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Continuam em bicos dos pés (mas Obama já não está a olhar)

por José Mendonça da Cruz, em 06.01.10

Em Dezembro de 2008, o então ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, obviamente após consulta com o seu Primeiro-Ministro, José Sócrates, anunciou a nós e ao Mundo que Portugal era o primeiro país candidato a receber os prisioneiros de Guantanamo, que, em campanha, o presidente-eleito Obama anunciara que iria libertar.

Perigosa e irresponsável, vazia de toda a seriedade, guiada pela mão embriagada da propaganda, esta proclamação tinha o mérito relativo de colocar o nosso ministro de Estrangeiros e o nosso Primeiro-Ministro, julgavam eles, em bicos de pés perante a estrela Obama e o planeta.

Na altura, o New York Times (que é «liberal» mas ainda pratica jornalismo de investigação e sério) publicara uma lista dos detidos e das acusações que pesavam sobre eles, e o Departamento de Defesa Americano detinha e facultava informações sobre os presos de Guantanamo, como ainda detém e faculta hoje (e pode consultar-se aqui). O Weekly Standard (conservador) publicava, à mesma altura, uma investigação onde revelava que, dos 800 prisioneiros iniciais, restavam em Guantanamo, em finais de 2008, 248, sendo 14 deles considerados pelos serviços de informação «de alto valor». Desses 248 prisioneiros, cada um tinha uma ou cumulativamente várias das seguintes qualidades:

- 116 tinham ligações a redes jihadistas como recrutadores ou recrutados;

- 146 operaram postos de acolhimento da Al Qaeda ou dos taliban ou foram recolhidos neles, segundo pressupostos exigentes;

- 112 participaram em hostilidades no Afeganistão ou outro cenário de guerra equivalente;

- 174 deram ou receberam treino no Afeganistão, Paquistão ou Bósnia.

E sendo a sua perigosidade estabelecida com base em 4 sinais de alerta, 227 tinham ao menos um sinal de alerta; 181 tinham dois ou mais. 

Era desta gente que Luís Amado e José Sócrates queriam fazer-nos a todos orgulhosos anfitriãos, para maior brilho do seu governo e lustre da mania portuguesa das grandezas.

 Mas Obama já não está a olhar. Obama mudou de ideias. Obama - político, sério e competente - não brinca com coisas sérias, não brinca com o terrorismo e o seu país, e afinal não fechou nem tem data para fechar Guantanamo. Luís Amado e José Sócrates é que, na nossa memória, lá devem continuar, em bicos dos pés. Para gozarem plenamente o ridículo merecido, em vez do sonhado brilho.

José Sócrates e Luís Amado. «Eu! Eu!»

Manuela "Fasssista" Leite

por Tiago Moreira Ramalho, em 19.01.09

Santos Silva acusa Ferreira Leite de usar linguagem própria da extrema-direita

 

A propaganda já era habitual neste governo. Os grandes anúncios. Os grandes pacotes de emergência. As grandes medidas de apoio às famílias. Já estávamos habituados a tudo isso. Aquilo a que não estávamos habituados, de todo, era a este tipo de insinuação, no mínimo, infeliz. O que Augusto Santos Silva está a fazer é a utilizar toda a carga negativa associada à extrema-direita (o racismo, a intolerância, o nacionalismo, as mortes, a repressão, o Mussolini e o Salazar) para denegrir a imagem de um partido que, por ser de direita e por estar num país que ainda não compreendeu a diferença entre a direita de hoje e a do passado, é alvo da desconfiança de muitos. Dizer actualmente que Manuela Ferreira Leite é de extrema-direita é como dizer que José Sócrates é socialista - daquele socialismo que "se usava" na Rússia de Estaline. O PS está podre.

Já vi este filme

por Pedro Correia, em 10.12.08

A defesa de Maria Lurdes Rodrigues é apenas o pretexto. Mário Soares está preocupado em marcar terreno a Manuel Alegre: repete-se o sucedido na campanha presidencial de 2006. Agora a pensar no calendário eleitoral de 2009.

A maioria nas mãos de Alegre

por Pedro Correia, em 13.11.08

 

Manuel Alegre pôs o dedo na ferida: "Como reformar a educação, sem ou contra os professores?”, questionou o histórico deputado socialista, afirmando em voz bem alta, como é seu costume, aquilo que muitos trampolineiros do partido do Governo vão já dizendo também por aí, mas por enquanto ainda em sussurro. A crítica de Alegre é política, mas Maria de Lurdes Rodrigues, incapaz de enfrentar o contraditório, levou a questão para o plano pessoal, procurando desqulificar o interlocutor ao insinuar que o vice-presidente da Assembleia da República lhe dirigira "insultos". A fragilidade actual da ministra ficou bem patente no facto de José Socrates ter sentido necessidade de fazer coro contra Alegre, deixando estalar o verniz: na sua opinião, o poeta "não tem razão nenhuma".

Chega tarde à refrega. Este primeiro-ministro que assim fala é o mesmo que em Janeiro tirou Correia de Campos do Governo, precisamente no auge das críticas de Alegre ao ministro da Saúde, e pôs no lugar de Campos uma apoiante da candidatura presidencial do autor da Trova do Vento que Passa. Como já aqui escrevi, a "escovadela" de que o titular da Saúde foi alvo reforçou a legitimidade da acção política de Alegre, dentro e fora do partido. Sócrates detesta as posições críticas de Alegre, embora só agora isso tenha ficado transparente. Mas não ignora que o poeta, quando fala, não se limita a exprimir teses pessoais: dá voz a uma ampla corrente de opinião, cada vez mais dissonante de um governo que se multiplica em trapalhadas. Estamos a falar de um milhão de votos. Por outras palavras: a revalidação da maioria absoluta socialista está cada vez mais nas mãos de Alegre. Basta ele querer. Ou não.

Cinco deputados exemplares

por Pedro Correia, em 08.11.08

Cinco - apenas cinco - deputados do PS resgataram a honra perdida do partido na votação das alterações ao código laboral, juntando os seus votos aos parlamentares da oposição que chumbaram o diploma. O Governo acaba de fazer passar na Assembleia da República uma lei em quase tudo semelhante à que foi apresentada pelo ministro Bagão Félix em 2003 e então mereceu o voto contra socialista. Com argumentos inversos aos agora usados para dar luz verde à lei. Apesar de tudo, repito, houve cinco deputados com memória, que não desdizem hoje o que o seu grupo parlamentar dissera há cinco anos. Vale a pena registar os seus nomes pelo exemplo que dão de coerência e verticalidade, ainda que se arrisquem a enfrentar a reacção irada do Grande Chefe e as pressões do ministro da Propaganda. Chamam-se Eugénia Alho, Júlia Caré, Matilde Sousa Franco, Teresa Alegre Portugal e Manuel Alegre. São deputados que prestigiam a instituição parlamentar e não vultos amestrados à mercê de um toque de cornetim.

 

ADENDA: "As situações são evolutivas", diz na RTP N o deputado socialista José Lello, para justificar a cambalhota do PS. Quer dizer: para justificar o injustificável.

Cambada de maricas

por Pedro Correia, em 10.10.08

Um único deputado socialista digno desse nome emergiu hoje da mais conformada e conformista bancada parlamentar que o PS teve desde sempre em São Bento: Manuel Alegre. Entre os que defendiam o casamento homossexual, só ele votou de acordo com as suas convicções, sem receio de que a hipócrita direcção da bancada, rendida ao diktak de José Sócrates, lhe puxasse as orelhas. Os outros andaram a cochichar pelos cantos, durante a semana, soprando a jornalistas amigos que fariam e aconteciam, acabando afinal por hipotecar as consciências: pensam de uma maneira, votaram de outra, dando assim um magnífico exemplo de cidadania aos portugueses. Cambada de maricas.

O cargo e as convicções

por Pedro Correia, em 21.09.08

É duro ter que sacrificar convicções pessoais a favor da disciplina de voto imposta pelo chefe. Percebo, por isso, o dilema de Alberto Martins, líder parlamentar do PS. Dizendo-se pessoalmente favorável à consagração legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo, vê-se no entanto obrigado a impor aos deputados socialistas que façam como ele, votando contra o que pensam em nome de conveniências políticas de circunstância. É difícil ser líder parlamentar em ocasiões como estas. Tanto que nem percebo como é que Alberto Martins não sacrifica o cargo em vez de sacrificar as convicções.

Melhor deputado do PS

por Pedro Correia, em 20.08.08

MANUEL ALEGRE

Outros optam pelo servilismo e pelo situacionismo, limitando-se a não fazer ondas para evitar desagradar ao chefe. Ele não. Pensa pela sua cabeça, vota de acordo com a sua consciência em todas as matérias que não estão vinculadas à disciplina de voto no PS. Fala quando entende - e, quando fala, é um dos oradores escutados com mais atenção no hemiciclo. Há uma palavra bonita e antiga que define bem uma das suas melhores qualidades: a eloquência.

Deputado desde a Constituinte, um dos mais conhecidos dos portugueses, esteve em todos os debates fundamentais da nossa democracia. Quase sempre no lugar certo. Hoje é vice-presidente da Assembleia da República - não pelo cumprimento de qualquer quota reservada aos poetas, mas por mérito político muito próprio. Um dia, quando deixar São Bento, o Parlamento ficará mais pobre.

Há quem entenda que os deputados são todos iguais. Eu não. Por isso voto nele.

Não se deixem iludir: é tudo política

por Pedro Correia, em 15.07.08

 José Sócrates sacrificou o ministro Correia de Campos, em Janeiro, para tranquilizar Manuel Alegre. Substituiu o titular da pasta da Saúde, alvo principal das críticas de Alegre, por Ana Jorge, que fora apoiante da candidatura do poeta a Belém. Com isto, procurou calar o incómodo socialista. Azar: o efeito foi precisamente o contrário. Alegre percebeu então, melhor que nunca, até que ponto pode condicionar a acção política de Sócrates com uma simples frase tonitruante. Isto nada tem de poético. É tudo política. O primeiro-ministro que diz não recear Jerónimo de Sousa nem Francisco Louçã receia seriamente Alegre – ameaça real ao Governo PS não por ter escrito a “Trova do Vento que Passa”, mas por ser um sério caçador de votos. Mário Soares que o diga.

A remodelação de Janeiro, momento supremo de fraqueza de Sócrates, foi um erro político que o chefe do Executivo está a pagar caro. E com juros elevadíssimos.
Como diria o general De Gaulle, “as coisas são o que são”.

O líder da oposição

por Pedro Correia, em 05.06.08

"Em princípio, se estiver no PS, votarei Sócrates [em 2009]." Frase de Manuel Alegre, em entrevista a Judite Sousa, há poucos minutos, na RTP. Pela primeira vez, o histórico socialista admite seriamente abandonar o partido: o cerco da esquerda a Sócrates começa a apertar-se. Com toda a força.

Esqueçam Manuela Ferreira Leite. Está encontrado o verdadeiro líder da oposição.

As farpas da Madeira

por João Távora, em 30.03.08

Para Alberto João Jardim vai chegar a hora, provavelmente pela altura da sua merecida reforma, em que os seus adversários mais credíveis, mesmo que parcimoniosamente, se juntarão ao coro rendendo homenagem ao corajoso dirigente pela sua ímpar carreira ao serviço dos madeirenses e da sua ilha da Madeira. A constante diabolização do líder regional por parte dos seus fracos rivais e eternos falhados soa a mau perder, quando não a mau carácter político. É por isso que não estranho o reconhecimento dos seus méritos por parte de um dos poucos socialistas no activo com sentido de história e de estado – Jaime Gama.
De resto, supondo que afinal de contas o poder da Madeira nos últimos 30 anos foi alcançado de forma ilícita e sistematicamente reconhecido por incompetência das instituições, seria todo o sistema, incluindo os seus órgãos de poder, que estariam desautorizados. E nesse caso a nossa classe dirigente deveria no mínimo ser declarada inepta e compulsivamente interditada e aposentada.     

Os novos obstáculos de António Costa

por Pedro Correia, em 03.09.07
A recente investida do ministro da Agricultura contra o Bloco de Esquerda, a propósito da destruição de um hectare de milho transgénico em Silves, não poderia ter ocorrido num momento politicamente mais inoportuno para António Costa, ex-número dois do Governo. Costa precisa do Bloco no seu frágil executivo em Lisboa: sem o apoio de Sá Fernandes, a sua tarefa na capital tornar-se-á ainda mais complicada. Seguramente o ex-ministro da Administração Interna não aplaudiu a diatribe de Jaime Silva contra os bloquistas (iniciada junto ao milheiral de Silves e reiterada no dia seguinte em entrevista à SIC Notícias). E a sua irritação será ainda maior por saber – funcionando este Governo como funciona, e sendo José Sócrates como é – que o titular da pasta da Agricultura nunca falaria como falou sem a conivência, senão mesmo com o estímulo, do primeiro-ministro. Ao atacar o Bloco, Jaime Silva marcou pontos junto de Sócrates, o que poderá valer-lhe uma pasta mais apetecida na próxima remodelação governamental. E confirmou que Costa terá de enfrentar obstáculos de que mal suspeitava quando decidiu correr em pista própria, enfrentando o desafio de Lisboa.



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