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Sidonie Gabrielle Colette
Parece que, no Brasil, anda tudo muito preocupado com um anúncio da marca de lingerie Hope em que a modelo brasileira Gisele Bündchen surge apenas em roupa interior ensinando às mulheres como devem dar más notícias aos maridos: apenas em lingerie.
A coisa foi de tal ordem que a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência brasileira – só o nome arrepia per si – quer mesmo que o anúncio seja retirado do ar porque, dizem eles, existe uma mensagem sexista que faz com que se olhe para a mulher como objecto sexual.
Confesso que me faz alguma confusão tudo isto. As marcas de lingerie, sejam elas quais forem, sujeitam deliberadamente a mulher a este papel. E estas aceitam-no. Porque gostam de se sentir sensuais, provocantes e mulheres, mas também porque gostam de agradar à cara-metade. É por isso é que estas lojas existem, dão lucro e vendem. A lingerie, mais do um conjunto de vestuário essencial, é também um objecto criado para satisfação do ego. Da mulher e do homem.
Convenhamos que seria estranho ver um homem a fazer o anúncio ou ver a Gisele Bündchen de gola alta a anunciar lingerie. Estes anúncios têm pouca roupa pela natureza específica do que anunciam. E têm de ter mulheres, de preferência bonitas e com curvas. E a mensagem, subliminar ou directa, é sempre a mesma. Seja da Hope ou de outra marca qualquer.
É, por isso, um perfeito disparate o alegado direito à indignação das autoridades. No século XXI existir uma Secretaria de Políticas para as Mulheres é reconhecer a alegada subalternidade do sexo feminino o que, eu acho, tirando nas sociedades mais tradicionais, já não existe. Por amor de Deus, até o Brasil já tem uma mulher presidenta…
A polémica aqui é estéril e só faz com que o feitiço se vire contra o feiticeiro. Acredito que todas estas notícias despertaram a curiosidade de homens e mulheres e a Hope deve estar a vender bem a sua nova colecção. E, se calhar, com estratégia pensada ou não – eu acredito que sim – é isso que interessa à marca. Passados alguns anos, ainda nos lembraremos, certamente, da Gisele Bündchen a pedir desculpa por ter batido com o carro. Não nos lembraremos, de certeza, da Secretaria de Políticas para as Mulheres…
Incompreensivelmente há por aí uma legião de fãs do Dr. House, um tipo insuportávelmente embirrento, caprichoso e egoísta. Eu pela minha parte prefiro as qualidades humanas da amável Dra. Lisa Cuddy.
Sob o lema da Mulher e a República, hoje por este Portugal fora, por municípios, escolas e instituições diversas comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Acontece que o relacionamento dos dois temas é abusivo, tendo o processo de emancipação feminina na república portuguesa constituído uma inevitável coincidência cronológica consequência dum fenómeno civilizacional transversal ao ocidente liberal judaico-cristão.
Na verdade a I República foi o primeiro regime a excluir expressamente as mulheres da vida cívica, os republicanos não nutriram grande consideração pelas mulheres que genericamente encaravam como um ser inferior, e uma ameaça ao regime revolucionário dada a sua proximidade ao clero e sensibilidade religiosa. Tal preconceito é por demais evidente neste artigo publicado em 1913 no jornal Humanidades conotado com o Partido Democrático. Finalmente convém salientar que as mulheres puderam votar unicamente 1931 sob os auspícios de Oliveira Salazar, e foi também no Estado Novo, em 1934 nas eleições legislativas que pela primeira vez foram eleitas mulheres para o parlamento.
Na imagem reproduz-se o convite emitido para a sessão inaugural da Assembleia Constituinte de 1911 exclusivamente composta por republicanos onde se explicita a limitação do acesso a convidados do sexo masculino.
Imagem daqui
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