nossas antigas colónias, e assim sendo, maioritariamente de origem cultural cristã. E estou convencido que por essa razão, mais tarde ou mais cedo, não terão dificuldade em reconhecer os direitos e deveres que se lhes assistem como Seres Humanos. Já quanto à Revolução Francesa imagino que o assunto não os inspire grandemente, e devêmo-nos congratular por isso. De resto, constatar que há ciganos e outras comunidades que evidenciam dificuldades de integração é tão legítimo quanto admitir que há polícias racistas ou lisboetas racistas. Admito que sejam por enquanto casos pontuais que não devem ser exacerbados mas para os quais devemos olhar com realismo, por forma sabermos que políticas se empreender para mitigar a fractura e promover uma mais salutar assimilação. Porque me parece inevitável que as próximas gerações tenham de acolher e aprender a conviver com um cada vez maior número de imigrantes à procura daqueles trabalhos que por cá mais ninguém quer e do conforto que só o nosso modo de vida, com as nossas regras, proporciona. Não irá ser fácil, mas o pior que podemos fazer é alimentar tabus e evitar polémicas, por mais incómodas que nos pareçam. Há que olhar para os nossos vizinhos europeus e tentar aprender com os seus erros.

 

Ilustração: acampamento de ciganos nos jardins de Moulinsart, do álbum do Tintim "As Jóias de Castafiore", leitura juvenil que desconfio terá escapado à historiadora Maria de Fátima Bonifácio

Do racismo III

por João Távora, em 29.01.19

(...) Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.(...)

 

A propósito do tema da segregação racial é importante ouvir esta impressionante interpretação de Billie Holiday de "Strange fruit" de 1939, que fala dos corpos dos negros linchados pendurados nos álamos do sul dos Estados Unidos no século XIX. Muito caminho foi feito desde então. Certo é que, mais eficiente que qualquer activismo marxista para a erradicação do racismo (como é ser negro nos antigos paraísos socialistas?), tem sido o efeito ao longo das ultimas décadas do "Soft Power" que emerge no ocidente liberal judaico-cristão, através da produção literária, da música (em especial do Jazz e da Pop) e do cinema, que tem ensinado gerações a conviver em harmonia com a diferença étnica e (às vezes) cultural. Claro que ainda falta muito caminho e os Mamadous só atrapalham. 

 

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Do racismo II

por João Távora, em 23.01.19

jamaica.jpg

A pobreza extrema desumaniza. O pior mesmo nos guetos suburbanos é a violência e a miséria moral da lei do mais forte que medra na clandestinidade - isto nada tem a ver com etnias ou cor de pele. O pior nem é o facto da polícia não ter lá lugar: é a total ausência do padre, do professor ou do médico. Acabar com estes antros replicadores de pobreza e potenciadores de revolta devia ser a prioridade da acção política em vez do "não assunto" do racismo que tanto agrada aos extremistas dos dois lados.

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Do racismo

por João Távora, em 22.01.19

O facto é que Mamadou Ba, que usa e abusa duma linguagem de ódio, como ontem ao apelidar “bosta da bófia” à Polícia que é garante da paz pública constitucionalmente consagrada, é ele próprio um exemplo de racismo e intolerância, com estreita ligação politica e laboral ao Bloco de Esquerda… que suporta o Governo da república. 
De resto, a exaltação ou vitimização de uma determinada etnia ou cor de pele são igualmente formas racismo, que podem resultar em discriminação e ódio. Irónico é constatar que hoje quem deve estar a esfregar as mãos de contente é o idiota do Ventura. 

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