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Com que então querem proibir os meninos de se humilharem? A sério? E que mais? Também estão a pensar proibir os meninos que à meia noite já estão a vomitar a Alta de se humilharem no vómito? E as miúdas entornadas que abrem as pernas e se humilham na farmácia no dia seguinte: lapidação? E nas redes sociais? Também estão a pensar em proibir as humilhações de gordas no facebook? E os mendigos que pedem na rua ? Também vão limpá-los?
Filipe Nunes Vicente a ler na integra aqui
Quando entrei na Faculdade de Direito, na Universidade Clássica de Lisboa, não vivi nem ouvi falar de praxes, nem sequer da memória delas. Vivi e ouvi falar, sim, de uma nova e emocionante fase de vida.
Os bons professores dos bons liceus costumavam, aliás, advertir os finalistas sobre os benefícios e riscos desse novo passo que iam dar. Estávamos habituados, no liceu, a ser acompanhados, guiados, repreendidos, incentivados e ajudados. Ora, tudo isso acabava com a entrada na Faculdade. A Faculdade era a admissão à vida adulta. Era o fim do pastoreio. Na Faculdade cada um trabalhava conforme o seu juízo, ambição, objectivo e capacidade. Na Faculdade o elemento do rebanho ascendia a indivíduo. Era uma transição cheia de responsabilidade e orgulho.
Parece, agora, que alguns promovem as praxes como confirmação de pertença. Omitem sempre que, a haver acesso a uma pertença, se trata de pertença à manada.
Parece, agora, que há quem defenda as praxes como exercício de solidariedade. Distorcem grosseiramente as noções, e calam sempre que o exercício convida antes ao conformismo e promove a obediência como valor absoluto.
Havia, quando entrei na Faculdade, um outro excelente exercício para quem professa os valores do colectivo e da uniformidade: era o serviço militar obrigatório. Aprendia-se a marcar passo, a seguir sem pestanejar as ordens, a cultivar o espírito de corpo, e, no fim, até havia uma guerra capaz de satisfazer os que gostam de formas de comunhão mais violentas.
A exploração mediática da macabra tragédia do Meco ocorrida em Dezembro que ceifou a vida a seis jovens da universidade Lusófona trouxe para a ordem do dia a velha bandeira anti praxes, tradição das esquerdas academistas, que afinal não é mais que uma sua caprichosa exibição de moralismo serôdio. Se é verdade que tudo o que é tradição não é automaticamente bom, também não vislumbro uma perversão intrínseca no costume das praxes, ritual de integração grupal de comprovada eficiência com raízes profundas na Universidade de Coimbra, que como em qualquer prática humana pode degenerar em excessos – nenhum indivíduo poderá ser sujeito a tais jogos contra sua vontade. Até prova em contrário nada indica que algo parecido tenha sido a causa do fatídico evento. Finalmente, admitindo que a adolescência é um estágio algo imbecil da existência, posso-vos assegurar que de nada nos serve proibi-la.
Este unânime coro persecutório a que hoje assistimos pretendendo atribuir a responsabilidade da desgraça à malvadez das praxes (ou à falta de vigilância das praias o ano inteiro como a certa altura apareceu sugerido num jornal diário), incorre num erro de viciosa ingenuidade, como se o destino humano pudesse ser preventivamente manobrado por legislação. Tal como querer discutir tão lúgubre tragédia à luz da decadência do ensino universitário ou duma pretensa degenerescência das novas gerações académicas, procede dum profundo equívoco que desrespeita acima de tudo a memória das vítimas. Pretender aliviar a indignação e fugir à dor alimentando um qualquer bode expiatório é como ceder a uma superstição na linha da ancestral caça às bruxas.
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