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O Anjo de Getsémani

por João Távora, em 08.04.23

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Quando era miúdo, perturbava-me especialmente o evangelho do Domingo de Ramos quando se dá início à Semana Santa, sobre a agonia de Jesus no jardim de Getsémani, depois da Última Ceia. Afastado dos apóstolos em amargo diálogo com Deus Pai, afundado em dúvidas, a angústia foi tão profunda que, segundo São Lucas "o seu suor tornou-se em gotas de sangue a cair sobre a terra.” Na minha família, no modo possível numa casa com cinco crianças quase da mesma idade, os meus pais tentavam incutir alguma sobriedade pelo menos a partir de Sexta-feira Santa – a televisão apagada ajudava bastante. Lembro-me então de tentar pôr-me no lugar d’Ele, sabendo que estava prestes a cumprir o seu destino de morte da cruz, para que se cumprissem as palavras dos profetas, não sem antes ser atormentado, não só pela tortura física que ia ser sujeito em todo o processo, mas pela brutal humilhação cometida pelos poderosos de Jerusalém que estava destinado a enfrentar. O próprio “Escolhido”, em que Deus pusera “toda a Sua complacência” estava profundamente só e mortificado como estaria um homem comum. O meu pai explicara-me certa vez que o número de 29 chicotadas era definido assim na tradição romana como o limite do castigo físico, para que a vítima não morresse antes da pena estar completa, tal era o sadismo do aviltamento. Mas o que me perturbava mesmo eram aqueles momentos de solidão profunda em que Jesus parece querer resistir ao seu destino, aparenta perder as forças junto da meta estabelecida, dirigindo-se ao Alto: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice” (Mateus 26:39). É então que, nessa enorme aflição, terá sido consolado por um Anjo (Lucas 22:43). Mais tarde, quase adolescente, tocou-me especialmente a canção "Gethsemane (I Only Want to Say)" em “Jesus Christ Superstar” de Andrew Lloyd Webber, onde algumas interpretações exprimem genialmente o dramático conflito interior de Jesus Cristo, poucas horas antes de se deixar prender pelos fariseus com a ajuda de Judas Iscariotes – traidores sempre os houve. Jesus Cristo, mesmo sendo Deus feito Homem, teve de escolher, teve de optar em consciência, o caminho a tomar. Sempre o livre-arbítrio…

Hoje, salta-nos aos olhos a incapacidade da sociedade do bem-estar acompanhar, com um mínimo de profundidade, a densa questão filosófica e existencial que emana da inquietante Páscoa de Jesus Cristo. Tudo se resolve com uma escapadela turística e muita gastronomia, evitando-se qualquer convite ao questionamento sobre a nossa condição e razão de existir, à inquietação e ao espanto. A geração mais bem preparada de sempre (e a dos seus pais) disfarça mal a inaptidão para questionar a vida além do superficial e do plausível – uma hipnótica série de televisão resolve facilmente o tédio de tanto bem-estar. De resto, como referiu certa vez Stephen Hawking, "a Filosofia está morta". Hoje não é mais do que um capricho caricato e inútil de uns quantos excêntricos (e não foi sempre assim?). A Salvação vem perdendo procura na medida em que nos vamos dissipando na precariedade do entretenimento e no sentimentalismo, infantilizados pelo apoucamento auto-induzido da nossa própria humanidade.

Mas vale a pena deixar por momentos de lado os ovos e os coelhinhos de chocolate para deitar um olhar à repudiada cruz. Ao menos na Páscoa. Talvez ela seja sinónimo da libertação por que todos ansiamos: a dor olhos-nos-olhos, que não escamoteia a angústia, a dúvida e a incompletude. A outorga da soberania. O desprendimento de nós face à grandeza do desconcertante destino de Jesus. A Cruz torna-se, afinal, o vislumbre de um lugar de paz interior, de recomeço. A verdadeira revolução que concede a tranquilidade ao Homem, capaz de amar o outro como a si mesmo, capaz de amar o seu inimigo, de assumir a carga do madeiro que simboliza as suas dores e inquietações. A pacificação com o Criador, a irmandade em Jesus. A morte que resulta em Vida, no Homem Novo. A Cruz que, como noite escura de nós, afinal nos fará inteiros ao raiar da manhã, libertos do nosso precário personagem. Porque partilhada com Cristo, é possível abraçar a cruz e chegarmos à prometida Páscoa redentora.

Dito isto, este ano não consigo desligar os últimos dias de Jesus da angústia que vivem por estes dias os Padres inocentes da Igreja, segregados, vilipendiados nas redes, nas ruas, nos jornais, sem direito à presunção de inocência e à defesa do seu bom nome. Condenados à fogueira por uma sociedade fútil, ressabiada e sedenta de escândalos que a distraiam duma vida sem propósito.

Tive a sorte de conhecer alguns dos melhores Padres da minha geração. A todos eles, que, persistentemente imitando Jesus, foram para mim faróis e apoio no caminho de vida, hoje é dia de aqui lhes deixar expressa a minha profunda gratidão. Que na tormenta da sua entrega à pesada cruz que lhes foi destinada, o Anjo de Getsémani lhes venha oferecer consolo e renovadas forças, para prosseguirem o seu serviço pastoral de anúncio da ressurreição que a todos é oferecida na Páscoa de Jesus. Para muitos como eu não há quem os substitua.

Publicado originalmente no Observador

Sexta-feira Santa

por João Távora, em 07.04.23

Com os votos de uma Sexta-feira Santa cheia da esperança a que nós os cristãos somos convidados a cultivar, partilho este meu artigo publicado no Observador e que dedico aos Padres que tive a sorte de conhecer. Quantas vezes numa imitação fiel de Jesus foram eles que acolheram as minhas aflições e iluminaram o caminho que a minha vida tomou. Que na tormenta da sua entrega à pesada cruz que lhes foi destinada por estes dias negros, o Anjo de Getsémani lhes venha oferecer consolo e renovadas forças.

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Recolhidos às catacumbas

por João Távora, em 06.04.23

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Não há muitos anos, numa das derradeiras vigílias pascais celebradas pelo Pe. João Seabra na Basílica dos Mártires, que eram acontecimentos religiosos de uma beleza inolvidável, sempre profundamente solenes e participados (Igreja cheia até à rua), lembro-me bem do choque sentido à saída: com a minha mulher e filhos no caminho para o parque de estacionamento do Camões, e depois no carro, no percurso até à 24 de Julho, entrávamos numa realidade paralela. Enfrentávamos um mar de gente, magotes de foliões, jovens e menos jovens, rapazes e raparigas, mais ou menos excêntricos, a encher as ruas e praças, divertindo-se nos bares e esplanadas, às portas das discotecas, de copos e garrafas nas mãos, absolutamente alheios à Páscoa que acabara de chegar. Então, esfregou-se-me na cara que nós os católicos actualmente somos uma minoria quase irrelevante, e que a força da mundanidade envolve-nos, subjuga-nos cada vez com mais vigor, a ponto de ser uma tarefa hercúlea passarmos aos nossos filhos os valores e cultura cristã.

Ao tempo da minha adolescência, ocorrida na segunda metade dos anos setenta, o espaço público era marcado essencialmente pela televisão do Estado (só havia dois canais) e ainda reflectia o calendário religioso com uma programação sóbria, nomeadamente com episódios da vida de Jesus, algum filme sobre a bíblia, ou um concerto de música clássica.

Aqui chegados, ainda foi com espanto que soube que a Liga de Clubes marcara um “jogo grande” como o Benfica - Porto para o serão de Sexta-feira Santa, amanhã justamente à hora da Via Sacra. Não me estou a queixar, mas esse sinal é a evidência de que Portugal já não é um país católico. Estamos prestes a recolher às catacumbas.

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Domingo

De Páscoa

por João Távora, em 04.04.21

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. João

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo que Jesus amava e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro¬. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro:¬ viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

Palavra da Salvação.

Comentário: Pedro e João, juntamente com Madalena, são as primeiras testemunhas do túmulo vazio, naquela manhã de Páscoa. Não foi, porém, muito facilmente que eles chegaram à conclusão de que Jesus estava vivo. A sua fé será progressiva, caminhará entre incredulidade e dúvidas. Só perante as ligaduras e o lençol, cuidadosamente dobrados, o que excluía a hipótese de roubo, se lhes começam a abrir os olhos para a realidade.
No seu amor intuitivo, João é o primeiro a compreender os sinais da Ressurreição. Mas bem depressa Pedro, que, não por acaso mas intencionalmente, ocupa o primeiro lugar e nos aparece já nesta manhã como Chefe do Colégio Apostólico, descobre a verdade, anunciada tão claramente pela Escritura e pelo mesmo Jesus. Depois, em contacto pessoal com o Ressuscitado, a sua fé tornar-se-á firme como «rocha» inabalável.

Domingo de Páscoa

por João Távora, em 21.04.19

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 


No primeiro dia da semana, ao romper da manhã, as mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia foram ao sepulcro, levando os perfumes que tinham preparado. Encontraram a pedra do sepulcro removida e, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus. Estando elas perplexas com o su¬cedido, apareceram-lhes dois homens com vestes res¬¬plandecentes. Ficaram amedrontadas e inclinaram o rosto para o chão, enquanto eles lhes diziam: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui: ressuscitou. Lembrai-vos como Ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: ‘O Filho do homem tem de ser entregue às mãos dos pecadores, tem de ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia’». Elas lembraram-se então das palavras de Jesus. Voltando do sepulcro, foram contar tudo isto aos Onze, bem como a todos os outros. Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam com elas diziam isto aos Apóstolos. Mas tais palavras pareciam-lhes um desvario e não acreditaram nelas. Entretanto, Pedro pôs-se a caminho e correu ao sepulcro. Debruçando-se, viu apenas as ligaduras e voltou para casa admirado com o que tinha sucedido. 


Palavra da salvação. 

 

Ilustração: pintura de Raffaellino del Garbo (1466 - 1524)

Domingo de Páscoa

por João Távora, em 01.04.18

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Fra Angelico (1395-1445) Fresco. Convento de São Marcos em Florença.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos 


Depois de passar o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamar Jesus. E no primeiro dia da semana, partindo muito cedo, chegaram ao sepulcro ao nascer do sol. Diziam umas às outras: «Quem nos irá revolver a pedra da entrada do sepulcro?». Mas, olhando, viram que a pedra já fora revolvida; e era muito grande. Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Mas ele disse-lhes: «Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui. Vede o lugar onde O tinham depositado. Agora ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse». 


Palavra da salvação. 

Domingo de Páscoa

por João Távora, em 27.03.16

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


No primeiro dia da semana, ao romper da manhã, as mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia foram ao sepulcro, levando os perfumes que tinham preparado. Encontraram a pedra do sepulcro removida e, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus. Estando elas perplexas com o sucedido, apareceram-lhes dois homens com vestes resplandecentes. Ficaram amedrontadas e inclinaram o rosto para o chão, enquanto eles lhes diziam: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui: ressuscitou. Lembrai-vos como Ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: ‘O Filho do homem tem de ser entregue às mãos dos pecadores, tem de ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia’». Elas lembraram-se então das palavras de Jesus. Voltando do sepulcro, foram contar tudo isto aos Onze, bem como a todos os outros. Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam com elas diziam isto aos Apóstolos. Mas tais palavras pareciam-lhes um desvario e não acreditaram nelas. Entretanto, Pedro pôs-se a caminho e correu ao sepulcro. Debruçando-se, viu apenas as ligaduras e voltou para casa admirado com o que tinha sucedido.

Da Bíblia Sagrada

 

Paixão

por João Távora, em 25.03.16

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Sexta-feira Santa para os cristãos é tempo de oração, de penitência e introspecção. Se com Jesus partilhámos quarenta dias no deserto, hoje com Ele nos dispomos mais logo a padecer na Via Sacra, um exercício espiritual e físico que se faz revivendo o trajecto seguido por Jesus carregando a cruz, que vai do Pretório até o Calvário no caminho da crucificação. Eu todos os anos participo nesse ritual, juntando-me às orações das gentes do Vale de Acór – instituição católica da margem sul que há mais de 25 anos abriga e trata toxicodependentes - numa inspiradora procissão que serpenteia pelas ruas do Bairro do Pica-Pau Amarelo em direcção à Igreja Matriz do Monte da Caparica. Esta é uma caminhada densa que cada um faz entregando a sua História, as suas angústias, as suas faltas e desejos. No final, já noite escura, prostrados perante Jesus Cristo humilhado, vilipendiado, crucificado e morto num banho de dor lancinante, podemos recordar o seu deseperado apelo: “Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste?" eco de uma solidão tão profundamente humana. Nascera assim como o mais pobre dos homens trinta anos antes em Belém, aquecido pelos animais numa manjedoura e reverenciado por pobres pastores. 

Acontece que é também na rendição a um destino ou verdade que se esconde um singular atalho de libertação. Quando paramos de lutar contra os nossos medos e dores, acumulados até à exaustão com os ferimentos duma fuga interminável que perdeu sentido e direcção. Para nos encontrarmos em descanso na profundidade da nossa mais recôndita consciência, numa entrega incondicional ao Criador. “Nas tuas mãos, entrego o meu espírito”. Parece-me que chegamos à maturidade quando descobrimos que é este desprendimento a única saída dos imensos becos que edificamos a cada dia. Que não somos donos do nosso destino, e que só assim actua em nós o perdão redentor que nos vai devolver a vida, a esperança, um amanhecer, um Homem que se renova. O homem novo que se liberta do sepulcro em que se deixou enclausurar, claustrofóbico, egocêntrico, confundido.
A penitência é rejeitada pela modernidade que renega a culpa e o sofrimento, e promove o orgulho, a ilusão da auto-suficiência e do "amor próprio", a fuga para a frente. Sem dar conta que o mal não é um fenómeno exterior a cada um de nós, que a libertação do Homem é um caminho pessoal na aceitação de si próprio inteiro, com todas os falhas, feridas e muita lama nos pés. O mundo seria bem melhor se todos conseguíssemos ressuscitar no Domingo da Páscoa do Senhor. Coisa que não é possível sem a Sexta-feira Santa.  

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Tríduo Pascal - 3

por João Távora, em 05.04.15

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 "Ressurreição" 1499-1500 Perugino 

Vigília Pascal -  Evangelho segundo S. Marcos 16, 1-8


Depois de passar o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamar Jesus. E no primeiro dia da semana, partindo muito cedo, chegaram ao sepulcro ao nascer do sol. Diziam umas às outras: «Quem nos irá revolver a pedra da entrada do sepulcro?». Mas, olhando, viram que a pedra já fora revolvida; e era muito grande. Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Mas ele disse-lhes: «Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui. Vede o lugar onde O tinham depositado. Agora ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse».

 

Da Bíblia Sagrada

Tríduo Pascal - 2

por João Távora, em 03.04.15

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"Cristo crucificado entre dois ladrões" Rubens

 

Sexta-feira Santa - Evangelho segundo S.Marcos 15:33-39


Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona. À hora nona bradou Jesus em alta voz: 'Eloí, Eloí, lamá sabactâni'? que quer dizer, Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? Alguns que ali estavam, ouvindo isto, disseram: Ele chama por Elias. Um deles, correndo, ensopou uma esponja em vinagre e, pondo-a numa cana, deu-lhe de beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo. Jesus, dando um grande brado, expirou. O véu do santuário rasgou-se em duas partes de alto a baixo. O centurião, que estava em frente de Jesus, vendo-o assim expirar, disse: Verdadeiramente este homem era Filho de Deus.»

Da Bíblia Sagrada

 

 

A Cruz

por João Távora, em 02.04.15

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Cristo carregando a sua cruz. Ticiano 1565 

 
A Cruz é sinónimo da libertação: a dor olhos nos olhos, sem resistência à angustia, à dúvida, à incompletude. O desprendimento de nós face a grandiloquência do desconcertante destino torna-se afinal o vislumbre de um lugar de paz interior, de recomeço. A verdadeira revolução que concede a tranquilidade ao Homem: capaz de amar o outro como a si mesmo, capaz de amar o seu inimigo, assumir a sua cruz. A pacificação com o criador – a irmandade em Jesus Cristo. A morte que resulta em Vida, no homem Novo. A cruz é a noite escura de nós que afinal nos faz inteiros, livres do nosso precário personagem, hoje mesmo. A beleza da cruz. Aprendamos a não fugir dela, então. Só assim teremos uma boa Páscoa. 

Tríduo Pascal - 1

por João Távora, em 02.04.15

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Jesus profetiza sua traição por Judas, por Carl Heinrich Bloch.
 

 

 Quinta-feira Santa - Evangelho segundo S. João 13, 1-15

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?». Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».  

Da Bíblia Sagrada

Por mais nada

por João Távora, em 20.04.14

O maior privilégio dos de Cristo, é a confiança íntima de saberem que apenas perante Ele se devem verdadeiramente ajoelhar. 

Domingo de Páscoa

por João Távora, em 20.04.14

Evangelho segundo S. Mateus


Depois do sábado, ao raiar do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram visitar o sepulcro. De repente, houve um grande terramoto: o Anjo do Senhor desceu do Céu e, aproximando-se, removeu a pedra do sepulcro e sentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago e a sua túnica branca como a neve. Os guardas começaram a tremer de medo e ficaram como mortos. O Anjo tomou a palavra e disse às mulheres: «Não tenhais medo; sei que procurais Jesus, o Crucificado. Não está aqui: ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver o lugar onde jazia. E ide depressa dizer aos discípulos: 'Ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis'. Era o que tinha para vos dizer». As mulheres afastaram-se rapidamente do sepulcro, cheias de temor e grande alegria, e correram a levar a notícia aos discípulos. Jesus saiu ao seu encontro e saudou-as. Elas aproximaram-se, abraçaram-Lhe os pés e prostraram-se diante d’Ele. Disse-lhes então Jesus: «Não temais. Ide avisar os meus irmãos que partam para a Galileia. Lá Me verão»

 

Da Biblia sagrada

Boa Páscoa

por Luísa Correia, em 19.04.14

A noite, a angústia, a solidão, o breu

por João Távora, em 18.04.14

 

Sexta-feira Santa

Offline

por João Távora, em 28.03.13

Retiro-me até Domingo para as celebrações do Tríduo Pascal. Votos de uma Santa Páscoa para todos.

Semana Santa

por João Távora, em 06.04.12

 

(...) Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena. 

Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!» 
Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua. 
Depois disso, Jesus, sabendo que tudo se consumara, para se cumprir totalmente a Escritura, disse: «Tenho sede!» 
Havia ali uma vasilha cheia de vinagre. Então, ensopando no vinagre uma esponja fixada num ramo de hissopo, chegaram-lha à boca. 
Quando tomou o vinagre, Jesus disse: «Tudo está consumado.» E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. 
Como era o dia da Preparação da Páscoa, para evitar que no sábado ficassem os corpos na cruz, porque aquele sábado era um dia muito solene, os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. 
Os soldados foram e quebraram as pernas ao primeiro e também ao outro que tinha sido crucificado juntamente. 
Mas, ao chegarem a Jesus, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. 
Porém, um dos soldados traspassou-lhe o peito com uma lança e logo brotou sangue e água. 
Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que diz a verdade, para vós crerdes também. 
É que isto aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: Não se lhe quebrará nenhum osso. 
E também outro passo da Escritura diz: Hão-de olhar para aquele que trespassaram. 
Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas secretamente por medo das autoridades judaicas, pediu a Pilatos que lhe deixasse levar o corpo de Jesus. E Pilatos permitiu-lho. Veio, pois, e retirou o corpo. 
Nicodemos, aquele que antes tinha ido ter com Jesus de noite, apareceu também trazendo uma mistura de perto de cem libras de mirra e aloés. 
Tomaram então o corpo de Jesus e envolveram-no em panos de linho com os perfumes, segundo o costume dos judeus. 
No sítio em que Ele tinha sido crucificado havia um horto e, no horto, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. 
Como para os judeus era o dia da Preparação da Páscoa e o túmulo estava perto, foi ali que puseram Jesus.

 

Evangelho segundo S. João  

O homem novo

por João Távora, em 22.04.11

 

Para muitos, a Páscoa significa hoje em dia apenas uma ocasião para umas pequenitas férias. Uma ansiosa escapadela às opressivas tensões rotineiras, com muitas amêndoas e demais comezainas. Para os católicos praticantes, este deverá ser um período de recolhimento, penitência e oração. Deverá ser um período de reforçada tolerância e entrega aos outros. Deverá ser um tempo de comunhão intensa com Cristo, para uma “travessia interior” que preceda uma sentida redescoberta do “homem novo” em cada um. Homem novo que o cristão empenhado renovadamente deveria alcançar em cada Páscoa. Um homem verdadeiramente amado e assim verdadeiramente livre para viver e amar.

Assim, se Deus quiser, a minha Semana Santa não é uma ocasião para uma escapadela. É a procura de encetar uma outra “viagem”, feita de oração e silêncio na busca da verdadeira felicidade, a Páscoa em comunhão com Jesus.

O Tríduo Pascal é um conjunto de três dias celebrado no Cristianismo que preparam a Páscoa. Começou hoje Quinta-Feira Santa, em que se celebrou a Missa do Crisma em que os sacerdotes renovam os seus votos, e a Missa do Lava-pés ao fim da tarde, em memória do gesto pleno de Amor e simbolismo de Cristo que se dispôs lavar os pés aos apóstolos antes da última ceia. Amanhã, Sexta-Feira, é o dia em que se celebra a Paixão, o único do calendário litúrgico sem Eucaristia (Consagração do Corpo e sangue de Cristo). Este é um dia de jejum e oração marcado pelo ritual da Via Sacra, uma oração em marcha solene que nos lembra, através de "14 Estações", o trajeto seguido por Jesus carregando a cruz entre o Pretório e o Calvário. O Tríduo culmina com a celebração da Vigília Pascal na véspera do Domingo de Páscoa.


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