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260 anos não apagam a memória

por João Távora, em 04.01.19

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«A aurora do dia 13 de janeiro de 1759 alvorejava uma luz azulada do eclipse d’aquelle dia por entre castellos pardacentos de nuvens esfumaradas, que a espaços saraivavam bategas de aguaceiros glaciaes. O cadafalso construido durante a noite, estava humido. As rodas e as aspas dos tormentos gottejavam sobre o pavimento de pinho. Ás vezes rajadas de vento do mar zuniam por entre as cruzes das aspas e sacudiam ligeiramente os postes. Uns homens que bebiam aguardente e tiritavam, cobriam com encerados urna falua carregada de lenha e barricas de alcateia, atracada ao caes defronte do tablado. Ás 6 horas e 42 minutos ainda mal se entrevia a facha escura com umas scintillações de espadas nuas, que se avisinhava do cadafalso. Era um esquadrão de dragões. O patear cadente dos cavallos fazia um ruído cavo na terra empapada pela chuva. Atraz do esquadrão seguiam os ministros criminaes, a cavallo, uns com as togas, outros de capa e volta, e o corregedor da côrte com grande magestade pavorosa. Depois urna caixa negra que se movia vagarosamente entre dois padres. Era a cadeirinha da Marqueza de Tavora, D. Leonor. Alas de tropa ladeavam o prestito, e á volta do tablado postaram-se os juizes do crime, aconchegando as capas das faces varejadas pelas cordas da chuva. Do lado da barra reboava o mugido das vagas que rolavam e vinham chofrar espumas no parapeito da caes. Havia uma escada que subia para o patíbulo. A marqueza apeou da cadeirinha, dispensando o amparo dos padres. Ajoelhou no primeiro degrau da escada, e confessou-se por espaço de 50 minutos. Entretanto rnartellava-se no cadafalso. Aperfeiçoavam-se as aspas, cravavam-se prégos necessarios á segurança dos postes, aparafuzavam-se as roscas das rodas. Recebida a absolvição. a padecente subiu, entre os dois padres, a escada, na sua natural attitude altiva, direita com os olhos fitos no espectaculo dos tormentos. Trajava de setim escuro, fitas nas madeixas grisalhas, diamantes nas orelhas e n’um laço dos cabellos, envolta em uma capa alvadia roçagante. Assim tinha sido presa um mez antes. Nunca lhe tinham consentido que mudasse camiza nem lenço do pescoço. Receberam-a tres algozes no topo da escada, e mandaram-a fazer um giro no cadafalso para ser bem vista e reconhecida. Depois mostraram-lhe um por um os instrumentos das execuções, e explicaram-lhe por miudo como haviam de morrer seu marido, seus filhos, e o marido de sua filha. Mostraram-lhe o masso de ferro que devia matar-lhe o marido a pancadas na arca do peito, as thesouras ou aspas em que se haviam de quebrar os ossos das pernas e dos braços ao marido e aos filhos, e explicaram-lhe como era que as rodas operavam no garrote, cuja corda lhe mostravam, e o modo como ella repuchava e estrangulava ao desandar do arrôcho. A marqueza então succumbiu, chorou muito anciada, e pediu que a matassem depressa. O algoz tirou-lhe a capa, e mandou-a sentar n’um banco de pinho, no centro do cadafalso, sobre a capa que dobrou devagar, horrendamente devagar. Ella sentou-se. Tinha as mãos amarradas, e não podia compôr o vestido que cahira mal. Ergueu-se, e com um movimento do pé consertou a orla da saia. O algoz vendou-a; e ao pôr-lhe a mão no pescoço, - não me descomponhas - disse ella, e inclinou a cabeça que lhe foi decepada pela nuca, de um só golpe.»

 

In "Perfil do Marquês de Pombal" de Camilo Castelo Branco em 1882, por ocasião do centenário da morte do minsitro de Dom José. 

 

 

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Save the date

por João Távora, em 20.09.16

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A Real Associação de Lisboa promove no próximo dia 1 de Outubro pelas 15:30 (Sábado) na Academia da Estrela sita na Rua do Quelhas, 32 – Lisboa, o debate “Cinco de Outubro e D. Manuel II – Histórias e Ficções” que colocará em confronto duas sensibilidades distintas de dois conhecidos jornalistas da nossa praça sobre a revolução republicana: pelo lado azul e branco a de Nuno Galopim, autor do “Manuel II – Os últimos dias do Rei” um romance histórico recentemente lançado; e pelo lado verde-rubro, a de Fernando Madaíll, autor do romance “A Costureira Sem Cabeça”, uma recriação da implantação da República contada por imaginários “dizeres do povo.

Saiba mais aqui

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Direito, Ética e Política

por João Távora, em 17.11.14

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Nem de propósito, eu diria, amanhã às 19,00hs o Prof. Doutor Paulo Otero estará no IDL - Instituto Amaro da Costa para falar sobre o tema "Direito, Ética e Política" em mais uma sessão de "À Volta dos Livros" que é um ciclo de encontros coordenado e apresentado por Filipe Anacoreta Correia e João Vacas com vista a promover a divulgação de obras de Ciência Política e Relações Internacionais da Biblioteca do IDL.

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João Pereira Coutinho

por João Távora, em 27.05.14

Mais logo pelas 19,00hs o IDL abre as portas para uma boa conversa com João Pereira Coutinho "À Volta dos Livros" a respeito da sua mais recente obra Conservadorismo”.

"À Volta dos Livros" é um ciclo de encontros mensais apresentado por João Vacas com vista a promover a divulgação de obras de Ciência Política e Relações Internacionais da Biblioteca do IDL. Saiba mais aqui

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Livros

por João Távora, em 12.05.14

O IDL - Instituto Amaro da Costa, organiza amanhã pelas 19,00 hs mais uma sessão de À Volta dos Livros que será dedicada à obra Deng Xiaoping and the Transformation of China, de Ezra Vogel, que será apresentada pela convidada especial Prof. Doutora Raquel Vaz-Pinto, Professora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa e Presidente da Associação Portuguesa de Ciência Política.
"À Volta dos Livros" é um ciclo de encontros mensais apresentado por João Vacas com vista a promover a divulgação de obras de Ciência Política e Relações Internacionais da Biblioteca do IDL. Saiba mais aqui

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Sugestão - última chamada

por João Távora, em 12.12.13


No Natal, oferecer um presente a alguém - de quem nos desejamos aproximar ou simplesmente homenagear - será sempre com toda a certeza uma atitude de uma enorme dignidade. É nesta perspectiva que durante este mês promovo um desconto de 40% na compra online do meu Livro Liberdade 232, aqui

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À moda do Porto...

por João Távora, em 05.12.13

Esta noite, para nos falar sobre a "Importância da Herança Cultural Portuguesa no Mundo", teremos a opinião sensata e conhecedora de SAR, Dom Duarte de Bragança que falará na Casa de Bonjóia, pelas 21h15, no âmbito das tertúlias à moda do Porto: "Serões da Bonjóia". A entrada é livre. A não faltar.

 

Via João Amorim

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Sugestão de leitura para férias

por João Távora, em 20.07.13


(...) "E recordo com saudade as vezes que passeava orgulhoso ao lado do meu pai no seu Volkswagen aos abanões pelo meio das dunas dos Aivados. E havia o nosso guia Jacinto, um pescador autóctone que o auxiliava em façanhas piscatórias, e que nos acompanhava no Canal à lota do peixe. No último ano que passámos juntos em Milfontes, meu pai comprou uma velha barca que deixou à guarda do Jacinto, para um imprescindível restauro. Depois do 25 de Abril, ele não voltou a Vila Nova, e eu nunca mais soube o que se passara com o nosso barco, com o qual tenho a certeza ambos sonhámos divertidas aventuras e passeios numas férias que jamais aconteceram. Talvez por mero pudor, nunca falámos do assunto."


Liberdade 232 - pp. 143 Livro à venda na FNAC e aqui:http://www.liberdade232.com/



Foto 1 - Barco à beira do rio Mira, autor e data desconhecidos. 


Foto 2 - Milfontes 1965: Jacinto em frente à antiga "Casa do pijama" - actual Restaurante Portal da Vila - foto de Joao Folque gentilmente cedida por Filipe de Menezes.


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Mais logo, lá estarei

por João Távora, em 21.05.13

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Publicidade descarada

por João Távora, em 19.04.13

 

 

Ou então comodamente pelo site oficial:
http://www.liberdade232.com/

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Adelino Amaro da Costa faria hoje 70 anos

por João Távora, em 18.04.13

Para comemorar a data o Instituto Amaro da Costa organiza uma tertúlia no Porto com o tema "Os nossos primeiros passos 1974 - 1981". Será uma oportunidade para se conhecer os tempos da formação da democracia, do CDS e do IDL. São convidados Eugénio Anacoreta Correia, fundador do IDL no Porto e Manuel Serrão ex dirigente da Juventude Centrista.

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Traga um amigo também!

por João Távora, em 19.04.12

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Ainda a tempo

por João Távora, em 11.04.12

 

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Má publicidade? Mesmo?

por Francisco Mota Ferreira, em 29.09.11
"A mulher que se acha inteligente reclama igualdade de direitos com os homens. Mas a mulher que é realmente inteligente não o faz."

Sidonie Gabrielle Colette

 

Parece que, no Brasil, anda tudo muito preocupado com um anúncio da marca de lingerie Hope em que a modelo brasileira Gisele Bündchen surge apenas em roupa interior ensinando às mulheres como devem dar más notícias aos maridos: apenas em lingerie.

A coisa foi de tal ordem que a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência brasileira – só o nome arrepia per si – quer mesmo que o anúncio seja retirado do ar porque, dizem eles, existe uma mensagem sexista que faz com que se olhe para a mulher como objecto sexual.

Confesso que me faz alguma confusão tudo isto. As marcas de lingerie, sejam elas quais forem, sujeitam deliberadamente a mulher a este papel. E estas aceitam-no. Porque gostam de se sentir sensuais, provocantes e mulheres, mas também porque gostam de agradar à cara-metade. É por isso é que estas lojas existem, dão lucro e vendem. A lingerie, mais do um conjunto de vestuário essencial, é também um objecto criado para satisfação do ego. Da mulher e do homem.

Convenhamos que seria estranho ver um homem a fazer o anúncio ou ver a Gisele Bündchen de gola alta a anunciar lingerie. Estes anúncios têm pouca roupa pela natureza específica do que anunciam. E têm de ter mulheres, de preferência bonitas e com curvas. E a mensagem, subliminar ou directa, é sempre a mesma. Seja da Hope ou de outra marca qualquer.

É, por isso, um perfeito disparate o alegado direito à indignação das autoridades. No século XXI existir uma Secretaria de Políticas para as Mulheres é reconhecer a alegada subalternidade do sexo feminino o que, eu acho, tirando nas sociedades mais tradicionais, já não existe. Por amor de Deus, até o Brasil já tem uma mulher presidenta

A polémica aqui é estéril e só faz com que o feitiço se vire contra o feiticeiro. Acredito que todas estas notícias despertaram a curiosidade de homens e mulheres e a Hope deve estar a vender bem a sua nova colecção. E, se calhar, com estratégia pensada ou não – eu acredito que sim – é isso que interessa à marca. Passados alguns anos, ainda nos lembraremos, certamente, da Gisele Bündchen a pedir desculpa por ter batido com o carro. Não nos lembraremos, de certeza, da Secretaria de Políticas para as Mulheres…

 

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Comentários recentes

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