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Má publicidade? Mesmo?

por Francisco Mota Ferreira, em 29.09.11
"A mulher que se acha inteligente reclama igualdade de direitos com os homens. Mas a mulher que é realmente inteligente não o faz."

Sidonie Gabrielle Colette

 

Parece que, no Brasil, anda tudo muito preocupado com um anúncio da marca de lingerie Hope em que a modelo brasileira Gisele Bündchen surge apenas em roupa interior ensinando às mulheres como devem dar más notícias aos maridos: apenas em lingerie.

A coisa foi de tal ordem que a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência brasileira – só o nome arrepia per si – quer mesmo que o anúncio seja retirado do ar porque, dizem eles, existe uma mensagem sexista que faz com que se olhe para a mulher como objecto sexual.

Confesso que me faz alguma confusão tudo isto. As marcas de lingerie, sejam elas quais forem, sujeitam deliberadamente a mulher a este papel. E estas aceitam-no. Porque gostam de se sentir sensuais, provocantes e mulheres, mas também porque gostam de agradar à cara-metade. É por isso é que estas lojas existem, dão lucro e vendem. A lingerie, mais do um conjunto de vestuário essencial, é também um objecto criado para satisfação do ego. Da mulher e do homem.

Convenhamos que seria estranho ver um homem a fazer o anúncio ou ver a Gisele Bündchen de gola alta a anunciar lingerie. Estes anúncios têm pouca roupa pela natureza específica do que anunciam. E têm de ter mulheres, de preferência bonitas e com curvas. E a mensagem, subliminar ou directa, é sempre a mesma. Seja da Hope ou de outra marca qualquer.

É, por isso, um perfeito disparate o alegado direito à indignação das autoridades. No século XXI existir uma Secretaria de Políticas para as Mulheres é reconhecer a alegada subalternidade do sexo feminino o que, eu acho, tirando nas sociedades mais tradicionais, já não existe. Por amor de Deus, até o Brasil já tem uma mulher presidenta

A polémica aqui é estéril e só faz com que o feitiço se vire contra o feiticeiro. Acredito que todas estas notícias despertaram a curiosidade de homens e mulheres e a Hope deve estar a vender bem a sua nova colecção. E, se calhar, com estratégia pensada ou não – eu acredito que sim – é isso que interessa à marca. Passados alguns anos, ainda nos lembraremos, certamente, da Gisele Bündchen a pedir desculpa por ter batido com o carro. Não nos lembraremos, de certeza, da Secretaria de Políticas para as Mulheres…

 

Dra. Lisa Cuddy

por João Távora, em 24.11.10

 

 

Incompreensivelmente há por aí uma legião de fãs do Dr. House, um tipo insuportávelmente embirrento, caprichoso e egoísta. Eu pela minha parte prefiro as qualidades humanas da amável Dra. Lisa Cuddy.

Dia Internacional da Mulher

por João Távora, em 08.03.10

 

 

 

Sob o lema da Mulher e a República, hoje por este Portugal fora, por municípios, escolas e instituições diversas comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Acontece que o relacionamento dos dois temas é abusivo, tendo o processo de emancipação feminina na república portuguesa constituído uma inevitável coincidência cronológica consequência dum fenómeno civilizacional transversal ao ocidente liberal judaico-cristão.

Na verdade a I República foi o primeiro regime a excluir expressamente as mulheres da vida cívica, os republicanos não nutriram grande consideração pelas mulheres que genericamente encaravam como um ser inferior, e uma ameaça ao regime revolucionário dada a sua proximidade ao clero e sensibilidade religiosa. Tal preconceito é por demais evidente neste artigo publicado em 1913  no jornal Humanidades conotado com o Partido Democrático. Finalmente convém salientar que as mulheres puderam votar unicamente 1931 sob os auspícios de Oliveira Salazar, e foi também no Estado Novo, em 1934 nas eleições legislativas que pela primeira vez foram eleitas mulheres para o parlamento.

 

Na imagem reproduz-se o convite emitido para a sessão inaugural da Assembleia Constituinte de 1911 exclusivamente composta por republicanos onde se explicita a limitação do acesso a convidados do sexo masculino.  

 

Imagem daqui

 

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